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História As Peripécias Nada Convencionais de Candy Floss - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Olá, tudo bom?

Não tenho muita coisa pra dizer, só que trouxe esse belezinha finalmente pra cá, hehe.
Escrevi esse prólogo tem pouco mais de cinco meses e me remoí esse tempo todo pra não soltar ele num impulso doido em uma noite qualquer. Mas, bem, é exatamente isso o que eu to fazendo agora... rs.
@sugatears, obrigada por tudo! Essa capa tá a coisa mais linda do universo <3

É isto!
Boa leitura.

Capítulo 1 - A primeira parte da tragédia


Paro de me mover abruptamente, minhas mãos segurando firme em seus ombros e meus cabelos cobrindo boa parte do meu rosto. Tenho extrema ciência das cortinas abertas do quarto e da minha posição nada comportada sobre a cama, mas nenhum desses dois fatores é o motivo por eu ter parado.

O que foi? — A voz de Jungkook vem entre lufadas, os cabelos ondulados começando a grudar na testa suada. — Por que parou?

Olho-o por um instante, sem dizer nada. Minhas coxas estão quase dormentes por cima das dele e sinto que um batimento a mais por segundo meu coração explode. Respiro fundo, no entanto, tentando organizar o que realmente quero falar.

— Não sei, — vagueio. — Acho que não to excitada.

Sinto seus músculos se tencionarem por debaixo das minhas mãos. Seu rosto é incredulidade pura quando o inclina para frente.

Isso é sério?

Há um silêncio, um silêncio longo e desconexo; sua pergunta parece quase não ter existido. Não, não é sério e ele sabe disso. Até porque eu estou pingando vergonhosamente... Mas ainda assim me mantenho parada. O som de nossas respirações entrecortadas é o único a se mesclar com o dos carros da avenida principal do bairro. Os olhos estrelados de Jungkook me medem agora em busca de uma resposta sincera, enquanto ele tenta ao máximo não se mover embaixo de mim.

— Não sei, talvez... Talvez eu...

Começo, mas paro antes mesmo de pensar em finalizar. Chego a conclusão rápida e lógica de que o caminho percorrido será o mesmo de sempre. De novo. Eu sempre faço isso. É ridículo, eu sei, mas eu simplesmente não consigo pensar em outra coisa...

Solto uma lufada, rendida, antes de continuar:

— Talvez se você deixar eu dirigir o seu carro...

Ergo meus olhos até os seus, de repente uma vontade enorme de rir pela situação inteira; pela infelicidade e pelo pedido sem sentido. Espero, portanto, cerca de três segundos para a realidade acertá-lo em cheio. Jungkook girando os olhos teatralmente e soltando minha bunda quase que de imediato para cair de costas no colchão. Seu corpo dourado se afundando entre o edredom bagunçado e as almofadas brancas da minha cama.

É uma bela visão.

— Puta que pariu, Molly! — Grunhi, passando as mãos pelo rosto. — Pensei que era sério.

Ajeito os cabelos para trás, me sentindo meramente satisfeita. Mesmo que não tenha sido exatamente isso que eu queria ter dito, já serve. É um tema sempre muito engraçado.

— Mas é sério! — Rebato numa falsa ofensa. — Eu prometo que vou dirigir bem devagarinho, 20km/h!

Ele joga seus braços ao lado do corpo, olhando-me agora com irritação. Jungkook está tentando passar uma mensagem aqui, é quase palpável no ar. É o mesmo olhar que me deu quando fiquei vinte minutos do lado de fora do carro esperando que ele saísse do banco do motorista para eu o dirigir na semana passada.

Eu nem preciso dizer que ele me ganhou pelo cansaço e eu precisei me contentar em sentar no carona, preciso?

Vejo-o ainda me olhar em silêncio, seu peito subindo e descendo pela respiração. E, nesse meio tempo, penso se Jungkook está repassando todas as escolhas que fez na vida até parar aqui, embaixo de mim.

Qual o lance? — Ele meneia a cabeça, me olhando numa desconfiança engraçada. — De uns tempos pra cá você não para de falar de dirigir meu carro. Pensava que não curtia carro esporte.

Quase sinto um soco físico na boca do estômago, tentando disfarçar soltando uma risada nervosa. Não digo nada, até porque não tenho muito o quê dizer. Infelizmente é só uma mania imbecil que criei para não dizer o que realmente queria dizer. 

— Você tá tentando me vencer no desespero, não é? — Ele se apoia agora em seus cotovelos, o movimento fazendo com que os músculos ridiculamente definidos do seu abdômen saltem diante dos meus olhos. — Mas desiste, gatinha, nem que eu tivesse a ponto de explodir eu deixaria.

O sorriso que repuxa o canto da sua boca é extremo e indecente. Cretino.

— Caramba, você não tem um pingo de humor! — Solto, horrorizada; pela fala, pela visão, por ele... Por toda a aura cafajeste que ele emana. Mas, lá no fundo, também me sinto agradecida pela continuação do assunto. — Qual é o problema? Só uma voltinha na quadra.

Jungkook gira mais uma vez os olhos, dessa vez rindo, remexendo-se na cama apenas para esticar um dos braços e me dar um tapa na coxa.

— Para de brincadeira e continua. — Fala, sacana, voltando a se apoiar nos cotovelos. — Meu pau tá latejando debaixo da tua bunda.

Semicerro os olhos em sua direção por pura implicância, mas não demoro a fazer o que ele me pede. Ao passo que Jungkook me preenche centímetro por centímetro, eu acabo pensando em todas as escolhas que me trouxeram até aqui, em cima dele

Jungkook me tem em sua mira em frestas quase que inexistentes de seus olhos, enquanto nós somos iluminados pelas luzes da cidade, embalados pelo som da vida noturna de New York.

Sinto suas mãos agora me agarrem com força as pernas, um pedido silencioso para que eu me mova devagar; e me movo.

Len... ta... men... te.

Dois amantes de mundos diferentes. 

Eu sou do sul e ele do norte. A única coisa em comum nas nossas vidas sendo o prédio há duas quadras do Central Park. Um coworking moderno e badalado.

Parece até piada, mas é só a vida sendo uma grandesíssima filha da puta.

Nossos corpos não se demoram a caírem exaustos sobre o colchão da cama; a distância entre eles sempre respeitando a pouca intimidade sentimental que temos. Daqui, do lado direito, eu o enxergo por debaixo da luz fraca que vem do corredor e dos postes lá de fora. Jungkook é quase como um jogo de sete erros em meio ao meu quarto classe média.

E enquanto eu o olho em silêncio, penso que agora é a parte de toda essa maluquice em que fico envergonhada; não fico quando o chamo para minha casa, nem quando arranco sua roupa na sala, muito menos quando me ajoelho em sua frente. Minhas bochechas coram quando eu preciso perguntar se ele pretende ficar.

Afundo meu rosto no travesseiro, divida entre perguntar ou me manter calada. Porque talvez a pergunta saia torta, numa entonação que não consigo regular. Há alguns meses, nesse instante, logo depois de cairmos lado a lado no colchão, eu me sinto encurralada pela obviedade e cretinice da vida. Todo o cuidado parece pouco; é como se um movimento fora do planejado pudesse colocar tudo a perder.

Puxo o ar o quanto posso, sendo pega de surpresa ao sentir os dedos de Jungkook tilintarem minhas costelas em busca de atenção.

Ei, — diz assim que o olho, seu toque se cessando de imediato. — Tem aquele patê de salmão defumado aí?

E, de novo, me sinto agradecida. Porque, de repente, toda a responsabilidade desse momento é posta em cima da presença de uma pasta rosada com sabor artificial zero lactose. Não depende mais de mim e da minha falha entonação de voz. Até porque eu nunca sei realmente se quero que Jungkook fique...

Franzo o cenho, parecendo pensar profundamente na questão. Meu coração se espremendo dentro do peito ao passo que chego a uma resposta. Fecho os olhos, fingindo um cansaço maior do que realmente sinto; fecho os olhos para que eu não pareça transparente demais diante dos seus tão intergalácticos.

— Acho que tem.

Ouço minha voz sair em um fiapo insosso. E, entre sons da cidade e dos saltos da minha vizinha de cima recém-chegada, ouço Jungkook rir arrastado.

Ótimo, — anuncia. — Vou ficar pro café da manhã.


Notas Finais


Eu amo muito esse enredo e espero que vocês amem também!
Não sei quando vai sair o próximo, mas Candy Floss é curta e no maior estilo leveza e sem compromisso de Clair de Lune.

To no Twitter no @lafelicitae e no CuriousCat no @wanderlustae.

Até a próxima! Beijinhos


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