História As Manchas de Júpiter (Romance Lésbico) - Capítulo 5


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Lesbicas, Lgbt, Romance, Romance Lésbico, Yuri
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Palavras 1.528
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Ficção Científica, Fluffy, LGBT, Literatura Feminina, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OLÁAAS

Capítulo 5 - Gliese


Presente.

Uma mão pesada pousa em meu ombro, meu corpo se sobressalta com o susto. Antônio me observava preocupado, as sobrancelhas fincadas e a testa franzida.

-Finalmente. Estive te chamando por muito tempo. -Ofegante encaro os olhos verdes, minhas mãos tremem com o pingente pendurado no dedo médio e indicador da mão direita. A levo ao peito. -Esta tudo bem?

O céu azul tinha nuvens brancas e fofas, em outros dias deitaria na grama e daria formas à elas. Mas agora elas pareciam girar, tonteando me levanto.

-Você esta pálida e suando frio, Gaya. Vamos entrar. -Sua mão segura com delicadeza meu cotovelo, voltamos a loja e me sento em um sofá de couro.

-O que houve? -Ouço ao longe.

Do outro lado do balcão Fellipo me encarava, a boca levemente aberta e olhos curiosos para o que acontecia. Me levanto, desviando de Antônio e seus chamados e vou até o garoto loiro.

-O nome dela... Da artista do quadro... É Aurora. -Ele sorri inocente e puro, talvez não entendendo o que o nome causaria em minha cabeça. -Certo?

-Sim, Gaya! -Solto a respiração, me sentindo presa naquelas paredes rodeadas de objetos. O A deitado parecendo me observar de longe, como um pequeno olho escondido no escuro, mas brilhando tanto que conseguíamos sentir sua presença em nossas costas.

-Como sabe disso? -Antônio pergunta, parecendo cada vez mais preocupado. Talvez por minha aparência cada vez mais desesperada, meu semblante perdido procurando ao redor por qualquer resposta que me trouxesse de volta para a vida que eu conhecia.

-Eu sei... Eu conheço ela, certo? -Fellipo assente de novo sorrindo maior.

-Cla... Claro que conhece. -Diz e os dedinhos gordinhos e pequenos tocam minha bochecha num carinho morno que me acalmou de tudo. -Você voltou por ela.

E algo em mim dizia que eu voltaria por tantas vezes mais.

-De onde conhece essa mulher, Gaya?

-Ela esta em meu coração. -Olho para o pingente e afasto os cabelos entregando o colar para que Antônio pudesse colocar em meu pescoço. De onde nunca deveria ter saído, talvez.

-Precisamos ir. -Ele diz verificando as horas no relógio de pulso com uma careta descontente. -Vou me atrasar. -Suspira e me olha avaliativo.

-Vamos... -Digo cansada, todas minhas energias pareceram sumir do corpo após aquelas memórias me acertarem a fuça. -Eu... Eu espero te encontrar mais vezes. -Me refiro a Fellipo e ele sorri animado, me abraça de forma carinhosa.

Tão delicado, o pequeno anjo loiro.

Mesmo não sendo citado eu sabia que aquele era o nome do quadro, que aquela fonte existia e as trepadeiras que invadiam a pureza significavam algo a mais.

-Sei que vai. -Ele responde e acena com a mão gordinha.

Me afasto com Antônio abraçando meus ombros, apesar da falta de palavras eu sabia que ele havia se preocupado, então omiti o fato de minha cabeça estar doendo. Bem onde a cicatriz decorava a nuca.

-Esta bem para ir para o trabalho? Posso conversar com...

-Não, eu estou bem.

Precisava tirar, ou me distrair o suficiente para achar que havia conseguido, todo o flash da cabeça. Todos os olhares escuros sob os cílios, todo o tom rouco de voz que parecia soar em meus ouvidos como se ela estivesse do meu lado.

Me apresentando Aldebaran, Betelgeuse e Cetus no céu estrelado, guiando meu rosto para onde sabia que a estrela estaria, entre milhares tantas mais.

-Tudo bem... Vou te deixar lá... -Nego com a cabeça enquanto me estico para tirar minha bicicleta do nó de corda que a havia prendido.

-Preciso ficar um pouco sozinha. -Meu cabelo forma uma cortina entre nós quando me sento na bicicleta, escuto seus suspiros e seus passos se afastando. A porta do carro batendo e ele seguindo pela rua do lado oposto para onde eu ia.

Começo a pedalar sentindo o cheirinho de pão fresco que se espalhava pela cidade, as padarias abertas com os trabalhadores em sua primeira refeição antes do trabalho. Os ventos bagunçavam meu cabelo para trás.

Não consigo deixar de pensar nas estrelas, não por saber quem havia me as apresentado, mas sim por saber que todas as noites quando eu olhava para o céu, na constelação de Touro, nos dias que havia as estrelas no céu, a primeira que eu procurava era Aldebaran, depois Betelgeuse.

E sabendo que baixo daquela estrela era onde estaria a varanda da minha casa, para onde eu voltaria um dia.

E agora eu sabia quem as havia me ensinado. Mas ainda não entendia o que tudo isso significava.

Pego os jornais sem falar bom dia, me encaram estranho. Os entrego observando as palavras da manchete, eu conseguia as ler, mas não sabia quando havia aprendido.

-Esta tudo bem, Gaya? -Um dos moradores questiona quando não o cumprimento sorridente como fora todos os outros dias.

-Ah... Sim. Só estou um pouco mais avoada que o normal. -Ele ri e assente, acenando quando volto a pedalar.

Volto para o jornal sem ter noção que havia se passado tanto tempo, o velhote me encara estranho enquanto observo minha cicatriz no braço.

-Boa tarde, Gaya. -Ele diz. O olho surpresa e sorrio pelo gesto de tentar me ver sorrir, havia conseguido enfim um sorriso seu.

Foi apenas um repuxar de lado, marcando as feições tão endurecidas, perguntava-me até qual foi a última vez que seu rosto se iluminou num sorriso verdadeiro.

Não estava com fome, Lourdes me olhou completamente surpresa quando pedi um simples sanduíche. Sem muitas regalias, comi com a mão, o guardanapo hoje me parecia mais interessante que as tantas vidas cotidianas que eu acompanhava feito novela pela janela.

Aurora. Aurora.

Aurora.

A cada respiração o nome surgia em minha cabeça, o sorriso de dobras fofas, o cabelo ondulado, as sobrancelhas grossas bem arrumadas.

O terno azul e calças sociais. Sua cicatriz no pulso fino e firme. Tua letra perfeita e repuxado de seu a.

A pinta que havia em seu pescoço, suas unhas roídas. Ora, tantos detalhes passavam em minha cabeça, se esticasse a mão podia jurar a sentir na ponta dos dedos.

Diante dos meus olhos eu a vi comer um bolo de chocolate em uma manhã qualquer quando a chuva caiu no campo.

Mas ali, naquela lanchonete de todos os dias, eu estava sozinha.

Sozinha e atrasada.

Corro até a loja de flores. Hoje não havia de ver o senhor de todos os dias, senhora Pines disse que ele nem ao menos veio.

O dia mudou, o céu se escureceu, chuva cairia e hoje eu precisava lavar a alma.

Aurora.

Mal pude contar as vezes que seu nome soou em meus ouvidos, passou em meus olhos quando fechados, estremeceu meu coração acelerado, dos dedos dos pés, aos fios do cabelo, hoje tudo sentia Aurora.

-Quem diabos é você? -Me pergunto finalmente, segurando o pingente entre as mãos.

Pingou um, pingou dois, pingou aos montes e eu não corri. Fechei os olhos e abaixei a cabeça, as flores entregues iria para casa. Hoje era só mais um cubículo como outro qualquer.

A calça gruda na pele, a blusa se transparece. Meus cabelos abaixam, colando no rosto, nas costas e onde tivesse que colar.

Tempestade rápida logo sumiu do céu, deixando o sol vazando entre as nuvens aliviadas depois de chorarem cachoeira. Subo com a bicicleta, a deixo no lugar de sempre, o sofá vazio, a cozinha bagunçada depois do nosso café, o cheiro de chá de hortelã que já estava impregnado nas paredes, nos móveis da casa.

Tudo era tão igual e eu me sentia deslocada. O igual permanecia da mesma forma e quem havia mudado era eu. Tudo diferente.

Mudo de roupa e deixo os cabelos pingando corro para a janela observando como as estrelas surgiam. Nenhuma mais me interessava essa noite

Aurora.

Tentava forçar as memórias, revirando o que havia em mim que respondesse a pergunta, mas nada. Somente seus passos tropeços, sua testa batendo na minha e seus gritinhos assustados na garupa da bicicleta.

Poderia imaginar como teria sido o resto de nossa historia, mas como eu sabia que havia um nossa? Eu percebi saber muitas coisas que nunca havia me questionado quem havia me ensinado.

Porque sim, me lembrava de Aaron e suas idas para minha casa, sua estadia confortável e por vezes didática. Mas não Aurora, ela era diferente em todos os sentidos que eu já havia conhecido.

Até teu cheiro eu parecia sentir.

Seus dedos em meu queixo guiando-me para observar Aldebaran, parecia quase senti-los novamente na pele.

Levanto a cabeça, os pontinhos já se espalhavam. Mas meu ponto vermelho lá estava, piscando em cor diferente dos outros. Ah, meus ouvidos se enganaram quando pareceram ouvir seus sussurros por perto.

Eu estava sozinha naquele quarto.

E para ser sincera, agora me sentia sozinha no mundo.

Porque de fato algo em mim havia mudado e agora gritava que eu estava só, completamente sozinha enquanto observava os outros conversando ao meu lado.

Algo em mim dizia que eu estava sozinha no mundo sem Aurora ao meu lado. Ou numa varanda observando as estrelas e aprendendo coisas novas.

-Eu vou te achar, Aurora. -Decido para mim mesma.

Para onde iria o caminho me levaria a ela. Onde quer que ela estivesse.


Notas Finais


A partir de agora, a historia vai ser atualizada terça, quinta e domingo, ok?

Obrigada por lerem, pelos comentários
Favoritem e comentem
Até mais 💞💛💜💖❤


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