História As Gêmeas Diferentes - Capítulo 16


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Casal, Gatos, Original, Romance
Visualizações 9
Palavras 3.522
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 16 - Fifteen (part. 2)


~

A casa das gêmeas Peterson era um castelo de princesa. Não necessariamente do mesmo jeito, mas muito parecido com os das histórias que toda garota já ouviu conforme crescia.

Tinha três andares gigantes, luzes em volta do jardim que cercava o chão de cerâmica branca, pintava de branco com algumas partes cinzas e azuis, com janelas de vidros imensos e portas de madeira de estilo antigo. Além disso havia uma piscina que dava para ser vista logo ao entrar pelo portão, que por sinal era o que fazia se parecer com um castelo por conta dos desenhos que iam até o topo, e que infelizmente estava vazia (a família fazia aquilo nos tempos mais frios pois como ficava muito perto da casa, a água da piscina deixava o lugar mais frio, apesar de ter aquecedor lá dentro).

Nathan se sentiu entrando em um bosque encantado, daqueles que os livros costumam descrever como um lugar fascinante. Não fazia ideia de que Holly vinha de uma família com condições altas daquele jeito, visando a forma que ela se vestia e as coisas que comprava, mas concluiu, assim como quando o maldito carro apareceu em sua casa, de que nunca seria capaz de pagar por algo desse nível ainda que trabalhasse pelo resto da vida. Também se questionou como é que a garota sempre queria fugir daquele lugar, se ele morasse ali não desejaria nem sair na rua, entretanto considerou que sua mansão não era capaz de lhe preencher o vazio de carinho em seu coração.

Após toda a confusão com a moto e Molly brigando com Vicent, ele conseguiu ir para dentro e ficou junto com Holly na sala. Ela estava com o cabelo metade preso deixando os cachos definidos soltos, um simples "macaquinho" preto de estampa de gatos de alcinha que deixava seus ombros à mostra, tênis preto e um sorriso lindo. Parecia muito simples se comparada com a irmã, que vestia a melhor roupa, sapato com salto, muita maquiagem e um quilo de perfume, mas incrivelmente estava mais bonita do que se estivesse toda produzida como Molly.

— Por que não me disse que morava na mansão do Michel Jackson? — brincou Nathan a vendo sentada na mesa de vidro, bebendo água gelada que já tinha oferecido para ele.

— Porque não moro, essa é só a minha casa — respondeu ela risonha, sendo educada. Odiava pensar que poderia ser grossa sem perceber.

— "Só"? Parece mais é que entrei em um jogo de gangster, e que a sua casa é a que tenho que assaltar — retrucou ele com as sobrancelhas erguidas.

Holly não disse nada dessa vez, mas riu um pouco de como descrevia algo que tinha se acostumado a considerar normal.

— Por que nunca me disse que era rica? — insistiu Nathan.

— Porque não sou. Tudo isso é dos meus pais, não tem nada realmente meu — explicou ela com a voz suave.

— Ah, que modesta!

— Mas é sério. Na verdade, não acho que nada disso vale de alguma coisa. Todo esse dinheiro é inútil.

— Que crise existencial...

— Perdão, nem percebi que estava fazendo crises com algo assim! — pediu ela rindo, com as mãos nas bochechas. — Minha mãe costuma me dizer que tenho o dom de criar uma crise existencial com tudo, por mais que, de certa forma, não seja nada.

— Sua mãe parece meio durona.

— Durona não, mas bastante realista.

Ele deu um sorriso para ela ao ver que o assunto a deixou meio incomodada, pedindo por perdão silenciosamente.

Conforme os colegas de Molly começavam a chegar, Nathan passou a se perguntar que tipo de faculdade a garota tinha conseguido terminar. Tinham garotos com a calça quase no joelho, garotas com o cabelo de todas as cores, garotos equilibrando no braço quase cinco garrafas de bebida alcoólica e mais garotas estranhas pulando em cima do sofá visivelmente já bêbadas. Só faltava alguém aparecer acariciando uma metralhadora por cima do ombro, ele não duvidava nada que ainda podia acontecer isso no resto daquela madrugada. Mas viu que apesar de os anos terem passado, Nathan não tinha mesmo mudado; nem que todas aquelas pessoas gostassem das mesmas coisas que ele, que fossem como ele de personalidade, preferiria estar trancado em casa do que ter de conversar com elas. O velho rabugento e reclamão agora predominava em seu interior.

Por outro lado, Vicent se dividia em dois para poder dar atenção à namorada, aos convidados e ao irmão. Era engraçado ver como ele saía correndo de um cômodo para o outro, perguntando se estava tudo bem com todos e logo tinha de sair apressado sem ter tempo nem de respirar. Estava tão preocupado com os outros, que sequer tinha reparado ainda que a sua roupa estava toda caída e o cabelo bagunçado. "J-O-V-E-M", diria Vicent de forma lenta se caso Nathan lhe contasse sobre sua situação.

Houve um momento em que algum convidado colocou o carro para dentro do jardim da casa, quase caindo dentro da piscina vazia. O coração de Nathan falhou só com a possibilidade de isso acontecer, observando pela janela. Depois de conseguir deixar o carro parado, o dono colocou uma música e fez questão de deixar no último volume.

— Você quer ir lá para cima? — perguntou Holly para ele, mostrando estar incomodada com o som alto.

— O quê? Não consigo ouvir nada — retrucou Nathan se aproximando mais dela.

— Pro meu quarto, você quer subir para lá? — repetiu ela perto de seu ouvido e o olhou apreensiva, mas ele somente afirmou com a cabeça.

Por algum motivo, havia uma rampa lisa ao lado das escadas que fez todo o trabalho valer mais a pena e uma boa lembrança de ele e Holly tendo de se segurar no corrimão para não caírem para trás enquanto riam fazendo força. Não foi muito engraçado para os dois naquele instante, mas depois ficariam rindo sozinhos por causa disso.

Por fora o quarto de Holly parecia gigantesco, porém do lado de dentro Nathan pôde entender o por quê. Não pensava que ela continuava dividindo o quarto com a irmã, como ele mesmo fazia quando tinha doze à quinze anos junto com Vicent até o pai decidir mudar de casa, e lhe ocorreu que deveria ser algo doloroso e esquisito. Possivelmente Holly não podia fazer o que desejava — como por exemplo, chorar — pela falta de privacidade, além de que era como colocar um treinador contra um leão no mesmo lugar. As conversas abusivas e os momentos torturantes deveriam ser incontáveis, imaginou ele.

O cômodo era dividido. De um lado ficava o espaço de Molly; a parede pintava de um tom rosa meio escuro, a cama de uma princesa, a mesinha cheia de maquiagens e o guarda-roupa repleto de espelhos. Do lado de Holly, porém, a parede tinha alguns desenhos e pinturas com um tom pastel, sua cama estava quebrada na cabeceira sendo enfeitada com um gatinho de pelúcia que ficava no meio dela, na sua mesinha estava o peixe e vários livros empilhados, mas ela não tinha um guarda-roupa e por isso tinha de empilhar suas peças, acessórios e sapatos em uma almofada no chão ao lado de sua cama. Também tinha um tapete no centro do quarto com uma estampa de urso, algo que pensou ser de muito tempo.

Uma mansão dessas e você tem de dividir o quarto logo com a estúpida da sua irmã?, pensou Nathan em dizer, mas achou que seria muito rude e indelicado e deixou passar.

Holly se sentou na cama e ajeitou a cadeira de Nathan perto o suficiente para os seus pés se encostarem. Como nunca havia levado ninguém além da tristeza para o seu quarto, não sabia muito bem o quê fazer e continuava o olhando na esperança que ao menos ele soubesse.

— Sua irmã sempre faz festas assim? — perguntou Nathan quebrando o silêncio.

— Às vezes, já teve uma vez que a polícia teve de vir para que ela desligasse o som — respondeu ela, com o barulho lá de baixo sendo abafado pela porta fechada.

— Espero que a polícia chegue logo — brincou ele sorrindo de lado.

Aproveitando a conversa, Holly puxou um pouco a cadeira dele para mais perto da mesinha e apresentou o seu peixe. Ela explicou distraída quando o tinha comprado, enquanto colocou o dedo dentro da água como sempre fazia e de repente o peixinho colocou a boca em seu dedo e depois se afastou assustado. Holly ficou muito feliz e olhou por entre o vidro, não acreditando que ele tinha feito aquilo.

— Esse é o peixe que você diz que odeia você? Porque realmente não é o que parece — disse Nathan atrás dela, a observando de costas congelada no aquário.

— É porque você está aqui, ele parece gostar mais da voz de outra pessoa — disse ela se ajeitando no colchão. — Mas tomara que ele continue a gostar de mim desse jeito, vai ser menos solitário.

Ele notou como ela dizia aquilo, meio que repassando os acontecimentos e o dia em que chegou toda machucada em sua casa. Se perguntasse sabia que jamais diria, então tinha de arranjar uma forma de fazê-la contar sem que a pressionasse.

Holly disse que estava com um pouco de frio e ele prontamente ofereceu o seu próprio moletom, mas ela o agradeceu sorrindo e se virou para o chão, pegando de lá uma blusa de frio de cor vinho com um capuz. Virou a cadeira e pediu que Nathan fechasse os olhos e não olhasse para trás por nada, e enquanto continuava pedindo que não se virasse vestiu uma calça meio larga e preferiu continuar de meias.

Ao estar de frente com ela novamente, Nathan achou que estava mais bonita do que com a outra roupa. Gostava da garota assim, desajeitada, desarrumada, desleixada. Vestida com um pijama completo, parecia mais arrumada do que com suas combinações como se fosse para uma festa. Seu coração bateu um pouco mais forte, o fazendo suspirar e deixando óbvio vários corações que rodavam em volta de sua cabeça e o que a fez rir um pouco.

Dando uma olhada para frente, havia algo que Nathan não havia notado em cima da mesinha. Ele se aproximou devagar e pegou a moldura meio antiga desgastada, que dentro guardava a foto de duas garotas pequenas. As duas estavam com um vestido verde escuro com um lacinho vermelho perto da cintura, com sapatinhos pretos, os cabelos de diferentes tipos modelados em um rabo de cavalo baixo e de mãos dadas sorrindo. Dava pena de olhar e depois voltar para o presente, que mostrava uma realidade contrária da fotografia.

— Você era mais bonita desde mais nova — disse Nathan, tendo Holly ao seu lado também admirando a foto em silêncio.

— Os penteados ficavam mais bonitos na minha irmã, todo mundo dizia que no meu parecia um ninho de passarinho — contou Holly sorrindo a cada palavra.

— Você se lembra de quando tiraram essa foto?

— Acho que tínhamos uns oito anos, ou nove. Não sei direito. Minha mãe costumava nos arrumar atoa, só pra fotografar e guardar de lembrança.

— Vocês parecem tão felizes... — admitiu ele, suspirando. — De vez em quando, me pergunto o quê pode ter acontecido para tudo entre vocês desmoronar.

Então Holly suspirou em seguida. Ali no quarto, somente os dois, sabia que nada poderia os incomodar. Tinha certeza de que não dormiria sem ganhar um beijo dele. E sua consciência repetia para contar, afinal sabia tudo sobre Nathan e ela era um enorme mistério para ele.

— Quando minha mãe nos teve, Molly nasceu primeiro. Meu pai quis levar ela embora, enquanto eu passei um tempo no hospital longe de todos... — começou ela devagar e se mantendo calma, sob o olhar compreensivo de Nathan. — Todos tinham se acostumado com Molly branca, ruiva e de cabelo liso. Como ninguém tinha me visto ainda, foi uma surpresa quando cheguei e era assim, morena e com o cabelo cacheado. Não entendiam o por quê de eu ser tão diferente... — Ela suspirando, tomando coragem para continuar. — Minha família ficou muito indignada por sermos tão diferentes, já que o médico deu certeza que éramos gêmeas. Foi então que surgiu um boato de que minha mãe tinha traído o meu pai, a única explicação mais aceitável por sermos assim. Isso aumentou e em pouco tempo, meus pais começaram a brigar muito um com o outro. Meu pai acusava a minha mãe, dizendo coisas horríveis de se ouvir, às vezes batia no rosto dele enquanto discutiam. Dizia que eu era fruto de traição. — Piscou rapidamente, para engolir as lágrimas. — Depois de diversas acusações e brigas, minha mãe decidiu que iria se separar e ela, eu e Molly nos mudaríamos para o Japão pra casa dos avós dela. Nos mudamos sem avisar ninguém, saímos quando o meu pai ainda estava dormindo. Estava tudo bem nos primeiros meses que passamos lá, essas fotos felizes são antes do desastre começar, mas... — A sua voz ficou um pouco embargada. — Mas Molly sempre foi mais apegada com o meu pai, e começou a pedir para voltarmos para cá. Nessa época ela também reviveu toda a situação, e passou a me culpar por causa da separação e por termos de ir morar tão longe. Como minha mãe obviamente sentia um pouco de remorso por minha causa, já que acabei acabando com a família ao ser levada para casa, eu só tinha como contar com Molly. Achei que ela ficaria comigo, me apoiaria e me ajudaria, porém apenas virou as costas para mim até hoje... — Agora a voz de Holly estava fanha, arranhada de quando fica difícil de suportar o choro. — Ficamos morando no Japão até completarmos mais ou menos treze anos, porque meu pai descobriu aonde estávamos e foi atrás da minha mãe tentando fazer as pazes. Voltamos a morar aqui, mas de certa forma só foram os dois e Molly, pois me deixavam de fora de assistir algum filme, ou de preparar algo juntos e também de comer alguma coisa especial. Fui para a escola e não tive sorte, repeti por falta. Fui para a psicóloga e foi pior ainda, quando percebi já estava quase me enforcando. A minha família ainda me olha de um jeito estranho, como se eu não tivesse o mesmo sangue que eles ou se não fosse merecedora de ser. — Ela ergueu o rosto, o encontrando com a expressão espantada. — É por isso que acho que não gostam de mim...

Nathan permaneceu congelado por quase um minuto. Achava que a história dela era algo simples por algum acontecimento bobo, mas não sabia como reagir após ter ouvido todo o seu percusso até ter voltado para aquela cidade.

Holly sofria preconceito de sua própria família.

Embora repetisse essas palavras repetidamente dentro de sua cabeça, não conseguia acreditar que uma injustiça como aquela era real.

— Se Molly não gosta de você, por que ela te carrega para todos os lugares? — perguntou ele ao reencontrar a voz.

— Minha mãe. Queria fazer as coisas voltarem a ser como antes, por isso disse que teríamos de andar e sair sempre juntas — respondeu ela fungando o nariz. — É por isso que dividimos esse quarto e somos grudadas, mas não costuma dar muito certo.

— Sua família está totalmente errada. Você não deve dar ouvidos à nenhum deles.

— Às vezes penso que eles tem razão, que me amam por obrigação...

— Não se acostume com algo que te machuca assim! Você não tem culpa de nada, nunca teve.

— É...

— E o seu ex-namorado? — insistiu Nathan.

— Por que é tão importante saber sobre ele?

— Tenho de conhecer o meu inimigo, se caso ele resolva voltar — brincou Nathan a fazendo rir apesar das lágrimas.

— Não acho que volte — garantiu ela, secando o rosto. — Conheci ele um pouco depois de voltar para cá, estava em uma viajem, mas quis se matricular na escola. O namoro era difícil porque ele morava longe, não podia vir me ver mais do que três vezes a cada ano. — Holly olhou para um ponto distante, como se estivesse se relembrando do garoto. — Acho que ele se cansou de mim, e aí terminou. Quatro anos jogados no lixo.

Nathan suspirou agoniado, pois sabia como era aquela sensação. A frustração fora uma das piores experiências que teve de passar, capaz de fazê-lo produzir um filme na cabeça e se perguntar em qual momento tinha errado, o que poderia ter feito para salvar o antigo relacionamento ou por quê desmoronou se tinha aparentemente tudo para dar certo. Era como ter uma tempestade indomável dentro da própria cabeça, instalando os raios dentro de seu coração sem pena alguma.

— Sinto muito, Holly, por tudo... — disse ele sincero, pegando suas duas mãos e as colocando no peito.

— Você não precisa ter pena de mim... — murmurou ela, apertando os dedos nos dele.

Ele soltou um riso pelo nariz, percebendo como a garota não conseguia parar de querer carregar toda a culpa do mundo sobre os ombros. Nathan se aproximou um pouco mais.

— Acho quê o que sinto por você passa longe de pena.

Devagar ficou perto o suficiente para sentir a sua respiração perto do rosto. Segurou na nuca dela e a puxou para mais perto, a beijando sem antes pensar se era o certo a se fazer ou se ela não se incomodaria. Não poderia perguntar de toda forma, pois não sabia controlar a vontade de a esconder de todo sofrimento e de querer demonstrar como tinha se tornado tão importante. Seus dedos ficaram trêmulos conforme acariciava o cabelo dela e os lábios gélidos, mas não se perdoaria se parasse e perdesse uma chance como aquela. Tentou aproximar a cadeira com a própria força e ela, percebendo que não conseguiria, tirou uma mão enlaçada na dele e a puxou para mais perto.

O barulho abafado do andar de baixo pareceu desaparecer quando colocaram os lábios, esquecendo do que poderia acontecer. O coração dos dois batiam rápido na mesma intensidade, incapazes de explicar como aquele momento seria inesquecível. Estar perto de alguém nunca lhes pareceu tão reconfortante, tão apaixonante.

De repente ela o soltou e abraçou o seu pescoço com força, ainda de olhos fechados. Continuava chorando.

— Seria muito inconveniente se eu te dissesse que estou apaixonado por você? — perguntou Nathan com a voz baixa, a segurando firme em seus braços.

— Você já me disse isso...

— Não, eu disse que gostava de você e agora estou dizendo que estou apaixonado por você. Tem uma diferença muito, muito grande. Demonstra que quero que continue viva, porque é o único ser humano que desejo ter ao meu lado.

Holly riu de como ele era capaz de dizer coisas engraçadas, até quando não percebia.

— Não, não seria nada inconveniente... Muito na verdade, acho que devo dizer o mesmo.

Ele a afastou um pouco para poder olhar em seus olhos, demonstrando todo o carinho que sentia que não era capaz de descrever.

— Queria ter te encontrado antes de todas essas coisas ruins terem te acontecido. De alguma forma, eu teria te salvado desse sofrimento.

— Você já me salva, Nathan. Estar com você me ajuda, alivia tudo que se passou.

— Tenho medo de que você acabe enjoando de mim...

— Não se fica enjoado de quem está apaixonado.

— Tem certeza?

— Sim. Acredita em mim.

— Eu acredito.

Agora é que Nathan não queria mesmo voltar para casa. Mesmo sendo quase três da madrugada, ele aceitou a ideia de Holly e se jogou na cama deitado ao lado dela. Ficou a observando quase sem piscar, admirando ainda mais o rosto da garota.

— Não me olhe assim.

— Você fez isso comigo, lembra?

— Mas você feliz dá um pouco de medo.

— Dá mais não aproveitar cada oportunidade para te mostrar como gosto de você.

— Acho que estou morta de amor, depois dessa.

— Somos a versão mais atualizada de Romeu e Julieta.

Quando eram três e vinte, Nathan já tinha adormecido debaixo do cobertor junto com Holly. Mesmo assim Vicent foi atrás dele, sentindo as broncas da mãe o chicoteando na cabeça, e acabou encontrando os dois de um jeito tão fofo que não dava para acordá-los sem sentir culpa.

— Vicent, vamos dormir — disse Molly com o cabelo todo bagunçado e os sapatos nas mãos.

— Tenho que levar meu irmão embora, mas ele dormiu junto com a Holly — disse ele apreensivo, abrindo mais a porta para que ela os visse na cama.

— Vamos logo dormir — repetiu ela com a voz sonolenta.

— Não, o seu quarto também fica aqui.

— Existem outros quartos nessa casa, além desse — explicou Molly, e Vicent entendia por qual motivo a pressa dela para que ficassem sozinhos logo.

— Mas o meu irmão e Holly vão acordar, minha mãe vai me matar, vou ser jogado na rua...

— Pare de enrolar e vamos de uma vez, Vicent! — interrompeu ela o pulando pela mão, seguindo apressada pelo longo corredor.

Por causa dos sons pesados doa passos, Nathan acabou levantando a cabeça de repente. Deu uma olhada pelo quarto imaginando que estava assim por nunca dormir em outro lugar, além de sua casa.

— Tudo bem com você? — perguntou Holly ao notar que ele tinha se sentado na cama.

Ele se virou para ela e sorriu, se abaixando para lhe dar um beijo na bochecha.

— Nunca estive tão bem.



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