História As Quatro Fases Da Lua - Capítulo 7


Escrita por: e Akulah

Postado
Categorias Eldarya
Personagens Ezarel, Leiftan, Miiko, Nevra, Personagens Originais, Valkyon
Tags Comedia, Eldarya, Magia, Mistério, Romance
Visualizações 116
Palavras 4.490
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Hey Hey~

Algumas coisas na história vão parecer "jogadas no ar e sem explicação" mas ao decorrer dos capítulos as peças vão se encaixando eu prometo!

Boa Leitura ^^

Capítulo 7 - Capítulo 7: Mentes Ligadas



*FlashBack on*
    -Onde nós vamos papai? - Perguntou a pequena princesa de cabelos dourados.
    -Visitar um pequeno vilarejo, você sabe, somos a família real que ajuda a alimentar o poder do grande cristal. Mas também não podemos deixar tudo nas costas da Guarda de Eel. Então vamos ajudar algumas pessoas hoje junto com essas guardas, o que acham? - Perguntou o rei vampiro para seus filhos.
    -Vamos poder mesmo ajudar eles papai? -Perguntou o pequeno de olhos azuis.
    -Sim, nós vamos! - Disse o Rei colocando seus dois filhos no ombro, seguido pelas risadas dos mesmos.
~No vilarejo~
    -Seja bem vindo vossa majestade -Falou o Chefe da guarda da Sombra - E sejam bem vindos, jovens majestades.
    -Como tem passado Neiva? -Disse o rei apertando a mão do amigo.
    -Você sabe, as mulheres não me dão um tempo....claro que eu não me incomodo com isso! Poderíamos sair juntos, mas sua fase de mulherengo agora se resume a uma mulher só - Disse o chefe da guarda rindo, seguido pelo rei.
    -Se a Feyre escuta uma coisa dessas, você sabe a surra que nós dois vamos levar. - Os dois voltaram a rir.
    -Sim, nossa deusa, rainha e amiga de infância, sempre resolvendo as coisas com os homens na base da mão. -Falou rindo. - Ah sim, você já conhece meu irmão mais novo?
    -Trouxe seu irmão para ajudar hoje também? -Perguntou o rei.
    -Sim, ele vai assumir meu posto na guarda quando eu me for, esse aqui é o meu irmãozinho - Falou o chefe da guarda, puxando delicadamente a criança de cabelos negros. -E esse é um de nossos reis e meu amigo de infância, Dorian.
*FlashBack off*

Pov's Akulah

    Satty e Valkyon começaram a lutar e mostrarem o básico que devemos saber para pelo menos sobrevivermos 10 minutos em uma luta. Como se estivessem voando, seus movimentos eram rápidos e precisos, quase não dava para acompanhar com o olhar.


    -Muito bem, conseguiram pegar mais ou menos como funciona?.- Perguntou Valkyon.


    Nayuri assentiu com a cabeça e eu também, embora estivesse mentindo. Enquanto eles estavam lutando, eu me distraí com uma borboleta que passava. Estou frita.


    -Parece que alguém está em apuros.- Disse o pulga.
    -Não te perguntei nada!- Falei.
    -O pulga de novo?- Perguntou Nayuri.
    -Sim.- Falei suspirando e pude ouvir uma risada em minha mente.
    -Bom, agora vamos colocar o que vocês absorveram em prática. Satty vai lutar com a Nayuri e eu com a Akulah, tentem ficar o máximo de tempo que conseguirem sem serem atingidas, bloqueiem para que isso não aconteça.- Disse Valkyon.


    Se eu estou ferrada e vou ser atingida em menos de 3 segundos de luta? Claro.
Seria uma má ideia sair correndo? Talvez.


    -Preparadas?- Perguntou ele.


    Já estávamos com as espadas em mãos e em posição de ataque. Valkyon estava me observando como se estivesse tentando prever como eu iria atacar. Estou ficando nervosa.


    -Se concentre e tente usar o que você vê em filmes.- Disse o pulga.
    -Olha pra ele, técnicas de filme não vão funcionar.- Falei.- Estou pronta.


    Valkyon parecia ter se teletransportado, e em menos de segundos ele já estava na minha frente. Tudo o que consegui fazer foi bloquear, mas sem sucesso, ele era muito mais forte e minha espada rodopiou algumas vezes no ar antes de atingir o chão.


    -Coloque mais força Akulah, seus músculos estão muito moles.- Disse ele pegando a espada e me entregando.
    
    Olhei para o lado e vi que a Nayuri tinha sido atingida, mas ela aguentou muito mais tempo do que eu. Isso que dá ficar olhando borboletas.


    -Vamos de novo.- Disse ele.


    E assim foi por um bom tempo. Minha espada voava cada hora para um lugar diferente. Não atingi o Valkyon nenhuma vez e acho que o máximo de tempo que resisti foram uns 30 segundos.


    -De novo.- Disse ele.


    Eu já estava ofegante e quase não sentia as minhas pernas. Não tivemos nem um intervalo! 
    Quando ele estava pronto para atacar, alguém chamou.


    -Valkyon.- Disse Leiftan vindo na nossa direção.- Miiko está te chamando, disse que precisa de você.
    -É urgente? Por que o assunto aqui está bem crítico.- Disse ele apontando para mim.
    -Deixa ela comigo, eu ensino.- Disse Leiftan.
    -Nem pensar! Se eu for lutar com você vou logo dar um chute na sua cara!- Falei.
    -Vai me dar um chute ou me bater com essa espada cheia de flores?.- Disse ele sorrindo.


    Olhei para a minha espada e vi que ela estava cheia de flores coloridas. Por que raios isso ficou assim?!


    -Fala sério, quando vê um monstro você paralisa e não faz nada, mas é só aparecer um cara bonitão que você usa magia e nascem flores? Você mostra muito seu sentimentos, tão cristalina como água.- Disse a pulga.
    -Cale-se! Não fui eu que fiz isso.


    Já faz um semana que estou ignorando o Leiftan. O fato de eu conversar com o pulga era algo que eu não queria falar para ninguém pois sabia que não iriam acreditar. Mas,as quando ele descobriu, todos ficaram sabendo e agora eu estou muito irritada com ele!. Odeio gente fofoqueira.
    E agora eu vejo ele e nascem flores? Esses poderes só podem estar de brincadeira comigo!    
    Valkyon pelo jeito aceitou que Leiftan me ensinasse, visto que ele já havia sumido. Satty e Nayuri se afastaram de nós. A luta delas estava frenética, pelo visto precisavam de mais espaço. Agora estava apenas eu e o Leiftan... E o pulga.


    -Você não prestou atenção em nada do que o Valkyon falou, não é?- Perguntou ele.
    -C-claro que prestei...- Falei.
    -Bom, então me ataca.- Disse ele colocando a espada no chão e abrindo os braços.
    -Você está de brincadeira? Com os braços abertos e sem espada, fica fácil.
    -Tenta.


    Olhei fixamente para ele, que me encarava com um ar de desafio. Arranquei todas as flores que haviam na espada e a segurei bem firme em minhas mãos.


    -É uma armadilha.- Disse a pulga.
    -Fica quieto, eu sei o que estou fazendo.- Falei.
    -Eu vou começar a anotar quantos "cala a boca" ou "fica quieto" você me fala em um dia, acho que precisarei de um bloco bem grande...


    Ignorei o comentário que o pulga fez. Eu sei que o Leiftan não iria se deixar acertar tão facilmente, mas no momento isso é tudo que posso fazer.
    Fiquei em posição de ataque e o encarei. Seus olhos verdes não se desviavam dos meus, era quase hipnotizador.


    -Estou esperando.- Disse ele.


    Em um rápido movimento corri até ele mirando a espada no seu peito que estava totalmente exposto. Mas antes que eu pudesse perceber ou fazer qualquer coisa, ele agarrou o meu pulso e me virou, fazendo com que minhas costas batessem no seu peito. Pude sentir sua respiração batendo no meu ouvido.


    -Me solta!- Esbravejei.
    -Segure a espada assim.- Sussurrou ele no meu ouvido, erguendo minha mão que estava segurando a espada para que ficasse na altura que ele desejava.- Faça mais força enquanto a segura, está muito mole, assim fica fácil de te desarmar.


    Ainda bem que eu estava de costas, por que tenho certeza que estava completamente vermelha agora. Se era raiva ou vergonha, eu não sei, mas provavelmente a segunda opção.


    -Tente não deixar seus movimentos tão visíveis, assim a outra pessoa vai saber exatamente o que você está planejando e vai fazer algo contra isso.- Disse ele.
    -Ótimo, agora eu fico segurando vela do casal.- Reclamou o pulga. Ignorei o comentário novamente.
    -Não sabia que entendia tanto sobre lutas.- Falei.
    -Tive que aprender a lutar na raça, foi complicado, mas tive experiência suficiente para conseguir dar aula á uma certa pessoa.- Disse ele parecendo estar sorrindo.
    -Não curto muito batalhas corporais. Acho que feiticeira combina comigo, prefiro apenas lançar algumas coisas de longe, como madeiras em chamas- Disse rindo.
    
    No meio dessa conversa, tinha até esquecido que ele estava praticamente me abraçando por trás, e quando lembrei meu rosto voltou a ferver. Tentei me soltar dele, mas seus braços me prenderam.
    -O pulga ainda fala com você?- Perguntou ele. Parei por um momento pensando se deveria responder.
    -Por que? Vai correr contar pra Miiko se eu disser que sim?- Disse me soltando dos seus braços á força e parando de frente para ele, que agora me olhava com dúvida.
    -Era por isso que me ignorou nesses últimos dias?
    -Você fala como se não fosse grande coisa.- Falei colocando a espada no chão.- Acho que já deu por hoje, estou cansada.
    -Akulah, deixa eu explicar.- Disse ele.- Eu precisava contar pra Miiko.
    -Por que? Sabia que ninguém iria acreditar em mim, por esse motivo eu não ia contar.
    -Não posso te falar, mas era necessário...- Disse ele olhando para o chão.
    -Não vou mais falar sobre isso, mas respondendo sua pergunta, sim ele ainda fala comigo.
    -É um homem?.- Perguntou.


    Assenti com a cabeça e ele soltou um suspiro de alívio.


    -Esta aliviado por que é um homem? Teria problema se fosse mulher?- Perguntei, mas ele não respondeu.


    Visto que essa conversa não iria chegar a lugar algum, apenas subi novamente para o QG deixando ele ali.
    Não acredito nisso, então tudo bem eu conversar mentalmente com um homem? Eu não entendo ele! E não entendo a mim mesma, porque estou brava com isso?

Pov's Aiymyn

    Fui com o Ezarel e o Nevra até uma mina onde haviam várias pessoas trabalhando. Era um lugar bem grande, como uma caverna de filmes de terror iluminada por luzes artificiais e cheia de carrinhos com pedras.


    -Entrem ali na mina, vou perguntar para um deles se os materiais que precisamos estão disponíveis.- Falou Ezarel.


    Eu e Nevra entramos dentro de uma mina onde tinham vários gnomos colhendo o material das pedras. Eles nos olharam e ficaram encarando feio, como se fôssemos intrusos ali. Eu os olhava com curiosidade, era a primeira vez que via gnomos assim.


    -Relaxa, eles não mordem.- Disse Nevra baixinho para que apenas eu pudesse ouvi-lo.
    -Eles disseram que não tem o material que precisamos.- Disse Ezarel chegando alguns minutos depois.- Aparentemente algumas rochas desabaram e dificultaram a passagem, o material não pôde ser pego.
    -Droga, precisávamos fazer as armas pra elas, andar sem nenhum meio de defesa é perigoso.- Disse Nevra.


    Estava olhando ao redor para aquela rochas, todas estavam brilhando e o barulho das ferramentas perfurando as mesmas era bem alto. Isso no nosso mundo iria valer muito. Talvez dava até para comprar um país.


    -Não tem nenhuma fresta que leve até lá?- Perguntou Nevra.
    -Se tivesse eles já teriam ido, são gnomos, passam em qualquer lugar.- Disse Ezarel.


    Enquanto os dois estavam discutindo, comecei a ir mais afundo na mina. Tive um sentimento de curiosidade, como se precisasse ir ali.


    -Aiymyn, onde você está?- Ouvi Nevra chamando, mas já estava muito longe.


    Continuei andando, até que vi um homem.


    -Você...- Falei baixinho.


    Era o homem que estava do outro lado do rio, ele que me deixou aquela rosa. Ele estava me encarando com aqueles olhos tampados pela máscara e o capuz, e ainda com aquele mesmo sorriso nos lábios.
    Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se virou e entrou em uma fenda na parede quase invisível. Me aproximei dela e passei meus dedos ao seu redor. Não acho muito seguro seguir um estranho no fundo de uma mina que acabou de entrar em uma parede. 
    Mas mesmo assim eu entrei.
     A curiosidade em mim era mais forte do que qualquer coisa naquele momento, por algum motivo ou um instinto familiar.
    Sai em um lugar que tinha o tamanho de uma sala de aula e estava cheio de rochas azuis e amarelas cintilantes. Brilhavam como as estrelas no céu noturno, era incrível.


    -É isso que estávamos procurando...?- Perguntei encantada e um pouco aliviada pela sua presença.


    O homem estava parado em cima de uma das rochas me encarando e logo depois sorriu, pegou uma de minhas mãos e deu um delicado beijo na mesma. Logo depois se afastou um pouco de mim, e eu apenas o encarei por uns minutos tentando talvez ver um pouco de seu rosto por baixo da mascara que o cobria. Porque me ajudou? Quem é você? Perguntas que eu fazia com o olhar enquanto ele me encarava profundamente através daqueles olhos lindos e azuis como uma noite estrelada. Me agachei para tocar em uma das pedras, desviando de seu olhar e quando o encarei novamente, ele não estava mais ali.


    -Devo estar tendo alucinações.- Falei.
    -Aiymyn!- Ouvi o Nevra chamando.
    -Estou aqui.- Falei passando pela parede e indo até ele.
    -Onde você estava?- Perguntou ele.
    
    Pensei se eu deveria dizer a ele sobre o homem, mas desisti da ideia visto que as chances dele não acreditar eram de cem por cento. Ou porque queria esconde-lo de todos, como um instinto.


    -Entrei nessa fenda, o material que precisamos está lá dentro.- Falei.
    -Como achou essa fenda? Nem mesmo os trabalhadores daqui, que revistaram tudo, não acharam esse lugar. - Falou Ezarel espantado, enquanto Nevra me observava em cada movimento e suspiro que eu emitia. Ainda com o rosto um pouco vermelho, respondi:
    -Não sei...apenas estava ai.- Falei e saí logo depois indo até o lado de fora da mina, precisava de um ar.


    Ezarel e Nevra demoraram um pouco la dentro ate saírem carregando o material, creio que ainda confusos pela a fenda aparecer misteriosamente. Fomos andando até o QG em silêncio, percebi que durante o caminho Nevra ficava me encarando, mas desviava o olhar quando eu o encarava de volta. Provavelmente deve estar se perguntado como eu consegui achar o material.
    
   
Pov's Nayuri

    Tudo bem, eu realmente não presto para lutas! Não sabia que ia sentir falta da sala de alquimia, mesmo tento que aguentar o elfo.


    -Vamos lá, você está indo bem.- Disse Satty com um sorriso angelical no rosto.
    -Não dá, isso é muito difícil! Prefiro ficar fazendo poções na sala de alquimia.- Falei me sentando em uma pedra que estava ali.
    -É falta de prática, com o tempo você e a Akulah vão estar lutando super bem.
    
    Assenti com a cabeça, não muito convencida daquilo. Pude prestar atenção na Akulah enquanto lutava, as coisas não estavam indo nada bem para ela.


    -Podemos dar uma pausa?- Perguntei.
    -Claro, continuamos amanhã então. Vamos voltar ao QG. -Falou ela me ajudando a levantar.


    Voltamos para o QG, e posso dizer que a caminhada até ali foi a mais dolorosa de toda a minha vida. Meu corpo estava todo dolorido, e eu podia sentir uma pontada de dor a cada passo que dava.


    -Vá tomar um banho e descansar, vou passar o relatório para o Valkyon.- Disse Satty se despedindo e saindo logo depois.


    Banho, essa palavra era música para os meus ouvidos. Fui até o corredor dos guardas em direção ao meu quarto, quando me deparei com alguém.


    -Nossa, você está horrível.- Disse Ezarel com aquele maldito sorrido no rosto.
    -Lhe digo o mesmo.- Falei revirando os olhos.- Prefiro ficar na sala de alquimia fazendo poções.
    -Eu não, prefiro que você fique treinando, a sala de alquimia fica bem mais silenciosa.- Disse ele soltando uma pequena risada sarcástica.


    Eu não estava com humor para começar a brigar, então apenas passei reto pelo elfo e fui para o meu quarto deixando ele sozinho no corredor.    
    Após tomar meu banho e ir comer alguma coisa com as meninas, eu estava exausta e decidi ir dormir. Não vi mais o elfo depois do corredor. Segundo a Satty, surgiu uma emergência em um vilarejo ao norte da guarda de Eel e ele teve que ir tão rápido com alguns outros membros das guardas, que eu nem pude....ESQUECE ESSE ELFO!
    Cheguei no meu quarto e me joguei na cama, decidida a não pensar em mais nada a não ser dormir. Eu não precisava me preocupar com ele e nem tinha motivos para tal coisa, embora eu admita que ele meche um pouco comigo.

   ** "-Onde eu estou? -Perguntei para mim mesma. O lugar era lindo, um campo cheio de flores azuis e ao redor uma floresta calma. O vento era leve e fazia as folhas se mexerem em harmonia.
    -Eu só vou me casar com você porque a mamãe pediu! 


    Ouvi a voz de uma garota perto de mim e me virei para tentar acha-la. Eu conseguia ver ela, mas era como um borrão colorido, não era possível ver seu rosto.


    -Então você sempre faz o que sua mãe pede? Não que eu ache ruim ser o seu prometido. Vou me divertir muito! -Falou a outra sombra rindo.
    Essa aparentava ser um menino, eu só conseguia ouvir a sua voz.
    -Olá? Vocês dois.


    Eles não me ouviram e continuavam a discutir, mas tive a impressão de que ele a provocava de brincadeira para vê-la irritada.
    Em um pulo o cenário mudou e eu estava de volta ao corredor dos quartos, e Ezarel estava em minha frente, como mais cedo.


    -Nossa, você está horrível.- Disse ele sorrindo.
    -Você já disse isso hoje....
    -Talvez tenha apanhado bastante hoje não é? -Falou ele ainda sorrindo.
    -Entendi, isso é um sonho não é? -Perguntei, e ele suavizou o rosto.
    -Então você sonha comigo? Ficou brava por que sai numa missão e não te falei nada? -Falou se aproximando de mim, o que me fez dar um passo para trás.
    -Ou de-deve ser porque você me irrita muito...


    Ele chegou mais perto, tão perto que eu podia sentir sua respiração, por instinto abaixei a cabeça e encarei meu pés. Se isso é um sonho, então por que meu coração esta acelerado...?


    -Se eu morresse, você iria chorar? -Perguntou ele, agora com uma voz fraca.


    Alguma coisa estava errada, levantei minha cabeça e o encarei. Levei um susto ao olhar para seu rosto! Dei um pulo para trás e soltei um grito.
    Ele estava machucado, sua roupa estava rasgada em todos os cantos. Pareciam ser marcas de chicote ou madeira, estava completamente ensanguentado! Em seu rosto escorria um fio de sangue saido da testa onde havia um grande corte, marcas roxas no pescoço e perto dos seus olhos. Uma completa imagem de tortura sem coração. Um de seus braços parecia torcido e seus pulsos tinham marcas fortes de correntes.
Eu estava paralisada, nunca havia visto um cena dessas...tanto sangue...


    -E-ez.... o q-que aconteceu...?
    
    Ele apenas sorriu, não um sorriso sarcástico ou irritante, mas um sorriso calmo e gentil.


    -Eu também prefiro você na sala de alquimia em vez de sair para treinar. -Ele disse e caiu de joelhos no chão, colocando uma mão sobre a barriga e a outra se apoiando na parede.


    Corri ate ele me ajoelhando também. Quando tentei tocar o seu rosto, minha mão o atravessou, como se eu fosse uma névoa.


    -Você esta ferido! Isso não pode ser sonho!! E- eu vou te sal..
    -Não! Não venha atras de mim, entendeu? -Ele falou com uma expressão de dor. - Por favor, não venha..."**


    Eu acordei com um salto da cama, estava ofegante, suanda e chorando. Meu corpo inteiro tremia. O cristal preso ao meu pescoço estava piscando tanto que era difícil de olhar para o mesmo sem sentir uma dor latejante na cabeça. Aquilo não era um sonho, era real e ele precisa de mim.
     Preciso fazer alguma coisa agora mesmo!
    Levantei correndo e cambaleando um pouco por conta da tremedeira e fui até a porta do quarto, bati com a mão na mesma com tanta força que fez um enorme barulho.


    -Namuri, está tudo bem?- Perguntou Akulah saindo do seu quarto e vindo até mim.
    -E-eu, eu preciso ir até ele, alguma coisa está errada.


    Meu corpo estava tremendo e suor escorria em todo lugar. Pela primeira vez não me importei em parecer bonita.


    -Aconteceu alguma coisa?- Perguntou Aiymyn também saindo do seu quarto e se juntando a nós.


    Sem ter tempo para responde-las, fui correndo até a sala do cristal onde Miiko estava sentada em uma cadeira mexendo em alguns papéis.


    -Miiko, é urgente! Preciso ir até onde o Ezarel está, agora!- Gritei, logo depois tentando recuperar o ar que estava difícil de entrar.
    Miiko olhou para mim assustada e pude ver seus olhos estavam quase saltando para fora de seu rosto.
    -O que aconteceu?- Perguntou ela calmamente por conta do susto.
    -Acabei de ter um sonho horrível, ele estava em apuros e precisa de ajuda, alguma coisa aconteceu.- Falei segurando as lágrimas que ameaçavam a sair. Por que estou tão desesperada?


    Aiymyn e Akulah chegaram minutos depois.


    -Você quer que eu deixe que vá até ele por conta de um sonho?- Perguntou Miiko soltando um longo suspiro.- Ezarel é chefe da guarda a muito tempo, ele sabe se cuidar.
    -Você não está entendendo, não foi apenas um sonho, parecia tão real e...
    -Não posso deixar que vá até lá, é necessário um barco e vários outros recursos. Não é algo que se decida assim do nada, volte pro seu quarto e aguarde por alguma informação dele.
    -Está querendo que eu simplesmente ignore o que eu vi e volte a dormir enquanto ele pode estar correndo perigo? Ele pode morrer!!- Gritei.
    -Miiko isso é sério, algum coisa realmente deve ter acontecido. Deixe-nos ir até lá.- Disse Aiymyn.
    -Eu já disse que não!- Gritou Miiko com o fogo azul em suas mãos.- Vocês ainda estão em treinamento, não sabem fazer nada direito e só se metem em encrenca. Não vou arriscar que causem mais problemas só por causa de um sonho.
    -Só por causa de um sonho? Não é normal ficar desse jeito depois de um sonho se algo não estivesse errado!- Disse Akulah.
    -Saiam daqui e voltem para seus quartos, vou enviar uma carta até a vila pedindo um relatório, aguardem até lá.- Disse Miiko voltando a se concentrar em seus papéis como se não estivéssemos mais ali.


    Não consegui mais ficar ali, mais um pouco e eu voaria pra cima dela. Passei reto pelas meninas e fui até a porta do meu quarto decidida. Respirei fundo, enxuguei as lagrimas e tomei o controle da tremedeira de minhas pernas.


    -Não posso ficar aqui.- Falei.
    -Não mesmo, vamos atrás dele.- Disse Akulah chegando junto com a Aiymyn e colocando uma de suas mãos em meu ombro.
    -Sério? Vocês vão comigo?- Perguntei.
    -É claro Namuri, acha que vamos deixa-la ir sozinha? Você vai acabar se machucando.- Disse Akulah sorrindo.
    -Quebrar as regras de nossa superior, isso vai ser uma experiência interessante.- Falou Aiymyn com um sorriso divertido nos lábios.
    -Não precisa nos contar o que viu em seu sonho.- Disse Akulah.- Mas como vamos fazer para ir até lá? Nem sabemos onde fica.
    -Não vamos conversar aqui.- Falei.


    Entramos no meu quarto e sentamos em uma roda no chão. Não posso arriscar que ninguém ouça, de acordo com todos, é suicídio ir contra as regras da Miiko.


    -Vamos partir de manhã bem cedo, antes de todos acordarem.- Disse Aiymyn.
    -Deixem o barco comigo.- Disse Akulah com os olhos brilhando, provavelmente animada por poder usar alguma magia.
    -Tem certeza..?- Perguntei, ela apenas assentiu.
    -E quanto a localização?- Perguntou Akulah.
    -Deve ter algum mapa na biblioteca, posso entrar lá sem ser vista e pegá-lo.- Falou Aiymyn.
    -Vou pegar comida na dispensa e alguns curativos na enfermaria, peguem o que precisam e deixem tudo pronto para partirmos de manhã.- Falei.
    As duas se levantaram e foram até a porta.
    -Meninas.- Chamei, elas se viraram para mim.- Obrigada. -Falei aliviada, eu realmente precisava de alguem para me ajudar. Se aquilo que vi for real, não sei se aguento sozinha.
    -Imagina Namuri, vamos salvar aquele elfo irritante.- Disse Akulah dando uma risadinha seguida pela Aiymyn que me olhou e sorriu.
   -E ainda desobedecer a Miiko, isso é o melhor. -Disse a vampira rindo antes de sair do quarto.
    Por mais que eu te ache irritante, por favor, esteja bem.
   
Pov's Akulah

    Fui correndo até o meu quarto e peguei a bolsa que havia trazido do mundo humano. Coloquei o livro de magia lá dentro e as poções que peguei no porão da casa da Aiymyn. 
    Quando estávamos com a Nayuri, percebi que o colar dela estava iluminado com uma luz muito forte, mas preferi não falar nada e ela também parecia ter que esquecido que o cristal estava daquele jeito.


    -Alguma de vocês tem algum plano concreto?- Perguntou o pulga.
    -Não exatamente, mas vamos ver o que acontece.
    -Como você pretende conseguir um barco?
    -Tem um magia de conjurar objetos, é só pensar no que quero e ele ira tomar forma.
    -Parece que alguém andou estudando.- Disse ele, e tive a impressão de que estava sorrindo. - Espero só que não conjure uma bacia em vez de um barco -disse rindo.
    -Quieto pulga!


    Terminei de arrumar as coisas e fui para a cama. Me virei várias vezes tentando encontrar uma posição boa para dormir, mas sem sucesso. E nesse tempo, comecei a pensar em muitas coisas enquanto olhava para o teto do quarto. Magia, isso era algo que até então era visto apenas em histórias de ficção, e agora estou em outro mundo onde você dá dois passos e vê algo totalmente fora da realidade do mundo humano. O estranho disso tudo é que por algum motivo eu me sinto familiarizada com esse lugar, com essas pessoas, com esse mundo. Ás vezes sinto como se minha vida fosse uma mentira, como se tudo que vivi até hoje fosse errado, e só agora parece estar certo. 
    Amigos. Eu tinha amigos agora, e quem sabe até algo mais... Não que eu goste do Leiftan romanticamente falando e nem nada do tipo, mas quando olho pra ele sinto como se não fosse a primeira vez que o vi. Isso é estranho, por que se tivesse o conhecido antes ele se lembraria de mim.
    Em meio aos meus pensamentos, o sono começou a vir. Mas logo foi interrompido, pois acima da minha cabeça passou uma poeirinha de luz azul cintilante.


    -O que...?


    Ele tinha pousado na maçaneta da porta e ficou ali, parado. Fui até a pequena poeira, e ao me aproximar mais percebi que não era um pó azul estranho.


    -Uma borboleta...


    Tentei tocá-la, mas a mesma voou para cima e a porta abriu. A borboleta passou pela fresta da porta e ficou voando no corredor. 


    -Parece que está me chamando...- Sussurrei.


    Era hipnotizante olhar para ela, como se eu tivesse perdido todos os meus sentidos e só pensasse em segui-la. O pulga não estava falando comigo, deve estar dormindo.
    A borboleta começou a voar pelo corredor e eu a segui, sem desviar os meus olhos daquele brilho que emitia de toda superfície do seu pequeno corpo.
    Cheguei em uma enorme Sakura que tinha ali. A iluminação não era muito boa, vários pontos estavam  em completa escuridão. Saí do QG de maneira tão fácil e sem perceber?


    -Por que raios eu vim até aqui..?- Falei colocando uma de minhas mãos na minha cabeça e olhando para o chão.


    Ao olhar para frente novamente, vi que a borboleta tinha pousado em algum lugar... Ou melhor, em alguém.
 



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