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História As Cabeleiras de Berenice - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Ai, que dor maldita!


“Se tem um negócio que não deveria existir, é dor de dente. Juro, se por acaso fosse menos estressante, pensaria até mesmo em arrancar todos os meus dentes para colocar implantes. Que desgraça!”

 

Andava pela rua e reclamava. As pessoas ao redor nem olhavam duas vezes para o homem que andava tão amargurado que era nítido ao seu redor uma aura de ira fluindo pelos seus longos cabelos loiros. Faltava pouco andar chutando as pedras.

 

“E ainda por cima não me resta nada além de ir ao dentista. Profissional que mais detesto! Aquele cheiro no consultório, aquele barulhinho de máquina, eu lá, de boca aberta, sem poder falar nada e o profissional puxando papo. “está tudo bem?” e como eu respondo coma boca aberta? “ahhhahnahhhnah annnahhhanhan”, é tudo o que eu posso falar”.

 

No geral, ele era um homem muito tranquilo e bem humorado, mais ainda que seu irmão, que é bem mais sério, só que a dor lhe tirava seu centro e sua razão. Olhava pra tudo e para todos com profundo ódio, como se fosse capaz de matar um.

 

“Vamos ver... O endereço é esse, segundo o Camus. Vamos ver se esse dentista resolve a minha vida.”

 

- Bom dia. Tenho uma consulta agendada para às dez e meia.

 

- Bom dia, senhor...?

 

- Kanon Daskalakis.

 

- Ah, sim, senhor Kanon, pode se sentar que logo será sua vez.

 

O mau humor havia diminuído um pouco – só um pouco – com a sensação de que logo tudo estaria resolvido. Só não contava com a sala lotada de adolescentes.

 

- Nossa, auele dentista é gatinho né?

 

- Ah, sim, nossa, adoro o estilo dele.

 

- E o cabelo?

 

- Ah! Fabuloso!

 

- Eu queria saber qual a cor da tinta, porque quero ficar igual.

 

- Nada, menina, é natural!

 

- MENTIRA!

 

Aquele papo fazia sua cabeça doer mais ainda e seu dente latejar. Sério que o dentista era badalado pela cor de seus cabelos? Camus definitivamente ouviria MUITO quando chegasse na casa do irmão. Aquele ruivo sem vergonha ia ver só, já estava mais do que na cara o tombo que ele tinha por loiros.

 

“Ah, mas o Saga vai ficar sabendo disso. E vou fazer questão de desenhar isso!”

 

Enquanto se dividia entre seu veneno, sua dor e a concentração para não ouvir as vozes das adolescentes, o tempo passou e logo foi chamado.

 

- Senhor Daskalakis, pode entrar.

 

“Até que enfim!”

 

Entrou se concentrando em sua dor, nem mesmo olhando para o dentista, mal ouvindo sua voz e seus comandos.

 

- O senhor pode se sentar aqui.

 

Quase se jogou na cadeira, tamanho seu enfurecimento.

 

- Pode abrir a boca?

 

“Aaaah, pior parte. Como me sinto mal por isso. Me sinto abusado!”

 

- Vamos ver o que o senhor tem aí.

 

E lá se foram alguns bons minutos na cadeira do dentista, e tudo o que podia ver eram os olhos do profissional, que eram tão intensos que lhe causava desconforto.

 

“Só tem olho me olhando. Não tem rosto, não tem boca, nem os “belos cabeeeelos” para eu ver. Não parece humano.”

 

- Bom, senhor Daskalakis, parece que o senhor precisa de um canal. Fiz parte do trabalho hoje, então precisarei que o senhor retorne dentro de alguns dias para verificar se já está tudo certo pra fechar o tratamento. Como está se sentindo?

 

Tudo o que conseguiu fazer foi balançar a cabeça, a boca ainda um pouco dormente, mas já aliviada da dor horrenda que sentia. Não sabia nem se o dentista havia entendido ou visto, e nem queria saber, pois enquanto perguntava se virou para retirar os equipamentos de proteção.

 

- Então se o senhor sentir dor, pode usar este medicamento até o dia em que voltar. – falou entregando-lhe a receita.

 

Tudo o que Kanon conseguiu fazer foi olhar para o dentista, com a maior cara de idiota que tinha. Definitivamente, um belo homem.

 

“Que cabelos!”

 

 

CONTINUA?



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