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História As Many Times As We Want - Capítulo 14


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Notas do Autor


Olá fanfiqueiros! Mais um capítulo de As Many Times As We Want foi publicado e, como sempre, uma sensação de êxtase perpassa pelo meu corpo a cada capítulo feito, revisado e publicado. Será uma continuação do capítulo passado, como já devem presumir e concluirão alguns pensamentos que, não só o meu querido Tsoryo, mas eu também penso.
Não esqueçam de curtir o capítulo e favoritar a história caso tenham suas expectativas atingidas.
Boas Leituras!

Capítulo 14 - Capítulo XIV


_ Tsoryo? O-o que aconteceu? – Philip perguntou com uma cara preocupada enquanto me levava para dentro de sua casa. – Por que você está chorando?

_ Phi-lip... foi horrível. – Eu falei em meio aos choros e soluços.

_ O-o que foi horrível? – Ele perguntou confuso e assustado.

_ Um... homem... quase morreu hoje enquanto eu e a Lana andávamos pela rua. – Eu falei soluçando. – Tinha um cara armado que estava pisando no pescoço do outro e...

_ Co-como assim, onde foi isso? – Ele perguntou com uma voz tristonha enquanto afagava o meu cabelo. – Vem cá, senta aqui no sofá. – Ele me levou até o sofá com um cuidado extremo.

Philip buscou um copo de água e o entregou para mim. Eu tentei beber o máximo que pude, mas não consegui devido aos soluços, esperei até acalmar os meus nervos. Eu respirei fundo.

_ Um cara alto e branco estava tentando matar um homem na calçada enquanto eu e Lana passávamos pela rua, o motivo mais forte que ele tinha era porque o outro homem era negro, não tinha outra explicação. Racismo em pleno século XXI! É como se a humanidade estivesse regredindo, não havia uma razão de verdade e por mais que houvesse uma ínfima situação que pudesse resultar naquilo não consigo entender como que alguém pode agir daquela maneira, sem se importar com a vida. – Eu falei com uma voz de choro enquanto demonstrava a minha raiva pela situação. – Ele realmente se achou no direito de fazer algo assim. – Agora eu falei com raiva, minha mão está tremendo e meus olhos estão lacrimejando. – Eu não sei se o outro homem vai sobreviver devido a todos os ferimentos dele. – Eu falei apoiando a cabeça no ombro de Philip.

_ Isso... foi realmente horrível Tsoryo, você deve ter se assustado tanto. – Philip falou carinhosamente enquanto acariciava a minha cabeça, mas senti que ele estava mensurando as suas palavras para que eu não me sentisse pior. – Eu não sei bem o que fazer agora. Eu queria estar lá com você. Talvez eu devesse ter ido... – Ele estava se desculpando por algo que não poderia ter evitado?

_ Vo-você não precisa se desculpar, aquela cena foi monstruosa em todos os sentidos. Eu... nunca pensei que fosse ver algo como aquilo foi tão... tão violento. – E voltei a chorar copiosamente no ombro dele.

_ Ei... Não há nada para se preocupar agora Tsoryo, está tudo bem. – Philip falou passando a mão pelo meu cabelo, ele procurava alguma forma de me acalmar, dava para sentir os seus neurônios trabalhando numa solução para isso. – Eu tenho certeza de que vai ter alguma notícia na internet amanhã sobre isso, e você vai ver que o homem irá sobreviver. – Ele falou com uma voz meiga e, ao mesmo tempo, consoladora.

Eu acenei em confirmação para ele.

_ E a Lana? Ela está bem? – Ele perguntou.

_ Ela estava tão atônita quanto eu e todas as outras pessoas na rua, eu vou mandar uma mensagem para ela depois para saber como está, mas imagino que esteja tudo bem.

_ Que bom! – Ele disse com um sorriso singelo.

_ Philip, eu... não estou com vontade de fazer nada agora. – Eu disse para ele de uma maneira que ele entendesse sobre o que eu estava falando.

_ Você nem precisava falar Tsoryo. – Ele falou limpando as minhas lágrimas com o polegar. – Eu vou fazer um jantar incrível e nós vamos dormir assistindo filme hoje pode ser? – Ele falou com sua voz meiga e sincera. – Não se preocupe com mais nada.

_ Tá bom! – Eu disse enquanto abraçava ele. – Obrigado Philip.

_ Pelo quê? – Ele perguntou um pouco confuso.

_ Você sabe o porquê. Por ser meu porto-seguro. – Eu falei com sinceridade enquanto nos abraçávamos.

_ Sempre. – Ele falou me apertando ainda mais no nosso abraço e me deu um beijo no topo da minha cabeça.

_ Eu quero tomar um banho agora, estou todo suado. – Eu disse percebendo a minha situação.

_ Claro. Já tem uma toalha no banheiro.

Antes de tomar um banho, eu mandei uma mensagem para a Lana perguntando se ele havia chegado bem em casa. Ela disse que sim e perguntou a mesma coisa, respondi que ainda estou um pouco atordoado, mas estou bem. Lana disse que os seus pais ficaram muito preocupados por conta disso tudo e que ela vai ter que tomar mais cuidado ao sair de casa.

Eu fui para o banheiro, liguei a torneira da banheira do Philip e coloquei uma água morna para mim, preciso tentar tirar pelo menos um pouco do estresse de hoje à tarde.

Eu não consigo acreditar que ainda existem pessoas como aquela hoje em dia. Parece uma realidade tão distante, mas ainda assim tão presente que às vezes é difícil de perceber, o mundo ainda é um lugar muito cruel. Não consigo entender o porquê de a cor ou a raça de uma pessoa ainda ser um motivo para ameaçar a vida dela atualmente, não consigo compreender o porquê de o racismo persistir na mente das pessoas, o que as faz serem assim? Suponho que eu já saiba da resposta, está intrínseco, estruturalizado, uns de maneira mais radical do que outras. Mas não faz sentido, nunca fez sentido, por que eles não percebem isso? Por que não percebem que a cor de uma pessoa não indica quem ela é de verdade ou o seu caráter, sua personalidade e quem ela é por trás disso? Ou que, na verdade, eles são pessoas, seres humanos, como qualquer outra pessoa que pensa, respira e sente? Fico imaginando o que o governo está fazendo para impedir que isso aconteça, o que estão fazendo para que o racismo estruturalizado ou institucional, ou até mesmo as questões de gênero sejam resolvidas de uma vez por todas. Tenho a impressão de que a política nacional não está seguindo uma boa direção, de que não estão valorizando e se importando o suficiente com causas tão essenciais e que englobam milhões de pessoas. Isso mostra ainda mais a necessidade de existirem organizações que lutam contra a perpetuação de práticas preconceituosas.

Eu tomei a decisão certa ao vir para a casa do Philip, se o momento fosse outro eu tentaria resolver tudo sozinho, mas... eu não quero ter que resolver meus problemas sozinho, pelo menos não mais agora, eu o quero perto de mim, para podermos passar por isso juntos e sei que ele é a pessoa certa para fazer isso.

Eu terminei de tomar banho, ia pegar umas roupas em casa antes de vir para cá, mas devido ao que aconteceu eu não pensei duas vezes e resolvi vir imediatamente.

_ Philip você pode me emprestar umas roupas suas? – Eu falei de toalha enquanto ele estava na cozinha.

_ Sim, procura algo leve lá no meu closet. – Philip respondeu.

_ Ok. – Eu fui até o quarto dele.

Procurei em seu closet alguma roupa bem fina, gosto das roupas de Philip, podem ser grandes para mim, mas tem o seu cheiro. Vesti sua cueca box vermelha da Marvel, ele realmente tem uma cueca box da Marvel. Coloquei um short de malhação preto e uma camisa regata amarela. Voltei para a cozinha.

_ Da Marvel? – Eu falei com um sorriso no rosto enquanto puxava o meu short um pouquinho para baixo para que ele pudesse ver a cueca que eu estava vestindo.

_ Vai me dizer que não tem um tesão pelo Thor? – Ele perguntou querendo ver a minha reação.

_ Não sei, acho que ele não é o meu tipo. – Eu me aproximei mais dele e me apoiei na mesa da cozinha.

_ Fazer o quê né? Ele é totalmente o meu tipo. – Ele falou num tom brincalhão me deixando boquiaberto.

_ Seu bobo! – Eu joguei um pano de prato na cara dele.

_ Você fica lindo quando fica com ciúmes. – Ele disse sorrindo.

_ Eu não estou com ciúmes do personagem animado na sua cueca! – Eu falei birrando.

_ Mas com certeza está com ciúmes pelo Chris Hemsworth que interpreta ele. – Ele disse sarcasticamente.

_ Isso é um grande e sujo equívoco. – Eu tentei parecer desdenhoso.

_ Então por que você está vermelho? – Ele me perguntou ainda sorrindo.

Eu mostrei a língua para ele em um ato brincalhão enquanto cruzava os braços.

_ Eu não estou vermelho.

Philip veio nesse exato momento e me beijou, estava um pouco encurvado para não me queimar com a colher quente que estava em sua mão.

_ Você está melhor? – Ele perguntou com um tom meigo.

_ Agora estou. – Eu respondi suavemente.

_ Eu acabei de preparar esse molho, vou colocar ele por cima da lasanha que está no forno. Sente o gosto. – Ele colocou um pouco do molho na minha mão e eu experimentei.

_ Nossa! Isso está muito bom. Não sabia que você sabia cozinhar tão bem. – Eu falei realmente surpreso dado a experiência desastrosa de hoje mais cedo.

_ É só quando a ocasião é especial. – Ele disse em seu tom meigo. – E ainda tem a sobremesa.

_ O que é? – Eu perguntei ávido.

_ Nada mais nada menos do que... – Ele fez uma cara de suspense. – O sorvete da esquina. – Ele falou a última frase sorrindo me dando uma quebra na expectativa. – Se bem que ainda tem pipoca para o filme.

_ Você é muito fofo... e ingênuo se acredita que eu consigo comer tudo isso. – Eu disse apertando as suas bochechas.

_ Se possível quero cozinhar para você sempre. Vou te encher com toneladas de comida. – Ele disse se aproximando para me dar um beijo.

_ Minha meta de relacionamento. – Eu falei enquanto me aproximava para beijá-lo.

Philip me beijou intensamente e passou o braço em volta da minha cintura.

_ Eu não me canso de te beijar Philip. – Eu disse com transparência em seus braços. A segurança que sinto quando estou com ele é... indescritível.

_ Eu também não, mas se quisermos ter um jantar decente é bom eu desligar o fogo. – Ele disse sorrindo e nós desfizemos o abraço. – Não quero repetir a cena de hoje de manhã.

Philip retirou a lasanha do forno e colocou sobre a mesa, depois pegou o molho e jogou por cima da lasanha.

_ Esse cheiro está ótimo! – Eu falei.

_ Eu caprichei dessa vez. – Ele disse todo sorridente.

_ Itadakimasu! – Nós dissemos em uníssono.

_ Ei Philip, você pode me emprestar um moletom para usar na escola. A única coisa que eu tenho para vestir amanhã é a minha calça. – Eu falei um pouco constrangido em ter que pedir isso de novo.

_ Claro, eu gosto de ver você nas minhas roupas. – Ele disse com o sorriso de canto. – Mas não pense que eu vou para a escola vestindo as suas porque elas são muito curtas.

_ Mas você fica tão fofo nelas! – Eu disse com uma voz infantil e lépida imaginando um pequeno coelhinho com o rosto do Philip, orelhas grandes e rosas e usando roupas que apertam os seus pelos. Eu sorri ao imaginar isso.

_ Me recuso. – Ele falou fazendo biquinho e cruzando os braços.

Philip e eu terminamos de jantar. Ele pegou um pote de sorvete na geladeira que, segundo ele, iríamos comê-lo inteiro durante a noite. Nós nos sentamos no sofá e fomos procurar um filme para assistir.

_ Então... qual filme nós vamos assistir? Romance, terror, comédia, ação? – Philip perguntou com o controle na mão.

_ Hum... Pode ser terror ou uma comédia romântica. Mas em filmes de terror eu não fico com medo e em filmes de romance geralmente eu choro no final. – Eu falei analisando todos os pontos a serem considerados. Não queria ação de forma alguma, não depois do que aconteceu hoje.

_ Então vamos assistir terror. – Philip falou. – Porque assim você pode pelo menos fingir que está com medo e pode vir para o meu colo. – Ele disse com um sorriso fofo.

_ Eu não preciso fingir para ir para o seu colo. Mas você pode vir para o meu se estiver muito assustado. – Eu falei tirando sarro dele.

_ Vai nessa! – Ele me deu um cheiro no pescoço. – Então vamos assistir esse daqui. – Philip escolheu um filme um pouco antigo “Illuminated”.

Nós assistimos o filme. Quando terminamos, já eram pouco mais das 23:00 horas. Boa parte do filme eu fiquei com a cabeça apoiada em seu colo enquanto ele me fazia um cafuné, eu suponho que posso até ter dormido em alguns pedaços do filme.

_ Tsoryo? – Philip me chamou de repente.

_ Oi. – Eu falei com uma voz sonolenta.

_ Você já quer ir dormir? – Ele me perguntou ainda fazendo o cafuné.

_ Eu acho que sim. WUAHHR. – Eu bocejei. – Por quê? Você tem algo em mente?

_ Eu estava pensando se você não gostaria de ouvir um pouco de música no terraço.

_ Música? Como assim? – Eu perguntei sonolento.

_ Eu quero tocar um pouco de violão para você. – Ele falou baixinho para mim.

Parando para pensar, ele bem que disse que às vezes tocava violão em seu quarto quando a Lana chamou o Philip para se sentar conosco pela primeira vez no Sweetgreen. Eu vi o suporte do violão no canto do quarto antes, mas nem tinha me lembrado disso.

_ Sim! Eu quero. – Eu falei me levantando de seu colo, quase totalmente desperto do sono.

Philip pegou dois lençóis, um para ele e um para mim, estava fazendo um frio quase glacial lá fora. Ele pegou o seu violão no quarto e nós andamos cingidos um no outro até o terraço, Philip estava com um braço em volta da minha cintura.

Nós nos sentamos na chapa metálica de um dos tubos de ventilação do prédio. Nova Iorque inteira ainda estava acordada, ainda mais do que nós, os carros passavam freneticamente pelas ruas e as luzes proporcionavam um palco interativo onde todos poderiam ser quem quisesse, genuinamente únicos e verdadeiros. Apesar da movimentação das pessoas não havia muito barulho que chegasse até onde estávamos.

_ E o que você vai tocar? – Eu perguntei para ele todo enrolado no lençol.

_ Hum... Algo bem piegas talvez. – Ele disse em um tom brincalhão. – Ou talvez country. Ou uma versão acústica de música pop, o que você acha? – Ele me perguntou com uma expressão muito terna, uma mecha do seu cabelo estava pendendo sobre o rosto e seus olhos tinham um tom brilhante e divertido.

_ Ah! Não sei, para mim qualquer música que você tocar vai ser incrível. – Eu disse com confiança na voz.

_ Eu não sei não, sou um amador cantando, mas me garanto quando estou tocando. – Ele falou animado.

Philip decidiu a música. Ele ficou sério, estava se concentrando para o seu show ao vivo. Philip tocou “Happier” do Ed Sheeran. Ele estava sendo muito modesto quando disse que não sabia cantar muito bem, ele não só tocou perfeitamente como cantou perfeitamente, sua voz encaixou na música e ele soube a conduzir muito bem, sua expressão era serena, nos refrões da música ele olhava para mim, seus olhos brilhavam na penumbra da noite e eu soltava pequenos e furtivos sorrisos por simplesmente estar aqui, por essa noite, pela canção e por ele.

_ Você é incrível tocando Philip. – Eu disse com o rosto corado por conta do frio, meus olhos estavam lacrimejando por conta da música.

_ Você ainda nem viu o meu melhor. – Ele disse sorrindo.

Philip cantou uma versão acústica de “Friends” da Anne-Marie, “Here” da Alessia Cara e “Sweater Weather” do The Neighbourhood. Ele realmente canta muito bem. Eu sorria enquanto ele fazia caretas no meio da música como se fizesse parte de alguma coreografia que ele veio ensaiando a semanas.

Eu bocejei de sono depois da última música. Já estava bem tarde naquele momento.

_ Eu nem percebei que já tinha se passado muito tempo, foi mal. Vem, vamos dormir. – Philip estendeu a mão para mim e me deu um beijo na testa.

Eu segurei a mão de Philip, mais uma vez nós fomos abraçados do terraço até o seu apartamento, estava muito frio. Philip e eu escovamos os dentes, eu o esperei terminar para usar a sua escova, essa é mais uma coisa que eu tenho que lembrar de trazer quando eu for pernoitar aqui, embora o Philip diga que não se importa eu me sinto um pouco mal por fazer isso sempre que durmo aqui. Nós fomos até a cama, eu mal percebi, mas ele já havia trocado a colcha da cama que estava suja da noite anterior. Nós nos deitamos um de costas para o outro, Philip passou uma perna por cima da minha.

_ Boa noite Tsoryo. – Philip falou enquanto cheirava o meu cabelo.

_ Boa noite Philip. – Eu sussurrei para ele enquanto pegava o seu braço direito e trazia para junto do meu abdômen. Amo o modo como a pele dele parece se encaixar com a minha, são compatíveis.

Apesar de hoje ter sido horrível em vários sentidos, tenho sorte de ter alguém como o Philip e a Lana ao meu lado. Não sei o que teria feito se estivesse sozinho, mas sei que com certeza não teria comido tão bem, sob ótima companhia, e que não teria conseguido sorrir hoje ou me divertir de qualquer forma.

Eu espero que aquele homem fique bem...


Notas Finais


Olá Fanfiqueiros! O que acharam do capítulo? Como sempre, adoro comentários e os responderia com o maior prazer.
Seguindo a mesma linha de raciocínio de antes, o pedido que fiz no capítulo anterior é vitalício, se manterá por todos os capítulos e agradeço a todos que, de alguma forma, estão fazendo a diferença.
Boas Leituras e até o próximo capítulo!


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