História As long as you love me - Capítulo 3


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Categorias Naruto
Personagens Hanabi Hyuuga, Hinata Hyuuga, Hyuuga Hiashi, Kakashi Hatake, Kushina Uzumaki, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Neji Hyuuga, Sakura Haruno, Sasori, Sasuke Uchiha
Tags Fnh, Fns, Hentai Naruhina4ever, Naruhina, Naruto, Romance, Universo Alternativo
Visualizações 714
Palavras 7.957
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ecchi, Famí­lia, Festa, Hentai, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa noite pessoas lindas!
Primeiramente queria me desculpar pelo atraso com a att. Eu prometi voltar na quarta feira passada, mas eu acabei passando mal (dei um mal jeito na coluna) e não consegui ficar muito tempo sentada que já doía tudo, creio eu que seja por postura já que eu passo muito tempo na frente do computador sentada e também algum possível exercício físico que tenha feito errado, mas graças a Deus já estou bem melhor.
Enfim, eis o terceiro capítulo cheio de tensão sexual e uma leve pitada de drama. A fic agora está entrando em seu ápice, e só vão faltar mais três capítulos para o final AAAAAAAAAAAAA
Espero que gostem, beijo e boa leitura :*

Capítulo 3 - Capítulo III


 

Eu não me importo com quem você é

De onde você veio

O que você fez

Desde que você me ame

 

Hinata abriu os olhos em um susto e rapidamente direcionou um olhar analítico por toda a extensão do quarto em que estava. Suspirou aliviada pela primeira vez quando tateou o próprio corpo e sentiu suas roupas; e pela segunda vez, quando encontrou Naruto dormindo no sofá.

Mordeu o lábio inferior quando o sonho que tivera começava a tomar sua mente outra vez, mas aquilo acabava sendo inevitável quando perfume de Naruto se fazia presente em cada canto daquele quarto.

– Você precisa deixar de ser pervertida, Hinata. – Ela dizia para si mesma. – Você contratou ele para fingir ser seu namorado, outros tipos de serviços não estão inclusos no contrato, mesmo que ele tenha se disponibilizado para isso. Então vamos esquecer esse sonho e essa curiosidade de saber como ele é na cama. – Suspirou aliviada para que pudesse acreditar em suas próprias palavras, mas quando a voz rouca de Naruto ecoou pelo quarto, sentiu cada parte do seu corpo estremecer, de diversas formas possíveis.

– Com quem está conversando, sua maluca? – Naruto disse com a voz ainda sonolenta. – Você me acordou ou está falando sozinha?

– Eu estou pensando alto, então finge que ainda está dormindo porque é só assim que eu tenho um pouco de paz. – Hinata rolou os olhos e deu as costas para Naruto, que resmungou algumas outras palavras que ela não conseguira entender e em seguida voltou a dormir.

Suspirou aliviada quando finalmente conseguira ouvir o som da pesada respiração de Naruto. Levantou-se, recolheu alguns dos itens necessários e uma peça de roupa e foi em direção ao banheiro.

Deixou que a água quente do chuveiro caísse sobre seu corpo por mais de vinte minutos, tudo isso porque sentia que se o lavasse, as sensações quase reais que tivera em seu sonho se dispersariam e ela conseguiria esquecer aquilo tudo.

Mas Hinata não obteve êxito.

Quanto mais a água caía, mais Hinata despertava e mais claras e reais as imagens se tornavam. Enquanto deslizava com a esponja por seu corpo, a imagem das mãos de Naruto a tocando na mesma região imediatamente inundavam seus pensamentos, e involuntariamente, aquilo a levava para um estado de transe que parecia impossível de sair. Enquanto algumas gotas de água escorriam por seu corpo, a sensação dos lábios úmidos do homem explorando cada uma daquelas partes podia ser sentida, ao ponto de que Hinata não conseguia mais não pensar e não desejar aquilo.

Sentia cada parte de seu corpo vibrar de desejo enquanto acariciava a si mesma imaginando cada momento do sonho picante que tivera com o loiro, e só voltou à realidade quando fortes batidas na porta ecoaram pelo banheiro.

– Você tá demorando demais, eu também quero tomar banho. – A voz de Naruto ecoou fraca pelo banheiro devido às barreiras físicas que separavam os espaços, mas foi o suficiente para que Hinata voltasse à realidade. Sentiu seu corpo estremecer com o som da voz de Naruto, como se ele soubesse o que se passava em sua mente, e consequentemente, sentiu um forte calor tomar seu rosto. Precisava parar de pensar naquilo de imediato, porém, o fato de não fazer a menor ideia de como faria aquilo a atormentava bastante.

Finalizou o banho de imediato, secou o corpo e rapidamente vestiu uma regata branca e uma calça de moletom. Enrolou a toalha nos fios negros e apanhou o secador para que pudesse terminar sua preparação matinal fora do banheiro.

– Já não era sem tempo. – Naruto resmungou quando a porta foi aberta. – Eu tô aqui faz quase trinta minutos, já estava começando a pensar que tinha desmaiado ai dentro.

– Não precisa exagerar, eu só precisava de um banho demorado mesmo. – Hinata deu de ombros. – Agora vai fazer o que precisa fazer e não me enche.

– Nossa, tão fofa como uma porta. – Ele fez uma careta. – Como eu pensei, esse seu rostinho de boneca é só uma mascara para o ogro que habita em você.

– Bo-bonequinha? – Hinata instantaneamente foi tomada por um forte rubor, assim como uma dificuldade em pronunciar algumas palavras. Até mesmo sua respiração havia se tornado ofegante.

– Sim, foi o que eu disse... – Naruto franziu o cenho enquanto a analisava. – E pelo visto você não está muito acostumada com elogios, ficou toda vermelha e gaga. – Ele riu debochado enquanto caminhava em sua direção.

– Não se aproxime! – Em um surto momentâneo, Hinata empurrou Naruto na tentativa de afastá-lo, e esse que não esperava por seu movimento, acabou se desequilibrando e caindo no chão. Ao vislumbrar a situação em que se encontrava, tudo que Hinata conseguiu fazer foi correr para fora do quarto, deixando um Naruto bastante confuso sentado no chão.

– Acho que ela ainda está meio bêbada. – Ele suspirou e riu, em seguida se levantou. – E eu só estava indo para o banheiro, mas como ela estava parada na porta deve ter pensado que eu iria atacar. – Ele riu um pouco mais da situação. – Será que ela pensa que eu sou algum tipo de tarado por causa do meu trabalho? Se for esse o caso, melhor eu me explicar para não criar uma situação que possa prejudicar nosso contrato.

**

Quando finalmente conseguiu dar conta do que havia acontecido em seu quarto, Hinata sentiu um forte desejo de estapear a si mesma. Desejava de coração esquecer o que havia acontecido em seu sonho, mas de todas as formas que poderia se comportar diante de Naruto, a menos indicada era a forma que se comportou minutos antes. Sentia que se não trabalhasse sua mente para não se lembrar das imagens gravadas ali, toda vez que estivesse diante do loiro, ou enlouqueceria, ou acabaria se revelando para todos. E mesmo que desejasse esconder aquilo de seu pai, não foi possível conter a necessidade fumar.

Retornou ao quarto e agradeceu imensamente por Naruto ainda estar no banho. Apanhou rapidamente sua carteira e procurou por um local mais isolado em sua casa, onde as chances de ser encontrada seriam mínimas. Posicionou o cigarro em seus lábios, acendeu, e após a primeira tragada, sentiu uma paz gigantesca tomar seu corpo.

– Como essa merda pode fazer tão bem e ao mesmo tempo tão mal? – Ela expeliu toda a fumaça que havia acabado de tragar.

A cada cigarro que fumava, sentia seu corpo se relaxar mais e mais, assim como as imagens do sonho que tivera começavam a sumir de sua mente. A cada tragada, coisas como vida social e amigos começavam a aparecer, tomando assim todo o espaço de seus pensamentos. E após o quarto cigarro concluiu que era necessário parar. Apagou o que restou do último e juntou seus restos aos que havia fumado anteriormente para que pudesse descartar devidamente, e fez uma careta ao sentir o cheiro que exalava, mas logo concluiu que um novo banho ajudaria com isso.

No meio do percurso, encontrou seu pai que parecia chegar das compras, o mesmo ficou um tanto surpreso em encontrar a filha de pé.

– Bom dia querida! – Ele disse de maneira animada. – Acordou bem cedo para quem passou a noite praticamente toda acordada. Acabei de voltar do mercado, mas farei um café rápido se estiver com fome.

– Não precisa se preocupar papai, eu vou tomar um banho primeiro, pode cuidar das suas coisas tranquilamente. – Hinata sorriu envergonhada e caminhou apressadamente para dentro do quarto. Não seria nada agradável se seu pai sentisse seu cheiro. Aquilo provavelmente criaria uma grande confusão e boas horas de um sermão sobre cuidados com a saúde.

Com medo de ser descoberta, Hinata adentrou o quarto tão apressadamente, que sequer havia lembrado que Naruto ainda estava ali, mais precisamente no banho, porém, não esperava de forma alguma presenciar aquela cena que a fizera congelar em segundos.

– Puta merda Hinata! Que merda você tá fazendo aqui? – Naruto que se encontrava completamente nu, rapidamente buscou algo que pudesse usar para cobrir seu corpo. – Por que não bateu na porta? Eu esqueci minha roupa, e como você saiu daqui feito doida eu não achei que fosse aparecer agora. – Ao notar como Hinata permanecia estática e cada vez mais pálida, Naruto sentiu-se bastante desconcertado com a situação, buscando uma forma de justificar o que havia acabado de acontecer.

Hinata tinha a respiração fraca e os batimentos cardíacos cada vez mais acelerados. A visão que acabara de ter era ainda melhor de se apreciar do que a que tivera em seus sonhos, mas ela não sabia exatamente se gostava do que via, ou se entrava em estado de choque completo. Logo notou que seu corpo havia escolhido a segunda opção quando sentiu suas pernas tremerem, ao ponto de não suportarem mais o peso de seu corpo.

– Puta merda, não desmaia Hinata, não faz isso... – O som desesperado da voz de Naruto ficava cada vez mais baixo, assim com a figura que ainda segurava um travesseiro na tentativa de cobrir sua intimidade parecia cada vez mais embaçada diante de seus olhos. Tentou dizer alguma coisa, mas sem sucesso, apenas deixou que seus olhos se fechassem e que o som que ainda ecoava em seus ouvidos ficasse mudo.

Quando finalmente abriu os olhos, estava deitada em sua cama. Levantou lentamente utilizando a pouca força que tinha, e a primeira visão clara que tivera era de Naruto sentado no sofá ao lado da cama observando-a de forma impaciente. Hinata sentiu um arrepio em sua espinha quando seus olhares se cruzaram. Ele, rapidamente caminhou em direção à cama sentando-se ao seu lado. A proximidade causou um leve desconforto na mulher, mas devido à falta de energia, não fora capaz de se afastar, tendo que lidar com sua taquicardia e com aquele maldito perfume que insistia em lhe hipnotizar.

– Hinata... – Naruto perguntou apreensivo. – Você está bem? Está sentindo alguma coisa estranha?

– Só estou um pouco fraca, acho que preciso comer algo. – Ela levou uma das mãos até o cabelo, removendo alguns fios que caíam sobre seu rosto.

– Tenho uma notícia um pouco ruim para te dar. – Naruto suspirou pesadamente. – Como você desmaiou, não tive outra opção a não ser pedir ajuda para o seu pai, e ele sentiu o cheiro e viu sua carteira de cigarros. Ele ficou bem irritado com isso, mas eu contornei a situação, dizendo que na Holanda essas coisas são bastante comuns, e viver lá sem fumar e quase impossível. Ele não ficou muito feliz, mas parece que entendeu tudo. Acho que você fumou demais e isso acabou te fazendo um pouco mal. Melhor dar um tempo por hoje...

– É melhor eu parar de fumar logo... – Hinata suspirou e jogou seu corpo contra a cama. – Que merda, eu só faço besteira mesmo.

– Não adianta querer se crucificar por isso, todo mundo faz uma merda vez ou outra nessa vida.

– Mas a minha vida inteira tem se baseado em fazer merda, Naruto. – Hinata transmitia toda sua frustração com as palavras. – Eu sempre quis ser a melhor, dar orgulho para o meu pai, por isso tomei a iniciativa de me mudar para a Holanda e viver sozinha lá, mas desde então a vida que tenho vivido para ele tem sido uma mentira.

– Não é tão ruim assim. – Naruto riu de maneira fraca. – Quando pensar que vive uma mentira para sua família, lembre-se que existem pessoas como eu no mundo.

– Você tem família? – Hinata franziu o cenho em sinal de dúvida enquanto analisava Naruto, que ria debochadamente de sua pergunta.

– Tá pensando o quê? Que eu nasci em uma alface? – Ele gargalhou enquanto dizia. – Claro que eu tenho uma família, Hinata.

– Então onde eles estão?

– Na verdade eu tinha uma família... – A expressão de Naruto se tornou bastante triste. – Meus pais morreram em um acidente de carro quando eu ainda era muito novo, como não tinha mais ninguém, fui viver em um orfanato. Infelizmente crianças muito velhas não são adotadas, então...

– Meu Deus Naruto! – Hinata parecia perplexa com o que acabara de ouvir. Sentiu uma necessidade imensa de abraça-lo e consolá-lo. – Eu sinto muito, eu nunca imaginei... – Mas logo sua expressão mudou quando o viu gargalhar.

– Você é mesmo muito boba... – Ele dizia aos risos. – É brincadeira Hinata, meus pais estão vivíssimos.

– Você vai tomar bem no meio do seu cú! – Ela esbravejou enquanto atirava um travesseiro em Naruto, e esse não conseguia parar de rir. – Você é um grande idiota, vê se isso é coisa de se brincar? B.A.B.A.C.A!

– Desculpe... – Ele secou uma lágrima enquanto controlava o riso. – Eu só vi uma brecha pra fazer a piada e não aguentei...

– Eu te odeio! – Ela resmungou. – Mas continue falando. Por que você trabalha com isso? Sua família sabe do que você faz? – Hinata parecia confusa e ao mesmo tempo curiosa, e ao ver a reação tão espontânea e natural da mulher, pela primeira vez em sua vida, Naruto se sentiu em liberdade para falar um pouco de si mesmo com outra pessoa.

– Rebeldia, dinheiro, confusão sobre identidade, curiosidades sobre a minha sexualidade... Acho que existem várias respostas para isso. E não, minha família não sabe o que eu faço. Meus pais acreditam que eu trabalho em um escritório renomado de advocacia em Amsterdã.

– Então você é mesmo advogado? – Hinata perguntou perplexa. – Eu achando que era mais uma das suas mentiras...

– Eu sou advogado sim, apesar de nunca ter trabalhado na área. E inclusive foi um amigo meu que me apresentou para esse trabalho. Acho que ele viu que eu estava naquela sala de aula sem o menor propósito de vida e decidiu me apresentar para algo novo.

– Para a prostituição? Que belo amigo você tem. – Hinata fez uma careta e Naruto não conteve o riso devido à reação da mulher e da ironia em suas palavras.

– Cada um ajuda da forma que pode, não é? E no fim, não foi de tudo ruim, sabe. Eu me acostumei com um estilo de vida que dificilmente alguém conseguiria ter trabalhando por conta própria. E eu sendo um mimadinho idiota concluí que precisava viver minha vida longe da sombra dos meus pais, então eu fui viver em Amsterdã sozinho para estudar, e foi ai que concluí que a vida sem o auxílio deles é bem mais difícil do que se imagina.

– Você só entrou nisso pelo dinheiro? Não era melhor procurar um emprego na área ou fazer qualquer outra coisa?

– Hinata, com a criação que tive, naquela época qualquer outra coisa não era uma opção, ou você acha que um garoto que é filho de um juiz e de uma promotora de justiça se submeteria a trabalhar em uma lanchonete, por exemplo? – Naruto quis rir ainda mais quando viu a reação de espanto de Hinata após ouvir um pouco sobre suas origens.

– Eu estou tendo um pouco de dificuldade de acreditar nisso, mas tudo bem. – Hinata ainda estava em choque, mas preferiu dar espaço para que Naruto continuasse a falar.

– Pode acreditar nisso. – Ele riu divertido. – A verdade é que eu sou inglês, assim como meus pais. Quando terminei o colegial passei alguns anos da minha vida fazendo qualquer coisa que um garoto da minha classe social faria. Meus pais nunca me cobraram nada porque queriam que eu fizesse o que fosse melhor pra mim, mas era evidente que ambos desejavam que eu também seguisse o caminho jurídico. Quando fiz vinte anos coloquei na cabeça que iria viver na Holanda para estudar lá, e eu sabia que meus pais não aceitariam isso, então utilizei a única estratégia que os convenceria...

– Você disse que iria cursar direito.

– Muito esperta, Hinata. – Naruto abriu um sorriso divertido. – Foi exatamente isso que eu fiz, e como você já sabe, deu certo. Acontece que meus pais aceitaram isso, mas disseram que não bancariam minha vida da forma que eu já estava acostumado, e quando é da boca pra fora ninguém liga, mas quando se começa a sentir na pele, a situação muda completamente.

– Mesmo assim, a ideia de se tornar um garoto de programa ainda parece absurda, mesmo com seus motivos superficiais.

– Como eu já disse, minha vida estava completamente sem rumo, eu mal sabia que havia me motivado a estudar fora do país, mas eu ainda queria tentar algo novo. Quando conheci esse amigo e ele me contou o que fazia, eu fiquei meio chocado com tudo, mas depois, por pura curiosidade eu pedi pra ele me incluir nisso, e ele me incluiu. Apesar de ter ficado meio chocado com as coisas que vi no começo, acabei me acostumando com tudo. No fim, acho que foi importante para minha vida. Eu descobri muito sobre mim nesse emprego, mesmo não sentindo muito orgulho do que faço.

– Que tipo de coisa você descobriu nesse emprego? – Hinata perguntou curiosa.

– Tem certeza que quer mesmo saber? – Naruto sorriu ladino com certa malicia, fazendo Hinata recuar.

– Se quiser contar, eu quero saber. – Ela respondeu indiferente, fazendo Naruto rir.

– Antes desse trabalho eu tinha pouquíssimas certezas sobre minha orientação sexual, hoje eu já me enxergo como um bissexual, apesar de ainda acreditar que não consigo ter sentimentos mais profundos por alguma pessoa. O mais próximo que cheguei disso foi quando acabei ficando com esse meu amigo, mas acho que as coisas só foram diferentes com ele porque éramos muito próximos, nunca evoluímos pra nada mais intenso, e depois de um tempo ele se apaixonou, pediu demissão e sumiu do mapa. Eu só fui encontrar ele ontem na boate... – Naruto precisou morder o lábio inferior para conter o riso ao ver a reação de choque de Hinata.

– Puta merda! – Ela disse perplexa. – Não poder ser! Não me diga que é o...

– Se está pensando que a pessoa do qual estou falando é o Sasuke, você está certa. – Naruto não foi capaz de conter o riso.

– Eu não consigo acreditar! – Hinata permanecia em estado de choque. – Como eu nunca desconfiei? Nós trabalhamos juntos, éramos amigos, ela vai casar com a minha melhor amiga, isso não pode ser possível... Espera, ele sabe que nós...

– Sim, ele sabe que você me contratou para se passar por seu namorado, mas não precisa se preocupar, ele não vai contar isso pra ninguém porque não quer que as pessoas saibam que nos conhecemos e de onde nos conhecemos.

– Então significa que a Sakura não sabe de nada disso?

– É obvio que não; e eu entendo o lado dele, de certa forma. O Sasuke é bem diferente de mim, ele perdeu os pais muito novo e acabou ficando sozinho com o irmão que também era muito novo na época. Quando a grana da herança acabou, o Itachi precisou se virar para manter o padrão de vida que tinham, e ele fazia questão que o Sasuke continuasse em uma boa escola, que tivesse uma educação de qualidade, então acabou entrando nessa vida. Quando o Sasuke descobriu o que o irmão fazia, ele já estava acostumado com a mordomia que tinha, e mesmo contrariando o Itachi, ele também entrou nessa vida, mas logo que ele viu que nem tudo são rosas, ele passou a desejar sair disso, mas como não queria mudar o padrão de vida, ele só ia fazer isso quando alcançasse um nível que dispensasse esse trabalho, por isso ele estudou e se tornou advogado. Mas quando ele se apaixonou, ele esqueceu completamente sua ambição e decidiu largar tudo por causa dessa mulher, e eu fiquei muito feliz por ele, de verdade, exceto por uma coisa.

– E o que seria essa coisa?

– Ele virou as costas para a vida dele por completo para ir atrás dessa mulher. A culpa não é dela, afinal, ela nem sabe o que ele fazia. O problema é que quando ele decidiu que queria ficar com ela, ele pediu demissão, pegou todo o dinheiro que tinha e meteu o pé, e nós só descobrimos isso quando o gerente da casa contou pra gente que ele tinha se mandando. O irmão dele fingiu estar feliz, mas ele ficou bem decepcionado, sabe? Ele cuidou daquele idiota a vida toda sozinho, e na primeira oportunidade ele apronta isso; foi bem egoísta da parte dele. Depois de uns dois meses ele deu um sinal de vida, tentou se justificar, mas acho que era só pra tirar o peso da consciência mesmo, porque depois disso ele desapareceu novamente. Desde então o Itachi tem tentado contato, mas ele mudou o número e ninguém mais ouviu falar dele. Se eu disser que não acho válido o desejo dele de esconder isso das pessoas com que ele convive agora eu estaria mentindo, mas o Itachi não merecia ser deixado de lado desse jeito. Ontem a gente se estranhou no banheiro da boate, mas logo acabamos ficando de bem, a gente não consegue ficar com raiva um do outro mesmo. – Naruto abriu um sorriso sereno. – E eu espero que ao menos diga ao irmão que vai se casar, porque mesmo com essa situação toda, ele ainda compreende a atitude dele e ficaria feliz em saber.

– Eu estou em choque com tudo que acabei de ouvir. – Naruto gargalhou ao ver como Hinata estava boquiaberta com sua história. – Eu jamais imaginaria que sua vida fosse uma novela como essa, e o Sasuke, puta merda, agora eu me sinto a menor das mentirosas nesse mundo.

– Eu te falei. – Naruto riu divertido. – O mundo é muito grande pra você pensar que é o título de maior mentirosa é só seu.

– Naruto. – A expressão de Hinata se tornou um pouco mais séria. – Obrigada por compartilhar essa história comigo. Sei que não tinha obrigação nenhuma de fazer isso, mas eu estou feliz em saber um pouco mais sobre você, eu estava um pouco curiosa sobre isso.

– Eu sou um livro aberto, meu amor. – Naruto abriu um sorriso malicioso e se aproximou de Hinata, tornando a distancia entre seus rostos quase nula. – Tudo que quiser saber sobre mim, pode perguntar.

– Por enquanto era só isso mesmo. – Ela se afastou instantaneamente em um ato involuntário, fazendo Naruto rir. – Do que está rindo?

– Você está bem vermelha. – Ele dizia entre os risos. – E eu só fiz isso para confirmar uma coisa, e pelo visto eu estava certo. Você fica toda envergonhada quando me aproximo demais.

– Você só pode ter usado drogas mesmo. – Hinata rolou os olhos e tentou disfarçar seu constrangimento. – Vê se para de inventar coisas, seu maluco.

– Olha só, a ogrinha está de volta. – Naruto conteve o riso. – Será mesmo que estou inventando?

Hinata estava pronta para rebater as provocações do loiro, mas quando seus olhares se cruzaram, novamente ela sentiu suas pernas estremecerem, e tal sensação só se tornou ainda mais forte quando aquele sorriso malicioso se formou em seu rosto. Naruto conseguia ser incrivelmente bonito e irritante na mesma proporção, e a forma como Hinata vinha se sentindo atraída por sua personalidade e aparência era bastante preocupante para ela.

Agradeceu imensamente quando algumas batidas na porta ecoaram pelo quarto. Era sua irmã anunciando que o café da manhã estava na mesa. Suspirou aliviada com a interrupção, e sem dizer uma só palavra, deixou um Naruto sorridente sozinho no quarto. Este logo se recompôs e seguiu a mulher.

**

Mesmo com toda a ajuda de Naruto, o clima durante o desjejum e almoço ainda estava bastante tenso. Vez ou outra, Hanabi e Neji tentavam iniciar um assunto, que ganhava proporção graças a Naruto, mas logo a tensão que existia entre Hinata e Hiashi conseguiam destruir o clima agradável que os demais tentavam criar. Por fim, acabaram desistindo e seguiram com um almoço estranho e silencioso.

Hinata foi a primeira a se retirar da mesa. Voltou rapidamente para seu quarto e então decidiu tomar um banho. Sentia que ainda cheirava a cigarro e que aquilo provavelmente havia incomodado seu pai na mesa. Precisava se livrar daquele cheiro e então voltar a fingir que as coisas estavam bem, mas ela sabia que isso estava longe de acontecer.

O ocorrido só mostrou como Hinata vinha vivendo uma vida de mentiras, tentando convencer a todos em sua volta que ela era alguém que sequer existia, tudo isso para manter uma boa aparência. Sentiu-se ainda pior ao lembrar-se que havia chegado ao ponto de pagar uma pessoa para fingir ser o namorado que havia inventado por tantos anos. Por fim, o banho que deveria lhe fazer bem acabou sendo ainda pior para o sentimento de culpa que vinha lhe inundando.

– Meu Deus, que cara horrível. – Hinata fez uma careta com o comentário de Naruto. Não esperava que ele já estivesse ali. – Pelo visto o banho não teve tanta utilidade assim, já que você saiu daí pior do que entrou.

– Agora você deu pra ler minha mente? – Ela franziu o cenho enquanto analisava o loiro que sorria divertido com a situação.

– Não é difícil adivinhar quando você está com essa cara. Sabe Hinata, eu me pergunto como você conseguiu viver tanto tempo essa mentira. Eu acho que nunca conheci uma pessoa tão transparente como você...

– Isso foi um elogio ou está apenas zombando de mim? – Ele respondeu de uma forma dura, o que causou um leve receio em Naruto.

– Eu não sou essa pessoa estúpida que você está pensando, só quando quero. – Ele suspirou e então abriu um sorriso divertido. – Eu não sou do tipo que se comporta assim quando a pessoa está visivelmente abalada com algo.

– Eu não sei do que está falando. – Hinata deu de ombros. – Eu só estou chateada com o fato de que meu pai descobriu que tenho um vício, não era assim que eu planejava resolver esse tipo de coisa.

– Hinata, como eu disse, você é bastante transparente, então não adianta tentar mentir para mim. Eu já percebi que você está ficando cada vez mais sufocada com essa mentira, e isso porque estamos na nossa primeira semana aqui no Japão, ainda restam três semanas...

– Você ajuda muito jogando algumas coisas na minha cara. – Abriu um sorriso amarelo, fazendo Naruto rolar os olhos. – Olha só, eu não sei por que você está interessado em dar uma de psicólogo agora, isso foge completamente do seu jeito habitual  e está realmente estranho. Sinto que não posso confiar em você, e tenho medo que quando isso acabar eu receba uma conta de “serviços adicionais”. – Naruto não se controlou e caiu em risos, deixando Hinata ainda mais irritada.

– Seria possível eu odiar alguém tanto quanto eu te odeio? – Ela cuspiu as palavras enquanto Naruto tentava controlar os risos. – Sério, você é estupidamente insuportável e li... – Hinata interrompeu a ultima palavra ao lembrar-se que aquela frase tratava unicamente de um pensamento pessoal e algo que algumas vezes compartilhou com sua colega de quarto quando mencionava o homem que havia contratado para se passar por seu namorado.

– O que você ia dizer? – Naruto se levantou, aproximando-se até atingir uma distancia que ultrapassava o seguro, no ponto de vista de Hinata. Ela não soube como reagir, não soube como se esquivar, ou talvez apenas não quisesse. No fundo, algo estava a induzindo para que continuasse ali e descobrisse o que aquele homem planejava. Quando a distancia poderia ser considerada completamente nula, e o coração de Hinata parecia querer explodir em seu peito, ele riu baixo e se afastou. – É brincadeira, eu já sei como essa frase termina.

– Sabe? – Hinata lamentou um pouco o afastamento repentino de Naruto, mas precisava não deixar que ele também notasse aquilo. – Mas é claro que sabe! – Ela rolou os olhos. – Estamos falando de você, afinal. O inventor do ego inflado.

– Nem sempre reconhecer que as pessoas te acham bonito não é um sinal de ego inflado, sabia? – Ele suspirou e abriu um sorriso pequeno. – Bom, ao menos não costuma ser quando se faz o que eu faço...

– Ah... – Hinata não sabia muito bem o que dizer diante da expressão de Naruto, já fazia mais de um mês que conhecia o rapaz e aquela era a primeira vez que o via de tal forma, algo que considerava humano demais para ele. – Bem, eu não entendi muito bem o que quis dizer, então se quiser explicar...

– Eu sou uma mercadoria Hinata, eu tenho que ser assim. – Ele apontou para si mesmo e sorriu forçadamente ao dizer o que parecia ser o óbvio. – E é por isso que as pessoas me procuram, porque a minha aparência é convidativa. Eu tenho consciência de que sou bonito porque ser bonito é o meu trabalho. Isso não tem nada haver com me sentir bem tendo essa aparência, tem haver em viver unicamente em função dela, porque quando uma pessoa procura um garoto de programa, ela não procura o mais simpático, ela procura o mais bonito. Ou você me procurou porque achou que eu seria simpático?

Pela primeira vez, desde que conhecera Naruto, Hinata não conseguiu pensar algo de ruim sobre ele. Na verdade, agora que tudo aquilo havia sido despejado por ele daquela forma, ela não conseguia pensar em como era tudo tão óbvio. Sentiu um aperto no peito em pensar que na realidade ele pudesse não se sentir tão bem com aquela situação, que para ele a beleza não significava tanto, já que era isso que o transformava na mercadoria que ele dizia ser.

– Sinto muito, acho que interpretei as coisas um pouco erradas. – Ela suspirou pesadamente. – Eu acho que pensar que você era apenas arrogante seria mais fácil do que tentar ver as coisas pelos seus olhos.

– Não precisa se desculpar por isso. – Ele abriu um sorriso pequeno, mas que parecia bastante sincero. – Na verdade, eu me divirto bastante enquanto você me ofende, não estou acostumado a ouvir muita coisa sobre a minha personalidade mesmo, então mesmo que seja uma ofensa, significa que ao menos alguém vê algo em mim além de um rosto bonito.

– Meu Deus Naruto... – Se a intenção do loiro era tornar a situação ainda mais deprimente para Hinata, ele havia conseguido. – Eu não sei mais o que te dizer...

– Não precisa dizer nada. – Ele suspirou. – Eu não me incomodo em nada com isso, de verdade, eu só não quero que fique me olhando com pena assim como está fazendo agora. Me olhe com desprezo, me odeie!

– Eu não sei se fico comovida com sua história ou irritada com o fato de que você parece levar absolutamente nada a sério. – Hinata rolou os olhos, fazendo Naruto rir.

– Se minha opinião é válida, gosto mais de ver você irritada. – Naruto sorriu malicioso, fazendo o ventre de Hinata se contrair. – Combina mais com você e te deixa mais bonita.

– Você é estanho... – Ela rolou os olhos, mas sua atenção foi roubada por seu celular sinalizando a chegada de uma mensagem. Abriu o arquivo e não ficou muito feliz com o que havia recebido.

“Boa tarde, querida! Hoje as garotas decidiram fazer uma reunião para comemorar sua volta. Vamos beber um vinho aqui na minha casa, traga um petisco. E homens não são permitidos.” Sakura.

– Que ótimo. – Hinata rolou os olhos. – Isso definitivamente era tudo que eu precisava para me animar.

– Pela sua cara parece sarcasmo. – Hinata rolou os olhos pelo comentário de Naruto que com toda certeza não passava de mais um de seus deboches. – O que era?

– Minhas amigas marcaram uma social para comemorar minha chegada no Japão, mas ninguém perguntou se eu queria isso. – Hinata bufou em sinal de indignação. – E uma social é última coisa que me interessa agora, ainda mais com esse papo de que homens são proibidos, eu sei que elas só querem me interrogar sobre você.

– Então vai lá e faça exatamente como treinamos. Não foi por isso que passamos um mês em preparação para isso? – Naruto tentava encorajar Hinata. – Talvez isso faça com que você esqueça um pouco toda essa situação chata com seu pai.

– Tem razão. – Hinata suspirou conformada. – Se não tentar, talvez eu nunca consiga.

**

Maldita havia sido a hora que Hinata decidiu ouvir os conselhos de Naruto, ela pensava. Afinal, quem em sã consciência escuta conselhos dados por um garoto de programa? Sem dúvida alguma apenas a pessoa descontrolada que o contrataria para se passar por seu namorado, no caso, ela mesma.

Por mais contrariada que estivesse, Hinata apenas aceitou participar daquilo na esperança de que seu humor melhorasse, mas nada disso estava acontecendo. Durante as horas que estava ao lado de suas amigas, tudo que conversavam era sobre sexo e coisas que faziam com seus respectivos namorados ou ficantes, nada que ela pudesse contribuir com fatos reais sobre sua vida. Pensava em como ninguém iniciava um assunto relacionado ao trabalho ou sucesso profissional. Seria ela a única do grupo que parecia se importar mais com isso do que com homens?

– Eu estou achando a Hinata muito quieta. – Ino comentou enquanto analisava a amiga que parecia estar em outra dimensão. – Sério, eu achei que teria as melhores histórias para contar sobre esse seu namorado.

– Mas eu contei algumas. – Mentiu descaradamente. Antes da viagem, muitas coisas foram combinadas entre ela e Naruto para que nada levantasse suspeitas, inclusive os momentos icônicos do casal, como primeiro beijo, a primeira vez, o lugar mais inusitado, a posição mais louca e afins; tudo havia sido minuciosamente arquitetado, mas o que Hinata e Naruto não pensaram era na forma que aquilo seria dito, o que poderia influenciar e muito no que as pessoas pensariam. – O que mais vocês querem saber? – Hinata perguntou.

– Não é o que queremos saber, Hinata. – Ino rolou os olhos. – Acontece que você fala sobre as coisas que aconteceram entre você e o Naruto de uma forma tão artificial, você entende?

– Não, eu não entendo. – Hinata franziu o cenho diante da pergunta de sua amiga. De fato, ela não conseguia mesmo entender do que exatamente Ino falava. – Então se puder explicar...

– Eu não senti que existia uma química entre vocês ontem quando eu conheci o Naruto. – Sakura disse um tanto receosa. – Por favor, não me leve a mal, mas é algo que eu notei. Mas em contrapartida, a tensão sexual existe. É algo meio confuso de se explicar assim como entender, mas vocês não interagem como um casal, mas ao mesmo tempo se olham como se desejassem foder no meio da multidão.

– Nós definitivamente não queremos fazer isso. – A careta de Hinata provocou uma série de risos em suas amigas. – Talvez a gente queira fazer isso em outros lugares sim, mas não onde terceiros possam ver. – Hinata mentiu, ou talvez sua última frase não fosse assim tão mentira. O fato é que as palavras de Sakura havia lhe feito pensar ainda mais sobre algo que vinha tentando evitar constantemente.

– Completando a Sakura. – Ino voltou a se pronunciar. – Acontece que quando você fala, soa tão artificial que parece que você decorou tudo isso de um livro ou coisa do tipo. – Hinata engoliu em seco ao ouvir o que sua amiga havia dito, e forçou uma risada na tentativa de disfarçar o nervosismo que começava a lhe tomar. Suas mãos também começavam a suar frio e ela precisava controlar aquilo. – Seja honesta, ao menos com a gente. Você gosta mesmo desse cara ou só está com ele para manter as aparências? Eu não vou mentir par você, passamos muito tempo pensando que ele não existia, mas agora vendo você falar assim parece que só entrou nessa porque queria ter alguém ao seu lado, até porque você nunca foi do tipo que se preocupava com relacionamentos, Hinata. Nesse aspecto sempre te achei a mais sensata do grupo...

Hinata sabia o que deveria responder diante da pergunta de Ino. “Sim, eu amo meu namorado mais que tudo”, pois era isso que havia ensaiado tanto para responder sempre que algo do tipo fosse questionado, mas ela não esperava que aquilo fosse questionado daquela forma, que sua mentira fosse tão óbvia, e ao mesmo tempo tão absurda para que suas amigas apenas desconfiassem que ela apenas não gostava de Naruto o suficiente.

Mas por que ela não conseguia dizer que o amava, mas não conseguia também dizer a si mesma que não gostada do homem? O que diabos estava havendo com ela para que aquilo se tornasse uma dúvida?

– E então? – Ino voltou a perguntar. – O que você me diz?

– Eu não sei... – Hinata suspirou derrotada e abriu o jogo. – Às vezes eu gosto dele, mas são poucas. O Naruto é irritante e muito prepotente. Ele brinca comigo como se isso fosse o que existe de mais divertido na vida dele. Aquele idiota parece que tem como passatempo me tirar do sério. – Rolou os olhos quando se recordava das inúmeras vezes em que era provocada pelo falso namorado. – Mas às vezes ele consegue me deixar até alegre. Eu descobri que a gente poderia se dar bem quando ele decidiu se abri comigo e falar da vida dele, do passado, que era um grande mistério para mim, e eu sabendo que as coisas poderiam ser meio complicadas optei por não perguntar, e ele contou quando sentiu que poderia confiar esse tipo de coisa a mim. Depois de ouvir tudo que ele tinha a dizer, além de outros desabafos que ele fez, eu pude entender que essa personalidade estúpida dele é só uma casca para a pessoa que ele é de verdade, e com isso eu descobri que é muito mais fácil gostar dele do que eu imaginava, mesmo que ele continue agindo como um idiota, e ele vai continuar agindo. – Hinata não foi capaz de conter o riso, e então notou como as amigas a encaravam com um sorriso divertido no rosto. – Mas que caras são essas?

– Isso não foi exatamente o que eu perguntei, mas a sua resposta foi bem válida. – Ino disse entre os risos divertidos. – Eu nunca pensei que poderia ver você tão apaixonada assim Hinata, então me perdoe por te interpretar tão mal.

– Nem todo mundo demonstra o que sente da mesma forma. – Sakura piscou para a amiga e sorriu. – Eu imagino quanto deve ser divertido conviver com vocês. Ao contrário dos casais mais normais, vocês devem passar mais tempo brigando do que se beijando, mas se for uma briguinha saudável e vocês estiverem felizes, o que eu acredito que estejam, é muito válido.

– Mas agora, entre em detalhes de como ele é...

– Como ele é o quê? – Ino rolou os olhos com a inocência na pergunta de Hinata, Sakura apenas riu.

– Na cama, Hinata. Meu Deus, você continua a mesma...

Se as coisas já não estavam estranhas e complicadas o suficiente, aquela pergunta tornou tudo ainda mais difícil para Hinata. Apesar de não ter sido descoberta como a mentirosa do século, de certa forma, o fato de que suas histórias ao lado de Naruto não passavam de algo inventado e ensaiado já haviam sido descobertas por suas amigas, mesmo que elas tivessem entendido de uma forma completamente diferente do que era de verdade. E agora, diante de outra das perguntas complicadas de Ino, Hinata precisava ter cautela quanto ao que responderia. Assim como quase tudo que havia dito naquela noite, a resposta para a última pergunta também havia sido ensaiada minuciosamente, mas sabendo que havia sido descoberta, ela precisava pensar em algo, e ela sabia o que poderia fazer para salvar sua pele.

– Você não acha que está sendo um pouco invasiva demais? – Hinata franziu o cenho, fazendo a loira rolar os olhos.

– Somos amigas de infância, só porque você mora longe acha que pode desviar das nossas curiosidades? – Ela atacou. – Então para de enrolar e fala.

– Muito bem... – Hinata suspirou derrotada, e mais uma vez, impulsionou sua mente para o sonho que tivera com o loiro. – O Naruto é o tipo de cara que mistura as coisas. Ele sabe exatamente como ser doce e selvagem ao mesmo tempo. Quando ele toca meu corpo, o peso das mãos dele faz parecer que ele vai me quebrar ao meio, mas ele faz aquilo tão bem que depois do sexo parece que eu nasci de novo, na verdade. Ele é romântico e ao mesmo tempo me trata como uma “vadia” e a forma como ele une essas duas coisas é sensacional. Principalmente quando ele beija meu corpo enquanto puxa meu cabelo, eu ainda não achei uma palavra que descrevesse o que eu sito quando ele faz isso, em especial quando ele esta dentro... – Mordeu o lábio na tentativa de conter as sensações que lhe tomava a cada imagem que vinha em sua mente do sonho que tirou seu sossego. – Eu não transei com muitos caras durante a minha vida, mas ele faz compensar completamente a falta. O Naruto tem um jeito de fazer com que isso seja único e especial, e acho que é por isso que nunca senti nada parecido com o que sinto quando estou com ele...

– Confesso que estou emocionada. – Ino fingiu uma expressão de choro, fazendo as amigas rolar os olhos. – Parece que você e esse Naruto foram feitos um para o outro mesmo. Mas eu só posso dizer que sentir esse tipo de coisa é realmente sensacional. O sexo é outro quando existe sentimento, tudo fica mais intenso, desde o toque até o orgasmo. Me pergunto como alguém pode se privar de se apaixonar.

– Eu também me faço essa mesma pergunta. – Na verdade, aquele questionamento Hinata fazia a si mesma, e ao mesmo tempo se perguntava como Naruto também poderia fazer o mesmo. Por um segundo, a curiosidade em saber o que poderia ter acontecido entre eles caso se conhecessem antes que ele decidisse seguir tão profissão tomou sua mente. Depois, lembrou-se de tudo que ele havia lhe contado sobre Sasuke, e então invejou sua amiga pelo que seu então noivo havia feito para ficar com ela. Perguntou-se também se Naruto estava disposto a fazer o mesmo por alguém.

A noite não havia sido tão boa quanto Hinata esperava que fosse, principalmente pelos inúmeros pensamentos que começavam a atormentá-la graças a pressão que Sakura e Ino haviam feito para que ela falasse sobre seus sentimentos reais em relação a Naruto, sentimentos esse que vinha tentando reprimir desde que os mesmos começavam a surgir. Negava-se a admitir que pudesse sentir algo por alguém que estivesse “à seu serviço” principalmente em tais circunstancias, mas aquilo parecia cada vez mais difícil, principalmente quando ninguém parecia cooperar com isso, em especial Naruto.

Quando estacionou o carro na garagem da casa de seu pai, seu corpo imediatamente ficou tenso. Depois da forma que havia sido confrontada e das inúmeras coisas que passavam em sua mente, Naruto não era exatamente a pessoa que desejava encarar. Tinha medo do que aconteceria, de como reagiria, mas principalmente de como ele se portaria caso notasse o que estava acontecendo.

Isso se já não tivesse notado.

Hinata bateu a cabeça contra o volante algumas vezes, e devido ao descontrole acabou fazendo um corte pequeno em sua testa, mesmo que aquela não fosse sua intenção. Sentiu-se uma grande idiota por agir daquela forma, mas precisava aceitar logo que estava em maldito beco sem saída, antes que acabasse mutilando ainda mais o próprio corpo, mesmo que por acidente.

Deixou o carro e adentrou em sua casa silenciosamente, e suspirou aliviada quando notou que Naruto já havia dormido. Um diálogo com ele naquele momento era tudo que precisava evitar. Caminhou em passos silenciosos até seu guarda roupa na busca de um pijama para que pudesse se trocar, e quando finalmente encontrou o que queria, seguiu rumo ao banheiro, e foi aí que seus planos foram por água abaixo.

Não soube identificar o que era, devido à escuridão, mas havia algo que não fazia parte da decoração do quarto e que se encontrava no meio do caminho. Hinata não viu o objeto e acabou chutando-o, fazendo assim um grande barulho com o impacto, além do grito de dor que não foi capaz de controlar, visto que o alvo atingido havia sido o dedinho.

Naruto acordou assustado com o todo o barulho do ambiente, tudo que Hinata conseguiu fazer quando notou que havia falhado em seus planos foi correr para o banheiro, mas acabou sendo impedida pelo loiro.

– Ei, o que está havendo com você? – Ele perguntou ainda sonolento. – Por que chegou chutando a casa e... – Ao se aproximar da luz que vinha do banheiro, ele conseguiu ver uma pequena quantidade de sangue que deslizava pelo rosto de Hinata. – O que é isso? Onde se machucou?

– Não é nada... – Ela se afastou bruscamente, deixando Naruto ainda mais confuso com tudo. – Eu só tropecei no escuro e...

– Hinata, você está sangrando! – Naruto a repreendeu. – Será que bebeu tanto ao ponto de se machucar? E você dirigiu assim?

– Eu não estou bêbada, Naruto. – Hinata se exaltou um pouco. Respirou fundo e continuou a falar, um pouco mais calma. – Eu quase não bebi, isso daqui é fruto do meu desastre, mas não se preocupe, eu dou um jeito nisso. – Naruto rolou os olhos e suspirou. Pegou a mão de Hinata e a guiou para que se sentasse na cama, acendeu as luzes do quarto e em seguida foi até o banheiro, buscando alguns materiais para curativo.

– Não precisa fazer isso, eu mesmo faço. – Hinata tentou se esquivar, mas novamente Naruto lhe impediu.

– Não seja teimosa, deixe que eu te ajudo...

– Ajudar... – Ela repetiu a palavra algumas vezes enquanto seu olhar se mantinha fixo em Naruto, que parecia bastante concentrado em limpar o rastro de sangue no rosto de Hinata. – Por que está fazendo isso? Por que está agindo assim comigo?

– Eu já falei, eu quero ajudar. – Naruto deu de ombros. – Você parece bem receosa em receber ajuda.

– Naruto. – Hinata estava visivelmente nervosa, já não conseguia mais esconder o que tanto vinha lhe sufocando. – Eu te paguei para fingir ser meu namorado, e você deixou bem claro que nada além disso seria feito, ao contrário me cobraria taxas extras, agora está aqui fazendo curativos, falando da sua vida, sendo completamente diferente do que mostrou ser quando nos conhecemos. Por que está fazendo isso? E responda de verdade, não venha com essa desculpa de que quer ajudar! – Naruto ficou alguns segundos analisando a expressão aflita de Hinata, então suspirou pesadamente antes de responder.

– É tão difícil assim para você apenas aceitar minha ajuda?

– Não seria difícil se eu soubesse o que você realmente quer com tudo isso. – Ela ralhou.

– Hinata... – Naruto fechou os olhos por alguns segundos, respirou fundo e então prosseguiu. – Eu já te falei, eu sou uma mercadoria, então por favor, me trate assim e as coisas vão seguir como o planejado. Eu sinto que isso está fugindo do meu controle, mas se você cooperar nada vai acontecer...

– Você não é uma mercadoria, você é uma pessoa! – Hinata ralhou, pegando Naruto de surpresa. – Então para de agir como um poste quando eu tento conversar de maneira civilizada com você e seja um pouco mais honesto comigo!

– Hinata, você está mexendo com algo que talvez nenhum de nós vá conseguir controlar depois. Deixar que as coisas saiam do controle assim será apenas sua responsabilidade, eu continuarei fazendo meu trabalho até o fim do nosso contrato...

– Sair do controle? – Hinata riu debochada. – E quando foi que eu tive controle de alguma coisa?

– Você não deveria fazer isso...

– Isso não parece mais uma decisão só minha. – Ela abriu um sorriso ladino. – Olhando para você assim, tão de perto, eu escuto você me alertar para não seguir com isso, mas seus olhos dizem exatamente o contrário...

– Puta merda, Hinata. – Naruto suspirou pesadamente, então direcionou seu olhar para a mulher, que continuava o fitando de maneira intensa com seus grandes orbes perolados. E aquele par de olhos era o que ele acreditava ser o responsável por ele decidir se jogar daquele precipício. – Ah, para o inferno com tudo isso...

Sem que houvesse espaço para que algo mais pudesse ser dito, Naruto selou seus lábios aos de Hinata. Durante toda a vida da mulher, nunca havia recebido um beijo no qual se sentisse tão desejada. Aquele beijo transparecia todo o desejo que ambos vinham reprimindo há tanto tempo, ambos eram puro material inflamável, e com a chama lançada, estavam prestes a causar um grande incêndio.

I don't care who you are

Where you're from

What you did

As long as you love me


Notas Finais


Se tudo der certo eu volto na próxima quarta com mais um capítulo!
Para quem me acompanha em outas fics, nos vejos amanhã em RF.
Um grande beijo :**


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