História As Crônicas de Galdoran: A Prole da Escuridão - Capítulo 6


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Notas do Autor


Oi meus amores!
Me desculpem a demora, estava resolvendo algumas coisas do estágio.

Capítulo 6 - Capitulo 5: O Festival de Primavera


O cheiro de comida e de flores tomava conta das ruas junto com a música e a dança na celebração da renovação primaveril, que se seguia à austeridade do inverno, as ruas outrora vazias e cobertas de neve, lotadas de pessoas festejando – sendo uma dessas pessoas Lylaswyn, que agia como se não tivesse a real dimensão do quão arriscada era a missão na qual sua mãe estava embarcando, e sua avó, Nimerianna – ambas estavam a horas desfrutando das festividades, até que, cansada de dançar, Lylaswyn sentou-se em uma raiz que havia sido, através do uso da magia, esculpida para formar um confortável e belo banco.

– Já se cansou? – provocou Nimerianna, sentando-se ao seu lado.

– Não, só estou com um pouco de fome – respondeu a mestiça, seus olhos violeta buscando avidamente pelas tendas de comida quando avistaram algo que lhes capturou a atenção de tal maneira que, por um instante, todo seu corpo esqueceu que o estômago estava vazio: uma flauta de porcelana branca, estampada com gladíolos¹ cuidadosamente pintados e montada com juntas de prata.

Sem dar atenção ao banner sobre o estande, que inibiria sua aproximação caso o tivesse visto, a jovem foi em direção ao delicado objeto.

– O que foi, Lyla? – perguntou sua avó, seguindo o olhar da neta. 

– É linda... – a jovem murmurou, já perto da barraca, antes que a elfa lunar pudesse detê-la. O vendedor, que até então estava de costas, se voltou para ela, ficando boquiaberto ao ver a elfa com sangue drow.

– Posso ajudar em algo? – disse o rapaz, de olhos e cabelos dourados, fazendo com que fosse a vez de Lylaswyn precisar se recompor. Ambos olhavam para a flauta, e então um para o outro, desconcertados, antes da moça recuperar a capacidade de fala.

– A flauta... – Começou a dizer, com receio, fazendo com que o rapaz lhe estendesse o objeto, seus olhos se arregalando em agradável surpresa quando ela o segurou.

“Nossa...” pensou o rapaz, ao ver a forma como a cor dos olhos da jovem era idêntica à dos gladíolos, e as juntas de prata tinham um reflexo nos longos e esvoaçantes cabelos da meio-drow. Nimerianna parou onde estava, percebendo que sua neta não estava em uma situação arriscada, e disfarçadamente observou os dois jovens.

– É como se ela tivesse sido feita para você – finalmente disse o elfo dourado, fazendo o sangue fluir para as bochechas da moça.

– Obrigada – disse, surpresa: elfos dourados costumavam ter um grande desdém pelas outras raças, expressando abertamente seu ódio pelos drows e tendo uma visão paternalista dos demais povos élficos. Em Thyrkasael, foram os maiores opositores da aceitação da Igreja de Synvathea, e nas cidades de Arivandar onde eram maioria, bem como em Melivaer, defendiam a política de matar qualquer drow que avistassem.

– Eu... cobraria apenas poder pintar você segurando ela... – confessou o rapaz, levando a mão à nuca, as bochechas douradas assumindo uma cor acobreada diante do acanhamento. – Mas a tenda é do meu pai...

 – Eu entendo – disse a jovem. – Quanto seu pai cobraria por ela?

“Ah, jovens...” pensou Nimerianna, com um sorriso largo no rosto, enquanto observava entre a multidão.

– Dez moedas de ouro. Mas eu te vendo por cinco, dou um jeito de meu pai não perceber... – o rapaz propôs.

– Eu não posso aceitar – respondeu a mestiça, mexendo em seus bolsos.

– Tudo bem, mas eu posso te ver novamente? – pediu, sua confiança quase falhando por alguns instantes, suas bochechas ficando ainda mais coradas.

– Sim. – Ela evitou olhá-lo para que o brilho em seus olhos não revelasse a velocidade com que seu coração batia. – Pode me encontrar no portão norte da cidade, pouco antes do pôr-do-Sol?

– Posso. – Foi a resposta, seguida por uma despedida tímida.

– Parece que você conseguiu mais que a flauta. – Notou Nimerianna, com um sorriso largo em seu rosto, quando sua neta retornou com o delicado objeto.

– Vó! – exclamou.

– Vocês marcaram um encontro, não marcaram? – inqueriu.

– Sim – respondeu a jovem, corando.

– Eu estou feliz por você, mas há algo que talvez não tenha reparado no banner da loja – a mulher explicou, enquanto andavam em direção às tendas de comida.

– O que tem o banner da loja? – perguntou Lylaswyn, olhando para trás.

Só então ela reparou no símbolo que consistia em uma espada longa cujo castão era desenhado como um Sol, reconhecendo-o imediatamente – o símbolo da casa Amakiir, uma das famílias que mais opunha a presença dos drows em Arivandar, sendo muitos de seus membros devotos de Aeresis, divindade élfica da vingança e morte em batalha.

– Acha que ele... – Nimerianna a interrompeu.

– Ele não é um problema. Provavelmente pensa diferente dos pais – ela explicou à neta, parando em frente a uma tenda de comidas exóticas. – Estes, sim, serão um problema. Eu já te contei a história de Caeth e sua mãe, não contei?

– Sim – disse a jovem. – Mas eu prefiro não pensar nisso... ao menos não hoje.

– Eu entendo. A reação de seu avô... bem, não foi inesperada, tampouco adequada – explicou a mulher. – Você pode ser apenas parte elfa das sombras, e isso pode amenizar um pouco do ódio que eles nutrem, mas esteja preparada por uma reação similar por parte dos pais dele.

– Eu estarei preparada – disse a jovem, com um sorriso.

Nimerianna sorriu, e, com isso, as duas se voltaram para a tenda em frente à qual estavam, disfarçando a surpresa ao perceberem as pupilas verticais de seu atendente, que tinha uma língua bifurcada e parecia ter algumas escamas no braço: os registros históricos que sobreviveram à Guerra Divina, ocorrida anos atrás, falavam sobre pessoas que eram parte dragão, mas todos acreditavam que aquilo era apenas lenda – afinal, dragões eram enormes bestas capazes de esmagar alguém apenas com o peso de seu corpo, e poucas pessoas ousavam pensar nas complicações que poderiam vir de outros fatores ligados a proporções – as que faziam, como Lylaswyn havia acidentalmente acabado de fazer, ficavam extremamente desconcertadas com a ideia de dragões tentando procriar com qualquer criatura que não fosse outro dragão.

– A carne está muito boa – disse Nimerianna, esperando que o vendedor não fosse reparar na expressão boquiaberta de Lylaswyn, que encarava sua refeição com olhos arregalados. – De onde vem mesmo?

– De Drakeeria, senhora. Nas terras de Asagron – explicou o rapaz.

Recompondo-se, Lylaswyn confirmou por si só a verdade nas palavras de Nimerianna, que conversava casualmente com o vendedor sobre o continente situado do outro lado do oceano. A carne de fato era ótima, a melhor que já havia comido, mas mal ela havia terminado de comer quando sua avó a cutucou, chamando-a para se juntar à multidão. É que não muito longe dali ela havia visto um rosto conhecido, de uma pessoa com a qual não pretendia lidar, especialmente na presença de sua neta.


Notas Finais


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