História As Gêmeas Diferentes - Capítulo 14


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Casal, Gatos, Original, Romance
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Palavras 1.308
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 14 - Thirteen


~

Nunca, em toda a sua história, o seu pé ficou tão famoso em poucas horas. Também nunca esteve tão animado para chegar logo na fisioterapia, mas não sabia quem estava mais emocionado; se era ele ou a mãe.

Pela primeira vez em três anos, lhe deram uma possibilidade de Nathan voltar a andar. O mostraram seus exames de raio X e o explicaram de que apesar do choque com o carro no poste tivesse sido forte pela alta velocidade, seus ossos não sofreram uma fratura grande o suficiente para o deixar aleijado para o resto da vida e de que uma das causas de ele não ter andado ainda fosse pelo trauma causado pelo acidente. Por dentro, estava tão inteiro quanto por fora; seus ossos continuavam no mesmo lugar, nenhum totalmente perdido.

Nesse momento Anne começaria a chorar ao seu lado e ele ficaria sem reação, mas foi diferente. Nathan que começou a chorar enquanto observava o seu raio X, escondendo o rosto com as mãos por não ter conseguido evitar ou esconder pelo menos até que chegasse em casa. Deveria a sua vida à Holly pelo dinheiro doado, ou era possível de que ficaria dependendo do atendimento horrível do hospital e não fariam questão de o ver melhorar ou seriam atenciosos como aqueles médicos estavam sendo.

Depois de chorar todo o caminho no carro e chegar em casa, Nathan ergueu a cabeça e gritou que voltaria a andar, tentando acreditar que era uma certeza e não somente um desejo. Seu rosto estava molhado e os olhos e nariz vermelhos, mas era por uma boa causa. Fazia questão de chorar quantas lágrimas fosse necessário, se isso significasse se preparar para a alegria que o aguardava mais para frente.

Ele jogava alegria por todo lado o dia inteiro. Ficou na janela de seu quarto e passou a cumprimentar os desconhecidos que passavam, e os mesmos olhavam para ele se perguntando se Nathan estava brincando ou se tinha enlouquecido.

Queria poder avisar Holly, mas ela estava com os avós e não tinha levado o celular, e Anne o pediu que não ligasse nem fosse até lá porque queria que eles primeiro se acostumassem com ela para depois pensar se poderia receber ligações ou visitas durante o seu tempo de companhia. A tortura do dia seria ter que esperar até que ela chegasse, só seria difícil de suportar por causa da saudade que batia na porta de seu coração.

Suas costas pareciam menos pesadas. Sua consciência não o culpava tanto como antes. Seu coração batia calmo. Nathan fechou os olhos e sorriu, sentindo o vento soprando por seu rosto. Talvez estivesse se adiantando muito, comemorando antes da hora e arrebentaria o rosto na parede, porém sua esperança naquele instante estava gigantesca assim como a gratidão.

— Vocês vão funcionar outra vez — disse ele para as pernas enferrujadas. — Não importa isso de trauma, vocês vão sim funcionar.

Ele ficou na sala assistindo televisão o resto do dia e rindo, ainda que o programa que passava não tinha nada de engraçado. Era muito estranho ver um Nathan alegre e sorridente e não deprimido e nervoso, a mãe achava que estaria perdendo o seu idoso reclamão. Holly chegou cerca de seis horas, quando o céu estava escurecendo. O sorriso dele aumentou ao vê-la.

— Nossa, está vindo uma luz forte lá de fora, acho que é essa sua felicidade — brincou ela depois de ter lhe dado um abraço e se sentado no sofá perto dele.

Nathan explicou para ela tudo o que tinha acontecido pela manhã, sem esconder nada. De imediato ela também comemorou com ele sobre o ocorrido e por tantas notícias boas, e quase começou a chorar também.

— Viu? Eu te disse que isso aconteceria, você não queria acreditar — retrucou Holly após ele ter parado de falar.

— Perdão, acho que meu pessimismo é maior do que eu — pediu Nathan dando de ombros. — Tudo só se realizou por sua causa, eu nunca poderia voltar a andar se você não tivesse feito o que fez por mim.

— Não fale assim, sou tão humana e normal como você, não me veja como um tipo diferente de pessoa.

— Que pena, te via como um anjo.

Ela riu.

— Não sou digna de me comparar com algo assim.

— Mesmo assim, muito obrigado, Holly.

Nathan a abraçou e foram juntos para a cozinha, a ouvindo contar como os avós dele eram gentis e como tinha gostado de ficar com eles e mal esperava para poder voltar. Anne ficou impressionada com a paciência dela, pedindo que se pudesse, ficasse pelo resto da vida com os dois. Foi uma brincadeira, mas Holly disse que ficaria.

Os dois ficaram conversando até que a noite chegasse. O irmão de repente passou pela porta e, inacreditavelmente, estava sem a namorada. Holly olhou para ele meio preocupada, afinal eles saíam todos os dias e toda semana, não paravam de se ver nem que fosse pelo celular.

— Não estou me dando bem com a sua irmã, mas não precisa ficar preocupada — assegurou Vicent quando ela o perguntou se havia acontecido alguma coisa, com uma cara meio triste.

A mãe deu ideia de comprarem uma pizza e Vicent se voluntariou para poder pagar, discando os números animados no telefone. Era o sabor favorito de Nathan junto com o refrigerante que mais gostava, como um presente pelo primeiro acontecimento positivo em sua vida.

Nathan, ainda incrédulo da notícia, os contou novamente sobre a consulta pela manhã. Explicou também que em poucos dias o seu tratamento acabaria, se caso conseguisse andar sozinho; se o fizesse se livraria de todas as preocupações e frustrações, uma vez que estavam no mês de novembro e o tratamento acabava pouco antes do Natal.

— O médico disse que devo interagir mais com as pessoas — disse ele depois de dar uma mordida no seu pedaço.

— Viu? Eu disse que uma namorada resolveria o seu problema — retrucou o irmão apressado com as mãos cheias de manteiga.

Ele olhou para Holly procurando algum sinal de que tinha ficado triste com a brincadeira boba do irmão, mas na verdade ela estava apenas sorrindo. Por um segundo teve a impressão de que ela tinha tido vontade de concordar com Vicent.

Aquele noite foi uma das melhores, do tipo que se tem prazer de guardar no depósito de sua mente; ele, Holly, os pais, o irmão e os seus gatos. Somente tudo o que gostava, reunidos em volta da mesa comendo e rindo, transparecendo alegria sem fim.

Fora dormir mais tarde que o normal por ter ficado conversando com Holly pelo celular, no escuro de seu quarto sentia que ela estava ali junto com ele.

— Ainda não estou acreditando. Parece impossível demais, igual você e a sua irmã.

Provavelmente derrotamos a ciência depois de nascermos e ser cada uma diferente assim.

— Eu também acho, mas você é mais bonita do que ela.

Sério? Sempre me criticaram, fosse o cabelo, fosse as roupas, fosse o meu rosto, fosse eu mesma por inteiro.

— Eu acho. Não ouça as pessoas.

Para mim, a sua opinião já vale por todas elas.

— Você está me fazendo me apaixonar muito fácil, vou morrer depois de tanto amor.

Ela riu por alguns segundos.

Não se morre de amor de verdade.

— Morre, sim. Você está me fazendo morrer assim.

Então saiba que é recíproco, vamos ser enterrados juntos.

Perto de três da madrugada Nathan notou em como ela estava sonolenta e não conseguia sequer respondê-lo no instante em que dizia algo. Estava com pena de desligar e ela acabar acordando, e achar que ele tinha perdido a paciência e desistido de conversar.

— Holly.

Nenhuma resposta.

— Vou começar a te comprar energético.

Ele pôde ouvir uma risada bem baixinha.

— Juro que logo te levo para dar um passeio de carro. Esse vai ser o nosso primeiro encontro.

Ela pareceu se calar outra vez

— Embora eu tenha dito que você está me fazendo morrer, retiro isso. Você está, na verdade, me fazendo viver.



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