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História As Crônicas da Legião - Capítulo 110


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Capítulo 110 - Sementes da Destruição - Muito Cedo


Após dois dias, Tai já estava conseguindo usar seu braço cortado. Ela removera os cacos da sua pele e os cortes haviam cicatrizado. O braço quebrado havia sido “consertado” também. Com muito esforço e também muita dor, a garota havia sido forte o suficiente e alocado uma pequena estaca de metal no osso, ajudando-o a cicatrizar muito mais rápido. Ainda doía muito com eventuais impactos, mas era o que ela havia conseguido pensar.

Tirando isso, apenas más notícias. Tai estava sozinha naquele momento. Ela sabia disso. E tentava agir com a maturidade que lhe era necessária naquela situação. Não que ela possuísse tal maturidade. Ela nem conseguia controlar 100% de seus poderes, mesmo que houvesse evoluído muito.

Aquela situação toda era muito desesperadora. Aqueles movimentos recentes de Heawyer eram não só tenebrosos e assustadores, mas também repentinos e frenéticos. Quase como se ele ansiasse por fazer tudo aquilo, como se fossem ataques não planejados, de última hora. Pelo menos era o que parecia para Tai.

Ela tentava caminhar pela cidade fingindo que nada estava acontecendo e ao mesmo tempo evitando chamar atenção desnecessária. Vestia um casaco com um gorro para esconder seu rosto o máximo possível. Tentava esconder a aflição, o medo, a insegurança. Mas não tinha sucesso nenhum. Sem saber exatamente o que fazer para ajudar, ela não tinha rumo. Mas sabia que alguma coisa precisava fazer. 

Tai estava confusa. Isso sim. Ela não sabia o que estava acontecendo, nem para onde estava indo. Precisava dar uma acalmada antes de tentar qualquer coisa. Ela entrou em um pequeno bar. Sabia que não tinha idade para aquilo. Mas foda-se também. Precisava se acalmar. E seu irmão sempre dizia que a melhor coisa para se acalmar era um belo copo de álcool. Muito irresponsável, ela pensou naquele momento.

Tai se sentou na bancada do bar. Ela não sabia exatamente o que fazer. Um homem gordo e barbudo com olhar cansado veio atendê-la, e ela só apontou para qualquer garrafa. O homem a pegou, olhou a menina de cima a baixo com um olhar desconfiado e entregou a garrafa.

-Seus pais sabem que está aqui? - ele perguntou desconfiado.

-Não faz diferença. - Tai respondeu.

O barman fez uma cara de tanto faz e foi atender outro cliente. Tai pegou a garrafa. Ela continha um líquido amarelada. No rótulo estava escrito cachaça. Nunca ouvira falar. Ela destampou e deu um pequeno gole. Imediatamente fez uma cara de nojo. Tinha um gosto horrível.

-Você é um ladrãozinho de merda! - um homem gritou no bar, logo atrás da garota.

Tai se virou para ver o que acontecia. Um homem alto e forte se levantava da cadeira. Ele segurava várias cartas de baralho. Ele jogou todas as cartas na direção de um outro homem, de costas para Tai, ainda sentado. Parecia ter perdido algum jogo, e estava realmente irritado por isso.

-Cê tá me roubando, cuzão. - ele continuava gritando.

O homem sentado permanecia imóvel. Ele vestia um sobretudo roxo e tinha uma faixa na cabeça, o que jogava seus cabelos castanhos para trás. Tai não conseguia ver o rosto dele.

-Não estou. A culpa não é minha que você joga mal. - ele rebateu em um tom de descaso.

O homem de pé fechou mais ainda a cara. Parecia prestes a fazer alguma besteira. Mas o barman saiu de trás da bancada com uma espingarda nas mãos.

-Temos um problema aqui? - ele disse com uma voz sisuda e levemente irritada.

-Não se ele me devolver a porra do meu dinheiro. - o homem de pé insistia.

O homem sentado suspirou. Ele se levantou. Tinha um ar pesado, cansado e irritado. Ele colocou a mão no ombro do colega à sua frente.

-Você perdeu o jogo. Então, quer dizer que perdeu o dinheiro.

Por alguns segundos, mais nada aconteceu. No momento seguinte, o perdedor deu um soco no queixo do suposto ladrão. O barman bateu com a espingarda na cabeça do atacante. E uma violenta briga de bar se iniciou.

Tai suspirou. Ela pensava que era só nos filmes que os homens eram babacas daquele jeito, a ponto de brigarem em bares por jogos de cartas. Aparentemente, não. Na vida real também. Ela se levantou e saiu da instalação.

Ela caminhou pela rua, atordoada pelos seus pensamentos. Ela queria fazer algo, mas não podia fazer nada. Não sabia se seus amigos e família estavam vivos. Estava preocupada e queria ajudar, mas uma garota naquela idade e sem o controle total de seus poderes, nada poderia fazer contra os terroristas altamente treinados que haviam capturado todos os seus aliados.

É, a vida era injusta. Muito injusta. Desde muito cedo Tai havia sido introduzida aquela vida difícil, dura e, muitas vezes, triste e complicada. Perdera muitos amigos, companheiros, família. E isso sem mesmo alcançar a maioridade. Aquilo tudo era muito injusto e infeliz. Ela era muito nova para viver tudo aquilo.

E em meio a todos esses pensamentos, Tai nem pôde ver quando um grupo de soldados da guarda nacional virou a esquina e a avistou, um erro que ela não podia cometer.

Com muita sorte, os soldados não viram a garota. Ela logo percebeu seu erro e abaixou a cabeça, tentando não ser notada. Desde que Savane Beargle havia assumido a presidência, João a havia alertado quanto a membros do governo e do exército. Eles poderiam estar trabalhando para os terroristas. E aquela possibilidade, por mais que não fosse confirmada, a assustava muito.

Tai cruzou a rua para não passar bem no meio dos soldados, mas aquilo chamou a atenção deles como uma atitude suspeita. Um deles a avistou e gritou que voltasse.

-Ei, você. - sua voz era firme.

Inicialmente, Tai tentou fingir que não havia ouvido. Mas depois do segundo e do terceiro gritos do soldado, ela começou a correr. Correu até um beco. Olhou para trás e não viu ninguém. Para garantir, a garota entrou no beco e subiu numa escada de incêndio de um prédio ali do lado. Assim que chegou no telhado, Tai começou a ouvir as vozes dos soldados, se perguntando onde ela poderia estar.

Ela suspirou aliviada. Mas isso foi antes que pudesse ver o que a encarava ali no topo do prédio. E, com certeza, desejou que estivesse nas ruas, com os soldados.



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