História As Crônicas de Métesp: Presas, Garras e Dentes - Capítulo 36


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones), Eragon, The Elder Scrolls
Personagens Personagens Originais
Tags Guerra, Reino, Universo Alternativo
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Palavras 1.411
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que gostem!

Capítulo 36 - Castelo de Arenito


Mirel

Ali a grama tinha um aspecto seco e sem vida, o clima era igualmente seco, as árvores eram escassas, baixas, tortas e com poucas folhas, os remadores da galé de rio que estávamos usavam nada além de uma curta calça e um pano amarrada na cabeça, graças ao calor, a maioria dos homens - que eram também a maioria - estavam também semi-despidos.

Shelomon arrumou-me um vestido característico do Sul: de saia e mangas curtas, com uma abertura em forma de losango de cada lado do tronco, trouxe-me também sapatos baixos e abertos, mas continuei andando descalça. O rio Folha Verde parecia ser o único curso d’água em quilômetros, e era bem menos largo ali do que em sua parte que cruzava a Floresta Encharcada.

No fim da tarde a cidade de Coração de Pedra ficou visível, um emaranhado de luzes amareladas sob o pôr do Sol, do meio das baixas casas de madeira e rocha nascia uma fortaleza cor de de areia: Castelo de Arenito, o rio nascia atrás do castelo, passava pelos lados dele fazendo um fosso e voltava a unir-se na frente da fortaleza onde descia cruzando a cidade e ia embora para nordeste, de onde vínhamos. Descemos da galé antes de adentrarmos a cidade, num porto improvisado.

― Por que não vamos no barco até o castelo? ― perguntei, batendo fraco no flanco de Tang para que abaixasse-se

― Dentro da cidade o Folha Verde é raso demais para uma embarcação como aquela. ― explicou meu marido ― Seria necessário subir todos em várias canoas se quiséssemos chegar a Castelo de Arenito pelo rio.

Enquanto a comissão montava em seus cavalos e arrumava as carroças para seguir a pé avistei algo que chamou-me a atenção: o bastardo Matash que minha mãe tinha prisioneiro, incitei Tang a andar até ele.

― O que está fazendo aqui?! ― não fui delicada ― Era para você estar apodrecendo nas masmorras de Fortaleza Cedro Alto!

O sorriso dele foi sarcástico e animado.

― Lorde Sadreh libertou-me, ele diz que tenho potencial para ser um cavaleiro. ― passou a mão pelo ombro onde acertei-lhe a flecha no dia do torneio ― Ainda dói.

― É bom que doa! A senhora minha mãe sabe que está aqui?

― Não.

― Como saiu de sua cela?

― Os guardas Aneih tiraram-me dela. ― respondeu e subiu em seu cavalo ― Nimbus não está confortável com esse seu elefante.

― Quem é Nimbus? ― enrolei a escada de mão que pendia na lateral do corpo de Tang ― E por que eu deveria importar-me?

― Meu corcel! ― ele ignorou a segunda pergunta

Puxei as rédeas de minha montaria, fazendo-a erguer as presas, o cavalo de Matash fugiu assustado, levando o cavaleiro em suas costas para longe de minha vista.

A cidade nos engoliu, tinha os muros muito maiores do que qualquer outra que conhecesse, as vestimentas de seu povo eram muito mais curtas e cheias de aberturas do que eu estava acostumada, todos olhavam-me maravilhados, muito provavelmente por causa da elefanta que eu montava.

― Os elefantes do sul não são como o seu. ― disse Amady, uma Oprasa, esposa de meu cunhado e primo Mikhel

― Há elefantes no sul? ― perguntei curiosamente, ela era uma das poucas mulheres ali, falar com ela deixava-me mais confortável

― Sim, mas eles não possuem pelos nem presas e são bem menores. ― esclareceu

― Como defendem-se dos predadores se não possuem presas? ― não precisei questionar sobre a falta de pelos

― Usam seu tamanho para ameaçar o inimigo, ou fogem. ― desviou de um grupo de crianças pedindo esmola, sorrindo para eles e jogando-lhes uma moeda, pela qual brigaram vorazmente ― Como os homens igualmente fazem.

― Os homens tem espadas, escudos e arcos.

― As piores batalhas são as travadas sem armas. ― disse, com sabedoria na voz ― Essas só sobrevive-se fugindo ou usando o tamanho da pilha de dinheiro na qual se está em cima para ameaçar o inimigo.

Castelo de Arenito possui paredes de areia, vigas finas que, além de segurar o teto, prendem malhas quase imperceptíveis rentes as paredes, essas malhas por sua vez mantém a areia que forma o castelo, junto de pedregulho, firme. As janelas eram finas aberturas que iam da altura de minha cintura até quase tocarem o teto, estreitas ao ponto de que não era possível que uma pessoa passasse por elas.

― Isso afunila o vento, diminuindo sua velocidade e o desgaste das paredes internas. ― explicou-me Lady Isínel após notar meus olhares curiosos

O preço disso era o som que o vento fazia passando pelas delgadas aberturas, uivando como um lobo, isso somado ao som de histéricas risadas vindo de todos os lados eram o bastante para deixar qualquer um louco! Estas risadas vinham das hienas do lado de fora, os Aneih substituem os cães de caça e proteção por hienas como os Lefeaten substituem os cavalos por elefantes, então haviam muitas delas no pátio do castro, incomodaram Tang mordiscando suas patas e fugindo em longos risos quando ela defendia-se.

― Não estão acostumadas a ter um elefante que não é sua refeição por perto. ― foi a justificativa de meu marido

― Ninguém vai comer minha elefanta! ― exclamei

― As hienas não vão comê-la, porém podem vir a ser um incômodo. ― disse, chamando os animais estalando os dedos e dizendo ― Carne, carne, carne.

Os bichos congelaram por um momento, fitando-o de orelhas em pé, antes de correrem em sua direção saltando e cheirando o ar em busca de descobrir o que trazia nas mãos, pareceram decepcionados ao descobrirem que não era nada, mas deram tempo o bastante para que levasse Tang aos estábulos onde estava segura e em paz.

O jantar não foi diferente do que esperava: havia carne de ponta a ponta na mesa, o que não era carne, acompanhava carne. Monriê e Chand arrumaram-me uma sopa de repolho que estava horrível, fui obrigada a encher a barriga com as sobremesas. Ao acabar saí de fininho do salão com uma tigela de creme de limão e biscoitos secos, chamei Mapa e fomos para meu quarto comê-los.

― O que está achando até agora? ― perguntei, comendo um dos biscoitos, não tinha sabor de nada, embebi o seguinte no creme e achei até saboroso

― Não aconteceu nada até agora. ― respondeu, pausando para mastigar, então continuou: ― Devíamos continuar as aula de escrita e leitura.

― Tem razão. ― desenrolei de minhas bagagens, jogadas num canto, meus livros

Tivemos uma longa aula que estendeu-se pela noite, os biscoitos secos e o creme de limão acabaram na primeira meia hora, o seco e o doce, misturados a horas falando, deu-nos sede, mas Jye nos trouxe vinho para apaziguar nossas línguas. Por volta da uma hora da manhã, Shelomon apareceu no quarto, estava tão bêbado que presumo que mal notou Mapa, jogou-se na cama como uma árvore caindo no chão depois de cortada. Pedi a serva que saísse.

― Está muito cansado, meu marido? ― questionei-o parando ao lado da cama de casal que ele ocupava a maior parte

― Foi uma grande festa comemorando nosso retorno. ― arrotou hidromel, vinho e cerveja, tudo num mesmo hálito asfixiante

Fiz um careta de nojo, afastando-me.

― Que bom que divertiu-se. Gostaria que arrumasse uma forma de trazer-me algo que não seja carne nas refeições ― pedi ―, a menos que queira ver-me morta  por causa da fome.

― Não quero, não quero. ― olhou-me com um sorriso ― Darei um jeito nisso. Por que não deita-se?

Hesitante, deitei-me na borda da cama, ele colocou um braço protetor sobre mim, Não preciso ser protegida!

― Você ainda é donzela? ― perguntou, sonolento

― Sim ― empurrei o braço dele ―, ainda sou bem nova, lembra-se?

― Minha última esposa, Lady Adria Tasbor, tinha a sua idade quando teve nosso primeiro filho. ― disse, virando-se para o outro lado ― E já não era mais donzela antes disso. Você será a primeira virgem a deitar-se comigo. Já sangrou? Já está apta a ter filhos?

Aquilo estava deixando-me extremamente desconfortável, meu primeiro dia em Castelo de Arenito e ele já está questionando-me sobre minha virgindade e menstruação.

― Não ― menti ―, ainda não menstruei.

Ele roncou, já estava dormindo, mal sei se ouviu minha resposta, não importava, desci da cama, embrenhei-me sobre cobertas no chão e ali dormi o resto da noite.



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