História As Quatro Fases Da Lua - Capítulo 6


Escrita por: ~ e ~Akulah

Postado
Categorias Eldarya
Personagens Ezarel, Leiftan, Miiko, Nevra, Personagens Originais, Valkyon
Tags Comedia, Eldarya, Magia, Mistério, Romance
Visualizações 64
Palavras 4.763
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Capítulo 6: Se não tiver quem culpar, culpe o pulga.


*FlashBack on*
    -Entendeu filha? Você vai ficar com as suas amigas até a mamãe e o papai voltar.- Disse a esposa do general.
    -Por que vocês não podem ficar comigo? As princesas falaram que vamos brincar muito e nos divertir, por que vocês não ficam e brincam com a gente?- Perguntou a pequena não querendo soltar a mãe.
    -Desculpe meu amor, a mamãe e o papai tem que ir, precisamos manter o reino a salvo para que as pessoas malvadas não machuquem os reis e as rainhas.- Falou a mulher passando uma das mãos pelos longos cabelos da filha.- Mas principalmente, para que não machuquem você.
    -Os reis e as rainhas são fortes, e eu também posso ficar forte, não precisam me proteger.- Disse a menina com os olhos prontos para se desmanchar em lágrimas.
    -Vamos voltar em breve meu amor.- Disse a mulher com um grande aperto no coração por precisar deixar a filha.
    -Eu não quero!- Gritou a pequeno agarrando o pescoço da mãe e chorando.- Eu só amo vocês, não preciso de mais ninguém, se eu perder vocês, não vou ter nada!

    A mulher, agora chorando, abraçou mais forte a filha, como se já soubesse que talvez aquela fosse ser a última vez que a veria.

    -Meu amor, você está prometida á uma pessoa incrível, quando crescer você vai ser muito feliz com ele.- Disse a mãe da pequena, tentando manter a voz calma.- Espero que vocês possam se amar como eu amo o seu pai.
    -Eu não vou me casar com aquele garoto!
    -Eu sei que ele te irrita, mas ele gosta muito de você, tente não se deixar levar pelas provocações. Me prometa que você vai ser feliz.

    A pequena olhou para a mãe com as lágrimas ainda escorrendo.

    -Eu prometo.- Disse ela.- Se isso fizer a mamãe e o papai felizes, eu me caso com ele e vou ser muito feliz.
    -Essa é a minha garota. Eu te amo muito, você e o seu pai foram as melhores coisas que aconteceram na minha vida, nunca se esqueça disso.- Disse a mulher dando um beijo na testa da pequena, e depois de um abraço apertado, deixou a mesma chorando no quarto, e se foi.

*FlashBack off*

Pov's Leiftan

    Por algum motivo eu estou inquieto, alguma coisa está errada...
    Enquanto passava pelo corredor dos guardas, encontrei com o Valkyon.

    -Valkyon, você viu para onde as meninas foram?.- Perguntei.
    -Nayuri esta na sala de alquimia com o Ezarel, Aiymyn foi para a floresta com o Nevra e a Akulah aparentemente foi pegar algo pro Ezarel na floresta também, Satty foi com ela.- Disse ele.
    -Akulah e Satty foram pra floresta sozinhas sendo que ontem viram alguem rondando o local?- Falei.
    -Satty sabe lutar, não vi problema nenhum.- Disse Valkyon.

    Floresta... Algo não está certo.

    -Valkyon, venha comigo.- Falei.
    -Você vai atrás delas?- Perguntou ele.

    Apenas assenti com a cabeça e sai andando com ele logo atras de mim.

    -Miiko não havia dito que precisava de você?
    -Ela pode esperar.- Falei

Pov's Aiymyn

    -Ei Aiymyn, espera!- Gritou Nevra correndo atrás de mim.

    Vampiro idiota, se chegar perto de mim eu arranco a cabeça dele fora.
     Estava quase saindo da floresta quando algo me parou.

    -Escuta, eu não quis dizer aquilo eu só-
    -Fica quieto.- Falei.

    Ouvi um grito muito alto vindo mais adentro da floresta.

    -Eu sei que você está brava mas-
    -Cala boca!- Falei.

    Me abaixei e coloquei uma de minhas mãos no chão tentando localizar de onde tinha vindo, até que senti uma presença familiar.

    -Essa não...- Sussurrei.

    Meu colar começou a piscar intensamente como se fosse um sinal.

    -Nevra, venha!- Disse pegando na mão dele e o puxando para dentro da floresta.
    -Se queria pegar na minha mão podia ter falado mais cedo.- Disse ele sorrindo.
    -Cala a boca idiota! Temos que correr.- Falei soltando sua mão e correndo o mais rápido que podia, vi que ele estava logo atrás de mim, mesmo sem entender nada.

    Meu colar estava brilhando cada vez mais, comecei a sentir um aperto no coração. Eu espero que seja só minha imaginação agindo.

   Pov's Satty

    Estava terminando de pegar algumas ervas da lista quando senti que o ar estava ficando mais pesado, como se alguma aura maligna estivesse próxima. Já fazia um tempo que a Akulah tinha ido buscar aquela fruta, estou ficando preocupada.

    -Acho melhor eu ir atrás dela...- Falei comigo mesma.

    Comecei a seguir a trilha, até que ouvi um grito. Era a Akulah.

    -Droga.- Falei e comecei a correr.

   Pov's Akulah    

    Preciso sair daqui, preciso correr, tenho que fazer alguma coisa!

    -Você não pensou que fosse escapar de mim por muito tempo, pensou?- Disse aquele bicho.
    
    Se ela estivesse sozinha, eu poderia até tentar fazer alguma coisa, mas vários daqueles sapos gigantes estavam atrás dela.

    -Akulah, lance um feitiço para paralisar ela e saia correndo.- Disse a voz na minha cabeça.
    -E-eu não sei nenhum feitiço...- Falei baixinho.
    -O que?!- Gritou ele, parecendo desesperado.
    -Se ela souber que deixei vocês escaparem, vai acabar comigo.- Disse o monstro.- Vocês não poderiam ter vindo para esse mundo!
    -Do que você esta falando?- Perguntei.
    -Você não precisa saber, visto que estará morta daqui a pouco.- Disse ela se aproximando.
    -Ei, voz da minha cabeça, alguma ideia?- Perguntei, mas ele não me respondeu.

    Ótimo, estou sozinha com esse monstro que em poucos segundos vai me matar e não sei nenhum feitiço sem ser de abrir portais pra Eldarya. Se eu ao menos soubesse como coloquei fogo naquela madeira...

    -Sem mais enrolação, vamos ao que interessa.- Disse o monstro.
    -Akulah!- Gritou alguém.

    Olhei para trás e vi a Satty correndo na minha direção, ela atravessou o rio rapidamente e parou ao meu lado. Ela sacou uma de suas espadas da cintura e com a outra mão invocou uma chama scarlet.

    -Satty! Saia daqui, é perigoso!- Falei.

    Vários daqueles sapos gigantes vieram na nossa direção. Satty começou a dar vários golpes neles fazendo a maioria voar longe, e outros ela simplesmente os queimava. Minha "mãe" estava observando de longe, parecia estar pensando em algo.

    -Akulah, fique atrás de mim.- Disse Satty, apenas obedeci visto que não podia fazer nada.

    Por um momento achei que fosse ficar tudo bem, Satty estava dando conta deles.Ela lutava com tanta leveza, quase como se estivesse em uma dança. Mas depois de um tempo, começaram a surgir mais e mais.

    -Fuja!- Gritou ela.- Não sei quanto tempo mais vou aguentar!.

    Ela parecia estar ficando ser energia, seus movimentos estavam ficando cada vez mais lentos.

    -Não vou deixar você aqui!- Falei.

    Sem perceber, um dos bichos veio pelo meu ponto cego e me acertou, me jogando contra uma das árvores.

    -Akulah!- Gritou Satty, mas não conseguiu sair de onde estava pois tinham muitos deles á sua volta.

    Vários dos monstros começaram a me cercar, minha visão estava ficando embaçada mas ainda pude ver quando eles partiram pra cima de mim, me dando vários golpes por todo o meu corpo, tudo que conseguia fazer era gritar de dor e me debater em vão.


    -Isso é tão patético, olha pra você.- Disse "ela" ficando na minha frente.- Não sabe lutar e nem usar nenhum feitiço, você parece estar em apuros filhinha.

    Estava sem forças até para responder e manda-la ir para o inferno, onde tinha quase certeza da que saiu.

    -Não se preocupe, eu mando lembranças á suas amiguinhas.- Disse me pegando pelo pescoço e me prendendo contra a árvore.

    Ela começou a apertar cada vez mais forte, diminuindo cada vez mais a passagem de ar.

    -Akulah! Se concentre, coloque as mãos em volta dos pulsos dela.- Disse a voz, ele voltou.

    Com muita dificuldade, fiz o que ele mandou. O monstro apenas riu com aquilo.

    -Agora repita esse feitiço: Confringo.- Disse ele.
    -Con...- Tentei.
    -De novo!- Gritou ele.

    Minha visão estava ficando cada vez mais embaçada.

    -Confri...- Estava difícil.
    -Akulah!- Gritou a voz novamente.
    -Confringo...- Falei, eu consegui.

    Senti algo fervendo dentro de mim, e alguns segundos depois uma corrente quente passou pela ponta dos meus dedos indo até o monstro, não demorou muito até que ele simplesmente explodisse e eu caísse no chão logo depois, desesperada para recuperar o ar que perdi. Eu tossia e esfregava meu com calma.

    -Akulah!!- Gritou Aiymyn chegando acompanhada pelo Nevra.- Você está bem?- Disse me ajudando a levantar.

    Minha voz não saía. Os sapos gigantes não paravam de brotar, estavam saindo de um buraco no chão.

    -Seus...- Disse Aiymyn com os olhos vermelhos, estava com muita raiva.

    Ela começou a matar todas as criaturas que estavam a sua frente com as unhas que agora pareciam mais garras. Eu não sabia de onde ela tirava tanta força, logo após a mudança da cor dos olhos sua luta ficou ainda mais incrível.

    -Vou deixar ela se divertir.- Disse Nevra sorrindo, e batendo em alguns também para que não chegassem perto de mim.

    Senti minhas pernas tremerem e caí no chão novamente, estava sangrando em muitas partes do corpo. Minhas pernas e braços estavam arranhados, foi a primeira vez que vi tanto sangue escorrer. Ouvi o som de pessoas correndo e olhei para o outro lado do rio, vi Leiftan e Valkyon vindo na nossa direção. Quando Leiftan me viu, ele ficou horrorizado, e saltou todas as pedras do rio, chegando até mim.

    -Akulah! O que aconteceu?!- Disse ele.

    Não consegui responder, apenas olhei para o que sobrou do monstro depois que ele explodiu. Sem conseguir mais me manter acordada, eu apaguei, a única coisa de que me lembro foi da sensação de braços quentes envolvendo o meu corpo e de sua respiração ofegante no meu rosto.

   Pov's Nayuri    

    Fiquei um bom tempo ajudando o Ezarel a fazer aqueles remédios, achei bem divertido como as combinações de alguns ingredientes reagem entre si, realmente é mágico. E aprendi que quando ele trabalha a paz reina dessa sala.

    -Ei Nayuri, o colar que você roubou está piscando sem parar.- Disse Ezarel.
    -Eu não roubei...- Falei colocando as mãos no colar.

    Ele estava piscando intensamente, quase como uma sirene de carro de policia.

    -Que estranho...- Falei.

    Deve ter dado curto nesse cristal. Voltei ao que estava fazendo, até que ouvi um alvoroço vindo lá de baixo. Sai da sala de alquimia correndo e vi o Leiftan entrando na enfermaria com a Akulah nos seus braços, desmaiada. Desci as escadas o mais rápido que pude e fui em direção a vampira que chegou logo depois.

    -Aiymyn, o que aconteceu?- Perguntei.

    Os olhos dela estavam vermelhos e em suas mãos e roupas tinha muito sangue. Ela me contou tudo enquanto fechava o punho com força ao se lembrar da cena, agora nítida em sua mente.

    -Caramba! Nos seguiram até aqui?!- Falei.
    -Valkyon, eu estou bem.- Disse Satty.- Foram só alguns arranhões.
    -Não são apenas alguns arranhões, você esta machucada!- Disse ele.- Venha, vamos para a forja.- Falou ele a puxando pelo pulso com delicadeza enquanto a mesma soltava um risinho.

    Ezarel desceu depois e foi falar com o Nevra, que até então não tinha percebido que estava ali.

    -Aiymyn, você acha que-

    Me virei para falar com ela, mas a mesma não estava mais ali.

    -Pra onde ela foi?- Perguntei.

   Pov's Aiymyn

    Não estava aguentando ficar ali, precisava de um lugar calmo para pensar e me acalmar. Como que ate aqui meus pesadelos me seguem com tanta força?

Corri até a praia que ficava ao lado da floresta, sentei na areia e fiquei olhando para o horizonte. Até a água daquele mundo era mágica, pareciam ter pequenas partículas brilhantes no oceano. Minha respiração foi aos poucos voltando ao seu ritmo normal.

    -É uma vista realmente incrível, não?- Disse Nevra sentando ao meu lado, estava tão distraída que nem percebi sua presença.
    -Quero ficar sozinha.- Falei.
    -Como chefe da sua guarda, infelizmente não posso te deixar nesses momentos em que as pessoas pensam em suicídio, principalmente em uma praia onde é fácil de se afogar.- Disse ele rindo.
    -Você pode achar que sou idiota, mas não tanto a ponto de me matar, esqueça essa ideia e vá embora.- Falei.
    -Pare de se culpar.- Disse ele, agora seu tom estava sério.
    -Você não sabe o estou pensando.
    -"Se eu tivesse percebido antes, isso não teria acontecido".- Disse ele.- Normalmente é isso que os humanos pensam.
    -Não sou humana.
    -Mas pensa como uma.

    Comecei a ignorar sua presença ali, até que senti uma de suas mãos nas minhas costas, ele me deu pequenos tapinhas de leve, como um consolo. Ele não entende que ela é uma das únicas pessoas que eu tenho, se eu a perder...

    -Se fosse para alguém se culpar, seria eu.- Disse ele.- Sou o chefe de uma guarda, estava no mesmo ambiente e ainda assim as coisas ficaram desse jeito.
    -Não foi culpa de ninguém além daquele monstro que ela chamava de mãe! Eu não consigo entender como tudo ficou assim, nossas vidas, parece que tem tanta coisa envolvida mas eu não consigo pensar em nada!.

    Nevra não disse nada, apenas continuou com os tapinhas nas minhas costas, mas parou logo depois. Deve ser o seu jeito de consolar as pessoas ou só não quer passar dos limites me abraçando, embora talvez seja isso que eu queria agora.

    -Finalmente seus olhos voltaram á cor normal.- Disse ele sorrindo.- Sendo bem sincero, azul fica mais bonito em você do que vermelho, então não fique com tanta raiva de novo.- Falou dando uma piscadinha.

    Como sempre, ignorei o comentário e me levantei, é melhor voltarmos. Sem falar nada, apenas comecei a voltar e senti que ele estava vindo atrás de mim, mas não falou nada o caminho inteiro.
    Chegando ao QG, tudo que eu queria no momento era dormir.

    -Acho melhor você ir descansar.- Disse ele.
    -Nem precisava dizer.- Falei passando por ele e indo em direção ao corredor, mas parei.- Nevra.
    -Sim?- Falou ele se virando para mim.
    -Obrigada.
    -Pelo que?- Perguntou ele assustado.
    -Escada, missão, quarto e consolo.- Disse saindo logo depois, mas pude ouvir o som de uma risadinha e não pude deixar de soltar um sorriso também.

    Chegando no meu quarto, estava quase me deitando na cama, quando algo começou a se apertar em minha garganta. Sede e estava mais forte que o normal.

   Pov's Nevra

    Estava indo até a sala de alquimia falar com o Ezarel, quando pensei em algo... Aiymyn e Nayuri são vampiras, mas desde que chegaram aqui não vi eles bebendo uma gota de sangue...
    Corri até a enfermaria e peguei dois saquinhos de sangue. Fui até o quarto da Aiymyn e pude ouvir ela fazendo um barulhos estranhos, estava com sede. Só uma mulher vampira faz barulhos assim.

    -Aiymyn!- Disse entrando no quarto logo depois de uma pequena batida na porta.

    Ela estava caída no chão, suas presas estavam saltando para fora da sua boca e ela estava arranhando o chão. Me agachei em sua frente e mostrei o saquinho de sangue, ela praticamente voou para cima de mim e pegou o saquinho da minha mão, rasgando o mesmo e em seguida enjerindo todo o liquido que ali continha.

    -Está melhor?- Perguntei.

    Ela não me olhou, apenas balançou a cabeça.

    -Minha cabeça doi- Disse ela.
    
    Coloquei minha mão em sua testa, estava um pouco quente.

    -É melhor você ir dormir, esta esgotada.- Falei
    -É...

    Ela tentou se levantar, mas acabou caindo em cima de mim, já dormindo. A peguei com cuidado e a coloquei na cama.
    Sem fazer barulho, saí de seu quarto e fui até a sala de alquimia onde Nayuri deveria estar. Chegando na porta, pude ouvir gritos do Ezarel, o que me faz pensar que é a primeira vez que uma mulher o faz gritar assim.

    -O que vocês estão fazendo?- Perguntei entrando na sala.

    Ezarel estava deitado em cima da mesa e a Nayuri por cima dele, suas presas estavam pulsando para fora. Uma perfeita cena da caça e do predador. Quanto tempo essas meninas ficaram sem beber sangue?

    -Tire essa louca de cima de mim!- Gritou ele.- Ela está tentando me morder!

    Eu adoraria deixar a Nayuri morder ele, mas ela viu o saquinho de sangue antes de eu pensar em deixa-la morder o elfo, rapidamente ela veio ate mim e arrancou o saco de sangue, bebendo até a última gota.

   Pov's Nayuri

    Depois que a Aiymyn sumiu, Nevra foi atrás dela e eu voltei com o Ezarel para a sala de alquimia, precisávamos fazer mais alguns remédios para as feridas da Akulah.
    Algum tempo depois, Ezarel começou a cortar uma fruta estranha, ela exalava um cheiro horrível. Ele parecia estar pensando em alguma coisa, totalmente distraído

    -Ai.- Disse ele, pude ver que havia se cortado com a faca.
    -Ta vendo? Não sou a única que-

    Vi aquele sangue escorrendo pelo seu dedo e senti meu corpo pulsando. Esse cheiro era tão bom e tão doce.

    -Por que esta me olhando com essa cara?- Perguntou ele.

    Meus sentidos simplesmente desapareceram e em apenas alguns segundos, eu estava em cima dele pronta para morder seu pescoço.

    -O que você está fazendo?! Saia de cima de mim!- Gritou ele.

    Minha sede estava falando mais alto, não dei ouvidos a nada, até o Nevra entrar na sala e eu acabar com o sangue que ele estava segurando. Depois disso, voltei ao normal.

    -Desculpe...- Falei.
    -Desculpa? Você quase chupou até a última gosta de sangue do meu corpo!- Reclamou ele.
    -Talvez eu devesse, assim você deixaria de existir!- Falei saindo da sala.

    Preciso descansar, não estou conseguindo pensar racionalmente. Me descuidei demais, sou uma vampira agora, não posso deixar de me alimentar. Se o Nevra não tivesse chego bem na hora, talvez o elfo realmente tivesse deixado de existir...
    Fui até o quarto da Aiymyn e bati, mas ninguém respondeu. Abri a porta e vi ela totalmente jogada em sua cama e em um sono profundo. Voltei para o meu quarto e fiz o mesmo, em alguns segundos adormeci.

   Pov's Satty

    Depois de toda aquela confusão, Valkyon me arrastou até a forja.

    -Você deveria tomar mais cuidado!- Disse ele.
    -Não pude evitar, eles eram muitos.- Falei.

    Ele me sentou em um banquinho e lavou minhas feridas, colocando um curativo logo depois. Não seria mais lógico me levar a enfermaria? Acho que a preocupação dele nem o fez pensar nisso.

    -Achei que estava tudo bem em deixa-la ir sozinha, mas não vou fazer isso de novo.- Disse ele passando uma faixa em volta do meu braço.
    -Eu posso me cuidar e você não pode me proteger o tempo todo.- Falei.

    Ele apenas ficou quieto.

    -Achou alguma coisa naqueles papéis que estava lendo?.- Perguntou.
    -Não... Era tudo o que eu já sabia, nenhuma novidade.- Disse abaixando a cabeça.
    -Você vai conseguir, tenho certeza.- Disse ele passando uma de suas mãos pelos meus cabelos, apenas sorri para ele.

   Pov's Akulah

    Meu corpo está doendo tanto... Parece até que tomei uma surra. Abri meus olhos devagar e vi que tudo estava embaçado, mas alguns segundos depois voltou ao normal. Visto pela claridade, a única luz que entrava naquele quarto era da lua, pude concluir que já estava de noite. Meu corpo estava cheio de faixas e curativos por toda parte.

    -Ai minha cabeça...- Falei.

    Fiz um esforço para me levantar, mas quando olhei para o lado, vi Leiftan deitado na ponta da cama dormindo. Desisti de fazer qualquer movimento para que ele não acordasse. Ele estava segurando uma de minhas mãos e sua respiração estava pesada. A luz da lua iluminava cada fio loiro do seu cabelo.

    -Tão lindo...- Sussurrei, passando levemente meus dedos pelo seu cabelo.

    Eu poderia ter ficado o resto da noite admirando ele, mas depois de alguns segundos, vi que dois olhos verdes estavam me encarando. Ele acordou.

    -D-desculpe, eu estava... Eu só estava...- Comecei a gaguejar.

    Ele me ignorou, e em apenas alguns instantes eu estava envolvida em seus braços.

    -Leiftan...?- Falei.
    -Não fala nada.- Disse ele.- Ou vou começar a dar um sermão sobre como você é descuidada e em como deveria prestar mais atenção nas coisas.
    -Não foi culpa minha, como eu ia saber que-
    -Eu disse pra não falar nada.- Disse ele.

    Sabe aquele loiro gentil e simpático que eu estava imaginando? Então, ele não estava aqui. Preocupado, com medo e desesperado, era isso que eu senti vindo dele enquanto me abraçava. Mas eu só conheço ele há dois dias, por que essa preocupação com uma estranha?

    -Akulah, você está bem?!- Disse a voz na minha cabeça.
    -Eu estou bem.- Falei.
    -Você está bem agora, mas antes estava aos pedaços.- Disse Leiftan.
    -Fico feliz que esteja bem... Vê se treina essas magias, como pode uma feiticeira não saber nenhuma magia?!- Disse a voz, me dando uma bronca.
    -Eu descobri a dois dias que sou feiticeira e você já quer que eu saia decorando todas as magias?!- Falei.

    Leiftan me soltou e olhou com uma cara confusa. Esqueci que ele não pode ouvir a voz.

    -Akulah, com quem está falando?- Perguntou ele assustado.
    -É o mínimo que você poderia fazer como feiticeira!- Falou a voz novamente.
    -Vai ver se eu to na esquina! Não tem ninguém aqui pra me ensinar!.- Falei, ele estava me irritando.
    -Akulah, acho melhor você dormir, precisa descansar.- Disse Leiftan se levantando da cadeira em que estava.
    -Espera! Eu não estou louca, tem uma voz que fica falando na minha cabeça e não me deixa em paz!.- Falei segurando o pulso dele para que não saísse dali.
    -Que grosseira! Eu te salvei daquele monstro e agora você diz que não te deixo em paz?- Disse a voz.
    -Fica quieto!- Gritei.

    Leiftan estava parado me encarando com os olhos bem abertos, como se eu tivesse falando algo totalmente sem sentido.

    -Você não acredita em mim, não é?- Perguntei soltando o seu pulso, embora já soubesse da resposta.- Eu vou dormir, pode ir.

    Ele não disse nada, apenas saiu da enfermaria e me deixou ali.

    -Voz idiota, agora ele acha que sou louca!- Falei.
    -De nada por ter te salvado.- Disse a voz.
    -Obrigada...- Disse baixinho.- Você tem um nome?
    -Tenho, mas não quero te falar.- Disse ele.
    -Então vou te chamar de pulga!
    -Pulga?! 
    -Sim, pois você não me deixa em paz.

    Me virei para um lado na cama e me cobri até o pescoço, estava frio.

    -Boa noite pulga.- Falei.
    -Você vai repensar nesse nome.- Disse ele.

    E então, eu dormi.

~No dia seguinte~

Pov's Aiymyn

    Senti uma forte claridade batendo em meus olhos. Estava de manhã. Me levantei com um pouco de dor de cabeça, lembrei do que tinha acontecido ontem a noite, eu perdi o controle.

    -Ainda bem que nada de ruim aconteceu.- Falei.

    Olhei para o lado e vi um saquinho com sangue em cima da mesa, Nevra deve ter deixado ali. Peguei o saquinho e bebi todo o sangue que tinha ali dentro.

    -Aiymyn, está acordada?- Disse alguém batendo na porta.

    Fui até a porta e a abri, saindo logo depois.

    -Bom dia Nayuri.- Falei.
    -Bom dia.- Disse ela sorrindo.- Leiftan disse que a Akulah acordou ontem a noite, vamos ir ver como ela está.

    Assenti com a cabeça e fomos andando até a enfermaria. Chegando na porta, ouvi sons altos vindo de dentro.

    -Eu já disse que não estou louca!- Gritou Akulah.

    Abri a porta e entrei. Miiko estava parada na frente da cama acompanhada de Kero. Nevra e Ezarel estavam ali também.

    -Você deve ter batido a cabeça com muita força quando caiu.- Disse Kero.

    Eu e Nayuri não estávamos entendendo nada. Fui até a cama onde Akulah estava e peguei uma de suas mãos.

    -Você está melhor?- Perguntei.
    -Cem por cento!- Disse ela sorrindo.
    -Fico feliz.- Falei sorrindo também.
    -Cala a boca pulga!- Gritou Akulah.

    Olhei para ela assutada e vi que a Miiko colocou a mão na testa dando um longo suspiro.

    -Akulah... Com quem você está falando?- Perguntou Nayuri.
    -Ela tem um amigo imaginário.- Disse Ezarel.
    -Sério pulga, se você não ficar quieto eu vou acabar com você!- Disse ela.
    -Eu acho que ela bateu a cabeça com muita força...- Disse Nayuri no meu ouvido.

    Akulah estava me olhando com uma cara de "pelo amor de deus, acredite em mim".

    -Não é coisa da imaginação dela.- Falei.
    -Aiymyn, você acredita nisso?- Perguntou Nevra.
    -Estamos em um mundo totalmente mágico onde existem espécies que só se vê em livros de contos de fadas, virei uma vampira da noite pro dia, tem uma raposa, um homem com um chifre e um elfo falando comigo, e eu ainda teria que duvidar de uma feiticeira que diz estar ouvindo vozes?- Falei.

    Todos ficaram quietos. Akulah me olhou com os olhos brilhando e me abraçou. Nayuri parece que se convenceu.

    -Tudo bem, digamos que é verdade.- Disse Miiko.- Qual o nome dele?
    -Ele se recusa a falar, então o apelidei de pulga.- Disse Akulah.
    -Não esqueça de tomar seus medicamentos.- Disse Miiko, saindo logo depois acompanhada de Kero.
    -Depois que terminarem de conversar, voltem aos afazeres de suas guardas.- Disse Ezarel saindo também junto com o Nevra.
    -Aquele loiro me paga!- Disse Akulah.
    -O que ele fez?- Perguntou Nyuri.
    -Ontem ele ouviu eu falando com a pulga, e correu contar pra Miiko, ela veio hoje me enchendo de perguntas sobre isso.
    -Ele não deve ter feito por mal.- Falei.
    -Que seja, deveria ter ficado quieto, assim eu não faria papel de louca.- Disse ela.
    -O importante é que você está bem.- Falei.- Precisamos voltar pra nossa guarda, você fica bem ai?
    -Claro, a pulga não me deixa mesmo, fico conversando com ele.- Disse ela sorrindo.

    Eu e Nayuri saímos da enfermaria e fomos cumprir nossa tarefas.

   ~Uma semana depois~

    -Pegue, eu quero ver as habilidades de vocês. -Disse Valkyon nos entregando uma espada de madeira cada.
    -É para tacar na cabeça de alguém com isso? Eu poderia facilmente acertar o Nevra pelas horas de cantadinhas de ontem. -Falei analisando a espada.

    Ontem de noite nos reunimos com os chefes das guardas e alguns outros integrantes na cantina, bebemos e conversamos bastante, Akulah não para de conversar com a "pulga" como ela apelidou, apesar de todos acharem isso loucura. A flor que aquele esquisito me deixou no rio, a coloquei em um vaso com água do lado de minha cama, e não importa o que aconteça ela não morre, apenas continua ali, viva e linda como se estivesse sido colida a segundos. Tirando isso, depois da bebedeira ouvi uma hora de flertes furados do Nevra, e olhares mortais de outras garotas.

    -Em relação com o ataque que aconteceu nossa preocupação é de vocês não conseguirem lidar com um inimigo - Falou ele nos olhando serio.
    -Eu nunca peguei em uma espada antes. -Falou Akulah.- Não sei nem o básico.
    -Eu também não, esse tipo de coisa era proibida sabe. -Disse Nayuri revirando os olhos.
    -E quanto a você Aiymyn? - Perguntou Satty
    -Sei lutar com espada, faca, arco, enfim, qualquer coisa que me der. -Ela me olhou tão surpresa quanto os outros. - Eu fazia de tudo para não ficar naquela casa, eu tinha que saber me equilibrar mentalmente e fisicamente caso precisa-se, então -Suspirei- Não preciso de nada disso.
    -Vamos ver - Falou Satty.

    Com a espada de madeira nas mãos ela veio para cima de mim com uma velocidade tão assustadora quanto a minha. Não existia mais aquela expressão carinhosa de momentos atras, agora o que eu via era realmente uma guerreira da guarda Obisidiana.
    Desviei de seus ataques com facilidade, acredito que ela não estava lutando a serio. Ataquei de volta e ficamos nessa pequena luta por uns 30 minutos, ate ela parar.

    -Isso foi impressionante, nenhum novato consegue aguentar nem 10 minutos de luta comigo - Disse ela sorrindo, e Valkyon me olhou com aprovação.
    -Aiymyn esta liberada do treino, com isso peço que vá com o Nevra e o Ezarel, pegar materiais para fazer as armas de vocês. -Falou ele com um sorriso no rosto.- E vocês duas, vamos começar pelo básico.

    Antes que eu pudesse discordar, ele já começou a lutar com a Satty.
    Com muita animação fui para dentro do Q.G esperar as duas donzelas, quero dizer, chefes das guardas, resolverem aparecer.

    -Pensei que estivesse no treinamento -Falou Ezarel se aproximando junto ao vampiro.
    -Eu passei no teste de espancamento - Falei sorrindo.
    -Isso é surpreendente - Falou Nevra assustado.
    -O que? Lutar com a dama da guarda Obisidiana e sair sem um machucado? -Perguntei sorrindo de novo.
    -Não, mas o fato que esta sorrindo mais nesses últimos dias -Falou ele sorrindo também.
    
    Olhei para eles espantada, não tinha percebido isso. 

    -Vamos? - Disfarcei minha surpresa e continuei andando. Mas consegui sentir os olhares dos dois em mim.



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