História As Quatro Fases Da Lua - Capítulo 8


Escrita por: e Akulah

Postado
Categorias Eldarya
Personagens Ezarel, Leiftan, Miiko, Nevra, Personagens Originais, Valkyon
Tags Comedia, Eldarya, Magia, Mistério, Romance
Visualizações 109
Palavras 4.190
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Magia, Mistério, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ola Ola~

Deixo aqui uma música de recomendação para o capítulo <3
>>> [MV] LEE SUN HEE(이선희) _ WindFlower(바람꽃) (The Legend of The Blue Sea(푸른 바다의 전설) OST Score Part.6)

Capítulo 8 - Capítulo 8: Onde Você Estiver



*FlashBack on*
    -Então, você vai me ajudar. Eu tomarei o que esse reino tem de mais precioso. Vou acabar com o que elas dão mais valor, só assim poderei assumir o poder sobre Eldarya. Ele vai se arrepender de ter escolhido ela para se casar.
*FlashBack off*

Pov's Akulah

   A pequena e cintilante borboleta havia pousado no dedo de uma pessoa. Ele estava ali. Com aquela máscara cobrindo todo seu rosto, os olhos vermelhos me encaravam de tal forma que fez meu corpo estremecer. Só não cheguei a uma conclusão se era medo ou outra coisa.


    -O que você...?- Comecei a falar mas, quando ele me olhou, senti uma falta de ar e as palavras não saíram.
    O homem olhou para a borboleta e depois para mim, se aproximando lentamente alguns segundos depois. Tentei sair dali, correr, chuta-lo se preciso, mas meu corpo não seguia nenhuma ordem minha. Estava paralisada. Meus ossos pareciam estar presos por todos os lados, impossibilitando qualquer movimento pensado.
    -Por que me ajudou aquele dia na floresta?- Perguntei, tentando parecer o mais calma possível. 
    Ele não respondeu, apenas parou na minha frente. Muito perto. Tão perto que eu poderia sentir sua respiração caso não houvesse aquela máscara cobrindo toda superfície do seu rosto. A minha sorte naquele momento, era ele estar usando tal objeto.
    -Quem é você?- Tentei de novo. Novamente fazendo o máximo para transparecer uma imagem calma, ignorando o fato do meu peito estar apertado e invadido pelo desespero.
    Sabe quando você está falando com a parede? Então, era a mesma coisa que falar com ele. Não conseguia identificar que tipo de expressão ele estava fazendo por conta daquela máscara preta em seu rosto, muito menos tentar decifrar o que estava pensando. 
    -O que quer de mim?- Perguntei baixinho.
    Ele levantou a sua mão direita até o meu rosto, passou os dedos levemente pela minha bochecha e depois pelos meus cabelos, logo depois colocando uma mecha do meu cabelo atrás de uma das minhas orelhas. Tentei levantar minhas mãos para empurrá-lo, mas meu corpo ainda não se movia. Ele parecia estar hipnotizado enquanto me olhava.
    -Tire suas mãos de mim, eu nem sei quem você é!- Esbravejei.
    Ele recuou, e arrancou algo de dentro do bolso. Não consegui ver muito bem o que estava fazendo, até que ele virou um pedaço de papel para mim. "Posso ajudá-la a ir até seu amigo" era o que estava escrito.
    -Acha que vou acreditar em você? Você é mudo por um acaso?
    Ele virou novamente o papel para si e escreveu algo.
    "Vocês não estão com pressa para salvá-lo?"
    -Vamos ao amanhecer.- Falei.
    Idiota! Não dê informações para ele! O mascarado me olhou por alguns segundos antes de escrever:
    "Pode ser tarde demais"
    Ao ver aquilo que ele escreveu, meu sangue gelou. Cada minuto que temos é precioso e definitivo na vida do elfo. Talvez se esperarmos até o amanhecer, não cheguemos á tempo. Esse era um daqueles momentos da vida em que pensar muito não iria adiantar em nada. A única forma, era agir.
    -Como posso saber que você vai nos ajudar? 
    Ele estralou os dedos e eu senti meus movimentos voltando. Senti meus ossos relaxando aos poucos até perceber que aceitariam qualquer vontade minha de movimento. Não estava mais paralisada.
    "Confiar em mim ou não, é escolha sua"
    Encarei ele por um tempo. Posso estar fazendo a pior coisa da minha vida confiando nele, ou posso estar deixando alguém morrer. É arriscar ou perder.
    -Espere aqui, vou chamar minhas amigas.- Falei voltando para dentro.
    Enquanto voltava, olhei por cima dos ombros e vi ele encarando a borboleta que ainda estava no seu dedo como se fosse um acessório. Percebi que o estranho me olhava de volta e desviei o olhar.
    Chegando na porta dos quartos, fui até o da Nayuri e entrei com pressa.


    -Namuri, precisamos ir, agora!- Falei balançando seus braços.
    -O que...?- Disse ela, tentando se acostumar com a claridade da luz que eu havia acabado de acender. Percebi que embaixo dos seus olhos estavam duas marcas roxas e profundas, provavelmente ela havia conseguido pegar no sono á uns dez minutos atrás.- Não íamos de manhã?
    -Não temos tempo, pegue as suas coisas.- Falei.


    Saí do quarto dela e fui em direção ao da Aiymyn mas, ao abrir a porta, a mesma já estava de pé com uma espada nas mãos.


    -Vamos.- Disse ela. As vezes eu me surpreendo em como ela sabe das coisas.
    Corri até o meu quarto e peguei minha bolsa, jogando-a sobre meus ombros.
    As meninas me seguiram até a Sakura. Olhei para os lados procurando o indivíduo e sem deixar de me perguntar se havia sonhado com tudo aquilo ou não. Ele não estava alí.


    -Akulah, por que viemos aqui? Temos que ir até a praia.- Disse Nay.
    -Era para ele estar aqui...- Sussurrei.
    -O que é isso?- Perguntou Aiymyn.


    A borboleta. Ela passou pelas meninas e pousou no meu ombro, logo depois voou em uma direção. Entendi que deveríamos segui-la.
    -Venham.- Falei.


    As duas se entreolharam e me seguiram sem fazer perguntas. Saímos do QG e fomos seguindo a borboleta que estava indo até um canto afastado da praia onde a iluminação não era quase nada. Senti um calafrio, novamente a sensação de desespero. Escuro.


    -Akulah, respira fundo.- Disse o pulga.
    -Finalmente acordou.- Brinquei.- Eu estou bem.
    Como ele sabia que eu tenho medo do escuro? Eu também não sei, mas isso não é importante agora. Chegamos até o limite da praia, onde tudo depois era apenas o oceano. As meninas foram em silêncio, pude ver preocupação e desespero nos olhos da Nay.
    -Olhem aquilo.- Disse Aiymyn.
    Forçando um pouco os meus olhos a enxergar além daquela escuridão, pude ver ele. Estava parado com os braços cruzados e encostado em um barco... Um barco?
    Andamos até ele, que levantou o papel.
    "Você demorou"
    -Desculpe...- Falei.
    -Akulah, quem é ele?- Perguntou Aiymyn colocando as mãos na espada pronta para sacar a qualquer movimento suspeito feito pelo mascarado.
    -Eu também não sei...
    -Você seguiu um estranho?!- Perguntou ela indignada.
    -Ele disse que podia nos ajudar, não tive opção.
    
    O mascarado me olhou e fez um sinal com a cabeça em direção ao barco. Os olhos vermelhos dele e a borboleta eram tudo que iluminavam o local. Novamente senti aquele calafrio.
    -Só por que alguém diz que vai ajudar, não quer dizer que você possa sair por ai confiando em qualquer um.- Disse Aiymyn olhando desconfiada para ele.
    -Vamos subir ou não?


    Nayuri não esperou falarmos nada, foi a primeira a embarcar. Aiymyn me olhou e soltou um suspiro, subindo logo depois. Antes que eu pudesse fazer o mesmo, ele pegou o meu pulso.
    "Tome cuidado"
    Ele estava com um lampião acesso na mão que não segurava o papel e esticou ele para mim. Senti um pouco de preocupação naquele gesto, como se ele tivesse percebido o meu desconforto com o escuro.


    -Akulah, pode confiar nele.- Disse o pulga.
    -Não confio nem em você.- Falei, e pude ouvir uma risada vindo do pulga.
    Sem ter tempo para pensar demais, apenas peguei a única fonte de iluminação ali e subi no barco logo depois.
    -Obriga- Me virei para agradece-lo, mas ele já havia sumido.- Estranho.
    Me virei para falar algo para meninas, até que ouvimos uma voz.
    -Parem já aí!- Gritou alguém.
    Nos viramos rapidamente e puder notar os cabelos vermelhos no meio da escuridão e o desespero da pessoa em busca de oxigênio provocado provavelmente por uma longa corrida. Era Satty, ela estava ofegante e nos olhava com raiva. Descemos do barco e paramos de frente para ela. 
Os cabelos da Ninfa estavam em lindas chamas vermelhas, e seu olhar não decidia-se se ficava fixo em nós ou no barco.


    -Vocês não podem ir até lá, são ordens da Miiko. Estão loucas?!- Disse ela.- Vamos voltar.
    -Desculpa Satty, não podemos voltar.- Disse Nayuri.
    -Preciso relatar para o Valkyon, ou pior, para a própria Miiko, não quero que se metam em encrenca. Venham pacificamente.- Disse Satty.
    -Venha com a gente.- Falei, e pela a cara que ela fez parecia que eu estava falando algo totalmente sem noção.
    -Isso é ridículo, sabem a punição que posso receber se fizer isso?!
    -Se for sequestro, não vai dar nada pra você.- Disse Aiymyn sorrindo.
    -Nem pense nisso.- Disse Satty dando um passo para trás.
    -Rápido pulga, poder para paralisar.- Falei baixinho.
    -Diffindo.- Falou ele.


    Olhei para Aiymyn e ela pareceu ter entendido, visto que a mesma pegou a espada e partiu para cima da Satty que em um movimento rápido arrancou sua espada da calça e bloqueou o ataque que recebeu. Enquanto as duas estavam lutando, estiquei as minhas duas mãos para frente e esvaziei a mente, pensando e dizendo apenas uma palavra.


    -Diffindo.- Falei.


    E o barulho das espadas pararam. Satty estava imóvel agora caida na areia da praia.
    -Boa menina.- Falou Aiymyn me acariciando.
    A diferença da minha magia para paralisar com a que o mascarado usou, é que a dele era possível falar, mas a minha não. Aiymyn pegou a Satty e subimos no barco, a mesma fazia sons estranhos quase como um rugido.
    Por algum impulso, o barco saiu da areia e foi para o mar assim que todas estavam a bordo.
    -Olha só isso.- Disse Nayuri.
    O barco estava cheio de bolsas com comidas, outras com kit de primeiros socorros, uma bússola estava presa na ponta da frente do barco e em uma das sacola tinha um mapa.
    -Ele colocou tudo isso aqui?- Perguntou Aiymyn espantada, pegando o mapa nas mãos.- Olhem, está tudo especificado aqui. Onde estamos, para onde estamos indo, e conforme o barco anda essa linha tracejada de preto vai pintando o papel.


    -Incrível!- Falei.
    -Gente, como o barco está andando?- Perguntou Nay.
    -Magia.- Disse o pulga.- Aquele homem jogou algum encantamento no barco, ele vai sozinho até onde desejam.
    Contei para as meninas o que o pulga disse.
    -Por que ele nos ajudou?- Perguntou Nay.
    -Eu também queria muito saber...- Falei.
    -Onde conheceu ele, Aku?- Perguntou Aiymyn.
    Falei para elas tudo o que aconteceu, desde o incidente da floresta até essa noite. As meninas ficaram espantadas e não perguntaram mais nada. Embora Aiymyn tenha me olhado com desconfiança, sinto que ela me vê como uma irmãzinha.
    -Bom, parece que tudo o que pegamos não chega nem aos pés do que ele colocou aqui.- Disse Aiymyn revirando uma das sacolas.- O mapa da biblioteca era extremamente confuso.
    -Pelo menos eu não tive o trabalho de conjurar um barco.- Falei.
    -Ainda bem...- Disse Nay, mostrei a língua pra ela.
    Conforme o barco foi mais adentro do mar, a ilha onde ficava a Guarda de Eel foi ficando cada vez menor, até sumir por completo. 
    -Não tem mais volta.- Falei, estralando os dedos enquanto via a Satty recuperar seus movimentos de volta. Ela estava furiosa.
    -Vocês estão perdidas!!- Gritou ela.- Tem noção do que fizeram?! Foram contra uma ordem da Miiko e ainda me sequestraram, todos vão ficar loucos procurando por nós.
    -Não é como se a Miiko fosse arrancar nossas cabeças.- Falou Aiymyn despreocupada.- Não vamos escapar de um sermão de algumas horas e alguma punição, mas nada impossível de se lidar.
    -Vocês estão aqui á algumas semanas e já causaram mais problemas do que pessoas que estão aqui á anos!- Disse Satty. Tudo bem, ela estava realmente muito furiosa.
    -Acalme-se Satty, queria que ficássemos paradas sem fazer nada? Ele está correndo perigo e...- Fui interrompida antes de terminar de falar.
    -Em todos esses anos que estou na Guarda de Eel todos os chefes das guardas foram e voltaram de suas missões em perfeito estado. Ezarel sabe se cuidar, poderiam esperar por um relatório.- Disse ela bufando.
    Percebi que a Nayuri estava sem expressão nenhuma em seu rosto, seus olhos pareciam sem vida alguma.
    -Se fosse o Valkyon, você iria esperar por um relatório?- Perguntou Nayuri baixinho.- Se fosse ele, você iria dormir sem pensar no pesadelo que teve e no que isso poderia afetar? Ficaria de braços cruzados e não tentaria correr atrás dele?- Falou ela aumentando o tom de voz.
    Satty ficou sem resposta, parecendo ter visto a situação por outro lado. Seus olhos se encheram de tristeza enquanto via as lágrimas que rolavam pela face da Nayuri.
    -Me desculpem...- Disse Satty olhando para o mar, e segundos depois dizendo.- Você está certa, eu faria o mesmo ou até pior para ir até ele.- Demonstrando arrependimento, ela parecia ter aceitado- Vou ajudar vocês.
    O olhar da Nayuri se suavizou. Parece que agora estamos todas de acordo.
   
Pov's Aiymyn

    A viajem durou dois dias. Confesso que foi extremamente entediante, mas nossos corações foram aliviados quando avistamos uma ilha. Nayuri parecia estar quase entrando em pânico, não dormiu quase nada nesses dias.
    -Finalmente!!- Exclamou Akulah.- Não aguentava mais ficar nesse barco.
    Passamos dois dias aqui em um incrível tédio, conversando uma com a outra, observando o mar e nada mais. A única parte boa de tudo isso, é que a visão noturna era maravilhosa, as estrelas pareciam estar tão perto que tive a sensação de que se esticasse um pouco minhas mãos conseguiria toca-las. 


    -Certo, essa vila é uma das mais antigas de Eldarya, e não é difícil de se achar. Me sigam. - Falou Satty saindo do barco.


    A seguimos por uma trilha que parecia gasta. Andamos por bons minutos entre várias árvores, galhos pendurados, cipós, insetos e todo o tipo de coisa que encontra-se na natureza. Embora aqui fosse tudo com uma pitada de magia. Depois de algum tempo, sentimos um cheiro estranho.


    -Estão sentindo isso? -Perguntou a Akulah, cobrindo o nariz.
    -Alguma coisa está errada... - Falou Satty, baixinho com uma expressão assustada.
    -Esse cheiro é sangue? -Perguntei olhando para Nayuri.
    -Não.... ELE TEM QUE ESTAR BEM - Disse Nay, que depois saiu em uma velocidade absurda pela trilha.
    Corremos atrás dela, e a achamos parada olhando algo.
    -Para que correr desse jei.... Oh meu deus.... -Falou Akulah.
    Ficamos paradas lado a lado, tentando absorver a imagem que estava adiante.

 
Pov's Akulah 

    Eu me lembro dessa vila quando estava a procura de alguns livros de magia na biblioteca...

    **"-Kero, que lugar é esse? - Perguntei mostrando a imagem da linda vila que estava no livro.
-Oh, é bonita não é? - Disse ele sorrindo.-Essa é Garden, uma das vilas mais famosas em Eldarya.
    -Famosa por ser linda não é? -Falei admirando aquela imagem.
    Ele sorriu.
    -Sim, isso também. Mas antigamente, os reis e rainhas de Eldarya tinham essa vila como favorita entre as outras, não que eles não
gostavam das demais, mas essa era onde eles tinham as melhores memorias. Quando eles eram todos jovens, essa vila foi onde os reis passaram a infância, e onde eles conheceram suas esposas. -Falou ele com um brilho nos olhos.
    -Existem reis e rainhas em Eldarya? -Perguntei, nunca haviam me falado nada disso.
    Kero fez uma expressão de dor.

    -Não sabemos mais. -Respondeu ele com um ar triste e se dirigindo de volta para sua mesa. Não perguntei mais nada."**


Pov's Aiymyn 

    A vila estava toda destruída e queimada em algumas partes. As paredes das casas estavam ao chão, não se via mais o verde das arvores ou o canto dos pássaros. Tudo parecia como uma pintura de um quadro morto. Haviam vestígios e cheiro de sangue com cinzas por toda parte, o lugar onde parecia ser uma igreja, agora só restava o branco dos tijolos e o restante do altar. Apesar de toda destruição, não havia uma só alma naquele lugar, e nenhum sinal de luta. Eles devem ter sido atacados de noite....mas pelo o que? Por quem?! Quem faria uma coisa dessas?!


    -E-eu disse que não era sonho... eu sabia que alguma coisa tinha acontecido... -Falou Nay, lutando contra as lagrimas.
    -Aiymyn, esta chorando...? -Perguntou Akulah se aproximando e secando as lagrimas que eu nem notara que escorriam com muita força pelos meus olhos.
    Por que ver aquele lugar destruído esta me deixando tão acabada? Era como se...como se eu tivesse perdido algo muito importante.
    -Eu estou bem -Falei secando as lagrimas.
    -Vamos! Precisamos achar alguma coisa, alguma pista, pegadas, o que for preciso! -Falou Satty, que logo se virou para Nayuri. - Nós vamos achar aquele elfo, custe o que custar.


    Ela apenas afirmou com a cabeça e fomos andando entre a destruição, procurando qualquer sinal ou pista que pudesse nos dar a localização do Ezarel e das outras pessoas.
    Por não encontrar nada, sem ser destroços e pedras, decidimos nos separar e, no caso de encontrarmos alguma coisa, vamos usar um sinalizador que estava em uma das bolsas deixadas por aquele estranho de mascara.
    Estava passando por um campo, ou o que restou de um. Apenas um chão preto e queimado coberto de sangue estava alí. Visto pelo sangue, isso provavelmente já havia acontecido á um tempo e provavelmente as pessoas dali ja haviam morrido. Aquele lugar estava tão silencioso, sem vida. Meu coração doeu.
    -O que..?
    Um pouco mais longe de onde eu estava, vi dois túmulos com uma cruz em cada um deles. Fui até lá e me agachei. Tinham flores brancas deixadas em cima deles.
    -As flores são novas, alguém veio aqui a pouco tempo, não devem estar tão longe...
   
Pov's Nayuri

    Desespero, pânico, ansiedade. Isso são apenas alguns dos sentimentos que estou tendo agora. Preciso encontrar ele, preciso dizer á ele que prefiro ficar na sala de alquimia com ele do que lutar, que mesmo sendo irritante e insuportável eu posso suportar tudo se ele estiver bem. Esse sentimento é muito estranho, conheço o elfo a tão pouco tempo, o que está acontecendo comigo?
    Estava andando por uma trilha, revistando todos os cantos. As árvores, o chão, tudo. Estava tudo banhado em sangue. Não tinha mais vida naquele lugar, apenas dor e desespero.
    A pessoa que fez isso, vou fazê-la pagar! Ela vai se arrepender até o último momento pelo o que fez a este lugar!
   
Pov's  Satty

    Eu estou horrorizada... Esse lugar, era tão belo e cheio de vida, isso que estou vendo agora só pode ser um pesadelo. Eu vim tantas vezes aqui em missão com o Valkyon, ele com certeza vai ficar triste quando souber.
    -Não pode ser verdade, essa cidade...- Lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto.
    Eu preciso dar um jeito de entrar em contado com a Guarda de Eel, eles precisam saber o que está acontecendo. 
    -Não tenho nada para conseguir falar com eles... Se eu ao menos tivesse trazido meu familiar.- Falei suspirando. - Mas quem pensa em familiar de madrugada?
    Visto que aquela ideia estava fora de alcance, comecei a andar pelo o que sobrou da cidade vendo se acho algo que possa nos ajudar.
    
Pov's Akulah 

    Meu coração estava apertado, lágrimas ameaçavam a sair mas eu as contive. Aquela vila que eu vira outro dia na biblioteca com o Kero, não era possível...


    -Akulah, pode chorar.- Disse o pulga.
    -Não.- Falei apertando o punho com força.- Se eu chorar, tenho a sensação que a pessoa que fez isso teria vencido.
    -Não guarde tudo para si de novo...- Falou ele baixinho.- Eu estou aqui.
    Eu queria retrucar, dizer que nem sei quem ele era, mas apenas me senti confortável com suas palavras. Como se fosse um abraço. 
    -Como assim "de novo"?- Consegui perguntar.
    -Esquece...


    Respirei fundo tentando espantar aquelas lágrimas e ficar firme. Posso chorar depois. Agora precisamos salvar o elfo, antes que o coração de uma das minhas amigas fique em pedaços. 
Eu tinha resolvido ir por uma trilha que levava até as montanhas, mas enquanto estava andando, ouvi alguém dizer:
    -Moça, você viu minha irmã?
    Olhei para o lado e um menino de cabelos castanhos estava sentado em um tronco queimado de árvore, chutei ter mais ou menos uns oito anos de idade. Ele estava chorando.
    -Desculpe, eu acabei de chegar e...- Tentei falar, mas ele se derramou em lágrimas.
    Sem saber o que fazer, apenas fui até ele e o abracei. O pequeno assustou no começo, mas logo me abraçou de volta e continuou chorando.


    -E-ela, aquela moça, ela fez isso, ela...- O garoto começou a falar mas não conseguia, seus soluços o interrompia.- E-eu me separei da minha irmã, acho que aquela mulher levou ela.
    -Para onde? Quem fez isso?- Perguntei. Estava tremendo.
    -Para a montanha, ela levou todos os que sobreviveram para lá. Não consegui chegar muito perto, ela colocou um encantamento em volta.
    -Ezarel deve estar lá, assim como a irmã dele.- Disse o pulga. 


    Empurrei devagar o menino e olhei em seus olhos, eram tão azuis quanto o céu, parecia um pecado fazer com que saíssem tantas lágrimas de tristeza por eles. Enxuguei uma das lágrimas que rolavam pela sua face e peguei em suas mãos.


    -Vamos salvar sua irmã, mas preciso que me leve até esse lugar na montanha. Consegue fazer isso?- Perguntei gentilmente, ele assentiu.
    Usei o sinalizador e esperei até que as meninas viessem. Me sentei ao lado do menino naquele tronco e o pequeno me abraçou fortemente, como se estivesse com medo que eu fosse embora. Passei uma das minhas mãos pelos seus cabelos.
    -Vai ficar tudo bem...- Falei baixinho.
    Não sabia como acalmar ele, seus soluços e suas lágrimas estavam partindo o meu coração.
    -Pulga, magia de deixar as pessoas felizes.- Sussurrei.
    -Flower.- Disse ele.
    Estendi a mão que não estava fazendo carinho nos cabelos do menino e repeti:
    -Flower.- Falei, e da palma da minha mão surgiu uma Violeta branca.- Pra você.
    O garoto olhou para mim e depois para a flor. Ele pegou ela nas mãos com o maior cuidado do mundo, como se pudesse quebrar.
    -Moça, você tem um poder estranho.- Disse ele avaliando a flor.- Mas eu gostei.
    Um sorriso, sem lágrimas, apenas um sorriso puro e sincero foi o que vi em seu rosto angelical.
    -Queria que esse lugar voltasse a ter vida como essa flor.- Disse ele.
    -E vai, pode ter certeza.- Falei sorrindo.- Vamos dar um jeito em tudo, até mesmo esse tronco que estamos sentados vai voltar a ter vida, poderemos nos sentar aqui e olhar para o céu quando tudo estiver bem.
    Esperança invadiu o rosto do menino e uma pontada de arrependimento me atingiu. E se não conseguirmos resolver tudo isso? E se...
    -Para com isso.- Disse o pulga.- Não existe "e se", apenas faça o seu melhor e tudo vai ficar bem.
    -Você parece um velho falando.- Brinquei.
    -Moça, com quem está falando?- Perguntou o garoto.
    -N-ninguém, estava pensando alto.- Não quero que ele corra por me achar maluca.- Ah, esqueci de perguntar, como se chama?
    -Eric, e você?
    -Me chamo Akulah.
    Nenhum sinal de lágrimas mais, que ótimo!
    -Akulah! Encontrou alguma coisa?- Disse Aiymyn vindo até nós, acompanhada das meninas.
    -Eles estão presos na montanha, a pessoa que fez isso levou os sobreviventes para lá e lançou um encantamento para ninguém se aproximar.- Falei.
    -Como chegamos lá?- Perguntou Nay, seu olhar estava cheio de esperança.
    -Eric vai nos levar até lá, vamos salvar a irmã dele.- Falei sorrindo para ele.
    -Eric...?- Disse Aiymyn, ela pareceu pensar em algo e depois seus rosto ficou mais pálido do que já era.
    -Aiymyn, está tudo bem?- Perguntou Satty.
    
    Ela não respondeu, apenas ficou encarando o Eric.
    -Aiymyn..?- Tentei.
    -V-vamos logo.- Disse ela.
    Não sei o que aconteceu com ela.
    -Eric, pode nos guiar?- Perguntei, ele afirmou com a cabeça e começou a andar pela trilha.
    Depois de alguns minutos, chegamos na entrada de uma caverna. Mas quando tentamos entrar, batemos de cara com uma parede invisível.
    -Não da pra passar daqui, ela colocou essa barreira em volta da montanha inteira.- Disse Eric.
    -Pulga, algum feitiço?- Perguntei.
    -Desculpe não vou poder ajudar agora, existem diversos feitiços para barreiras, eu precisaria ver e sentir ela para saber qual usar.- Falou ele.
    -E voltamos a estaca zero...- Falei.
   
Pov's Nayuri

    Precisamos dar um jeito de entrar, não podemos demorar mais. E se ela fizer alguma coisa com ele? Com todas as pessoas que estão lá dentro. E a irmã desse garotinho, se ela estiver...
    -Namuri!- Gritou Akulah, e logo depois me acertou um tapa na cabeça.
    -O-o que...?!
    -Nós vamos entrar, se concentra e muda essa expressão.- Disse Aiymyn.
    Meus dentes estavam totalmente expostos, minhas unhas estavam enormes.
    -Seus olhos estão vermelhos, se acalme.- Disse Satty.
    Respirei fundo e tentei me acalmar. Elas estão comigo, vamos dar um jeito em tudo. Vamos todos voltar bem.
    -Desculpe pelo tapa, achei que você iria acordar.- Disse Akulah com um sorriso triste.
    -Obrigada por ele, recobrei os sentidos.- Falei.
    -Meninas, por que nossos cristais estão brilhando tanto?- Perguntou Aiymyn.
    Olhei para a pedra no meu pescoço e ela brilhava intensamente, o mesmo acontecia com os cristais da Akulah e da Aiymyn.
    -O que disse, pulga?- Perguntou Akulah.- Tem certeza disso? Mas não podemos tira-los.
    
    Akulah começou a discutir alguma coisa com o pulga, apenas ficamos encarando ela.
    -Tudo bem.- Disse ela suspirando.- Namuri, Aiymyn, encostem seus cristais na barreira.
    
    Não questionei, e a Aiymyn também não. Nos aproximamos da barreira e nossos colares começaram a piscar. Akulah ficou ao nosso lado com a mão no colar, nenhuma de nós ainda tinha colocado o cristal na barreira.
 


Notas Finais


Aqui a imagem da vila: https://imgur.com/xqx625E


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