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História Azaradh: Guerra dos clãs - Capítulo 9


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Capítulo 9 - IX O Caldeirão Fervente


Depois de sair da arena e ter passado mais ou menos uma meia hora, pelo menos pra mim a ficha parecia ainda não ter caído.

Não é preciso ter posse de qualquer tipo de poderes para saber que este festival de luta descarrilhou de maneira fantástica. 

Mesmo pros padrões de Azaradh, os fatos recentes foram desoladores. Um indivíduo com poderes de luta incríveis invadiu o festival de luta, humilhou o mago de Órion, trouxe a tona um discurso visando mergulhar o mundo num cenário de guerra total contra um clã derrotado e extinto a séculos.

Pode se dizer que este festival já pode entrar para a história, como o dia em que o clã dos demônios renasceu. Ou o dia em que o festival de Órion saiu dos eixos. Ou milhares de outros títulos de tragédia que se possa imaginar.

Eu e Hauser fomos um dos últimos grupos a deixar a arena de luta.

A monumental construção criada para ser palco de incríveis lutas, agora será lembrada como palco de uma tragédia.

Antes de abandonar o local, minha mente não pode deixar de pensar que para trás, ficava o último lugar que cinquenta almas tinham visto na vida. Cinquenta pessoas que vieram apenas para apreciar a arte da luta. E tiveram o fim mais trágico que se podia ter...



No lado de fora estava tudo uma completa bagunça. A aglomeração de soldados Orianos, pessoas em choque, e ambulantes ainda com suas barracas montadas era grande! Todos ainda tentando entender o que acabara de acontecer.

Não demorou muito para que grupos e mais grupos de Cavaleiros Orianos adentrassem a arena. Os Cavaleiros de alta patente pediam para que as pessoas recuassem. Para que os comerciantes desmontassem suas barracas e deixassem o local.

Em questão de minutos, toda a arena estava cercada de Cavaleiros e completamente interditada.

Hauser me levou para tomar um chá depois do ocorrido.

Ele disse que nenhuma criança deveria ter presenciado o que aconteceu. E eu não discordava dele apesar de eu já ser adolescente!

Logo meu tio nos encontrou e Hauser deixou que ele me levasse.

Agradeci ao cavaleiro e depois saímos.

Antes de sair da taverna pude ver Hauser pedir um copão de cerveja e sentar novamente no balcão.

Não tinha certeza se ele se sentia culpado pelo que aconteceu mas decidi não perturba lo. Hauser devia ser cavaleiro iniciante. Mas depois das mortes que presenciamos ele devia ter ficado abatido.

Deixei o lugar com a mente um pouco pesada e deixando ali um cavaleiro triste e inconformado.



Já estava anoitecendo quando eu e meu tio saimos dali.

Estávamos no centro do grande reino de Orion, perto dos grandes muros do gigantesco Castelo do rei.

Tudo ali, as ruas, as casas, foram construídas em volta dos grandes muros do castelo. As casas eram todas bonitas,  apertadas umas nas outras, mas de uma beleza leve e encantadora.

Mas infelizmente o clima em todo o reino não era de festa. E sim de luto.

Não havia risos na ruas, e menestréis exibindo suas melodias. Parecia que de alguma forma, o discurso daquele maníaco que invadiu o festival entrara na mente dos cidadãos Orianos.

A cidade apesar de linda, e tranquila estava completamente envolta por um clima tenso e pesado. 

Era como uma calmaria antes da tempestade.

-Normalmente a essa hora depois do festival todas as ruas ficam em festa. Disse meu tio. -Haveria muita gente nas ruas teríamos muitas carnes e temperos nas praças, em cada esquina uma banda alegrando o público. No entanto...

-Eu sei. -Disse. -Mas hoje não terá nada disso.

- Graças aos deuses não aconteceu nada com você! Eu não sei o que faria se você também me deixasse. Depois da perda do meu irmão, seu pai eu...

-Por favor este assunto não! Interrompi. - Desculpe, mas este assunto já está no passado, vamos deixar assim.

Eu não quis deixar meu tio pra baixo. Mas a perda dos meus pais era algo que depois de muita luta e sofrimento eu consegui superar. Mas ficava irritado toda vez que lembrava...

- Resumindo, fico feliz que você esteja bem!

-Eu sei tio! 

Seguimos andando pelas ruas de pedras até encontrarmos um grande prédio com um título entalhado na madeira. O Caldeirão Fervente. Que era uma pousada nos arredores da cidade.

Pelo que sei meu tio, junto com meu pai vinham para essa pousada desde sempre. Órion tem muitas outras pousadas, a perder de vista, e praticamente todas elas ficam cheias durante os dias que antecedem o festival de luta. Mas tradicionalmente era pra cá que eles vinham.

Era uma pousada mediana e tinha preço acessível, e como sempre meu tio vinha pra cá, porque seria diferente afinal?

As paredes espessas de madeira e o brasão com um grande Caldeirão de metal com fumaça quente saindo de seu interior denunciava de longe o local.

Assim que entramos,  meu tio foi arrumar os detalhes da reserva e eu tratei de levar as bagagens para o quarto no segundo andar.

Tratei de puxar todas as bagagens de forma a fazer o mínimo de viagens possível.

De fato na terceira vez que estava subindo aquelas escadas barulhentas minha pernas já pareciam querer entrar em greve. Também não era para menos, pois andei bastante com um barrio de cerveja nas costas, o peso extra carregado por elas hoje podia se equiparar a correr uma maratona.

Quando por fim larguei todas as bagagens no chão do quarto, desabei na cama daquele quarto. 

Sentia meu corpo pesado, como se minha carne fosse substituída por chumbo, mas pior estava minha mente.

O quarto era pequeno, e apesar de ajeitado o simples fato das malas estarem no chão dava a impressão de que tudo estava uma completa bagunça.

Comecei a por toda aquela tranqueira no canto. Sentia o chão de madeira do Caldeirão Fervente estalar a cada passo. Era como se este estabelecimento tivesse uns 500 anos de uso, e nenhuma reforma pra variar. O lugar era aparentemente tempo mas alguns móveis estavam evidentemente empoeirados. O que praticamente me forçou a abrir as janelas do recinto.

Do lado de fora, conforme a noite ganhava terreno a cidade ganhava um ar mais sinistro. Havia poucas tochas acesas nas ruas, e o fato delas estarem desertas também não servia para melhorar o cenário.

Uma névoa densa parecia surgir nos arredores da cidade, trazendo consigo um ar ainda mais tenebroso para Órion.

Fico por alguns minutos observando aquele lugar.

Órion é um dos maiores reinos de toda Azaradh. Sua influência é tanta, que praticamente todos nascidos em Azaradh conhecem seu estandarte. Tudo nesta terra parecia farto, e grandioso. Desde as terras de plantios até seu númeroso exército de Cavaleiros Sagrados. 

Somente os reinos mais influentes conseguem proporcionar festivais de tal magnitude, é o exato caso do Festival de luta de Órion, e para nós, comerciantes que passam muito tempo nas estradas, um evento como esse é um prato cheio.

 Por isso ele deve ser muito bem aproveitado. Vender produtos, especiarias, temperos, tecidos, seja o que for, é uma arte! E quando um fato como esse acontece num evento tão grandioso é uma grande tragédia.

A essa hora, era para estarmos nas ruas vendendo nossos produtos, eu e meu tio, competindo por cada comprador, contra outros comerciantes de outros reinos, ao invés disso...

Meu tio pode não ter falado. Mas o prejuízo não pode ser calculado. Tempo para nós, é dinheiro...

-Achou o que estava procurando ?

Meu tio chega tentando não fazer barulho.

-Estava apreciando a visão. Respondo.

-É de perder o fôlego não é !

-Sim. Por que demorou tanto ? Estava pechinchando ?

-Não exatamente! -Ele caminhou até minha direção. -Você tem uma visita lá embaixo.

-De quem ?

-Melhor descobrir por si próprio.

-Tá.

As vezes acho que tenho uns ataques de espontaneadade porque simplesmente faço as coisas sem perceber...

Quando dei por mim estava descendo as escadas barulhentas de madeira do Caldeirão Fervente, provavelmente irritando os hóspedes com aquele barulho, mas que colpa tinha. 

Antes de chegar ao final da escada pude ver aquele mesmo brilho discreto de ouro maciço que havia presenciado está mesma tarde na arena.

-Baltazhar! Digo.

-Olá rapaz! 

Fiquei surpreso com a presença do cavaleiro no recinto.

- Ao que devo a honra ?

- Se me lembro bem, ouvi um jovem fazer perguntas sobre Danafor hoje! Conhece alguém com tal curiosidade ?

-Talvez. Mas acredito que esteja deveras ocupado para um assunto tão irrelevante. 

-Assunto irrelevante é ? O que me deixaria tão ocupado assim ?

-Quem é aquela maldito que invadiu a arena hoje ?

-Ora, vejo que você é cheio de perguntas !!!

Baltazhar olhou para o homem gordo no balcão que observava nossa conversa com demasiada atenção.

-Hum, acho melhor conversarmos em outro lugar. Talvez estas paredes tenham ouvido.





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