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História As Crônicas da Legião - Capítulo 131


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Capítulo 131 - Sementes da Destruição - O fundo do poço


Ana acordou só quando já haviam terminado a descida. Luep olhava para ela de longe. E havia um outro homem com ele.

-Acordou, raio de sol? – Luep gritava de longe – Que bom, achei que tivesse batido muito forte na sua cabeça.

Ana ia se levantando devagar. Estava um pouco tonta, e tudo o que via a princípio estava um pouco embaçado. Sim, a batida em sua cabeça fora um tanto quanto exagerada.

-O que está acontecendo? – disse tentando ficar em pé.

-Bom, eu te resgatei. De nada. – Luep parecia se vangloriar.

-Me resgatou? De onde? Achei que você não sabia como sair... – Ana nem sabia onde

estivera.

-Você é ingênua mesmo... Te resgatei de uma placa de petri. De nada.

Ana havia parado de prestar atenção em Luep. Ela tentava descobrir quem era a figura

ao fundo do lugar, nas sombras. Mas não conseguia ver direito. Ana sentiu um calafrio.

-Placa de petri? – ela tentou parecer prestar atenção na conversa.

-Sim. Você e seus amigos ficaram presos nalgum lugar impossível de sair sozinho. O seu, era uma placa de petri. Você foi encolhida e colocada numa placa de petri dentro de um microscópio, no laboratório do Beargle.

-Ah... – Ana ficara um pouco sem ação à informação.

-É, e eu, como sou foda, fui te salvar.

-Mas como você encolheu também pra ir até mim?

-Querida, eu controlo a gravidade de todas as coisas. O magnetismo dos corpos, vivos e não vivos. Em outras palavras, eu posso te fazer crescer ou encolher. Dói um pouco. Mas eu posso.

-Como?

-Minha cara. – Luep falava como se fosse apenas uma aula de física básica – Se o campo gravitacional de algo é X com a massa da coisa Y, e passa a ser X+1, o Y passa a ser Y+1. Proporcionalmente falando.

-Hã? – Ana não estava entendendo.

Luep olhava com cara de impaciência.

-Se o campo cresce, a massa cresce proporcionalmente. – disse quase num tom

irritado – Enfim, eu te tirei de lá. Agora aproveite o mundo, porque pelo que eu sei, ele

não vai durar muito mais se o Heawyer resgatar o Wallirk.

-Quer dizer que o fundo daquele poço era o mundo real? – Ana ainda estava tentando

entender a situação.

-VAMOS! – Luep gritou.

-Dá um tempo pra ela, Luep. – o homem nas sombras disse – Perdedores demoram para entender quando são ajudados.

Ana parou seus pensamentos.

-Perdedores... – sussurrou para si mesma.

Após alguns instantes de reflexão, ela correu na direção do homem e o abraçou.

-Como é bom ver um rosto amigo. – dizia um pouco emocionada.

-É bom mesmo. – Snowy a abraçou de volta.

Luep olhava a cena impaciente.

-Tá bom, tá bom. É muito legal esse reencontro, o mais esperado da franquia e blá blá blá... VAMOS AGORA!

Snowy e Ana tomaram um pouco de distância um do outro. Ana ficou vermelha.

Snowy, tentando não parecer envergonhado, assoprou um pouco de ar. Um segundo depois, um bastão de neve sólida caiu nas mãos do garoto.

-Então. – Ana começou – Para onde?

-Vamos pegar o Garcia. E depois, encontrar a Clare n floresta. Tivemos que ir um pouco mais ao sul para não sermos pegos de cara. – Snowy respondeu.

-Garcia! – Luep gritou.

Alguns segundos depois, o agente veio caminhando. Tinha um aspecto cansado. Mas também parecia em fúria. Uma fúria que lutava para sair.

Luep sacou um controle remoto e apertou um botão. E, atrás dos quatro, uma porta se abriu. Uma porta de um avião. Como Ana não havia visto aquilo antes? Eles embarcaram, e Luep e Garcia correram para o painel de comandos. Ana se sentou nos lugares dos passageiros, com Snowy. E os dois ficaram quietos.

“Atenção, senhor e senhora passageiros. Aqui é seu comandante, Luep. Hoje está um

lindo dia para voar. Apertem os cintos e curtam a viagem. Em poucos minutos, nosso

serviço de bordo não passará para atendê-los. Obrigado e bom voo.”

O avião decolou. Ana e Snowy ficaram quietos por mais um tempo, até que o garoto se

levantou e andou até a poltrona de Ana. Seus olhos azuis-cristal estavam agora quase

cinzas, como se estivesse perdendo energia.

-Você está bem? – ele perguntou – Eu sei que Luep não é a pessoa mais cuidadosa e

educada do mundo, mas eu tinha que mandar alguém de confiança pra tirar você de lá.

-E desde quando você se importa comigo? – Ana sorriu.

-E desde quando você se importa comigo? – Snowy devolveu.

Eles deram algumas risadas breves. Snowy a encarou. Ele de fato parecia muito cansado.

-De onde vocês se conhecem? - ela mudou de assunto.

-Ah… Luep e eu servimos juntos como voluntários em um projeto. Depois que a vacina foi desenvolvida, o mundo precisava de gente pra distribuí-la para os mais necessitados. Eu tinha só 11 anos, mas já tinha certa autonomia. Igualzinho o Luep. A diferença é que eu fui no avião da companhia aérea, enquanto ele foi no helicóptero privado… - ele soltou uma breve risada.

-Não sabia que você fazia servia como voluntário.

-É… Depois do meu irmão… - ele esboçou uma continuação. Tinham conversado bastante desde o período que haviam passado com os Guardiões do Tempo, mas nunca sobre aquilo. Snowy nunca havia se sentido pronto - Eu achei que era meio que uma obrigação…

-Shh, o que a gente conversou? Não foi culpa sua. - Ana o parou num tom de falsa repreensão.

O silêncio reinou por breves segundos.

-Foi sim. - a voz dele não vacilava como da outra vez que haviam falado disso. Ao contrário, ele parecia sério - Ralph era o mais velho. Desde sempre estivemos sozinhos. Nunca conhecemos nossos pais. Ele cuidava de mim, e eu tentava cuidar dele. Numa noite, eu fugi do orfanato pra dar uma volta. Ainda estava me familiarizando com o gelo e tudo o mais. Ele veio atrás de mim. - a voz dele ficava um pouco mais frágil a cada palavra. Ele ficou em silêncio encarando a poltrona da frente por algum tempo antes de completar - Quando você tem as habilidades que eu tenho e escolhe não usá-las por medo… Coisas ruins acontecem. - Ana olhava para ele com um olhar sereno - A dúvida que eu tive matou ele.

E então, ele ficou em silêncio. Ele pensava em algo para falar, mas então foi surpreendido pela voz dela.

-O que aconteceu foi uma tragédia, mas não foi culpa sua. Todos nós tivemos dúvidas quando começamos a descobrir o que podíamos fazer. A diferença é que a maioria de nós teve que lidar com isso com 16, 17 anos, numa idade muito mais madura. Não se culpe porque você teve de lidar com isso muito mais cedo.

Após enxugar uma única lágrima que escorria de seu rosto, Snowy fungou e deu uma breve risada.

-Quer dizer que eu tenho mais maturidade e capacidade do que vocês perdedores?

Ana riu dele.

-Quem dera, sorvetinho.

Ela esticou a mão para enxugar uma segunda lágrima que escorria dos olhos dele, mas ele interceptou a mão dela. Suas mãos geladas tocaram as mãos quentes de Ana. Uma fumaça subiu no ar. Ele lentamente se aproximou da garota.

-Senti sua falta. – ele sussurrou.

-Eu também. - ela sorriu em resposta. E então, inclinou-se pra ele e o beijou. E foi assim que percebeu que estavam praticamente ocupando a mesma cadeira. Ana voltou para o seu assento, corando um pouco.

“Caralho Ana Vitória, que vacilo. Não era o momento certo...”

-Desculpa, isso foi… - ela começou, um pouco envergonhada se afastando.

Mas antes que pudesse dizer mais alguma coisa, ele se inclinou e a beijou de volta. Ana ficou surpresa e corou um pouco mais.

-Atrasado. - ele respondeu, depois do beijo, ainda próximo do rosto dela - Eu sei, eu devia ter feito isso alguns dias antes...

Ana riu um pouco sem graça, tentando aceitar que dera tudo certo. Pelo menos quanto à Snowy.

-Então tipo… - ela começou, ainda corada - Uhul?

Snowy deu uma leve risada.

-Acho que uhul. - ele respondeu sorrindo, também meio sem graça, embora não fizesse a menor ideia do que significava aquele “Uhul”.

Ela segurou a mão dele e deitou a cabeça em seu pescoço. E então, Ana adormeceu.

 

A garota acordou novamente com Snowy chacoalhando sua cabeça devagar.

-Chegamos. – ele disse.

Os dois se levantaram. Garcia passava pelo corredor carregando malas. E elas pareciam pesadas. Então, Luep passou logo atrás, carregando um saco comprido. Parecia um pouco triste. Ele olhou para Snowy, que fez uma cara triste também. Ana, percebendo, perguntou.

-Quem é? – disse com um olhar já pesado.

-O Ivo. – Snowy respondeu chateado – Nós fomos ajudar o João na floresta. Mas quando fomos fugir, o Ivo foi pego. O russo disparou três vezes. O Garcia escapou. Eu congelei a minha. Mas o Ivo...

Ana o abraçou.

-Isso não importa mais. – Garcia disse ao longe – Não vamos chorar a morte dos que se

foram. Vamos vingá-los.

Luep entregou o saco para Garcia, que o desembarcou. Pretendiam velá-lo depois de toda essa confusão.

Os quatro saíram do avião. Tudo o que se via era uma imensidão verde. Mas era possível ver um pouco de fumaça entre as árvores. Provavelmente era lá onde seus amigos estariam.

-Vamos. – Luep tomou a frente.



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