História As Leis de Nós Dois - Capítulo 3


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Taehyung (V)
Tags À Lary, Betada Pela @kaggie, Kooktae, Kookv, Menção!namjin, Nerdzinha, No Lemon Squad, Pra Scar Meu Nenê, Pseudo-comédia, Romance, Side!yoonseok, Taegguk, Taeguk, Taekook, Vkook
Visualizações 335
Palavras 3.549
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Quem é que voltou depois de QUASE dois meses e sem vergonha na cara alguma? Euzinha. :3
*foge das pedradas*

Gente, sinto muitíssimo mesmo pela demora. Não era esse o esperado para essa fanfic, mas eu migrei minhas estórias para outras plataformas, desanimei um pouco da vida — aquela crise existêncial basicona que todo mundo passa em determinados momentos de sua tragetória nesse mundo —, e isso tirou muito da minha inspiração. Entretanto, ela está voltando aos pouquinhos e o importante é que ela não resolveu ir embora permanentemente. Então, gritemos uma aleluia! :)

Enfim, sem mais delongas, espero que gostem desse capítulo.
Boa leitura! ♥

Capítulo 3 - III - Lei de Lavoisier.




Lei de Lavoisier
“Na natureza nada se cria, nada se forma, tudo se transforma”
 

Taehyung mantinha um bico nos lábios e os braços cruzados, fuzilando o nada à sua frente e qualquer um que ousasse passar pela porta da biblioteca aquela manhã. Alguns lhe franziam o cenho, outros apenas o ignoravam e Hoseok não parava de mandar mensagens, fazendo com que seu celular vibrasse diversas vezes em cima da mesa de madeira escura e envernizada do lugar, irritando-o profundamente.

Pegou o aparelho apenas para silenciá-lo, revirando os olhos ao ver que as mensagens do amigo babaca resumiam-se em “Taehyung” escrito várias vezes, junto de “me conte o que porras aconteceu ontem na festa, pelo amor de Einstein ou seja lá em quem você acredita”, também diversas vezes.

O fato era que ainda não havia contato para ninguém que os lábios rosados e incrivelmente hidratados de Jeon Jeongguk haviam tocado os seus, e que, agora, todos os seus sentimentos estavam de ponta cabeça em uma montanha-russa com passeio exclusivo ao inferno.

Ele gostava de ser sincero consigo mesmo, e admitir que não entendia nada sobre relacionamentos amorosos não lhe afetava tanto assim. O que lhe afetava, de fato, era não entender o que caralhos acontecia com seu próprio corpo quando estava perto de Jeongguk — e, principalmente, o porquê de querer continuar beijando-o mesmo depois de se afastarem àquela noite. Um carro com espaço o suficiente para cinco pessoas nunca o pareceu tão pequeno, e só de lembrar-se do sorriso de incisivos centrais superiores à mostra logo após o ato deveras molhado, suas bochechas queimavam.

Balançou a cabeça, afastando aqueles pensamentos. Ele nunca havia beijado ninguém daquela maneira, e só em pensar que o moreno havia praticamente roubado o seu primeiro beijo, uma raiva imensurável subia por suas veias. Ele não estava se guardando para um alguém especial — quer dizer, às vezes gostava de acreditar que sim —, mas também não queria que fosse com uma pessoa, tecnicamente, desconhecida para si. Bufou, cruzando os braços, arrumando a armação de seu óculos.

O sol das dez da manhã batia contra os vitrôs da biblioteca, que desviavam os raios de luz para pontos específicos do lugar. Os livros de Direito eram iluminados e os de Medicina também, que ficavam logo ao lado. Era uma cena bonita para se admirar — apesar de abominar tais cursos —, por isso acabou tirando uma foto, gostando muito do resultado. Enviaria para Namjoon, com certeza o estudante de Direito tomaria posse da imagem para postar em seu Instagram com a ideia de enganar os familiares e dizer que estava estudando, e não no quarto de algum estranho depois de uma noite de bebedeira.

Ouviu a porta de vidro ser aberta e logo um Jeon Jeongguk com a cara levemente amassada, provavelmente por ter acabado de acordar, podia ser visto. Os cabelos estavam parcialmente desgrenhados, e os fios marrons escuros com um imperceptível tom de vermelho — que Taehyung havia percebido só aquele momento, pois o sol acariciava o rosto e corpo alheio com muita devoção — lhe caiam em frente ao rosto. Teve vontade de pegar o celular e tirar uma foto enquanto Jeongguk caminhava em sua direção, em uma câmera lenta imaginária, que existia apenas em seus pensamentos, mas não o fez. Ainda não haviam trocado olhares, mas todas as vezes que ele tirava a franja da frente dos olhos com os dedos das mãos — sem muito êxito, pois os fios voltavam a cair no mesmo lugar —, algo fazia seu coração pulsar mais forte.

Piscou algumas vezes e fechou a boca, não lembrando-se de quando havia afastado os lábios. As bochechas queimaram mais um vez.

Droga.

— Bom dia — disse ele, com a voz um pouco grave assim que se sentou, apoiando a mochila no chão.

— Bom dia — respondeu Taehyung.

Um nervosismo estranho subiu por seu pescoço, fixando como um novelo de lã em sua garganta quando encarou-o. Internamente, não sabia o que esperar do moreno à frente. Talvez um pedido de desculpas? Seria aceitável, Taehyung até o perdoaria, julgando que talvez beijá-lo não fosse sua verdadeira vontade e que o grande culpado de tudo foi todo o álcool que o mais alto havia consumido na festa. Não tinha ideia de como colocar aquele assunto em jogo, visto que parecia que Jeongguk não estava muito interessado em conversar sobre o que havia acontecido entre os dois noite passada. Não queria ser o cara chato que quer relembrar coisas que não deveriam ser relembradas, mas gostaria de uma resposta — e, também, que tudo aquilo que sentia para com o outro tivesse um fim.

Limpou a garganta, tentando engolir o tal novelo de lã. Aquilo chamou a atenção de Jeongguk que abriu o caderno, mirando Taehyung.

— Algum problema? — perguntou sério. Ele não estava em um de seus melhores humores e era perceptível e entendível, afinal, quem estaria bem depois de uma noite baseada em bebidas estranhas com teor alcoólico altíssimo?  

— Você foi à festa ontem? — Engoliu em seco. Seu tom era de alguém que não queria nada com aquilo, apenas puxar um assunto para quebrar o silêncio incômodo, mas por dentro ele estava quase tendo um ataque cardíaco.

— Fui — ele sorriu ao mirá-lo. Sentiu as pernas tremerem e o coração se acelerar em ansiedade. Mas por que diabos estava tão ansioso pela resposta do outro? — Mas, sinceramente, eu só me lembro de ter ido. Não sei como cargas d’água voltei ‘pra casa. Não lembro de nada depois que tomei algumas doses de uma bebida muito estranha que Jackson levou — voltou sua atenção ao caderno — Você apareceu por lá?

E foi naquele momento que Taehyung entendeu a expressão “levar um balde de água fria”. Jeongguk não se lembrava dele e, pelo visto, muito menos do beijo entre os dois.

— Não — riu nervosamente ao mentir, não entendendo o porquê de tê-lo feito.

— Ah, é uma pena, a festa estava boa até. Não perdeu muita coisa, mas acredito que teria se divertido. — E depois disso, o silêncio consumiu os dois.

Taehyung não sabia ao certo como começar um diálogo, e Jeongguk apenas folheava os livros de física que haviam escolhido como auxílio para aquele projeto, sem lhe dar muito mais de sua atenção. Vez ou outra o moreno levantava e seguia até a mesinha de café posta mais à frente do balcão da recepção para furtar alguns dos docinhos dali, e, antes de levantar-se, sempre perguntava se Taehyung gostaria de alguma coisa. Durante as duas horas que passaram apenas folheando livros, lendo artigos e mais artigos de física e comendo doces de morango — sério, Jeongguk não parava de comê-los e duvidava que o outro havia pegado todos da bandeja de prata —, nenhuma palavra foi trocada.

Nem mesmo para conversar sobre o projeto, que era o intuito daquela reunião desde o princípio.

Taehyung já começava a perder a paciência. Seu coração que não parava de esmurrar sua caixa toráxica e suas mãos que suavam mesmo que não estivesse tão calor, estavam lhe dando nos nervos. Não sabia quantas vezes havia desviado o olhar de seu livro apenas para mirar as mãos tão bonitas que folheavam com maestria as páginas sem amassá-las. Por Einstein, por que ele era assim? Escrevia ou digitava corretamente, sem nenhum erro gramatical; não deixava orelha nos livros ao virar as páginas e nem os abria completamente para não estragar a lombada. Às vezes dizia por obséquio ao invés de um simples por favor, e depois envergonhava-se por ter sido tão formal no meio de uma simples dúvida ao professor — ainda mais com seus amigos que não paravam de zoa-lo depois.

Ainda que uma dor nada comum lhe sufocasse os pulmões desde que Jeongguk dissera que não lembrava-se de nada da noite anterior, não conseguia parar de pensar no beijo que haviam trocado. Mesmo que o gosto de álcool ainda lhe lembrasse o quanto odiava todas aquelas bebidas, ter os lábios de Jeongguk contra os seus foi bom.

Ótimo.

Maravilhoso.

Quem ele queria enganar?

— Isso não vai dar certo — Jeongguk cortou seus pensamentos, fazendo com que sua atenção voltasse a ele. Por um momento, achou que o outro finalmente diria alguma coisa a respeito daquele silêncio todo. — Eu estou com fome, não consigo pensar em nada com fome.

Taehyung murchou em seu assento, suspirando fundo, retirando os prováveis elogios que se formavam em suas cordas vocais.

— É, eu percebi mesmo que está com fome. — Ergueu uma das sobrancelhas, soando sarcástico. Não foi a sua intenção, entretanto, mas fora quase impossível não apontar para os farelos dos doces espalhados pela mesa.

— São biscoitinhos de morango, não consegui resistir. — defendeu-se.

— Quantos anos você tem? Onze?

— Você comeu também! — Franziu o cenho.

— É, eu comi dois, como uma pessoa normal, não como um morto de fome. Os doces estão ali para serem “beliscados”, não para servirem de almoço!

Jeongguk mantinha uma das sobrancelhas levantadas depois daquele pequeno diálogo e talvez Taehyung houvesse entendido o quanto tudo foi muito estranho. Eles soaram como velhos amigos íntimos que se provocam na primeira oportunidade, e apesar de se conheceram há praticamente quatro anos, nada além de acenos de cabeça e alguns “bom dia” foram trocados. O loiro engoliu em seco, arrumando a armação de seu óculos. Droga, mais uma vez o clima estava estranho entre eles.

O mais alto acabou por rir, negando de leve com a cabeça. Taehyung sorriu, afastando-se apenas para encostar-se à cadeira. Mesmo que Jeongguk tivesse achado tudo muito estranho, ele sorriu, sinal de que estava tudo bem. Agora você pode se acalmar e respirar novamente, Taehyung, não ferrou com tudo, pensou o loiro.

— Então — ele começou — Quer ir almoçar? Já passa da uma da tarde.

— Acho que podemos ir, sim — Taehyung disse, assistindo-o guardar todos os livros — Mas antes, não é melhor conversarmos um pouquinho sobre o projeto? Nós não temos nada pronto e essas duas horas não foram muito produtivas.

Jeongguk suspirou, mordendo os lábios. Obviamente, toda a atenção do loiro ficou voltada ao ato deveras fofo, pois os olhos negros estavam bastante abertos e Taehyung sorriu ao deduzir que ele fazia essa carinha quando estava pensando.

— Podemos fazer um gerador.

— Um gerador? — perguntou interessado.

— Um gerador de Van de Graaff¹. Simples, interessante, e podemos doar para alguma escola depois, o que ajudará muito no processo de aprendizagem dos alunos.

— Não acha simples demais para um trabalho universitário? — Taehyung ergueu uma de suas sobrancelhas.

— Bem, nós não estamos falando de uma feira de ciências e sim de um trabalho da universidade. Não acho necessário uma máquina do tempo enquanto outros, provavelmente, farão bolas de plasma². Consegue me compreender?

— Eu acho que sim… — Na verdade, Taehyung sentia-se um pouco contrariado. Ainda que um gerador fosse um trabalho interessante, principalmente porque o doariam depois, ele queria fazer algo grande. Pela primeira vez, acreditou nas primeiras palavras que Jeongguk lhe disse, que ambas as inteligências combinadas fariam o melhor trabalho da sala, mas começa a duvidar disso.

— Nem eu e nem você precisamos de nota para passar de ano, Taehyung, não precisamos de nada muito elaborado.

— Mas isso não significa que eu quero entregar um trabalho ruim! — Suspirou. — Por que não um eletroscópio³?

— É tão simples quanto um gerador!

— Em que mundo? — perguntou, já alterado.

Ambos bufaram, desviando os olhares. Taehyung já mantinha um bico incômodo nos lábios e Jeongguk permaneceu em silêncio. Mas que droga, já era a segunda vez que tecnicamente discutiam. Se continuassem assim, Taehyung logo desistiria daquele trabalho, com toda certeza.

Alguns minutos se passaram, poucos pelo que o loiro percebeu, mas durante todo aquele silêncio, perguntou-se se não estava sendo ignorante demais sempre colocando suas vontades acima das dos outros. Fazia isso na maioria dos trabalhos, mas não por mal. E, realmente, qual o problema de fazerem um gerador? Não daria muito trabalho, terminariam logo e poderia ficar o quanto antes longe de Jeon Jeongguk e seus sentimentos estranhos.

— Tudo bem, nós podemos fazer um gerador.

— Tudo bem, nós podemos fazer um eletroscópio.

Disseram em unissom. As bochechas do loiro coraram logo após; então Jeongguk também pensava se não deveria desistir de sua ideia para fazer a do outro? Fofo.

— Okay, então faremos um eletroscópio.

— Okay, então faremos um gerador.

Droga.

Mais uma vez?

— O que nós vamos fazer, afinal? — O mais alto ria da situação.

— Que tal: uni, duni, tê? Assim é mais justo. — sugeriu, e ambos acabaram caindo na risada.

Ele já havia observado o sorriso de Jeongguk de longe pelos cantos da faculdade, mas era incrível como conseguia ser incrivelmente belo e mais encantador de perto. Sua risada era mais fina do que imaginava. Droga, ele era muito fofo! Tudo o que Taehyung queria era apertar aquelas bochechas como fazia com as de Jimin; o desejo de morder e beliscar também só se aflorava em seu peito.

Naquele momento, percebeu que provavelmente estava doente, pois seu coração acelerou-se de tal forma que achou que morreria. A franja de fios negros caiu em frente aos olhos brilhantes e incrivelmente redondos. Teve vontade arrumá-la, mas conteve-se. Sua mão chegou a formigar de vontade tocá-lo de alguma maneira e todos aqueles sentimentos eram estranhos para Taehyung.

O que Jeon Jeongguk havia feito consigo, afinal?


— s —
 

No fim, o “uni, duni, tê” escolheu o gerador como projeto dos dois. Taehyung sentiu-se traído por seus próprios dedos quando estes escolheram apontar para a folha com linhas azul claras do caderno de Jeongguk, pois ambos fecharam os olhos e cantaram a música enquanto passavam o dedo de uma folha a outra para que a decisão fosse justa. O moreno comemorou, Taehyung apenas riu, mas estava feliz e não sabia dizer exatamente o porquê.

Na hora de escolherem o que iriam almoçar, uma nova discussão fora começada, pois Taehyung queria frutos do mar, mas Jeongguk queria carne. No fim, escolheram comida italiana e, enquanto deliciava-se com uma carbonara, o loiro ria de algumas histórias que o outro lhe contava.

Não sabia ao certo quando o assunto “infância” havia entrado em jogo — logo depois do assunto “como assim você nunca ouviu White Lies?” e nem sabia o que diabos era isso, porém o moreno afirmou que era a melhor banda do século —, mas ele e Jeongguk pareciam velhos amigos e aquilo o assustava mais do que um filme de terror.

Ele, depois de ter tomado algumas aspirinas para dor de cabeça que comprou perto do restaurante, teve seu humor melhorado cem por cento, e, agora, definitivamente, não calava mais a boca. Se fosse qualquer outra pessoa, até mesmo algum de seus amigos mais próximos, Taehyung estaria extremamente incomodado, pois sempre fora fã do silêncio enquanto fazia qualquer refeição, coisa que provavelmente não se encaixava ao moreno que não parava nunca de divagar sobre coisas completamente banais.

Entretanto, Jeongguk esforçava-se tanto para não deixar o papo morrer que o loiro encontrava-se impressionado. Isso era bom, certo? Significava que o outro queria continuar conversando consigo.

Era estranho o tipo de intimidade que havia começado entre ele e Jeongguk aquele dia, e, agora, até considerava a ideia de mantê-lo por perto, como amigo — não tão íntimo quanto Hoseok, Jimin e Yoongi, mas, ainda assim, um amigo. Seria estranho ignorá-lo depois, de qualquer forma; e, bem lá no fundo, sabia que não conseguiria — e até mesmo não queria.

O moreno fez questão de dar-lhe uma carona até em casa depois do almoço. Entrar dentro daquele carro mais uma vez deixou-o nervoso, ainda que Jeongguk falasse agora sobre as bandas de rock que gostava de ouvir e o loiro precisava conhecer antes de morrer. Taehyung concordava vez ou outra com que o mais novo dizia, mas estava mais preocupado em não começar a coçar as mãos de nervoso do que qualquer outra coisa.

Quando o carro parou em frente ao dormitório da faculdade, ele se despediu e agradeceu, descendo rápido do veículo. Droga, lembrou-se do beijo mais uma vez e agora seu coração estava acelerado e suas bochechas coradas.

Jeongguk o mirava com o cenho franzido pelo vidro do carro, acompanhando o de blusa moletom muito maior que seu próprio corpo subir as escadas.

Será que havia dito alguma coisa errada?

Suspirou, dando de ombros, mas com um sorriso mínimo nos lábios enquanto ligava o carro mais uma vez. Tudo bem, aquela pseudo tarde havia sido extremamente agradável, ainda que seu humor estivesse horrível nas primeiras horas do dia. Taehyung era um cara sério e, assim que seu nome fora sorteado com o do loiro, achou que teria que se esforçar mais do que o normal para fazer com que aquele trabalho fosse para frente.

Entretanto, depois de alguns papos mais descontraídos, ria todas as vezes que Taehyung ria também e os assuntos fluíam naturalmente. Droga, ele tinha um sorriso lindo. Teve que se controlar muito para não explodir ali e estragar o momento porque simplesmente soltou um elogio do nada.

Sabia que pessoas gostavam de ser elogiadas, e ele não tinha papas na língua para sair por aí elogiando a tudo e a todos, mas sentia que se falasse algo de errado ou fora do tempo certo — e nem sabia qual tempo era esse —, afastaria Taehyung de si.

E ele não queria isso.  

Assim que chegou em seu prédio, pegou o elevador do térreo e subiu até seu andar. Destrancou a porta e deixou tudo o que carregava consigo logo alí. Ouviu uma pequena conversa em sua cozinha e, em momentos como aquele, amaldiçoava o bêbado e choroso Kibum e sua ideia de que amigos verdadeiros têm chaves reservas dos apartamentos de todos por segurança. E o que fizeram? Sim, chaves reservas para todos. Eba.

Ele só queria um pouco de sossego, mas ali estava Yugyeom e Jackson, comendo um pacote de seus salgadinhos preferidos e tomando duas cervejas.

— Vocês são muito folgados, sabiam? — Parou no batente da porta com os braços cruzados, chamando a atenção dos dois que pararam de conversar e lhe miraram.

— Ei, eu comprei cerveja antes de vir. Sou inocente. — Jackson levantou as mãos se rendendo.

— Eu peguei seu salgadinho mesmo, não ‘tô nem aí. Sou seu melhor amigo, posso até dormir na sua cama se duvidar. — Yugyeom voltou a mirar Jackson.

— Nem ouse. Eu te jogo por aquela janela sem pensar duas vezes. — Jeongguk caminhou até a sua geladeira, tirando uma garrafa de água dali. — Sem querer ofender nem nada, mas o que fazem aqui? — Caminhou de volta até o balcão.

— Nós temos uma pergunta para você — disse Yugyeom.

— Por um acaso entrou no nosso grupo de amigos hoje? — Jackson perguntou, bebendo um gole de sua cerveja.

— Não — adminitu com o cenho franzido, estranhando todo aquele mistério.

— Acho melhor você dar uma olhada…

Jeongguk franziu ainda mais o cenho, não gostando nada, nada daqueles semblantes nas faces de seus amigos. Pegou o aparelho celular de seu bolso meio receoso, conectando ao wi-fi. Havia mais de trezentas mensagens no grupo e achou até normal, visto que seus amigos não calavam a boca. Entretanto, ao ver o seu nome sendo citado diversas vezes ao lado dos dizeres “garoto misterioso”, um incômodo na boca de seu estômago começava a formar-se.

Havia uma foto no começo de toda a conversa, com baixa qualidade. Claramente era o seu carro e, obviamente, era ele mesmo ali dentro, só que sentado no banco do passageiro. Entretanto, ele beijava alguém.

— O que é isso? — perguntou.

— A universidade inteira já sabe do tal garoto misterioso — dizia Yugyeom — Muitos comentaram que o viram durante a festa e ainda acrescentaram que ele é um Deus de bonito.

— Mas ninguém sabe o nome dele — Jackson se pronunciou — Estão achando que ele é famoso, algum modelo começando a carreira ou trainee.

A cada fala, Jeongguk franzia mais o cenho. Okay, ele estava beijando o garoto de madeixas loiras e brincos incríveis, mas suas mãos tamparam o rosto alheio e impedia-o de enxergar quem era.

— Você sabe de alguma coisa? Afinal, estavam trocando saliva ali. — perguntou Yugyeom.

— Não, eu não sei. — admitiu.

— Ah, qual é, você disse que não se lembrava de como voltou para casa, mas claramente foi esse guri que te trouxe. — O de cabelos vermelho sorria malicioso. — Por um acaso transou com um modelo famoso ontem e não quer compartilhar com os seus melhores amigos, Jeongguk?

— Sacanagem… — Wang riu, bebendo mais um gole da cerveja.

— Eu não transei com ninguém ontem. Acordei no meu sofá, ainda vestido — salientou —, e com uma dor nas costas horrível.

— Então parece que você perdeu a oportunidade, garanhão. — riu Yugyeom e Jackson o seguiu.

Jeongguk ainda estava atordoado com todos os acontecimentos. Ele não se importava com os boatos que correriam pela faculdade aquela semana a seu respeito, afinal, fofocas existiam em qualquer lugar.

Mas apenas uma coisa lhe incomodava:

Quem diabos ele havia beijado?

 

 


Notas Finais


- "Os doces estão ali para serem beliscados...": então, fiquei em dúvida se colocava ou não uma explicação para essa expressão, "beliscados", porque eu não sei se mais gente a usa por aí como eu uso aqui na minha cidade. Mas, aqui eu quis dizer que os docinhos são quitutes, então estão ali para serem provados de forma maneirada, e não como o Jeongguk estava fazendo para suprir a sua fome de um bom almoço qoefhegrehguhg'
- Gerador Van de Graaff¹: http://macao.communications.museum/por/exhibition/secondfloor/MoreInfo/2_3_7_VanGraafGenerator.html
- Bolas de plasma²: https://www.youtube.com/watch?v=aRuWIEPs7XE
- Eletroscópio³: https://www.colegioweb.com.br/eletricidade/eletroscopio.html


AAAAAAAA EU AMO ESSA FIC. :3

Espero que tenham gostado, comentem aqui o que acharam sim? :c
Meu cc também está aberto para reclamações ou perguntinhas aleatórias (menos para xingamentos, não se esqueçam que eu sou um bebê): https://curiouscat.me/Solieok.

Até o próximo!!! <3


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