História As noites em Taebaek são perigosamente atraentes. - Capítulo 20


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Categorias Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Personagens Originais, Seulgi, Wendy, Yeri
Tags Irene, Red Velvet, Seulgi, Seulrene
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Palavras 4.394
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Mistério, Orange, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá!

Bem, o capítulo anterior talvez tenha ficado um pouco... fora de contexto? Acredito que não muito, mas eu achei importante esclarecer algumas coisas que podem ter sido incógnitas sobre Joohyun ao longo da fic.

Este aqui é o último, infelizmente. Falarei tudo o que preciso nas notas finais, até lá, uma boa leitura!!

Capítulo 20 - O desdobrar de mentes e sentimentos.


Seul, quatro anos após a investigação.


Joohyun está sentada em sua cadeira, com os pés em cima da mesa, olhos fechados enquanto escuta a gravação da sessão que teve com um de seus pacientes.

“E você sente que odeia seu irmão?”

“Não, eu o amo! Eu só... não consigo controlar esses pensamentos horríveis.”

“E por que você acha que tem esses pensamentos horríveis? Por que planeja modos de matar seu irmão?”

“Eu não sei! Eu só preciso que isso pare, porque nunca faria isso, com ninguém, muito menos com meu irmão.”

Alguém bate na porta da sala de Joohyun, e ela rapidamente pausa a gravação, se levantando e indo em direção à porta.

“Desculpe incomodar, doutora. Preciso que dê uma olhada nisso.” A enfermeira estica uma ficha médica na direção de Joohyun.

Kang Seulgi... isso é uma piada? Joohyun pisca várias vezes, se certificando de que leu o nome corretamente.

“Um colapso logo após dar uma facada no próprio pai. Autodefesa.” A enfermeira informa.

Joohyun está paralisada, tentando processar as informações. Seulgi, em Seul, entrando em colapso após dar uma facada no pai abusador.

“Eu não posso me responsabilizar por essa paciente.” Joohyun engole em seco enquanto nervosamente devolve a ficha para a enfermeira.

“Perdão?”

“Eu a conheço. Quebraria o código de ética.” Joohyun responde. “Por favor, encaminhe-a diretamente para Dra. Lee, e mais ninguém.” Joohyun diz antes de rapidamente fechar a porta, descansando as costas na madeira verniz e massageando as têmporas.

Isso só pode ser uma piada. Joohyun reforça o que já havia pensado.

A doutora rapidamente caminha até a janela de sua sala, olhando para baixo, tentando encontrar Seulgi no pátio ou no jardim da clínica mas não obtendo sucesso.

Ela provavelmente está no quarto. Joohyun imagina, passando os dedos entre os fios de seu cabelo e tentando raciocinar.

No meio de todo o caos mental da doutora, a porta da sala é aberta abruptamente, assustando Joohyun.

“Eu sinto muito, doutora. Eu disse que ela não pode entrar sem –“

“Não, tudo bem.” Joohyun levanta uma mão e interrompe o enfermeiro. “Eu cuido disso.” Ela assiste o homem hesitando um pouco antes de deixar a sala e fechar a porta.

É como se Seulgi estivesse vendo um fantasma na sua frente.

Ela fica imóvel enquanto assiste Joohyun caminhando lentamente até sua cadeira e se sentando. “Por favor.” A doutora aponta para uma das cadeiras na frente de sua mesa.

Tranquila por fora, assustada por dentro.

Seulgi arrasta seus pés e se senta, não tirando os olhos de Joohyun nem por um segundo.

“Por que você invadiu minha sala como se fosse uma paciente histérica?” Joohyun pergunta.

“Quando entrei na clínica, eu vi a placa dizendo que você é a diretora. Eu queria... ter certeza de que não estava ficando louca.” Seulgi se explica.

Joohyun assente lentamente. “Sabe... você só precisava dizer para Dra. Lee que queria me ver, eu iria até seu quarto pessoalmente.” A doutora abre um sorriso.

E Seulgi quase se emociona.

Ela não acredita que depois de quatro anos, está vendo Joohyun bem na sua frente, escutando a voz calma e lenta que tanto amava ouvir e apreciando a doutora sorrir.

Pois Joohyun não sorria muito.

“Eu não confio em mim mesma para ficar sozinha com você dentro de um quarto.” Seulgi argumenta e Joohyun ri envergonhadamente, como se a veterinária estivesse brincando, ou como se estivesse falando alguma loucura.

Ela está tentando ignorar o passado? Seulgi se pergunta.

Não. Joohyun está apenas tentando permanecer como a diretora da clínica, e não uma pessoa marcante na vida de Seulgi.

“Como você está aqui?” Joohyun precisa perguntar.

“Eu disse que sonhava em me mudar para Seul. Realizei meu sonho.” Seulgi responde.

Ela leva seu tempo correndo os olhos pela sala de Joohyun. Seulgi já esperava a imensidão de livros nas estantes, mas ela não esperava a Joohyun que vê na sua frente.

É diferente do que Seulgi se lembra.

“Até o seu jeito de falar é diferente.” Seulgi comenta.

“Podemos fingir que eu sou Irene.” Joohyun propõe.

“Meio impossível agora que eu te conheço realmente.” Seulgi diz.

“Justo.” A doutora assente uma única vez, compreendendo perfeitamente.

Joohyun quer fazer perguntas sérias e íntimas para Seulgi, mas ela se contém, agora, isso é trabalho da Dra. Lee.

Seulgi continua observando a sala, e um porta retrato em cima da mesa chama sua atenção. Ela estica seu corpo para frente e pega o objeto.

“Você acha que ele ainda estaria vivo?” Seulgi pergunta enquanto observa a foto de Dosook.

“Você me diga.” Joohyun responde. “Afinal de contas, a especialista em animais aqui é você.”

Seulgi deixa uma risada escapar pelo nariz enquanto assente com a cabeça. “Sabe... eu tenho uma teoria.” A veterinária diz enquanto posiciona o porta retrato na mesa novamente. “E segundo ela, não importa o quanto eu tenha estudado os cães e outros animais, eu nunca conhecerei Dosook como você, porque ele era seu e não meu.”

Seulgi tira seus olhos da foto para olhar na direção de Joohyun, mas a doutora rapidamente desvia seus olhos para baixo. “É uma boa teoria.” Joohyun concorda. “E por mais que eu quisesse tê-lo aqui ainda, temo que não seria possível. Ele já estava bem velho.”

“É, ele estava.” Seulgi sorri enquanto se lembra de Dosook em todas aquelas manhãs que acordava com o cão lambendo seu rosto.

As duas ficam em silêncio, e quando seus olhares se sustentam por um breve momento, Joohyun sente que precisa romper a tensão. “Eu tenho algo que é seu.” A doutora abre uma de suas gavetas e tira de dentro o cordão de Seulgi.

“Oh... eu achei que tinha perdido.” Seulgi franze suas sobrancelhas quando vê a joia.

Ela pensa em perguntar para Joohyun porque a última guardou o cordão, mas Seulgi faz uma hipótese ou duas por conta própria.

“Meu pai –“ Seulgi faz uma pausa bruta, ficando surpresa consigo mesma por dizer isso com tanta naturalidade. “Ele ficou aborrecido quando eu disse que havia perdido.”

“Eu achei caído embaixo da cama do meu apartamento em Taebaek.” Joohyun explica. “Estava planejando te entregar antes de partir mas acabei me esquecendo.” A doutora suspira enquanto estica a joia, como se estivesse se preparando para se separar dela.

Seulgi também estica a mão e pega o cordão, lentamente passando seu dedão através do pingente. “Você pode colocar para mim?” Ela estica a joia de volta para Joohyun, e a última hesita antes de pegar.

Joohyun permanece sentada enquanto Seulgi se levanta, vira-se de costas e puxa toda a extensão de seu cabelo castanho claro para frente.

Fitando as costas de Seulgi por alguns segundos, Joohyun finalmente se levanta e caminha para perto da veterinária, posicionando-se atrás dela.

Quando as mãos de Joohyun entram em contato com sua pele, Seulgi imediatamente fecha seus olhos, a sensação do toque de Joohyun é como receber uma dose de álcool após ficar sóbria por quatro anos.

Depois de colocar o cordão em volta do pescoço de Seulgi, Joohyun dá um longo e lento passo para trás.

Apenas por segurança.

Seulgi se vira de frente e olha para baixo, pegando novamente o pingente e depois olhando para a doutora. “Bom... Dra. Lee quer me ver então...” A veterinária aponta para trás. “Eu deveria ir.”

“Você deve.” Joohyun concorda. “Foi bom te ver novamente, Seulgi.” A doutora franze o cenho, como se estivesse decepcionada com a frase que disse.

Mas ela não faz nada sobre isso.

Joohyun apenas vai até a porta, abrindo-a e lançando um leve sorriso na direção de Seulgi, que fica imóvel por um instante antes de se aproximar da porta.

Até agora, o reencontro foi extremamente artificial, de ambas as partes. Por medo.

Medo de rejeição.

Medo de desenterrar mágoas, lágrimas já secas, chamas já apagadas, corações já cicatrizados.

Antes de pisar para fora da sala, Seulgi coloca sua mão na madeira da porta, bem acima da mão de Joohyun, que está segurando a maçaneta. A veterinária fita o corredor branco, limpo e vazio e deixa escapar uma risada.

Apesar de que, ela não sabe exatamente qual é a graça.

Tudo o que Seulgi sabe é que se vê absolutamente sem controle quando empurra a porta com força, voltando a fechá-la.

Seulgi decide se arriscar.

Joohyun não tem nem mesmo tempo de se assustar quando sente Seulgi prensando-a contra a porta e lentamente levando uma mão até sua nuca enquanto a outra descansa na porta, ao lado da cabeça da doutora.

Seulgi suspira quando sente seus lábios tocando os de Joohyun gentilmente.

É estranho sem o gosto do vinho.

Foi estranho para ela ver os lábios de Joohyun rosados e não avermelhados.

Mas não é estranho para Seulgi o fato dela sentir a mesma coisa que sentiu quando beijou Joohyun pela primeira vez, mesmo após quatro anos.

Seulgi lentamente entreabre seus lábios, o ato é cauteloso, como se algo trágico fosse acontecer se ela não usasse cautela.

Joohyun sente a língua de Seulgi tocando seu lábio inferior, mas antes que algo mais profundo possa acontecer, ela leva suas mãos até a cintura da veterinária e gentilmente a afasta.

Ela prefere não correr o risco.

“Seulgi...” Joohyun balança a cabeça negativamente enquanto fita a veterinária. “Você é casada.”

Antes que Seulgi possa perguntar, Joohyun vira sua cabeça que está encostada na porta e fita a mão de Seulgi que está prensada contra a madeira, carregando uma aliança no dedo anelar.

“Eu sou casada.” O tom do sussurro de Seulgi revela que ela parece ter se esquecido deste detalhe. “E tenho um filho.”

“Você é casada e tem um filho?” Joohyun não pode deixar de notar que essa é a pergunta que queria fazer para sua antiga colega que viu em Daegu.

Mas aqui, agora, na frente de Seulgi, ela apenas não consegue vocalizar o isso é ótimo, que vinha depois da pergunta.

Seulgi assente com a cabeça.

Ela dá um passo para trás e leva dois dedos até seus lábios, se dando conta da linha que acabou de cruzar. “Me desculpa por isso.” Ela lamenta.

“Tudo bem,” Joohyun dispensa as desculpas. “Eu entendo.”

“Entende?” A pergunta de Seulgi sai em um tom mais sarcástico do que ela pretendia. A veterinária olha para baixo, pensa, espera, Joohyun não diz nada, e ela também não sabe o que dizer.

Seulgi deixa a sala.

--

Colocando uma mão dentro de um dos bolsos de seu jaleco, Joohyun encosta a testa no vidro da janela, observando o pátio da clínica, os pacientes e as enfermeiras.

Ela abre um sorriso quando vê uma paciente específica dando risada junto com a enfermeira. É uma mulher que fez progresso, e isso deixa a doutora feliz.

Com 32 anos de idade e uma experiência vasta o suficiente para dizer que já viu de quase tudo, Joohyun aprendeu que qualquer problema, de qualquer paciente, deve ser tratado por ela com a mesma dedicação e carinho, não importa se ela acha que deve superestimar ou subestimar determinado caso.

Não importa o que Joohyun acha, Dra. Bae deve ser sempre imparcial.

E essa é a parte mais traiçoeira do trabalho de Joohyun.

Saber que um assassino deve receber o mesmo tratamento que a família da vítima.

A doutora estreita seus olhos e cruza os braços quando vê Seulgi adentrando o pátio e se sentando em um banco, sozinha, observando os outros pacientes.

“Não é mais parte da sua vida, Joohyun...” A doutora diz para si mesma enquanto fita Seulgi. “Apenas volte para o seu trabalho.” Ela tenta se convencer.

Dez minutos depois, Joohyun adentra o pátio.

Ela acena para os pacientes que a cumprimentam, adotando um sorriso amigável e simpático.

Quando se aproxima de um paciente específico, ela rapidamente tira as mãos de dentro dos bolsos de seu jaleco, levantando-as na altura do peito.

“Como estão as minhas mãos hoje, Sr. Jung?” A doutora pergunta.

O homem fecha e abre as mãos enquanto fita as de Joohyun, se aproximando um pouco da doutora para olhar as palmas das mãos dela mais detalhadamente.

Joohyun sorri quando ele rapidamente assente com a cabeça. “Muito bem. As suas parecem ótimas.” Ela elogia enquanto se afasta do paciente.

Sentada em um banco não muito longe dali, Seulgi observa Joohyun, ainda impressionada com a mulher totalmente diferente que está vendo na sua frente.

Ela encara a doutora fixamente enquanto a mesma caminha na sua direção.

Joohyun se senta ao lado de Seulgi, olhando para cima e fechando os olhos para protegê-los do sol.

“É bonito aqui.” Seulgi comenta.

“Uma visão que agrada aos olhos vem a calhar para pessoas que estão instáveis mentalmente e querem ver coisas bonitas e tranquilizantes.” Joohyun explica.

“Faz sentido.” Seulgi concorda. “Mas cá entre nós, o fato de ser tudo branco lá dentro é um pouco assustador, na minha opinião.”

“Você ficaria surpresa se soubesse quantas vezes eu já escutei isso.” Joohyun diz.

“Você sempre tem conversas desse tipo com seus pacientes?” Seulgi mantém seu olhar fixo em tudo à sua volta, menos Joohyun.

“Como estamos hoje, Srta. Kang?” Joohyun usa a pergunta que sempre faz para todos os pacientes, arrancando uma risada de Seulgi.

“Melhor que ontem.” Seulgi diz.

“Isso significa que você está bem?” Joohyun pergunta.

“Hm...” Seulgi pensa sobre a pergunta, inflando suas bochechas e soltando o ar aos poucos. “Eu estou chegando lá.”

“O que você acha que está te impedindo, neste exato instante?” Joohyun faz um tipo de pergunta que deveria ser feita por Dra. Lee, mas ela apenas precisa saber.

“Tem algo me incomodando.” Seulgi revela. “Pode parecer doentio, mas eu tenho curiosidade em saber...”

“Você se pergunta porque ele demorou tanto tempo para fazer isso.” Joohyun imediatamente adivinha o que Seulgi está pensando.

“Bom... você realmente é especialista na mente humana.” Seulgi comenta.

“Alguns consideram um dom, outros... um fardo.” Joohyun diz.

“O que você acha?” Seulgi finalmente vira o rosto e olha para Joohyun, que está olhando para frente.

“Ambos estão corretos. Depende da situação.” A doutora explica.

“No meu caso. Dom ou fardo?” Seulgi pergunta.

“Fardo.” Joohyun responde. “Eu preferiria não saber que esse tipo de coisa aterroriza a sua mente e prolonga seu sofrimento.” Ela também vira seu rosto e fita os olhos de Seulgi.

A veterinária tenta decifrar exatamente o que Joohyun quis dizer com isso, mas sente que só entendeu por parte.

“Então... desistiu da psiquiatria forense?” Seulgi decide mudar de assunto.

“Eu precisava me afastar.” Joohyun olha para cima novamente, agora fitando uma árvore que está por perto. “Eu estava me deparando com muitos frutos do fardo e poucos de dom.”

“Deve ser difícil,” Seulgi diz. “Fingir ser outra pessoa o tempo todo.”

“Na verdade, o caso em Taebaek foi o único em que eu utilizei um disfarce.” Joohyun responde.

“Por quê?”

“Bom... foi uma exigência do detetive que liderou o caso. Ou eu aceitava, ou estaria fora da investigação.” Joohyun explica.

“E por que você aceitou?”

“O caso me interessou. Assassinos em série, todos os seus métodos de pensar, os rituais por trás de cada assassinato... eu sou apaixonada por isso.”

“Hm...” Seulgi assente com a cabeça. “Você realmente é diferente do que eu me lembrava.”

Joohyun deixa uma leve risada escapar de seus lábios. Ela percorre seus olhos pelo pátio e vê Dra. Lee passando ao lado de uma paciente.

“Bom começo com a Dra. Lee?” Joohyun pergunta.

“Foi ótimo.” Seulgi responde honestamente. “Eu falei de você a maior parte do tempo.”

“Eu imaginei que você faria isso,” Joohyun diz. “Foi por isso que pedi que você fosse encaminhada para ela. Dra. Lee é minha amiga, quase uma irmã.”

Dra. Lee é a filha do professor Lee.

“Não vai perguntar o que eu contei para ela?” Seulgi pergunta.

“Eu não posso. Seria antiético.” Joohyun diz.

“Então... eu posso te fazer uma pergunta que teria feito se você estivesse me tratando?”

“Hm...” Joohyun hesita por um segundo, temendo a pergunta, assim como a sua resposta. “Claro.”

“Você me amou?”

Por que Joohyun sente que esperou durante quatro anos para responder isso?

Joohyun abaixa sua cabeça. Ela discretamente fita a aliança no dedo de Seulgi e depois os olhos dela.

A doutora está ciente de que Seulgi sabe a resposta, mas a última provavelmente quer ouvir as palavras sendo ditas.

“Eu amei.” Joohyun responde.

Ela leva sua mão até a borda do banco, observando a de Seulgi, que está logo ao lado. Joohyun fita a sua mão que está há um mísero centímetro de distância da de Seulgi, sabendo que, se elas estivessem em Taebaek, quatro anos atrás, a veterinária já teria acabado com o espaço entre elas.

“Naquela época, eu achava que já havia conhecido a verdade absoluta sobre o que é o amor, mas agora eu percebo que era pretensiosidade da minha parte.” Joohyun continua olhando para a sua mão.

“Você consegue enxergar facilmente as falhas nas outras pessoas, mas nunca em você mesma.” Seulgi comenta.

“Você tem razão.” Joohyun concorda.

“Mas eu enxerguei todas.” Seulgi diz.

“Bom... eu falhei achando que existia uma fórmula exata para explicar o amor, e você falhou achando que encontraria algo que não existe: um amor sem decepções.” Joohyun diz e escuta Seulgi murmurando em concordância.

“É por isso que o nosso amor foi trágico.” Seulgi comenta.

“Suponho que sim.” Joohyun medita nas palavras de Seulgi.

“Hoje eu entendo porque você se recusou a me beijar quando partiu. Você partiu meu coração para que pudesse me proteger das horríveis consequências que viriam se tivesse me beijado na frente de todo mundo, e eu meio que te agradeço por isso. Eu sei que foi um pedido estúpido, mas eu estava apenas fazendo de tudo para não sentir aquela coisa irritante no meu peito, aquela dor de raiva.... de ódio.” Seulgi conta.

Ela está certa sobre o que Joohyun fez. As duas não estariam aqui, agora, conversando, se a doutora tivesse beijado Seulgi aquele dia.

Tudo seria diferente.

“Seulgi, eu sinto muito por ter te atraído para algo que eu sabia que não teria futuro. Mas eu falei a verdade quando disse que fui eu mesma enquanto estive com você.” Joohyun é honesta em cada palavra.

Seulgi aperta levemente a mão de Joohyun, que está ao lado da sua. Ela abre um sorriso, desliza seu dedão pelos dedos da doutora e depois retrai sua mão lentamente. “O que nós tivemos... significou muito para mim. É uma pena que estávamos destinadas a não durar.”

“E como você se sente sobre isso?” Joohyun pergunta.

“Hoje em dia?” Seulgi pensa seriamente sobre a pergunta. “Eu acho que não me incomoda mais.”

“E quando incomodava, como era?”

“Era... conflitante. Eu não chorava, mas estava sempre pensando em como eu queria chorar. Quando você foi embora, eu me lembro das noites que se seguirão. Eu chegava em casa pela noite, me trancava no quarto e sempre pretendia chorar... mas algo dentro de mim sempre impedia qualquer tentativa de escapada de uma mínima lágrima.” Seulgi conta.

“Raiva.” Joohyun adivinha.

“Talvez...” Seulgi considera a possibilidade.

“E onde você acha que esta raiva está, agora?” Joohyun pergunta.

“Morta? Eu não sei... a verdade é que eu sempre fui muito...”

“O quê?”

“Covarde.” Seulgi diz. “Aquilo que tivemos no dia em que você foi embora, foi algo especial para mim porque eu engoli toda a minha covardia e fui corajosa. Mas o resultado dessa coragem foi meu coração sendo partido, e acho que isso se transformou em raiva. Por isso eu não me permitia chorar, seria como deixar você vencer.”

“Seulgi, na nossa sociedade, coragem demais é burrice.” Joohyun diz com infelicidade.

“Parece que sim.” Seulgi assente. “Também foi burrice tentar convencer alguém que sempre acha que tem razão.” A veterinária olha para a doutora e arqueia uma sobrancelha.

Joohyun sorri.

“Você realmente enxerga todas as minhas falhas...” A doutora admite.

Seulgi levanta sua mão que estava na borda do banco e roda a aliança em seu dedo, seus piores dias em Taebaek sendo relembrados agora que ela está ao lado de Joohyun.

“Sabe... nas noites que seguirão a sua partida, quando eu ficava no meu quarto, eu sentia tanto a sua falta que achava que não iria suportar.” Seulgi confessa.

E Joohyun escuta atentamente, pois ela sempre apreciou o modo como Seulgi diz o que sente.

“Não existe um dia em que eu não pense em você, Joohyun. Quando eu pego a mão do meu marido, eu imagino que é a sua, nas noites, eu fantasio que ele é você, e é tão injusto porque... ele é um bom homem, um bom pai.” Seulgi sorri tristemente.

“O que eu quero dizer é, eu acho que não parei de te amar nem mesmo por um segundo desde que me apaixonei. E suponho que vai ser assim pelo resto da minha vida.” Seulgi olha para Joohyun e nota o olhar pesaroso da doutora. “Não simpatiza com o sentimento?”

“Infelizmente, não.” Joohyun diz honestamente. “Acredito que, se eu tivesse te amado sendo eu mesma, e não Irene, meu amor seria tão intenso quanto o seu.”

“Hm...” Seulgi pensa sobre o que a doutora disse. “Você... se envolveu com alguém depois de mim?”

“Não.” Joohyun não tem vergonha de dizer. “Eu não ligo muito para relacionamentos amorosos.”

“É uma das poucas coisas sobre você que não é diferente do que eu me lembro.” Seulgi ri levemente. “Eu estava te observando... antes de você vir até aqui. Isso é o seu grande amor, Joohyun.” A veterinária abre os braços, sinalizando para a clínica de um modo geral.

“A única coisa que me deixava mais feliz do que ir para o consultório todos os dias era ficar com você. Mas para você, não havia nada que te deixava mais feliz do que pegar aquela bicicleta e rodar por Taebaek, fazer seu trabalho.” Seulgi se lembra do olhar sereno e satisfeito de Joohyun ao voltar para o prédio após um dia de trabalho produtivo. “Fingir ser Irene não influenciou em nada. A verdade é que você nunca vai amar pessoas com a mesma intensidade que ama estudá-las.”

“Kang Seulgi, você é uma das melhores pessoas que eu já conheci em toda a minha vida.” É o que Joohyun tem vontade de dizer após ouvir as reflexões de Seulgi.

“Uau...” A veterinária exclama. “Isso é provavelmente o mais perto que eu vou chegar de um eu te amo.” Seulgi ri amargamente.

“No dia em que você foi embora, eu fiquei olhando o carro se afastar e me perguntando porque você não admitiu, afinal de contas, era só dizer as três palavras e você provavelmente nunca mais me veria de novo.” Seulgi conta. “Você gostava de algumas das minhas peculiaridades, gostava do meu jeito de pensar, gostava de como eu lidava psicologicamente com o que vivia com meus pais. Se você não tivesse se encantado por isso aqui,” Ela aponta para sua cabeça. “Não teria se apaixonado por mim.”

“Eu não sei como você consegue fazer isso, mas é como se você tivesse conseguido controlar, pelo menos um pouco, um sentimento que não se controla.” Seulgi franze suas sobrancelhas, pensando novamente sobre isso. “Eu me pergunto se você me amou de verdade ou se eu sou apenas o corpo que hospeda a mente pela qual você se apaixonou.”

“Eu esqueci de mencionar que você também é uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço.” Joohyun faz outro elogio.

“Ah... obrigada.” Seulgi abre um sorriso divertido e encolhe seus ombros, fingindo timidez.

“Mas veja bem,” Joohyun se vira de frente para Seulgi, dobrando uma de suas pernas em cima do banco. “É a sua mente, Seulgi. Você é a responsável por criá-la, portanto, amá-la inclui amar você.”

Seulgi também se vira de frente, estreitando um pouco seus olhos e contemplando a luz o sol que bate no rosto da doutora e clareia os olhos dela.

“Mais velha e mais bonita...” Seulgi murmura.

“Devo dizer que recebi isso como uma ofensa e um elogio, simultaneamente.” Joohyun diz.

“Ótimo. É assim que deve ser.” Seulgi olha para cima, fechando os olhos para protegê-los do sol. “Eu ainda não te perdoei pelo que você fez.” Não existe provocação ou sarcasmo no tom de Seulgi, apenas seriedade.

“Quatro anos se passaram, Seulgi.”

A veterinária abaixa seu rosto e olha para o lado, abrindo um sorriso quando vê seu marido adentrando o pátio com seu filho no colo. O homem também abre um sorriso e acena para sua esposa, mas precisa dar atenção ao garoto que puxa sua camisa e aponta para um balanço pendurado em uma das árvores do jardim.

Seulgi observa seu filho sendo colocado no chão e correndo até o balanço alegremente.

“Bem...” Seulgi suspira profundamente. “Não importa que quatros anos tenham se passado. A mágoa é profunda.” A veterinária leva seus dedos até o pingente de seu cordão.

“Eu também tenho uma coisa para você.” Seulgi leva a mão até o bolso de sua calça e tira de dentro uma foto que está dobrada.

Ela deixa a foto em cima do banco, abrindo um sorriso indecifrável e logo depois se levantando, caminhando em direção à sua família.

Joohyun lentamente pega a foto e a desdobra, rindo genuinamente quando vê seu conteúdo.

Ela vê a si mesma, deitada de bruços na sua cama em Taebaek, a cabeça de Seulgi apoiada na parte de trás de seu ombro e a de Dosook descansando em cima do peito da veterinária.

Seulgi está de olhos fechados, fingindo dormir enquanto tira a foto, e Dosook a observa, imaginando se ela está o enganando ou não.

Joohyun se vira de lado, assistindo Seulgi se ajoelhar perto do balanço e abrir os braços quando o garotinho corre até ela. Seulgi levanta seu filho no colo e caminha para perto de seu marido, que passa um braço em volta do ombro dela e beija sua testa, assim como a de seu filho.

“Um bom homem...” Joohyun sussurra enquanto observa o marido de Seulgi.

E desviando seus olhos da família até a foto em suas mãos, Joohyun decide que finalmente descobriu o que havia de tão especial em Taebaek.

As noites em Taebaek, com Seulgi e Dosook, faziam-na se sentir menos solitária.

Aqui, em Seul, ela sempre volta para um apartamento vazio, em Taebaek, ela voltava para Seulgi.


Ter Seulgi e Dosook foi como ter construído uma família. A ideia de ter tudo o que ela sempre quis, mas que nunca admitiu querer, foi perigosa, mas ao mesmo tempo atraente. Afinal de contas, as noites em Taebaek são perigosamente atraentes.


Notas Finais


Decepcionados porque elas não terminaram juntas? É claro que sim kk sempre queremos que elas fiquem juntas. Mas aqui, nessa fic, em todo esse contexto traiçoeiro e toda a complexidade envolvendo a relação das duas, seria muito... utópico um final onde elas terminam juntinhas e felizes para sempre.

Eu queria agradecer imensamente a todos que acompanharam a fic e me apoiaram até o fim. Pode ter sido apenas através das leituras, um comentário, ou vários comentários... enfim, toda a forma de apoio é muito importante para mim!! 💕💕💕

Com o término dessa fic, eu devo dizer que vou dar uma sumida, minhas férias estão acabadas e o tempo livre é curto. O mais provável é que eu retorne mais para o fim do ano... então, mais uma vez, agradeço a todos vocês, espero que fiquem bem e até!! 😘


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