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História As Asas do Poder - Infância Perdida - Vol.1 - Capítulo 9


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, pessoal! Só para avisá-los, eu vou passar a adicionar novos capítulos com menos frequência, como já devem ter percebido. Sério! Eu levei uns dois fins de semana para escrever esse capítulo, e, finalmente, consegui terminá-lo ontem, mas não deu tempo de postar, então estou avisando que isso se repetirá nos próximos meses. Talvez, eu mande um novo no carnaval, como acho que vou ficar em casa.
Mas, fiquem tranquilos, pois meu sumiço não significará que terei abandonado, pois não vou abandoná-la. Desta vez, é pra valer.
Boa leitura!

Capítulo 9 - Encontro macabro


Fanfic / Fanfiction As Asas do Poder - Infância Perdida - Vol.1 - Capítulo 9 - Encontro macabro

Legolas estava seguindo devagar para o quarto. Não tinha pressa, sabia que, mais cedo ou mais tarde, seus pais sairiam daquela sala e iriam em direção ao seu quarto. Porém, ele não precisava ficar esperando-os lá. Podia fazê-lo, enquanto caminhava distraído e tranquilamente pelos corredores, tomando um caminho mais longo. No momento, não precisava se preocupar com seus afazeres diários, pois seus pais disseram-lhe para ir ao seu quarto, portanto lá deveria ficar.

Entretanto, de repente, sentiu seus passos congelarem, no lugar. Ele, inconscientemente, recomeçou a andar, fazendo uma curva que não queria ter feito, que seguia para o outro lado do caminho para os aposentos reais. Legolas não tinha mais controle sobre sua mente. Estava cego, surdo, contudo continuava traçando um percurso estranho, indo direto para a Floresta. Um guarda o viu marchando rápido. Percebendo que ia para a fronteira do reino, correu ao seu encalço:

- Espere, Alteza! Não deve se aproximar muito da Fronteira Sul - porém, ele não lhe deu ouvidos, continuando em frente, sem interromper ou diminuir o passo. Todavia, aquele guarda tinha ordens claras de que não era para ninguém passar por aqueles corredores escuros, sem que estes tivessem a liberação do rei. Aproximou-se mais, tocando seu ombro, a fim de para-lo. - Senhor, não tem perm...

O pobre guarda, que estava apenas fazendo o seu trabalho, não pôde terminar a frase, pois Legolas - ou a "coisa" que o movia - pressionou sua mão direita sobre o alto da sua cabeça, fazendo-o desmaiar. Legolas somente se virou e retomou o caminho depressa, como se tivesse completa segurança de para onde estava indo e não se importasse com a vítima. Depois de não muito andar, Legolas chegou ao Portão Sul, que estava fechado, com outros dois guardas postados, um em cada uma das suas duas extremidades, ao lado das grandes e majestosas portas. Eles nada puderam fazer, porque o mesmo que Legolas havia feito ao primeiro, que tentou impedi-lo, fez com aqueles dois, estes que caíram no chão pesados. Parou diante da porta, olhando ao redor, a fim de verificar se não havia ninguém ali observando. Sobrepôs a mão direita contra o portão, concentrando suas energias. Naquele momento, sua mão ficou negra e sua marca brilhou prateada. Em segundos, atravessou pela porta magicamente e continuou seguindo o percurso, caminhando direto para a imensidão da Floresta, que ainda, por incrível que parecesse, não conhecia. Seus pais não permitiam sua saída do reino, pois temiam que ele ficasse vulnerável à Mormeril, e que ela lhe fizesse algum mal.

Ele seguiu cegamente pela Floresta, afastando-se das trilhas, que ajudavam aos elfos a se localizarem, justamente para não ser encontrado com tanta facilidade, nem tão cedo. Estacou rapidamente. Como se levasse um empurrão, caiu duro na grama. Ficou um curto tempo deitado, parecendo paralisado. Ergueu devagar a cabeça, recobrando os sentidos. Estranhou estar sobre terra molhada. Levantou-se lentamente, como se sentisse dor. Sentia-se despertando de um sono profundo que não lhe fez bem. Ao olhar ao seu redor, percebeu que estava em algum ponto da Floresta. Havia árvores por toda parte, porém ele estava no centro de um círculo, onde elas não ousavam se aproximar. Era pequeno, no entanto um espaço estranho, pois não havia razão aparente de não haver árvores naquela pequenina região. Não conseguia se lembrar de como havia chegado ali, nunca havia estado na Floresta dessa forma. Parecia estar longe do reino. Estava perdido. Com esse pensamento, sentiu seu corpo soar nervoso, o desespero alcançando-o, abraçando-o voraz. Contudo, respirou fundo, sabendo que não adiantaria nada ele ficar aflito, naquele momento:

- Calma. Vai ficar tudo bem. Nana e ada, em breve, irão perceber a sua ausência e mandarão busca de resgate. Até lá, é melhor tentar encontrar uma das trilhas, talvez encontre o caminho de volta.

- Muito inteligente - ouviu uma voz feminina atrás de si. Virou-se bruscamente, assustado, pois pensava que estava sozinho, porém não havia ninguém ali.

- Quem está aí? - Houve uns segundos de silêncio total, nenhum som vinha das árvores, nem dos animais, até o vento parecia ter se calado, sem deixar sua presença ser notada.

- Estou decepcionada, por não ter reparado que eu estava aqui, o tempo todo - virou o rosto para o lado, de onde vinha a voz, porém não havia ninguém ali, novamente.

Entretanto, a voz sombria e carregada de ódio lhe era familiar, fazendo seus pelos se arrepiarem:

- Ai, meus Valar! - Sussurrou espantado para si, tentando se controlar.

- Oh! Então, você se recorda de mim. Afinal, como se esqueceria, não é verdade? - Ela apareceu, de repente, ao seu lado, fazendo-o recuar, com um grito de susto. - Eu inclusive deixei uma lembrancinha minha, no seu aniversário de cinco anos - ela riu alto. Legolas concluiu chocado.

- Mormeril!

- Sim! - Sorriu-lhe maldosamente. - Esse é o meu nome.

- Mas,... como isso é possível? Como me trouxe pra cá!?

- Você é bem intuitivo - revelou-lhe orgulhosa.  - Gosto de pessoas assim, poupam falações - começou a andar ao redor do círculo de terra molhada. 

Ela parecia flutuar, com um vestido comprido e negro, que cobria todo o seu corpo, este que era também todo negro, feita uma alma perdida, vagando sem rumo, como se estivesse amaldiçoada e não tivesse aonde ir. Seu cabelo esvoaça ao ar, desmanchando em fumaça e sombras. Sua escuridão carregava pesar, tristeza, raiva e mal. Era um turbilhão de sentimentos negativos e sombrosos. Seus olhos verdes se destacavam luminosos, em meio à imensidão escura. Legolas estava aterrorizado, com a respiração abafada e o coração palpitando contra o peito, fervendo aceleradamente. Estava suando, porém tremia de frio. Seus olhos azuis a acompanhavam assombrados. Ele sabia que não deveria se expor à Mormeril, no entanto não soube explicar como aquilo aconteceu, tampouco se lembrava do momento em que foi tomado, além do que fez nesse tempo.

A Sombra voltou a falar:

- Por enquanto, esse fato não importa. Mas, como deve ter reparado, a menos que esteja chocado demais para raciocinar, - riu levemente - estamos conectados, e acho que já sabia disso.

- O que foi aquele sonho?

- Ora, não foi um sonho qualquer, como deve saber. De certa forma, tudo se explica por nós sermos tão próximos de irmãos, quanto você ser filho da sua mãe: a Eleniel.

- Nem pense em se aproximar dela - disse num tom ameaçador, que não soube de onde saiu. Estava assustado, com bastante medo dela e do que ela lhe poderia fazer, porém não deveria se mostrar inferior e com tamanho assombro, diante da sua maior Inimiga, principalmente quando o assunto era a sua mãe.

- Agora, você criou coragem? Realmente, não duvido que eu tenha certo orgulho de você, mas você roubou tudo o que me era mais especial, e vai pagar por isso.

- Roubei? Eu... eu nunca roubei nada de ninguém. Eu não sei quase nada sobre você, e você me diz que eu sou seu "irmão"!? - Legolas não conseguiu acreditar que a razão para todo aquele drama era porque ela o acusava de roubo, contudo ele tinha certeza que não havia roubado nada dela, afinal ele se lembraria. - Por que eu faria algo assim? - Questionou, não aguentando mais as dúvidas que bombardeavam a sua mente confusa e agitada.

- Você não teve escolha! - Ela se aproximou tão rápido, que Legolas não viu o instante em que ela se movera, como se tivesse aparecido à sua frente, de repente. - Essa marca que possui no pulso é prova disso! - Pegou seu braço direito bruscamente, arregaçando a manga. A marca parecia não passar de um simples rabisco, naquele momento. - Foi isso o que você tirou de mim - largou, afastando-se depressa.

- Eu... eu não entendo. Eu nasci com isso, faz parte de mim.

- Exatamente - confirmou, com um semblante enigmático. - Mas,... você sabe o que essa marca é? Sabe o que ela representa? Sabe quem e o que você é, realmente, com toda a certeza da sua existência insignificante? Uhm? - Perguntou sugestiva, fazendo o pequeno pensar.

- Isso me parece uma proposta - arriscou.

- Oh! Então, significa que está aberto a um acordo.

- Eu acho que não - esclareceu-lhe sério, evidenciando que não estava interessado. Virou-se, querendo se afastar daquela sombra, porém ela agarrou seus ombros, fazendo-o olhar-lhe nos olhos.

- Preste atenção, rapaz. Estou disposta a responder todas as suas perguntas, pois sei que tenho as respostas certas. Se vier comigo, eu lhe darei explicações, além de que lhe ensinarei tudo sobre a arte alquimista, e você terá que se unir a mim, lutar por mim, e me ajudar a conquistar a Terra-média. Mostraremos o nosso poder, o quanto somos poderosos. Diremos a todos quem nós somos e que a magia negra é mais forte do que todas as demais, inclusive a de luz. Juntos seremos... imbatíveis.

- E, se eu não aceitar? - Perguntou, temendo a sua replicação.

- Se não vier comigo, não se aliar a mim e não se render à magia das trevas, eu vou matá-lo, vou tomar o seu poder de volta e vou subjugar todo o seu reino, inclusive os seus pais. Eles irão sofrer, pela sua perda, e passarão a obedecer a mim. Aqueles que não me seguirem morrerão. Escolha, Alteza - houve um momento de silêncio. Era óbvio que Legolas não aceitaria se unir à sua Inimiga, todavia não poderia ser o responsável pelo sofrimento e pela morte do seu povo, inclusive do seu pai e da sua mãe, principalmente, da sua mãe. Jamais se perdoaria. Por trás de si, ela seguro seus ombros novamente, porém com mais delicadeza. - Leuthao, muindor  (Escolha, irmão) - sussurrou próxima ao seu ouvido.

Nesse momento, ele sentiu um ódio descomunal, por ela o ter chamado de irmão. Virou-se, desvencilhando bruscamente as suas mãos negras dos seus ombros, encarando determinado a Sombra, que o observava com um leve toque de esperança, embora já imaginasse que o garoto não aceitaria. Sentindo-se mais forte, argumentou:

- Você fala essas coisas apenas para eu me sentir convencido de que esse é o mais fácil a se fazer. Aliar-se ao mal é o caminho mais fácil para escapar dele, e não correr dele, ou lutar contra. Mas, eu não sou assim. Eu nunca me uniria a alguém como você - Mormeril, por outro lado, gargalhou malignamente, divertindo-se com aquele pensamento.

- Não me faça rir, garoto - apontou um dedo acusador para a sua direção. - Você não faz ideia de quem eu sou - fez uma pequena pausa, deixando o garoto absorver as suas palavras. - Você acha que é o herói dessa história? Que vai salvar a todos? Criança, - zombou, rindo alto - você não imagina com quem está lidando - aproximou-se veloz, provocando Legolas a segurar a respiração, esse que tentava se controlar perante à sua zombaria. - Eu sou o seu pior pesadelo.

Sobrepôs bruscamente sua mão contra o peito do menino, fazendo-o sentir-se debilitado. A força empunhada naquele gesto provocou a entrega total do Legolas à sua mercê. Ele caiu, sentindo a consciência deixá-lo, deixando que a terra molhada secasse e apodrecesse, instantaneamente. Por fim, desmaiou.

"Estava tudo escuro, não via nada, porém, desta vez, tinha quase certeza de que não estava acordado. Ainda não conseguira interpretar direito o que acontecera, pois a Mormeril o atacou tão repentinamente, que ele mal pôde perceber o que ela lhe causou. Aquela pequena demonstração foi o suficiente para ele entender que estava se metendo numa confusão, da qual, provavelmente, não conseguiria se salvar. Mormeril tinha razão: ele não era forte o bastante para enfrentá-la.

De repente, ainda na completa escuridão, ouviu a sua voz horripilante soar por todos os lados. Sentiu suas pernas vacilarem e caiu ao chão, sentindo suas energias se esvaírem, como o sangue escorre de uma ferida ardente:

-  A hora está chegando - sua voz se repetia em eco, como um sussurro sem fim. - Está muito próxima. O seu tempo está acabando.

- O quê? - Conseguiu ouvir a sua própria voz sair do entalo que se tornou sua garganta seca. Estava assustado, não sabia o que ela queria dizer. - 'O seu tempo está acabando?'  - repetiu, pensando que ela realmente o mataria.

- Acha que pode salvar todo mundo? Que pode salvar a sua família? Que pode salvar a si mesmo, agora? - As perguntas ressoavam torturantes na sua cabeça, fazendo-o tampar as orelhas, porém não conseguia amenizar aquela dor terrível e agoniante. A dor, contudo, não era física, e, sim, emocional. Seu coração estava batendo devagar, muito devagar. Não demorou muito para o Legolas mal conseguir respirar, sentindo o ar fugir dos seus pulmões depressa, sem lhe dar tempo suficiente para se reconstituir.

A voz soou novamente:

- Está com medo?

A partir desse momento, as mesmas frases começaram a se repetir simultaneamente, virando uma mistura de informações que viraram um turbilhão de vozes maléficas, carregadas de raiva. O pobre príncipe se sentia sendo engolido pelas trevas, sendo puxado para a escuridão, para o nada.

- O seu tempo está acabando... Você acha que é o herói dessa história?... Está com medo?... Que pode salvar a sua família?... Você não faz ideia de quem eu sou... Que pode salvar a si mesmo?

E se repetiam, repetiam e repetiam, várias e várias vezes.

Legolas foi torturado mentalmente, de uma forma que ele nunca imaginara que seria capaz de sofrer:

- Pare! - Começou a gritar, ou pensava que gritava, pois, desta vez, não ouviu sua voz, pois ela se perdera no vazio. 

Ele estava se perdendo no vazio.

Entretanto, Legolas se lembrou do seu pai e da sua mãe. Não podia perdê-los, assim como eles não poderiam perdê-lo. Precisava voltar, precisava se concentrar em espantar aquela dor, aquelas vozes do mal, toda aquela treva de si, da sua mente, do seu coração. Precisava impedir que a Mormeril tivesse controle sobre seu corpo.

De repente, ouviu uma voz bela e musical, recordando-se dos momentos em que essa voz bonita o chamara, em muitos alegres e alguns tristes. Lembrou-se dela, e, agora, ela o chamava mais uma vez:

- Nana! - Gritou, sendo capaz de ouvir a própria voz."

Despertou, sentindo o peito arder, ao inspirar o ar com força.

Estava deitado no chão frio e seco. Olhou ao redor, percebendo que a Floresta continuava quieta. Sentiu tontura, ao erguer levemente a cabeça, sentindo a consciência deixando-o, porém lutou para ficar acordado. Podia não ser invencível à Mormeril, todavia precisava ser forte, naquele instante. Depois de alguns longos minutos se recuperando, Legolas se levantou devagar, sentindo dores por todo o seu corpo. Olhou ao redor, vendo apenas árvores. Direcionou o olhar para o céu, vendo que as estrelas estavam começando a surgir. Não reparara que havia ficado tanto tempo na Floresta. Talvez, houvesse demorado demais para acordar. Tentando pensar em para qual direção seguir, olhou para o chão, percebendo, pela primeira vez, que a terra estava preta, tomada pela treva da Mormeril, deixando em destaque o centro daquele pequeno círculo, onde ele estivera desmaiado. Sentiu seu coração apertar, e uma lágrima roçou por sua face, seguindo direto para o solo negro. As árvores que ficavam em volta apodreceram também, demonstrando uma aparência ainda mais feia que as demais, que já haviam sofrido aquele ataque das nuvens negras, que cobriram uma extensa região, no dia em que o jovenzinho nasceu. Ouviu um ruído, vindo da Floresta, seguido daquela voz sombria:

- Pronto para me visitar?

Sua visão ainda estava um pouco distorcida e embaçada, porém sentiu um cheiro horrível e nojento alcançar suas narinas sensíveis. Viu, ao longe, um borrão preto, aproximando-se depressa. Ouviu um rugido de warg, permitindo-lhe identificar o que era aquele borrão:

- Orcs!

Apesar de não enxergar bem, não pensou duas vezes, saindo correndo pela direção oposta. Embora seu coração batesse acelerado, Legolas não o sentia, enquanto fugia desesperado daquelas criaturas.

Correu. Acabou tropeçando numa raiz, caindo de mal jeito. Reclamou de dor, porém não houve tempo para descansar, levantando-se instantaneamente, ao ouvir o grito dos orcs se elevando. Percebendo que não conseguiria escapar deles, virou-se para uma árvore qualquer e começou a escalá-la, o mais veloz que conseguia. Subiu até um ponto bem alto, reparando, mais tarde, que nunca havia subido numa, antes. Escondeu-se por trás do seu tronco, desejando que passassem sem notá-lo. Contudo, um dos wargs o vira escalando, inclusive, ao alcançá-lo, tentou escalar também:

- Ai, não! - Sussurrou para si, desesperando-se. Sua vista ainda não estava boa o bastante para continuar correndo sobre as árvores, pulando de uma para a outra. Entretanto, precisou contar com a sorte, esperando que encontrasse alguém que pudesse ajudá-lo. Respirou fundo, tentando se concentrar no caminho que traçaria, embora visse apenas borrões à sua frente, e saiu correndo em disparada, confiando nos seus instintos naturais. Saltou de uma árvore à outra, enquanto apressava-se, parecendo que voava. Adiante, viu que havia um grande espaço sem galhos próximos da árvore em que estava. Pulou, no momento em que aquele galho havia se acabado, porém estava um pouco mais longe o outro, tendo calculado mal. Quase conseguiu agarrar o galho estendido, conseguindo se segurar num mais próximo da superfície. Com os braços, juntando as forças que lhe restavam, puxou-se para cima, escapando, por pouco, do warg que saltou para pegá-lo, esse que quase conseguira.

Sua respiração estava estugada, mal respirando pelo nariz. Seu pescoço suava muito. Seu coração se manifestava contra o seu peito suado. Sua garganta ardia seca, pedindo algo para aliviar a sede. Olhou para baixo, com a visão melhor a anterior. Embora não fosse perfeita, era o suficiente para Legolas ver que estava cercado por dezenas de orcs, todos montados em wargs terríveis. Alguns destes saltavam, tentando alcançá-lo, porém o galho era alto demais.

Legolas estava agachado, encolhido, tentando se proteger de umas flechas, das quais conseguia se desviar com certa dificuldade, pois ainda precisava se equilibrar naquele galho, e não encontrava mais energia, a fim de continuar correndo e pulando de galho em galho.

Pensando que não conseguiria escapar das próximas flechas, que estavam miradas na sua direção, cobriu a cabeça com um braço, numa tentativa fútil de se proteger. Entretanto, uma voz foi ouvida:

- Parem! - Ao ouvi-la, todavia, Legolas não se sentiu aliviado, pois aquela voz era grossa, firme, forte e aterrorizante. Virou o rosto para encarar o ser que havia gritado, sentindo seus pelos se arrepiarem.

- Não pode ser! - Sussurrou espantado e confuso. Era uma criatura vermelha, grande, diferente dos orcs, porém parecido com estes. Assemelhava-se mais com um outro: Bolg; a quem Legolas reconheceu, por já ter visto sua ilustração num livro que lera. A criatura vermelha tinha cabelos pretos, com uma face estranha e aterrorizante. 

Ele gritou novamente:

- Não podemos matá-lo! A Lugbúrz o quer vivo.

Bolg gritou algo numa língua que o pequeno não entendeu, ao que os demais pareceram corresponder, erguendo suas armas. 

De repente, ouviu-se um som. O som do chifre da Floresta Verde. Ao ouvi-lo, Legolas sorriu aliviado, sentindo a emoção elevar, pois sabia que seus pais estavam a caminho. Tudo o que aconteceu, a seguir, durou em poucos segundos, porém, aos olhos da criança assustada, ocorreu em câmera lenta. 

Elfos da Floresta chegaram, alguns atirando flechas, enquanto corriam sobre as árvores, outros vieram atacando do chão, com as devidas armas em mãos. Legolas viu seus pais se aproximando, gritando pelo seu nome. 

Depois, no segundo seguinte, um warg impaciente pulou contra o tronco da árvore, pegando impulso para saltar mais alto, alcançando o tronco em que ele estava. Legolas não teve tempo de reagir, pois o tronco se partiu, caindo direto ao chão. Sofreu uma queda terrível, batendo forte com a cabeça numa rocha. Reclamou de dor, sentindo o impacto. Sua consciência ia abandoná-lo, se não sentisse seu pescoço sendo agarrado, percebendo que havia uma faca sobre sua bochecha. Ao focar a visão, notou que era aquele orc estranho e vermelho que o segurava, aquele que, de certa forma, ele mesmo ajudara a criar, no sonho.

Nesse momento, Legolas teve a impressão de que o tempo havia parado, pois todos haviam parado de se atacar. Os orcs apontavam suas armas para os elfos, porém estes as direcionavam, com mãos firmes, para o orc vermelho. O pobre pequeno, deitado à mercê daquela criatura, deixava suas mãos levemente levantadas, como meio de rendição, embora se agarrasse à uma pequena esperança de que seus pais conseguiriam salvá-lo. Conseguiu virar um pouco o rosto para o lado de onde os elfos da Floresta apareceram, sendo capaz de ver sua mãe com um arco em mãos, apontando uma flecha, e seu pai com sua espada. O rei falou:

- Se entende o que digo, solte o meu filho, agora - o orc riu.

- Não vou deixar barato para vocês esse salvamento ridículo - apertou mais o pescoço do Legolas, fazendo-o se sentir asfixiado. Inconscientemente, a criança segurou seu braço com as duas mãos. Esse ato de segurança foi o suficiente para o orc vermelho perder a paciência e cortar sua bochecha, fazendo-o soltar um grunhido fraco, levando uma das mãos ao corte. Todos, inclusive os inimigos, aproximaram-se apreensivos. Eleniel esticou ainda mais a corda, pronta para atirar, porém a faca, que a criatura usara para cortá-lo, estava sobreposta sobre o seu coração.

- Pare! - Ela gritou desesperada. Hesitante, abaixou o arco, o que deixou os demais elfos chocados, exceto o Thranduil, que sabia que ela não conseguiria lutar, sabendo que seu único e último filho estava prestes a morrer, não naquele instante. - Quem é você e o que quer?

- Sou Arghob, filho de Mormeril, mas há sangue do seu filho correndo por minhas veias. Seria estranho eu matar alguém que posso chamar de pai?

- Você não vai matá-lo - ameaçou-o a Eleniel, aproximando-se mais, entretanto Thranduil a agarrou pelo braço, como sinal de que não deveria prosseguir.

- Ah, não vou? Vamos ver do que são capazes de fazer: abaixem suas armas e rendam-se, ou eu vou fazer o seu príncipe cuspir muito sangue.

Percebendo que nenhum dos elfos estava disposto a recuar, apertou ainda mais o pescoço da criança, não permitindo que ele respirasse. Legolas começou a mexer as pernas desesperado para conseguir puxar um mínimo de ar, todavia não conseguia, sentindo um gostinho de sangue chegar à sua garganta asfixiada, além de reparar apenas uma luz branca tomando-lhe a vista. Eleniel se sentiu impotente, vendo a maneira como Legolas se debatia. Não aguentando mais ver o seu sofrimento, caiu de joelhos:

- Não! Por favor, pare!

- Abaixem as armas! - Ordenou Thranduil. Todos as abaixaram, contudo aquilo não era o suficiente para o Arghob.

- Larguem as armas! - Num único movimento, todos as deixaram cair sobre a terra. Feito isso, o orc o soltou, fazendo-o recuperar o ar perdido, enquanto tossia exasperado. Não teve muito tempo para respirar em paz, pois Arghob não se demorou a colocar a faca sobre seu pescoço atormentado.

Eleniel o olhou com raiva:

- O que você quer? - Questionou, não aguentando mais aquela tensão, queria seu filho de volta.

- Vim aqui para levá-lo. Com ou sem luta, não vou decepcionar minha senhora.

- Pois, então, saiba que não vou deixar barata a sua saída daqui - ao dizer isso, arrancou uma adaga da sua cintura, ameaçando-o. - Liberte o meu filho, e deixarei partirem de volta para o seu covil.

- Então, vou levá-lo, com luta.

Encararam-se.


Notas Finais


Aqui está o endereço da imagem do Arghob, caso estejam curiosos ou interessados:
https://i.pinimg.com/564x/27/0e/86/270e86fede81ea165899889eb5bf3f00.jpg
Tem também no Wattpad, com uma visualização melhor, eu acho.
Espero que tenham gostado e mandem comentários. Podem me mandar sugestões também, para eu poder melhorar nos próximos capítulos.


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