História As cores que me faltavam - Taekook - Capítulo 7


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Taekook, Vkook, Yoonmin
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Palavras 7.003
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIOIOI

Demorei mas cheguei

então né, vou logo pedir pra perdoar os errinhos porque além das 7000 palavras eu não tive tempo pra revisar

eu prometo que ainda hoje eu reviso

pra quem ler antes da revisão, desculpa msm kkkkk (até pra quem ler depois, afinal mesmo eu revisando alguns erros passam)

chega de enrolar

boa leituraaaaa❤️

Capítulo 7 - O que é isso?


Fanfic / Fanfiction As cores que me faltavam - Taekook - Capítulo 7 - O que é isso?

A aula está quase acabando, devem faltar uns 10 minutos, depois daqui tenho que ir lá em casa pedir para ir pra casa do Jeon, e aí eu vou pra casa dele, se meu pai deixar — que com certeza vai, ele sempre deixa.

 

Começo a pensar um pouco e refletir sobre a vida, desde que Jungkook começou a falar comigo — o que não faz muito tempo — realmente tenho me sentido um pouco melhor, sabe, só de não pensar no suicídio como uma opção acho que já é melhorar, certo? Não que eu não veja mais isso como uma opção, só que agora eu vejo um pouco menos.

 

E eu também tenho pensado um pouco sobre o que Jungkook disse naquele dia, ele realmente sente “atração” por mim? Ou ele só me achou bonito? — só me achar bonito já é estranho, o cara é cego? Olha pra mim, eu sou horrível. É estranho saber que ele me acha bonito, é estranho saber que alguém pode sentir alguma atração por mim — mesmo que ele não tenha certeza — tipo, o Jungkook é bonito, ele realmente é muito bonito, não acho que seja possível alguém como ele sentir algum tipo de atração por mim, e também não sei se é possível eu sentir por ele, eu nunca gostei de ninguém assim, e por quê o Jimin sugeriu que eu gostava dele? Eu pareço gostar dele? Não, é impossível eu ver ele como algo a mais.

 

Espera... Mas e se for possível Jungkook começar a gostar de mim? Isso seria bom?   Hum, talvez não seja tão ruim a ideia de ter alguém gostando de mim, e o Jungkook não é de se jogar fora, ele é bonito, simpático, se preocupa com os outros, gentil, amigável, perfeito... Pera, QUE!? Quando meus pensamentos chegaram nisso? Por que eu tô pensando nisso? Eu sinto algo pelo Jungkook? Não não, impossível, eu só falo com ele faz duas semanas, ele é só um amigo e vai continuar sendo só isso, um amigo, certo? Ok, chega de pensar.

 

Hum, ainda tem o Jimin, será que ele realmente gosta do Yoongi? Ainda acho que eu deveria investigar mais isso, o Yoon já sofreu muito na vida, ele não merece sofrer mais. E ele parece ter interresse no Jimin, só em um trabalhinho de matemática o Jimin fez uma lavagem cerebral no menino, até antes desse negócio o cara era super “hétero” — com H maiúsculo de homossexual — mas ele pareceu estar muito interessado quando falei o que Jimin tinha dito. Vou ter que ativar meu modo “Sherlock Homes” e descobrir se o Jimin gosta dele, e bom, descobrir se ele pode estar começando a gostar do Jimin.

 

Agora que eu fui parar pra pensar, o que eu vou fazer uma tarde toda com Jungkook na casa dele? Isso não parece uma ideia tão boa, uma tarde inteira com um menino que sente “atração” por mim, na casa dele, possivelmente no quarto dele, na cama dele, ar-condicionado no mínimo, debaixo da coberta, vendo uma anime e comendo uma pipoquinha com manteiga... Isso está sendo muito específico, tá parecendo até que eu quero, só pra deixar claro, eu não quero que tudo isso aconteça — tá, só um pouquinho, mas bem pouquinho. Ok voltando, hoje não temos trabalho nenhum pra fazer então por que porras Jungkook me chamou pra ir lá? E por que eu aceitei? E se ele quiser fazer alguma coisa comigo? E se esse menino quiser abusar do meu corpinho?Hum? HUMMMMM? Tá, chega Taehyung, Jungkook não tem coragem de fazer mal nem pra uma mosca, quanto mais pra você, fora que, possivelmente a gente só vai comer algo e ver um filme.

 

Escuto o sinal avisando que a aula terminou, saio dos meus pensamentos — bem estranhos — e vejo que a maioria da sala já estava com sua bolsa arrumada saindo da sala, enquanto eu tô aqui, todo desorganizado pensando no que eu vou fazer na casa do Jeon, lindo né?

 

—Taehyung, vamos? - Jungkook disse me encarando já de pé com sua bolsa nas costas.

 

—Espera, eu ainda não arrumei a bolsa.

 

—Quer ajuda?

 

—Não precisa, mas obrigado.

 

—Por nada.

 

Guardei a caneta no estojo e joguei tudo dentro da bolsa de modo rápido e desorganizado, logo acabei e me coloquei de pé.

 

—Prontinho, podemos ir.

 

—Hum, vamos.

 

Jungkook virou-se e foi em direção a saída, fui atrás e em pouco tempo já estávamos na porta da escola.

 

—Ok, por onde é sua casa?

 

—É na rua ao lado, é só seguir reto por aqui - apontei com o indicador. — E depois pega a direita.

 

—Tá bom, vamos então.

 

—Vamos.

 

Andamos uns 100 metros até chegar na minha casa, peguei minha chave na bolsa e destranquei a porta, logo abrindo a mesma. Assim que adentrei a casa pude ver meu pai na cozinha, ele deve estar fazendo o almoço — deve-se lembrar que ele é um bom cozinheiro, tanto que um de seus trabalhos é como cozinheiro em um restaurante, e só ele cozinha aqui em casa, da última vez que eu tentei fritar um ovo eu quase botei fogo na casa.

 

—Oi pai, cheguei. - disse ao entrar na cozinha e meu pai virou pra mim.

 

—Ah, oi Tae, trouxe visitas?

 

—Ah sim, pai esse é o Jungkook, um amigo, Jungkook esse é meu pai.

 

—É um prazer conhecê-lo Jungkook, me chamo Kim Junsu, mas pode me chamar de Junsu.

 

—É um prazer te conhecer também senhor Kim.

 

—Me chame de Junsu, “Senhor Kim” é muito formal.

 

—Ok senhor Ki... O-ok Junsu.

 

—Pai, eu queria saber se eu posso ir pra à casa do Jungkook.

 

—Pode sim, mas não quero incomodar a família do Jungkook então é melhor você comer antes de ir, se quiser pode comer também Jungkook.

 

—Mas eu não estou com fome, deixa eu ir agora vai...

 

—Taehyung, você vai ficar com fome depois.

 

—Não precisa se preocupar Junsu, eu falei pra minha mãe que iria chamar o Taehyung pra ir lá em casa hoje e ela disse que ela mesma prepararia o almoço.

 

—Ah, nesse caso, não quero que sua mãe tenha cozinhado pra nada. Pode ir Taehyung, mas antes deixe a bolsa no quarto e troque de roupa, eu vou comer sozinho e deixarei comida na geladeira caso sinta fome quando chegar do trabalho ok?

 

—Ok, obrigado pai, Jungkook fica aqui e eu vou trocar de roupa.

 

—Ok, estou te esperando.

 

Saí da cozinha e fui em direção ao meu quarto, ao entrar joguei a bolsa em cima da cama e peguei uma roupa logo a vestindo, em questão de 2 minutos eu já havia saído do quarto. Quando chego na cozinha vejo meu pai comendo e conversando sobre algo com Jungkook, esse que parecia bem interessado.

 

—Oi, sobre o que estão falando?

 

—Eu estava falando pra o Kook da vez em que faltou luz e você saiu gritando dizendo que tinha um fantasma na casa, você subiu na cadeira e a luz voltou, quando você olhou pra o chão começou a chorar porque disse que estava muito alto, eu quase morri de rir naquele dia. - só eu que fiquei intrigado com o “Kook”? Eu saí por no máximo 3 minutos, como é que já são tão próximos? E que putaria é essa do meu pai contando histórias da minha infância pra o Jeon?

 

—PAPAI!!! Olha Jungkook, ignora meu pai tá bom? Eu tinha 7 anos nessa época, eu não tenho mais medo de fantasma ou de altura.

 

—Ah ele tem sim, semana passada eu coloquei um filme de terror que falava de fantasmas, o crianção começou a chorar na primeira cena que o fantasma apareceu.

 

—Sério pai, eu juro que eu vou te matar! E Jungkook, vamos! Já conversaram demais por hoje.

 

—Não Tae, seu pai mal falou ainda tem mais histórias pra contar, não é Junsu?

 

—É sim.

 

—Nem pensar, a gente tem que ir pra sua casa, sua mãe está nos esperando né?

 

—Eita, é mesmo, vamos.

 

—Tchau pai! - disse puxando Jungkook até a porta e depois de sair a bati com força.

 

Depois de sair fomos andando até a casa do Jeon, eu não falei absolutamente nada no caminho, imagina o que ele deve estar pensando de mim agora? O cara de 16 anos que tem medo de fantasmas, que lindo.

 

Eu nem sabia pra onde estava indo, só estava seguindo o Jungkook, e logo chegamos a sua casa já que a mesma não é tão longe.

 

Assim que ele abriu a porta sua mãe brotou do nada e correu em direção a mim, a mesma me abraçou, queria uma mãe assim.

 

—O-oi. - disse um pouco sem ar por estar sendo esmagado pela Taeyeon.

 

—Oi amorzinho, eu estava esperando você, o almoço está pronto e o pai do Kook está esperando vocês na mesa.

 

—Oi mãe, eu também tô aqui, tudo bom?

 

—Ah, oi Kook. - deu um abraço no mesmo. —Tô bem sim.

 

—Ok agora vamos, seu pai quer conhecer Taehyung.

 

—Bateu até um medo agora. -disse começando a ficar nervoso, não sei porque mas a minha imagem do pai de Jungkook é de um homem sério que não vai gostar de mim.

 

—Não fica com medo, o sogrão, digo, o pai do Kook é bonzinho. - “sogrão”, ok, vamos fingir que não aconteceu e seguir com a vida.

 

—Tá bom, melhor irmos, ele já deve estar estrassado por tê-lo feito esperar. - nervoso? Nem um pouquinho.

 

—Não, ele acabou de chegar. - disse Taeyeon tentando me tranquilizar.

 

—Ah, que bom, mas vamos logo.

 

—Vamos.

 

Jungkook colocou sua bolsa numa poltrona da sala e fomos para a cozinha, encarei o pai de Jungkook, ele parece sério, socorro.

 

—Oi pai. - Jungkook disse e foi até o mesmo, depositando um beijo em sua bochecha.

 

—Oi meu filho. - disse e virou seu olhar para mim, morri. —Oi Taehyung, estava ansioso para conheçe-lo, aqui em casa só se fala de você.

 

—A-ah, oi Senhor Kim, é um prazer conhecê-lo.

 

—Me chame de Youngwoon, ou de Kangin que é mais fácil e é como todos me chamam no trabalho.

 

—Ok Senhor Kangin.

 

—Só Kangin está bom.

 

—O-ok... Kangin.

 

—Então, você e o Jungkook estão namorando?

 

—QUE!? Não pai, o que você andou dizendo pra ele mãe? - foi a vez de Jungkook de falar.

 

—Eu não disse nada.

 

—Sei... 

 

—Ela está falando a verdade filho, eu só achei que vendo um menino bonito que nem o Taehyung você iria se assumir e pedi-lo em namoro. - “um menino bonito que nem Taehyung”, “se assumir e pedi-lo em namoro” já posso morrer pessoas? eu jurava que esse cara era homofóbico cara, ele tem uma cara daqueles coreanos “tradicionais”.

 

—O-oi? Ok, chaga pai, a gente tinha que comer não era? A comida vai esfriar.

 

—Daqui a um tempo eles começam a namorar Taeyeon, guarde minhas palavras. - ouvi Kangin sussurar para sua esposa, que se encontrava ao seu lado.

 

—Eu ouvi pai! 

 

—Eu só disse verdades, agora vamos comer, não é sempre que a sua mãe cozinha, olha Taehyung, sua futura sogra gostou de você. - tamanha é minha vergonha nesse momento.

 

—Chega pai, vamos só comer.

 

Comecei a comer a comida — maravilhosa — e em poucos minutos acabei, após a conversa constrangedora tanto pra mim quanto para Jungkook ninguém disse mais nada e assim que acabamos de comer fomos para o quarto do Jeon.

 

Assim que Jungkook fechou a porta ele virou pra mim e suspirou.

 

—Me desculpa mesmo pelos meus pais, eles são doidos eu sei, e meu pai nunca tinha dado uma de Taeyeon e falado que algum amigo era meu namorado, até porque eu não tenho muitos amigos e meu pai é um Namjin shipper então não ficou me jogando pra cima do Namjoon ou do Jin, que são meus amigos de Incheon. Ah e, meus pais dizem que eu sou gay desde que eu tinha 13 anos, só porque me viram provando as roupas da mamãe. - informações demais pra um Taehyung só.

 

—T-tudo bem, meu pai também é meio doido.

 

—Hum... Você quer fazer o que?

 

—Não sei.

 

—Andar de bicicleta pelo jardim? Assistir um filme? Sei lá, tem bastante opção.

 

—Eu não sei andar de bicicleta então fico com assistir um filme.

 

—Pera, pera, pera, não sabe andar de bicicleta?

 

—Não...

 

—Então vamos andar de bicicleta!

 

—Nossa, eu digo que não sei andar e o doido diz que a gente vai andar.

 

—É lógico? você tem 16 anos, tem que aprender o quanto antes!

 

—Nem pensar, você não vai conseguir me ensinar a andar.

 

—Vou sim.

 

—Não vai.

 

—Vou sim.

 

—Vai sim.

 

—Vou mesmo.

 

—Aff, nem psicologia reversa funciona com você. Mas sério, não vamos, eu vou cair e me ralar todo.

 

—Cair faz parte da vida, devemos sempre nos levantar e tentar de novo.

 

—Filosófico, porém não me convenceu.

 

—Anda logo Taehyung, eu vou te ensinar a andar e ponto final.

 

—Aish, tá, já vi que não vai parar de me encher o saco se eu não for.

 

—Não mesmo.

 

Saímos do quarto e descemos as escadas, Jungkook me puxou até o jardim e entrou num quartinho e de lá tirou uma bicicleta.

 

—Pronto, agora sobe aqui. - disse batendo no banquinho da bicicleta.

 

—Pensando bem é melhor voltarmos para o quarto e assistirmos a algum filme, não acha?

 

—Não, vem logo vai Tae.

 

—Tá, mas se eu cair a culpa é sua.

 

—Tá, agora vem.

 

Fui até Jungkook e sentei na bicicleta, só de sentar eu quase caí mas o Jeon me segurou.

 

—É só colocar o pé no chão pra se equilibrar.

 

—Não me solta Jungkook, se você me soltar eu caio, promete que não vai me soltar Jungkook! - sim, estou me cagando de medo.

 

—Eu não vou te soltar Tae, tenta pedalar, vai devagar, eu vou estar te segurando.

 

—Ok.

 

Comecei a pedalar — super devagar porque eu tô com medo de cair daqui, é alto demais — e aos poucos fui pegando mais ou menos o jeito, comecei a pedalar minimamente mais rápido e até que eu estava conseguindo — eu sei que está meio fora de hora, mas caralho, esse jardim é maior que a minha casa — aos poucos fui pedalando mais rápido, eu estava até conseguindo andar. 

 

—Olha, você está conseguindo Tae!

 

Continuei pedalando e quando olhei pra trás vi que Jungkook tinha me soltado, aí eu surtei, quando olhei pra frente vi que eu estava prestes a cair na piscina, fudeu, eu não sei parar esse troço muito menos virar, e eu também não sei nadar então, f u d e u .

 

—Tae, para, você vai acabar caindo na piscina.

 

—Jungkook! Me ajuda! Eu não sei parar esse troço!!!!

 

—Calma! Coloca o pé no chão e para, é fácil.

 

—JUNGKOOK EU NÃO CONSIGO, JUNGKOOK EU VOU CAIR! JUNGKOOK EU NÃO SEI NADAR!

 

—CALMA EU TÔ INDO! - vi Jungkook correndo atrás de mim, quando ele me alcançou metade da bicicleta já estava na água, e ele não aguentou o meu peso e o da bicicleta, então você já deve imaginar a cena, sim, eu e Jungkook caímos na piscina de roupa e com uma bicicleta, e pra piorar minha situação, eu caí na parte mais funda da piscina. Aviso rápido, EU VOU MORRER PESSOAS!!!!!!!

 

—JUNGKOOK EU NÃO SEI NADAR, ME AJUDA!!!

 

—CALMA, CALMA!!!

 

O Jeon veio rapidamente até mim e me agarrou, logo me levando para a parte mais rasa da piscina.

 

—Você tá bem Tae?

 

Não respondi, apenas o abracei e coloquei minha cabeça na curvatura do seu pescoço, como uma forma de agradecimento.

 

—Você salvou minha vida, obrigado Jeon.

 

—Não precisa me agradecer, foi eu que te meti nisso, me desculpa, eu prometo não te forçar a nada, mas sério, não faz mais isso comigo, nunca mais.

 

—Foi até divertido.

 

—Pior que foi mesmo. - rimos.

 

—Mas sério, nunca mais me obriga a andar de bicicleta.

 

—Ok, hoje não vou mais te obrigar a andar de bicicleta. Ah e, também tenho que te ensinar a nadar né?

 

—Primeiro, nem hoje nem nunca mais, segundo, não quero aprender a nadar, você vai acabar me matando Jungkook.

 

—Ei, só foi um sustinho, não achou que ia morrer mesmo né?

 

—Não, nem achei, só tava surtando mesmo.

 

—Faz sentido.

 

—Não é pra brincar Jeon! - joguei água na nele.

 

—Ah, você não fez isso... 

 

—Fiz e faço de novo, seu assassino, fica aí querendo me matar.

 

—Você que começou a pedalar rápido em direção a piscina.

 

—Nem tente me culpar. - joguei água novamente.

 

—É guerra que você quer Taehyung? Então é guerra que você terá! - Jungkook começou a jogar água em mim e logo começou uma baita guerra d’água, duas crianças brincando de jogar água uma na outra na piscina, que lindo.

 

[...]

 

Depois de 40 minutos na guerra d’água com Jeon — sim, as crianças passaram 40 minutos  brincando de jogar aguinha — resolvemos sair e daí viemos para o quarto dele pra tomar um banho, bom, ele pegou uma roupa dele pra mim e me deixou aqui tomando banho no banheiro dele enquanto ele toma no do outro quarto. 

 

Depois de sair do banho e me vestir saí do banheiro, Jungkook já me esperava sentado em sua cama.

 

—Agora a gente pode assistir algo, ainda são 15:00 horas, então suponho que você ainda pode ficar. - ele disse ao perceber a minha presença no local.

 

—Sim sim, eu só tenho que ir umas 17:20.

 

—Então, o que quer assistir?

 

—Não sei. 

 

—Do que você gosta?

 

—Várias coisas, varia muito.

 

—Cita alguma coisa aí.

 

—Eu gosto de animes, romances, comédias românticas, terror, suspense, ação... Como eu disse, varia muito.

 

—Eu gosto de tudo isso também.

 

—Pera, sério?

 

—Sim, nunca consegui decidir qual prefiro, mas eu fico entre ação e romance.

 

—Eu também! 

 

—E de anime, o que gosta?

 

—Eu gosto de quase todos, mas meus preferidos são One Piece e Naruto.

 

—Esses são os meus preferidos também.

 

—Nossa, quer fazer exame de DNA? Acho que você é meu gêmeo perdido.

 

—Pois é! Você está querendo assistir algum anime?

 

—Bom, eu queria começar Death Note no domingo, acredita que eu nunca vi?

 

—Se eu disser isso vai parecer que eu tô só imitando tudo o que você diz, mas eu também estava querendo assistir Death Note porque realmente eu nunca vi, e todo mundo diz que é muito bom.

 

—Sério, a gente tem que fazer o exame de DNA logo.

 

—Pois é kkk. Mas então, você quer ver Death Note?

 

—Quero sim.

 

—Mas, se a gente começar a assistir, você vai ter que me esperar, não vai poder assistir sem mim, e isso se aplica a mim também, não poderei ver sem você.

 

—Espera, eu vou ter que ficar voltando aqui até a gente acabar?

 

—Sei lá, bom, tem 37 capítulos, se a gente começar hoje no final de semana você vem aqui e a gente pode terminar logo, daí você aproveitava e dormia aqui.

 

—Bom, dia de domingo é o dia da minha folga no trabalho, mas tem aula no outro dia, não posso dormir aqui.

 

—Ué, por que não? A gente ia junto pra o colégio.

 

—Eu não sei se meu pai vai deixar...

 

—Deixa que com o Junsu eu me resolvo.

 

—Nossa, cheio de intimidade.

 

—Pois é, seu pai me amou, e diz pra ele que eu amei ele também.

 

—Tá bom né.

 

—Tá, voltando, quer começar a ver Death Note agora e dormir aqui no domingo?

 

—Se não for incômodo...

 

—Claro que não é incômodo.

 

—Então eu adoraria! Mas espera, e seus pais?

 

—Meu pai te conheçe a mais ou menos uma hora e já te ama, e a minha mãe nem se fala né?

 

—Seus pais são maravilhosos.

 

—Seu pai também é.

 

—Obrigado.

 

—De nada. Ok, enfim, vamos logo começar a ver Death Note?

 

—Vamos!

 

—Você sabe que ainda está em pé né?

 

—A-ah, verdade, mas tudo bem eu posso ficar aqui mesmo.

 

—Vai assistir série em pé? 

 

—Sim...

 

—Para com isso vai, senta aqui. - disse batendo levemente no lugar vazio ao seu lado.

 

—Não precisa, eu posso sentar aqui no chão.

 

—Você vai ficar com frio Tae.

 

—Não vou, tá tudo bem...

 

—O que tem com você?  Por que está assim?

 

—Assim como?

 

—Sei lá é que da outra vez que você veio você sentou aqui na cama numa boa e de uma hora pre outra pareceu estar com vergonha. Está tudo bem?

 

Realmente, eu não sei direito o que está havendo, eu não sou muito de sentir vergonha, mas sei lá, simplesmente não quero ficar só com o Jeon numa cama, quer dizer, não é que eu não queira, só... Sei lá, eu estou confuso, por que eu tô com vergonha? Alguém me explica por que do nada eu fiquei com vergonha? O que está acontecendo pessoas?

 

 

—Vai ficar aí olhando pra o nada? - agora que eu percebi que ainda não havia respondido nada ao Jeon.

 

—A-ah, desculpa eu só... Olha, tá tudo bem.

 

—Então vai sentar aqui?

 

—T-tá...

 

—Você tá bem mesmo Tae?

 

—Tô sim...

 

—Então vem!

 

Me levantei e fui em direção ao Jeon, me sentando ao lado dele e logo me cobrindo, de fato estou com frio.

 

E no fim, acabamos quase como eu disse, só faltou a pipoquinha. Não estou incomodando de estar do lado do Jeon, mas sei lá... Algo estranho está acontecendo, não sei dizer o que, estou confuso, é como se eu quisesse estar com o Jeon, mas ao mesmo tempo eu fico nervoso de imaginar que estou com ele aqui, na cama dele, debaixo da coberta...  Meu coração está levemente acelerado, gente, acho que eu vou morrer. Sério, eu nunca tinha sentido isso, o que esse garoto tá fazendo comigo, Jeon Jungkook, que macumba é essa? Seja lá o que seja, espero que pare, é estranho.

 

—Tae, acorda desse transe estranho aí, já vai começar.

 

—Q-que? Eu estou bem acordado.


—Percebe-se... Hum, falta só uma coisinha.

 

—O que?

 

—Pipoquinha com manteiga.

 

Sério, que macumba é essa? 

 

—É, uma pipoquinha realmente seria uma boa.

 

—Tá, eu vou lá embaixo e daqui a pouquinho volto. Você me espera? Não vale assistir sem mim.

 

—Eu te espero sim kk.

 

—Já volto.

 

Jungkook saiu do quarto e cerca de 10 minutos depois voltou já com a pipoca em mãos.

 

—Foi até rápido.

 

—Bom, agora que estou aqui, vamos assistir logo. - disse se sentando e se cobrindo logo depois.

 

—Vamos sim.

 

Jungkook deu o play e começamos a assistir, por algum tempo fiquei o observando assistir, e de fato, ele é muito lindo, olhá-lo assim faz meu peito arder, o que é isso? E porque tem que ser tão lindo? Ai, o que você está fazendo comigo Jeon Jungkook?

 

Parei de olhá-lo e passei a assistir o anime, que de fato é muito bom.

 

[...]

 

O tempo passou voando e já são 18:05, acabei de chegar no trabalho.

 

—5 minutos atrasado moço. 

 

—Ah Yoon, foi só dessa vez. O chefinho percebeu?

 

—Por sorte sua, ele ainda não chegou.

 

—Ótimo.

 

—Hum, não está muito cheio hoje, já pode me explicar o por que de você se atrasar 5 minutos.

 

—Foram só 5 minutos Yoongi.

 

—Tá, mas tem que ter um motivo.

 

—É que eu tava na casa do Jungkook assistindo Death note e quando fui ver já eram 17:40, daí eu fui correndo pra casa pra me arrumar mas ainda assim atrasei.

 

—Nossa, fui trocado.

 

—Oi?

 

—Ué, agora você só fica com o tal Jungkook, até foi na casa dele assistir anime. E na escola você mal fala comigo. Sinto que fui trocado.

 

—Hoje você nem sentou ao meu lado na aula, ficou só com o Jimin.

 

—Mas...

 

—Sem mas, aqui temos um sujo falando do mal lavado, pare com essa implicância, tente conversar com Jungkook também, e você sabe que eu não vou te trocar, jamais faria isso.

 

—Sei lá, em uma semana você já é praticamente “melhor amigo” dele.

 

—Que nada a gente só conversa um pouco.

 

—Uhum...

 

—Ah sim... Ele gosta de você. 

 

—Oi?

 

—O Jimin, eu acho que ele realmente gosta de você.

 

—Hum, não sei se isso é bom, quer dizer, eu sou hétero, não quero que ele se iluda.

 

—Yoongi, repete isso e eu bato nessa sua cara branca, para de ser metidinho a hétero.

 

—Eu sou hétero!

 

—Com H maiúsculo de homossexual

 

—Chato... E o que te fez mudar de ideia sobre o Jimin?

 

—Ele realmente quer te conquistar.

 

—Está ajudando ele? 

 

—Talvez.

 

—Eu perguntaria o que estão fazendo mas te conhecendo como eu te conheço acho que não vai contar.

 

—Não mesmo.

 

—Mas e você, é todo metido a “assexual” mas sempre fica secando o Jungkook, as vezes fico até com vontade de oferecer água pra o menino, já deve estar desidratado de tanto que você o seca.

 

—Que? Você é doido.

 

—Vai dizer que é mentira que você fica olhando pra ele a aula toda?

 

—Ele senta na minha frente e pra olhar pra o professor eu tenho que olhar pra ele.


—Sei...

 

—Aish, que que deu em você Min Yoongi?

 

—Nada, só que você me parece bem interessado no Jungkook.

 

—Cala a boca, tonto.

 

—Vai dizer que nunca ficou o observando? Só imaginando como ele é lindo, olhando cada detalhe dele, nunca fez isso? Eu conheço você, e a desculpa do “Ele senta na minha frente” é horrível

 

—Um cliente, é meu, vou lá atender, tchau Yoon.

 

—Não vai fugir desse assunto Kim Taehyung! - ouvi o Min dizer em um tom um tanto elevado para eu ouvir, pois eu já estava próximo a mesa do cliente que havia acabado de chegar.

 

Depois a cafeteria foi começando a encher e logo estava bem movimentado, o que foi bom, levando em conta que eu consegui evitar o assunto do Min.

 

[...]

 

A noite foi um tanto longa, é difícil evitar Min Yoongi num ambiente tão pequeno.

 

E sinceramente, eu nem sei responder a pergunta dele, e o que ele quis me dizer com tudo aquilo? Afinal, tem algum problema em achar seu amigo bonito? Eu só o encaro por isso, Jungkook é bonito, esse é o único motivo.

 

Ok, eu realmente não sei direito o que está acontecendo comigo, quando eu fiquei observando ele, eu não sei, senti algo diferente, meu coração começou a bater rapidamente e meus pensamentos pararam de funcionar, era como se o Jeon estivesse manipulando a mim, hum, falando assim percebemos que a única explicação é... Macumba.

 

Tá, basicamente eu não sei o que está acontecendo comigo, porque eu nunca senti isso, então ok, eu consigo conviver com isso.

 

Aff, ok é o caralho, eu quero saber o que é isso porra! Já sei, vou olhar essa merda no Google. Pera, e como eu vou pesquisar isso? “Oh Google, diz aí o que tá acontecendo comigo, meu coração tá batendo rápido quando eu olho um menino bonito”. Eu não sei o que é, não sei como pesquisar, que porra é essa?

 

Será que eu tô doente? Tá, vamos recapitular os sintomas aqui, eu tenho vergonha repentina, aceleração cardíaca repentina, confusão mental repentina, fico observando o Jungkook repentinamente, hummmm, isso só pode ser uma coisa... Tá, eu não faço ideia, vou tentar procurar no Google mesmo.

 

Pego o celular e ligo o mesmo mas antes de entrar no Google percebo que tem mensagens do Jungkook, essas que eu não tinha visto antes, e aparentemente — pela quantidade — ele fez novamente um escândalo por eu não ter respondido, ai Deus, eu mereço.

 

Tento ignorar suas — várias — mensagens e abro no Google, masssss, como eu sou muito curioso, antes mesmo de pesquisar coloco no aplicativo de mensagens e abro no contato de Jungkook.

 

[Jungkook]

Oiii!

Eu segui seu conselho.

Eu fui até o Tae e chamei ele pra ir lá em casa, e ele aceitou!

Foi muito bom, sério mesmo.

Quer dizer, tirando o almoço constrangedor com meus pais me jogando pra cima dele.

Tá, agora eu vou dizer tudo que aconteceu por que sim.

Depois do almoço constrangedor a gente foi pra o meu quarto, mas não demoramos muito lá porque ele me disse que não sabia andar de bicicleta e eu disse que iria ensiná-lo, e estava tudo indo bem enquanto eu o ensinava até que eu invento de soltá-lo e o menino cai na piscina.

Mas adivinha, ele não sabe nadar!

Tem noção do meu desespero? Eu quase matei meu novo e único amigo aqui de Seul!

Mas até que valeu a pena, depois que eu salvei ele (pequena observação, a gente esqueceu a bicicleta na piscina e meu pai teve que tirar) eu perguntei se ele estava bem, e sabe o que ele fez?

ELE

ME

ABRAÇOU!

Sério eu quase morri naquela hora, meu coração quase sai pela boca, sim eu sei, foi só um abraço de um amigo, mas eu não recebo muitos abraços, só da minha mãe e de vez em quando do meu pai.

Tá, voltando, depois do abraço a gente começou uma gerra de água (que durou quase uma hora) e depois saímos da piscina. Daí a gente foi pra o meu quarto, e depois do banho a gente foi assistir Death note, ah e, deve se lembrar que nos primeiros minutos ele ficou me encarando, eu estava morrendo se vergonha mas me contive.

Depois a gente só voltou a assistir normalmente.

O Tae é bem legal, mais do que eu esperava, e eu nunca me aproximei tão rápido assim de alguém.

A única parte ruim do meu dia foi que no jantar tive que aguentar meu pai e minha mãe falando do Taehyung, meus pais são loucos, eles literalmente criaram um shipp pra a gente.

Meu Deus.

Meu pai disse que era o shipper número um de  Taekook, e a mamãe disse que era número um também o que causou uma certa confusão na hora, mas depois se resolveram e disseram que por serem casados eles podem ser o número um juntos.

Nossa, agora qui eu percebi, enchi seu celular de notificação.

Hum, cadê você?

Você ama sumir assim não é?

Ser humano?

E i ?

Tá, você deve estar ocupado.

 

 

[Você]

Dia cheio o seu em moço.

 

[Jungkook]

Só vai dizer isso depois de todo esse tempo que demorou pra responder.

 

 

“Desculpa, estou ocupado tentando acalmar meu coraçãozinho que repentinamente começou a fazer a festa aqui dentro, só porque eu li as coisas que falou de mim, principalmente o fato que me viu te observando” essa seria a resposta que eu daria, se eu tivesse coragem. É culpa dele eu não ter coragem, essa minha vergonha repentina é culpa dele, o que que eu posso fazer?

 

[Você]

Desculpa a demora, eu nem tinha olhado o celular.

Não tenho muito a comentar, mas bem, o que você achou do seu dia?

 

[Jungkook]

M a r a v i l h o s o !

 

[Você]

Hummmm...

Já descobriu se sente algo pelo tal Taehyung?

 

 

Vocês tem noção do quanto meu coração acelerou ao enviar isso? Meu Deus, foi só uma pergunta, o que que tá acontecendo comigo?

 

 

[Jungkook]

Não sei dizer, eu gosto dele, mas como amigo, eu acho.

 

 

“Eu acho” vulgo as palavras que quase 

me fizeram ter um ataque cardíaco.

 

 

[Você]

Acha?

 

[Jungkook]

É, eu me sinto meio estranho perto dele, não sei dizer exatamente o que é.

 

[Você]

Sente isso conversando ou observando mais alguém?

 

[Jungkook]

Bom, eu sinto um pouquinho quando tô conversando com você, mas não faço ideia do que é.

Na verdade, eu nunca tinha sentido antes, com ninguém, só com vocês dois.

 

 

Ótimo, ele só sente isso comigo e eu só sinto com ele, decifrado, o Yoongi estava perguntando disso hoje, faz todo sentido, ele perguntava porque foi ele quem fez a macumba, por isso eu sinto pelo Kook e o Kook sente por mim. Faz todo o sentido. O macumbeiro do Min Yoongi e eu precisamos ter uma conversinha amanhã.

 

 

[Jungkook]

Eu tenho que ir agora ser humano, já está tarde.

Boa noite.

Beijosssss <333

 

[Você]

Tudo bem, tchau, beijosssss <3!

 

Coloquei o celular pra carregar e me deitei, tantas dúvidas rodam minha cabeça no momento, o que será isso que estou sentindo? Por que tem que ser tão estranho? Aish! Eu odeio essas macumbas de hoje em dia!

 

O que exatamente será isso? Será que eu só estou descobrindo uma nova amizade? Eu nunca faço amigos, e o Yoon já é meu amigo há um tempão então eu não sei dizer. Será que isso é meu coraçãozinho dizendo que ele será mais um melhor amigo meu? Hum, pode ser.

 

Ok, vou dormir.

 

[...]

 

Acordo às 6 da manhã com a droga do alarme tocando e depois de uns 3 minutos tentando raciocinar e lembrar coisas básicas do tipo meu nome, idade e onde eu moro, eu levanto e vou tomar um banho.

 

No banho, com a água gelada caindo em meu corpo, começo novamente a pensar nas coisas que senti ontem, e ainda não decifrei, o que será isso? Agora eu lembrei, ontem quando fui pesquisar a acabei não pesquisando ao ver as mensagens do Jeon, hum, eu ainda vou pesquisar.

 

Ok, eu vou logo sair daqui e ir me arrumar.

 

[...]

 

Assim que termino de me arrumar saio do quarto indo até a cozinha, e... Espera, meu pai ainda tá aqui? E aparentemente... CHORANDO!! QUE QUE HOUVE PORRA?!

 

Me aproximo do mesmo e ponho a mão em seu cabelo, ok Taehyung, ele está mal, não faça um escândalo.

 

—Pai... O-o que houve? Por que está assim? Não deveria estar no trabalho?

 

—T-tae... E-eu perdi o emprego... Aparentemente a loja está falindo e eles começaram com as demissões... E esse era o emprego que tinha o maior salário Taehyung, como eu vou conseguir nos bancar agora? E-eu falhei como marido e deixei sua mãe ir pelo caminho errado, não posso falhar com você Taehyung, não posso. E-eu sou um péssimo pai, m-me desculpa.

 

—Pai... Não fala assim, você é o melhor pai de todo esse mundo e eu te amo, e tá tudo bem ok? Você vai arrumar um emprego logo logo, e eu posso fazer mais turnos na cafeteria...

 

—Não Taehyung, eu que tenho essa obrigação, não precisa fazer mais turnos, você já perdeu o ano uma vez por causa disso, não quero que perca novamente, eu tenho que conseguir ao menos bancar nós dois.

 

—Mas eu posso te ajudar pai.

 

—Você já me ajuda Tae.

 

—Eu quero ajudar mais.

 

—Se quer me ajudar vá para a escola, garanta para você uma vida melhor que a minha, não quero que seja que nem eu, quero que tenha um bom emprego e que consiga bancar a sua família.

 

—Eu posso faltar hoje e ficar aqui com você papai, você está mal...

 

—Não Taehyung, eu estou bem ok? Vou só tomar um banho e depois ir procurar um emprego.

 

—Eu posso ir com você...

 

—Não Tae, quero que vá para a escola.

 

—Ok, eu vou... Fica bem tá pai?

 

—Eu vou ficar.

 

—Tá bom, tchau.

 

Após sair de casa começo a chorar, desabo deixando todas as lágrimas — que até então estavam sendo forçadas a não sair — cair livremente molhando meu rosto, eu estava guardando tudo lá dentro, nem sei como aguentei, só não queria deixá-lo pior. Tudo isso é culpa minha, se ele não tivesse a mim nem precisaria desse emprego, ele não merece isso, nada disso. Se eu morresse tudo se resolveria, meu pai ficaria tão melhor sem mim... Eu não mereço viver, eu só faço meu pai sofrer, ouvir ele falar aquelas coisas me partiu o coração. Pra que viver? A troco de que? Estragar a vida das pessoas ao meu redor?

 

Eu sou apenas um peso para esse mundo, nem deveria existir. Tudo que eu quero agora é morrer, deixar de existir, eu sou só um erro, e erros devem ser apagados... Eu tenho que morrer, eu não sirvo pra nada nesse mundo.

 

Quando eu finalmente achei que as coisas estavam melhorando...

 

Sem perceber, já havia chegado na escola. Na entrada, só via pessoas me encarando, algumas com uma cara de pena, algumas com uma cara que eu julguei ser de nojo.

 

Limpei o rosto e torci para não ter ninguém na sala, meu rosto deve estar inchado e vermelho, sempre que eu choro fica assim.

 

Quando entro na sala vejo que só Jungkook havia chegado, e no momento, não sei dizer se isso é bom ou ruim.

 

—Tae? O que houve? Estava chorando? - disse o Jeon ao ver a minha situação, se levantando rapidamente e vindo até mim.

 

Não o respondi, apenas o abracei e comecei a chorar novamente.

 

—E-eu não s-sirvo pra n-nada Jungkook, e-eu  não m-mereço v-viver... 

 

—Não diz isso Tae... O que houve? O que aconteceu?

 

—M-meu p-pai perdeu um d-dos empregos dele, e-ele está achando que ele não é-é suficiente Jungkook... É-é tudo culpa minha... S-se eu não existisse ele n-nem precisaria desse emprego Jeon, e-eu não mereço viver, eu não mereço... - no momento, nem me importei se ele iria associar isso ao “ser humano”, eu preciso dele agora, ele vai me ajudar.

 

—Para com isso Tae, isso não é culpa sua... Olha pra mim. - segurou meu queixo e puxou meu rosto levemente para cima, me fazendo o encarar. —Vai ficar tudo bem me ouviu? Eu posso te ajudar com alguma coisa, sei lá, a gente dá um jeito, não fica assim, não gosto de te ver mal.

 

—M-mas Kook, e-e se meu pai não conseguir outro emprego?

 

—Ele vai conseguir, não fica assim Taehyung, isso não é o fim do mundo, não precisa ficar tão mal, e você merece sim viver,  nada disso é culpa sua.

 

—É-é sim, se eu não existisse, tudo ficaria bem.

 

—Não diga isso nunca mais, tudo vai se resolver, eu prometo.

 

—Mas e se...

 

—Sem mas, confia em mim. Agora vamos ao banheiro lavar esse rosto, e eu quero um sorriso no lugar dessa carinha triste.

 

—Não consigo sorrir.

 

—Ah, não consegue...?

 

—Não...

 

—Vamos ver. 

 

Do nada Jungkook começa a me fazer cócegas e acabo não conseguindo segurar os risos.

 

—P-para Jeon!

 

—Eu paro se prometer que vai parar de chorar.

 

—M-mas...

 

—Já disse, sem mas, seu pai não iria gostar de te ver assim.

 

—T-tá bom, vamos logo no banheiro pra eu lavar o rosto.

 

—Vamos!

 

Saimos da sala seguindo para o banheiro.

 

—Bom, agora a gente tem que dar um jeito de arrumar outro emprego pra o seu pai. - disse o Jeon quebrando o silêncio.

 

—Eu não sei como a gente poderia ajudar nisso.


—A gente dá um jeito... O que seu pai faz?

 

—Bom, ele faz de tudo. Mas nesse emprego que ele perdeu ele era segurança de uma loja.

 

—Hum... ESPERA!!! Por pura coincidência o segurança do meu pai se demitiu hoje, ele achou uma oportunidade melhor, e até então, a vaga dele não foi preenchida.

 

—Não sei Jeon, meu pai só cobria o turno da manhã, a tarde ele tem outro emprego. Ele só era segurança até às 12:00.

 

—O segurança do meu pai também, meu pai sempre almoça em casa então o segurança dele fica com ele até 12:00, e o outro chega pra buscá-lo às 13:30 pra voltar à empresa.

 

—Essa gente rica...

 

—Ei!

 

—Tá... Mas quais as chances do seu pai aceitar o meu como segurança?

 

—É só pedirmos com jeitinho.

 

—Meu pai vai brigar se souber que eu saí implorando pra o pai do meu amigo contratar ele.

 

—Ele não vai brigar se você conseguir o emprego.

 

—Hum, ok, eu aceito.

 

—Então depois da aula vai comigo lá em casa?

 

—Vou. 

 

—Ei, a gente não estava indo para o banheiro?

 

—Nossa, eu nem lembrava.

 

—Acho que a gente já passou do banheiro.

 

—Sim, passamos há um bom tempo.

 

—Bom, mas você não precisa mais, seu rosto já está começando a desinchar.

 

—Então a gente pode voltar pra sala.

 

—É, vamos voltar.

 

E seguimos para a sala, agora conversando coisas aleatorias que vieram às nossas cabeças.

 

Quando entramos na sala já não estava mais vazia, tinha algumas — não muitas — pessoas agora, Jimin e Yoongi estavam lá, e outras pessoas que eu nunca falei e não lembro dos nomes.

 

Quando eu e Jungkook sentamos Yoongi virou pra mim e me cumprimentou, mas como o infeliz me conhece muito bem, percebeu que eu havia chorado, então tive que explicar tudo pra ele, agradeço que foi Jungkook que estava aqui quando cheguei, não queria que o Yoon me visse naquele estado. Ok que com certeza o Kook vai me associar com o “ser humano”, mas é só dizer que foi coincidência ou algo do tipo, se ele perguntar eu digo que eu só disse aquilo no calor do momento ou sei lá, eu resolvo isso depois.

 

Eu ainda não entendo essa habilidade que o Jeon tem, eu estava super mal aí ele fala algumas coisas e voilà, eu já tô muito melhor. Mas o que é mais difícil ainda de entender é que ao mesmo tempo que ele me acalma, ele faz meu coraçãozinho palpitar, e eu simplesmente não sei explicar nada disso.

 

Não sei explicar nada do que está acontecendo comigo, e eu odeio isso, odeio não saber o que estou sentindo, odeio não entender isso, odeio não saber que relação isso tem com Jungkook, tudo que sei é que de uma hora pra outra algo mudou, não sei o que é nem o que fez mudar, mas mudou. Tudo que sei é que isso foi graças a Jeon Jungkook.

 

Ainda estou com medo, e se o pai do Jeon não aceite ter meu pai como seu segurança? E se o pai dele já até tenha arrumado outro segurança? E se o outro segurança tenha voltado atrás e já pegou sua vaga de volta? É, tem muitas chances de dar errado, mas ainda assim, só de pensar que o Jeon vai estar comigo eu não fico mal, é como se a presença dele confortasse minha alma, mas ao mesmo tempo desesperasse meu coração, e eu simplesmente não sei explicar isso, não sei explicar absolutamente nada, e isso está me deixando louco.

 

Você vai acabar me enlouquecendo, Jeon Jungkook.


Notas Finais


é isso pessoas, vou tentar não demorar tanto

e aí como ficou????


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