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História As Crônicas da Legião - Capítulo 135


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Capítulo 135 - Sementes da Destruição - Histórias de vida


Tudo que aconteceu depois se passou como um borrão. Pelo que Gabriela sabia, poderia ter sido apenas isso. Um borrão de acontecimentos impossíveis, mas reais. Sua cabeça girava ainda mais, ela sabia que iria desmaiar logo, o mundo por si só estava quase se tornando um borrão irreconhecível. Mas ela reconheceu aquela pessoa que havia chegado. Impossível não reconhecer. Era Vírus.

Pontos pretos tomaram sua visão, a cabeça deu mais uma volta. Ele estava salvando Valente? Não, não só Valente, ele estava alterando aquele fim horrível que todos os três enfrentariam. Mas seria isso real? Poderia ser apenas uma peça de sua cabeça. O mundo girou novamente, dessa vez mais bruscamente. Todos os sons se transformaram em murmúrios incompreensíveis. Tudo estava desaparecendo. Mal conseguia prestar atenção naquilo, da mesma forma que não conseguia prestar atenção em nada. O que Vírus estava fazendo lá? Por que? Mal teve tempo de formular essas perguntas em sua cabeça confusa e embasada antes do mundo desaparecer por completo e ser substituído pela mais pura e calma escuridão. Por um momento a garota pensou que tudo pudesse ter simplesmente se acabado.

 

Gabriela acordou primeiro. A primeira coisa que viu foi Fernanda, que dormia como um  bebê. Após isso, percebeu que ainda estava viva. Não havia uma explicação. Apenas estava viva.

Ela ainda se sentia meio tonta, mas as coisas não mais eram borrões, e o mundo não mais girava como se fosse um carrossel. Ela olhou para Valente, que também estava acordando. Então foi a vez de Fernanda, que se sentou e começou a assobiar com os pássaros. Gabriela e Valente se levantaram.

-Tem alguma ideia de onde podemos estar? – Gabriela perguntou para Valente.

-Perto do coração da Floresta do Fauno, no sul da Suécia.

-Umbredale fica muito no Sul da Suécia. É quase impossível distinguir a cidade com o norte da Dinamarca. Como pode ter tanta certeza? – Valente desconfiou.

-Ah, sei lá. É o que eu acho. – Fernanda respondeu, agora mais à sua maneira de ser.

Gabriela então recebeu uma mensagem no comunicador da Legião. Era um pedido de socorro. Ela deu graças que seu comunicador ainda estava funcionando depois de Valente ter batido o escudo nele e jogado ele no chão.

-Acho que temos uma direção. - ela disse após olhar as coordenadas no comunicador - Meus amigos estão pra cá. - ela apontou numa direção.

Fernanda observava uma doninha que caminhava tranquilamente pela floresta. Ao perceber que se dirigiam a ela, ela respondeu de prontidão

-Vamos então! - ela disse, pegando a doninha no colo e fazendo carinho. Parecia animada para alguém que havia acabado de quase morrer ao lado de dois recém-conhecidos. Vai entender…

Valente por sua vez relutou um pouco, mas ao perceber que seria o único a ficar para trás, decidiu seguir as garotas.

Algumas horas depois, entediada com o silêncio, Gabriela começou.

-Valente, o Corvo disse alguma coisa de carregamento... – dizia sem pretensões – Do

que ele estava falando?

-Bom... – Valente, cansado de segredos, continuou andando, mas começou a falar – Eu nasci na Grã-Bretanha, quase na mesma época de Heawyer. Eu vi todos os escândalos envolvendo o Nicolon, os terroristas e a Suécia. Mas nunca achei que isso afetaria a Inglaterra. Certo dia, meteoros começaram a cair do céu, e deles, começaram a sair umas criaturas estranhas, que matavam as pessoas. Só caíram três meteoros, mas isso foi o suficiente para destruir Manchester, minha casa, e Birmingham, uma cidade lá perto. As coisas simplesmente não morriam. Até que uma delas derrubou uma estrutura em cima da outra. E essa outra morreu. Eu fiquei assustado, mas vi uma chance de fazer o alguma coisa. Detonei dois prédios com as coisas dentro. E elas morreram. Eu fiquei sem família, aí eu descobri que aqui teria mais gente como eu, querendo ajudar, e vim pra cá. Outra tarde, estava passando e vi o Corvo e o exército de caveiras dele num caminhão. Parecia que estavam levando algo pra alguém. E como aquele cara já tinha saído nas notícias como um terrorista, eu explodi o caminhão. As caveiras queimaram lá dentro, mas o Corvo ficou putasso e veio pra fora. Foi uma puta duma luta. Até que eu consegui pegar uma daquelas granadas mortais dele. Tapei o rosto e saí correndo, enquanto o Corvo ficava lá. Não sei o que estava no caminhão, mas não deve ter sobrado muita coisa.

Gabriela ficou quieta. Ela chegou a pensar em fazer uma piada com o fato de Valente ter precisado contar a história da sua vida devido a uma simples pergunta, mas outras coisas ressaltaram mais em seus pensamentos. Ela nunca entendera pelo que o parceiro havia passado. Agora o fazia. Ele havia perdido tudo. Sua vida inteira fora destruída, junto com Manchester. E aí, outra questão na qual nunca pensara. A Legião salvou o mundo dos Wallirks. Era o que a mídia dizia dias atrás. Mas a Legião não fez isso. Ela salvou a Suécia da invasão. E nunca mais pensara no que a raça de B.L.U. poderia ter feito caso tivessem caído na Terra antes do Comandante ser morto. A Legião não pensara nos danos causados pela invasão Wallirk ao redor do mundo. E isso era triste.

-Fernanda, você estava brigando com o Corvo quando te encontramos, certo? – Valente não queria lidar com aquele climão.

-É. – Fernanda agora carregava a doninha no colo, como se fosse seu novo animal de estimação.

-Mas o que aconteceu? – Gabriela parecia curiosa também.

-Ah, eu tava na floresta e encontrei ele. E ele tava bravo. Aí ele me atacou e eu lutei com ele, mas como ele era melhor que eu, eu fugi. – a garota falava como se o assunto tratado fosse um cachorrinho fofo que mordera sua dona.

-Ok, mas como você chegou na floresta? – Valente queria mais detalhes.

-Ah, tipo assim... – a garota começou – Uns anos atrás eu morava com a minha mãe, no centro da cidade. Só que aí ela morreu. Eu fiquei muito triste, e isso atrapalhou muito a minha vida. Então eu jurei que nunca mais ia deixar nada me afetar, e que ia ser sempre o mais positiva possível diante de situações negativas. Pra lidar com a morte da minha mãe, eu fui morar com a minha vó. Aí um dia eu fiquei presa dentro de uma loja de jardinagem dentro do shopping, e só me acharam no dia seguinte. Eu sei lá o que aconteceu, mas o que me disseram foi que as paredes de Nicolon refletiram radioatividade pra minha pele. E aí agora eu faço o que eu faço. – ela estendeu as mãos e um caminho de grama surgiu à frente da doninha para que esta pudesse caminhar de volta até o chão.

-Mas e quanto ao Corvo? E como você chegou na floresta? – Valente não tinha entendido o porquê de Fernanda contar toda a sua história, se isso não respondia à sua pergunta.

-Ah, eu venho pra cá correr. – ela disse voltando ao tom alegre de sempre.

Mas antes que mais alguém pudesse dizer mais alguma coisa, Valente ouviu passos adiante. Passos de corrida. E antes que alguém pudesse fazer mais alguma coisa, uma raposa emergiu da floresta, seguida por Gabrielle.

Valente desembainhou a espada, mas Gabriela o conteve.

-Ela é legal. – sussurrou no ouvido dele.

-Oi gente. – Gabi disse ofegante. Ela não sabia quem era Valente ou Fernanda, mas sabia quem era Gabriela, e era o bastante – Pra onde iam?

-Pra lá! – Fernanda apontou, empolgada.

-Ah, eu acabei de vir de lá.

-Legal – Gabriela respondeu dessa vez – Porque a Legião foi convocada pra ir até lá. Você não viu?

-Não... – Gabi disse sem graça – Devo ter esmagado o comunicador alguma hora dessas...

E com mais algumas horas de caminhada, o grupo chegou ao acampamento, onde uma parte dos legionários aguardava...



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