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História As Marotas - Capítulo 30


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Capítulo 30 - Oliver Wood



Estação King Cross, 1° de setembro de 1945


- Venha, querida - chamou um homem grisalho com sotaque alemão, puxando uma menina pela mão - Venha, vamos, vamos!

Uma menina muito magra de olhos cor de chocolate e cheios de medo tentava a todo custo empacar. Ela se arrastava, tentando sem sucesso fincar os pés no chão, enquanto era gentilmente puxada pelo tio que a tentava embarcar no Expresso de Hogwarts.

Uma outra menina muito energética e animada corria pela estação balançando um sininho.

O homem suspirou com a resistência da sobrinha, e se ajoelhou ao seu lado:

- Do que você tem medo? Vai fazer muitos amigos lá!

A mesma menininha que corria parou ao lado da que tinha medo de embarcar, balançando seu sininho. A outra, interessada no sininho, olhou muito curiosa para ele.  A menina dona dele, o ofereceu para a outra, ainda do lado do tio, mas agora sem o medo de antes. Ela o pegou e começou a balançar também.

- Qual é seu nome? - perguntou a dona do sininho

- Olga Schneider - respondeu a menina dos olhos cor de chocolate - E o seu?

- Minerva McConagall - respondeu a outra sorrindo, segurando na mão de Olga e mostrando para ela a entrada da Plataforma 9¾. A menina esquecendo na hora perdeu todo o medo e saiu com a nova amiga, até esquecendo do tio

- Tchau, Olguinha! - gritou ele acenando - te vejo no Natal!



Hogwarts, 1950


- Como se fala "caldeirão" em alemão? - perguntou Minerva, enquanto estavam sentadas na biblioteca

- Kessel - respondeu Olga

- Kessel? 

- Uhum, caldeirão em alemão é Kessel - riu Olga - você gostou mesmo da língua hein, Minnie!

- Acho bonito a pronúncia enquanto você fala com seus tios. E é sempre bom aprender um novo idioma - disse Minerva

- Úrsula, a mulher que conheci em Auschwitz, falava alemão perfeitamente. Na verdade, ela falava de tudo perfeitamente. Aprendi um pouco de espanhol com ela.

- Pra você tentar achar o filho dela? 

- É, tipo isso - sorriu Olga - Eu prometi a ela que se saísse de lá, tentaria achar os filhos dela.

- E você lembra os nomes deles? - perguntou Minerva arqueando a sobrancelha

- Um chama Andreas, e o outro...acho que é Victor

- E você vai mesmo tentar procurar por eles?

- Claro, prometi a ela - garantiu Olga.

- Prometeu o quê? - perguntou uma garota, se sentando junto a elas

- Oi, Augusta - riu Olga - Não te vi hoje no almoço.

- Eu estava na comunal ralhando com o Longbottom... acreditam que ele perdeu 20 pontos da Grifinória?! Eu ainda mato aquele moleque!

Olga riu e Minerva balançou a cabeça em desaprovação.

- Caramba! Quem é esse moço aqui? - perguntou Minerva enquanto olhava o álbum antigo de Olga, que ela tinha a deixado ver

- É o Oliver, meu irmão mais velho - respondeu Olga olhando a foto

Uma fotografia mostrava um homem de meia idade sentado e do lado um rapaz muito bonito vestido uma roupa inteira preta que destacava seu rosto. Não aparentava ter mais de 20 anos. Era claro, e tinha os cabelos castanhos escuros e o nariz um tanto arrebitado, como os da irmã, e também tinha os mesmos olhos cor de chocolate dela. E no meio dos dois uma Olga de uns 9 anos, muito sorridente e banguela, com um cotovelo apoiada no pai e o outro no irmão.

- Seu irmão era gato, hein - comentou Augusta

Olga riu

- Minhas amiguinhas do Liceu, quando iam nas minhas festas de aniversário em casa, achavam ele um deus grego 

- Até eu achei - respondeu Minerva, fazendo Olga rir

- Essa foi a nossa última foto - suspirou ela - Dias depois ele tentou migrar para cá, na Inglaterra, antes do resto da família. Mas os nazistas o pegaram no caminho e ele nunca chegou aqui e nem voltou pra casa.

- Você soube depois o que aconteceu com ele? - perguntou Minerva

- Bom, - respondeu ela fechando o livro - segundo o relatório oficial dos alemães, ele morreu eletrocutado na cerca do campo, tentando fugir. Mas eu não acredito que ele tenha fugido... acredito que ele fez isso de propósito.

- Você acha que ele se matou?

- Tenho certeza - olhou Olga - Meu irmão não suportaria viver naquelas condições mais, então ele tentou se livrar assim. Sabia que não sobreviveria lá.

E elas olharam mais uma vez para o rosto muito bonito de Oliver em preto e branco na fotografia.

- Vocês vão hoje na festa do Professor Slughorn? - perguntou Augusta tentando mudar de assunto 

- Sim, sim!! - respondeu Olga animada - vai ser muito divertida, tenho certeza! 


- Meninas, que bom que vieram! - exclamou o Professor Slughorn - Srta Schneider, está muito elegante! E você também, srta McConagall!

- Obrigada, Professor - sorriram elas

Não muito longe um menino franzino e de cabelos castanhos claros observava Olga de longe. Ele se aproximou discretamente, mas não passou despercebido pelo professor, que o puxou de vez

- Srta Schneider, conhece o Sr Wood? - perguntou Slughorn - Está um ano atrás de vocês

- Claro - sorriu Olga - No meu segundo ano ele me defendeu do Orion Black, quando ele me chamou de sangue ruim.

- Do Senhor Black? - perguntou Slughorn surpreso

- É, ele estava se vangloriando para todo mundo que ia casar com uma prima, pra não "sujar o sangue puro" da família dele. E que ele "educaria" muito bem os futuros filhos deles para não correr o risco de algum dia qualquer um deles "se misturar com alguém da minha laia".

- Não ligue pra isso, Olga. A maioria dos "sangue puros" daqui, menosprezam a gente, você sabe - disse Minerva

- Eu não faço isso! - comentou Augusta um pouco ofendida

- Eu também não - concordou Wood - Jamais te trataria assim, Olga

- Obrigada, Louis - sorriu ela

Louis ficou vermelho como um pimentão

- Bom, divirtam-se, meninos - desejou Slughorn antes de ir bajular os outros convidados



Beco Diagonal, 1975

 

- Nossa, mas isso é fila pro banco ou pra show dos Beatles? Puta merda - resmungou Catarina

- É, verdade, mama - concordou Bella se agachando para descansar - E eu tô morrendo de fome. Quando a gente vai poder lanchar?

- Sem contar o calor que tá aqui - bocejou Helena fazendo sair um ventinho das mãos

- Eu vou sentar aqui mesmo, foda-se - decidiu Jane se sentando no chão da calçada

- Jane, não senta nesse chão sujo - pediu Olga - Mas vocês só reclamam, hein! Igualzinho o pai de vocês quando nós íamos ao cinema. Victor só reclamava, de ter que ficar esperando na fila.

- Ai, queria eu estar no cinema agora - suspirou Helena se encostando na parede

- Comendo uma pipoquinha - suspirou Bella

- Se esticando na poltrona - se espreguiçou Catarina

- E vendo um filminho bem de boa - se espalhou Jane no chão

- Nós precisamos passar por aqui, meninas. Preciso trocar o dinheiro que tenho aqui para comprar os materiais de vocês e...pronto, agora somos nós, vamos! - avisou Olga e as cinco entraram no Gringotes.

- Mama, a gente pode ir tomar um sorvete na Florean Fortescue? - pediu Helena depois de trocarem o dinheiro

- Claro, vão lá - e lhe entregou o dinheiro recém trocado - Eu vou dar uma passada no Olivaras para ele dar uma olhada na minha varinha

- Olga! - chamou alguém atrás dela. As meninas viram a dono da voz, mas saíram mesmo assim. Catarina ainda deu uma última olhada no homem, que ela tinha percebido que olhava sua mãe já fazia um tempo, de longe, na fila.

Ela se virou e deu de cara com um homem de terno, musculoso e de cabelos castanhos claros quase escondidos em uma chapéu coco

- Olá? - cumprimentou Olga com os olhos semicerrados tentando reconhecer o homem

- Sou eu...o Wood - esclareceu ele tirando o chapéu - Louis Wood

- Ohh, meu Merlín! Louis! Quanto tempo! Me desculpe...eu não te reconheci. Você está diferente!

- Espero que pro bem - riu ele 

- Certamente que sim! - sorriu ela - O que você fez nesses últimos anos? Não te vejo há tanto tempo!

- Eu trabalho no Ministério...no Departamento de Execução de Leis da Magia. O Professor Slughorn me ajudou muito com os contatos. Aí fui subindo de cargo.

- Você sempre foi uma pessoa muito dedicada e esforçada, o mérito é todo seu. - sorriu ela 

- Sempre tão gentil - corou ele - Aquelas mocinhas são suas filhas?

- São sim, já têm 15 anos, dá pra acreditar? Estou ficando velha mesmo - riu ela

- Que nada - riu ele - Você veio com elas e seu marido?

- Bom, eu me mudei, me casei, enviuvei e voltei para Londres...somos só nós cinco agora.

- Ahh, eu não imaginava. Me desculpe, e meus pêsames pelo seu marido

- Tudo bem, não tinha como você saber - sorriu ela - E já faz um bom tempo também. E você, se casou? Teve filhos?

- Eu fiquei noivo, mas não cheguei a me casar

- Ahh sim...bom, você é novo ainda - riu ela

- Não muito - riu ele de volta

E conversaram por mais um tempo 

- Eu estou no meu horário de almoço, você não gostaria de tomar um café? Sem querer ser indelicado, claro - convidou Louis

- Não está sendo indelicado de jeito nenhum! Bom, Louis, eu prometi para as meninas que as levaria no Três Vassouras daqui a pouco - ela consultou o relógio - Vim para comprar os materiais delas de Hogwarts, já que semana que vem é o primeiro dia delas lá...Se você não se importar, pode me mandar uma coruja para marcarmos de almoçarmos juntos por aqui, qualquer dia desses. Tudo bem para você?

- Claro! Pode ser sim... você está morando em Londres?

- Estou sim, estou em Kensington, e você?

- Pertinho de Hogwarts - riu ele - em Hogsmeade!

- Ahh, eu adoro aquele lugar! - riu ela nostálgica

- Bom... então marcamos um almoço

- É claro - sorriu Olga - Até logo, Louis



Hogsmeade, julho de 1976


- Que bom que vocês chegaram - se aliviou Louis, quando Bella, Helena, Jane e Catarina chegaram acompanhadas dos meninos 

- Viemos assim que soubemos - confirmou Jane, segurando a mão de Remo - faz tempo que ela está aí?

E ouviram um grito de dor vindo de quarto acima, na casa.

- Faz umas duas horas - respondeu ele angustiado, andando de um lado para o outro - Está vindo antes da hora, era para nascer só daqui a algumas semanas

- Madame Pomfrey avisou que é uma gravidez de risco, pela mama estar numa idade avançada para ter filhos agora - se lembrou Bella

- Por que não a levam para o St Mungus? - perguntou Catarina angustiada 

- Depois que a bolsa estourou, a enfermeira disse que não tinha tempo. Só quando o beber já tiver nascido, e ainda vai precisar ficar internado, pelo jeito.

Helena rezava baixo em latim misturado com hebraico e espanhol no canto da sala, Sirius ficou ao seu lado, afagando as suas costas

- Eu vou lá - disse Bella disparando escada acima

- Bella...- chamou Régulo, mas ela havia subido

Catarina estava paralisada sentada no sofá, com as pupilas dilatadas e olhando para o nada.

A Profª McConagall chegou

- Ela está lá em cima? - perguntou Minerva 

Louis só acenou com a cabeça

Ela se sentou para esperar também

As horas se passavam e nada. Helena estava agarrada ao colar com a estrela de Davi, que tinha pertencido a Olga e antes a sua avó. Sirius e Régulo estavam sentados entre ela, sem saber muito o que falar e faxer. Jane estava com a cabeça apoiada em Remo. Catarina estava sentada no chão e encostada no sofá, com cabeça entre os joelhos.

Até que um choro de bebê quebrou o silêncio da casa e todos se olharam

Bella disparou escada abaixo

- É um menino! - exclamou ela sorrindo de orelha a orelha.

Eles subiram para o enorme quarto, onde Olga, exausta, estava deitada na cama segurando um embrulho minúsculo.

Louis se aproximou e se sentou ao lado dela

- Eu falei que era um menino - ela deu uma risada falha

Ele olhou orgulhoso para o filho recém nascido e seus olhos se encheram de lágrimas

- Por favor, não cheguem muito perto todos juntos - pediu a enfermeira - é um bebê prematuro, muito frágil e todo cuidado é pouco. Vamos levar a senhora e ele para o St Mungus daqui a pouco... vocês precisam de todos os cuidados médicos.

Olga e Louis assentiram

Régulo se aproximou de Bella, e ela, sorridente virou para trás e lhe deu um selinho.

Sirius abraçava Helena por trás, e ela tinha um sorriso enorme. Remo e Jane, de mãos dadas, olhavam admirados também. Catarina se esforçava para não sorrir e nem chorar, fazendo Sirius rir baixo da cara dela.

- Diga oi para as suas irmãs e para os seus cunhados, meu querido - sorriu Olga para o filho o erguendo um pouco, que tinha exatamente os olhos dela e o narizinho arrebitado.

- Vocês já decidiram o nome dele? - perguntou Minerva emocionada

Olga olhou para amiga e depois para as filhas e para Louis, que sorriu.

- Eu pensei em...Oliver. Era o nome do meu irmão - e seus olhos ficaram marejados - Ele até que se parece com ele - riu ela

- Eu achei muito legal...- sorriu Louis olhando para ela e para Oliver  - ...Oliver!


















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