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História As reprovadas do Enem (TWICE) - Capítulo 4


Escrita por: e chaehyu


Notas do Autor


Oieee
Eis me aqui
Hoje não é quinta, mas vou postar hoje porque amanhã não vai dar, então boa leitura :3

Capítulo 4 - Demitida, processada e com um certificado de idiota


 

Aquela noite havia sido difícil. O silêncio, o cheiro delas e o efeito do meu inibidor prestes a acabar. Eu me xingava baixinho a cada vez que tinha um desvio de pensamento, e com toda a certeza elas me acharam uma maluca. 

Mas tudo correu bem. Como prometido, Mina não dormiu nem mesmo um segundo para me vigiar, e quando acordei, encontrei a mais nova perto da janela, observando algo lá fora. Não a chamei, e embora quisesse muito agradecê-la, ainda me sentia terrivelmente envergonhada pela noite passada. Afinal, eu era a professora dela, e aquele era pra mim o maior impasse em um relacionamento. Eu nunca conseguiria ver uma aluna com outros olhos. 

Levantei-me do pequeno colchão, e ao fazer senti cada osso do meu corpo estalar, como se estivessem sendo quebrados um a um. Os olhares espantados vieram segundos depois. 

— Você tem quantos anos mesmo, professora Kim? — Sana perguntou curiosa. 

— Eu chuto uns cinquenta e poucos pela maneira como anda e os ossos barulhentos. Mas ignorando isso, ela é bem conservada. — Chaeyoung sussurrou para a alfa de fios alaranjados. 

Não estar ainda nem nos trinta e já ser confundida com uma mulher de cinquenta era um pouquinho desanimador. 

— Tenho vinte e cinco, e eu ouvi seu comentário desnecessário, Son Chaeyoung. — apontei para ela. — E não quero ouvir de novo. Estamos entendidas? 

— Sim senhora. 

Aquilo soou como sarcasmo, mas eu estava dolorida demais para brigar com ela. Dei alguns passos atrapalhados na direção de Jihyo e então virei-me de costas.

— Dá uma batidinha nas minhas costas, Park. De leve, sem brutalidade, sem arrogância e sem tirar sarro de mim. — olhei de relance para ela, em uma tentativa de impor respeito. — É só pra consertar a postura. 

— Certo, certo. Lá vai! — Jihyo assentiu, arregaçou as mangas, levantou o braço em uma boa altura, e então o desceu, dando alguns "leves tapinhas" nas minhas costas, o suficiente para me fazer andar dois passos para frente. — Melhorou? Posso bater com mais força se quiser. 

— Não! Se isso é o mais leve que você consegue, acho que já é o suficiente. 

Alinhei a coluna, como fazia todas as manhãs ao me levantar, e então caminhei confiante para o local onde havia dormido. Todos os colchões já estavam no canto da sala, e as meninas em pé ali no meio. Só então reparei que elas estavam de uniforme, o que para qualquer um pareceria óbvio, afinal, elas estavam estudando. Mas fiquei tão distraída com a situação que acabei nem percebendo. 

Era um uniforme relativamente simples e clichê. Saias xadrez de um verde desbotado, camisa social branca e por cima os famigerados casacos de alfa, uma tradição antiga nas escolas, em que alfas filhos de líderes eram presenteados com casacos pretos, onde ficavam estampados o símbolo da alcateia local do condado de Pyeongchang. 

Sempre achei desnecessária tanta atenção destinada aos alfas, mas eram tradições, e tradições não se desfazem tão fácil assim. 

— Muito bem, mocinhas. Hoje é dia de estudar e ler até os olhos caírem do rosto. — falei, com certa animação. — Farei o possível para passar tudo o que aprendi sobre a área de humanas. Começaremos com história. — apontei para as mesas e sem muito entusiasmo elas começaram a se movimentar para trazê-las. — Digamos que fiquei tentada a falar um pouco mais sobre a história da nossa alcateia, que claro, vai cair na prova semana que vem. Até porque, toda a prova do Enem é baseada em nosso estilo de vida, tradições e costumes típicos. 

— Nós ainda nem comemos, são oito horas da manhã, pelo amor de Deus, não é hora de estudar. — Momo reclamou, consolando a própria barriga, que já deveria estar implorando por um pedaço de carne, a maior fonte de energia dos alfas. 

— Comer o quê, Momo? — Jeongyeon questionou enfezada. — Estamos trancadas!

— Eu sei lá, qualquer coisa. Mas estudar agora, não!

— Quieta, Hirai! Eu não te dei permissão para falar. — proferi, e imediatamente o silêncio se estabeleceu na sala, o que fez eu me sentir extremamente poderosa, embora soubesse que duraria pouco. 

Caminhei até o quadro, e então escrevi bem grande a palavra história, logo fazendo um traço forte abaixo dela. Eu sempre quis fazer algo assim, fazia com que eu me sentisse formada e lecionando há anos. Sorri para o quadro, virando-me para as alfas mais uma vez, alfas com os olhos totalmente fixados em mim. E ao pensar no porquê, senti minhas bochechas queimando.

Se eu soubesse que daria aula para elas, jamais teria comprado aquele terninho, ainda que estivesse na promoção. A calça era justa e esse pequeno detalhe me deixava desconfortável em tal situação. 

— Certo, não vou usar o quadro. — sussurrei para mim mesma. — É o seguinte, primeiro vocês estudam, e depois vamos invadir a cozinha da escola, mas civilizadamente, porque eu também estou com fome. 

— Podemos fazer isso agora? — Tzuyu perguntou com as mãos segurando o rosto, totalmente entediada. 

— De forma nenhuma! — fiz que não. — Vocês são mulheres alfas, são fortes, são o topo da pirâmide na nossa hierarquia social, e se eu que sou ômega consigo esperar, vocês também conseguem. 

— Você tem sido cruel, professora Kim. — Nayeon riu baixinho. — Assim é melhor, não é? 

Não sei por qual motivo eu ficava toda desconcertada quando olhava nos olhos delas, e pior ainda quando era com Nayeon. A garota tinha um olhar tão intimidador que me fazia perder a linha de raciocínio por alguns míseros segundos.

— Vou ser pior ainda se não colaborarem. — olhei para o chão, buscando o assunto do qual falava antes de ser interrompida por aquele olhares famintos. — Continuando. Falaremos sobre a nossa alcateia, e antes de nos aprofundarmos nisso, eu queria deixar claro o quanto vocês são privilegiadas, não apenas por serem alfas ou por virem da família de líderes ricos, que eu já saquei que a grande maioria aqui, senão todos nesta escola nem precisavam recorrer ao Enem para cursarem uma faculdade. Mas sim, vocês são privilegiadas, são privilegiadas por terem a oportunidade de estudar. 

— Começou. — Jeongyeon esticou-se sobre a mesa, preparando-se para um cochilo.

— Vinte anos atrás não tínhamos acesso ao que temos hoje em termos de educação. Os alfas dessa época independente de terem ou não poder, cresciam e eram preparados para a caça e para proteger a alcateia. Hoje vocês têm a opção de estudarem o que quiserem.

— Professora, ninguém aqui tem interesse em faculdade, ninguém além de você. — Mina explicou pacientemente. — Só vamos fazer porque é o que nossos pais querem, para depois eles exibirem nossos diplomas para outras alcateias. 

Eu não acreditava que estava ouvindo aquilo. Eu havia saído de casa morta de dor, enfrentado um busão, passado um enorme sufoco por causa dos inibidores, ouvido uma série de desaforos para no fim me dizerem que nem ao menos queriam fazer faculdade?

Mas na verdade eu estava devastada com aquelas palavras.

— Vocês querem fazer o que então?

— O que todos os nossos ancestrais fizeram. Encontrar uma ômega, constituir família, proteger a alcateia. — Dahyun falou, como se fosse óbvio, e era para elas, mas para a idiota chamada Seona não.

— Ok, me dá um segundo. — virei-me para o quadro novamente. — Meu emprego já era, minha dignidade já era. — sussurrei baixinho, segurando as lágrimas idiotas. — Vocês estão liberadas para irem até a cozinha. Façam o que quiserem a partir de agora. 

Elas nem sequer hesitaram. Todas levantaram-se depressa, caminhando para fora da sala. E eu nunca me senti tão descartada em toda a minha vida. 

Demitida, processada e com um certificado de idiota. Essa seria eu na segunda-feira.

 


Notas Finais


Seona sofredora, só tenho isso a dizer rs
Até o próximo <3


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