História As estações da sua rádio - Capítulo 1


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Categorias Choque de Cultura
Personagens Julinho da Van, Maurílio dos Anjos, Renan, Rogerinho do Ingá
Tags Comedia, Drama, Ingátowner, Romance, Sprinterkombi
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Palavras 4.543
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Fala amantes da sétima arte,

Essa fic foi pensada para 8 capítulos. São oito músicas "temas" para cada um. Tô organizando para cada um sair em uma semana.
Bem, esse primeiro capítulo é uma música do Thiaguinho hehehe bem triste, quem quiser chorar tamo aí (com participação especial de "beija, me beija" cantada por Mart'nália).


Eh isto, tomara que aproveitem, vamos ao capítulo.

E JÁ AVISANDO QUE TEM EXPLICITÃO, VOCÊ FOI AVISADO :)

Capítulo 1 - Ponto fraco


A voz grave do pagodeiro entrava rasgando o coração de Julinho da Van. Acostumado a trampar com um sonzinho mais alegre, o motorista da Sprinter não encontrava motivos suficientes para mudar a estação da rádio. Talvez porque ele sentia necessidade de se afundar naquele clima triste do pagode, talvez porque sua direção, naquele dia, estava completamente no automático. O fato é que sua mente viajava para longe do caminho usual “Taquara-Castelo” que fazia com a van, pois sua cabeça só o relembrava dos acontecimentos vividos na noite anterior com Maurílio e que era a causa de tanta tristeza naquela sexta-feira de tarde.

 

Flashback ON

 

Renan e Julinho se encontravam sentados para fora do barzinho. Eles preferiram sentir a noite carioca mais de perto, não só porque fazia um calor infernal para ficar em um ambiente fechado, mas também porque as mesas dentro do estabelecimento foram reduzidas, dando espaço para quem quisesse dançar. Em cima da mesa vermelha de plástico jazia uma garrafa de cerveja Concerteza pela metade e três copos americanos. Ambos não queriam beber tanto já que iriam trabalhar em pouco tempo depois daquela saída e, mesmo não querendo afirmar isto em voz alta, a idade batia em suas portas (juntamente de uma ressaca infernal). O pai de Renanzinho ainda iria buscar seu filho na casa da ex-mulher uma vez que passaria o final de semana com o guerreirinho. A intempérie era que precisava ser de madrugada, quando ela já estaria no décimo sono, deitada no sofá surrado da pequena sala, e seu primogênito estaria provavelmente dentro da máquina de lavar da varanda, brincando com as roupas sujas e aproveitando para tomar um banho. O dono da Towner só não podia demorar muito, porque Renanzinho sempre travava na hora da centrifugação e complicava o pai em retirá-lo de dentro do aparelho sem ter que desmontar a máquina toda novamente.

Em cima da mesa, o terceiro copo vazio não era para Rogerinho do Ingá. O motorista do trajeto Charitas-Gávea recusou o convite para tomar umas quando descobriu que haveria música ao vivo naquele bar (e com uma roda de samba brasileira, para piorar). Ele continuava afastado de ambientes com música desde sua participação no Último Programa do Mundo, onde ocorreu a trágica descoberta: a canção que tanto venerara em sua vida, “Cachimbo da Paz”, fala sobre maconha. Maldito maconheiro Gabriel El Pensador.

Maurílio dos Anjos era para quem o copo estava reservado. O piloto da Kombi teve que, de última hora, buscar um pacote para um dos atores do Projac e se atrasou. Pelo menos foi isso que ele comentou com Julinho ao telefone, enquanto o bigodudo perguntava carinhosamente aonde Dos Anjos se encontrava: “dodói, tu vai demorá? Vamo te faze paga essa merda de cerveja quente se tu não chegar em cinco minutos.”

“Então, tamo quase chegando, quer dizer, eu tô quase chegando. É, vou passar por Joá agora, a ligação vai ficar meio ruim... tchau.” - Maurílio desligou a ligação visivelmente nervoso. Julinho não entendeu nada e só deu de ombros, bloqueando o celular e virando o restinho de cerveja que continha na garrafa em seu copo. A rota dita pelo motorista da Kombi branca não fazia sentido na cabeça do Da Van, mas não seria ele quem criticaria o trajeto de um colega do transporte, ainda mais o colega sendo Maurílio. Ele confiava no dodói e na sua pilotagem.

“O palestrinha disse que tá passando o Joá agora.” - Julinho comenta com Renan, o qual estava alheio à conversa. “Teve que cata uns negócios pra algum ator drogado aí. Deve chega em vinte minutos, eu faço em dez com a Sprinterzinha, mas como é o Maurílio e a Kombi, tu sabe né.” – O piloto dá uma pausa, mas retoma antes que Renan falasse alguma coisa. – “Já que o palestrinha vai demorá, tu vai querer mais uma? Vou dá uma mijada e peço lá pro Klebinho duma vez.”

Renan só acena com a cabeça. O amigo estava irritado com alguma coisa e continuar o assunto com ele apertado para o banheiro seria sacanagem. É terrível quando não dão tranquilidade para você liberar sua bexiga apertada, pois não calam a boca. Teve uma vez que em um capotamento, o pai de Renanzinho tinha bebido muita água que caia do teto da Towner e precisava urgentemente fazer xixi, mas o bombeiro ao em vez de retirá-lo das ferragens, o profissional pedia para Renan ficar conversando. Ele ficou três dias segurando a urina, a parte positiva é que seu organismo criou resistência e ele só vai ao banheiro uma vez por mês, economizando água e tempo.

No banheiro, Julinho apertava a descarga com mais força que o necessário. Sentia-se nervoso com a demora do Palestrinha e com a falta da normal palestra ao telefone. Nunca que Maurílio ia desligar daquele jeito só por uma entrada em um túnel, ele esperaria a volta do sinal para continuar falando com o Da Van. Bem, os dois andavam estranhos por conta do recente término entre ele e Amanda, e pelo relacionamento em questão, mas o dono da Sprinter torcia pela volta da amizade dos dois como era antes. Ainda mais agora que ele percebeu um sentimento novo em sua barriga quando pensava no seu dodói ou quando ouvia um pagodinho que falava sobre amor. Era confuso, ele sabia disso. Mas quem sabe, com a ajuda do moreno, na humildade, ele entenderia o que de fato estava acontecendo dentro dele?

O carioca jogou uma água na cara para tentar esfriar sua cabeça. Não funcionou, mas foi uma boa tentativa. Na volta para a mesa vermelha, carregava um sorriso sacana no rosto e uma Concerteza na mão direita.

 “Ê-ê-ê Julinho, voltando ao assunto... Maurílio é uma criança, não pode pedir pra ele fazer 120km/h na Bandeirantes não.” – Renan comenta, enquanto o colega enchia seu copo.

“Eu sei... masoquê? Porra irmão, caralho, não tô acreditano.” – Julinho solta garrafa na mesa, deixando o piloto da Towner com meio copo cheio e completamente confuso. – “Aquele ali não é o uber junto do Palestrinha?” - Ele aponta sem cerimônias para o engomadinho que subia a rua ao lado de Maurílio, os quais iam em direção ao bar.

“Maurílio foi muito inocente agora.” - Renan sussurra para si mesmo, vendo o colega de mesa adquirir uma coloração avermelhada e apertar os nós dos dedos por baixo da mesa.

“Ei Julinho, ei Renan, esse aqui é o meu amigo, Reinaldo, que vocês já conhecem. Chamei ele pra cá porque ele me ajudou no negócio que tive que fazer pro Tony e nada melhor que umas cervejinhas como agradecimento, né? Uma película linda de amizade.” - Maurílio solta seu mais belo sorriso para os dois amigos do transporte. 

“Opa, tudo bem, seu uber?” - diz o motorista da Towner, somente por educação. Entretanto, Julinho não diz nada, apenas semicerra os olhos para o engomadinho, em um completo silêncio.

Maurílio não percebe o clima ruim e, ainda com o sorriso largo, se encaminha para dentro do estabelecimento a fim de pegar mais uma cadeira e mais um copo para seu amigo. Reinaldo fica paralisado olhando os dois motoristas, com medo de dizer ou respirar de forma errada, o que poderia desencadear uma briga desnecessária ali mesmo na rua.

“Tudo sim, Renan.” - Reinaldo responde ao cumprimento. - “Eu não sou mais uber não. Entrei numa faculdade de moda, quero seguir carreira. O Maurílio tá me ajudando bastante, tô conseguindo conciliar as aulas com uns frees que faço, depois que, bem, teve aquele incidente com meu carro.”

“Tu tá falando de quando a gente quebro teu carro todo, uberzinho?” - Julinho, que estava até então apenas como um pedestre naquela conversa, dirige seu ódio à 140km/h, e sem freio, ao amigo do Palestrinha.

“É-é-é, sim-m.” - Reinaldo gagueja, sendo salvo por Maurílio que volta com a mão ocupada, pedindo ajuda a ele para organizar.

“Bebendo Concerteza? Vocês estavam me esperando para beber uma mais forte ou vão ficar nela mesmo?” - brinca Maurílio inocentemente, ainda não percebendo o clima desconfortável que foi instaurado no ambiente.

“É, Maurílio, eu achei melhor ficar nesse suavezinho. Tenho que buscar Renanzinho na casa da minha ex-mulher e-.“ - Renan tenta iniciar sua história, sendo cortado bruscamente por um Julinho desenfreado:

“Isso memo, xuxu, a gente tava só te esperano pra começá a beber de verdade.” - O olhar do piloto para Maurílio era dolorido, mas o sorriso sacana não saia de seu rosto. As ideias na mente de Julinho não eram das melhores, principalmente porque ciúme é o fogo necessário para a merda ser feita;

E foi o que aconteceu.

Julinho bebeu demais, Reinaldo bebeu numa proporção acima do normal, Maurílio bebeu em um médio para alegre (aquele que te deixa propenso a flertes fáceis) e Renan preferiu não arriscar. O samba puxado por um chorinho dentro do estabelecimento deu coragem ao ex-uber chamar o piloto da Kombi para dançar, sem inocência alguma. O dono da Sprinter branca estava no meio de um flerte explícito com o Palestrinha quando Reinaldo fez o pedido. Sua perna esquerda já esbarrava tranquilamente com a direita de Maurílio por baixo da mesa e não havia recusa do último em relação ao que acontecia ali. Mas o engomadinho do uber tinha que estragar tudo, sempre. A resposta do palestraboy ao chamado demorou uns segundos: Dos Anjos estava absorto aos contatos que o Da Van fazia com ele, porém ele não iria recusar um convite do seu amigo para uma simples dança. 

O desconforto na ponta do estômago de Julinho da Van não era só por conta das inúmeras cervejas que havia tomado. Ele ficara tonto de raiva, desconfortável por ver seu dodói sair vestido de um sorriso imenso ao lado de Reinaldo, ambos conversando com um nível grande de intimidade. Os dois entraram na muvuca daqueles que tentavam sambar e daqueles casais que se agarravam sem nexo com a música que tocava.

 “Ô Julinho.” – Renan chama sua atenção. – “Eu preciso ir agora buscar meu guerreirinho na casa daquela mulher. É só que“ – ele abaixa a voz. - “você vai ficar bem? Quer dizer, eu tô vendo que você não tá muito bem aí não, é a indignação que eu deixo aqui. Não posso deixar Renanzinho naquela casa, mas tô com medo de tu se meter em confusão.”

“Relaxa, rapá. Vô faze nada que machuque Maurílio não.” – Julinho diz, sem fazer questão de olhar para o colega piloto.

“Mas eu não disse nada sobre o... deixa pra lá. Tá aqui a minha partezinha da conta. Se cuida, hein.” – Renan se levanta da mesa.

“Tu tem que para de andá tanto com o Rogerinho, Renan. Tá ficano muito paranoico.”

“Olha, se fosse por mim eu andava até mais.” – o piloto da Towner azul-bebê fala sem pensar, dando um sorrisinho de lado.

“Quê?” – Julinho volta sua cabeça para o amigo. – “Que que tu disse?”

“Tchau Julinho.” – Renan saí, despedindo do piloto com um tapinha em seu ombro direito.

O dono da Sprinter branca olhou o amigo se afastando, como se tentasse entender tudo o que tinha sido dito ali sem querer. Voltou sua atenção, por fim, aos dois os quais entraram no bar. O problema era que naquele momento, péssimo por sinal, Reinaldo já tinha agarrado a cintura de Maurílio, fazendo o amante da sétima arte ficar colado com seu corpo. Julinho piscava diversas vezes, desacreditado com o que acontecia em seu campo de visão.

Os copos americanos largados daqueles que dançavam ainda continham cerveja. A única coisa que o Da Van pensou era que estava muito “sóbrio” para ver aquilo. Seus movimentos foram de entornar todo o conteúdo alcóolico que tinha sobrado na mesa.

A tontura veio, não se sabe se foi pela cerveja ou pelo ódio. A questão ocorreu depois: Julinho, em um ato impensado, levanta-se da cadeira de plástico e entra no bar. O casal de amigos que dançava não percebe a presença do carioca perto deles. O bigodudo não sabia o que faria a partir daquele momento. Pensou em parar os dois e aquele clima cínico de casal, talvez com um soco no meio da fuça do uber, talvez com um beijo na boca de Maurílio.

Os versos da música falavam sobre beijar, quase completamente. Era o momento certo para atrapalhar. O problema era como ele faria e não o porquê. Julinho sabia muito bem qual era o motivo de querer interromper o clima entre aqueles dois: ele gostava de Maurílio. A bebida ajudou a confirmar o óbvio. Ele não sabe como ou quando, mas se apaixonou pelo barbudo, amante da sétima arte. Fazia todo o sentido e conversaria na sinceridade com o palestraboy, porém a única coisa que precisava fazer era parar aquele absurdo que era Maurílio e Reinaldo. Depois ele resolveria suas pendências amorosas com o, até então, amigo.

Uma mulher o chamou para dançar e ele aceitou de prontidão. Seria mais fácil de chegar perto deles, do que simplesmente aparecer lá do nada. O Palestrinha poderia ficar chateado, ele era sensível. O piloto se mexia de um jeito desajeitado, pisando diversas vezes no pé da moça. Seus olhos focavam somente no casal ao lado cuja face do uber cada vez mais se aproximava da de Maurílio.

O revertério veio do seu estômago. Aquele sentimento ruim se intensificou com os movimentos circulares do sambinha que dançava e ele não conseguiu prever o pior. A pontada cresceu e virou um refluxo, indo direto para os sapatos de sua companheira de dança. A moça, puta da vida, saiu em direção ao banheiro feminino, deixando-o naquela situação constrangedora. A música havia parado e todos agora passavam a olhar o louco que vomitava na pista de dança. Maurílio foi acudir o piloto da Sprinter logo que percebeu o que acontecia. Tentava falar com Julinho, mas não ouvia respostas. Tentava puxar ele para o banheiro, mas sem resultados. O Da Van estava de cabeça baixa, sem nenhum tipo de reação além de vomitar. Reinaldo, no entanto, em uma ação solidária chegou muito perto do motorista de van, ignorando sua própria segurança. Ele levantou a cabeça de Julinho e colocou um copo d’água na boca dele. O que não previu foi que o piloto devolveria todo o líquido em sua roupa engomada.

 

*********

“Porra Julinho, eu não acredito que tu fez a gente ser expulso do bar do Klebinho.” – dizia Maurílio com raiva para o piloto escorado na Kombi. – “E você ainda vomitou em todo mundo, que que aconteceu com você, cara?”

“Enche meu saco não, Maurílio, já tô 10 de novo, foi só um problema aqui, mas já tô novo.”

O Palestrinha continua a palestra, ignorando a fala de Julinho: “Reinaldo agora tá trocando de roupa, tive que emprestar a minha que tava na Kombi. O bom é que sou precavido e sempre deixo uma roupa reserva aqui atrás, desde aquele dia que Renanzinho vomitou o celular de Renan junto com o strogonoff. Maldita experiência que vocês fizeram, ligando pro celular fazendo ele vibrar no estômago do garoto. Nunca saiu o cheiro de carne da minha roupa, pelo menos o celular funcionou.”

“Moreno, tá com dózinha do uberzinho? Vai lá e limpa ele porra, só não me enche a merda do saco. Preciso tá sussa pra voltar com a Sprinter e tu na minha cabeça não tá ajudano.”

“Qual é a tua, Júlio? Qual foi? Ele te ajudou lá dentro e nem precisava. Agora você vem todo putinho sem razão, tinha que agradecer ao Reinaldo por ter te ajudado. E ele não é mais uber, agora ele tá estudando e –.”

“Foda-se dodói, uma vez uber, sempre uber. Tu acha mesmo que a gente aceitaria teu coleguinha só porque ele tá estudano? O cara não sabe andá nessa cidade sem waze, xuxu. Tu acha que os cara do sindicato vão curtir essa tua amizadezinha, aí? E o cara nem quer tua amizade, quer beijá essa tua boquinha.” – Maurílio arregala os olhos, fazendo ele continuar seu desfilamento de ódio. – “Ficô assustado, moreno? É isso memo, o engomadinho quer usá teu corpo e só você não percebeu até agora. Talvez só pra usá e largá, ou pra um romance mela-cueca que tu gosta.” – Julinho tomba a cabeça para trás, fechando os olhos.

O problema é que o Maurílio já sabia, o outro problema é que o palestraboy já tinha se relacionado com o estudante antes. Não tinha dado certo e ambos decidiram que era melhor serem somente amigos. Reinaldo ainda tentava entrar no coração do piloto da Kombi, mas aquela vaga já estava ocupada pelo bigodudo que, naquele momento, dirigia um monólogo raivoso sobre o ex-uber, sem saber que o alvo ouvia tudo, com os olhos cheios de lágrimas, olhando fixamente Maurílio que o respondia sem reação.

O dono da Kombi ignorou Julinho e as merdas que falava, conversando silenciosamente com Reinaldo. Ele deu um passo para frente, mas o engomado apenas acenou em negação ao amigo e deu meia-volta, sumindo da vista de Maurílio.

“- e eu nem sei o que ele pensa. Tu é muita areia pro celtinha dele, dodói. Tu precisa de um piloto experiente pra te levá, falo na humildade. E eu sei quem tem experiência pra isso neném -.” – Julinho levanta a cabeça, preparando as melhores palavras para se declarar para o Maurílio, mas é cortado.

“Vamos embora, Júlio.”

“Quê?” – o dono da Sprinter se perde no raciocínio.

“Isso que você ouviu, vamos embora. Vou te deixar em casa com a Sprinter e amanhã eu busco a Kombi aqui.”

E ambos saíram em silêncio. O coração de Julinho sôfrego por ter sido cortado no momento exato de sua declaração amorosa e o coração de Maurílio doído por ter machucado alguém com que tanto se importava.

 

Flashback OFF

 

Julinho parou a Sprinter na frente de casa. Sua cabeça foi de encontro ao volante e um suspiro saiu de seus lábios. Com Thiaguinho cantando ao fundo, o Da Van só pensava em como Maurílio era realmente seu ponto fraco, que nem o pagodeiro falava. “Será que ele tá procurando felicidade no Reinaldo mesmo? Não deve ser comigo. Depois de ontem, o dodói nem deve querer me ouvir mais. Pô, cara, eu estraguei tudo. O moreno gosta do uberzinho, não de mim. Que merda, Júlio.”

Lágrimas ameaçavam cair dos olhos do pobre rapaz, o pagode triste acaba com a pessoa. Batidas na janela do motorista fizeram ele levantar rapidamente, enxugando os olhos em uma tentativa falha de esconder sua tristeza.

Maurílio esperava o piloto do lado de fora. Impaciente, era o terceiro cigarro que fumava. A fotografia daquele plano-sequência não era das melhores, o final de tarde nublada não ajudava na construção do roteiro. Julinho saiu da Sprinter, dando um sorriso forçado para o Palestrinha.

“Fala xuxu, que que houve.”

“A gente precisa conversar.” – o Palestrinha jogou a bituca do Derby no chão. – “Pode ser lá dentro?”

“Claro, claro moreno. Pode entrar.”

Enquanto Julinho abria o portão da casa para Maurílio, o silêncio desconfortável se instaurou no ambiente. O dono da Kombi branca entrou, limpando as botinas no tapete “bem-vindo” da entrada, meio receoso com o que aconteceria ali. Foi em direção ao sofá, sentando no mesmo.

A porta foi fechada suavemente. O dono da casa ofereceu ao palestraboy uma água e um biscoito que foram recusados por meio de um aceno negativo. Julinho se escorou no móvel da televisão, esperando que o homem sentado a sua frente começasse a palestra. Nada. Ele pensou que devesse começar se desculpando: “Dodói, eu...”

“Você é inacreditável, Julinho”.

“Eu? Moreno, tu levou o uber pro nosso role.” – O piloto da Sprinter entrou na defensiva. – “Tu dançou coladinho com ele. Tu queria que eu fizesse o quê? Aplaudisse o casalzinho até tu pegar a rota pra casa do cara, é?”

Maurílio solta uma risada irônica antes de responder à pergunta retórica: “Não era o que eu tinha que fazer contigo e com a Amanda?”

O Da Van sente aumentar o peso de não ter sido sincero com seus sentimentos pelo Palestrinha antes. Ter adiado o término com a irmã de Maurílio, de não ter ido conversar com ele quando percebeu que gostava de verdade era do amante da sétima arte. Amanda agora já estava em outra, viajando nos lábios de uma operadora de vt conhecida, por que ele também não podia fazer o certo? Mas parecia que o piloto do trajeto Taquara-Castelo preferia pegar a rota mais difícil.

“Dodói, eu sei que fiz mal em estragar teu casinho com o uberzinho ontem, mas eu não tava bem, quando eu vi vocês juntos, xuxu, eu sei lá, não consegui pensar direito, eu bebi demais e fiz merda.”

A cara do Palestrinha fechou enquanto ouvia Julinho falar.

“Agora o seu ciúme é desculpa pelas suas ações? Eu não sou propriedade sua.” – Maurílio respira fundo antes de continuar. – “A gente não tem nada, pelo que sei.”

O motorista da Sprinter se aproxima um pouco do homem que estava sentado com a cabeça abaixada, o qual ainda falava:

“Porque quando era você mandando mensagem para a Amanda, fazendo música pra ela, buzinando na porra da minha porta procurando por ela, tudo certo. Agora, quando eu só vou dançar com um amigo tu tem que dar um piti, fazendo a gente ser expulso por vomitar no estabelecimento todo? Vomitar no Reinaldo e nem pedir desculpas, falar tudo aquilo dele só pra machucar o cara?”

 Julinho ajoelha no tapete, ficando de frente para Maurílio. Ele coloca a mão direita no queixo do palestraboy, o qual não recusa o contato. O bigodudo levanta um pouco sua cabeça. Ambos se olham nos olhos, sensíveis àquela situação.

“Eu sei que fiz merda, e não foi a primeira. Eu não vi as nu- aquela palavra que tu inventou, nuance, alguma porra dessa, quando eu tinha que ver. Mas dodói, não foi por mal... Eu nem sabia que ele tava ouvino a conversa, pô.”

“Júlio, o que você fez foi de uma babaquice...”

Julinho não o deixava perder o contato visual: “Eu sei, eu sei. Não tem desculpa, mas se eu me humilhar aqui, na humildade. Tu tem que me ouvir, na moral, dodói. Eu preciso que tu me ouça e depois escolha tua rota pro futuro e independente eu vou apoiá você, quero tua alegria. Antes de tu batê no meu vidro, tava tocano uma música que falava sobre ser ser louco suficiente pra apostar na gente, mas um pouco inconsciente, não, esqueci, porra a palavra é difícil, mas-“

Maurílio o interrompe com um beijo raivoso. Com aquele encontro, a raiva e o tesão se misturam com um gosto de cigarro da boca dele para a de Julinho. O Palestrinha afunda suas mãos no cabelo do bigodudo, enquanto o puxa para seu colo. As mãos do piloto da Kombi branca já entravam por baixo da camisa do Da Van, passando por sua barriga peluda. O beijo quente foi parado repentinamente, os lábios de Julinho foram em direção ao pescoço do Palestrinha, enquanto ambos tentavam se livrar das roupas de cima. As blusas jogadas para longe faziam uma linda paisagem naquele cenário. A ereção dos dois cresciam e era inevitável o encontro das duas no movimento dos corpos.

Ambos soltaram gemidos sôfregos quando Julinho rebolou um pouco mais forte no colo.

“Você vai me perdoar, moreno?” – Sussurra Julinho perto do ouvido de Maurílio. – “Esse ploti-tuixtchi tu não ia ter com o uberzinho. Esse sentimento de tá fazeno o certo.”

Maurílio tenta raciocinar, mas o piloto da Sprinter o faz se perder quando chupa seu lóbulo da orelha esquerda e brinca no seu pescoço.

“Cala a porra da boca, Júlio.”

Em resposta, Maurílio aperta o membro do piloto por cima da bermuda tactel vermelha e preta, fazendo ele soltar um gemido mais alto do que o esperado. Com um movimento rápido, o Palestrinha empurra-o no sofá, tomando conta da situação. Agora ajoelhado, ele puxa a bermuda que Julinho usava para baixo juntamente da cueca azul surrada, libertando o membro grosso e semiereto do piloto. Sua mão direita começa um movimento lento por toda a extensão do Da Van.

“O seu problema é achar que sabe tudo o que é melhor pra mim.” – Maurílio leva o dedão para a cabeça do pau de Julinho, acariciando-a. – “Você acha que sabe o que eu sinto, você acha que sabe o que eu gosto, de quem eu gosto. Por que você seria o melhor para mim se só me machucou?”

Maurílio aperta mais o membro de Julinho, passando o líquido pré-gozo pelo membro agora completamente ereto. Sua mão esquerda descia em direção aos testículos, tocando-os sem cerimônias.

“Esse clima pode até existir. Eu posso não aguentar de querer te beijar, mas isso nunca te deu liberdade para o que você falou naquela rua. E com ciúmes do quê? Tem medo do Reinaldo já ter estado nessa mesma posição que você tá agora?”

Ele acelera um pouco os movimentos, fazendo Julinho rolar os olhos de prazer.

 “Ele pode ter me beijado, ter me chupado, ter me fodido, não faz diferença. Você não podia ter feito aquilo. Porque eu posso muito bem ir transar com ele agora e te deixar nesse estado só de raiva.” – O Palestrinha fala, olhando nos olhos do piloto.

Naquele momento, a raiva e o tesão perpassavam os olhos de Julinho. Ele não acreditava que Maurílio estava criando uma discussão de relacionamento enquanto o punhetava.

“Pensa só, eu chegando na casa dele. Eu fazendo a mesma coisa que você fez, beijando ele, seu pescoço, tirando a roupa dele, chupando o pau dele pra no fim ele me foder do jeito que ele quiser...”

“NÃO” – Maurílio para seus movimentos ao ver que conseguiu a atenção de Julinho. – “Não faz isso. Eu sei que tu gosta de mim, porque eu gosto de você do mesmo jeito, dodói. Eu não quero tu com ele porque eu te quero. Eu faço tudo o que você quiser, mas fica aqui comigo.”

“Tudo bem.”- disse Maurílio.

“Tudo bem? A gente pode então voltá pra onde parô?”

“Sim, mas com uma condição.” – Maurílio fala, fazendo o bigodudo revirar os olhos, impaciente. – “Você vai pedir desculpas para o Reinaldo.”

“Mas-“

“Mas...”

“Tá, eu peço, xuxu. Agora...”

“Agora deixa que eu termino o serviço aqui.”

Maurílio leva suas mãos novamente para o corpo de Julinho, calando-se, finalmente, ao cair de boca no membro do Da Van. Ele ia fundo com a boca no pau do piloto ao mesmo tempo que a mão auxiliava na extensão que não conseguia chegar. Seus movimentos de sobe e desce eram certeiros e o carioca já não conseguia segurar seus gemidos. O ápice chegou quando o Palestrinha enfiou um dedo em seu ânus, acariciando seu períneo e Julinho desmanchou em sua boca, soltando um último gemido rouco.

O Da Van se recuperava do orgasmo recente, respirando fundo. Maurílio tinha um sorriso imenso em sua face, contrastando com o clima fúnebre de um tempo atrás. Ele limpava o canto da boca, olhando diretamente para o motorista da Sprinter, e subiu em seu colo, tascando um beijaço na boca.

Julinho recuperado, e pronto para outra, levanta o amante da sétima arte em seu colo, indo em direção ao seu quarto.

Eles teriam muita coisa para conversar e se arranjar. Mas para aquele fim de sexta-feira, o que eles queriam era curtir o corpo um do outro, curtindo o ponto fraco de cada um.  


Notas Finais


That's all folkss

Se tiverem algum elogio, alguma crítica, alguma reclamação ou qualquer coisa não esqueçam de comentar!

Playlist da vanfic: https://open.spotify.com/user/12146697539/playlist/1FR8AdZLmBya4bBD9YPuK7?si=8-De-JAcR-GSQFLj7otZ4A


Até o próximo capítulo,

Beijoss


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