História As Crônicas da Floresta - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Fantasia, Mistério, Romance
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Palavras 3.212
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, LGBT, Magia, Mistério, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, meu nome é Icaro.
E esse é primeiro capítulo, da primeira história que publico na internet. Confesso que estou nervoso, quem não estaria não é mesmo? Mas essa é uma mitologia que eu escrevo, edito e idealizo desde que consigo me lembrar por gente e sentia uma grande necessidade de compartilhá-la.
Tudo começou com um sonho a anos atrás que chamou muito a minha atenção. Dele, comecei a moldar cada personagem, cada inspiração e cada romance para essa história.
As Crônicas da Floresta contém todas as experiências que tive ao longo dos anos, desde livros e jogos até relacionamentos reais, desenvolvidas em diferentes papéis e motivações espalhadas por cada página e cada capítulo deste livro.
Espero que se divirta, pois este é só o início.

Capítulo 1 - Turbilhão


 

O caos uniforme das formas definidas.

 

Incendeio o pavio do mini-foguete e rapidamente o deixo no chão, longe da caixa com os outros, antes de correr para perto da Jessica. Ela está rindo sem parar por eu estar com medo, o que é engraçado, visto que ela já se queimou da mesma forma. Dezembro do ano passado. Nós estávamos fazendo a mesma coisa, acendendo alguns foguetes antigos do pai dela antes do ano novo, os que já iriam para o lixo de qualquer forma. Ela se queimou e acabou com a nossa diversão, já que seu pai, desesperado, teve que levá-la ao hospital, nos fazendo perder o Natal dormindo nas cadeiras desconfortáveis daquele lugar. Queimaduras de segundo grau por metade do braço direito. Ela nunca se deu bem com fogo.

— A gente não devia estar fazendo isso, você sabe, né? Assim que aquele foguete estourar, seu pai vai saber que fomos nós e não vai te deixar ir ao baile. — eu alerto, enquanto recupero o fôlego sentado na grama.

— Relaxa aí chorão, estamos quase a dois quilômetros de distância da minha casa. — ela se agacha ao meu lado. — E duvido ele desconfiar desses foguetes... Não os usa há anos mesmo.

De repente, uma forte explosão, nós dois nos assustamos. É o foguete, cruzando o céu em questão de segundos. Luzes de todas as cores o acompanham. É como mágica. O terreno baldio que antes estava tomado pela escuridão, agora se banha em flashes por toda a grama. E o céu, que antes mostrava toda a extensão da nossa cauda da galáxia, começa a ser tomado por explosões e brilhos de todas as dimensões.

Para melhorar nosso teste cardíaco, Matthew sai quase voando do meio de alguns arbustos ao nosso lado, e para feito uma estátua, olhando para o céu.

— Vocês começaram sem mim... — ele mal nos repara, está vidrado com as cores que nos contornavam.

— Quem mandou se atrasar uma hora inteira? — Jessica resmunga.

— Já esqueceu quem tem a madrasta mais chata do universo? Exatamente, eu.

Estou adorando esse momento. Apenas nós. A badass Jessica Gryffin, usando seus jeans e tênis mais descolados que eu já vi. Alguns diriam que estão um pouco desgastados, mas nós chamamos aquilo de arte; e sua camiseta bege, estampando uma girafa com uma listra preta na cara, e um casaco moletom preto e fino por cima. Seus olhos castanhos claros brilham ao refletir as luzes do céu. Isso sem mencionar seus cabelos castanhos tingidos de rosa choque só nas pontas e curtos até o pescoço. Ela diz que é clichê, e que preferia azul, mas eu a convenci do contrário e caiu como uma luva.

O lobo solitário Matthew Adams, usando um jeans preto de alguma marca na moda, mas que parecia estar completando vários aniversários junto com seu tênis que nunca mostravam extravagância, sempre fez questão de usar o mesmo por dois ou três anos. Uma camiseta azul escura estampando "No Fear" em letras maiúsculas, fui eu quem o presenteou com ela no ano passado. Eu nem lembrava que ainda existia, mas foi legal de sua parte guardar tanto tempo assim. Uma camisa xadrez vermelha de manga comprida por cima que ele usa todo santo dia no colégio. Os cabelos loiros e desarrumados que tem preguiça de cortar formam uma pequena franja caindo pelo rosto. Seus destrutivos olhos verdes também brilham sob as luzes que agora, estão quase desaparecendo.

Quase esqueço quem eu sou em momentos como esse. Peter Robinson, o garoto estranho que perdeu seus pais aos seis anos e agora vive com a tia que quase nunca aparece, numa mansão frente a floresta assustadora da cidade, e que anda sempre com outros dois estranhos (é dessa forma que eu sou descrito na escola). Usando jeans azul desgastado e o tênis em qualquer ocasião. Camiseta verde escura sem estampa e uma camisa de manga longa por cima, listrada de azul claro, para piorar. Cabelos pretos, não muito curtos e olhos castanhos escuros, quase negros.

Somos os famosos anti-sociais da escola, apenas nós três desde quando éramos crianças. E apenas agora, parece que nada mudou. Estamos lado a lado exatamente como sempre estivemos. É o nosso momento. E as estrelas já dominam o céu novamente. Mesmo assim, eu não paro de olhar para cima.

Por questão de milésimos, vejo uma estrela cadente com cauda azul riscando o céu. Apenas uma. No oceano das demais.

— Vocês viram isso? — pergunto olhando para os dois.

Curiosamente, ela já está arrancando a grama novamente, e ele está olhando para mim, parece desconfortável. As chances de terem avistado o mesmo que eu são nulas.

— O quê? Um mini-foguete no céu? — esse é o nível de piada da Jessica.

Apesar de estarmos todos bem, é perceptível certa distância dela sobre nós dois. Matthew e eu temos passado muito tempo juntos, muito mais tempo nesses últimos meses, e essa era uma cerimônia minha e dela. Sua cara de decepção me convence, sequer olha muito para nós. Não por ele estar conosco, mas por deixarmos ela de lado algumas vezes.

— Tá esperando o que, Pete? Acende logo outro antes que alguém chame a polícia!

— Ei, não era eu o chorão? Melhor parar de reclamar ou eu deixo a cerimônia com você, de novo! — solto uma risada, andando de costas até a caixa.

Matthew também ri, mas pelo canto da boca. Jessica volta os olhos fixamente pra ele.

— Tá rindo do quê?

— Nada não…

Ela parece não gostar do silêncio e continua o encarando.

— É que, é estranho como você conseguiu se queimar com foguetes que não deveriam nem mais acender, pela data de validade. — ele continua rindo.

— De novo isso? Pois é, vai ver eles são como o seu pai, que mesmo depois de tão velhos ainda incendeiam corações de mocinhas tão jovens como a sua madrasta.

— Ei gente, vamos deixar as ofensas de lado. Estamos aqui pra nos diver…

— Eu não sei por que você é assim Jess, eu só vim porque Pete me chamou. Não precisa começar a pegar fogo aí do nada. — Matthew me interrompe.

— Ah, mas é claro, os namoradinhos não podem ficar um segundo longe um do outro, não é? Mesmo quando estamos fazendo um ritual que deveria ser só nosso. — ela rebate.

— Galera... — tento intervir de novo, mas os dois estão disparando diretas e indiretas como foguetes.

— Nós não somos, cara, por que isso te incomoda tanto? A gente mal sai junto, Peter passa a maior parte do tempo com você, por que tá tão estressada?

— Eu não tô estressada, só queria que fizéssemos isso sozinhos, nós dois, entendeu agora?!

— Pera aí, gente…

— Então beleza, se divirtam aí. Eu tenho mais o que fazer. — ele termina, tirando a bicicleta da moita ao seu lado.

— Caramba, finalmente!

— GALERA, ESPERA! — enfim termino uma frase, mas gritando.

Sirenes de polícia. Luzes vermelhas e azuis aparecem no portão do terreno.

— Pete, larga isso daí, não dá mais tempo! — Jessica sussurra em desespero.

Corro novamente em direção a ela e nossas bicicletas. Matthew já está em cima da dele, nos esperando para fugirmos. Montamos nelas, e saímos pelos fundos rapidamente até a rua de trás, pedalando como nunca antes, para que a polícia sequer identifique nossa silhueta. Depois de alguns minutos driblando casas e quarteirões inteiros do subúrbio, começo a rir disparadamente, e eles também. A adrenalina e a situação em que saímos de lá é muito mais engraçada do que o medo que sentimos de sermos pegos.

Nós estamos vivos. Rude dizer isso, para alguns, mas para nós depois de tudo o que passamos juntos, e de um primeiro ano no ensino médio inteiro naquele colégio, é como se estivéssemos finalmente em sintonia com o universo ao nosso redor, apenas rindo e pedalando por essas ruas.

Matthew para por um instante a bicicleta na esquina da sua rua e nós dois paramos em seguida, lado a lado. O único poste aceso em vários metros nos ilumina no meio da escuridão.

— Então, querem ir lá pra casa entrar na piscina térmica? Aproveitar que meu pai está viajando? — ele pergunta, parece meio sem jeito.

— Naah, preciso ir pra casa. Disse que meu pai não sentirá falta dos foguetes, mas acabei de lembrar que ele adora aquela garagem e... sei lá, né... — Jessica responde, também sem jeito. — Você pode ir, chorão, eu vou ficar de boa.

— Acho melhor eu ir pra sua casa, pelo menos vou admitir a culpa se o seu pai descobrir.

— De jeito nenhum, acha que vou deixar você receber os créditos por esse feito incrível? Pode deixar que eu resolvo.

— Tem certeza? — sussurro pra ela.

— Relaxa, eu dou um jeito. — ela sussurra de volta, dando uma piscadinha e pedalando em direção a sua casa.

Empurro a bicicleta em direção ao Matthew. Ele ergue uma sobrancelha. Eu aceno com a cabeça e nós continuamos pela rua.

Após passar por várias casas da rua, avistamos a sua. Uma casa moderna, que demonstra o poder monetário de seu pai com certo apreço. Já vim aqui várias vezes, principalmente nos últimos meses. Jogamos videogame quase o dia inteiro e não temos muitos outros amigos, então se refugiar nessa casa luxuosa parecia adequado ao termo “anti-sociais” que ganhamos na escola. Agora eu entendo o que a Jessica quis dizer com "namoradinhos", passamos a maior parte do tempo aqui, como eu não percebi isso antes? Devia estar realmente viciado. Isso parece problemático, mas nem tanto.

Deixamos nossas bicicletas no quintal da frente e entramos na casa. Nada que eu já não tivesse visto antes, a não ser pelo fato de que está toda apagada. Sempre que entro aqui, sinto que viajo alguns anos no futuro, principalmente com essa mobília e arquitetura moderna. A sala de estar é incrivelmente grande e acompanhada de um mini bar perto das escadas, as quais são largas e formam uma meia lua no lado direito daquele espaço enorme. Atravessamos a sala, que tem saída direto para a piscina nos fundos.

— Cadê a Lian?

— Num puteiro? Quem sabe o que madrastas fazem a essa hora da noite? — ele responde, sem sequer olhar para o resto dos cômodos.

Lian, a atual madrasta de Matthew, e não muito melhor que a primeira. Sua mãe morreu quando ele era muito pequeno, e desde que o conheci, seu pai se casou duas vezes. Sempre me pareceu que ele não via com bons olhos e nunca aceitou bem suas madrastas nesta casa, o que se concretizava com as diversas brigas que ele ainda tem com seu pai, e que me deixam um pouco deslocado, principalmente quando eu as presencio. Não há muito o que dizer em momentos como aqueles.

Saímos para a área da piscina e ele começa a falar de alguma garota do colégio. Eu não presto muita atenção porque estou com o celular na mão vendo as horas.

22h34. Dia 28/12/2018.

A imagem de bloqueio de tela tem nós três no show do Twenty one Pilots de costas pro palco. Isso faz 4 meses, foi inesquecível.

Nenhuma mensagem e nenhuma chamada perdida.

Ele continua falando, mas dessa vez tento dar ouvidos.

— Ela veio no facebook, e perguntou se eu estava livre hoje, mesmo eu tendo dito um dia depois que a gente ficou atrás do colégio, que eu não queria vê-la nunca mais.

— Você disse isso? Sem mais nem menos? E os sentimentos dela?

— Ela vai sobreviver. Garotas do colegial estão sofrendo o tempo todo por coisas totalmente sem sentido, eu só não queria mais que ela ficasse no meu pé.

— Sem sentido?

— Sim, ela é uma das garotas mais superficiais da escola, quem sabe essa necessidade dela por um príncipe encantado some de uma vez.

— Cara... isso é tão rude... — estou inconformado. Matthew tem a maneira dele de ver o mundo, mas acho que isso foi bem idiota.

— De qualquer forma, ela vai sobreviver. Você vive dizendo para nós sermos gentis com todo mundo, mas eu acho que honestidade é exatamente sobre o que a gentileza se trata.

— Se você diz... — respondo, olhando para o celular em direção a piscina.

Desde que nós três nos conhecemos venho tentando ensinar algo que li gravado na cabeceira da cama dos meus pais, o qual sinto que viviam repetindo para si mesmos; ser gentil com todos, porque todos estão lutando alguma batalha que não sabemos nada sobre.

É uma das poucas coisas que sei sobre eles.

Olho para frente e Matthew está de costas, sem camisa e pulando na água apenas de bermuda. Suas roupas estão jogadas na borda da piscina. Organização não é sua melhor qualidade.

— Ei, aquela sua bermuda está na mesa do quintal desde ontem. — ele me lembra.

Troco de roupa e as deixo em cima da mesa. Entro devagar na água quente, uma perna de cada vez, e sinto as poucas bolhas estourando na superfície. Não consigo ver garoto, está dentro da água e então aproveito para mergulhar fundo. Só fico alguns instantes debaixo d'água, porque ele me puxa de volta pra superfície, me provocando a começar uma guerra de afogar.

— E aí, qual vai ser? Vai se afogar? Só saiba que não tem saída, então faça sua escolha — ele ri, me desafiando.

Com toda força que consigo juntar, o empurro pra debaixo d'água.

Matthew sempre foi meio distante, de todos, na verdade. No início da nossa amizade ele não saía muito comigo e com a Jessica, preferia ficar em casa jogando videogame. Eu respeitava isso, mas sempre tentava convencê-lo a sair um pouco e brincar com a gente. Seu pai é muito rigoroso, e digamos que sua antiga madrasta não era uma pessoa muito legal de se conviver. Alguns meses atrás ele chegou na escola mais distante que o normal. Tinha me contado que eles brigaram e ela o machucou, seu pai se separou por um tempo. Fiquei do seu lado o dia todo e quando vi, já estava indo pra sua casa todo dia, desde então ele tem saído mais.

Infelizmente, nesse meio tempo, eu me apaixonei por ele.

Com muita força, ele me empurra de volta para a superfície com as mãos nos meus ombros. Nos encaramos por alguns segundos, o bastante para me deixar sem graça. Já é embaraçoso estar aqui assim sozinho com ele. Ele não devia fazer isso. Não é justo. O que eu faço?

Rapidamente, ele joga água no meu rosto e eu viro de costas rindo. Acho que percebeu que eu fiquei envergonhado. Foi até melhor ele ter feito isso. Não sei o que eu faria se aquela situação durasse mais um segundo.

Viro de volta, e quando me dou conta, ele já está com seus lábios nos meus. Uma sensação quente me domina, mais do que a da água. Estou definitivamente em choque e muito sem graça. Como? Quando isso aconteceu? Parece que meu corpo todo sumiu e tudo que existe é ele e os seus lábios finos. Dura cerca de dois segundos e meio, mas meu espírito já está fora do meu corpo.

Ele me empurra pra longe, rindo e jogando água no meu rosto. O que ele está pensando? Que pode fazer isso e continuar a guerra do nada? Eu o empurro pra debaixo d'água, levando uma mão ao seu rosto, junto com outro beijo. Dessa vez, vindo de mim, acho que ele não esperava, mas não rejeita e me puxa para perto.

Nós estamos completamente debaixo d'água. É como se estivéssemos no espaço, só nós dois, flutuando.

Isso é algo surpreendente sim, mas não é novo. No mês passado, estávamos sozinhos no meu quarto planejando o que dar de presente de aniversário para Jessica. Matthew estava deitado na cama, quase dormindo, e eu estava sentado, usando meu notebook, pesquisando o isqueiro personalizado ideal pra ela. Já eram duas horas da madrugada. Eu estava bem cansado e resolvi deitar do seu lado. Sim, intencionalmente, mas eu não esperava que ele virasse de repente e, em cima de mim, me beijasse. Eu não tinha nem conseguido pensar em fazer isso, e ele já estava fazendo. Durou o suficiente pra nós dois ficarmos sem graça e ele levantar da cama, atravessando a porta dizendo que tinha que ir embora.

Eu não o entendia. Nós não falamos sobre o que aconteceu, sequer tocamos no assunto, apesar de nossos olhares se encontrarem vez ou outra quando estamos com a Jessica. Eu tinha medo dele se afastar se eu dissesse. Não entendia o que se passava pela sua cabeça. Parecia um turbilhão de emoções que eram deixadas sem resposta. Por momentos, esquecidas.

Voltamos para a superfície, dessa vez ainda abraçados e encostamos na borda da piscina, nos beijando. Pois é, está durando bem mais do que das outras vezes. Minhas mãos se perdem em seus cabelos e seguram sua cintura. As dele, percorrem o meu corpo em sintonia. Os únicos sons que escuto são as bolhas de água estourando na piscina e o suave beijo. Não consigo pensar em mais nada, só nele e nesse momento.

A água ao nosso redor já está calma quando finalmente damos um tempo. Nos afastamos, até demais. O que fazer agora? Será que ele vai falar sobre isso? Será que eu deveria falar sobre isso? Então eu digo…

— Acho melhor... eu ir dormir... já está tarde, meu pai deve chegar a qualquer momento... — ele me interrompe, pausadamente.

— Espera, a gente precisa falar sobre isso, não acha? Por que você tenta fug…

— Fugir do que, Peter? Do meu pai ditador ou da minha madrasta esposa do diabo? — ele me detém outra vez, em voz alta.

— Isso não te impede de…

— É, eu sei o que você vai dizer, de ser feliz com quem eu gosto ou algo do tipo, não é? Bom, a vida real não é assim. — ele vira de costas e sai da piscina, mas antes de entrar na casa Matthew permanece. — Você sempre estraga tudo com suas lições de moral, não é?

Estou inconformado, essa é a segunda vez que isso acontece e ele simplesmente não diz nada além disso. Eu estou apaixonado por ele. Não faço ideia do que sente, e por isso preciso saber. Preciso saber agora, antes que seja tarde, e estou pronto pra gritar algo pra ele, quando ouço as buzinas repetidas no portão da frente. Lembro que deixei a bicicleta dentro do quintal, e se o seu pai descobrir que teve gente a essa hora na sua casa, vai perder os lados.

Saio da piscina rapidamente, pego meu celular e me visto. Corro para a frente da casa, com a intenção de sair pelos fundos com a bicicleta, mas o portão já está abrindo, e o pai dele sai do carro. Ele nos vê, lado a lado, com a maior cara de culpa.

— O que vocês estão fazendo? Estão na piscina a essa hora? — o homem pergunta, nos olhando de cima a baixo. Está contra a luz do farol e por isso, não consigo enxergar muito mais do que seus óculos. — Vá para casa, Peter. Agora.

Sem pensar muito, levanto minha bicicleta e corro pelo lado do carro até a rua. Olho pra trás, vejo o garoto encarando o chão e seu pai de braços cruzados. Eu deveria ficar? Eu deveria dizer algo? Que era minha culpa? Eu não sei, aconteceu tanta coisa hoje que eu simplesmente não sei o que fazer.

Eu estou perdido. Sei o caminho de casa, mas ainda estou perdido.



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