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História As cartas do amor - Capítulo 11


Escrita por:


Notas do Autor


Olá a todos.

Voltei, demorei né?

Aos poucos estou voltando a rotina (que esteve muito louca nesse último ano) e a inspiração está voltando junto.

Sem delongas, mais um capítulo liberado.

Boa leitura.

Capítulo 11 - Lua de mel


Fanfic / Fanfiction As cartas do amor - Capítulo 11 - Lua de mel

B.M. P.O.V.


Tudo havia passado tão rápido quando entramos no aeroporto, nem parecia que já estávamos casado e agora estávamos embarcando para a nossa lua de mel. Se é que essa viagem poderia ser chamada de lua de mel. Desde o momento em que o padre nos declarou casados, Jiwoo não havia aberto a boca. Ela também parou de chorar assim que saímos da igreja. Nossos pais pareciam satisfeitos com o casamento, mas eu não estava com muito humor para lidar com eles por isso me mantive afastado. Jiwoo parecia pensar o mesmo, pois estava do outro lado do saguão ao lado da irmã e do sobrinho. 


Quando aproximou a hora do check-in pegamos as nossas coisas e nos despedimos das pessoas. Jiwoo entrou na fila e esperou que eu a acompanhasse. Despachamos as nossas malas e fomos para embarque. Jiwoo parecia não querer esperar nenhum minuto junto dos nossos pais porque abraçou a irmã e beijou o sobrinho entrando na fila em seguida. Acenou para a mãe dela de longe e nem mesmo olhou uma única vez na direção do pai. Despedi dos meus familiares e entrei na fila. Passamos pelo raio-x e fomos em direção de embarque.


Jiwoo parou no meio do corredor e olhou a passagem em sua mão dando um longo suspiro. Esperei que ela continuasse andando, mas ela parou olhando o monitor com todos os vôos. Fiz o mesmo, verificando que o nosso vôo sairia exatamente em uma hora. Ela me olhou por alguns segundos parecendo que diria alguma coisa, mas apenas virou e continuou andando na direção do portão de embarque. Sentou no primeiro banco que encontrou vazio. Sentei ao lado dela notando que ela estava um pouco pálida, então me lembrei que nós dois não havíamos comido nada desde o casamento. Levantei e fui buscar um lanche para nós dois afinal já havia passado mais de quatro horas. 


Quando retornei Jiwoo não estava mais lá, olhei a volta e não a encontrei em lugar nenhum. Fiquei um pouco desesperado ao não saber onde ela estava. Comecei a andar pelo corredor em busca dela, mas o tempo passava e nada dela aparecer. Voltei para o nosso portão olhando as pessoas que estavam sentadas que já me olhavam estranho por eu passar por elas várias vezes. Passei a mão no cabelo e lembrei do celular no meu bolso.


- O que houve? - Jiwoo perguntou colocando a mão no meu ombro me assustando.

- Onde você estava? - Perguntei um pouco exasperado.

- No banheiro. - Ela respondeu e voltou para o lugar onde estava sentada anteriormente.


Sem discutir por ela ter me deixado ali sem avisar e por me deixado desesperado, sentei ao lado dela entregando o sanduíche e o suco que eu havia comprado para ela. Jiwoo apenas olhou o que tinha na sacola e ignorou. Comi o que eu havia comprado para mim me sentindo aliviado por ela não ter desaparecido no aeroporto. O nosso vôo foi chamado para o embarque, pegamos as nossas coisas e entramos no avião. Jiwoo dormiu durante todo o trajeto e tive que chamá-la quando o avião estava pronto para pousar. Desembarcamos e pegamos as nossas malas, ela continuava calada. Algumas vezes parecia que ela tinha algo a me dizer, mas sempre desistia. Pegamos um táxi até o hotel, fizemos check-in rapidamente e subimos para o quarto.


Assim que entramos no quarto, Jiwoo andou pelos cômodos olhando tudo desde a cama ao banheira do banheiro. Era um pequeno apartamento, uma pequena sala conjugada com uma cozinha e um quarto de casal com banheiro. O quarto havia sido preparado para um casal em lua de mel. Pétalas de flores vermelhas foram jogadas pelo chão e velas foram acesas em todos os cantos. Depois de olhar tudo, Jiwoo deu de ombros e sentou na cama tirando os sapatos ignorando a decoração. E me encarou como se esperasse que eu falasse alguma coisa. Levei alguns segundos para entender o que ela queria de mim. Indiquei o sofá e sentei nele sentindo se era confortável.


- Dormirei aqui. - Falei indicando com a mão o lugar.


Jiwoo apenas concordou com a cabeça e pegou a mala dela. Abriu tirou um conjunto de roupas e entrou no banheiro. Ouvi o chuveiro ligar alguns minutos depois.  Cerca de meia hora depois, ela saiu do banheiro já vestida e deitou na cama. Indicou o banheiro antes de se ajeitar e se cobrir com o edredom. Peguei a toalha e fui para o banheiro, mas antes de entrar a olhei preocupado por ela ainda não ter comido nada.


Ela notou que eu a observava e sentou na cama me olhando esperando que eu falasse. Eu pensei em dizer a ela que comesse um pouco antes de dormir e se fosse o caso, eu mesmo faria o pedido caso ela estivesse cansada. Porém o olhar com que ela me olhava não era nada convidativo e ela não parecia aberta para ouvir a minha sugestão. Acenei com a cabeça desistindo da ideia, ela se deitou no momento em que passei pela porta. Ignorando qualquer senso de preocupação, apenas tomei um banho rápido decido a descansar um pouco. Quando eu retornei, Jiwoo já estava dormindo e obviamente não tinha comido nada. Me vesti e apaguei as velas. Depois apaguei a luz do quarto e deitei no sofá. 


Eu estava exausto fisicamente e mentalmente. Apaguei alguns minutos depois sem perceber. Acordei ouvindo um som no meio da madrugada. Levei alguns minutos para perceber que era Jiwoo quem o emitia. Parecia que estava chorando. Levantei e acendi a luz notando que ela estava dormindo. Provavelmente sonhando com alguma coisa ruim. Sentei ao lado e sacudi seu ombro de leve chamando o nome dela. Mas ela apenas mudou de posição se afastando de mim. Notei que as bochechas dela estavam rosadas, como se estivesse febril. Coloquei a mão na testa dela sentindo o quanto ela estava quente. 


Isso me deixou muito preocupado, levantei e fui em busca de uma bolsa que eu carregava dentro da mala com medicamento. Encontrei um anti-térmico e fui até a cozinha buscar um copo com água. Jiwoo já estava dormindo quando sentei ao lado dela. Toquei no ombro dela chamando-a novamente, mas ela não se moveu. Peguei ela em meus braços e a coloquei encostada na cabeceira da cama. Ela abriu os olhos parecendo não me reconhecer.


- Minha cabeça dói. - Ela falou fechando os olhos.

- Você está com febre. Eu trouxe um remédio para você. - Falei colocando o copo na mão dela.

- Remédio? - Ela perguntou parecendo ainda confusa.

- Sim. Abre a boca. - Falei segurando o remédio perto da boca dela.


Jiwoo abriu e eu coloquei o remédio na língua dele. Ajudei com o copo de água e ela bebeu só o suficiente para engoli-lo. Obriguei-a a beber mais um pouco e ela se deitou reclamando que estava com frio. A cobri com o edredom e ajustei o travesseiro embaixo da cabeça dela. Jiwoo se ajeitou e voltou a dormir. Passei boa parte da noite vigiando e verificando se a febre estava abaixando. Quando por fim a temperatura cedeu, eu adormeci do lado dela.


Acordei com os primeiros raios da manhã, Jiwoo ainda dormia. Peguei o celular e olhei as horas, passava das nove e meia. Coloquei a mão na testa dela, a febre havia ido embora. Deixei a dormir e me levantei me sentindo ainda cansado por causa da noite mal dormida. Fiz a minha higiene pessoal e liguei para a recepção e pedi o nosso café da manhã. Cerca de vinte minutos, alguém tocou a campainha do quarto trazendo a nossa comida e Jiwoo nem mesmo se mexeu. Deixei o rapaz entrar e colocar a comida sobre a mesa da cozinha. Agradeci quando ele terminou e voltei para o quarto. Ela continuava a dormir pesado.


- Jiwoo. Acorde. - Chamei sem tocá-la. Jiwoo abraçou o travesseiro ao mudar de posição. - Jiwoo. Vamos acorde, você precisa comer. - Ela abriu os olhos e me olhou por alguns segundos voltando a fechá-los.

- Vamos levantar e comer alguma coisa. - Falei pegando-a nos braços quando notei que ela havia acordado e estava me ignorando.

- Me coloca no chão. - Ela falou ao se debater em meus braços. 

- Só depois que me prometer que vai comer alguma coisa. - Falei parando no meio do quarto.

- Eu vou, mas eu preciso ir no banheiro. - Ela falou e eu a coloquei no chão já na porta do banheiro.


Ela entrou e fechou a porta. Voltei para a mesa e preparei o café dela. Depois preparei o meu. Cerca de meia-hora depois Jiwoo ainda não havia saído do banheiro. Fui até lá e bati na porta duas vezes antes dela me responder. Informei que estava esperando por ela para comermos. Esperei até ela sair e quando me viu revirou os olhos indo em direção a cozinha. Sentou à mesa e pegou um copo de suco. Fiquei observando ela fingir que comia. Um pedaço pequeno de pão, um pouco do suco e só.


- Você precisa comer mais. Está sem comer desde ontem e teve febre quase a noite toda. - Falei e abaixou os olhos me deixando preocupado.

- Obrigada por cuidar de mim. - Ela falou sem me olhar.

- Ao invés de agradecer, você pode só comer mais um pouco. Vou ficar feliz com isso. - Respondi colocando outra torrada no prato dela.


Jiwoo levantou a cabeça e me olhou estranho. Não era como se ela estivesse com raiva ou brava com o que eu disse, mas também não era um olhar de agradecimento com o meu cuidado. Ela me ignorou mais uma vez e começou a comer. De vez em quando me olhava e notava que eu ainda a observava. Vigiando se ela estava comendo direito e quando percebia voltava o olhar para a comida. Comemos em silêncio, um silêncio que era quase palpável e muito estranho. Tínhamos muitas coisas para conversar, mas também tínhamos muita coisa para não nos falarmos com medo do que sairia das nossas bocas. Era assim que eu me sentia e Jiwoo parecia sentir o mesmo.


Quando terminou de comer, ela voltou a se deitar. Deitou de barriga para cima olhando o teto. Entrei no quarto e sentei no sofá pegando o celular. Dois minutos depois desisti de olhar quando várias mensagens chegaram me parabenizando pelo meu casamento. Olhei para Jiwoo imaginando o que ela estava pensando. Como se lesse o meu pensamento, ela sentou na cama me olhando.


- Sabe, eu estava pensando… - Ela parou de falar como se ainda estivesse em dúvida.

- Sobre o que? - Perguntei olhando diretamente para ela. Jiwoo desviou o olhar para a janela e continuou.

- Você deveria procurar sua namorada agora. - Ela falou voltando a me olhar.

- Porque pensa assim? - Perguntei confuso por não saber qual era o sentido daquele pensamento dela.

- Quanto mais cedo procurá-la, mas cedo tem a chance de se explicar. Talvez ela te perdoe se você não deixá-la sem respostas. - Ela falou parecendo pensativa.

- Se fosse com você, você me perdoaria depois de me casar com outra mulher? - Perguntei perdido demais e confuso em relação a Somin.

- Não sei. Mas estou certa que com certeza ia querer a verdade, para depois decidir o que fazer. - Ela respondeu olhando para as próprias.

- E seu namorado? Você vai procurá-lo? - Perguntei tentando entender o que ela pensava dele após eles terminarem de uma maneira tão brusca.

- Não sei. Ele não quer me ver. - Ela falou e sua voz embargada falhou.

- Vou pensar sobre o assunto. - Falei ainda pensativo.

- Você pode ir agora. Tem vôos de volta a cada duas horas. Pode comprar uma passagem de volta e então pode procurá-la para explicar como isso tudo aconteceu. - Ela falou e deu um longo suspiro.

- E você? O que vai fazer? - Perguntei tentando imaginar o que ela faria quando eu partisse. Isso me deixou preocupado com o estado emocional dela.

- Eu vou ficar aqui e curtir as minhas férias forçadas. Você é livre para partir quando quiser e a hora que quiser. - Ela falou com um tom de incentivo.

- Mas… - Ela me interrompeu antes que eu continuasse.

- Quanto tempo mais demorar, menor é a chance dela te perdoar. Então não pensei em nada, apenas vá atrás dela agora. - Ela falou indicando a minha mala.


Eu pensei duas vezes antes de me levantar antes de Jiwoo sair da cama e pegar a minha mala. Ela começou a colocar as coisas dentro dela e eu peguei em suas mãos parando-a. Segurei no queixo dela e levantei o rosto obrigando-a me olhar.


- Você tem certeza que vai ficar aqui sozinha? - Perguntei sem saber se era certo partir e deixá-la sozinha ali.

- Estou. Vou ficar bem. - Ela falou se afastando e continuou a colocar as coisas na mala.


Senti que ela não queria conversar. Eu não conseguia entender o que ela estava sentindo naquele momento ao me mandar embora. Fiquei pensando se por um acaso, quando ela tivesse certeza de que eu havia ido embora, se ela procuraria o ex-namorado dela. Quando a mala estava pronta, Jiwoo fechou o zíper colocando-a no chão. A mala foi colocada nas minhas mãos e ela indicou a porta. Jiwoo literalmente estava me obrigando a ir embora sem qualquer discussão sobre isso. Era óbvio que eu queria ir atrás de Somin, era lógico que eu queria dizer a ela tudo e pedir perdão por não ter cumprido a minha promessa de encontrá-la em nosso aniversário de namoro. Pedir perdão por ter machucado os sentimentos dela com essa história de casamento.


Jiwoo abriu a porta e indicou que eu saísse. Algo dentro de mim me dizia que eu não deveria deixá-la ali sozinha. Não quando ela estava tão abalada emocionalmente como eu estava. E pior, saindo de uma recuperação de um acidente. Quando ela havia tido febre quase a madrugada inteira. Senti a mão dela me empurrar de leve para o lado de fora enquanto eu debatia comigo mesmo sobre o que fazer. Antes que eu decidisse o que queria entrei no elevador com a mala e apertei o botão do térreo. Saí sem olhar para trás quando ele parou no andar. Saí para o saguão sem deixar a culpa me consumir e sinalizei para um táxi na porta do hotel.


Entrei no carro e pedi ao motorista que fosse para o aeroporto. Cheguei indo direto para o check-in e pedi uma passagem de ida para Seul. O vôo sairia dentro de uma hora e meia conforme Jiwoo tinha informado. Eu não queria pensar nela, por isso peguei a passagem e despachei a mala. Passei no raio-x e sentei em uma cadeira esperando que o vôo fosse chamado para o embarque. Foi só então que eu percebi que eu tentava não pensar em Jiwoo, mas estava impossível. Ainda mais quando eu estive ali com ela ao desembarcar.


A mulher no auto falante informou a chamada para o embarque do meu vôo. Levantei sem olhar para trás e caminhei rapidamente entrando na fila. Já havia passado da hora de eu voltar encontrar a mulher que eu amava. Somin merecia uma explicação minha e um pedido de perdão pelos meus erros. Se isso era o certo a fazer porque eu sentia que estava cometendo um crime ao deixar Jiwoo sozinha naquela cidade?


Notas Finais


Até o próximo capítulo.


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