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História As aventuras de Kid danger - Capítulo 3


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Notas do Autor


O texto ficou mais curto que o usual, mas foi o máximo que eu consegui fazer com a minha criatividade.
Vocês viram o final de She-ra?
Eu tive um surto nos últimos episódios e me deu a ideia do capítulo, não que alguém tivesse que quase morrer na fanfic, mas é 🤷🏾‍♀️
Boa leitura.

Capítulo 3 - The Embarrassment


"Perigo! Preciso de ajuda!" Tais frases haviam se tornado constantes na cabeça de Jasper desde a último minuto. Por quê? Bom, é normal que fiquemos assustados quando se está cara-a-cara com um leão em sua jaula. Jasper só não sabia dizer como ou quando foi parar alí, só sabia que estava apavorado. Suas pernas estavam tremendo, suas mãos estavam suadas e seus pelos estavam arrepiados. Tentar escapar sozinho era inútil, a parede do local era muito alta e lisa demais para ser escalada. Estava somente a alguns metros da fera, apoiado em uma elevação na parede, nada que ajudasse muito. Era seu fim.

— Droga! — Resmungou após sua tentativa de subir novamente as paredes. — Eu deveria começar a levantar mais peso.

— Você quer dizer "algum peso", né? — Uma voz soou do alto, ao direcionar seu olhar para o portador da voz, Jasper viu Kid danger com um sorriso debochado.

— Henry! Você tem que me tirar daqui! — O castanho ergueu os braços o mais alto que podia.

— Eu sei. Por isso que eu tô aqui. — Zombou segurando as mãos erguidas e puxou-as para cima. — Já pensou em fazer um regime? — Sua voz soava levemente fraca devido ao esforço que fazia.

Aos poucos Jasper sentiu seus pés saírem do chão daquele jaula e seu corpo ser elevado. Com ajuda de Kid danger conseguiu se livrar do olhar do felino. Fez esforço para ficar de pé, mas a adrenalina ainda dava um efeito de morfina em seu corpo o deixando mole, foi necessário ser segurado pelo quadril por Henry para não cair no chão.

Era para somente ajudar Jasper a permanecer de pé, mas era como se a gravidade puxasse o loiro para mais próximo do outro, seus olhos estavam presos nos cerúleos de Jasper. O castanho não estava diferente, os olhos castanhos de Henry pareciam tão brilhantes. Unindo mais os corpos, o loiro puxou mais os quadris do menor. Elevou sua mão até a nuca de Dunlop e a puxou até rente seu rosto.

A palma de sua mão estava fria e seu hálito de hortelã podia ser sentido claramente. Sentiu seu corpo ser sacudido mesmo estando nós braços do loiro. Estavam tão próximos, os cílios de Henry faziam cócegas em seu rosto. O balanço continuou sendo seguido de uma voz distante. Parecia a voz de Henry, mas como era possível?

— Jasper! Jasper! — A voz chamava alto, a voz dava uma sensação estranha, como se o sugasse de onde estava.

A visão de Jasper começou a clarear e as sensações de antes pararam como se nunca houvessem ocorrido. De repente estava com a cabeça apoiada a mesa computadorizada da caverna. Foi só um sonho. Por que Jasper sonharia em beijar Henry? Não importa que o mesmo sentisse algo pelo loiro, não tinha motivos plausíveis para o que ocorrera no sonho. Quer dizer, já havia beijado Henry algumas vezes, mas eles não tinham ido muito longe, não tinham nada demais, né?

— Jasper! Acorda! — Uma voz o livrou dos seus devaneios.

Seja lá quem fosse estava muito perto. Ao virar em direção à voz viu a última pessoa que queria, não importava o que seu subconsciente dissesse. Henry estava ao seu lado, ainda com a roupa de Kid danger, segurava seu ombro querendo sua atenção. Estava perto demais. Como no sonho. Sua boca sempre foi tão rosada?

— 'Tava sonhando com o quê? — O ajudante perguntou sorrindo da cara amassada do menor.

— Boca! — Jasper gritou sem pensar enquanto levantada da cadeira apressado.

— Boca? — Henry também se assustou com a reação do castanho. — 'Tava sonhando com uma boca?

Notando o que havia dito Dunlop se estapeou mentalmente. Agora Henry iria achar que ele estava louco. O que não seria uma mentira, mas ainda assim, iria estranhar.

— É! Eu 'tava sonhando que era devorado por uma boca gigante. — Respondeu rápido correndo até o elevador e apertando o botão, precisava ir embora.

— Já tá indo embora?

— É. Eu tenho uma atividade p'ra terminar e eu tenho que me apressar. — Apertou novamente rápido. — Por que essa demora toda? — Ok. Oficialmente Jasper não sabia disfarçar.

— Você tá bem?

— Claro que eu tô! — Respondeu muito rápido. — Não parece que eu tô bem? Porque eu estou.

Antes que o menor pudesse pensar em dizer mais algo, a porta do elevador finalmente se abriu. Que bom. Virando-se de frente para o ascensor levou um susto quando um objeto plano, com a altura e rosto de Henry, se aproximou seguido de um grito vindo de sua parte traseira. Quando percebeu a falha já havia enterrado seu punho na boca do Kid danger de papelão, assustando Ray que o segurava.

— Qual o problema, pustema? — Ray indagou com olhos arregalados.

— Nenhum! Nada! Problema nenhum! — Exclamou abruptamente adentrando e apertando freneticamente o botão para subir.

O silêncio se instalou quando o menor saiu deixando os heróis sozinhos.

— Qual o problema dele? — O mais velho perguntou apontando na direção que o outro havia ido.

— Eu não sei. Ele acordou todo agitado, nem me disse nada. — Passou as mãos pelos fios loiros.

— Ele nem riu da minha piada. — Raymund adentrou mais a caverna carregando o cardbox quebrado. — Fala sério, "qual o problema, pustema" é Ilário.

Ao receber um olhar interrogatório do outro, Ray o olhou de volta, esperando uma reação diferente que nunca veio.

— Não entendeu? Pustema quer dizer lerdo. Engraçado, né? — Bateu com os braços nas coxas rindo de si mesmo.

— Bom, se a intenção era fazer rir, não conseguiu.

***

Não havia movimentação na loja, o último cliente que aparecera tinha sido 10 minutos atrás e aquele lugar estava um completo tédio. Charlotte estava sozinha em uma loja vazia, como isso poderia ser justo? Jasper provavelmente estaria dormindo nesse instante enquanto a garota trabalhava.

Em meio a uma partida de seu joguinho de celular, um barulho vindo dos fundos assustou a morena. Algo caiu e fez um estardalhaço. Correndo para verificar o que encontrou foi um Jasper com semblante desesperado e uma prateleira com objetos de metal pendendo entre a parede e o chão.

— O que aconteceu aqui? — Charlotte perguntou percebendo o susto que o amigo tomara ao notar que não estava sozinho.

— Você me assustou.

— E você quase quebra as coisas. — Foi em direção ao móvel de metal e o ergueu.

Normalmente Jasper estaria todo verborrágico como sempre, mas o garoto parecia distante, como se houvessem um milhão de pensamentos rondando sua mente de um jeito desordenado.

— Você está bem? — Charlotte encarou o amigo.

— Eu? Claro que eu tô bem. — Respondeu alisando suas mãos suadas em sua calça.

— Tá bom. Me conta o que houve. — Cruzou os braços.

— Não houve nada.

— Jasper.

— É só, — coçou sua nuca nervoso. — eu ando tendo sonhos estranhos.

— Que tipo de sonhos?

— Do tipo que eu beijo uma pessoa.

— Essa pessoa é o Henry?

— O quê?! Claro que não! Por que seria o Henry?

— Jasper, você sabe que não adianta tentar mentir pra mim. Anda, desembucha. O que mais acontece no sonho?

— Nada. Isso que é o problema. Nesses sonhos eu estou em um perigo e o Henry surge do nada pra me salvar e aí a gente se beija.

— E qual o problema nisso? Você gosta dele e sonha com ele. Normal.

— Não! Você não entende. Por que eu iria sonhar com isso e ficar assim? Eu já beijei o Henry e acabou. Não houve mais nada. Então por que do nada esses sonhos? — Puxou seus fios em angústia.

— Talvez isso signifique que você quer ter algo além dos beijos.

O rosto do castanho se tornou rubro. Sua cabeça fervilhava com tal pensamento. Nem o próprio Jasper saberia explicar o que sentia. Talvez fosse uma boa ideia manter uma certa distância do causador da sua inquietude.

***

Os dias se passaram de forma lenta, era estranho não estar com Henry em seu encalço. Mas era necessário, não queria dar com a língua nos dentes e depois se comprometer com suas palavras. Seus sonhos persistiram em ocorrer, o último que tivera os dois não só se beijaram, como também se tocaram de uma maneira nada casta. Jasper acordava constantemente ofegante e tendo que lavar seus lençóis sujos devido a sua mente que o pregava peças. Nem ao menos conseguia encarar o garoto nos olhos pela vergonha. Os garotos trabalhavam no mesmo ambiente, seria impossível não se verem em algum momento, mas sempre que tinha oportunidade, Jasper se distanciava. Quando Henry saía para suas missões era quando o menor chegava e, consequentemente, quando o loiro chegava Jasper saía.

Aquele dia, em específico, não seria tão diferente dos demais. Jasper se escondia do loiro a todo custo. Henry, nesse horário, deveria estar voltando de suas missões, momento perfeito para Jasper se mandar.

— Bom, eu já estou indo. — Guardou o celular no bolso e ergueu-se do sofá da caverna.

— Até amanhã, Jasper. — Schwoz resmungou ainda trabalhando em sua máquina nova ao seu lado.

— Não vai esperar o Henry e o Ray? Eles disseram que tinham uma surpresa. — Charlotte virou-se para olhar o amigo.

— Não. Eu tenho que terminar um dever de física. Depois eu falo com o Henry.

— Fala comigo sobre o quê?

Enquanto conversavam, não notaram que do tubo descia um Kid danger levemente ofegante. Ainda assim, ao notar que seu plano de fuga tinha falhado, Jasper se assustou.

— Nada! Não é nada! Eu tenho que ir. — Se apressou até a porta do elevador e apertou seu botão.

— Wow. Wow. Wow. — Henry o deteve segurando seu pulso rapidamente. — Podemos conversar?

Antes que o menor pudesse responder Henry o puxou até a cabine de metal, agora aberta.

— Por que está me ignorando? — Quebrou o silêncio ainda segurando o pulso do castanho.

— Não estou te ignorando. — Mentiu evitando olhá-lo.

— Ah não está? Então pode falar isso olhando pra mim? — Sua voz havia se tornado bruta, estava irritado por não receber a resposta que queria e ficou ainda mais quando viu que não receberia nenhuma outra reação. — Por que tem me evitado, Jasper? O que eu fiz? Se eu fiz algo errado preciso que me diga para que eu possa consertar. Olha pra mim. — Com a mão livre levantou o queixo de Jasper para que este o fitasse. — Me diz o que aconteceu.

Sem nem pensar nas consequências, a única reação que Dunlop teve foi a de se postar nas pontas dos pés para alcançar os lábios do loiro e o beijar. Mesmo que fosse repentino, Henry o correspondeu com a mesma voracidade. Quando suas línguas se tocaram o clima daquele cubículo começou a esquentar e ambos os rostos estavam corados. Seus cabelos castanhos estavam uma bagunça por culpa dos dedos curiosos de Henry, mesmo que os próprios não estivessem diferentes. O desejos tomava os corpos dos adolescentes de uma maneira avassaladora. Jasper já podia sentir suas pernas babearem e sua visão ficar turva.

Quando pensou que não poderia mais esquentar sentiu uma arrepio percorrer suas costas quando as mãos do herói passaram por lá. Não iria aguentar tanto tempo sem fôlego. Tinha que se afastar.

Ao tomar iniciativa e empurrar levemente o peitoral de Kid danger, Jasper sentiu sua respiração se regular aos poucos. Imaginava que fosse assim com Henry também.

— Wow. Isso foi intenso. — Henry suspirou. — Pode me explicar o que houve?

— Na verdade não.

— Jasp.

— Tá tudo bem, eu juro. — Afastou-se do loiro. Queria sair dali e ficar sozinho, mas recordou-se que para isso Henry teria que sair de perto dele. O que, com toda certeza, ele não concordaria. — Eu só preciso de um pouco de espaço.

— Mas eu--

— Eu tô bem. Falo com você depois.

Aquilo pareceu surtir efeito no maior. Percebendo a agitação do outro, achou melhor deixá-lo em paz e com isso apertou os botões para a porta metálica se abrir e o deixar sair.

***

— Deixa eu ver se entendi. — Charlotte pôs a mão no queixo em uma pose pensadora. — Ele te beijou e depois saiu correndo? Do nada?

— Foi o que eu disse! Ele não me falou o que tinha, só fugiu de mim. — O louro respondeu cabisbaixo.

— Talvez você estivesse com bafo. — Ray se meteu na conversa recebendo um olhar raivoso de Charlotte. — O quê? Pode acontecer.

— Charlotte, por favor, se você souber o que tá rolando me fala. — Seus olhos brilhavam preocupados quando ergueu o olhar para a negra. — Eu sei que vocês andam conversando. Se você souber de alguma coisa, qualquer coisa, me fala. Eu estou preocupado.

— Olha, — A garota cruzou os braços. — o Jasper está bem, ele só tem passado por uns problemas pessoais.

— Que tipo de problema é esse que faz ele me evitar por dias e depois me beijar do nada?! — Mexeu nos cabelos os bagunçando.

— Eu não posso te contar.

— Como é?! — Bufou irritado com a resposta. — Jasper está com problemas e você não quer me contar?

— É pessoal demais, Henry. Quem deveria te contar era o próprio Jasper!

— Como espera que ele vá me contar quando ele fica fugindo de mim?!

— Vá atrás dele então! Converse com ele! Se resolva com ele! — Charlotte gritou brava.

— Ou.. — Ray novamente se meteu tentando apaziguar os dois. — Podemos colocar uma escuta na casa dele.

— O quê?!

***

Henry tinha que admitir que não era um plano ruim, considerando que era o único que tinham até agora. Pra quê conversar e perguntar qual o problema quando se tem um gênio como o Schwoz que pode colocar escutas na casa de Jasper e assim pudessem monitorar tudo que acontecia com ele? Claro que Charlotte não gostou do plano inicialmente, mas ninguém deu muito importância para isso, como sempre.

Schwoz já havia invadido casa uma vez, mais de uma vez na verdade, não seria tão complicado fazer mais uma. E enquanto o homem fazia tudo o que precisava na casa alheia, os outros permaneceriam na caverna.

— Sério? De todos aqui, você deveria ser o que menos concorda com essa idéia. — Charlotte voltou a reclamar apontando para o loiro.

— E o que você espera que eu faça? Ficar aqui sem fazer nada enquanto o Jasper me ignora?

— Ah eu não sei. — ironizou batendo as mãos nas coxas, frustada. — Talvez você pudesse conversar com ele!

— Ele nunca me falaria nada disso! Eu conheço ele, sei que ele mentiria dizendo que está bem.

— E você espera que colocando essas escutas ele vá falar?

— É claro! Por que não falaria?

— Você realmente espera ver o Jasper falando sozinho sobre isso? — A garota elevou sua sobrancelha. — Você acharia normal ver o Jasper falando "poxa vida, minha vida é uma merda mesmo" sozinho?

Henry piscou aturdido.

— Eu não tinha pensado nisso.

— Claro que não tinha.

— Qual é?! Não me culpe, eu estou preocupado com ele.

— Gente! — Ray gritou para os adolescentes de perto do computador. — Olhem o Schwoz já chegou na casa do Jasper.

— Ray, avisa para o Schwoz abortar a missão. — Henry pediu mais inconsolável ainda.

— O quê? Por que?

— Não vai funcionar.

— Argh! Tá bom!

Ignorando a irritação do patrão, Henry se deitou no sofá em posição fetal. Charlotte percebendo o desânimo do amigo, resolveu o consolar pousando sua mão no ombro do mesmo.

— Eu não sei mais o que eu posso fazer, Charlotte.

A garota suspirou. Iria se arrepender.

— Me escuta, tá bom? — pediu calma. — O Jasper tem tido sonhos. — Falou rapidamente.

— Que tipo de sonhos? — Levantou a sobrancelha curioso.

— Do tipo que ele te beija! — Exclamou e quase que instantâneamente se arrependeu. Quando o cérebro de Henry assimilou a frase, seu corpo reagiu com um grande sorriso de orelha a orelha.

Fazia sentido. Jasper sempre foi do tipo que se preocupar com pequenas coisas.

— Mas, por que ele me ignoraria? Nós estamos juntos. — Finalmente se levantou do sofá.

— Bom, eu não sei. — Recebeu um olhar questionador do loiro. — Eu tô falando a verdade! — Exclamou. — Eu acho que ele quer uma confirmação de que vocês estão juntos mesmo. Porque pensa bem, vocês se beijam de vez em quando, mas vocês não podem falar pra ninguém que estão juntos. O Jasper praticamente vive na sua casa, mas você não tem culhões de ficar com ele quando seus pais estão por perto. Isso deve magoar, Henry. Eu acho que ele precisa que você demonstre que gosta mesmo dele.

Charlotte estava certa. Não iria se permitir de magoar Jasper. Que se dane o que iriam pensar, seus pais nunca foram um poço de inteligência, mas se fosse apostar diria que iriam aceitar na boa. Se Jasper queria que ficassem juntos, ficariam juntos. Só precisava achar um jeito de fazer isso.

***

— Alô?

— Jasper! Que bom que atendeu. — Sua voz soava aliviada pelo telefone.

— Charlotte? O que aconteceu?

— Eu preciso que venha até a caverna agora!

— Mas por quê?

— Não dá tempo de explicar, você tem que vir rápido. Agora!

Desligando a chamada, sem esperar uma resposta do outro, Charlotte virou para onde os amigos estavam.

— Ele está vindo. Se prepara.

Já tinham tudo preparado para a chegada do castanho. Henry usava uma calça preta jeans e camiseta xadrez vermelha, esperava que Jasper gostasse. Assim como também esperava que o garoto gostasse do que tinha preparado.

— Já estamos saindo. Divirtam-se. — Ray saiu da frente do computador puxando Charlotte e Schwoz para os tubos. — E usem proteção.

— Vai embora, Ray!

A solidão de Henry não durou muito quando Jasper desceu o elevador ofegante e com os cabelos apontando para todas as direções. Aquela cena agora estava em primeiro lugar nas favoritas de Henry. Normalmente pessoas com o cabelo bagunçado não são a imagem da perfeição, mas essa regra não se aplicava ao menor, obviamente. Jasper estranhou quando chegou no local e só havia o loiro lá, esperava ver Charlotte ou Schwoz, não um Henry arrumado e cheiroso.

— Cadê a Charlotte? — Indagou puxando o ar fortemente, ainda exausto.

— Ela saiu tem alguns minutos. — O loiro deu de ombros.

— Mas ela me disse pra vir pra cá. Eu pensei que fosse urgente. — coçou sua nuca contrariado.

— Isso é urgente. — Falou puxando a mão do menor em direção aos seus lábios e dando um pequeno selo no local. — Gostaria de ouvir uma música enquanto comemos?

Sem aguardar uma afirmativa de Jasper, o loiro o guiou em direção à poltrona onde estavam dispostos os salgadinhos preferidos do castanho. Jasper não tinha notado que a mão, que não segurava a sua, tinha um pequeno controle. Ao acioná-lo, uma trilha sonora leve começou a tocar.

— My mother said I'm too romantic. — Henry cantarolou sem muito ritmo. — She said, "You're dancing in the movies".

Hart fez o menor sentar-se na poltrona e permaneceu de pé.

— I almost started to believe her. — Sua voz desafinou propositalmente. — Then I saw you and I knew.

— Você conseguiu fazer algo que ninguém tinha conseguido antes. — Sorriu de lado. — Conseguiu estragar a música.

— É um dom. — Uniu-se ao outro no estofado. — Eu pensei que fosse gostar, é sua música favorita, né? — Indagou recebendo um aceno como afirmação. — Você dizia que gostava porque sua mãe sempre disse que você é sensível demais. Como na música.

— Ela nunca disse que eu sou sensível, ela diz que eu sou fresco. Bem diferente. — Pegou um salgadinho e o levou à boca. — Me chamou aqui para cantar pra mim?

— Tipo isso.

O loiro passou os braços pelos ombros do menor, o abraçando de lado. Jasper descansou sua cabeça no peitoral de Henry relaxado com a situação. Estava silêncio, mas nenhum dos dois queriam acabar com ele, era confortável aquela calmaria.

— Você tem me evitado esses dias. — Suspirou pesado. — Esse foi o único jeito que eu achei de falar com você.

— Esse foi o único jeito? Não sabe mais conversar como uma pessoa normal? — Zombou erguendo seu supercílio. — Ah, eu esqueço que eu não trabalho com pessoas normais.

— Engraçado você falar isso quando decidiu que seria legal me ignorar por causa de um sonho. — Respondeu desviando o olhar do amigo, não notando que dissera demais até que viu os olhos arregalados dele. — Quer dize--

— Quem te contou?

— Eu não quis di--

— Foi a Charlotte, né? Argh! — Bufou irritado. — Sabia que não devia ter falado nada pra ela.

— Não a culpe. Foi culpa nossa! — Exclamou agora de frente para Jasper, olhando em seus olhos. — Nós a obrigamos a falar, quer dizer, não é como se tivéssemos prendido ela e torturado pra que falasse a verdade, nem nada assim, mas eu fiquei preocupado, fazem dias que você não vai na minha casa e você nem me disse o porquê. Fala sério, até a Piper estranhou você não estar indo lá em casa. A Piper. Agora imagina como eu estou. — Pôs a mão direita no peito. — Eu sinto sua falta, muito. E aliás, você não podia esperar eu ficar calmo depois de me beijar no elevador e me expulsar de lá do nada. Eu queria até colocar escutas na sua casa para ver o que 'tava rolando, mas depois eu vi que não ia funcionar. Eu me senti mais idiota ainda, porque eu não sabia o que mais eu deveria fazer. Você se afastou e eu nem sabia por onde começar pra te ajudar. Acho que a Charlotte viu meu desespero e sentiu pena de mim e aí ela me contou. Por que não conversou comigo? — Não recebeu respostas. — Jasper!

— Eu não sei! Tá bom? Eu não sei como lidar com isso. — Exclamou de cabeça baixa. — Eu não sei o que nós temos e eu não queria te pressionar a fazer nada mas, esses sonhos simplesmente acontecem sempre e eu nunca sei como olhar pra você depois de imaginar acontecendo. Eu me sinto um pervertido e eu não queria que você me visse assim.

— Eu não acho isso de você. — Falou colocando ambas as mãos nas bochechas de Jasper o forçando a olhar para si. — Eu gosto muito de você, Jasper. Isso não é de agora, então não importa o que você fizesse, eu nunca ia pensar nada de ruim sobre você. Eu prometo.

— Não pode me prometer algo assim. E se eu decidir virar um bandido? O que você faria?

— Fácil. Eu destruiria as provas contra você e mataria as testemunhas. — Mais uma vez deu de ombros e sorriu.

Jasper agora possuía um olhar triste, parecia um cachorrinho que ficou para trás na mudança, não conseguia desviar o olhar do outro, mas ainda se sentia envergonhado por toda a situação.

— Então, — Atraiu novamente a atenção de Dunlop para si. — Quer dizer que eu sou o homem dos seus sonhos? — Sorriu pequeno.

— Você é um idiota. — Balançou a cabeça em negação. — Eu também gosto de você.

— Que bom então. Eu me sentiria mais idiota ainda por ser o único a se declarar aqui. — Libertou o rosto do menor de seu aperto e se pôs a procurar algo por debaixo das almofadas. — Tem uma coisa que eu queria te pedir. Óbvio que você pode recusar e tal, até porque seria muito corajoso da sua parte me aturar todos os dias ainda mais do que já atura, também seria um pouco idiota, mas isso não vem ao caso. — Suas mãos tinham uma caixinha de joalheria que se revelou como um lindo pingente de uma nota musical. — Aceita ser meu namorado, Jasper Dunlop?

Mesmo com os olhos brilhando com as lágrimas não caídas, Jasper não seria ele mesmo se não estragasse o momento com uma piada. Ou quase isso.

— Não sei. O que você me daria em troca?

— Pode mexer nas novas armas que o Schwoz instalou na minha casa e, se for meu namorado, o último pedaço do bolo de cenoura da minha mãe vai ser sempre seu.

— É uma oferta tentadora. — Gargalhou com o rosto corado pela emoção. — Eu aceito.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Tem certeza? Não vai se arrepender? Eu posso ser bem irritante as vezes e eu posso te fazer me odiar por causa disso.

— Estou ciente disso há anos.

— E ainda assim quer aceitar? — Elevou a sobrancelha curioso.

— Estou começando a pensar que você quem não quer.

Henry se arrastou para mais próximo ainda de Jasper e o puxou para um beijo. Igual a mais cedo, o beijo tinha pressa, tinha desejo reprimido, os dois puderam sentir isso quando suas línguas se tocaram, mas diferente de antes, podiam ser ouvidas as batidas do coração um do outro. Estavam acelerados. Muito acelerados. Foco Jasper! Beijar agora, se preocupar com os problemas cardíacos depois.

O refrão da música era ouvido baixinho ao fundo. A melodia estava certa, as chamas normalmente os matariam, mas com todo esse desejo, juntos, eram vencedores. Estavam realmente fora de controle e toda a sensação era pecaminosa, mas quem se importava? Não deixariam nada atrapalhar o momento.

Bom, tentariam pelo menos. Nenhum dos dois queria se livrar do beijo, mas ainda assim este teve fim quando Henry se afastou rapidamente e começou a espirrar muito.

— Qual é, Jasper?! Você sabe que eu tenho alergia desse seu perfume! — Reclamou quando seu ataque de espirros passou, esfregando a ponta do nariz com o punho fechado.

— Desculpa. — Riu levemente da cara vermelha do aloirado. — Mas eu preciso usar, minha avó me deu, seria um desperdício não usar.

Henry balançou a cabeça contrariado. Não iria se importar, não deixaria um perfume atrapalhar a bela noite que havia preparado para o castanho. Não mesmo. Quem sabe até podia usar um presentinho de látex que Ray haviam deixado na gaveta ao lado do sofá. Uma alergia não iria acabar com a noite.

Com esse pensamento Henry voltou a juntar os lábios um no outro. Recomeçando com o ritmo lento, que em breve se tornaria mais intenso. Deitando o castanho no sofá podia sentir um arrepio na boca do estômago, suas mãos soarem e sua pele formigar com o toque de Jasper contra ela.

Seu corpo estava em chamas, pedindo por mais calor ainda. Se não estivesse sentado suas pernas, que provavelmente estariam bambas, o derrubariam. É normal sentir um formigamento na área do seu ventre em situações como essas?

O loiro partiu o beijo depois de um longo tempo, já estavam quase sem fôlego, os direcionando ao pescoço bronzeado do, agora, namorado, sentindo a pele alheia se arrepiar com ação e, consequentemente, um gemido baixo, quase como um suspiro, saiu da boca de Jasper. Tal som o animou ainda mais. Queria ouvir mais e mais. Com esse pensamento deu uma leve lambidinha no local enquanto erguia a blusa que o menor usava. Estava quente, muito quente. Sentia o corpo de Jasper derreter com seu toque. Era perfeito. Simplesmente perfeito.

Queria que a sensação durasse para sempre. Queria ouvir os gemidos para sempre. Não era pedir demais, né?

Quando iria descer seus lábios até o mamilo do menor, sentiu algo vibrar no bolso da sua calça e um brilho vindo acompanhado. Maldita hora para ligar.

— Você devia atender. — Falou ainda entre gemidos e suspiros. — Pode ser importante.

— É o Ray. O que poderia ser tão importante? — Bufou com o aparelho em mãos.

— Você esquece que ele é um herói? Pode ter acontecido alguma coisa. — Tornou a se levantar e tentou abaixar a roupa.

— Argh! Tá bom! Mas eu juro que se não for nada, eu mato o Ray. — Declarou atendendo a chamada de vídeo. — O que você quer?

— Calma aí, pra quê essa grosseria? — A voz animada do homem soou do celular. — O Jasper tá aí com você?

— É! Ele tá comigo! O que você quer? Fala logo! — Brigou virando a tela para Jasper evidenciando seu estado para o chefe.

— Eu atrapalhei alguma coisa? — Conseguia imaginar o homem com as mãos na cintura ao indagar.

— Sim! Atrapalhou!

— Foi mal! — Se desculpou envergonhado. — Eu não queria atrapalhar, mas nós estamos aqui no Nacho ball, eles estão com uma oferta para grupos de até cinco pessoas. Queríamos saber se podem vir.

— Você me ligou pra ir comer? Sério, Raymund? — Seus olhos estavam arregalados e pareciam mais irritados ainda.

— É. Vocês vêm?

— Nós já estamos indo. — Jasper respondeu por ambos recebendo um olhar reprovador de Henry. — O que é? Eu tô com fome.

— Ótimo! Então se apressem. Até logo. — O homem desligou.

Os adolescentes se olharam por um tempo e decidiram que comer não seria uma má ideia. Ao se levantarem, Jasper arrumou sua vestimenta enquanto Henry desligava a caixa de som, ambos seguindo em direção ao elevador. Aproveitando a situação dos dois, sozinhos em um lugar apertado, o loiro lassou a cintura do namorado com o braço, o abraçando por trás, depositando pequenos beijinhos pela extensão de sua nuca e sentindo o cheiro de morango que tinham em seus cabelos.

— Não vai escapar de mim tão fácil, Jasp.

— Eu nunca pensaria nisso, Henry.


Notas Finais


Não briguem comigo!!😭
Eu quero esse lemon tanto quanto vcs mas ainda tá cedo demais.
E eu também sou ruim em fazer lemon, então pode ser que demore pra sair.
Até o próximo capítulo gente.
Bye


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