História As Crônicas de Métesp: Presas, Garras e Dentes - Capítulo 38


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Categorias As Crônicas De Gelo e Fogo (Game of Thrones), Eragon, The Elder Scrolls
Personagens Personagens Originais
Tags Guerra, Reino, Universo Alternativo
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Palavras 2.057
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Espero que gostem!

Capítulo 38 - Símbolos de um falso amor


Thana

― Gosta de como meu cabelo está hoje? ― perguntei ao meu pai

― Por que haveria de ser diferente, minha rainha? ― Tymas respondeu por ele

― Não estou sentindo-me a vontade. ― passei a mão pelas tranças ― Acho que cansei de meu cabelo tão longo.

― Sua mãe tinha o cabelo tão longo quanto o seu quando nos casamos. ― disse Hinerick, arrumando seu próprio cabelo ― Está magnífica, minha filha.

― Admiro a senhora minha mãe, porém cansei, só isso. ― suspirei, puxando uma das tranças para averiguar o comprimento

― E por que não encurta seus fios se esta é sua vontade? ― questionou meu criado pessoal

― Não sei, Êrik diz que gosta de meu cabelo longo, e eu nunca de fato havia parado para pensar sobre. ― admiti

― Devo retirar-me agora, dêem-me licença. ― meu pai virou-se e desceu do púlpito entrando na multidão de pessoas que havia no salão

O jantar em homenagem a minha volta estava acontecendo ali em minha frente e eu não estava sentindo-me confortável, Será que alguém pode perceber?, pensei com a mão sobre minha barriga.

― Vá a procura de meu marido ― pedi a Tymas ―, não o vejo aqui e gostaria da presença dele.

― Sim, minha rainha. ― ele sumiu nas escadas

Levantei, estampei um sorriso e comecei a bater palmas no ritmo da música que era tocada.

“Rainha Paola era uma mulher

Do Norte e do Sul,

‘Uma Aneih qualquer!’

Era o que todos diziam

‘Paola não é herdeira,

Nem donzela com quem se deite’

Mas ela virou rainha

E o trono saboreou com deleite

Rainha do Mar de Lá

E também do de cá

Mas de que isso importa?

De pouco, provável,

O que de fato importa

É que Paola era uma mulher,

Porém tampouco era uma Aneih qualquer!”

A canção remete a tempos que a Casa Aneih tinha membros mulheres, como qualquer outra, antes de, como eles contam, serem amaldiçoados, e também abençoados, com sua “semente masculina”, pergunto-me se isso é verdade mesmo.

Por um momento fiquei mergulhada em meus pensamentos, tudo a minha volta ficou mudo e sem cor, até que fui chacoalhada por Tymas.

― Majestade? ― chamou

― Sim, diga. ― acordei zonza e segurei-me em seu ombro

― O senhor seu marido está em seus aposentos. ― informou

― Fazendo o quê? ― perguntei indignada e continuei: ― Pedi que o trouxesse aqui, não que informasse-me sua localização.

― A senhora preferirá ver com os próprios olhos. ― seu sorriso era maligno ― Ou não.

Franzi o cenho, tentando decifrá-lo.

― Caso alguém pergunte: estou de volta em um minuto. ― falei

Segurei minhas saias e fui para a escada, subi todos os lances até chegar a meu quarto, a esse ponto já estava sem ar, porém não mais do que ficaria em seguida. Sons úmidos e gemidos saíam de dentro do cômodo quando encostei a mão na maçaneta, escolhi não bater e entrei.

― Êr… ― foi tudo que saiu de meus lábios antes de ficar, além de sem ar, sem palavras, ao ver a cena

Êrik saiu de cima da irmã, sentando na cama, completamente nu, Jalie endireitou-se puxando a saia do vestido de volta para baixo.

― Thana… Minha rainha… Eu… ― começou a tentar formar uma frase

― Cale a boca! ― gritei, a raiva subia-me e preparava-se para transbordar, Como ele pode?! Em nossa cama! Na cama que fizemos nosso filho!, o pensamento fez-me levar a mão na barriga involuntária: Nosso filho…

Não soube o que dizer, não tinha palavras para descrever os sentimentos de arrependimento dentro de mim, nunca o amei, mas tive respeito e certa admiração e é assim que ele corresponde-me?

Virei-me e saí do quarto, ele seguiu-me segurando seu gibão, que foi a peça de roupa que encontrou pelo chão, na frente da virilha.

― Não era o que você pensa que era! ― exclamou

― Não era? Que alívio! ― debochei parando para olhar para ele ― Então o que era? Por que o que eu vi foi você com o pau dentro de sua irmã, acho difícil ter confundido.

― Eu estava apenas…

― Não tente justificar-se. ― exigi ― Desapareça de minha vista, bastardo!

Virei-me novamente para ir embora, mas ele segurou meu braço com a mão livre.

― Minha esposa, tem que perdoar-me, por favor! ― pediu

― Esposa? Eu sou sua rainha! E nada mais! ― exclamei

Os olhos dele arregalaram-se em pânico.

― O que está dizendo?!

― Acho que entendeu bem ― libertei meu braço, porém ele voltou a agarrá-lo

― Não pode! ― disse

― Posso e vou! ― berrei, puxando meu braço ― Largue-me agora!

― Você não pode… ― continuou a dizer

― Vá se foder! ― empurrei-o com o outro braço, agarrei minhas saias e desci as escadas o mais rápido que o vestido e os saltos permitiam-me ― Guardas! Guardas!

Cheguei ao salão com Êrik em meu encalço, segurou na saia de meu vestido, peguei o prato de uma das mesas e atirei contra ele, a porcelana despedaçou-se no piso com um alto som. A esse ponto todos no salão estavam a nossa volta com olhos curiosos observando seu rei nu, os guardas estavam confusos.

― Prendam-no! ― ordenei

Continuavam confusos.

― Pede para que prendamos o senhor seu marido, o rei? ― questionou um deles

― Marido? Rei? ― um riso de escárnio escapou de minha boca ― Êrik traiu-me cometendo incesto com sua irmã, Jalie! Não é mais meu marido! Não é mais seu rei!

Murmúrios e suspiros espantados começaram a ressoar pelo salão. Êrik foi levado aos gritos, não pude aguentar, mas também não queria prantear na frente de meus súditos, chorei sozinha em meu quarto depois. Maldito seja Lorde Êrik Carouj! Parece que agora volto a ser “rainha Thana Porlasus Lefeaten”, sem a adição do sobrenome “Carouj” que de nada servia-me mais agora. Estava sozinha, eu e meu filho, ou filha. Abracei minha barriga e lembrei-me de meu casamento. Irritada, afastei estas lembranças, abri o guarda roupa e coloquei um vestido curto e botas de montar, Na última vez que as usei matei um rei, lembrei-me de súbito. Tirei meu punhal escondido atrás de minha cômoda, coloquei-o no cinto e deixei o quarto. No corredor peguei um archote e, evitando a todos, saí pelos fundos e fui para os estábulos, os cavalos ergueram as cabeças e relincharam ao ver-me, caminhei até minha elefanta e tirei-a do cercado.

― Vamos passear, Abbu. ― acalmei-a com batidinhas na lateral de seu corpo

― Rainha Thana? ― disse uma voz

Por um momento pensei ter sido a elefanta a responder, então vi o mestre dos estábulos parado encarando-me com espanto.

― Arrume-me algo para selá-la. ― pedi

― Onde a senhora…? ― começou a dizer

― Mandei trazer-me algo para selar Abbu!

Ele obedeceu, não trouxe uma sela, alegando que só tinha para cavalos, mas sim um grosso tapete roxo com dourado, depois ajudou-me a colocar o tapeçaria sobre o dorso da elefanta, montei-a.

― Obrigada. ― agradeci a ele

― Onde vai, Vossa Majestade? ― questionou

― Fazer uma loucura, talvez. ― respondi, meio verdade, meio escárnio

Saí do estábulo e direcionei Abbu para o Portão Principal.

― Abram! ― ordenei

Sendo os primeiros a não questionar, os guardas começaram a erguer o portão de madeira trançada e a abrir o de pedra.

― Thana! Onde vai?! ― gritou Gyllas atrás de mim

Virei-me e ele estava parado nas portas do palácio.

― Admiro sua preocupação ― olhei-o de cima de minha elefoa ―, mas tenho que fazer uma coisa sozinha.

― Está cometendo loucura! ― apontou para os guardas nas alavancas do portão ― Fechem!

Surpreendentemente os guardas obedeceram a ele.

― Não! Abram! É a rainha quem ordena! ― protestei

O portão voltou a ser aberto.

― Não obrigue-me a pará-la! ― gritou

Bati as rédeas de minha montaria e ela saiu correndo, deixando meu primo e Palácio de Marfim para trás, fui em direção ao norte por muito tempo até chegar ao litoral, onde meu caminho alterava-se para leste, segui até chegar a meu destino: uma parte específica da praia em que a areia invadia o mar, uma ponta, local onde, cinco anos e meio antes, eu e Êrik estávamos nos casando, uma curta grama verde pálida crescia por ali, deixei Abbu afastada e, com o archote, incendiei a grama que um dia simbolizou nosso amor, nunca mais algo poderia voltar a crescer ali. Sentei-me e abracei minhas pernas deixando minha mente vaguear enquanto via a grama arder e lembrei-me novamente de meu casamento, o vestido que era de minha avó paterna, as velas no altar e as flores lilases em volta da passarela.

― Farei de você a mulher mais feliz do reino. ― disse Êrik quando estávamos frente a frente no altar, com doçura na voź, como ele era especialista em fazer ― Não só isso, como a farei também rainha! A grama que cresce aqui representará o crescer de nosso amor eterno.

Dentre os meus pretendentes naquela época, Lorde Êrik não era meu favorito, mas também não posso dizer que não gostava dele, era bonito e gentil, e seu pai, Lorde Daglios, certamente chamou a atenção de meu pai com alguns subornos e a promessa de fazer-me governante!

O plano inicial era que eu participaria da guerra apenas na retaguarda, para que estivesse mais segura, como minha mãe requisitou, ela que ficou em segurança em Palácio de Marfim como as outras senhoras. Com isso seria Êrik que mataria rei Nalor e conquistaria a coroa para si. Porém eu não aceitei a ideia tão bem quanto pareceu, quando o exército iniciou a marcha dei um jeito de enfiar-me na linha de frente.

Desviando dos soldados Aneih que deixei para meu exército lidar, dirigi-me ao quarto onde estava o rei, encontrei-o segurando a longa espada de duas-mãos, em frente a uma mulher abraçada a um bebê, o que é estranho, rei Nalor nunca foi casado… Mais um bastardo para a lista!

― Deixe-a ir! ― pediu

E deixei, não mata-se uma mulher com o próprio filho no colo, ela passou por mim, correndo em prantos e se foi.

― Você é uma mulher. ― exclamou ― Vire-se agora e eu a deixarei ir em paz também.

― Fico muito grata ― apontei a ponta da lâmina para ele ―, mas estou aqui para matá-lo.

― Eu não luto com mulheres.

― Uma pena, eu luto com homens.

As espadas tiniram por pouco tempo, por mais que tivesse parecido uma eternidade, até que a enfiei na garganta de meu oponente, logo abaixo da mandíbula, ele tentou um último ataque contra mim, todavia estava segurando a espada com só uma das mãos, já fraco, e não teve força para ferir-me gravemente. Eu conquistei o trono e a coroa naquele dia.

Meus pensamentos repentinamente voltaram ao presente, o fogo aproximava-se rapidamente, levantei e corri, mas as labaredas foram mais velozes, a fumaça começou a encher meus pulmões. A elefanta veio em minha direção quando faíscas alcançaram minha roupa, mas a repreendi com um grito, enquanto batia em minhas vestimentas para abafar o fogo. Abbu barria inquietamente como se gritasse por ajuda.

E suas preces foram ouvidas.

Um cavalo pulou sobre as chamas relinchando, caiu pesadamente a minha frente e o cavaleiro de rosto e corpo ocultos por partes de armaduras aleatórias estendeu-me uma mão amiga.

― Quem é você?! ― questionei, incerta e estupidamente, tossindo

― Não há tempo para conversar! Acha que por que é rainha o fogo não lhe fará mal? ― respondeu rispidamente, percebi pela voz que era uma mulher

Segurei em sua mão e ela puxou-me para cima do corcel, bateu as rédeas e o animal fugiu das chamas, rápido como um raio.

― É melhor chamar seu elefante, ele não conseguirá nos acompanhar. ― disse minha salvadora

― Abbu sabe retornar ao castelo, ela nos encontrará lá. ― falei sem fôlego, ainda tossindo, segurei-me nela, minha visão estava turva pelos olhos lacrimejando

― Não estou levando a senhora para Palácio de Marfim. ― ela respondeu, sem diminuir o ritmo

― Não está…? ― antes que pudesse ouvir a resposta desmaiei sobre as costas dela

O som de minha elefanta foi afastando-se até desaparecer.



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