História As marcas de Sophia - Capítulo 6


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Visualizações 9
Palavras 1.433
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 6 - Mustang


Fanfic / Fanfiction As marcas de Sophia - Capítulo 6 - Mustang


As próximas três aulas foram até que tranquilas, ao bater o sinal, me juntei a multidão de alunos nos corredores de O'Dea High Scool. Coloquei os fones para não precisar ouvir a voz de ninguém, me desligar do mundo por alguns minutos. Na saída da escola, encontrei Ethan, encostado em  um Porsche com seus amigos idiotas, ele ainda usava meu óculos, trocamos um olhar durante alguns segundos, mas logo voltei meu foco ao coturno preto que usava.

A multidão de alunos foi diminuindo aos poucos, cada um tomando uma direção, continuei em linha reta, e logo, era a única estudante andando em North admiral, um bairro localizado a oito quilômetros do centro e mais calmo comparado a outros bairros de Seattle.

Cheguei ao portão da velha casa, pelo que minha mãe diz, ela deve possuir uns cinquenta anos, quando nos mudamos foi feita uma leve reforma, porém, a imagem retrô da moradia permanecia. Quando era pequena, costumava gritar a noite por conta dos "fantasmas", que para mim, eram os velhos donos do casarão, minha mãe desmentia tudo, dizendo que ninguém morreu ali e que principalmente, fantasmas não existem. 

Agora, a famosa questão da existência de  assombrações e coisas sobrenaturais me atormentam e me fazem duvidar da palavra de minha mãe. Talvez, alguém realmente veio a óbito no velho casarão, mas por que atormenta apenas a mim ??!

Coloquei a chave na liga da fechadura, e destravei a porta, adentrei a casa e fechei a mesma atrás de mim, eu estava sozinha, minha mãe apenas chegava ao anoitecer, pois fazia suas refeições no trabalho. Aquela casa se tornou um pesadelo para mim, então decidi almoçar fora, subi as escadas  com pressa,  e ao entrar em meu quarto, joguei a bolsa na cama de solteiro, e troquei o moletom por um jeans escuro. Senti um vento frio balançar meus fios loiros pelo ar, a janela ainda estava quebrada e precisava falar sobre isso com minha mãe mais tarde. Roubei algumas cédulas do meu cofrinho, que apenas possuia setenta dólares, enfiei os no bolso de trás, voltei a minha cama e peguei meu celular, uma mensagem tirou totalmente meu foco.


Oi, desculpa por sair daquele jeito.


Eu ...


Tava atrasado para minha aula.


Amanhã te devolvo o óculos.



  Para mim, estar atrasado não o faria sair daquela maneira, Ethan possuia tantos mistérios assim como os que me rondam.



                    Oi, okay, mas não precisa ficar usando


Hehehe okay madame.



Já me irritava essa história de madame, porém, seu intuito era me irritar. Ethan até que era legal, mas era melhor eu me afastar dele, assim como sempre faço, a única coisa que realizo direito é fazer com que se afastem de mim, se até meu pai se afastou, todos irão também.

Calçei meu all star preto e sai do casarão, andei calmamente pela calçada, sentia a brisa bater contra meu rosto, como se o vento carregasse para longe meus pensamentos e meus temores, eu só queria passar um dia, não sendo eu, não me preocupando com absolutamente nada, eu não sei a definição de uma "pessoa normal", também não quero ser uma, apenas desejo me libertar de tudo isso e viver cada segundo como se o amanhã não existisse e o passado fosse destruído.

Em alguns minutos cheguei ao centro de Seattle, as ruas movimentadas, pessoas andando em todas as direções, dificilmente, um simples "bom dia" é pronunciado para a pessoa ao lado. São diferentes histórias cruzando a rua, ou diferentes mágoas andando na calçada.

Eu era mais um ser humano em meio a multidão, eu sou mais uma alma em meio a humanidade, eu sou mais uma sonhadora em meio a nação, porém, quem é "eu" ?

Continuei minha caminhada e cheguei na lanchonete que frequentei na noite passada com minha mãe, adentrei o local e fui em direção a mesma mesa que ocupei com ela, o local não estava tão movimentado como costuma ficar a noite, apenas ocupei a cadeira que me sentei na noite anterior, logo, por mera coincidência, a mesma garçonete veio me atender.

A moça de alma alegre, não era a mesma, o sorriso desmanchado em seu rosto, e os olhos levemente inchados, mostrava o sofrimento que habitava seu corpo, e se alojara em seu coração.

- Boa tarde moça. - Um sorriso falso foi esboçado em seus lábios. Aliás, ela necessitava do emprego, e não poderia atender um cliente com os olhos cheios de lágrimas. - O que vai pedir ?

- Um refrigerante de lata.

Não estava com fome, apenas vim para a lanchonete para ter uma desculpa de não ficar naquela casa. Da mesma maneira que ontem criei diversas teorias do motivo de sua felicidade, hoje crio de sua infelicidade. A moça se despediu e voltou ao balcão

As minhas teorias eram as seguintes sobre sua felicidade do dia anterior.


  * Seu pai voltou, e consequentemente ela ganhou uma família.


  * Não teve pesadelos, o Sorriso estampado era o troféu da vitória a mostra.


  * Conheceu um garoto legal e pode te-lo ao seu  lado, não precisando se preocupar com a sua realidade amarga.


Imaginava o que poderia na verdade me fazer feliz, já as teorias de sua infelicidade, era na verdade, a minha atual realidade.

A moça voltou, colocou a latinha de refrigerante a minha frente, esboçou um leve sorriso de canto e se retirou novamente. Fiquei ali sentada no fundo da lanchonete, observando as pessoas a minha volta e o quão inútil são as suas meras funções, o quão inútil é a alma escravizada pela riqueza, o quão ignorante é o ser humano que valoriza o material, simplesmente, inútil.

Abri a latinha, e logo tomei um pouco do conteúdo, levei as mãos ao meu rosto, abaixando meu o mesmo e fitando meu all star, os cotovelos apoiados na mesa e a palma da minha mão precionando minha testa, me deixavam com uma sensação de "protegida", em meus momentos de silêncio viajo para o "Mundo de Sophia" e lá me resguardo da Terra.

Acabei com o refrigerante, e como de costume, amassei-a, não era necessário, mas ... Eu gostava. Ri com meu comportamento infantil, e fui até o caixa pagar pelo suco, a mulher loira, nem ao menos olhou para mim, sua concentração estava fixa na tela do celular, como se estivesse hipnotizada, apenas retirou o dinheiro da minha mão e voltou a trocar mensagens com um possível namorado.

Eu não entendia como as pessoas eram tão "dependentes" de um aparelho e como o mesmo poderia controlá-los, porém, não me importava mais com essa situação.  Antes de sair da lanchonete, dei uma olhada no relógio de parede perto do balcão principal, eu demorei tempo demais naquele lugar, dali dez minutos seriam três horas, e eu havia me esquecido de Mary.

Sai rapidamente pela calçada, esbarrei em algumas pessoas por conta dos passos apressados e a multidão que se encontrava ali, avancei mais rapidamente em direção a casa de Mary, que para minha sorte, ficava a dois quarteirões dali.

Coloquei as mãos no bolso da blusa e soltei uma lufadas de ar frio da minha boca, meus cabelos voavam para trás, fazendo os fios bagunçarem, mas não me dei o trabalho de arruma-los, mais alguns passos e precisei cruzar a rua, alguns pedestres já haviam cruzado, e dali alguns segundo o sinal para que os carros seguissem seu caminho seria dado, mesmo assim avancei sobre o asfalto, meus passos pelo cimento batiam e ecoavam pelo meu ouvido, ergui meus olhos e olhei em volta, Seattle havia congelado, tudo estava imobilizado, minha respiração incorreta e a pulsação acelerada era o único som audível da rua mais movimentada da cidade, um grito ecoou pela rua e virei meu rosto ao dono da voz, Ethan gritava meu nome na calçada, seus olhos negros e assustados focavam em mim, a preocupação em seu semblante vez meu corpo esfriar, eu estava na metade da faixa de pedestre, levemente virei minha cabeça sentindo o frio gelido bater contra a mesma, meu coração acelerou mais uma vez, porém, dessa vez foi diferente. O Ford Mustang se aproximava rapidamente em minha direção, não dava mais tempo.

Cerrei minhas pálpebras como se aquilo fosse me tirar dali .... Acabou.

A colisão com o carro fez meu corpo bater contra o parabrisas do automóvel, cai em uma distância pequena do Mustang, batendo minha cabeça contra o asfalto. Fiz uma certa "força" para manter os olhos semiabertos, em meus ultimos momentos consciente, senti um corpo se aproximar do meu, virei com esforço meu rosto para a figura que acariciava minha mão, e utilizando minha últimas forças sussurei sem voz ao ser.


- Ethan ...


 


  



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...