História As Diferenças Enganam - Capítulo 38


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Bullying, Comedia, Drama, Lesbicas, Romance
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Palavras 1.960
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Harem, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 38 - Mágoas


Não voltei a parar pra conversar com Vitória, sempre em movimento pelo prazo estar muito encima, não tive tempo nem para respirar direito e ela também manteu-se por longe. No sábado, dia do evento, foi mais corrido e apenas quando já anoitecia pude respirar aliviada. Estava tudo pronto e os convidados eram apenas as famílias dos noivos. Na outra semana seria um evento um pouco maior por se tratar da despedida de solteiro e iriam comparecer  todos os amigos.

Enquanto observava de longe os convidados chegando, notei Vitória sendo cumprimentada por eles e logo avistei o mesmo menino do dia do parque chegando ao lado de um homem mais velho, eu diria que um coroa bem enchuto.

- Então aquele é o suposto namorado? - murmurei semicerrando os olhos.

- O que você disse? - Perguntou Vanessa e apenas balancei a cabeça negativamente. - Não vejo a hora do noivo fazer o pedido oficial e essa festa acabar. - Disse ela sapateando e olhei para os seus pés.

- Quem mandou calçar esses sapatos? Eu falei que eles não eram seu número.

- Mas eu amei eles! - Ela parou fazendo uma pose que notei ser em direção a câmera.

- Ficou tudo tão bonito, nem parece que saiu dessa cabecinha. - Disse Vitória ao aproximar-se baixando a câmera, fazendo Vanessa rir.

- Vanessa, vai verificar o buffet! - Ela virou e saiu fingindo estar chateada por eu lhe dar trabalho. - O que tem de errado com minha cabeça?

- Era dura. - Sorriu enquanto ia para o meu lado e assim como eu cruzando os braços observando a festa.

- Você não tem que fazer seu trabalho?

- Tenho, mas fiz uma pausa. Todos dos convidados já chegaram e estou cansada.

- Até mesmo seu namorado já chegou.

- Namorado? Ah sim, o pai do Gabriel. Ele é irmão da noiva.

- Entendo. - Notei pela visão periférica ela me olhando.

- Então, e a Charlotte?

- O que tem ela?

- Vocês...

- Somos sócias, por quê?

- Ah, entendo... - Ficamos em silêncio. - Você só vai sair depois que todos forem embora?

- Sim, preciso me certificar que tudo voltará aos fornecedores em perfeito estado.

- Não deveria encarregar alguém?

- Prefiro eu mesma ver com meus próprios olhos. Já ouveram problemas antes.

- Então que horas vai para casa?

- Talvez uma da manhã.

- Então uma da manhã eu te pago uma bebida. - olhei para ela que sorriu.

- Por que?

- Por que? Para aliviar o estresse. Tenho certeza que mesmo se for direto para casa vai ficar um tempo acordada.

- Não, eu durmo feito uma pedra.

- Não se faça de difícil, não imagina o quanto estou me esforçando para esquecer velhas mágoas.

- Ok eu aceito e não se fala mais nisso. - Sai de perto antes que viesse a tona coisas desnecessárias.

A festa foi mais longa do que imaginei e não pude deixar de notar a forma que o tal pai do Gabriel olhava Vitória enquanto filmava a família, que tratava ela muito bem. Por volta das onze e meia praticamente todos os convidados já haviam ido embora, com exceção dos noivos que dormiriam na casa.

- Eu não sabia que agora a lua de mel acontecia antes do casamento. - Dizia Vanessa enquanto eu veríficava a lista de materias que ficariam na casa até o dia seguinte.

- Vanessa termina seu trabalho e vai dormir que teu mal é sono.

- Meu mal são esses sapatos. - Ela saiu e suspirei aliviada por grande parte das coisas já terem sido retiradas do jardim.

- Acho que vai sair antes.

- Que susto, pensei que já tinha ido com os outros convidados. - falei enquanto Vitória apoiava a mão em meu ombro e retirava o tablet de minhas mãos.

- Eu cumpro minha palavra. - Fiquei boquiaberta ao vê-la fazer aquilo. Olhava em direção ao jardim e logo em seguida para o tablet. - Pronto, eles já guardaram o material de som, o resto você pode fazer amanhã. - olhou para mim com um sorriso. - Vamos?

- Você até mesmo faz meu trabalho em troca de uma bebida? - Peguei o tablet de volta enquanto ela prendia o riso. - Espera aqui um minuto.

Dez minutos depois eu me sentia aliviada por não ter que dirigir de volta ao centro da Cidade, afinal deixei meu carro com Vanessa e peguei carona com Vitória. Minutos depois ela estacionou de frente a um barzinho e descemos juntas, enquanto eu agradecia mentalmente pela escolha, afinal era um lugar com música acustica ao vivo, um som tão gostoso que tinha certeza que sairia dali quase dormindo.

Escolhemos uma mesa afastada em um lado discreto, afinal todos optavam por ficar próximo ao pequeno palco onde o cantor se apresentava. Pedi duas cervejas vendo Vitória apoiar os cotovelos na mesa apoiando o queixo na mão enquanto me olhava.

- Eu sinceramente admiro seu trabalho. - disse ela. - Muitas vezes fiquei tentando te imaginar trancada em um escritório, outras vezes me perguntei se você tornou-se uma lutadora de Jiu Jitsu. - Ambas rimos enquanto nossas bebidas chegavam.

- Charlotte me ajudou muito a decidir sobre o que fazer.

- Aah a Charlotte. - Ela encostou-se na cadeira e tomou um pouco da bebida.

- E você, como escolheu fotografia?

- Em meu segundo ano em Londres, quando conheci o Ricky, me interessei pelo trabalho dele e acabei tentando.

- Quem é Ricky?

- O pai do Gabriel. - Arqueei uma sobrancelha enquanto pegava o copo. - Nós não temos um relacionamento se é isso que você esta pensando.

- Assim como eu e Charlotte.

- Quando foi seu último relacionamento?

- Que pergunta. - Tentei evitar responder mas ela insistiu. - Foi a uns dez anos atrás  durante a faculdade.

- Ah Kris, por favor não minta.

- Por que mentiria?

- Quer que eu acredite nisso? Todo mundo te queria e você passou dez anos solteira?

- Estive focada nos estudos e trabalho. Lógico, fiquei casualmente com algumas pessoas mas passei longe de chegar a um namoro. - ela confirmou enquanto eu bebia minha cerveja. - E você, quando foi seu último relacionamento?

- A cerca de um ano.

- Com o Ricky? - ela sorriu e nem precisava confirmar.

- Durou apenas um mês. Nos conhecemos a anos e quando ele se declarou eu me senti meio... estranha, como se devesse dar uma chance tanto para ele quanto para mim. Mas como pode ver não deu certo.

- Por que não deu certo?

- Era apenas amizade da minha parte, não consegui sentir mais que isso. - ficamos em silêncio enquanto terminavamos nossas bebidas e em seguida pedi mais uma rodada. Ela me olhava fixamente e eu sustentei seu olhar, me perguntando o que se passava em sua mente. - Por que você desistiu? - Perguntou me pegando de surpresa. - Por que desistiu da gente? Eu não teria desistido se você não tivesse ido. Passei ano após ano guardando e dizendo para mim mesma que nunca falaria sobre isso, mesmo que te encontrasse. Por que era passado, porque foi escolha minha respeitar sua decisão.

- Vitória...

- Eu consegui seguir em frente? Você conseguiu? Sim, nós sobrevivemos. Mas Eu preciso dizer, porque agora que te reencontrei essa mágoa mostrou-se ainda aqui dentro. - Virei o rosto enquanto passava a mão no canto do olho tentando evitar uma lágrima. - Você tem noção de quantas vezes digitei uma mensagem e não enviei? De quantos dias e noites eu chorei? De como eu passei um ano inteiro lutando contra a vontade de te procurar? Afinal, por que eu iria atrás de alguém que me deixou? - ela sorriu. - Quando paro e penso sobre isso, vejo o quanto fomos idiotas tomando decisões naquela época.

- Eu me arrependi todos os dias por aquilo. - Ela deu um longo suspiro e sorrio novamente.

- Me sinto bem mais leve. - abri a boca para falar mas ela mostrou a palma pedido que parasse. - Tenho uma coisa para te dar. - Levantou um pouco e retirou algo do bolço. - Desculpa, esqueci que tinha os colocado no bolço, ficou amassado. - Falou entregando-me convites para sua exposição. - É minha primeira aqui, vai com a Charlotte.

- Você despeja um monte de coisas do passado e depois muda de assunto. - coloquei os convites sobre a mesa.

- Eu precisava apenas desabafar, não queria iniciar uma discussão que não nos levaria a lugar algum. Afinal, o que muda em nossa vida atual o que vivemos no passado? Você tomaria as mesmas decisões?

- Logicamente não...

- Então, é esse o ponto. Não somos as mesmas, tudo que temos que fazer é continuar seguindo em frente. - Não pude deixar de sorrir enquanto olhava para ela. - O quê?

- Nada. - virei o rosto bebendo. - Estarei em sua exposição.

- O que vai fazer amanhã a noite?

- Provavelmente dormir.

- Quer sair comigo? Um amigo esta estreando uma peça e preciso de companhia.

- É impressão minha ou você é cheia de amigos?

- Quando estava em Londres conheci muitos americanos que me procuravam para fotografar momentos durante lua de mel ou viajens de grupos, acabei fazendo bons amigos.

- Ta vendo, eu fiz bem em te mandar para Londres. - ela estreitou os olhos me fuzilando.

- Você me mandou para Londres? Vamos embora, já está ficando bêbada. - levantou-se e foi em direção ao balcão enquanto eu aproveitava para tomar o resto de minha cerveja.

Quando Vitória estacionou na frente ao meu prédio eu quase cochilava no banco e ela precisou me cutucar para só então despertar.

- Me da seu número. - murmurei entregando meu celular a ela que pegou e digitou. - Te ligo durante o dia.

- Ok, bons sonhos. - Sai do carro e me arrastando segui para casa.

...

Dormi até as oito e no fim da manhã dei por encerrado meu trabalho na casa de campo. Na volta recebi uma ligação de Lara que pedia para ir ao seu encontro. Ela estava grávida de oito meses e tudo que fazia era crochê, como uma velha sentada na floricultura que abriu a alguns anos.

- O que minha cunhada barrigudinha quer comigo a essa hora? - falei entrando enquanto olhava no relógio confirmando que era meio dia.

- Hanna, pega o buquê que separei! - Gritou ela sentada segurando o crochê como eu já imaginava. - Vai lá pegar. - Disse para mim que caminhei até o balcão e recebi o buquê.

- Para quê isso? - No mesmo momento notei dois convites para a exposição de Vitória sobre o balcão. - Esses convites...

- Sim são dela.

- Vocês estão mantendo contato? - Me aproximei dela e sentei na cadeira ao lado.

- Claro, sempre estive.

- Por que nunca me disse nada?

- Você nunca perguntou. - Eu nem podia acreditar em sua cara de pau enquanto respondia.

- E para quê essas flores?

- São para você dar a ela.

- Por que eu daria flores para a Vitória?

- Porque vocês vão se encontrar mais tarde e essas são as preferidas dela.

- Como você sabe de tudo isso?

- Ela passou aqui mais cedo e contou sobre ter te convidado para sair. Ah e quanto as flores eu ouvi que aquele tal Ricky deu flores a ela uma vez e não eram suas preferidas, então é a melhor oportunidade para você mostrar que além de romântica a moda antiga, a conhece muito melhor do que aquele idiota.

- Para quê isso? Nós não estamos saindo nem nada.

- Kris, é um recomeço. Não percebeu?

- Um recomeço? Eu não vou nem responder essa. - Levantei da cadeira e caminhei em direção a porta. 

- Pergunte a ela! - Gritou me fazendo parar e virar curiosa.

- Perguntar o quê?

- Pergunte sobre algo que ela descobriu a pouco tempo.

- Para de dizer coisas sem sentido e fala logo o que você sabe que não sei.

- Pergunte a ela. - Voltou a fazer crochê fingindo que eu não estava ali e decidi ir embora. - Dê as flores! - Gritou quando já saia na porta.



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