História As Crônicas do Vazio - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Crônicas Do Vazio, Dragões, Fantasia, Kana, Lina, Magia, Monstros, Olivier, Vazio
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Palavras 2.083
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Fantasia, Magia, Romance e Novela
Avisos: Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Os capítulos são narrados cada um por um personagem, o nome no começo do capítulo indica qual. Nesse caso é o Bale.

Boa leitura! :)

Capítulo 2 - Bale - A busca


Bale

    Primeiramente, preciso falar um pouco sobre a Kana. Acredito que ela já tenha lhes contado, mas ela não é humana. Sua raça, chamada Iepur, fora criada pelos Deuses há mil anos para proteger o último andar da Dungeon de possíveis invasores. Por esse motivo, Kana viveu toda sua vida no interior da Dungeon, junto aos outros de sua raça e, desde três anos antes da invasão, junto de mim também, por um capricho do destino. Depois de eu ter vivido dois anos com as Iepur (eram todas mulheres, por motivos desconhecidos), ocorreu uma calamidade no último andar da Dungeon: Um monstro singular, ou ao menos assim pensei na época, totalmente branco, tirando os olhos azuis,  atacou a pequena cidade onde morávamos, matando grande parte das moradoras. 

    Kana havia ficado doente alguns dias antes, e, como não melhorava, a levamos até um dragão que vivia por perto e ajudava as Iepur, quando necessário, com sua magia e grandes conhecimentos. Por esse motivo, ela não estava na cidade no momento do ataque e, por conseguinte, estava segura.

    Durante o ataque, as guerreiras lutaram bravamente, mas todos percebiam que não havia chance alguma de vitória. Eu, nesse momento, era apenas um fraco slime, que nada podia fazer para ajudar, então só observei, ao longe.

    Quando as últimas guerreiras estavam prestes a cair, D'Ruth, o humano apontado pelos Deuses para administrar a dungeon, interviu, derrotando o monstro com suas poderosas magias. Quando o monstro - já queimado pelo fogo criado por D’Ruth - parou de se mexer, o homem se aproximou das Iepur restantes, pensou um pouco, falou algumas poucas palavras que não pude ouvir e, nesse momento, as próprias pessoas que ele veio supostamente defender, também queimavam até o fim de suas vidas.

    Horrorizado com o que tinha testemunhado, eu decidi que salvaria Kana, e percebi que o único meio de se fazer isso era chegando à superfície. Quando cheguei à essa conclusão, D'Ruth já não podia mais ser visto. Gelei de medo, mas após um tempo percebi que ele tinha apenas ido embora.

    Eu sabia que com a força que eu tinha, não havia a menor possibilidade de conseguir sair da Dungeon, então percebi a grande oportunidade que estava bem na minha frente. Consumi os restos do monstro que tinha atacado anteriormente, absorvendo, com isso, grande poder. Afinal, esse era o único método que eu - um slime que havia adquirido consciência após comer um cadáver humano - conhecia. Sempre tive essa habilidade, conseguia absorver parte da força que meus alimentos tiveram em vida, além de poder me transformar nas espécies que já comi.

    Assim, experimentando um poder extraordinário que nunca havia pensado que pudesse possuir, fui em direção à moradia do Dragão, onde estava Kana.

    Quando cheguei lá, Kana já estava saudável e, tentando, com muito esforço, conter minhas fortes emoções, convenci-a de que sua mãe finalmente tinha permitido que ela fosse para a superfície, o que sempre fora seu sonho, e que eu a acompanharia nessa jornada. 

Nesse momento prometi a mim mesmo que contaria a verdade a ela assim que estivéssemos seguros, na superfície.

Ironicamente, esse dia prometido foi na véspera da primeira invasão.


 

O sol estava prestes a se pôr, os seus últimos raios do dia iluminando a sala de jantar em que estávamos sentados. Eu e Kana, que tinha apenas 12 anos na ocasião, havíamos acabado de chegar à superfície e fomos convidados para jantar na casa de dois amigos que conhecemos enquanto subimos os andares da Dungeon, Luana e Lokir.

Eu e Kana estávamos sentados a uma pequena mesa retangular, enquanto os donos da casa estavam na cozinha, preparando, com os ingredientes recém adquiridos, o jantar.

Nesse momento, decidi que já havia posposto por tempo demais minha promessa e comecei a tentar achar as palavras certas para explicar à Kana o que havia realmente acontecido dentro da Dungeon.

– Kana… Tenho algo importante para lhe contar…

– O que foi? - Disse Kana enquanto parava de enrolar seus cabelos no dedo para prestar atenção.

– Eu menti para você. Sua mãe não me pediu que te trouxesse para a superfície.

– Como assim? – Perguntou Kana, franzindo as sobrancelhas.

– Veja bem, Kana, tente não se desesperar… A cidade das Iepur, no último andar da dungeon, foi atacada no dia em que saímos de lá. Não acho que alguém, além de nós dois, sobreviveu. – Disse enquanto tentava manter a calma.

– Essa piada não é engraçada, Bale… Você sabe que não existe uma entidade naquela Dungeon que consiga derrotar todas as Iepur…

– Eu também pensava assim, Kana. Mas existe uma. D’Ruth. – Disse enquanto segurava a mão de Kana sobre a mesa.

– M… Mas como? Po… Por que? – O sangue desceu de sua face – Ele não tinha motivos para fazer isso, seguimos todas as suas ordens…

– Desculpe, Kana. Nesse ponto, você sabe tanto quanto eu.

– Mas... mas por que não me disse antes? Por que esperou até agora? Por que não me contou a verdade na hora em que ainda podíamos fazer alguma coisa?! – Disse Kana, aumentando a voz a cada pergunta, se levantando da cadeira enquanto seu cabelo ficava vermelho pela raiva.

– Calma, Kana. Se você tentasse ir atrás dele, iria ter o mesmo fim da sua... da nossa família - Disse com a voz o mais suave que pude, enquanto ainda segurava sua mão.

Nesse momento, Kana se enraiveceu ainda mais, sua mão começou a esquentar, até que tive que soltá-la.

– Nós não somos sua família! Não se você conseguiu abandoná-las quando precisavam de você! - Gritou Kana.

Nesse momento, Luana saiu da cozinha, preocupada com os gritos. A moça, que mal tinha vinte anos, se aproximou de Kana, ignorando o calor sendo gerada por ela.

– Calma Kana, o que houve? - Disse Luana enquanto tentava segurar os braços de Kana.

– Não me toque! - Disse Kana, criando pequenas chamas à sua volta, afastando Luana, que recuou até ser amparada por Lokir, acabado de chegar à sala – Voltarei agora para a Dungeon, vou acabar com a raça do D’Ruth!

Kana pegou sua bolsa e começou a ir em direção à porta. Eu me levantei da cadeira e me coloquei em seu caminho.

– Você não pode fazer isso! Por que acha que não te contei sobre isso na hora? Não temos a menor chance de derrotá-lo!

– Cala a boca! - Kana disse e me deu um soco que me jogou contra a parede, quebrando-a e me deixando atordoado.

Quando recobrei meus sentidos, Kana já tinha sumido, deixando um buraco na rua, provavelmente criado pela força de suas pernas se preparando para saltar.

Me levantei dos destroços da parede e me dei de frente com uma Luana bastante irritada.

– Calma, eu vou pagar pelo prejuízo… - Disse, em uma tentativa de acalmá-la.

– Do que está falando? Vá atrás dela! Você tem que se desculpar!

Eu respirei fundo e disse.

– É o que eu estava tentando fazer… Mas, não sei se você percebeu, ela não estava querendo ouvir.

– Pare com desculpas ou eu também irei te bater!

– Se isso acontecer pode contar com minha ajuda, Luana - Disse Lokir - Você não pode deixar uma criança sozinha nessa cidade, e se alguém se aproveitar dela?

– Eu tenho pena dessa pessoa - Disse enquanto examinava a cratera deixada por Kana na rua, tentando descobrir para que direção ela foi - Parece que ela saltou na direção da muralha mais próxima, algum de vocês viu?

– Não… Quando saímos de casa, ela já não estava aqui - Disse Luana, já se acalmando.

– Então vou perguntar para as pessoas na rua, alguém deve ter visto uma criança voando pelo céu. Se vocês me ajudarem, eu agradeço.

– Claro, Bale, perguntarei também - Disse Luana -  Lokir, arruma alguém para consertar essa parede.

Lokir suspirou e concordou relutantemente com sua esposa.



 

Segui pela direção que achei que Kana tivesse saltado, e fui perguntando aos pedestres se viram alguma coisa grande pelo céu, ou uma criança com orelhas de coelho andando por aí.

Depois de uns dez minutos de procura, finalmente obtive um resultado positivo, um vendedor ambulante disse ter visto uma pessoa passando pelo céu e me indicou a direção de seu movimento.

Infelizmente, depois de mais uma hora de procura não encontrei mais nenhuma pista e, com o sol já se posto, decidi encerrar o dia. Eu estava cansado, triste e decepcionado comigo mesmo por não ter conseguido convencer Kana de que fiz o melhor para ela. Em seguida, entrei em uma taberna que percebi estar bastante movimentada - afinal, eu estava com fome e sede e não queria comer em algum lugar ruim - seu nome era Cisne de Prata.

Era um lugar relativamente pequeno e aconchegante, havia quatro mesas redondas espalhadas pelo estabelecimento, duas delas ocupadas por homens comendo, bebendo e se divertindo, provavelmente ao fim de um duro dia de trabalho. No fundo da taberna, havia um balcão reto, com alguns bancos na frente, e por trás dele, a parede estava coberta por um armário cheio de garrafas de bebidas diferentes. Sentada em um desses bancos, conversando com o barman, estava uma mulher jovem de longos cabelos castanhos.

Sentei ao seu lado e fiz meu pedido ao barman, um homem gordo com uma grande barba negra.

– Com licença, eu quero um copo de água e um pouco de comida, por favor. O que você tem aí?

– Boa noite, senhor. Nós temos sopa de legumes e coelho assado – Disse o barman enquanto enchia meu copo com água.

– Traga-me um coelho, então - Respondi, mas depois de pensar em Kana, mudei de opinião - Calma, acho que prefiro a sopa, por favor.

Esperei um pouco enquanto o barman entrava em outro cômodo, onde provavelmente estava a cozinha. Quando ele voltou, já com minha sopa, perguntei, já sem muitas esperanças, sobre Kana.

– O senhor, por algum acaso, viu uma menina com uns doze anos por aí? Ela tem cabelos pretos e orelhas de coelho saindo do topo de sua cabeça.

– Você também? O que há com as crianças de hoje em dia? Essa moça ao seu lado me fez uma pergunta parecida faz poucos minutos, apesar de que orelhas de coelho fazem desse um caso mais peculiar.

– Parece que não viu então… - Disse desanimado. Então me virei para a moça - Também está procurando uma criança?

– Sim, mas infelizmente não tenho tido muito sucesso – A moça sorriu – Mas a vida continua. Patrão! Traga mais duas bebidas para dois pais desolados!

– Na verdade, estou mais para irmão desolado, mas aceito a bebida - Seu sorriso me contagiou, e logo, minha melancolia havia diminuído.

– Meu nome é Saria. O seu é…

– Me chamo Bale, prazer em te conhecer.

Após um tempo, já terminada minha sopa e o terceiro copo de cerveja, a conversa na taberna se silenciou, e, ao olhar para a entrada às minhas costas, vi três jovens bem vestidos se movendo em nossa direção.

– Hoje iremos festejar! Bebam à vontade, eu pagarei para todos! - Disse o homem loiro que estava à frente dos três.

O barman, ao vê-los, se sobressaltou, saiu de trás do balcão e foi recebê-los.

– Lorde Lias! É uma honra recebê-lo no meu humilde estabelecimento - Disse o barman enquanto se curvava.

– Toda essa formalidade não será necessária hoje, meu senhor, como disse antes, hoje é dia de comemoração!

Curioso com o que estava acontecendo perguntei a ninguém em particular.

– Quem é esse?

– Acho que é Lorde Lias, aquele que governa essa cidade e seus arredores - Disse Saria.

– Sabe o porquê de toda essa alegria?

– Pergunte a ele, acho que ele ficaria mais do que feliz em te contar - Sorriu Saria.

Concordei com Saria e me levantei do banco, indo até Lorde Lias.

– Boa noite, meu senhor. Posso perguntar-te o motivo de tanta alegria? - Disse, tentando ser respeitoso.

– Ah, existe uma alma nessa cidade que não sabe o que vai acontecer amanhã? - Disse Lias com um sorriso no rosto - Amanhã será o dia de meu casamento! Então eu e meus amigos decidimos fazer uma “despedida de solteiro”. Ouvi falar que é um costume comum no Reino de Air.

– Me perdoe por não conhecer os assuntos da cidade, meu senhor, eu cheguei recentemente da Dungeon - Respondi.

– Então temos um aventureiro entre nós? - Disse Lias, sempre alegre - Prazer em conhecê-lo.

– O prazer é todo meu…

Após esse ponto, minhas memórias são um pouco confusas, só sei que bebemos muito e nos divertimos bastante. O afastamento que existia entre Lias e os plebeus logo deixou de existir, a bebida nivela a todos...



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