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História As águas do mar guardam segredos - Capítulo 1


Escrita por: e Naliet


Notas do Autor


Olá a todos! Essa é a minha primeira fanfic e bem, espero que vocês gostem😙😙

Muito obrigada a @busanjimin e a @cher pela betagem <3

Capítulo 1 - O mar trouxe o amor


O barco estava cheio, Haseul se sentia extremamente esmagada no meio de tantas pessoas, parecia uma sardinha enlatada. De longe a garota avistava a figura de seu pai, o homem estava sorridente. Num momento de distração, um vento forte passou e a boina de couro do senhor voou em direção às águas, logo a careca branca do homem asiático estava exposta. Ele não deixou isso o abalar e sorriu na direção da filha.

— Até mais, querida! — o homem sorriu alegre enquanto acenava.

O barco deu partida e toda a tripulação foi se ajeitando, Haseul se dirigiu alegremente para o quarto, estava extasiada em sair em uma navegação sem seu pai ou qualquer outro familiar.

Seu quarto era de um tamanho médio, cabia o malote da jovem sem nenhum problema, mesmo que fosse extremamente grande era uma bagagem necessária. Passaria dias e dias presa naquele navio, logo depois iria para uma ilha perto da Europa, soube que por lá havia locais jamais vistos.

Algumas batidas na porta se tornaram audíveis, então a garota correu pelo quarto dando um leve pulo para desviar do malote e abriu a porta rapidamente.

— O que deseja, senhor? — perguntou tentando ser cordial, o homem parecia ser um trabalhador daquele navio.

— O comandante pediu para avisar a todos os passageiros que nós passaremos a noite em claro navegando, esperamos que não se preocupem com a movimentação das ondas sob o barco — sorriu gentilmente e se curvou, segundos depois saiu da porta. Haseul olhou para fora da porta e viu outro homem fazendo a mesma coisa com alguns quartos a frente do seu, juntamente com aquele que havia acabado de conversar.

[...]

O balançar do barco enjoava um pouco Haseul, a jovem teria que admitir que uma viagem em alto mar não era assim tão confortável. Com muita dificuldade, conseguiu pegar no sono, para horas depois, um alto som de trovão fazer a acordar assustada. A claridade que invadiu o quarto parecia chacoalhar ela mais do que o mar.

Um alarme soou, assim mudando totalmente a direção de sua atenção, ela apenas colocou rapidamente um sapato qualquer, não queria encontrar o resto da tripulação sem estar apresentável. Agarrou a bolsa e jogou um caderno especial que possuía dentro, algumas outras coisas já estavam dentro daquela imensidão de cor marrom.

Novamente o alarme soou, Haseul teve a total certeza de que deveria sair de seu quarto e ir ao convés. Ao sair do quarto, sentiu como se estivesse pisando em panos molhados, ao notar que a água havia invadido o lugar ela teve certeza de que algo de errado havia acontecido. Como uma louca sem freios, ela correu até o convés, porém, se deparou com as pessoas mais bem afeiçoadas financeiramente dentro de alguns botes salva vidas. Ao olhar atentamente um outro bote amarelado, ela viu o capitão.

— Capitão! Irá abandonar sua tripulação?! — questionou as ações do homem.

— Prezo mais por minha vida do que por um daqueles incompetentes — deu um sorriso amarelo e voltou a desamarrar as cordas para que seu bote pudesse sair — Olha aqui jovenzinha, recomendo que ache uma maneira de sair desse navio, senão irá morrer como todos os outros.

A garota encarou horrorizada, nunca poderia acreditar que um homem que parecia tão bom e sincero estava abandonando seus colegas de navio. Sua tripulação.

Outro trovão tomou conta do céu, em seguida um raio invadiu toda a extensão de visão do mar, foi então que o navio começou a afundar mais e mais. Como uma grande bola de neve, ela sentiu o navio ser atingido por um daqueles brilhantes feixes de luz, e então a claridade sumiu, dando lugar a uma escuridão eterna.

[...]

Haseul abriu os olhos confusa, o céu azul brilhava e algumas gaivotas o sobrevoavam. O barulho do mar parecia como uma canção de ninar. Rapidamente a jovem se levantou da areia, podia sentir ainda os grãos grudados em seu corpo, tudo isso sem a menor noção de como havia parado lá.

Um flash de memória surgiu na cabeça da garota, o barco afundando, o capitão fugindo com os mais bem afeiçoados financeiramente, e a tempestade da noite anterior. Tudo isso se tornou extremamente fresco na cabeça de Jo Haseul.

— Você está bem? — uma garota com longos fios loiros ondulados disse se aproximando.

O inglês era enrolado, mas era totalmente entendível, possuía um sotaque esquisito que nunca havia ouvido antes.

— Estou — respondeu no seu inglês também carregado de sotaque.

Haseul começou a bater a areia de seu corpo, parou repentinamente ao sentir uma outra mão tocando suas costas. Olhou para trás e viu as mãos da loira, a garota não parecia ver nada demais em tocar uma estranha, então a jovem recém chegada apenas deixou.

— Minha bolsa! — exclamou ao olhar a bolsa pendurada no ombro da desconhecida.

— É sua? Achei bonita... — falou agarrando a bolsa e a abraçando como uma criança. — Tome — soltou ela e a estendeu na direção da jovem.

— Qual seu nome? — perguntou Haseul enquanto batia a areia da bolsa úmida, o sol provavelmente havia secado o objeto — E também... Onde estamos?

— Sou Kim Jungeun — sorriu abertamente e tocou de leve o ombro da jovem. — Você está na ilha de Kwa! Eu sou a filha do chefe. Espero que você goste daqui.

— Ilha de Kwa? Onde diabos fica isso? — questionou.

— Bem, mas bem no meio do mar — sorriu gentil e novamente tocou o ombro de Haseul.

— Kim Jungeun! — um homem alto e grande gritou se aproximando da loira. — Seu pai está te procurando — encarou a outra garota por alguns segundos e depois virou o olhar para a conhecida — Quem é essa?

— Minha nova amiga! — soltou o ombro da jovem, agarrou a mão direita dela e saiu a puxando para mais dentro da ilha.

Após algum tempo andando, as duas finalmente chegaram no que parecia ser o meio da ilha, algumas palmeiras e outros tipos de plantas escondiam a aldeia muito bem, quem passasse por aqui nem pensaria que existia vida humana.

Todos os moradores possuíam cabelos loiros ou um tom de castanho claro, alguns até mesmo olharam estranho na direção de Haseul. Os cabelos negros da garota parecia ser novidade por ali.

— Papai! — Jungeun soltou as mãos da garota e correu até um senhor com rugas nos olhos. Sorriu ao ver sua filha. — Essa é minha nova amiga — falou ao se soltar do abraço.

— Você veio de que lugar? — se aproximou e abaixou um pouco para ficar cara a cara com a jovem.

— Eu estava fazendo uma viagem de navio, de repente veio uma tempestade e o engoliu junto com as ondas do mar — suspirou, se sentia triste só em pensar — Eu estava indo para algum lugar na Europa, iríamos parar em um porto da França.

O homem e alguns moradores da ilha tinham as sobrancelhas arqueadas, então a garota notou que eles não deveriam saber o que era um porto, Europa e a França.

— Eu ia para bem longe! — resumiu rapidamente — Esses lugares em que eu ia são muito longe da minha casa.

— Mas por que você estava indo tão longe de sua casa? —Jungeun interveio e começou a dizer. — Lá não era bom o bastante?

— Não é isso! Eu adoro a minha casa — falou fazendo sinal negativo com as duas mãos. — Eu sou cientista!

— O que é um cientista? — perguntou confusa, era fofo como ela parecia um gatinho curioso.

— Bom... Como posso explicar? — colocou uma das mãos no queixo e tentou criar em sua mente uma forma de dizer o que era um cientista. — Eu estudo coisas novas, como plantas novas, animais e tudo mais que existir? Entendem?  — ao ver que ainda existia resquício de dúvida no rosto dela, a garota teve a ideia deslumbrante de mostrar seu precioso caderno.

Rapidamente abriu a bolsa e retirou o tirou úmido de lá. Provavelmente havia ficado exposta bastante no sol, as folhas estavam apenas com um vergão úmido e algumas páginas grudadas.

Com muita dificuldade a garota conseguiu desgrudar as folhas do pequeno caderno e expôs para os dois nativos. Eles olharam maravilhados para a folha seca da planta que estava colada na página, junto havia alguns hanguls de explicação sobre a espécie da planta e tudo mais.

— Eu estudo coisas assim — sorriu ao mostrar.

— Você vai ser bem útil em nossa ilha — o chefe sorriu gentil para Haseul — Temos alguns doentes por aqui, poderia dar uma olhada?

— Senhor, eu não sou médica ou curandeira — falou um pouco triste, mesmo se quisesse ser médica era um pouco difícil. Ela vinha de uma família muito religiosa,  foi complicado para seu pai sair do looping de religião da família, imagine como seria para ela.

— Venha — agarrou novamente uma das mãos da garota e saiu correndo. Haseul não havia entendido muito bem a situação, por isso, apenas seguiu. — Ei! Qual seu nome?  — questionou ao parar bruscamente.

— Haseul — sorriu levemente com a pergunta, achava que a garota nunca perguntaria.

[...]

Os enfermos da ilha não tinham nada grave, gripes e dores nas juntas era o que afetava todos eles. Haseul fez uma avaliação rápida, seu conhecimento na medicina não era tão eficaz, assim, possuía muitas dificuldades e não poderia nem ser considerada uma enfermeira. No entanto, sabia o básico e soube diagnosticar a todos mais simples. Os remédios que conheciam não se localizavam na ilha, então apenas pegou algumas ervas que reconheceu e misturou em um chá para todos.

— Você deveria ser a nossa curandeira! — Jungeun disse feliz.

A alegria da garota era algo imensurável, Haseul realmente não conseguia entender como ela poderia ser tão alegre e confiar em nela tão plenamente. Ela não passava de uma estrangeira.

— Logo voltarei para minha terra — respondeu simples, sentindo as ondas do mar banharem seus pés.

— Mas como? — questionou a loira confusa. — Nenhum barco sabe a nossa localização, tenho total certeza de que se soubessem já teriam invadido nossa ilha e roubado nossas riquezas.

— Existe uma coisa muito nova, — a curiosidade que emanava de Jungeun deixava Jo com mais vontade de continuar a contar sobre as novas invenções do mundo — criaram o avião, ele voa pelo céu e provavelmente virá me buscar enquanto procura outros sobreviventes no mar.

— Por que seus cabelos são negros? — Mudou completamente de assunto ao tocar nos fios escuros da outra — São como a noite.

— E por que os seus são dourados? — retrucou encarando diretamente o rosto de Kim. — São como o sol da manhã.

O pôr do sol havia se iniciado na praia, as duas estavam sentadas em meio a areia. E como em um conto de fadas não planejado o beijo aconteceu, não para livrar a mocinha do cara mau ou algo do gênero, apenas porque as duas quiseram.

[...]

Os dias foram se passando, e de repente eram semanas, até que um mês foi embora em um piscar de olhos. Sem nem perceber, a cientista estava usando a mesma roupa que os nativos, o pano amarrado na cintura era bordado com algumas palmeiras, tudo isso presente da dona dos fios dourados que havia grudado nela.

As duas eram como unha e carne, ficavam juntas o tempo todo e davam algumas beijocas — na maioria das vezes —, o coração de Haseul se animava apenas em ouvir o nome da filha do chefe da ilha, era uma rotina maravilhosa, as duas dividiam até mesmo a mesma cabana.

Em uma das caminhadas matinais das duas, um barulho repentino se iniciou. Logo um navio apareceu, belo e formoso com uma equipe de resgate. A máquina parecia nova, a pintura estava intacta.

— Você é uma das sobreviventes do naufrágio!? — um homem gritou.

— Precisamos que volte ao Estados Unidos! — finalmente o homem atracou o navio e desceu em terra firme.

— Você vai embora? — questionou Jungeun, com os olhos começando a formar água nos cantos.

— Eu tenho que ir — tocou docemente o rosto de sua (quase) namorada.

— Você vai voltar? — estava chorando, e com o coração apertado, Haseul soltou levemente as mãos do rosto da nativa.

— Lembre-se que todas as vezes que as ondas do mar banharem seus pés e o sol beijar sua pele, serei eu, apenas te amando de longe e de algum lugar bem distante — sorriu de leve e deu as costas, assim indo em direção ao navio atracado rumo ao lugar em que pertencia.


Notas Finais


Agradeço a todos que ajudaram a fanfic na betagem e capa!


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