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História As cartas que eu não mando - Capítulo 27


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Notas do Autor


desculpa a demora...

Capítulo 27 - Ultimo dia


Fanfic / Fanfiction As cartas que eu não mando - Capítulo 27 - Ultimo dia

 

50 minutos para acabarem a prova, eu apertava a beirada da mesa com força, arranhava. Inúmeras hipóteses borbulhavam em minha mente,  Soren encostou a cabeça debruçada na carteira e fez a prova toda assim. Eu não podia sair da sala embora  me sentisse sufocado em não poder fazer nada naquele momento. Meia hora depois vi Amy passar pelo corredor e a chamei para olhar a turma. Ela aceitou mas quando chamei Soren para conversar no corredor ficou com uma expressão um pouco confusa.

 

Soren levantou, saiu da sala comigo e seus olhos vermelhos mal se direcionaram a mim mesmo num corredor vazio.

- Você estava chorando?

- Discutir..

- Com quem?

- ...Erick.

- E porquê? - Então ela finalmente levantou os olhos.

- Ele exagerou nas merdas que tava falando.

- Quais?

- Posso falar se você me prometer que não vai fazer nada.

- Eu não faço promessa.

- Ok então eu não falo.- Ela se vira para voltar pra sala mas eu seguro seu braço, ela fecha os olhos com força por um momento, eu levanto a manga de sua camisa e a marca vermelha no seu braço ainda estava lá.

- Se você não me falar vou ter que chamar seu pai.

 

Soren revirou os olhos e me encarou como se não estivesse acreditando no que eu havia acabado de dizer, como viu que não mudava minha postura ela resolveu falar.

- Ele me chamou pra ficar na sala com ele por um tempo no intervalo e eu fiquei porque sou péssima em matemática. - Suspirou- Então ele começou uma conversa estranha, e começou a chegar muito perto...então eu esquivei e ele começou a falar merda..

- Que merda ele disse? - os braços cruzados escondiam meus punhos cerrados de raiva.

- Disse que sabia o que estava rolando entre a gente porque você contou pra ele que eu gostava de você. - Seu rosto sério agora encarava o chão. - E que ele achava muito ruim da sua parte essa atitude porque eu era uma garota tão "bonita e maravilhosa"… Disse que eu não deveria confiar em você porque você estava saindo com outras mulheres. Então eu levantei e ia embora até que ele me segurou pelo braço me puxando pra perto dele e… forçou um abraço estranho e começou a beijar meu rosto e meu pescoço….então eu comecei a falar alto e ele me soltou com uma cara assustada como se eu estivesse surtando. - Ela terminou de falar como se estivesse tirando uma flecha do peito dolorosamente necessária. A merda era que a dor de Soren era combustível para minha raiva e a muito tempo ela não estava tão bem nutrida.

-Entra e termina a prova.

- Onde você vai?

- Preciso de um pouco de ar.

- Tristan…- Ela segurou levemente a barra da minha camisa.- Eu não sei como ele soube mas...eu não acreditei nele e...mesmo se caso você estiver saindo com alguém não tem problema, só me fala que eu me mando...

 

Eu a abracei, subitamente e forte, no corredor da escola. Foda-se, eu tava puto e queria aquela garota, já estava muito cansado de tudo aquilo. Soren estava estática como se não esperasse um abraço, só depois senti seus braços me envolvendo. Então eu dei um beijo em sua testa e sai. Vi o reflexo dos óculos de Amy que olhava-nos pela janela mas não me importei.

 

Eu fui até a sala dos professores e Erick não estava, provavelmente estava em aula. Fiquei sentado com as mãos no rosto por um tempo até o sinal tocar, não havia técnica de respiração ou conta de um a mil que em acalmasse. Peguei minhas coisas antes que Rachel percebesse minha inquietação. E foi no estacionamento que eu avistei o carro vermelho reluzente de Erick, seguida da jaqueta preta em suas costas, ele estava assobiando pronto para entrar no carro. Eu fechei a porta do carro com força, ele se virou e sorriu sem surpresa.

- Eu vou rasgar a tua cara no asfalto!

- Oi? Que isso amigão, calma aí. - Levantava as mãos ainda sorrindo- Seja lá o que te chateou eu posso te explicar melhor.

 

O estacionamento estáva vazio  porém dava para ouvir o barulho de alguns alunos saindo da aula na entrada da escola. Eu puxei Erick pela gola da camisa e o empurrei para uma parede de tijolos.

 

- Explica direito então seu filho da puta, você tá fudido.

- Tristan, Tristan - Juntou as sobrancelhas num semblante falsamente triste.- O professor esquisitão e quieto, porque está tão puto comigo? - Riu. - Eu só troquei algumas palavras com sua aluna favorita, não sabia que tinha ciúmes.

- Eu vou fazer você engolir esses dentes.

- Ah vai? Ué, mas você quase foi presos por agressão tem pouco tempo acho que isso poderia pegar bem mal pra você...

- E sabe o que ia pegar mal pra você? Assédio, e tenho certeza que tenha menor de idade que você deixou fudida da cabeça seu bosta!

- Nunca fui pra cama com quem não quisesse ir, duvido você ter provas para afirmar isso. Elas me amam, eu sou um pobre professor com um casamento aberto cujo a mulher não me dá atenção. A verdade Tristan ela passa a mudar se você só conta as mentiras várias e várias vezes.

- Eu posso ser preso mas te levo junto. E vamos vê quem se fode mais, quem dá porrada em caras como você ou que leva pra cama alunas adolescentes.

- Você é um cara como eu Tristan, só é castrado!

 

Eu soquei a cara dele, uma, duas, três vezes…. Ele me empurrou com um chute , pude ouvir alguns alunos gritando de longe.  Ele me acertou um soco que abriu o supercílio, eu segurei a cara dele contra parede e arrastei. Ele me deu um soco no estômago, eu ia revidar quando os zeladores da escola intervieram, Marcos chegou me segurando com força. Pude ver o sorriso ensanguentado de Erick, como se encerrasse a sua vida naquela escola com chave de ouro e talvez ele já esperasse isso de alguma forma.
 

Erick parecia transbordar autoconfiança mas era infeliz em um casamento de aparências que provavelmente iria perdurar. Mas eu não estava interessado na vida de Erick, eu só queria proteger Soren mesmo que fosse de mim. Vi o rosto de Soren por um momento no meio do grande grupo de alunos no corredor, ela estava um pouco assustada e segurava contra o peito o colar que eu havia lhe dando.

No final das contas eu não quis envolver Soren nisso, xinguei Erick de todos os nomes possível, falei em alto e bom som para todos os adultos que ali estavam que ele era um assediador de merda mas não mencionei Soren, tinha certeza que ela não iria querer isso pois era o que olhos aflitos dela pediam no corredor.

Erick com o nariz quebrado fez cena de bom moço, disse que não entendia porra nenhuma do que estava acontecendo e disse para diretora pensar duas vezes antes de contratar caras desequilibrados como eu.

Não preciso dizer que esse foi meu último dia de aula, James entregou os testes corrigidos por Téo no dia seguinte. E Téo, foi a minha casa, para a minha surpresa não me parecia está puto mas desapontado com a situação. Disse que queria saber como eu estava e falou que minha cara estava péssima.

 

- Você acha que isso vai pegar mal pra você na escola?

- Não cara, relaxa, Rachel é sensata além disso depois de 7 anos naquele lugar trabalhando que nem um condenado ninguém tem o direito de falar um "ah" pra mim. E antes que você me pergunte do Erick, devido os dois processos mais duas acusações anônimas a diretora finalmente achou melhor demiti-lo. A família dele tem dinheiro e ele vai poder dar aulas para algumas faculdades ainda. Eu só espero que ele tenha aprendido alguma coisas depois de ter machucado aquele rosto de psicopata.

 

Teo ficou pouco tempo e se pôs a disposição se precisasse conversar, por fim disse para eu não fazer merda e isso significava não encher a cara. Soren me ligou algumas vezes mas eu não quis atender. Estava envergonhado, ela sabia que eu já havia tido excesso de raiva antes e agora isso se repetia na frente de todos.  Eu ainda não estava curado da traição, nem do aborto, do  divórcio, do álcool ou da raiva. Eu ainda estava quebrado demais.

 



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