História As Manchas de Júpiter - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lgbt, Romance, Romance Lésbico, Yuri
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Palavras 1.717
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, LGBT, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


oláás

Capítulo 4 - Betelgeuse


-Ela é estranha. -Francisco diz, resmunga olhando para a janela do sótão, fechada e sem nenhum sinal que havia alguém em seu interior.

-Eu a considero... Instigante. -Ele ri em desdém. Os cabelos loiros bagunçados e queimados de sol, o meu era castanho dourado ou loiro queimado, eu não sabia bem definir a cor de nada em mim.

-Você nem sabe o que essa palavra significa, Gaya. -Me entrega mais um ramalhete.

-Sei o suficiente para usá-la. Aaron me ensinou palavras todos os dias quando estava aqui, não sou burra só porque não sei ler ou escrever. -Ele ainda ri em descaso, me fazendo revirar os olhos por tamanha ignorância.

Em passadas largas e pesadas vai se afastando, o loiro brilhando junto com o suor na nuca que empapava a roupa. Olho para os ramalhetes no cesto e suspiro pensando na garota nova.

Injusto a considerar estranha porque não conseguia, ou não queria conversar. Devo ter a assustado com minhas tantas perguntas na hora do almoço, sempre olhando para o prato, separando os alimentos e comendo numa certa ordem.

Esquivando das perguntas de Pierre, sorrindo desconfortável para as perguntas de Charlotte, minha doce e curiosa mãe.

Viro-me em direção à casa, fitando o telhado azul, o mosaico havia sumido e agora o vidro estava aberto, com seus olhos escuros me fitando.

Aceno animada.

-Gaya! -Francisco me grita, eles deviam gostar muito do meu nome para usar tanto dessa forma.

Ela acena de volta, os dedos se levantando de forma tímida. Se vira e some para dentro do cômodo.

-Estou indo. -Dou de ombros e com uma pequena corrida alcanço o loiro e sua carranca de tédio.

-O que estava fazendo? -Agora sou eu quem ri com desdém.

-Nada que seja da sua conta.

Pus-me a andar.

Ainda lembrando do sorriso direcionado a mim.

•§•

Acendo o lampião e com cuidado desço as escadas escuras, minha camisola deixando que o vento me arrepiasse sem muitas dificuldades.

Vou à varanda e me sento observando as estrelas enquanto comia um pedaço de bolo, tentando identificar as estrelas que Aaron tinha me ensinado a achar no meio daqueles milhares pontinhos iluminados.

Ouço a porta se abrir e penso rápido em uma desculpa qualquer que pudesse me livrar do flagra de estar ali fora, somente de camisola e com a boca suja de farelo.

-Oh, perdão, não sabia que estava aqui. -Me viro, Aurora me observava curiosa, avaliativa.

-Sente-se. -Dou leves batidas no espaço ao meu lado e com passos temerosos ela se senta.

Havia se passado duas semanas desde sua chegada, ela era, em comparação, muito distante do irmão falador e sorridente, que as vezes me ajudava com o trabalho e durante a noite me ensinava as estrelas.

Aurora era quieta, observadora, calma e paciente. As vezes parecia estar em um mundo próprio onde não nos ouvia, e passava horas no sótão, onde não fazia nenhum barulho e me deixava a ponto de arrancar os cabelos para saber o que tanto fazia por lá.

Mas a menina era um mistério.

Que me fascinava mais que as estrelas.

-Sabe identificar alguma? -Perguntou e assinto orgulhosa de mim.

-Aaron me ensinou. Só algumas. -Ela ri fraco, de fundo da garganta. Uma risada rouca.

-Claro que ensinou, Aaron é um professor nato. -Ela sempre falava do irmão com voz de orgulho, os olhos ganhavam brilho e seus dedos relaxavam do aperto regular que ela fazia.

Ficamos em silencio por mais um tempo, eu me concentrava em identificar as estrelas e ela parecia já saber de muitas sem nem precisar se esforçar.

O vento balançava seus cabelos para trás, alguns fios invadiam seu rosto e a expressão tinha um leve tom de contemplação.

-Ali esta Aldebaran. -Diz olhando fixo para um ponto no céu, um entre tantos outros que eu mal conseguia nomear.

-Quem? -Ela ri. De forma inocente e leve, da forma que me fazia coçar a língua para perguntar mais e mais sobre quem era. Saber cada cantinho seu.

-Aldebaran é a estrela é a estrela mais brilhante da constelação de Touro. Esta um pouco acima de Híades, e junto com tantas outras formam a constelação de Touro. É avermelhada então você vai conseguir identificar mais fácil do que outras. -Sua fala saía calma, em tom de ensinamento paciente e tranquilo, o olhar fixo num pontinho que eu não conseguia achar.

Até que ela riu e me olhou tão rapidamente que mal tive tempo de disfarçar minha admiração. Sua mão tocou meu queixo, o levantando levemente e arrastando para o lado.

-Ali. -Sussurrou e viajei meus olhos de sua boca até o céu. Um pontinho vermelho, chamativo e clamando por atenção brilhava acima do horizonte lá longe, como diria Aaron, a anos-luz de nossos toques. -E acima de nós Betelgeuse.

Olho para cima, com sua mão ainda tocando minha pele. Morna e formigando.

-Um mapa? -Ela sorri largo, mostrando todos os dentes, alguns tortos de forma ligeira, quase impossível de se perceber. Mas eu passei um certo tempo encarando.

-Um mapa muito específico. Mas ainda assim, um mapa.

Desviou o olhar, desgrudou sua mão fazendo o vento bater forte. Quase me fazendo tremer.

A lua desceu, em forma minguante, como um sorriso a nos observar, indo para o Oeste.

-Acho que devemos entrar. -Diz se pondo de pé, a roupa ainda era calças, como as de meu pai, só que mais bonitas e... Atraentes.

-Sim, claro. -Me embaralho com as palavras, e levanto num pulo.

-Boa noite, senhorita Laurent. -Até meu sobrenome em sua boca me soava mais chique.

-Boa noite, Aurora. -Ah, que os modos me perdoem, seu nome era bonito demais para se ignorar por cordialidade.

Se vai da mesma forma que chegou, passos leves e descalços, agora havia reparado.

Olho para Betelgeuse, gravando onde estaria na próxima noite. Ou onde eu pudesse estar um dia.

Acima de minha varanda, observando com brilhos marcantes que continuariam a piscar quando fechasse os olhos, o modo como Aurora conseguia me fazer suspirar.

E, como tudo o que fazia, nem parecia se esforçar para isso.

•§•

-Você faz isso parecer fácil. -Digo a vendo anotar algumas coisas em seu caderno de bolso.

O lampião iluminando as páginas de laranja e seus olhinhos cerrados em concentração.

-O que? -Pergunta sem desviar olhar, havia me ensinado a achar Cetus, ou Baleia, e agora desenhava um rascunho numa página qualquer.

Suas mãos se movendo com habilidade, nomeando as estrelas próximas, com setas e pontos grossos e finos. Sua letra era perfeita e cursiva, deitada para a direita quando girava a folha.

-Escrever. -Ela ri. Começava a achar que ela me achava burra, e eu não a culpava, pois perto dela me sentia dessa forma.

-Escrever é fácil. -Estalo a língua e encaixo o queixo na mão.

-Não para mim que nunca aprendi. -Seus olhos me encaram arregalados, em sincero choque que fez até mesmo o queixo cair por um ou dois centímetros.

-Como não? -Dou de ombros, envergonhada em lhe revelar.

-Não sabendo, oras.

Deito no chão de madeira observando as telhas da varanda impedirem minha visão do céu, mas não de suas costas cobertas por seus cabelos soltos e rebeldes. Ondulados e levemente desfiados em desordem.

-Irei te ensinar. -Volto a me sentar de supetão, Aaron havia me oferecido a mesma coisa e eu não tinha me sentido tão eufórica quanto me sentia agora.

-Sério? -Assente e beijo sua bochecha em comemoração, a palidez adquire tons rosados de vergonha.

-O que quer aprender?

-Tudo. -Volta a rir, negando com a cabeça e colando seu ombro ao meu após tirar o lampião do caminho.

-O que quer aprender agora? -Observo os nomes escritos com perfeição, curvilíneos e inclinados de forma elegante de quem passou horas treinando para chegar em tal resultado.

-Seu nome.

Deitamos no chão com os cotovelos servindo de apoio e a vejo escrever o nome uma vez, o A maior deitado para a direita, e o último puxado até sumir.

-Dê-me a mão. -Segurou-me a direita por baixo do pescoço, com cuidado e espaço, evitando maiores contatos. Mas ainda assim guiando minha mão para minha primeira palavra escrita.

Seu nome.

Saiu rabiscado, torto e tremido, o A levantado para cima de forma que me resultou uma careta descontente.

-Tente sozinha. Observe a minha e siga. -Diz no mesmo tom de ensinamento, agora quase grudada em meu ouvido, balançava-me os fios soltos.

Largou-me a mão e observou. Meu A saiu deitado, pausado, mas inclinado para a direita, coloquei a língua para fora tamanha concentração para não errar. O último acabou com o lápis pressionando a folha, rude.

-O que acha? -Entrego ansiosa, quase roendo as unhas esperando por aprovação de seu olhar analítico.

Ela sorri.

-Está ótimo. -Quase bato palmas. -Aqui, vou escrever o seu. -Vibro de emoção e observo seu pulso girar num G chique, um Y deitado e fino, o último a terminando da mesma forma que o seu. -Tente...

Nego o lápis e ela me olha confusa.

-Por hoje me basta o seu.

Sorri.

Aurora passava o dia com a expressão mansa, sem nenhum sinal de emoção ou alegria. Quando chegava a noite e passávamos a nomear as estrelas, ela sorria formando dobras nas bochechas e nos olhos.

-Oh, olhe o que achei hoje. -Parece se lembrar ao acaso. Puxa um pequeno colar do bolso, a corrente dourada e o pingente de coração. -Achei que te interessaria.

-É lindo! -Me sento animada, dedilhando com cuidado o presente amável daquela que agora além de habitar minha casa fazia lar em meus sonhos secretos.

-Se abre. -Com um clique o destravo, os lados vazios esperando por algo que os preenchesse. -O que vai colocar?

Com um olhar peço sua permissão, rasgo com cuidado o papel onde estava escrito meu nome por sua letra perfeita e rebuscada, o coloco do lado esquerdo. O direito se enfeitou por minha letra malfeita e lenta.

-Coloque para mim, por favor. -Viro-me de costas e afasto os cabelos da nuca. Seus dedos tocam minha pele desde a clavícula até a ponta das costas, prendendo o colar em meu pescoço onde admirei a forma com qual caía sobre a pele. -Assim sempre me lembrarei do dia em que escrevi seu nome.

-E o colocou em seu coração. -Diz observando o pingente.

Gaya e Aurora.

Em um único coração.

O meu.


Notas Finais


Obrigada pelos comentários e favoritos (a gente finge que eu não ameacei vocês e que vieram por amor 💜💗💞)
Favoritem e comentem
3bjs de luz e até mais 🌻🐥


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