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História As Inconformidades do Amor - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Se surpreendam, hoje eu não tenho muito o que colocar aqui.
Tentei fazer uma drabble, mas os dedos não deixaram...

Não me julguem!

@arstairs MAB, obrigada pela capa mais linda que o mundo já viu!

Capítulo 1 - Único, (tal como o sentimento que eu nutri)


Quanta tolice foi a minha, 

Ingênua em acreditar,

Que em tão traiçoeiro sentimento 

Eu poderia confiar.

Acreditar que puro um sentimento poderia ser

E qual não o meu espanto 

Quando senti meu coração entristecer.

Após tão insuperável dor,

Cheia de mágoa e dissabor,

Da forma mais agreste,

Então eu entendi,

Que esse tão “doce” amor,

É tão frio como azul celeste.

 

Jieun leu e releu o seu poema, deslizando os olhos escuros pelas linhas marcadas pelo carvão, numa caligrafia de invejável beleza. Pousou o lápis, não se importando quando aquele mesmo objeto rolou, ameaçando cair da mesa, e levou as unhas aos lábios, massacrando as mesmas com os dentes, transparecendo todo o seu nervosismo, no momento. Lee Jieun nunca fora o tipo de pessoa que se envergonhasse com a apresentação do seu trabalho na aula de Redação. Ela sabia que tinha uma grafia exemplar, uma gramática, correção linguística e diversidade vocabular invejáveis, e acima de tudo, tinha os textos mais belos de toda a sua classe. Escrevendo ou falando, Jieun encantava a uns, enraivecia a outros, mas nunca deixava ninguém indiferente. Jieun era boa com as palavras, sempre fora. Contudo, naquela tarde primaveril, escrever uma poesia que coincidisse com as cerejeiras em flor e os passarinhos esvoaçando pelas janelas se mostrava um dos maiores desafios da sua vida. 

Não era propriamente fácil, para Jieun, falar acerca do “Amor”, muito menos fazer um poema sobre tal temática. Um poema tinha que ser algo belo, que transmitisse emoção, e tocasse no fundo do coração de quem lesse ou escutasse. Como poderia Jieun escrever um poema sobre algo ao qual ela se sentia completamente indiferente? A resposta é simples, não podia. Portanto, a solução era apenas uma: transmitir aquilo que o amor significava, verdadeiramente, para si. E de certo é, que o amor era tudo menos algo sobre o qual ela gostasse de falar.

A história de como Lee Jieun começara a desacreditar no amor, poderia se tornar um verdadeiro romance épico, digno de ser mencionado pelos grandes nomes da Literatura que ainda estavam por vir; digno de ser marcado nos manuais de História, como um acontecimento alucinante; digno de ser falado de geração após geração, de tão magnífico. A história de como uma menina encantada na pureza do afeto se tornou uma mulher que repudiava a paixão, era como que um conto de fadas sem um final feliz - estava mais para uma das muitas histórias dos tão aclamados Irmãos Grimm. Uma história que conta, nada mais, nada menos, que a realidade: sem embelezamentos, sem filtros. Sem metáforas, sem hipérboles, sem eufemismos… sem quaisquer tipos de elementos textuais que fossem usados com pretexto de amansar o conto. Este conto não devia ser amansado, ou acabaria por ser, também ele repudiado, pelo coração ferido e maltratado, da jovem donzela de uniforme bem passado.

Jieun foi como todas as meninas, moças pequenas de sua idade. Ingênua, pura e sem maldade. Jieun sempre vira o mundo no tom rosado, talvez um pouco avermelhado, a cor que tinha o tão falado e glorificado Amor. Jieun gostava de ler, se aventurar num mundo que não era o seu, numa vida que não era a sua, numa realidade longínqua da sua - Jieun nunca vivia a sua própria vida, preferia a vida das princesas dos contos de fadas, nos seus belos vestidos de seda, tendo os animais e a natureza como confidentes, e amando príncipes corteses. Pensando bem, mais parecia um belíssima poesia trovadoresca, cantada em amores e dissabores - tais indícios duvidosos, já na tenra idade, nublosos.

Jieun sempre foi menina de acreditar, que um dia, tão belo dia, também ela poderia um amor desses vir a despertar. E assim foi, na ingenuidade amou. Amou, Amou, Amou. Amou de longe, amou de perto, amou sorrindo, amou chorando. Amou! Demasiado tempo durou esse amor, corrosivo e destruitivo, com falsas expectativas, fracos indícios, confusões em seus sentimentos, um amor não correspondido. A princesa Jieun descobriu então, que de belo, esse sentimento nada tinha não. Sentada num banco num dia chuvoso, suas lágrimas se fundiram num clima choroso. Sozinha, perdida, abandonada, machucada - Jieun não tinha como escapar. Aquela era a realidade, por ela a conseguiu alcançar.

E agora se perguntam vocês: como termina a história de Jieun? A resposta é simples. Não termina, simplesmente se mantém na espera, porque é assim mesmo que o sentimento funciona. Alegra nossos dias, nos entristece, nos destrói, nos mantém indiferentes, nos reconstrói e, novamente, o ciclo começa.

Por esse mesmo motivo, Jieun roeu suas unhas. Pela décima oitava vez, olhou o seu poema, um trabalho para a aula de Redação, se perguntando “Porque raios” tais palavras sairam de sua mão. Jieun não sabia explicar, como sua mente acabou por divagar - um poema que deveria transparecer sua indiferença, acabou por revelar a incerteza. Sem muito por onde lutar, e sabendo que não teria mais tempo para repensar, Jieun suspirou, com as unhas roídas até mais não poder. O lábios inferior foi maltratado, enquanto com delicadeza, Jieun assinou sua obra de arte.

E foi assim que um poema mal intencionado se transformou no grande premiado, e ainda hoje, juntamente com outros belos trabalhos, o poema de Lee Jieun continuava exposto para quem quisesse ler. A história de uma menina perturbada, que na verdade continuava acreditando que podia ser amada. Por que amar é assim mesmo: acreditar, desacreditar; rir e chorar. E não melhor título poderia, a não aquele que a mesma decidira.

 

As Inconformidades do Amor

 


Notas Finais


não digo nada, e digo mais
não tenho nada a dizer

obrigada por terem lido, e espero que tenham gostado desse momento de inspiração kkkkkkk


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