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História As Cabeleiras de Berenice - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Sem eira nem beira


Pensou nas coisas mais óbvias, mas a razão logo gritou, afinal, não queria arriscar ficar banguela, ou ter um traumatismo craniano. Além do mais, se assim o fosse, pararia numa emergência e não em um consultório.

 

Havia ficado muito tempo pensando no que faria sem chegar a nenhuma conclusão, até que viu o dentista passar por si. Resolveu num impulso apenas seguir seus instintos e foi atrás de Isaak, mantendo uma distância segura.

 

Poucos minutos depois, encontravam-se no estacionamento, que por sorte era o mesmo em que Kanon havia deixado seu carro naquele dia. Quando avistou Isaak entrar em seu HB20, não pensou duas vezes em correr para seu carro e começar a seguir o carro do dentista a uma distância razoável, ainda que o que estivesse fazendo não fosse nada razoável.

 

Viu quando Isaak parou seu carro, parando em frente a uma casa e se dirigindo a ela, continuou dirigindo o carro como se estivesse passando normalmente por ali para disfarçar. Rodeou o quarteirão e parou o carro um pouco mais afastado, indo a pé até o local.

 

“Perdi o juízo, hoje está confirmado”.

 

Começou a rodear o local, quando ouviu um rosnado.

 

“Eu mereço”

 

Olhou ao redor até encontrar um cão olhando para ele com os dentes bem arreganhados e rosnando bem ameaçadoramente.

 

- Calma, doguinho, amigo... – falou calmo, levantando as mãos – amiiigo...

 

Não adiantou e o cachorro avançou pra si, rasgando-lhe parte da calça e machucando um pouco e levando-o ao chão.

 

- AJAX! Volte! – na mesma hora o cachorro parou e voltou. Kanon ainda estava atordoado no chão, tentando saber o que estava acontecendo, quando sentiu alguém tentando ajuda-lo.

 

- Kanon? Pelos céus, você está bem?

 

Só balançou a cabeça. Poderia ter respondido, mas preferiu fingir estar pior do que realmente estava. Tudo no improviso. Tá que estava mesmo um pouco atordoado, mas nada que umas duas respiradas fundas não resolvessem. Só se deu conta de que havia sido guiado para dentro da casa quando enfim sentou-se em um sofá.

 

- Saga?

 

Tanto Kanon quanto Isaak olharam na direção da voz assustada. Aquele era Hyoga, o outro primo do cunhado sacana.

 

- Saga? – Isaak olhou pra Kanon.

 

- Kanon. Saga é meu irmão, as pessoas costumam nos confundir. Somos gêmeos. – “agora eu terei que interpretar muito bem, porque esse daí é um grude chato do caralho”

 

- Ah, sim. Hyoga, vai pegar o kit de primeiros socorros, por favor.

 

- Não precisa – dissimulou Kanon – eu já estou indo – tentou levantar e gemeu, sentando-se de novo.

 

- Claro que precisa! Nosso cachorro atacou você, e como está em tratamento, ainda pode infeccionar algo.

 

- Aqui o kit – Hyoga colocou a caixa sobre a mesa, abrindo-a e passando o que Isaak pedia – eu achei que você morava do outro lado da cidade, Kanon – puxou assunto, inocentemente.

 

- Ah, moro sim... Mas às vezes gosto de passear de carro, pra espairecer.

 

- Como está indo, Isaak?

 

- Tudo bem, Oga. Não precisa se prender a mim, pode ir.

 

- Quer que eu ligue pro Saga?

 

- NÃO! – os dois olharam assustados – Digo, não. Eu tô sempre lá na casa deles, não tem porque importuná-los com isso. Depois vou pra lá mesmo.

 

- Ok então... Bom, vou indo. Até mais.

 

Ficaram em silêncio por um tempo, já que o dentista estava concentrado em limpar as mordidas do cachorro.

 

- O mundo é tão grande e é tanta coincidência que conheçamos as mesmas pessoas, né – deu uma risada nervosa, chamando a atenção do rapaz ajoelhado diante de si.

 

- Verdade... – falou vago, e só depois levantou seus olhos e o encarou – agora que me lembro, você realmente se parece com o marido do nosso primo. Bem que o achei familiar.

 

- O Hyoga sempre está com o Camus, eu o conhecia, mas de você eu não lembrava...

 

- Ah, eu converso mais com o Camus por telefone. Não tenho tempo para esses eventos sociais que Hyoga tanto gosta. – sorriu, o que desarmou um pouco mais Kanon – Eu devo ter visto Saga umas duas vezes no máximo, uma delas no casamento deles.

 

- Você esteve no casamento? Como não me lembro de ter te visto lá? – questionou, assustado. Realmente era absurdo que não tivesse reparado em Isaak naquela época. E nem foi há tanto tempo assim.

 

- Ah, eu cheguei um pouco atrasado porque estava viajando. – terminou de guardar tudo e voltou para a vítima. – Bem, ainda que tenham sido arranhões e Ajax seja vacinado, gostaria de ficar de olho nesse ferimento. Posso pedir algo para a gente comer enquanto observamos se fica pior o machucado. – ofereceu, e logo ficou enrubescido – Claro, se você não estiver com pressa, ou não tiver algo mais importante pra fazer.

 

- Não, não! – se apressou – adoraria. Estava entediado mesmo hoje, uma companhia cairia bem.

 

- Ótimo! – falou entusiasmado Isaak – Digo – enrubesceu novamente – Que bom. Pizza?

 

- Pode ser – sorriu Kanon, agradecendo internamente a sorte que teve no fim de tudo.

 

 

 

CONTINUA



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