História As Crônicas do Vazio - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Crônicas Do Vazio, Dragões, Fantasia, Kana, Lina, Magia, Monstros, Olivier, Vazio
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Palavras 1.520
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Espero que gostem!

Capítulo 1 - Prólogo - A Invasão


Há mais de 800 anos, vindo fugidos de seu continente afundado, os liberianos chegaram à Iltar. Seus homens e mulheres de peles e cabelos escuros, comandados por seu Rei Mukato von Liberl e guiados pelos Deuses, aportaram sua grande armada - ou o que restou dela depois da longa viagem pelos oceanos que separavam Liberl de Iltar - no norte do novo continente.

Seguindo Mukato, vieram seus dez mil Cantores Laminares, grandes guerreiros especialistas em magias hoje perdidas, e os Sete Olineriais, os líderes da Alta Igreja Liberiana.

Os humanos que já habitavam Iltar estavam no meio de uma grande guerra com os elfos do sul, que já persistia por mais de uma geração. O rei estrangeiro viu nisso uma oportunidade e, se aliando aos humanos de Iltar, derrotou os elfos após uma longa campanha.

Receoso com um outro ataque dos elfos, Mukato utilizou um artefato divino, que era guardado pelos Olineriais, para abalar os pilares do mundo e criar uma imensa cordilheira cercando o território élfico, banindo-os para longe dos humanos.

O rei liberiano recebeu o território, antes ocupado pelos elfos, como um agradecimento dos reinos humanos, e lá seu povo se estabeleceu. Assim foi fundado o que se tornaria o Império de Farnedon.

O conselheiro confiável de Mukato, Huffle, começou a tramar, junto ao grande Cantor Laminar Pudim, um…

– Tá, tá, tá… Eles já sabem disso tudo – Interrompeu uma mulher de cabelos pretos e grandes orelhas de coelho sobre sua cabeça – E os garotos estão cansados, eles ficaram o dia inteiro treinando.

A mulher que contava a história olhou pela janela, e viu, iluminada pelos últimos raios de sol da tarde, a fonte da interrupção. Debruçada na janela, com o queixo descansando nos braços, a jovem com orelhas de coelho continuou.

– Além do quê, saber o nome do conselheiro do rei que falhou em realizar um golpe de estado há 800 anos não é nem um pouco importante para um Cavaleiro Sagrado.

A ruiva que estava dando a aula abriu um pequeno sorriso.

– Então você se lembra do resultado da tentativa de golpe? Parece que você não acha tão desimportante assim.

– O cara tinha um nome engraçado… Pudim – Ela segurou o riso enquanto pulava a janela para entrar na sala – Eu acabei me lembrando.

– Não é engraçado, mestra Kana – Disse a única garota dentre as três crianças que estavam na sala.

– Ah é? – Kana, a mulher com orelhas de coelho, se aproximou da garota e sussurrou no seu ouvido – O grande Cantor Laminar, que inspira medo em seus adversários, o poderoso Pudim.

A garota tentou segurar o riso, em vão, e logo ria alto junto dos dois garotos.

– Pode ser engraçado hoje, mas o nome do doce veio exatamente do cantor laminar. Ele servia a sobremesa em grandes festas com o objetivo de atrair aliados para realizar o golpe de estado. Mas pudim acabou por se tornar popular, ganhando o nome de seu criador – Disse Lina aos seus três alunos, que reagiram com mais risadas.

Enquanto isso, Kana foi para perto da outra mestra.

– Eu e o Olivier decidimos que seria uma boa ideia contar sobre a invasão para os garotos o mais cedo possível. O que você acha, Lina?

Lina fechou o livro que estava em suas mãos e se pôs a guardá-lo em uma estante.

– Tenho que concordar que é uma história mais interessante do que a que eu estava contando a pouco. E agora eles também são Cavaleiros Sagrados, precisam saber sobre a invasão. – Lina terminou de ajeitar o livro na estante e se virou para Kana – Se vamos fazer isso, então eu vou chamar o Bale. Quando ele chegar podemos começar a contar essa história. A nossa história.

Kana concordou.

– Você sabe onde o Bale está? Não tenho notícias há alguns meses.

– Eu tenho meus segredos… – Respondeu Lina.

– E não deseja compartilhá-los?

– Não – Disse com um sorriso no rosto.

Um dos garotos que ouvia a aula de Lina interrompeu as duas, visivelmente animado.

– Então vocês finalmente vão contar pra gente?

– Ainda deve demorar um pouco, mas sim – Disse Kana.

– Então vocês vão contar sobre aquela vez que a mestra derrotou um Tarrasque com um único golpe? – Disse a garota, entusiasmada – Ou da vez que vocês duas derrotaram mil vampiros sozinhas, ou daquela que o mestre Olivier...

– Espera um pouco, Maria. Do que você está falando? Eu não me lembro de ter feito isso – Disse Lina com um olhar de interrogação.

– Ué? Mas minha mãe disse que vocês tinham feito. Toda noite, antes de dormir, eu pedia para que ela me contasse as histórias das suas aventuras.

– Mas não fizemos tudo isso. Sua mãe deve ter exagerado para a história ficar mais interessante – Disse Lina.

– Então não é verdade o que minha mãe me contou?

– Maria, pode aguardar ansiosa, porque a história real é muito mais legal, afinal, ela é a real – Disse Kana, sorrindo – E Lina, eu já tinha ouvido algo nesse sentido antes. Parece que tem muitos bardos por aí contando histórias que enaltecem demais os nossos atos, a mãe da Maria deve ter apenas repetido o que ouviu.

– Quer dizer que você sabia que as pessoas andam contando mentiras sobre nós, mas mesmo assim não fez nada sobre isso? – Disse Lina indignada.

– Relaxa. É assim com todos os guerreiros famosos, não há nada que possamos fazer.

– Você está gostando disso, não é? – Suspirou Lina.

– Não custa nada aproveitar… – Sorriu Kana.

 

Raios de sol passavam por grandes vitrais coloridos para iluminar um belo salão, que era grande demais para apenas as seis pessoas que se sentavam no centro dele. Uma mesa para doze pessoas estava preenchida até a metade com comidas leves, preparada para o café da manhã.

– Você disse que o Bale deveria chegar hoje, né, Lina? – Perguntou um homem loiro, que estava sentado à mesa.

– Sim, ele disse que tinha algumas coisas para resolver e que deveria terminar hoje.

– Ele disse? Como você conversou com ele? – Kana se interrompeu – Espera, ele te deu um núcleo de comunicação? E por que não me falou nada?

Lina olhou para sua colega, respirou fundo, e comeu mais um pedaço de pão, mastigando bem lentamente, com um pequeno sorriso nos lábios.

– Tudo bem, não precisa me responder. Pode ficar de segredinhos com o Bale – Alguns fios do cabelo de Kana ficaram vermelhos.

– Ignorar os amiguinhos não é nada legal, Lina. Vai dar um mau exemplo para as crianças – Disse o loiro, com um sorriso no rosto.

– Vai tomar no cu, Olivier – Respondeu Lina sem olhar para o homem, o sorriso permanecendo no rosto.

– Olha só. Ainda é agressiva e se utiliza de xingamentos inapropriados – Ele olhou para as três crianças, levantando o queixo ligeiramente – Acho que está claro quem é o melhor mestre daqui.

Kana, já com os cabelos pretos novamente, deu uma risada.

– Ha! Interessante essa realidade alternativa em que você vive.

– Eu acho que a Lina é a melhor – Disse um dos garotos, rindo.

– Olha, que fofo. Parece que alguém vai ter menos dever de casa para a próxima aula... – Disse Lina, ao terminar de comer seu pão.

Ao ouvir isso as outras duas crianças falaram em conjunto.

– Eu também acho!

– A Lina é a melhor mestra!

Lina estendeu seu braço para pegar uma uva da mesa e a levou até a boca.

– Parece que eu ganhei – Ela levantou o olhar para trás de Kana, encarando o ar – E parece que nosso convidado chegou.

Ao dizer isso, surgiu um disco negro de mais de dois metros de altura atrás de Kana e, de dentro dele, saiu um homem de pele e cabelos brancos, apesar de parecer jovem, e olhos de um intenso azul claro.

– Olá, pessoas. É bom ver vocês novamente.

– Bom dia, Bale – Disse Lina ao comer outra uva.

– Tio Bale, tio Bale, faz isso de novo! Por favor! – Disse Nox, uma das crianças.

– Fazer o quê? Isso? – Então dois discos negros, do tamanho de pratos, surgiram um à frente e um atrás de Bale. Ele enfiou o braço no disco a sua frente e, do disco de trás, surgiu uma mão, que pôs-se a coçar as costas de Bale – Isso é muito conveniente, dá para coçar lugares difíceis de alcançar.

As crianças desataram a rir, enquanto rodeavam Bale. Mas Olivier não estava muito feliz.

– Se algum elfo visse você fazendo isso, ele ia perder a cabeça.

– Na verdade, se algum elfo me visse fazendo isso, é mais provável que fosse eu que perdesse a cabeça. Ainda bem que não vejo elfos por aqui – Bale retirou o braço dos discos e eles desapareceram.

Depois que as crianças se acalmaram, Bale se aproximou de Kana, que já estava de pé, e a abraçou.

– Tudo bem com você, Kana?

– Tirando o fato de não ter notícias de você por tanto tempo, sim – Disse ela, retribuindo o abraço.

– Me desculpe por isso, mas foi por um bom motivo.

– E que motivo foi esse?

– Você logo irá descobrir. Mas vocês me chamaram aqui por uma razão, não é? Por onde iremos começar a contar a história? 

Todos se sentaram novamente e se acomodaram nas cadeiras.

– Acho que você pode começar, Bale – Disse Lina, comendo uma banana.



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