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História As armadilhas do coração - malec - Capítulo 36


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Notas do Autor


Hello, cheguei rapidinho! Boa leitura ❤️

Capítulo 36 - Querido Alec..


Fanfic / Fanfiction As armadilhas do coração - malec - Capítulo 36 - Querido Alec..

Magnus..


Observei os raios de sol baterem preguiçosamente na cortina.. Tinha acabado de amanhecer, e eu pra variar não dormi direito.

O casamento só aconteceria a tarde, mas eu estava completamente agoniado pra dar um fim nisso.

Olhei o relógio e ainda eram 5 da manhã, fechei os olhos me permitindo cochilar um pouco e acordei por volta das 11h00.

Ainda de pijama me arrastei pro banheiro, escovei os dentes e fui ver se tinha alguém em casa.

Só encontrei Clary na cozinha esquentando alguma coisa no microondas. Ela estava fardada, não sei se indo ou voltando no trabalho.


-Bom dia, Fray.


Me servi com um pouco de café e sentei morto de dor de cabeça. Lembrei da noite anterior que eu fui atrás de Alec, mas não tive coragem o suficiente pra contar os acontecimentos. No último instante cogitei mandar tudo a merda e dizer que também o amava. Mas falta pouco pra isso acabar, e espero em breve pode dizer.


-Bom dia, Mags.


Notei seu olhar desconfiado.


-Onde está mamãe?


-Ela disse que foi encontrar umas amigas, não quer estar aqui quando você for pro cartório.. Palavras dela.


-Argh, ela é tão cabeça dura.


Minha enxaqueca só aumentava.


-Bom, ela não ta em casa. Você pode me contar o que de fato está acontecendo.


A ruiva sentou me encarando com olhos verdes enormes.


-O que você quer saber?


Questionei cansado.


-Magnus, eu não sou idiota. Tá na cara que tem algo acontecendo e tenho quase certeza que envolve o Jordan.


-Isabelle te contou?


-Não, ela é fiel demais a você. Mas eu sei que tem alguma coisa errada. Se não confia em mim o suficiente tudo bem, eu só queria ajudar caso..


-Olha, escuta. Não é questão de confiança, confio em você. Eu te adoro! E é por isso que te manti longe disso.


-Então tem algo realmente acontecendo?


-Tem.. Eu não vou me casar hoje.


-O que? Você desmarcou?


-Não Clary, a história é mais complicada do que parece.


E lá ia eu mais uma vez narrar tudo, e de novo ver a pessoa arregalar os olhos e se encher de fúria. Pois é, esse é o efeito que Jordan causa nas pessoas.

Mais uma vez falei sobre as ameaças, e do quão importante era Alec não saber até o final do dia.


-Eu sabia que tinha alguma coisa errada desde o início, só não quis invadir sua privacidade.


-Já tá tudo esquematizado. Os documentos que vamos assinar são falsos, Simon deu um jeito de arrumar tudo. Tenho quase certeza que Jordan vai querer se encontrar com Elias hoje.


-E você vai junto?!


Falou um pouco alto demais.


-Se for preciso sim.


-Pelo anjo! Não tô gostando nada disso.


-Eu não tô sozinho nessa, estou tenso mas preciso acreditar que vai dar tudo certo.


-Ok, que bom que me falou. Assim preparo minha arma!


O tom de Clary era duro, ela também estava possessa com Jordan.


-Mas lembre-se, tudo tem que acontecer de forma discreta.


Lhe alertei.


-Ser discreta é meu segundo nome.


Respondeu.

.

.

.

.

As horas se passaram e eu não queria sair do chuveiro, era o meu terceiro banho. Quando finalmente tomei coragem, enrolei uma toalha na cintura e fui ver a roupa que Jordan tinha comprado pra mim. Nem me dei ao trabalho de encomendar nada, ele quem fez tudo.

Peguei a caixa de cima do guarda-roupa e um pouco trêmulo abri o laço prateado em volta.

Era um terno branco elegante e uma gravata borboleta preta.

Inspirei fundo diversas vezes, é só o que eu podia fazer.

Me ver dentro daquela roupa era como estar com a corda no pescoço. Me sinto sufocando.

Calcei um par de sapatos pretos bem lustrados e tentei domar com gel o cabelo um pouco crescido dos últimos dias. Até que eu tava bem bonito, mas as olheiras profundas não disfarçavam minha infelicidade.

Queria estar ao lado de Alec agora, tomar chocolate quente sobre as estrelas no mesmo lugar do nosso primeiro encontro. Queria lhe fazer carinho no cabelo e inalar seu perfume na tentativa de acalmar meu coração. Era difícil passar por tudo isso sem ele.


O celular tocou em um bip me tirando de transe. Era uma mensagem de Jordan.


"Aguardo ansioso o nosso finalmente sim!"


-Vai sonhando! 

Bufei.


Procurei o contato de Simon e liguei para confirmar se tá tudo certo. 

Clary bateu na porta para saber se eu já tava pronto. Ela vestia um vestido longo azul e tinha os cabelos soltos em ondas perfeitas. Com uma maquiagem quase imperceptível, ela nunca precisava de tanto.


- Lilith ainda não chegou?


-Se trancou no quarto, disse que não quer falar com ninguém.


-Tudo bem.


Eu estava um pouco triste, mas se contasse a ela com certeza ia querer ir comigo. 


-Ela vai entender.


Minha amiga falou em consolo.


Então era isso, lá vamos nós! 

.

.

.

.

Alec.


Almoçamos em um clima desconfortável preenchido apenas pelo barulho dos talheres.

Papai parecia nervoso e impaciente, a forma que praticamente quicava na cadeira dizia isso.

Izzy estava linda em uma calça longa preta e blusinha de alça branca em contraste.

O cabelo preso em um rabo de cavalo frouxo e o fiel batom vermelho desenhando os lábios. Ela vai pro casamento de Magnus, por isso a produção. Mas minha irmã também aparentava inquietude.

Me veio a sensação que os dois sabiam de alguma coisa que eu não.

E a minha paciência era curta hoje.

Coloquei o garfo com calma no prato e fitei seus rostos tensos.


-E então, alguém vai me dizer o que tá acontecendo?


Izzy engasgou com o suco e papai deu tapinhas em suas costas.


-Você tá bem, filha?


-Tô.. é só a acidez do limão.


Ela ainda tossia.


-Droga! Borrei meu batom.. vou retocar.


Olhou em um espelho do lado da mesa e saiu em direção ao banheiro.


-Como vai o trabalho, Alec?


Robert tentava puxar assunto, mas eu conheço bem quando ele ou Isabelle estão tentando me dar voltas.


-Vai mesmo fazer isso?


Revirei os olhos.


-Isso o que?


-Tentar me enrolar!


-Ei, garotos. Já estão brigando? Por favor, um pouco de maturidade seria ótimo.


Minha irmã voltou do banheiro com o batom novamente impecável.


-Tenho que ir, cuide do papai. Não saia de perto dele.


-Eu estou bem!


Ele respondeu aborrecido.


-Mesmo assim. Prometa que não vai sair do pé dele, Alec?


-Tudo bem, você pode ir tranquila pro casamento perfeito.


Sorri sem humor. Isabelle beijou a minha bochecha e a de papai em seguida saindo apressada.


....


Eram quase 15h00 da tarde. Estávamos largados no sofá vendo Titanic, sim tinha sido escolha do meu pai.

Só que ele não conseguia se concentrar de jeito nenhum no filme, verificava o celular toda hora. Até que chegou um momento em que explodi.


-Já chega! Você vai me falar o que tá acontecendo se quiser mesmo criar algum tipo de reaproximação comigo! Laços de confiança precisam de sinceridade.


-Não tá acontecendo nada.. Você anda muito paranóico.


-E é por isso que tá gaguejando? E com essa cara como se alguém estivesse prestes a morrer?! Não sou paranóico, sou um shadowhunter. Eu exijo saber a verdade, não insulte a minha inteligência.


Os olhos de papai ficaram vermelhos dando indícios de um possível choro, o que me deixou ainda mais aflito.

Um péssimo pressentimento me tomou conta.

Robert se arrastou para mais perto e segurou uma de minhas mãos.


-Prometi nunca mais mentir pra você. Sei que devo te proteger, mas as pessoas precisam entender que já é um adulto, tem direito de saber o que acontece a sua volta. Inclusive eu tenho que aprender isso.


Ele tremia e tinha a mão gelada, e aquelas palavras fizeram meu pressentimento ficar ainda mais forte.


-Do que você tá falando, papai?


Perguntei com medo.


-Magnus..


Minhas pernas adormeceram e senti minha cabeça rodar.


-O que tem o Magnus?


Engoli em seco, e fechei os olhos temendo a resposta.


-Nesse momento ele tá lutando por justiça, se arriscando por isso.


-Pelo amor de Deus, pai! Nesse momento o Magnus tá casando.. ou não?


Papai começou uma narrativa completamente maluca, não sei se eu ouvia direito. Meu cérebro parou de raciocinar quando ele contou que Jordan é aliado de Elias, que está forçando Magnus a se casar em troca de poupar a minha vida.

Vi em um borrão papai me oferecer um copo com água, não sei em qual momento ele trouxe. Minha vista estava um tanto embaraçada, eu não sentia o ar nos pulmões, e lágrimas quentes caíam intensas no meu rosto.


-Vocês.. vocês não pensaram em me contar isso?! Algo tão importante que envolve a mim?!


Gritei me levantando do sofá.


-Eu não sabia, juro!! Só soube ontem, quando marquei um encontro com ele pra conversar.


-Perai, você marcou um encontro com Magnus?!


Sequei o rosto e tentei organizar os pensamentos. Todo mundo sempre tentando me poupar o tempo todo!


-Papai se você disse barbaridades pra ele dessa vez não tem volta, eu nunca vou te perdoar!


-Acha mesmo que eu teria coragem de fazer isso com a pessoa que salvou minha vida? Claro que não! Fui pra me desculpar por tudo.


-Onde é esse cartório?!


Exigi. 


-Eu não sei.


-Pai!!


-Eu não sei! Tô falando a verdade! 


Peguei o celular discando o número de izzy. Ninguém atendeu.

Tentei Simon, também não.

Por último Magnus.


-Inferno, ninguém atende!


Andei de um lado pro outro em pânico.


-Ele não te deu nenhuma pista de onde seja? Nadinha? Por favor, pai! Tenta lembrar. Qualquer coisa. Se Magnus está se arriscando por mim preciso ajudá-lo!


Papai pareceu pensar um pouco.


-Na verdade ele me disse uma coisa sim.


-O que?!


Parei abruptamente prestando atenção.


-Ele disse que se caso algo der errado te dissesse pra procurar a Catarina. Falou que você sabe quem é.


-Sei! Sei!! Vou até lá.


Corri a procura da chave do carro e voei para fora.


-ALEC! ESPERE! eu vou com você.


Papai correu até o carro.


-Vamos logo! Ponha o cinto.


Alertei dando partida para a casa de Cat. O seu horário de trabalho é a noite, essa hora ela deve está em casa. Assim eu espero.


.....


Toquei a campainha diversas vezes até ouvir uma Catarina brava berrar do lado de dentro.


-JÁ VAI, PORRA!! PUTA QUE PARIU QUEM É O LOUCO?!


Ao abrir deu de cara comigo e sua visão vagou de mim para meu pai.


-O que você tá fazendo aqui, Lightwood? Não era pra tá em casa?


-Preciso falar com você.


Falei já entrando. Papai me seguiu e Catarina fechou a porta.


-Pode esperar ao menos eu me vestir?


Apontou para seu pijama de seda.


-Não, infelizmente não posso. Eu já sei da verdade, Catarina. Qual o cartório que o Magnus está? E nem adianta dizer que não sabe, por que você sabe.


Cat fitou Robert com olhos acusadores.


-Você contou pra ele?


-Ele tinha o direito de saber.


Se defendeu.


-Olha só, chega! Eu tô nervoso e preciso encontrar Magnus. Por favor, Cat! Me ajuda!


Uni as mãos implorando.


Muito contrariada Catarina foi até o quarto e voltou com um envelope na mão.


-Ele vai me matar quando souber que te dei isso. Era só pra casos de emergência, mas talvez você possa ajudá-lo. Ao contrário da maioria das pessoas, eu acredito que seja capaz o suficiente de se defender sozinho.


-Obrigado, Cat!


Lhe abracei apertado.


-De nada, de nada. Agora toma, antes que eu me arrependa!


Sentei em uma poltrona próxima e abri o envelope.


"Querido Alec..


"Se estiver lendo essa carta é porque alguma coisa deu muito errado e eu não consegui te contar pessoalmente tudo que aconteceu. Alguém já deve ter te falado que Jordan é um filho da puta de um verme, e eu fiz de tudo pra que ele não se aproximasse de você. Não suportaria vê-lo de novo machucado por minha causa. É engraçado como nessas horas os problemas do passado se tornam tão pequenos, o orgulho é deixado de lado e tudo que você mais quer é proteger quem ama. Sim, Alexander.. Eu te amo! Três anos não mudaram em nada meus sentimentos por você, na verdade tudo só se intensificou. Acho que nunca vou conseguir não te amar. Passe o tempo que for.. Três, dez, cem anos. Você Alec Lightwood, vai ser sempre o amor da minha vida. O garoto com o sorriso mais lindo, puro e ao mesmo tempo tão sacana. A pessoa mais amorosa e fiel que tive o prazer de esbarrar por acaso no meio da rua com a minha bicicleta. Eu amadureci tanto de lá pra cá! Por exemplo, o Magnus de hoje aprendeu com seus erros, o maior arrependimento dele foi não ter sido corajoso o suficiente pra ter ficado e te provado que estava certo. Devia ter te ligado, dito que te amava e tudo ficaria bem, que a gente ia resolver junto.

Eu tinha planos pra compartilhar com você, vê-los desmoronar doeu tanto que pensei que não fosse suportar. O que tivemos e ainda temos é tão especial! Obrigado por ter me amado de forma verdadeira e livre. Uma vez você quase deu a vida por mim, quero que saiba que eu também faria tudo pelo seu bem estar.

Você e cada momento que vivemos estão marcados no meu coração.

Quando te vi pela primeira vez lendo aquele livro e sorrindo sem se dar conta.. A sua gentileza no hospital, foi ali que percebi que tinha me enrascado! Se apaixonar por um desconhecido? Jura, Magnus Bane?! Mas você não era qualquer um, desde o primeiro instante eu soube.

E quando te encontrei novamente no instituto mal pude acreditar na minha sorte.

Nosso primeiro beijo naquele terraço, onde me senti o homem mais completo do universo.

Aquele encontro onde nos beijamos na chuva e eu facilmente podia morar naquele beijo pro resto da vida.

Nossa primeira vez.. Que foi um dos momentos mais doces e bonitos que você me presenteou.

Eu adorava a sua ingenuidade, seus olhos tímidos me olhando como se eu fosse a pessoa mais preciosa do mundo. E quando estávamos juntos eu acreditava, me sentia assim. Você me faz sentir! 

Apesar de adorar o Alec ingênuo eu também amei conhecer o stripper da Pandemonium, não tem noção do quanto roubou meu ar na noite em que te vi dançando naquela mesa. Pra mim só existia você. Sempre foi você, Alec! Sempre vai ser.

Amo todas as suas versões, cada pedacinho seu. 

Guardei por três anos o colar que me deu porque precisava ter algo nosso perto de mim. Uma prova de que não tinha sido um sonho, que tudo que vivemos foi real. Que um dia fui amado por alguém tão lindo e especial.

Me desculpe ter te colocado em tantas situações difíceis, anjos como você não podem voar até o inferno comigo.

Espero que me perdoe um dia.."


Com amor, Magnus."



 




Li a carta em voz alta e não sei quem de nós três chorava mais nessa sala.

As palavras de Magnus rodavam na minha cabeça, ele ainda me ama! Sente falta de cada momento bonito que vivemos. Meu coração sempre sentiu a reciprocidade, mas o orgulho idiota não me deixou ver. 


Não era uma despedida! Não era uma despedida!


-Ah meus Deus!


Olhei para Catarina completamente em choque.


-Não vai acontecer nada, você vai poder me dizer tudo isso pessoalmente..


Continuei olhando a letra bem feita de Magnus.

Só percebi que meu maxilar estava trincado quando abri um pouco a boca para soltar o ar.


-Posso te dar o endereço.


Cat sentou-se do meu lado. Robert ainda se mantinha de pé.


-Você por acaso ainda tem aquelas fantasias dos shows lá no bar?


-Tenho, por que a pergunta?


Franziu o cenho.


Dobrei a carta com cuidado, enxuguei os olhos na camisa branca, e voltei a falar agora com um pouco mais de firmeza:


-Porque preciso de um disfarce.



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