História As quatro estações - Capítulo 1


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Categorias Boku no Hero Academia (My Hero Academia)
Personagens Eijirou Kirishima, Inko Midoriya, Izuku Midoriya (Deku), Katsuki Bakugou, Personagens Originais, Rei Todoroki, Shouto Todoroki
Tags Abo, Bakushima, Family Au, Fluffy, Iky, Modern Au, Mpreg, One, Oneshot, Tododeku
Visualizações 120
Palavras 2.411
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, LGBT, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo
Avisos: Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Uma fic fluffy e familiar bem aleatória.
Era para ser hétero, mas não consegui pensar em um casal que combinasse com esse tipo de coisa fofa e fosse hétero, então tive que recorrer à carta MPreg.

Enfim, essa one até que é grande comparada às que ando postando ultimamente, né? RS. Revisei ela umas duas vezes, mas ainda deve ter alguns errinhos, então mal aí...

Se gostarem, por favor favoritem e comentem. Ajuda muito.

Capítulo 1 - Único


Izuku sabia bem o quão patético ele era capaz de ser às vezes. Tinha bons acertos, mas a estrada para alcançá-los era árdua e extensiva.

Como um escritor, ele já estava acostumado a errar em suas criações e passar noites em claro com rascunhos, nunca achando algo que o satisfizesse.

Mas havia algo nele que ninguém negaria: amor e dedicação pelo que fazia. Com olhos vidrados e dedos calejados, não descansava. Então seu marido tinha que chegar de fininho, já com sua calça moletom e pantufas — já era tão tarde e Izuku sequer percebeu —, trazendo consigo biscoitos caseiros e uma xícara de chá quente, ambos com cheiro de lar. Ele calmamente pousava tudo na mesa, botava a mão no ombro de Izuku para tirá-lo do transe criativo e sorria, sussurrando com carinho:

— O que acha de um descanso, amor?

Izuku queria negar, tinha que continuar o trabalho porque ele definitivamente nunca acertava nada de primeira, segunda, terceira ou até mesmo sétima… Mas era apenas que Shouto tinha uma voz letal, serena e hipnótica, sempre sussurrando palavras gentis e argumentos plausíveis. E quando ele sorria para si, Izuku derretia e não era capaz de refutar. Seu marido estava preocupado e ele não poderia negligenciá-lo.

Ele era uma maldita sereia e Izuku amava isso, mas às vezes odiava ser tão facilmente manipulável. Mas não era como se pudesse fazer algo a respeito pelo seu profundo amor. Sempre foi teimoso, mas Shouto era outro nível com aquele jeito preocupado e amável dele.

Por falar em preocupação, Shouto tinha o costume de adoravelmente franzir o cenho quando via as mãos de Izuku cheias de calo de escritor. Era um hábito dele beijar cada um dos dedos também. Lábios quentes contra mãos gélidas — Izuku era um tico ansioso, digamos assim.

Bem, é. Izuku era patético em muitas de suas escolhas, mas com certeza fez a melhor escolha possível no departamento de casamento. Shouto era tão sereno, doce e fofo quanto um ômega, também cozinhava e costurava. Mas não, era um alfa. E Izuku? Engano seu se pensou que era ômega, pois ele era apenas um beta comum sem atrativos especiais como as outras duas Classes, que passava a maior parte do tempo escrevendo, redecorando a casa e fazendo faxina. Não que ele tivesse problemas com isso, só achava o gosto de Shouto peculiar.

Enfim, já apagou várias frases, parágrafos, páginas, capítulos e até histórias inteiras. Unhas roídas, pernas balançando, olheiras profundas, cabelos bagunçados e olhares energizados por cafeína — "não beba tanto café, querido, vai te impedir de ter uma boa noite de sono. E você já tem problemas suficientes com isso", dizia Shouto, mas quem disse que Izuku ouvia?

Então quando soube da sua próxima e mais importante criação, se desesperou. Céus, ele estava grávido!

G-r-á-v-i-d-o.

Era um beta, mas era um tipo de beta macho que engravidava. Apesar de saber disso, ele nunca se imaginou nesse tipo de situação.

Izuku ainda sentia a sensação que teve naquela hora, toda aquela repentina falta de ar e aquela inundação de hipóteses do que poderia dar errado. Ele começou a ter um ataque de ansiedade ali mesmo, no consultório, e Shouto teve que acalmá-lo com a ajuda do médico, levando uns bons minutos. Pouco tempo depois, estava sentado em uma das cadeiras do hospital, segurando um copo de água com açúcar, com um olhar indescritível decorando sua face. 

— Você não queria, né? Foi culpa minha, o cio foi meu, você nem cio tem. Eu deveria...ah, eu deveria ter sido mais responsável. 

Izuku se lembrava de ter olhado para o marido e o visto como nunca antes, com seu costumeiro rosto sereno coberto de algo que passava longe de serenidade. Shouto parecia feliz, ao mesmo tempo que culpado, e Izuku se odiou por fazê-lo se sentir assim. O alfa queria ter filhotes, mas se seu marido não quisesse Shouto iria se remoer muito, mas muito mesmo. Ainda mais porque quem iria passar todos aqueles meses com dores seria Izuku. Mas Izuku não queria que ele se remoesse, nunca quis nem por um milésimo de segundo.

— Não, não é isso! Eu só...eu só…eu, bem...não sei. Mas não é isso, sério!

Izuku não sabia como definir o que sentia, mas com certeza havia medo como ingrediente principal da receita.

Céus, ele errava até nas coisas mais simples,  o que faria com uma vida florescendo em seu ventre?! Não era simplesmente uma história que ele poderia apagar e tentar outra vez várias e várias vezes até o ponto ideal, como se fosse algo simples. Era uma criança! 

E ele passou a vida inteira vendo ômegas e alguns betas engravidando e tudo parecia muito doloroso. E Eijirou pareceu particularmente dolorido quando estava gerando as pequenas Bakugou, Scalartt e Noran, assim como Ochako quando estava tendo Asui Cyan. Oh, Izuku era incrivelmente temeroso. Por anos, acreditou que engravidar seria terrível e ele e Shouto sempre cuidaram muito bem disso.

Bem, até aquele momento.

Izuku tão concentrado nos rascunhos que não prestou atenção às pílulas e Shouto, bem, era um alfa no cio. Uns meses depois, ele riria da sua idiotice ao se lembrar dessa memória. A criança não era um erro para algum deles sentir culpa, mas naquele momento Izuku sentiu muita. Cio não podia ser evitado, mas se ele tivesse tomado as cartelas direitinho…

Hoje ele não saberia o que seria da sua vida se ele realmente tivesse tomado as cartelas direitinho.

Mas havia algo que ninguém poderia negar: Izuku era dedicado em suas criações, e tinha um carinho por todas elas por mais complicadas que fossem. Então, pela primeira vez, ele escutou tudo o que Shouto lhe dissera muitas vezes antes: não tome cafeína, querido; não coma tantas calorias, amor; deite mais cedo, meu bem; cuide mais da sua postura, você sabe que precisa.

Escutou dele, escutou da sua mãe, da sua sogra e até Eijirou, o ômega que já tinha dado gêmeos fraternos ao seu amigo de infância, colaborou. Internet? Fiel companheira! Livros? Fiéis companheiros também! 

Foram meses de extremos cuidados. Shouto parecia que ia surtar a cada mínimo descuido, e Izuku parecia que iria surtar em triplo — por ele, pelo marido e pela criança também. Como pais de primeira viagem, o desespero e a ansiedade eram imensos.

Agora Shouto também tinha olheiras, cabelos bagunçados e dedos que tamborilavam, nervosos. Deixar Izuku sozinho? O quê, quem teve essa ideia louca? Não mesmo, ficava com dona Inko, dona Rei, Eijirou, Ochako... mas ficava com alguém! E o telefone? Ah, o telefone não poderia ficar muito distante de Shouto — e se algo acontecesse?!

Em algum período, Izuku sentiu que que não era uma criança apenas. Sua barriga nem estava tão grande, mas era como se uma conexão lhe informasse isso. Ele tinha total convicção, e foi comprovado que estava certo em um exame de radiografia. Ok, mais vidas para cuidar, mas naquela altura do campeonato o medo diminuiu. Não sumiu, mas diminuiu. Mais vidas para cuidar, sim, porém mais para amar também.

Nos últimos dois meses, virou lobo. Se fosse na forma humana, só daria cesárea por ser homem e o médico os preveniu que não haveria a menor chance de mais filhos depois. Então optaram pelo outro método. Shouto passou a se transformar mais para fazer companhia à ele, um aconchegado no outro em cobertores macios em frente à lareira. Na forma humana, fazia muito cafuné no pequeno lobo esverdeado deitado de forma manhosa em seu colo, o rabo balançando animadamente e batendo no chão como um tambor.

E claro, houve dores. Muitas dores. Izuku pensou que nunca sofreu tanto na sua vida antes. Ele, tão mirradinho para um beta, carregando seres tão pesados e importantes? Meu Deus, uma única vida custava para ser criada com afeição e saúde, imagine várias!

Mas dor alguma, nem mesmo a do parto seria maior que a felicidade que sentiu quando abriu os olhos cansados e viu 4 pequenos lobos aninhados perto de si: uma de pêlos prateados, um totalmente escarlate, outro bicolor de verde e branco e o último branco também. Três garotos e uma garota, lhe disseram. Izuku pensou que as irmãs Bakugou, de apenas dois anos, em breve teriam uma amiga. E ele desejou que os quatro fossem unidos, porque todos vieram ao mundo juntos. E Izuku já amava e sentia orgulho de todos eles.

Izuku se sentiu ainda anos preenchido e orgulhoso quando viu a cena de um lobo grande e bicolor lambendo carinhosamente cafa um deles, os olhos tão doces. Nao parecia um animal perigoso como alfas deveriam parecer, parecia apenas...apenas extasiado. E quando ele voltou ã forma humana, ria como um bobo e chorava, chorava a ponto de seus olhos brilharem pelo reflexo da luz. Izuku pensou que se fosse humano agiria da mesma forma.

Passaram-se duas semanas e as crianças tomaram forma humana, mas Izuku continuou lupino para descansar.  Depois de muito discutir com seus funcionários, Shouto conseguiu alguém responsável para liderar temporariamente sua empresa de arquitetura e ficou em casa para cuidar do marido e das crianças com a ajuda de Rei e Inko.

Em um dos dias iniciais, Shouto se sentou ao lado de um sereno lobo verde, na cama. Ele sorriu, com uma garota de cabelos brancos no colo e disse, muito feliz:

— Olhe.

Izuku olhou. Ela, Todoroki Yukine, tinha olhos esmeraldinos como o dele. Ainda era pequena e frágil, com olhos grandes e brilhantes, fofa e corada como um bolinho à vapor. Era tão, mas tão fofa. Um pacotinho de amor e felicidade. E era a mais velha.

O segundo mais velho era um dos ruivos, chamado Natsu, e tinha olhos azul-turquesa. O terceiro era o outro branco, Haru, com olhos grafite. O mais novo era o de cabelos bicolores, Aki, de olhos verdes também. 

E quando Izuku voltou para a forma humana, ainda meio entorpecido, e pôde segurá-los, lágrimas desceram e ele riu como um bobo exatamente como previra. As crianças deles, provas tão reais do amor que nutriam. Izuku as amava muito, muito mesmo, talvez quase ao extremo. Ainda tinha receio, pois eram quatro criancinhas de mãozinhas e pezinhos tão pequenos e bochechas tão coradas, e ele não queria errar com elas.

E eles presenciaram as primeiras palavras, os primeiros passos, os primeiros dentes de leite, os primeiros dias de aula, presenciaram tantas primeiras vezes. Se lembrava de como falavam pa e papa; de cada um deles andando até Shouto com o auxílio de Izuku; de como Natsu parecia dramático para arrancar aquele dente e o quanto Yuki-chan parecia calma; de como um por um beijou a bochechas dos dois pais antes de darem as mãos e entrarem curiosos na escolinha…

Teve o carinhoso e atrapalhado golden retrivier, Thor, e o esnobe porém discreto gato negro de olhos verdes, Loki, para fazer companhia. Foram muito bem cuidados, as crianças cresceram bem como garotinhos responsáveis.

Shouto era o porto seguro deles, o que deixava Izuku meio enciumado. Mas ele entendia que o marido era mais calmo e conselheiro e era apenas natural. Além disso, ele recebia bastante atenção também, principalmente de Aki, o caçula bicolor, uma criança que sua muito trabalho com sua timidez.

Quando Yukine menstruou, foi complicado. Eram dois homens, o que poderiam fazer? As vovós que cuidaram dessa parte. Ela ainda odeia muito menstruar, mas pelo menos já se acostumou e é cuidadosa. "É como uma visita inconveniente que chega sem avisar", dizia com uma careta.

Foi cômico quando Yukine admitiu, aos 15, que talvez visse Scarlett de outra forma, tão tímida que parecia que queria se enterrar e não sair mais. Aki, coitadinho, já era uma criança tímida, quando gostou de uma garota aos 13 praticamente virou mudo. Natsu era um pouco ousado demais, então sempre deu de ombros e sorriu, sem se importar com esses problemas, desde do 14. E Haru? Ah, bem, mais tarde descobririam que ele era assexual arromântico.

Yukine era a versão feminina de Shouto em personalidade — responsável, meio calculista, porém doce —, mas com o aspecto artístico e a ansiedade do outro pai e queria herdar a empresa. Natsu amava Katsuki a um nível que Izuku e Shouto até se sentiam trocados, era "tio Katsu" para cá e para lá, e digamos que em era tão sem vergonha e sincero quando Bakugou Katsuki, porém a parte galanteadora eles não sabiam de onde veio; ainda não sabia o que queria — "tenho muitos talentos", dizia. Aki parecia Izuku quando pequeno, sempre tímido, gentil, com sorrisos de covinhas, amava muito animais e queria ser veterinário. Haru era era animado, engraçado e comunicativo, parecia saber absolutamente tudo sobre flores e almejava ser paisagista como Eijirou.

Ter que ver seus filhos chorar pelos eventos do cotidiano partia o coração de ambos e rendia um longa conversa com Shouto, com sua habilidade anormal de tranquilizar. Mas vê-los sorrindo fazia tudo melhor. E, claro, houve ciúmes pelos namorados que cada um deles arranjou.

Quando os animaizinhos morreram, primeiro Loki, e dois anos depois Thor, a casa ficou com uma aura depressiva. Pegaram Thor filhotinho, ainda com meses, e Loki era um gato abandonado de rua, de apenas 3 anos, quanto entrou pela primeira vez naquela casa. Aki e Haru foram os que mais sentiram, já que eram os mais próximas. Enterraram cada um deles adequadamente, como mereciam. Foi a primeira experiência com morte que tiveram.

E eles viram cada um crescer e tomar caminhos diferentes. Foi difícil ter que libertá-los para o mundo, mas eles entenderam. Deram-lhe liberdade para crescer, mas sempre estiveram lá para auxiliar. "Eles vão ficar bem", repetia ansiosamente Izuku. E, graças a Deus, ficaram.

Agora, já velhinhos, vinham suas crianças já adultas. Todoroki Yukine com Todoroki Scalartt, ambas trabalhando com arquitetura e com um garotinho à lá Katsuki. Natsu, surpreendentemente como estilista, morando com a noiva em um apartamento. Aki já cansado, porém sem filhos, em uma casa repleta de animais. Haru dedicado à família, amigos e ao trabalho, muito feliz sem ter par romântico, e adotou uma criança.

Eles apareciam muitas vezes para visitá-los, carinhosos como sempre. Yukine com seu sorriso confiante, Natsu sorrindo torto e ousado, Haru em um curvar delicado e Aki, corado e gentil. Quando piaçava, às vezes Izuku ainda podia vê-los criancinhas correndo pela cozinha, brincando com Thor e Loki, o aroma da comida de Shouto correndo pela cena e um sorridente Izuku botando a mesa.

E ele sorria, fechando os olhos, e pegando na mão, agora frágil e enrugada, de Shouto.

Sim, tudo havia ficado bem.



Notas Finais


Ah, só por curiosidade:
Yukine/Yukki = "som das neves"/"neve" (Inverno)
Natsu = "nascido no verão" (Verão)
Haru = "sol", "primavera" ou "esclarecer" (Primavera)
Aki = "brilhante", "faísca" ou "outono" (Outono)

Sobre as Bakugou:
Scarlett de escalarte. Sim, ela é ruiva.
Noran eu não lembro de qual língua é derivado e pesquisando não achei, mas deve ser chinês ou coreano. Quer dizer dourado. Sim, ela é loira.


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