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História As Aventuras de JK - Capítulo 1



Notas do Autor


oi gente, eu voltei com mais uma fanfic! ah então, essa fanfic está em andamento já tem uns três ou quatro meses kkkkk bastante tempo né? eu prometi essa estória as minhas amigas e enfim consegui concluir, sinceramente não aguentava mais elas no meu pé para escrever. e agora tá ai, uma fic Jikook e bem grande! agora vamos para alguns avisos:

(1): o jimin não é uma mulher e não vai ser chamado pelo feminino okay? ele só usa vestido mesmo e mais pra frente na estória ele irá explicar o por que de usar um vestido, eu acho. não lembro sobre o que eu escrevi.
(2): não tem sexo! é uma tentativa de comédia e foi inspirada em um dos filmes da Disney, nao fiz sexo porque seria bizarro! o +18 é pelos palavrões e algumas piadas.
(3): fiz essa fanfic com a ajuda da @wantermelon_ e @taegukismutual meus bebês lindos! me deixaram na mão algumas vezes mas isso a gente esquece! KKKKKKKKKK é mentira tá

okay, acho que era só isso mesmo...

esse banner foi feito pela @AngellLove18 e a betagem foi feita pela @jolyzinha_tk ... obrigado meninas 💜
espero que gostem e tenham uma boa leitura!

Capítulo 1 - Capítulo Único:


Fanfic / Fanfiction As Aventuras de JK - Capítulo 1 - Capítulo Único:

Essa é a história de como eu morri. Mas não esquenta, é uma história bem legal, na verdade não é nem sobre mim. Essa é a história de um garoto chamado Rapunzel, o amor da minha vida. 

E ela começa com um sol. Era uma vez, um pequeno raio de sol que caiu do céu e desse raio de sol surgiu uma flor dourada mágica. Ela tinha o poder de curar os doentes e feridos. Com o passar do tempo essa flor foi descoberta por uma "velhinha". 

Não esquece dela não, ela é muito importante! 

Séculos passaram e como o tempo voa, ali surgiu um reino, governado por um rei e uma rainha muito queridos pelo povo. E a rainha estava esperando um bebê, porém ela acabou ficando doente e só podia ser curada por uma flor dourada mágica. Que palhaçada! Nem sabiam com o que a rainha estava e já decretaram que ela só podia ser curada por uma flor, que eles nem tinham a certeza se existia ou não. 

Com a notícia de que a rainha estava doente e precisava dessa tal flor, o reino todo se prontificou para partir em busca da cura. Foram muitas pessoas que pararam tudo o que estavam fazendo e saíram em uma "missão" – como eles estavam à procura de uma flor dourada, eu resolvi nomear a missão de "Missão Dourada". Nome 'daora 'né? 

Enfim, vocês lembram da velhinha? Pois então, em vez de dividir o poder da flor com o próximo, ela preferiu ficar com esse segredo apenas para si. Que velha maldita, 'né? Tem um poder do caralho em suas mãos e por puro egoísmo não divide com ninguém. Ok, deixemos os xingamentos para depois. A flor, sendo mágica, concedia a juventude para a velhinha. Ela só precisava cantar uma canção:


"Brilha linda flor,

Teu poder venceu.

Traz de volta já,

O que uma vez foi meu.

Uma vez foi meu."



Bizarro, certo? Sim! Com apenas esta canção ela saia das cinzas, para o pó. Porque não importasse quantas vezes ela cantasse para ser jovem, todas as vezes ela continuaria com aquela cara de maracujá de gaveta. 

E também, não faz sentido essa flor ter poder. Como assim um raio de sol cai do céu e se transforma em uma flor? E essa flor tem poderes. E como a velhinha descobriu os seus poderes? Como ela poderia ser usada para fazer uma cura para algo que nem sabemos o que é? Porque afinal, a rainha adoeceu e ninguém sabia o que ela tinha. 

Veja essas e outras perguntas sendo respondidas amanhã, as 20h00, no JK Repórter.


Numa dessas vezes em que a velhinha cantava para a flor, ela escutou passos e vozes, e correu. Mas, por puro descuido dela, a flor ficou em evidência e os guardas do castelo acabaram por encontrá-la. Após encontrarem a flor, os médicos finalmente fizeram a cura e a rainha ficou bem. 

Um garotinho com lindos cabelos dourados acabou nascendo – se não fosse pela flor, o reino todo poderia jurar que a rainha meteu umas galhadas no rei. O nome dele é… Rapunzel. 

— Saúde! 

Para comemorar o nascimento dele, o rei e a rainha lançaram uma lanterna voadora pelo céu. 


Que inveja! Ninguém nunca me lançou uma lanterna no meu aniversário, as pessoas nem sabem quando é o meu aniversário... Pois é, nasceu na realeza, tem privilégios.

"Mas menino, porque você está contando essas coisas? O que isso tem a ver com a história?" 

Acredite, tem ligação sim com a história. Afinal se não tivesse eu não estaria contando.


Voltando à programação normal… Tudo estava perfeito, o nascimento da criança, a criança e o aniversário da criança, mas tudo o que é bom dura pouco 'né? 

Aquela velhinha maldita apareceu, e ela estava disposta a roubar o poder do cabelo dele. 

— Brilha linda flor, teu poder venceu… — Começando a cantar, o cabelo automaticamente começou a brilhar – 'ó até rimou. E a velhinha, agora deixando de ser uma idosa e se tornando uma mulher "jovem", lentamente levava a sua mão com uma tesoura para tirar um pedaço do cabelo dele. — Traz de volta-a… — Após cortar um pedacinho do cabelo, ele ficara castanho e parou de brilhar, e ela voltou à terceira idade. 

E como a velha tinha uma mente brilhante, ela decidiu roubar a criança. Sim, isso mesmo que você leu, ela ROUBOU a criança. 

Todo reino procurou sem parar, mas ninguém achava o príncipe, porque bem no meio da floresta numa torre escondida, a velha criou o menino como seu filho. 

E assim foi, o menino cresceu dentro daquela torre escondida sob os cuidados da velha, que ele achava fielmente que era a mãe dele. 

Durante todos os anos seguintes, o rei e a rainha continuaram lançando as lanternas no céu, na esperança de que um dia o príncipe perdido voltasse. 

É isso que eu chamo de persistência. 


•°dezoito anos depois°•


— Rá! — O garoto abre a janela violentamente e olha aos arredores encontrando a sua presa, seu camaleão de estimação, Lascal. — É, parece que o Lascal não 'tá escondido aqui fora… — Ele finge que vai se retirar do cômodo e aparece abruptamente pegando Lascal de surpresa. —Te peguei! Agora 'tá vinte e dois pra mim. Quem chegar primeiro a quarenta e cinco ganha. — Lascal não gostou nada disso e apenas permaneceu de cara fechada. — 'Tá bom, qual a sua sugestão? — Ele logo se anima e aponta para o lado de fora da Torre. 

Após pensar muito, Rapunzel decidiu que não, eles não iriam sair da Torre. 

— Para com isso Lascal, aqui não é tão ruim assim… — Rapunzel diz logo após perceber que o seu bichinho não estava nada satisfeito com essa decisão. 

Rapunzel puxou o bichinho e adentrou a torre… Hum, vamos dar entrada à primeira canção desta fanfic. Solta o som no violão DJ. Não, é mentira gente, não terá nenhuma canção aqui não, por direitos autorais. 

Rapunzel, agora dentro da torre, logo começou as suas atividades matinais que ele sempre fazia. Usando seu cabelo e o fazendo de corda, ele abre uma "janela" que fica no teto, para que assim o sol iluminasse a torre. Então, ele logo se apronta para arrumar a casa, já que a sua mãe quase sempre estava fora e deixava a casa para o seu filho arrumar. 

— Mais uma vez o dia está começando. Às sete em ponto, devo varrer o chão… Tudo encerar, polir pra ficar brilhando! Faço assim e no fim, sete e quinze já são. — Rapunzel começa a cantar e a narrar tudo o que ele estava fazendo. — Então começo a ler, um livro ou dois ou três. A minha– 

Desculpa pessoal! Mas a música terá que ser cortada por direitos autorais. E eu não tenho nem dinheiro e nem cabeça para lidar com isso.

Após terminar as suas atividades, Rapunzel se dirigiu à cozinha para pegar a sua torta, que ele mesmo havia feito, e por um milagre não destruiu a torre. Na saída da cozinha, Rapunzel acabou notando algo em cima da lareira, e acabou por decidir que ali seria um ótimo lugar para fazer mais uma das suas pinturas. 

Rapunzel correu até o baú em que guardava as suas tintas e pincéis, retirando dali apenas o necessário para a pintura que iria fazer. Agora, com os materiais em mãos, ele começava a colorir a parede com as ideias que vinham em sua mente. Sua pintura nada mais era do que ele sentado na grama olhando as milhares de "luzes flutuantes" – como ele mesmo chamava –, era o seu maior desejo. Ver aquelas luzes com os seus próprios olhos fora da torre. 


•°enquanto isso°•


Bem longe da torre, agora no castelo, eu estava com os meus 'parças colocando o plano de roubar a coroa do príncipe em ação. Tentávamos andar pelo telhado em silêncio, felizmente éramos profissionais em fazer esses roubos e conseguimos executar cada passo silenciosamente. 

Sem muita enrolação, os irmãos Kim, – Kim Namjoon e Kim Taehyung, os gêmeos idênticos mais diferentes que eu conheço – abriram uma entrada no telhado, que dava direto para a coroa. Desci pela corda que os gêmeos estavam segurando e peguei a coroa. Não sei como aconteceu, mas infelizmente eu meti a minha cabeça no suporte das cortinas, com o brasão do Reino, e acabou fazendo uma barulhada do cão e o suporte caiu, e isso chamou a atenção dos guardas. 

Eu nunca senti tanta dor de cabeça como eu senti quando eu bati ela naquele negócio. 

Os gêmeos me puxaram rapidamente e logo já 'metiamos o pé dali. Corremos desesperados, pedindo para todas as divindades que não fôssemos pegos. Quanto mais eu corria, mais eu ficava tonto – a minha cabeça estava doendo demais, aquele negócio deve ser feito de chumbo. Agora, dentro da floresta, achávamos que os guardas já tinham desistido de nos procurar, mas não, eles ainda estavam nos procurando e a cada vez ficavam mais perto. 

— Eu 'tô começando a ficar cansado! — Taehyung disse, após um tempo de correria. 

— Você não é o único — Seu irmão retrucou, um pouco irritado. Eu não estava escutando mais os passos de cavalos, então parei de correr para respirar e os irmãos logo me acompanharam. 

— Não briguem agora… — Falei um pouco baixo e me apoiei nos meus joelhos para respirar. — Deixem isso para depois, agora temos que nos focar em fugir e ficar com a tiara.

Ficamos descansando por alguns minutos e o Taehyung começou a rir. 

— 'Tá rindo do que, idiota? — Namjoon resmungou.

— Olhem para aquela árvore! — Taehyung ergueu a sua mão e apontou para a árvore atrás de mim.

Nos viramos e nos deparamos com cartazes de "Procura-se", e neles tinham desenhos dos gêmeos Kim e de mim. E como o esperado, eu estava muito narigudo.

— Caraca Jungkook, que nariz lindo 'né? Está parecendo um tucano… — Namjoon disse rindo alto e Taehyung acompanhou ele na risada. Arranquei o meu cartaz da árvore e o rasguei. 

— Vamos sair daqui! 

Começamos a andar e eu ainda podia escutar as risadas deles. Idiotas.

Ao longe, eu comecei a escutar os cavalos dos guardas do palácio, olhei para trás e eles já começavam a aparecer, então corremos. 

— E agora? — Namjoon falou desesperado ao nos depararmos com uma parede de pedra enorme. 


•°enquanto isso parte 2°•


— Hoje, o dia vai ser ótimo, Lascal! — Rapunzel exclamou animadamente e o seu camaleão de estimação concordou com ele.

Rapunzel estava animado, pois iria falar com a sua mãe sobre o que queria de aniversário. Ele tinha a completa certeza de que ela iria dar o que ele quer.

Com o passar do tempo, Rapunzel escutou a voz de sua mãe pedindo para que ele jogasse os seus cabelos para ela subir na torre. Então, ele saiu de onde estava e pegou o cacho de cabelo, que ele cortou a uns dias atrás, e jogou para fora da torre. Sentiu o cacho ficar pesado indicando que a sua mãe está pronta para subir. 

— Ah, Rapunzel! — A sua mãe disse animadamente e foi logo abraçando-o. — Como foi o dia, filho? 

— Um pouco cansativo… Sabe como é 'né? Arrumei a casa toda hoje, cozinhei, pintei e suei muito. — Respondeu e fez uma expressão falsa de cansaço. 

— Minha nossa! Não sei como você aguenta, e falando assim parece até que você é meu empregado… — Ela disse rindo alto e foi se olhar no espelho. Notou que seus cabelos tinha alguns fios brancos que ficavam cada vez mais evidentes com o passar dos minutos. — Rapunzel, a mamãe está cansada, gostaria que cantasse para mim… — A mulher falou em um tom baixo, como se realmente estivesse cansada. 

— É pra já, mamãe! — O menino correu e pegou uma cadeira e um banco, para que ele e a sua mãe sentassem. Como Rapunzel tinha cortado os seus cabelos, que agora estavam batendo em seu quadril, ele teve que sentar de costas para que a sua mãe alcançasse os fios com mais facilidade. — Brilha linda flor, teu poder venceu, traz de volta já o que uma vez foi meu. Cura o que feriu, salva o que se perdeu… Traz de volta já, o que uma vez foi meu! 

Rapunzel cantou tudo muito rápido e quase não deu tempo para a sua mãe acompanhar o que ele estava dizendo. Rapunzel estava muito ansioso e queria logo fazer a sua proposta. Quando ele se virou, deparou-se com a sua mãe "brilhando", não só isso, notou também que os cabelos dela, antes com uns fios brancos agora estavam totalmente negros e sedosos. Não era de hoje que Rapunzel notou que ele serve para isso, para manter a sua mãe jovem. Ele não era bobo e sabia do poder que os seus fios têm.

— Oh, Rapunzel! — A dona sua mãe exclamou irritada por seu filho ter cantado muito rápido.

— Mamãe, amanhã é o meu aniversário sabia? — O garoto disse um pouco alto e aproximou-se do rosto da sua mãe.

— Sim, eu sei, por quê? Ah, já sei… Você quer presentes certo? — A senhora então se levantou e foi para a janela, onde ela deixou a sua cesta com algumas coisas para Rapunzel. — O que você vai querer de aniversário?

— Hum… — O garoto hesitou um pouco mas disse bem alto. — Eu quero ver as luzes flutuantes.

A mulher sentiu o seu corpo travar e as suas mãos suarem. Não queria que o seu filho saísse, muitas coisas poderiam acontecer caso alguém visse o garoto. E ela não queria o perder. 

— O que, querido? 

— A senhora entendeu, eu quero ver as luzes flutuantes. — Rapunzel então subiu na cadeira e puxou uma cortina dando, assim, a visão da sua mais recente pintura: ele vendo as luzes flutuantes. — Sabe, elas aparecem só no dia do meu aniversário, mamãe! Parece que elas são para mim…

— Você quer ir lá fora? — Ela riu desacreditada. Sabia que esse dia ia chegar, mas não imaginava que seria assim tão rápido e cedo. — O mundo é cruel demais.

— Eu sei, mamãe, mas eu quero correr o risco. Quero conhecer pessoas, lugares novos, sentir o vento em meu rosto! Quero ver e sentir coisas diferentes, essa torre é sem graça demais. — Rapunzel suspirou, só pelo olhar da mulher sabia que ela não iria deixar. — Por favor, dona diaba!

— O quê? — "Dona diaba" cruzou os seus braços e olhou irritada para Rapunzel. 

— Quer dizer, dona Diana! Isso, eu quis dizer Diana, seu nome! — Às vezes isso acontecia com Rapunzel, ele trocava o nome Diana por diaba, mas em sua mente, nunca aconteceu dele falar isso na frente dela. — Me desculpa, diaba. Droga, Diana!

É meus caros, não adianta esconder os seus sentimentos, – sejam eles a raiva, angústia, nojo, tristeza – uma hora ou outra eles vão aparecer.


•° na floresta °•


— Iremos escalar! Façam a escadinha pra mim. — Falei e eles me obedeceram. Como Namjoon é o mais forte, ele foi o primeiro a ir para a parede e se abaixar para Taehyung subir nele. Com a escadinha feita, eu comecei a subir e consegui alcançar o outro lado. — Tae, segura a minha mão! — Taehyung segurou a minha mão e usou o seu outro braço para se apoiar. Depois disso ajudamos Namjoon a subir e assim continuamos a fugir. 

Um dos guardas do palácio surgiu com o seu cavalo e tentou nos atacar com a sua espada, mas não deu certo. Quando olhei para o meu lado esquerdo, Namjoon havia sumido. Me desesperei, achando que ele tinha recebido uma espadada e falecido. Não tenho cabeça para perder um amigo nessa vida do crime. 

Pois quem disse que ser ladrão é fácil?

Já comecei a imaginar toda uma situação de enterro na minha cabeça, até que Namjoon aparece segurando uma corda feita de folha, parecendo o Tarzan, e derrubou o guarda do cavalo. 

— Ai minha nossa, achei que você tinha morrido! — Taehyung disse com a mão no peito, parecendo estar aliviado. Tae andou até o cavalo, ficando atrás dele. Ele estava se preparando para subir no cavalo, quando levou um coice. 

— Tae! — Eu e Namjoon falamos ao mesmo tempo e eu tentei ajudar Taehyung a se levantar, mas aí o cavalo começou a dar a louca e tentou me atacar com mordidas. — Desde quando cavalos mordem? 

Namjoon começou a ficar desequilibrado no cavalo, pois o mesmo corria muito rápido tentando me pegar, e eu fazia zigue zague para que ele não me mordesse. Até que o cavalo conseguiu derrubar o Namjoon e veio atrás de mim. Corri como se não houvesse amanhã, gritando por ajuda. Na minha frente, tinha um penhasco, como se estivesse grudado no penhasco também tinha um caule de árvore. Pensei que se eu ficasse em cima do caule, o cavalo ficaria com medo e não me atacaria.

— Rá! Otário! — Dei língua para ele. O que eu não esperava era que aquele cavalo, um animal irracional, fosse subir no caule e me seguir. — Ah não, não, não, não! — Fui andando para trás lentamente, um passo de cada vez e o cavalo me seguia. — Cavalo bonzinho! Cavalo amigo! — Ouvi um barulho e parecia que o caule queria quebrar. Me abaixei rapidamente e abracei o caule. Foi questão de segundos, o cavalo parou no meio do caule, me olhou, o caule partiu e nós caímos.

Tudo ocorreu em câmera lenta para mim. Estavam eu e um cavalo do palácio num caule de árvore que caía de um penhasco. Aquele seria o meu fim, iria morrer com 24 anos. Meu coração batia freneticamente, temendo o pior: eu iria morrer virgem, inacreditável.

No fundo da minha mente, escuto uma melodia, então no meu pensamento mesmo eu começo cantar:

Oh yeah!

24 anos, sinto que me tornei um adulto mais rápido do que todos os outros.

Minha vida tem sido um filme, o tempo todo.

Eu corri para onde o sol nasceu, toda noite. 

É como se eu também tivesse visitado alguém amanhã…


— Ah! — Sai do meu transe e gritei o mais alto que eu pude. O caule bateu em uma pedra e se partiu, eu caí para um lado e o cavalo de outro. 

Rolei pelo chão e parei com a barriga virada pra cima. Abri os olhos lentamente, sentindo o meu corpo doer e a primeira coisa que eu vi foi o céu. Eu morri mesmo. Me levantei aos poucos e, ao olhar para os lados, eu só via mato.

— Nossa que isso, no céu só tem mato! Cadê as mesas com comidas, anjos dançando e cavalos com asas? — Senti a minha mão arder e ,quando olhei para ela, sangrava. — Anjos se machucam, é? Ou será que eu fui pro inferno, por ser ladrão? — Divaguei na minha mente até que notei que não, eu não morri. — Oh céus! Eu estou vivo! 

Nunca senti tanta felicidade como estava sentindo. Ia pular para demonstrar minha felicidade, mas não consegui. Primeiro porque o meu joelho doeu muito ao tentar fazer qualquer movimento e segundo, eu escutei o cavalo relinchando. O sentimento de desespero apareceu novamente, olhei para trás e tinha o que parecia ser umas folhas tampando alguma coisa. Quando eu toquei aquilo, vi que não tinha nada ali atrás, conseguiria me esconder do cavalo. Entrei ali e usei a parede atrás de mim como apoio, pois meu joelho doía muito. 

Pelo canto do olho, observei uma sombra do meu lado. Era o cavalo e ele não me viu, porque estava escondido, então ele foi embora. Suspirei aliviado, ali na caverna não é tão escuro como eu pensava. Na verdade, não é nada escuro, no final da caverna havia uma luz bem clara. 

Curiosidade bateu muito forte e eu segui aquela luz, mancando por causa do joelho. Chegando ao final, encontrei mais mato, flores, um riozinho e uma torre enorme. 

— Uau! — Foi só o que eu consegui dizer, era tudo muito lindo e surpreendente. Como isso surgiu? E quem mora nessa torre? — Bem… Deve estar abandonada. Vou entrar, preciso cuidar do meu joelho. 

Andei até chegar perto da torre, abri a bolsa que eu segurava e tirei duas flechas de dentro dela. Usei as flechas para escalar a torre e incrivelmente deu certo. A torre era bastante alta, mas eu consegui escalar tudo. 

— Ai, ai. — Disse assim que entrei na torre, fechei a janela e fez um barulho muito alto. O lugar ficou bastante escuro, mas eu nem liguei. — Enfim sossego! — Foi a última coisa que eu me lembro, pois eu senti uma pancada forte da minha cabeça e desmaiei.

Alguma coisa 2 x 0 Cabeça do JK.


•° algum tempo depois °•


Acordei me sentindo zonzo, me lembrava de ter subido a torre e depois disso é só um breu. Enquanto eu abria os meus olhos para tentar me localizar, notei que eu estava preso em uma cadeira.

— Isso é… Cabelo? — Levantei a minha cabeça e olhei em volta. Eu realmente estava preso com cabelo. — Onde estou?

No local, só tinha eu preso em uma cadeira. Não via nenhuma outra alma e me desesperei mais ainda, pensava que os guardas haviam me pegado.

— Lutar é inútil! — Uma voz se fez presente e uma silhueta também, de uma garota, mas a voz não parecia com a de uma menina. A pessoa que se escondia nas sombras foi andando lentamente até alcançar a luz e assim eu consegui ver o seu rosto. Sem dúvidas, era a pessoa mais bela que eu já vi. — Quem é você e como conseguiu me encontrar?

Eu falava coisas desconexas, pois não conseguia pensar em nada que não fosse a beleza dele ou dela.

— Quem é você e como conseguiu me encontrar? — Dessa vez a pessoa perguntou com mais firmeza, segurando uma frigideira na sua mão esquerda e na direita um biscoito inacabado; no seu ombro se encontrava um camaleão e os seus cabelos eram loiros e batiam no seu quadril.

— Ata… — Lindo (ou linda) demais! — Hum hum, eu… Não te conheço e nem sei como acabei te encontrando, mas poderia te dizer… — Abaixei a cabeça, me preparando para o bote e sorri, o mais galanteador que eu conseguia ser. — Eai? — Não obtive nenhuma reação. — Como é que vai? Meu nome é JK! Seu dia 'tá bacana, hein?

— Quem mais sabe da minha localização? — A pessoa chegou mais perto do meu rosto com aquela frigideira e começou a me rondar. 

— Eu não faço a mínima idéia! Mas acredito que só eu sei.

Como assim meu charme foi ignorado?

— E qual é o seu nome, loura? 

— É Rapunzel. — Que nominho feio! — E eu sou um menino.

Fiquei quieto e parado, processando algumas coisas… Menino? Um menino que usa vestido?

— Como assim você é um menino? — Virei a minha cabeça para o lado esquerdo até conseguir encontrá-lo. — Você usa vestido!

— Oras! — Senti mais uma pancada na minha cabeça, sorte que dessa vez eu não desmaiei. — E daí se eu uso vestido? Usar vestido não me faz menos homem, e é bem mais confortável do que essa calça que você está usando… Além disso, é uma roupa e roupas não têm gênero!

— Não, eu sei que não te faz menos homem e que roupas não têm gênero… Mas não é comum ver um menino usando vestido! — Rapunzel agora me encarava um pouco irritado. — Me desculpe. — Ele continuou a me encarar por alguns segundos e balançou a cabeça. — Agora, você pode me tirar daqui se não for muito incômodo?

— Não. — Disse por fim e saiu de perto do meu campo de visão. 

— Como assim "não"? Ei! Volta aqui!

— Eu não vou te soltar. Não até você me ajudar…

Lá vem!

Eu não ia aceitar a proposta que ele iria me fazer, mas aí notei que estava sem a minha bolsa, e provavelmente ele a abriu e viu a coroa. Eu não poderia sair dali sem ela, se não os gêmeos Kim me matariam.

— O que você quer? 

Senti o meu corpo ser virado e me deparei com ele, me olhando enquanto sorria pequeno. Esse sorriso só o deixava mais bonito. Foco JK, foco! 

Ele saiu do meu lado e foi andando, subiu em uma cadeira e puxou umas cortinas, revelando um desenho. Provavelmente era ele, sentado olhando umas lanternas. 

— Você sabe o que são essas coisas? — Apontou para o desenho com a frigideira.

— 'Tá falando das lanternas que eles fazem para o príncipe perdido? — Observei Rapunzel murmurar alguma coisa com o seu camaleão e logo ele virou e começou a falar comigo. 

— Amanhã à noite, essas lanternas vão iluminar o céu… E você vai me levar até elas e me trazer de volta para casa, em segurança, e só aí eu te devolvo a sua bolsa. — Encarei ele em total descrença. O garoto parecia que falava sério. Me perguntava por que ele mesmo não ia até lá ver as lanternas. 

— É só isso? — Ele concordou. — Tudo bem, eu te levo até as lanternas!

— Jura? — O garoto começou a dar pequenos pulos animados.

O quê que eu fiz? Acabei de concordar em levar um desconhecido para uma festa do reino com várias lanternas e o pior: o prometi segurança. 

Fiquei perdido no meu próprio pensamento e não notei que o menino tinha me desamarrado da cadeira. O olhei e ele estava sorrindo largamente. Vendo ele assim de perto, me sentia ainda mais encantado.

Eu gosto de homem, será? 

— Bom… Daqui a alguns minutos, nós iremos partir para a nossa aventura! — Rapunzel disse alegremente e correu, sumindo do meu campo de visão. Com meu corpo livre daqueles cabelos, decidi me levantar, mas, ao fazer isso, senti dores muito fortes na coluna, na minha perna e na minha cabeça.

— Ai Rapunzel, o que você fez comigo hein? Eu estou dolorido demais… 

— Digamos que eu tive complicações para manter você escondido. — Escutei a sua voz e tentei segui-la. Quando eu o encontrei, ele estava no que parecia ser uma sala, fechando a janela por onde eu entrei.

— Por que fechou a janela? 

— Para você não fugir oras. — Levou as mãos até a sua cintura e me encarou como se fosse óbvio. — Eu vou tomar um banho, me espera aqui!

— Só pode ser brincadeira! — Sussurrei. Quando eu olhei para a minha frente ele já tinha desaparecido. — Bem, como não tem nada pra fazer, vou explorar a torre.

A torre era pequena, mas tinha muita coisa. O que mais me chamou atenção foi a cozinha, tinha uma torta em cima do fogão e parecia deliciosa. Como eu me ofereci para ser o cão guia daquele menino, acho que tinha direito a uma refeição decente, já que não comi quase nada o dia todo.

Fui caminhando lentamente até a torta – eu parecia um pato manco com esse joelho todo lascado – e quando eu cheguei perto e senti o cheiro dela, meu estômago começou a roncar. 

— Hum… Será que é torta de quê? — Procurei por uma faca e, assim que a achei, cortei a torta que, para a minha surpresa, era de carne. — Ai minha nossa! A minha torta preferida. — Peguei o pedaço com a mão mesmo e comecei a comê-la. Seja lá quem fez essa torta, acertou em cheio, fez do jeitinho que eu gostava.

Enquanto eu me deliciava com a comida, fui explorando a torre. Tentei abrir a janela, mas estava trancada – aquele garoto era esperto. Eu ainda iria descobrir por que raios ele mesmo não saía da torre. 

Passado algum tempo, eu já estava no meu terceiro pedaço de torta, já tinha andado pela torre, mexi no baú de tintas de Rapunzel, vi os livros – mas não os li –, comi alguns biscoitos, cumprimentei o camaleão, acendi uma vela e nada do garoto aparecer. Será que ele morreu? 

Afastei esse pensamento assim que escutei passos na escada. Me virei para trás e lá estava ele, usando um outro vestido. O vestido anterior era rosa e roxo e chegava até o chão, esse de agora era preto em cima e a "saia" do vestido era numa cor bege e seus cabelos estavam presos em um coque. 

— Bom, nós podemos ir… — Ele disse sorrindo e eu tentei sorrir também, mas a minha boca estava cheia, então saiu uma careta muito estranha. — Você 'tá comendo a torta que eu fiz para a minha mãe? 

— Sim! Eu 'tava com fome e encontrei isso, então decidi comer… — Terminei de mastigar o meu último pedaço e me dirigi até a janela. — Pode abrir isso, por favor? 

— Claro, deixa eu pegar mais uns biscoitos… — Ele foi até a cozinha e pegou uma espécie de vasilha para colocar os biscoitos. 

— Coloca mais um pedaço de torta, por favor! 

Depois de colocar comida na vasilha, ele foi até a saída e abriu a janela. Antes disso, ele veio até mim e me deu as minhas flechas, elas me ajudariam a descer melhor. Sua vestimenta balançava de um lado para o outro e eu me perguntava se ele usava roupa íntima feminina.

Me preparei para descer e fui indo devagar demais para uma pessoa normal, pois meu joelho doía a cada mínimo movimento que eu fazia e eu tentava ao máximo não forçar. Senti um vento nas minhas costas e uma risada alta. Lá estava ele, Rapunzel descendo de vez em uma corda e rindo. Ele finalmente desceu e pode se deliciar com a grama em seus pés, e eu, bem, ainda continuava a descer bem lentamente. 

— Vamos JK! Seja mais rápido! — Escutei a sua voz mas não liguei muito, ainda continuei com o meu percurso lento. 


•° algum tempo depois °•


Eu não sei o que falar. Digo, depois de sair daquela caverna e entrar na floresta, Rapunzel começou a agir como uma criança e saiu correndo e pulando por todos os lugares possíveis. Parecia que nunca tinha saído daquela torre – começava a acreditar nisso – e a cada vez que ele ria ou sorria, eu sentia vontade de rir junto. Eu não estava apaixonado, isso é óbvio, mas eu me sentia encantado. 

— Será que eu gosto de homens? — Me refiz essa pergunta e logo tive a atenção do garoto. 

— Você gosta é? 

— Não! Você fica aí prestando atenção no que eu falo é? 

— Às vezes. Você parece um louco resmungando, aí fiquei curioso para saber sobre o que você falava… Gosta de homens?

— Vamos falar do seu camaleão? — Mudei de assunto e segui andando sem olhá-lo. 

— Não, vamos falar de você, que tal? Me parece ser uma ótima ideia. — Correu até me alcançar e segurou no meu ombro.

— Esse lugar parece ser uma novidade para você. Nunca saiu da torre, não é? — Tirei a sua mão do meu ombro e questionei. O sorriso em seu rosto morreu. 

— Por que essa pergunta assim, tão de repente? 

— Só estou curioso! — Após alguns segundo em silêncio, eu tive uma ideia. — Vamos fazer uma brincadeira, uma informação em troca de outra informação, que tal? Você me fala algo sobre você e eu te falo algo sobre mim. — Tentei sorrir e o mostrar mais uma vez o meu charme irresistível. 

— 'Tá bom! Bem, a minha mãe nunca quis que eu saísse da torre, sabe? Ela diz que o mundo é cruel demais para mim e as pessoas podem me fazer algum mal… — Concordei. 

— Então você nunca saiu, nunca viu o mundo? — Pelo canto do olho vi que ele estava bastante pensativo.

— Ah, quê? Não! — Começou a rir e eu tive a impressão de que o camaleão fazia o mesmo. — Eu sempre saí da torre, eu sei que ela não queira que eu fizesse isso, mas não iria passar a minha vida toda trancado naquela torre, é maluquice!  

— Então por que pediu a minha ajuda? — Um pedacinho de esperança me atingiu, achando que ele me chamou porque se interessou por mim. — Ah já sei, gostou do meu charme, não foi?

— Não! Eu só saí e andei pelas redondezas. Nunca entrei na floresta, por isso você está aqui, está me guiando.

O sorriso que eu carregava em meu rosto morreu. Levei a minha língua até a bochecha – tenho essa mania quando estou irritado com algo – e cocei a minha barbicha, também tenho essa mania quando estou pensando, é inconsciente.

— Essa barbicha te deixa parecendo com um bode. — Disse rindo e apontou para mim.

— O que você tem contra bodes? Eles são bonitos… — Meu tom de voz deixava claro o quanto eu estava indignado. 

— Eu não tenho nada contra bodes! Mas essa barbicha não combina contigo, e não se esqueça de que bodes são chifrudos! — Levou a sua mão a sua boca e riu. 

— E não se esqueça, querido, de que bodes dão cabeçadas! — Dito isso, Rapunzel saiu correndo e rindo. Eu o segui também correndo, mas eu corria devagar por causa da minha perna. 



— 'Tá com fome? 

— Sim!

Eu e Rapunzel brincamos por alguns minutos, eu fingia que era o bode e ele um pobre camponês indefeso. Aproveitei para conhecer um pouco sobre ele, sua mãe e o seu camaleão. Ele era muito divertido. Infelizmente tivemos que parar por causa do meu joelho, pois se não fosse por isso teríamos curtido por muito mais tempo. 

Depois disso, seguimos a nossa caminhada até o castelo, mas eu ouvi a barriga dele roncar alto. Os biscoitos e a torta já tinham acabado.

— Vou te levar para almoçar, por minha conta! — Ele virou em minha direção e me lançou o olhar desconfiado. — É sério! Não precisa se preocupar, okay? 

Cortamos o caminho e fomos andando até o restaurante que eu sempre ia com os irmãos Kim. Se eu desse sorte, os encontraria lá, sãos e salvos. 

De longe eu já conseguia avistar o restaurante e aparentava estar cheio, a comida também cheirava. Assim que eu abri a porta, consegui enxergar Taehyung bebendo em uma mesa. Me senti animado e andei rapidamente até ele, com Rapunzel em meu alcance.

— Tae! — Segurei em seu ombro e o puxei até mim. Ele pareceu estar surpreso, mas mesmo assim me abraçou. 

— Cara, eu achei que você tinha morrido! Onde esteve? Namjoon e eu não encontramos o seu corpo e nos desesperamos! — Ele passava as suas mãos nervosas pelo o meu rosto, querendo garantir que eu estava bem. Tae tinha dessas, ele agia como o meu irmão mais velho. — Quando olhamos para baixo, não vimos o seu corpo e nem o do cavalo, me derramei em lágrimas!

— Me desculpa, Tae. Mas eu tive que sair correndo e fui me esconder daquele cavalo impertinente. — Me afastei dele e fui para o lado de Rapunzel. — E bem, eu estava com ele! — Segurei o garoto pelo ombro e o coloquei em minha frente. Taehyung o encarou e sorriu quadrado.  

— Oi! Eu me chamo Kim Taehyung e você? Por acaso você é daquele bordel que o JK frequenta? — Taehyung se aproximou de Rapunzel e apertou o seu ombro e o puxou para um abraço. Senti a minha cara arder e tratei de retirar Rapunzel de perto dele. 

— Ah, oi! Eu sou Rapunzel e não, eu não conheci o JK em um bordel. — Pedi para que ele se sentasse na cadeira e ele fez o que eu pedi. — Na verdade ele invadiu a minha casa, eu bati na cabeça dele e agora estou o obrigando a me ajudar. — Taehyung riu, com certeza achava que era uma brincadeira. 

— Opa! É sério? — Ele nos encarou e nós concordamos. — Nossa! Que forma estranha de se conhecer alguém…

Nem me fale!

— Cadê o Namjoon? — Me sentei em uma das cadeiras. 

— Foi ao banheiro. Já, já ele volta! — Taehyung se juntou a nós e também se sentou. — Vocês vão almoçar? — Concordamos. 

— Mas e aí, o JK vai muito em bordéis? — Rapunzel inclinou o seu corpo e apoiou o seu rosto em suas mãos. 

— Ah, sim, ele vai muito, mas é complicado você sabe 'né? — Rapunzel negou e Taehyung continuou falando. — É que o negócio não sobe… — Taehyung chegou bem perto de Rapunzel e sussurrou, mas eu consegui ouvir apesar disso. Rapunzel explodiu em gargalhadas. 

— Cala a boca, Taehyung, mas que merda! 

— Viu só? Ele não negou, é verdade! — Bufei e larguei aqueles dois conversando sobre a minha disfunção erétil. 

— JK? — Escutei uma voz familiar demais e me virei para procurá-la. — É você, meu velho amigo! — E lá estava Min Yoongi, bêbado.

— Yoongi? Nossa como você está acabado! — Ele fez um bico enorme e me mostrou o dedo do meio. Ele tinha dessas quando ficava bêbado, sempre muito resmungão e manhoso. 

— Não estou acabado! Apenas um pouco desleixado. — Abaixou o seu olhar para a garrafa em suas mãos e começou a rir. — Não acha essa garrafa engraçada?

— Não? Você precisa de ajuda cara… — Fui até ele e dei três tapinhas em suas costas. — Bom eu vou indo, até depois!

Cheguei no balcão do restaurante e me deparei com um outro amigo meu, Jung Hoseok.

— Hoseok! 

— Fala aí, 'mano JK! Como tem andado? — Ele me cumprimentou sorrindo.

— Com as pernas! 

— Uau! Que incrível! — Ele revirou os olhos e eu ri. — Mas eu 'tô falando sério, você sumiu!

— Sim cara! Eu estava fugindo por aí, essa vida é complicada. — Ele me deu um copo com a minha cerveja predileta. 

— Você deveria largar essa vida. — No vai e vem das mãos de Hoseok para preparar as bebidas, eu notei que uma das mãos dele tinha um gancho.  

— O que aconteceu com a sua mão? — Bebi mais um gole da minha cerveja e a minha barriga roncou, pelo visto ela queria comida de verdade. 

— Não aconteceu nada, eu só uso o gancho para me ajudar a pegar algumas coisas. 

— Entendi. Agora, me arranja uma comida decente. Quatro pratos! — Tirei dinheiro do meu bolso e paguei pela cerveja. 

— Está com tanta fome assim? — Hoseok chegou mais perto de mim e sussurrou. — Quem é aquela gracinha ali? É seu namorado? 

— Como sabe que é um menino? E o nome dele é Rapunzel.

— 'Tá na cara que é um menino, não me diga que você não enxergou isso? — Neguei. — Tonto!

O deixei falando sozinho e me dirigi até a mesa. Rapunzel e Taehyung riam muito de alguma coisa aleatória, eu só esperava que não fosse da minha disfunção erétil. Com o passar dos minutos Namjoon se juntou a nós para comer e conheceu Rapunzel. O Namjoon foi bastante simpático, mas eu sabia que ele estava achando aquela situação toda bizarra, ainda mais por a coroa estar na posse de Rapunzel.  

— JK, eu vi você conversando com ele e eu queria saber, quem é ele? — Taehyung apontou para alguém atrás de mim e quando eu me virei, vi que era o Yoongi. Sorri. 

— Está interessado nele, TaeTae? 

— Estou! Agora me fala, quem é ele? 

— O nome dele é Yoongi, e boa sorte! — Taehyung me olhou em completa confusão. — Na maior parte do tempo, ele está bêbado e não fala nada com nada. 

Ele suspirou e aparentemente desistiu, Taehyung nunca teve paciência para gente bêbada. Continuamos a comer e a conversar sobre coisas aleatórias e consegui conhecer um pouco mais sobre Rapunzel, ele era incrível. Às vezes eu me perguntava o que se passava na cabeça da mãe dele por o nomear de Rapunzel. 

— Gente, olha… — Rapunzel apontou para um grupo de caras que estavam tocando no restaurante. — Vamos nos juntar a ele? 

— Eu não canto! — Disse e voltei a beber. 

— Vamos, JK! Vai ser divertido! — Ele nem me esperou responder e já saiu me puxando. Não tive escolha a não ser sentar em um banquinho e me juntar a eles. 

A música era animada e Rapunzel parecia se divertir bastante, as pessoas do restaurante batiam palmas de acordo com a batida da música e eu cantava, ou pelo menos tentava. À essa altura, Rapunzel já estava em cima de uma mesa, rodeado por pessoas e até mesmo Min Yoongi se divertia. Taehyung aproveitou isso para interagir com ele. 

O que vou narrar a seguir é o que me contaram, eu não presenciei essa cena nem nada. 

"Yoongi se interessou por Taehyung e pediu para que ele o seguisse, e foi o que Taehyung fez. Eles foram para fora do restaurante e começaram a se beijar em um local onde nós não estávamos vendo." 

O Taehyung é rápido, hein? 

"Namjoon notando que seu irmão sumiu, foi à procura dele. Ao chegar perto da janela, ele recuou ao ver uma mulher estranha olhando para o restaurante. Ela era alta, magra, tinha cabelos negros e usava uma manta vermelha com um capuz. Ela era muito suspeita e estava acompanhando os movimentos de Rapunzel, aquilo o preocupou e ele veio até mim."

— JK, temos que sair daqui! — Namjoon apareceu do meu lado, ele estava muito nervoso. 

— O quê? Por quê? — Tirei os meus olhos de Rapunzel para vê-lo.

— Tem uma mulher lá fora olhando para ele — Apontou para Rapunzel. — Ela parece que o conhece… E se for a mãe dele? Já pensou nisso? Ela vai o levar e nós não teremos a nossa bolsa. 

Engoli em seco. É verdade, se realmente fosse a mãe de Rapunzel e ela o levar, nós não iríamos ter o nosso ganha-pão. Puxei o garoto da mesa e comecei a questioná-lo.

— Rapunzel, como é a sua mãe? 

— Porque essa pergunta de repente? — O olhei nervoso e ele começou a ficar inquieto. — Bem, ela tem cabelos negros e cacheados, é alta e magra e sempre está usando uma manta vermelha. 

— É ela! A mulher lá fora! — Nem notei que Namjoon havia me seguido. 

— Ela está lá fora? Oh não! Ela irá me levar, eu não quero voltar para casa, JK! — Ele segurou as minhas mãos e me olhou como um cachorro abandonado.

— Fique calmo, ela não vai te levar! Vem, o Hoseok vai nos ajudar. — Segurei em sua mão e fui o puxando comigo. — Namjoon, vá procurar o Taehyung, iremos precisar dele. 

Quando eu finalmente encontrei o Hoseok, corri até ele e o contei sobre a minha situação, ele logo entendeu e nos ofereceu ajuda. Aparentemente o restaurante tinha uma passagem secreta que dava em uma represa, ou algo do tipo. Pedi que Hoseok ficasse de olho em Rapunzel e saí procurando pelos irmãos Kim. Não precisei procurar muito, logo eles apareceram e me seguiram até a passagem secreta. 

— Rapunzel, vá primeiro! — O menino me obedeceu e entrou na passagem, logo após isso os irmãos Kim entraram e eu fui por último. — Obrigado pela ajuda, Hoseok!

— Não tem de quê! E caso vocês sobrevivam, apareçam na festa do reino… 




— E então, o que iremos fazer agora? — Namjoon nos questionou. Já fazia algum tempo que andávamos cegamente pelo túnel da passagem secreta, e eu já estava com fome. Ah, como faz falta aquela torta de carne. 

— Vamos passar a noite na floresta! — Os irmãos Kim suspiraram pesado. — Amanhã de manhã vamos para o reino, festejar com eles até a noite cair e depois iremos nos despedir. — Rapunzel me encarou e sorriu pequeno. Em dado momento da nossa fuga pelo túnel, segurei na mão dele e ele curiosamente não me soltou. 

— Sim! E eu vou devolver a bolsa de vocês. — Fechei os meus olhos imaginando a cena dramática que seria a nossa despedida. 

— Será uma pena! Mas se tudo der certo, podemos continuar mantendo contato… — Taehyung falou e abraçou Rapunzel pelos ombros, fazendo com que ele soltasse a minha mão. — Não quero perder o contato com você.

— Eu também não, Tae.

Continuamos a andar e eu já conseguia enxergar uma luz no fim do túnel.

Que frase estranha, parece até que a hora da minha morte estava chegando. Talvez ela estivesse mesmo. A vida é assim, meus caros, uma hora você 'tá-

— Xiu, cala a boca! Continua a narrar!

— Humrum!

Ao passar da luz, vimos um penhasco e ao lado, a represa. 

— Como vamos descer? — Taehyung perguntou e levou as suas mãos até a cintura. 

— Eu ainda não sei… Alguém tem uma corda? Acho que precisaremos dela. — Namjoon disse e retirou a sua espada que estava guardada em sua cintura. Pra quê, eu já não sei. 

— Ou nós podemos descer por essa escada! — Escutamos a voz de Rapunzel e viramos. Ele estava apontando para uma escada do lado do penhasco. Nós três fomos até lá e realmente tinha uma escada e dava para descer por ali de boas.

— Vamos! 

Descemos rapidamente e tranquilos. Eu já não fui assim, desci meio lerdo por causa do meu joelho.

— 'Bora JK! 'Tá parecendo um velho assim… O que que 'tá pegando com a tua perna? — Namjoon infelizmente notou o meu joelho doente. 

— É só uma ferida pela queda que eu tive com o cavalo, nada demais. — Todos os três me olharam preocupados, mas eu os ignorei e fui andando mesmo assim. — Vão ficar aí parados? Temos que ir logo, daqui a pouco escurece. 

— Eu acho que esquecemos um detalhe. — Taehyung disse e saiu rindo. — Amanhã é um dia especial, para Rapunzel, é o aniversário dele… E estaremos todos fedidos e suados, precisamos de um banho.

— O Taehyung está certo! Não vai ser agradável quatro caras cheirando a bosta em uma festa… Mas não esquentem, amanhã podemos passar na nossa casa e tomar um bom banho. 

— Eu só tenho essa roupa. — Rapunzel falou e apontou para si mesmo. 

— Então eu acho que terá que se vestir como nós.


•° horas mais tarde °•


Ainda era de tarde, e nós conseguimos sair de perto da represa. Eu já podia ouvir o canto dos pássaros, indicando que estávamos chegando na floresta. Todos estávamos suados pela caminhada. O bom era que na floresta tinha um riacho que eu e os meninos sempre íamos tomar banho. 

— Eu vou tomar um banho viu, gente! — Disse assim que avistei o riacho. Retirei apenas as minhas botas e roupas de cima, e já fui me jogando no riacho.

— Eu também quero! — Taehyung e Namjoon repetiu o que eu fiz, ficando apenas com as calças.

— Eu vou ficar apenas deitado. — Rapunzel tirou a bolsa que ele segurava e sentou-se no chão. — Não quero tomar nenhum banho!

— Sim, você quer! — Eu sai do riacho e fui até Rapunzel, o peguei no colo e caminhei até o riacho, escutando os gritos dele e os pedidos para que eu o soltasse. 

Ignorei todos eles e me joguei no riacho, com Rapunzel em meus braços. Os irmãos Kim riam de cara do garoto, que estava revoltado e resmungava que eu tinha estragado o seu vestido. 

— Relaxa, depois ele seca! — Saí nadando e Rapunzel não conseguiu me seguir, pois ele não sabia nadar. — Aproveita essa água deliciosa Rapunzel. 

Passamos os nossos próximos minutos assim, rindo e nadando. Foi uma tarde divertida. Mas infelizmente a noite começou a cair e nós precisávamos nos secar e fazer uma fogueira. 

— Vai pegar a lenha, Namjoon.

— Mas por que eu? — O homem de 1,80 resmungou feito uma criança.

— Duh, porque você é o mais alto e o mais forte! — Respondi e vesti a minha blusa. À essa altura, eu já tinha 70% do meu corpo seco. — Vai logo!

Mesmo resmungando, Namjoon foi pegar a lenha e Taehyung foi procurar alguma coisa para nós comermos. Eu também estaria procurando comida, mas desde que descobriram sobre a meu joelho, eles não me deixaram fazer nada. 

— Só sobrou nós dois. — Rapunzel sorriu para mim e concordou levemente. 

— Vem, senta aqui! — Ele se afastou um pouco e bateu na madeira para que eu sentasse. — Eu queria te mostrar uma coisa, sabe… Mas não queria que os meninos vissem isso.

— Por que não? Eles são legais e não faria nada de ruim com você! — O olhei confuso e fiquei ainda mais confuso quando o vi pegar aquela bolsa. — O que está fazendo?

— Eu trouxe isso por precaução, não sabia se iríamos precisar mas decidi trazer mesmo assim. — De dentro da bolsa, ele retirou uma vasilha com…

— Cabelo?  

Ele me encarou passando a língua nervosamente pelos lábios. 

— Vou te mostrar uma coisa e eu peço para que você não se apavore. 

Meu Deus, é agora! É agora que ele vai me beijar, esperei o dia todo para isso… Ou ele vai me beijar ou ele vai me matar, mas eu me arrisco na primeira. 

Rapunzel levou as suas mãos até a minha calça e a levantou até a altura do meu joelho machucado, inclinei a minha cabeça para o lado um pouco confuso. Depois disso, ele abriu a vasilha e tirou o cacho de cabelo.

— O que você está fazendo? — Ele enrolou o cabelo no meu joelho e começou a cantar. — Rapunzel…?

— Brilha linda flor… Teu poder venceu... — No mesmo instante o cabelo dele começou a brilhar e eu arregalei os meus olhos, até mesmo os fios que estavam amarrados no meu joelho começaram a brilhar. Eu não estava entendendo nada, comecei a procurar pelos meninos mas eu só encontrei o camaleão e ele me olhava sorrindo. 

Quando ele terminou de cantar o brilho se apagou. Em seguida, ele me olhou e sorriu, como se aquilo fosse normal. 

— E então… — Ele retirou o cacho de cabelo do meu joelho e se afastou um pouco. — Tenta mexer. — Fiz o que ele me pediu e movimentei o meu joelho, ele já não doía mais. Eu fiquei em choque e quis gritar, mas Rapunzel me impediu. — Não se apavore. — Tentava gritar, mas nada saía. Na minha mente só se passava a cena de Rapunzel cantando, o cabelo brilhando e o meu joelho se curando. 

— O que é isso? Você é um bruxo por acaso? — Me levantei e comecei a andar de um lado para o outro. — Isso não faz sentido, você apenas cantou… 

— Eu sei, é uma longa história. — Parei de andar e o encarei. — Pode se sentar, por favor? — Mesmo com dúvidas sobre o que ele era, decidi me sentar e escutar a história dele. — Quando eu era criança, a minha mãe descobriu que o meu cabelo tinha propriedades mágicas. Ela falava que as pessoas iriam me roubar e me vender, só para usar o meu cabelo, que ele curava qualquer coisa. E é por isso que eu nunca saí da torre…

— Disse que a história era longa. — Falei baixinho. 

— É só um modo de falar! 

— Entendi, mas a sua mãe ainda continua sendo louca. — Ele me olhou de cara fechada. — É sério, prender um filho, uma pessoa, não é algo normal! E por que raios a sua mãe não prendeu só seu cabelo? Era bem mais fácil prender o seu cabelo! — Cruzei os meus braços. — E foi ela quem cortou o seu cabelo? 

— Não, não foi. Eu que cortei, porque ele me irritava, era muito grande e dava muito trabalho, para lavar e pentear… E ela não poderia cortar, apenas eu posso… — Ele se encolheu, como se estivesse com frio. 

— Como assim?

— Quando alguém o corta, ele fica castanho e perde o poder, mas se eu o cortar, ele ainda continua loiro e cheio de poder. — Ficamos nos encarando por vários minutos. Eu não sabia o que dizer para ele, tudo era muito novo para mim. Eu tentei sorrir, mas não deu certo. 

— Queria ter te conhecido quando tinha um cabelo bem grande. — Rapunzel riu alto e negou.

— Não, você não queria. Era um saco! — Ele se levantou e foi ajustar a fogueira que estava prestes a acabar. — Eu nem conseguia andar direito. 

Copiei o movimento dele e fui tentar ajudá-lo. Até agora nem Namjoon e nem Taehyung apareceram, só tinha eu e ele. 

— Pelo menos agora eu consigo andar, sem nenhum problema… — Fiquei o observando. O cabelo dele era muito bonito, na verdade ele por si só era bonito, mas eu gostaria de saber como ele ficaria tendo o cabelo curto. — Então, obrigado!

— Não precisa agradecer! 

Talvez eu me arrependa, talvez não, porém eu queria fazer isso.

— Rapunzel… 

— Oi?

Me aproximei dele e o beijei. Suas mãos foram até o meu pescoço e eu o segurei pela cintura. Foi um beijo lento e rápido. Não era pra ser rápido, mas aí o Namjoon apareceu.

— Gente… Eu não sabia que demoraria muito para achar lenha e… — Escutamos os passos dele e me afastei de Rapunzel. — Nossa! 


•° dia seguinte °•


Minhas costas doíam demais por ter dormido no chão e o meu pescoço formigava pela grama. Aos poucos eu fui me levantando e observei os outros dormindo. Rapunzel dormiu ao meu lado e abraçado comigo, sorri pela cena dele todo babado. 

Depois que Namjoon e Taehyung apareceram, conversamos e comemos e quando eles foram dormir, eu e Rapunzel continuamos o que estávamos fazendo mais cedo. 

Me espreguicei e acordei os meninos. 

— Vamos gente, acordem! — O pessoal foi acordando lentamente e cada um estava pior do que o outro. Tinha até grama no cabelo do Taehyung. — Preciso urgentemente de um banho, aliás… Por que raios nós não fomos simplesmente para a nossa casa ao invés de dormir na floresta?

— Não sei, deve ter sido pela adrenalina de dormir na floresta e a qualquer momento se atacado por um urso.




Com os nossos banhos tomados e vestes novas e limpas, seguimos em direção ao reino para que Rapunzel tivesse o melhor aniversário da sua vida. Falando nele, como seu estoque de vestidos acabou, ele teve que usar calças e ficou ainda mais lindo do que antes. Suas pernas eram perfeitas e eu nem vou falar da bunda. 

— Vai fazer quantos anos? — Namjoon perguntou de boca cheia por estar comendo um pedaço de bolo.

— Dezoito! 

Passamos por uma ponte e no final dele tinha a porta que dava entrada ao reino. Como tínhamos atrasado um pouco por termos ido tomar banho e comer, o reino todo já estava festejando e tudo estava perfeito. Tinham várias bandeiras com a logo do reino espalhadas por todo o reino, muitas barracas com diversas comidas e havia um grupo se organizando para tocar. 

— Preparado para um dia todo de festa, Rapunzel? — Eu disse e segurei a sua mão. 

— Mas é claro! Finalmente terei um aniversário longe daquela torre… — Ele se aproximou de mim e assim entramos no reino, bem juntinhos. 

Eu estava me arriscando muito por esse garoto, pois eu e os irmãos Kim ainda éramos procurados pelos nossos crimes. 

— JK? — Ouvi meu nome e me tremi na base. Pensava que era os guardas, mas, para a minha felicidade, era só Min Yoongi. 

— Yoon… Quanto tempo! — Segurei o seu ombro e o apertei de leve. 

— Nos vimos ontem cara! E que bom que vocês chegaram, eu encontrei o Hoseok e estávamos planejando passar essa festa juntos. — O Yoongi estranhamente parecia sóbrio e eu não sentia mais aquele cheiro de bebida infernal que ele sempre emanava. 

— Você bebeu hoje? — O questionei e ele negou. 

— Que bom então que você não bebeu, assim podemos aproveitar mais o dia sem nos preocuparmos com um amigo bêbado. — Vi Taehyung chegar perto de Yoongi e apertar fortemente a carne da sua bunda e em seguida o beijar. Ao olhar para os lados Rapunzel e Namjoon estavam fazendo outras coisas e não notaram o novo casal. Para mim era surpresa, eu nem sabia que o Taehyung gostava de homens. 

Com o passar do tempo, Hoseok se juntou a nós e ele estava sem o gancho bizarro. Nós curtimos muito essa festa, comemos, cantamos, dançamos e até mesmo pagamos mico, Namjoon quem o diga. 

Umas garotinhas pediram para fazer uma trança no cabelo de Rapunzel e ele deixou. Como pode um ser humano ficar ainda mais belo? 

— Me dá essa tinta! — Peguei a tinta roxa e entreguei para ele. Rapunzel se ofereceu para fazer algumas pinturas para o reino, eu sabia que ele pintava, mas não imaginava que pintava assim tão bem. 

— Está incrível! — O abracei pela cintura e depositei um selinho em seus lábios. 

— Gente… Os guardas estão vindo! — Hoseok nos disse e eu imediatamente puxei Rapunzel para fora daquela sala. Enquanto eu corria com ele, escutava as pegadas dos guardas, a adrenalina não me deixava sentir medo. Entrei em um beco e, ao meu lado, eu vi um lugar estreito onde eu e Rapunzel poderíamos nos esconder.

— Esse lugar é muito apertado! 

— Eu sei! Mas aqui os guardas não irão nos encontrar, e quem sabe, podemos ter um tempinho a sós. — Assim que terminei de falar, ele me encarou. — Não conseguimos ficar sozinhos com o resto do grupo por perto… — Segurei o seu rosto e me aproximei lentamente dele. — Finalmente poderei tirar um pedaço de você. — Nos beijamos. Mais cedo, nós tínhamos comido uns bolinhos de morango e então o beijo 'tava com o gosto da fruta.

— Não podemos ficar aqui por muito tempo, daqui a pouco irá escurecer e temos que pegar um barco.

— Eu sei, eu sei! Não estraga o clima, vamos ficar aqui por mais alguns minutos. — Voltamos a nos beijar, só que dessa vez o beijo era mais intenso, ele até mesmo arranhava o meu pescoço e aconteceu uma coisa comigo que eu nem imaginava ser possível…

— JK, xiu! Há crianças nesta sala! Se controle.

Ah, então… Quando eu e Rapunzel acabamos com o nosso momento íntimo, voltamos para o nosso grupinho e todos estavam esperando a dança acabar para irem 'pros barcos. 

— Como foi a dança? 

— Muito boa, o Hoseok a deixou mais legal, como sempre. — Namjoon o elogiou e ele se encolheu envergonhado. 

A dança se encerrou e logo um guarda gritava: — Para os barcos! 

Todos conversavam muitos animados com Rapunzel. Como era a primeira vez que ele fazia isso, os meninos contavam a experiência deles. Hoseok tinha desaparecido e quando eu o procurei, ele olhava para o memorial feito para o príncipe perdido. 

— Vem logo, Seok! Os meninos já estão indo…

— Você não acha essa criança familiar? — Ele apontou para o príncipe e ele realmente parecia familiar, os cabelos loiros e grandes, os olhos verdes não me enganavam.

— Você acha que…?

— Meninos! Venham logo! — Nossa teoria foi interrompida por Yoongi que já estava impaciente. Ele odiava andar em barcos.





— Tchau gente! Nos vemos no final da rota! — Acenei para os meninos e eles acenaram de volta. Cada um pegou o seu par e foi para os barcos. Eu, é claro, fiquei com Rapunzel. Queria aproveitar ao máximo o dia de hoje.

— Você disse que não tivemos tempo, mas se esqueceu de que iríamos passar a noite toda juntos! — Rapunzel passou a língua pelos lábios.

— A noite quase toda juntos! — Enfatizei o "quase". Uma hora ou outra iríamos sair dos barcos e ir para a casa dos gêmeos Kim. 

— Não importa! Estamos aqui agora, não? — Ele veio para o meu lado e abraçou o meu braço. Encostei a minha cabeça na dele, acariciando a sua mão e assim ficamos por bastante tempo, esperando que os reis lançassem o primeiro comando para as outras lanternas irem subindo o céu.

No mar, eu consegui ver um pontinho amarelo flutuando e logo depois surgiu mais um, tinha certeza de que era as lanternas. Balancei o meu ombro para que Rapunzel se movesse e ele notasse as lanternas. 

— Eu acho que começou… 

Ele se afastou rapidamente de mim e saiu correndo pelo barco para ver as lanternas de perto. O barco deu uma leve balançada, nada demais, só me fez ficar um pouco enjoado. 

Enquanto Rapunzel se divertia, vendo as lanternas que cada vez mais se aproximavam da gente, eu tentava pegar duas com as minhas mãos. Depois de algum tempo, tive o devido sucesso, agora eu só esperava o momento que Rapunzel notasse a presença das lanternas no barco.

— Olha pra cá, caralho! — Disse irritado após perceber que ele era lerdo demais para notar uma coisa dessa. 

Eu conseguia ver perfeitamente o quanto os seus olhos brilhavam e o quanto ele se mostrava feliz por finalmente ver aquelas lanternas bobas de perto. Ele se sentou de frente para mim e segurou uma delas. 

— No três, você vai empurrá-la para cima e assim ela vai voar, okay? — Ele balançou a cabeça animadamente e nós começamos a contar. Agora com as lanternas voando, junto com as outras, não tinha mais nada para fazer. A diversão era só isso, pegar elas, jogar pra cima e acabou. É muito bobo, mas já que ele pareceu se animar, eu continuava a pegar várias e dar para ele.

— Eu quero te dar uma coisa! — A bunda? Ele remexeu em alguma coisa perto do seu pé e tirou de lá a sua bolsa. — É a sua coroa! Bem… Ela estava aqui comigo o tempo todo.

— Eu sei! Obrigado por me dar, — Tirei a coroa da bolsa e a coloquei do meu lado. —, mas agora eu quero ficar só contigo, sem os meninos, sem guardas e sem coroa. — Ele sorriu e me beijou, mas eu segurei em sua cintura para continuar com o beijo, já que ele iria se afastar. 

Eu passava a mão pelo seus cabelos e sentia as flores que aquelas garotinhas tinham colocado nele. Após o nosso beijo se encerrar, eu fui retirando uma flor de cada vez. 

— Porque está fazendo isso? — Ele me perguntou depois que eu terminei de tirar todas as flores e desfazer a sua trança. 

— Gosto do seu cabelo solto. — Voltamos a nos beijar, só que diferente dos outros beijos, esse era mais lento. 

Lembro de ter ficado a noite quase toda beijando ele, dizendo o quanto ele era bonito, brincando com o seu camaleão – que diferente do filme, não teve uma participação legal, já que a autora se esqueceu de sua existência em muitas das cenas – que por incrível que pareça, gostou de mim. Eu fiz de tudo para que aquela noite se passasse lentamente e ao meu ver deu certo, curtimos tanto e fizemos tantas coisas diferentes, e o tempo passou muito devagar. 

— Já parou 'pra pensar que o seu nome é esquisito? — Eu disse assim que saí do barco. 

— Por que você acha o meu nome esquisito? — Rapunzel começou a rir e abraçou a minha cintura. Eu correspondi o abraço passando o meu braço pelo seus ombros. 

— Sei lá… Rapunzel, sabe? Não é muito comum.

— JK também não é muito comum! E eu não gosto de ser comum! — Nós andávamos lentamente, aposto que os meninos estavam bem irritados com a nossa demora. 

— Nós nem notamos que vocês estavam demorando.

— É Jungkook. — Rapunzel parou, me olhando confuso. — Meu nome verdadeiro é Jeon Jungkook.

— Eu prefiro Jungkook, é bem mais bonito do que JK! — O beijei mais uma vez. 

— Você sabia que o nome do príncipe perdido é Park Jimin? — Falei como se não quisesse nada, porém eu queria descobrir se eu e Hoseok estávamos certos.

— Não, eu não sabia! O que aconteceu com ele? 

— Foi sequestrado, quando bebê, por uma mulher velha. A única coisa que os reis, Park Seokjin e Park Jiyoon, viram foi um manto vermelho e de repente, ela sumiu. — Pelo canto do olho, vi quando Rapunzel, ou Jimin, ficou tenso. 

— É uma história muito triste, não? Ter o filho assim roubado do nada. Mas a criança já voltou pra casa, certo? — Neguei. — Que triste!

— É, isso já tem dezoito anos, os reis nunca desistiram de encontrar o menino. E é por isso que eles sempre lançam essas lanternas, eles ainda têm esperança de encontrá-lo e hoje é o dia do aniversário do príncipe! — Cada palavra que eu dizia deixava ele ainda mais nervoso. — Você sempre via as lanternas no dia do seu aniversário, e aliás, quantos anos você está fazendo hoje mesmo?

— Ah, olha, é os meninos! — Ele me largou e saiu correndo de encontro a eles, fugindo do assunto. Agora eu tinha mais certeza de que ele poderia ser o Jimin ou sabia onde o príncipe estava. 



•° pela manhã °•


Solteiro eu me deito, sem chifres eu me levanto. Muito bom dia, família do zap!


Pela manhã, eu me levantei da cama macia e dessa vez não da grama, e Rapunzel estava do meu lado, dormindo serenamente. 

Aquele era o provável último dia que eu o veria, não estava sabendo lidar com isso. Se aquela mulher que o Namjoon viu no restaurante é mesmo a mãe de Rapunzel, ela vai querer fazer alguma coisa de ruim com ele por ter saído da torre. Ou pode até mesmo fazer alguma coisa contra mim, que concordei em o ajudar. 

— Bom dia, Jungkook! — Desde que Rapunzel descobriu o meu nome, ele só me chama de Jungkook. 

— Bom dia, Ji! — Ele sorriu ainda sonolento e se levantou para lavar o rosto. Estava com tanto sono que nem notou de como eu o chamei. 

Segui o que ele fez e fui tomar um banho. Os irmãos Kim ainda dormiam, Hoseok e Yoongi também. Já que estavam muito cansados, ontem os dois dormiram aqui e Yoongi não tomou uma gota de álcool, me surpreendi isso. 

Tomei um banho lento demais e Jimin também tomou um banho devagar, parecia que nenhum de nós dois queria que o dia acabasse. E sim, eu vou chamá-lo de Jimin, porque eu tenho certeza de que esse garoto é o príncipe perdido. 

— Ah, você realmente tem que ir embora hoje? Não pode ficar por mais alguns dias? — Hoseok resmungou e abraçou Jimin, eles se tornaram grandes amigos. 

— Infelizmente eu tenho que ir, mas eu vou voltar! — Suspirei tentando me agarrar naquilo. 

Eu o levaria até a torre durante a tarde, então aproveitei a manhã toda com ele. Taehyung até mesmo comprou um novo vestido, um verde, para que ele guardasse de lembrança. Ao final da manhã e início da tarde, eu e Jimin pegamos algumas coisas e fomos andando para a torre. Taehyung e Hoseok fizeram drama para que ele não fosse e confesso que eu também queria fazer drama, porém eu me controlei, tinha que ser macho forte. 

Quando Jimin se virou para abraçar Namjoon, eu deixei uma lágrima cair, mas ninguém viu. 

Nós estávamos na floresta, refazendo o mesmo caminho de antes. Sentia as minhas mãos suando e ficava uma coisa estranha, porque era a minha mão e a mão dele suando, e elas estavam juntas. Era suor em dobro. 

— Enfim, chegamos! — Lá estava a torre, aparentemente do mesmo jeito em que a deixamos, nenhum sinal da mãe dele. Andamos até atrás da torre onde tinha uma… — Uma porta? Porque não me falou dela antes? Meu joelho estava machucado sabia?

— Me desculpa! Na hora eu não me lembrei, me parecia muito mais emocionante descer a torre de corda! — Jimin continuava a rir alto da minha cara de bravo. Aquele poderia ser o nosso último momento juntos, não sabia como seria daqui em diante, então dei o meu último beijo nele. 

— Vou sentir falta disso.

— Eu também! Mas eu vou voltar, agora que sei o caminho até a sua casa. — Ele me deu um selinho e abriu a porta da torre. — Esse não é um adeus, mas mesmo assim, adeus! — Rimos alto e nos despedimos mais uma vez, Jimin entrou na torre e fechou a porta. Não consegui sair de perto daquela torre, mesmo depois de escutar os passos dele subindo. 

Depois de tudo aquilo, daquelas coincidências, da história por trás da rainha e do príncipe – e do cabelo loiro e mágico –, das fotos do príncipe bebê e do comportamento dele quando eu o questionei sobre aquelas coisas, nada me tirava da cabeça de que tinha uma ligação ali, que Rapunzel poderia ser o príncipe e que a mulher que se dizia a mãe dele era a sequestradora. Por isso eu corri, corri até chegar no restaurante, precisava da ajuda de Hoseok.

— Hoseok! — Chamei por ele e o vi saindo de trás do balcão para me ajudar. — Preciso da sua ajuda!




— Mas você tem certeza disso? — Contei tudo o que eu sabia para Hoseok e principalmente do comportamento estranho de Jimin na saída do barco.

— Sim, cara! E você viu os reis, certo? Eles se parecem muito com ele, até mesmo o sorriso! E não pode ser uma coincidência, Namjoon disse que a mulher usava um manto vermelho e tinha cabelos negros e cacheados, Jimin disse que a mãe dele era exatamente assim… 

— O que vamos fazer então? Sequestrar ele e dar para os reis? — Concordei como se fosse óbvio. — JK… E se por acaso, não for ele?

— Se não for, os reis infelizmente vão ter que continuar a procurar pelo filho deles… — Hoseok bagunçou os seus fios castanhos e me olhou. 

— Tudo bem, eu vou te ajudar. — Sorri aliviado e me debrucei no balcão. — Toma isso, Rapunzel esqueceu na casa dos Kim. — Ele me entregou a frigideira inseparável que Jimin usava. 

— O nome dele é Jimin! — Hoseok revirou os olhos e pegou as suas coisas. — Vamos pedir ajuda aos outros, não podemos ir sozinhos. 

Hoseok e eu buscamos os irmãos Kim e Yoongi para nos ajudar e também pegamos alguns cavalos emprestados. Seguimos então para a torre, a noite começava a cair, mas eu não ligava, não é como se eu tivesse medo de escuro. 

— Como vamos entrar nisso? — Yoongi falou e apontou para a torre, que continha as janelas fechadas. 

— Eu vou pedir para ele jogar os cabelos. Taehyung, é você quem vai subir e o resto de nós vamos entrar pela porta de trás. — Todos nós descemos dos cavalos e deixamos eles por ali, comendo mato. 

— O quê? Por que só eu vou subir pelos cabelos? E se o cabelo partir?

— O cabelo não vai partir, ele é resistente. — Pedi para que o resto fosse para trás da torre e que apenas Taehyung ficasse aqui comigo. — Eu vou chamá-lo e você sobe, okay? — Ele deu o sorriso mais falso do mundo e mostrou o dedão em um "legal". — Rapunzel, jogue os seus cabelos! — Ninguém respondeu. 

— Eu acho que já vi essa cena em algum lugar, tipo um livro! — Iria mandar Taehyung calar a boca mas o barulho da janela se abrindo me fez parar, logo os longos cabelos loiros apareceram. — Caralho!

— Vai! — Sai correndo e cheguei até onde os meninos me esperavam. — Namjoon, é com você, abre essa porta!

— Não será preciso, ela já está aberta. — Namjoon segurou na maçaneta a girando e assim a porta se abriu, entramos, um de cada vez. 

— Vai você primeiro, JK! — Yoongi, que estava na frente pois foi o primeiro a entrar, disse e se virou para trás. Andei lentamente até chegar ao início da escada, onde tinha uma porta entreaberta. A empurrei lentamente e entrei na torre. 

Tudo estava como o primeiro dia que eu estive aqui, menos a cozinha, parecia que alguém tinha acabado de cozinhar. Escutei um barulho e me virei rapidamente, era só o Taehyung entrando pela janela. 

— Ainda não entendi porque eu que tive que entrar pela janela. — Taehyung adentrou a torre e ficou parado de braços cruzados me olhando. 

— Precaução! — Segurei firmemente a frigideira em minhas mãos e comecei a andar lentamente pela torre. — Vocês três aí — O restante dos meninos saíram de trás da porta. —, vão procurá-lo lá no andar de cima. Eu e Taehyung ficaremos aqui no andar debaixo.

— Esse negócio ainda tem dois andares? — Yoongi resmungou enquanto passava os olhos pela torre. — Daqui eu consigo enxergar teias de aranhas, esse lugar precisa de uma limpeza urgentemente. 

Neguei e continuei a procurar, dessa vez com a ajuda de Taehyung e sua espada. Eu olhava pela cozinha e Taehyung pela sala, notei uma movimentação estranha do lado da porta, parecia uma silhueta de uma pessoa. 

— Taehyung, cuidado! — Falei e ele pode desviar a tempo da faca que aquela mulher tentou enfiar nele. 

— Argh! O que estão fazendo aqui? — A mulher era muito assustadora de perto e a faca que ela segurava a deixava ainda mais assustadora. 

— Não te interessa! — Eu disse com raiva e ela me olhou ainda mais enraivecida. 

— Na verdade interessa sim, invadimos a casa dela. — Taehyung que veio para o meu lado disse em um sussurro.

— Cala a boca! 

A mulher não pensou duas vezes e veio nos atacar com a faca. Taehyung e eu conseguimos desviar de vários golpes dela, não queria a machucar, apesar de tudo ela era a mulher que criou o Jimin. Mas esse pensamento foi por água abaixo quando ela veio com a faca em direção ao meu pescoço. Eu tive que me defender, por isso bati com a frigideira em sua cabeça. 

— Meu Senhor! Você matou a mulher! — Taehyung correu até o corpo caído do chão e tirou os fios de cabelos que ficaram jogados em seu rosto. — E agora?

— E-eu não sei! Meu pai, eu matei uma pessoa! Eu matei a velha! — Fiquei desesperado e fui andando de um lado para o outro. — Eu matei a mãe dele e ele nunca mais vai me perdoar. — Senti algumas lágrimas caírem pelo o meu rosto só de pensar em nunca mais ter o Jimin do meu lado. 

— A nossa amizade acabou por aqui. — Olhei incrédulo para Taehyung.

— Como assim? 

— Ser amigo de um ladrão, tudo bem, já que eu também sou um, mas agora de um assassino, aí já é demais! — Mostrei meu dedo do meio para ele e voltei a andar em círculos pensando em um plano. — Eu 'tô falando sério, não quero ser arrastado pro fundo do poço junto com você.

— Ahhh! — Iria falar mais alguma coisa até que escutei um grito do Hoseok vindo lá de cima, eu e Taehyung subimos as escadas rapidamente. Chegamos lá e eu encontrei o Jimin acorrentado na cama e com um lenço em sua boca. 

— Oh céus! — Corri até ele e tirei o lenço da sua boca. 

— Jungkook, me tira daqui logo! — Namjoon e Yoongi conseguiram quebrar as correntes, assim libertando ele. Quando as correntes caíram, Jimin me abraçou e eu retribui, apertando ele ainda mais. 

— Rapunzel, ou Jimin, não sei, tenho péssimas notícias… — Taehyung falou ofegante. — Sua mãe 'tá morta!

— O quê? — Todos, exceto eu, gritaram. 

— Foi o Jungkook, eu juro! — Jimin se afastou de mim com os olhos cheios de lágrimas e saiu correndo para o andar de baixo. 

— O único aqui que eu vou matar vai ser você! — Falei e desci as escadas em direção a sala, onde Jimin estava. Quando eu cheguei lá, não tinha corpo. 

— Cadê ela? Cadê a minha mãe?

— Eu não sei, ela estava aí! Deitada! — Tentei me aproximar dele mas ele não deixou e me empurrou. Jimin ficava repetindo a pergunta sobre a sua mãe e eu continuava dizendo que não sabia. 

Ótimo, serei condenado por assassinato e ocultação de cadáver. Mereço!

Os passos dos meninos se fizeram presentes, assim como as suas vozes, mas eu não conseguia prestar atenção em nada. Eu só pensava que eu tinha matado alguém e esse alguém ressuscitou e sumiu. Ah, e o pior, eu matei a mãe da pessoa que eu gosto. 

Fiquei tão distraído que não notei aquela mulher se aproximando de mim, com a faca. Quando eu fui tentar impedi-la, foi tarde demais, já tinha recebido uma facada em minha barriga.

— Não! — Namjoon gritou desesperado e veio até mim, tentava falar alguma coisa, qualquer coisa, mas nada saía além de gemidos sôfregos. — Cara, não faz isso comigo! 

Nunca vi o Namjoon chorar. Para mim, essa cena seria bizarra e jamais aconteceria, quer dizer ele sempre foi bem durão e nunca derramou uma lágrima perto de mim, e agora ele estava ali, chorando muito enquanto repetia diversas vezes que não queria que eu o abandonasse. 

Passei os meus olhos pela torre e consegui ver a tempo o Taehyung desferindo um soco na mulher, a derrubando e chutando a sua faca para longe. Ele agora apontava a sua espada para ela. 

A história que poderia ser contada era: ele socou, eu bati com a frigideira e ela morreu. Pelo menos eu não iria para a prisão sozinho. 

Jimin correu para perto de mim e segurou as minhas mãos.

— Calma, eu vou te curar! — Ele tentou sorrir, porém não deu certo, o que saiu foi uma careta estranha.

— Você precisa cortar esse cabelo, se não ela vai te perseguir para sempre. — Consegui dizer sem muita dificuldade e ele negou, já se preparava para pegar uma mecha do seu cabelo e colocar na minha barriga. 

— Você não vai morrer! — Tenho certeza que para os meninos a cena era um pouco estranha. Jimin estava pegando algumas mechas do seu cabelo e colocando sobre a minha barriga e repetindo diversas vezes que eu não iria morrer. — Brilha linda flor, teu poder venceu, traz de volta já, o que uma vez foi meu… Uma vez foi meu! — Escutei um grito do meu lado, provavelmente de Namjoon e em seguida gritos dos outros meninos. Meus olhos fechavam cada vez mais e eu enxergava tudo turvo. Consegui ver novamente o cabelo de Jimin brilhando antes de fechar os meus olhos.

— Jungkook! Jungkook! — Jimin debruçou-se no meu corpo chorando compulsivamente. Os outros meninos logo o acompanhavam no choro. 

— Eu não entendo… Era para ter funcionado! 

— Cala a boca, sua velha mocoroca! 

— Taehyung, fica calmo! 

— Ficar calmo? Como eu vou ficar calmo Hoseok? O meu amigo 'tá morto! Morto! Não tem como ter calma…

— Gente…

— Eu sei, 'tá bom? Eu sei… E ele também era o meu amigo, acha que não dói em mim?

— Gente…

— Não fala "era", faz parecer que ele 'tá morto.

— Ele 'tá morto porra!

— Gente, caralho!

— O quê? — Gritos.

— Olha isso… A faca não tem sangue — Merda! — O Jungkook nunca levou uma facada. — Graças à mente brilhante de Min Yoongi, meu plano foi por água abaixo. Não resisti e me explodi em risadas.

— Ora seu desgraçado, como pôde? — Senti alguns murros do Namjoon em meu braço. Eles doíam pra caralho, mas eu não conseguia parar de rir. 

— Calma gente, foi só uma brincadeira! — Todos os meninos vieram até mim bastante irritados e começaram a me bater. Confesso que eu merecia. 

— Que brincadeira o que, Jeon Jungkook! — Até mesmo o Jimin estava me batendo.




Quando tudo se resolveu, saímos da torre junto com a mãe do Jimin – mais tarde descobri que o seu nome é Diaba, quer dizer, Diana – presa. Pretendíamos levá-la para os reis, teve uma pequena relutância por parte do Jimin, mas ele entendeu que era necessário. 

Ao chegar no palácio e explicar para os guardas quem era aquele menino com longos cabelos loiros, nós fomos mandados para uma sala, muito bonita por sinal, para esperar os reis. Eles abriram as portas desesperados e chorosos. Dá pra imaginar 'né, um filho é sequestrado e dezoito anos depois ele aparece, assim do nada, e pior, um ladrão é quem o entrega para você. 

Não foi preciso nem fazer um exame de DNA, o Jimin era a mistura dos seus pais e o cabelo também indicava quem ele era. Os reis ficaram imensamente agradecidos pelo o que eu fiz, até perdoaram os meus crimes. Oh glória! Não serei mais condenado, nem eu e nem os irmãos Kim. 

— Por favor, me diz que você não vai meter a tesoura nesse cabelo! — Yoongi resmungou choroso enquanto passava as mãos no cabelo de Jimin.

— Sim, eu vou! Pai, pode cortar! — O rei pegou a tesoura e começou a cortar, seus fios automaticamente ficaram castanhos. 

— Adeus cabelo, foi bom enquanto durou! 

— Yoongi, é só um cabelo pelo amor! 

Com a notícia de que o príncipe perdido tinha sido encontrado, o reino todo se alegrou e fizeram uma festa para comemorar isso é durou uma semana. Foi a semana mais feliz da minha vida, vi os meus amigos se divertindo e achando novos amores, beijei muito o Jimin e Taehyung e Yoongi assumiram o seu namoro. Eles terminaram umas três vezes nessa semana de festa. 

Ah, vocês devem está se perguntando sobre o que aconteceu com a Diana, 'né? Então… Ela foi condenada à morte pelos seus crimes, mas quando chegou a hora de cortarem a sua cabeça, ela se transformou em pó e sumiu. Jimin achava que ela tinha morrido e eu acho que ela está viva por aí, procurando uma nova fonte da juventude. 

Velha mocoroca! 

Bem, essa foi a minha história pessoal! A história de como eu morri, conheci o amor da minha vida e de como eu fiz amigos incríveis. Essa foi uma história feliz demais para um ladrão, ou melhor, ex-ladrão. Aprendi muitas coisas com isso, aprendi até mesmo a matar alguém com uma frigideira. Cada um teve o seu final feliz, Namjoon e Hoseok conheceram pessoas incríveis e começaram a namorar, Yoongi largou as drogas pelo Taehyung…

— Ei, eu não sou drogado!

Seria ele, Kim Taehyung, a Universal?

E sobre Jimin e eu, estamos muito felizes, eu não pude pedir pessoa melhor na minha vida. Descobri que eu não tenho disfunção erétil, só não conheci a pessoa certa que fazia a minha banana balançar.

— Ai Jungkook, que nojo! Me dá esse livro aqui, você não vai colocar isso em uma história para crianças! — Hoseok tirou o livro que eu estava escrevendo da minha mão e entregou para Namjoon.

— Tem palavrões nesse livro. O que tem de errado em falar sobre disfunção erétil? É um problema sério! — Hoseok negou me olhando com uma expressão de nojo e se retirou da sala. — Mimimi, seboso!

Escutei a risada mais linda desse mundo e quando olhei para o lado, lá estava ele, Park Jimin sorrindo bobamente pela minha mini discussão com o Hoseok. 

— Amor, você realmente achava o meu antigo nome feio? — Jimin levou os seus dedos gordinhos e fofinhos até a minha bochecha e fez um leve carinho.

— Sim, eu achava! Não combina contigo, prefiro mais Park Jimin. — Dei um selinho em sua boca, ia me afastar mas não consegui, ele me puxou para me dar um beijo de verdade. — O nome era feio, mas a pessoa que tinha ele não era! 

— Que palavras fofas, meu bode. — O Jimin adora me chamar de bode por causa da minha barbicha e eu odeio esse apelido. Ele disse que só vai parar quando eu tirar ela, porém eu me recuso a tirar a minha barbicha. 


Essa foi a história de hoje, fiquem saudáveis, bebam bastante água e até a próxima.

Assinado por: Jeon Jungkook.


Notas Finais


ACABOU!ai pai! que trabalho danado eu tive kkkkkk vocês *amigas* me pagam
enfim, eu espero que vocês tenham gostado...

beijos de melancia 🍉


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