História As Sete Possíveis Almas de Uma Mulher - Capítulo 11


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Categorias Histórias Originais
Tags Drama, Futurista, Galaxia, Mistério, Relevação
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Poesias, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Self Inserction, Sexo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - A Maestro, A Delegada e A Atendente - Capítulo III


     A Maestro

     (Capítulo anterior)

     Abro a foto do contato. Era um homem extremamente bonito, era vazio de barba e beijava o rosto de sua noiva, uma moça jovem, de uns 25 anos, assim como ele, loira miúda, muito bonita pela foto.

     - Okay

     Apenas respondo.

     - A senhora é de poucas palavras, não?!

     O atrevimento dele me irrita.

     - O que queres que eu diga, senhor Vítor?

     Ele demora a responder, mas logo aparece o “digitando”.

     - Me desculpa, uma boa noite – E um emoji, o mais impressionante.

  .......................................................................................................................................................

 

     Acordei tarde, cerca do meio-dia. Apenas me arrumei, escovei os dentes e fui almoçar – fora. Eu me negava a fazer comida, não que eu não soubesse, mas eu não tinha prazer nisso e concordava que perder tempo pra fazer uma comida só pra mim não me agradava. Eu tinha amigos - antes que me julgue eu ser uma solitária no mundo – apenas não eram o tipo de amizade que eu gostaria de ter. Eram amigos só na dor, só pra saber quais as merdas se passam na minha vida pra espalhar pros outros, quando eu estava bem eles desapareciam com inveja do meu sucesso – alguns não acreditam nessa minha teoria, mas juro ser lógica.

     Eu ia a pé, morava perto de quase tudo, a única exceção era o local de ensaio do coro jovem. Caminhava pela calçada cara do mais nobre bairro da cidade, o sol era evidente e o cheiro de motor incomodava meus pulmões.

     - Boa tarde, Maestro – Kelvin, o jardineiro da praça ao lado da minha casa, me cumprimenta com um sorriso largo.

     - Tudo bom, Kelvin? – Respondo simpática – Como foi a manhã? – Pergunto parando com as mãos no bolso.

     - Foi muito boa, estou colocando uma flor nova no jardim, que achas? – Ele espalma a mão no ar mostrando as flores brancas muito parecidas com rosas, mas eram mais largas e tinham as pontas agudas. Eram lindas, fora de padrão e do clichê londrino.

     - São lindas, Kelvin – Falei maravilhada tocando a pétala com meus dedos – A escolha foi perfeita – Sorri para ele que sorriu orgulhoso pra mim.

     - Bem, sendo assim – Ele tira uma flor do grande saco e estende para mim – Uma flor para outra flor.

     - Ain, Kelvin, muito obrigada – Sorrio ao jovem agradecida e meio sem jeito. Esses gestos simples das pessoas me motivavam a fazer o mesmo, e a falta do que fazer na hora em resposta me deixava sem jeito – Muito obrigada mesmo.

     - Que nada, Maestro – Ele sorri mais uma vez e volta ao trabalho.

     - Um bom serviço.

     - Bom almoço – Ele responde sorrindo e continuo o percurso.

     Observo alguns casais pela rua, muitos distantes apesar de estarem de mãos dadas, outros conversavam com tanta naturalidade que pareciam mais amigos do que casal – o que era um tanto ambíguo, casais deveriam antes serem amigos do que de fato um casal, correto?

     Chego no restaurante meio vazio, eu cheguei cedo, não fazia meu perfil comer tarde, eu não era das mais regradas em questão de saúde, mas não gostava daquela espera na fila para poder comer.

     - Bom dia, mesa para um? – A recepcionista me entrega a comanda.

     - Bom dia – sorrio – é sim, pra um.

     Ela me aponta uma mesa e me sento colocando a comanda embaixo do porta-guardanapo. Meu celular vibra no bolso da minha calça, mas ignoro e vou para a fila me servir.

     Minha mãe me incomodava dizendo que eu era muito sozinha, que eu almoçava sozinha, jantava sozinha, saía sozinha, ia para o cinema sozinha, dizia que isso fazia mal pra mim – e claro que sempre colocava algum macho no meio – “convida o Michael”, “você já está com 32 anos, Allegra, logo não engravida mais”, “você já poderia estar aproveitando uma vida de casado e tá aí cuidando das crianças dos outros”. Eu estava sozinha por escolha, e não estou falando em relacionamento afetivo, falo sozinha por amizades, prefiro me afastar de quem me faz mal do que aguentar quem me faz bem, ela parecia não entender isso. Agora, sobre minha vida amorosa a história era outra. Não era bem escolha, era apenas chatice minha. Eu não sou perfeita e de longe a mais moral do mundo, só que eu tinha meus princípios e os homens que apareciam pra mim não tinham os mesmo princípios que eu. Queriam uma transa no banheiro da boate pra amanhã conversar comigo e me conhecer. Eles invertiam toda a ordem da coisa. Eu também não sou do tipo apaixonadinha, saio em poucos finais de semana, fico bêbada e acordo na casa de algum desconhecido – ou desconhecida, no pior dos casos – mas era uma transa casual, não sei bem, também, porque eu fazia isso se pouco me interessava aquilo. Eu estava perdida num mundo onde só existia eu. Isso me matava, pensar nisso até me tirava a fome.

     Meu celular vibra mais três vezes seguidas e decido olhar quem era.

     Vítor Noivo – foi como salvei seu número.

     @ Bom dia Maestro, vi seu e-mail apenas hj de manhã e gostaria de ver seu coral na quarta-feira @

     @ Minha esposa n poderá ir, mas ela tbm não está tão interessada assim na música kkkk eu quem estou mais animado pra isso @

     “Kkk” – se tinha algo que me tirava a calma era esse “kkk”.

     @ Vi que o coral ensaia quarta das 15 às 17:30, eu estarei lá pontualmente às 15 okay? Boa tarde @

     Uma coisa que me chamou atenção nesse Vítor é que ele não perguntava, apenas dizia que ia em tal hora, mas ao mesmo tempo parecia saber que eu estava disponível neste horário.

     Mandei uma mensagem de áudio já que digitar ficaria difícil.

     - Okay, Vítor, é na Vicente Coimbra 1445, perto do Capitólio ali da República, tem estacionamento no fundo, se você disser que é pra assistir ao coral, não vão te deixar entrar, então fala pro guarda que você é convidado da senhorita Allegra, você precisa falar senhorita se não ele não te deixa entrar, boa tarde.

     Ele logo visualizou e ouviu meu áudio de poucos segundos.

     @ Obrigado @

     Abri sua foto e ele já havia trocado de foto, agora era apenas ele. Era um homem muito másculo, aqueles que poderiam se vender para modelo, era um moreno de altura média, pouca barba, o nariz era extremamente reto e tinha músculos definidos nos braços. Tinha um perfil elegante e seus ombros eram largos.

     - Alguma bebida? – O garçom se aproxima assinando minha comanda.

     - Hum – penso se vou querer ou não a bebida – Me vê uma Coca, por favor.

     - Claro.

     - Obrigada.

     - À dispor.

     @ Vc toca Debussy? @

     Vítor me manda mais uma mensagem.

     @ Sim, por quê? @

     @ Vc pode me mostrar? @

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     A Delegada

     (Capítulo anterior)

     - Me beija – ele pede e eu o faço com meus dedos enroscados em seu cabelo. Sua mão percorre meu corpo e Felipo nos interrompe.

     - Casal – ele dizia olhando para a choupana – já é hora.

     Me despeço com mais um beijo na barba rala de meu marido e ele sussurra em meu ouvido.

     - Eu vou voltar.

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     Caminhava com um pouco de pressa, meu ventre doía, ultimamente eu tinha umas cólicas estranhas, pareciam cólicas menstruais, mas vinham em momentos aleatórios, isso me preocupava, contudo, o momento me impedia de sentir a dor inteiramente, meu objetivo era exterminar e manter meu marido vivo.

     - Eles estão com 25 dardos cada um – Linda comenta abaixada atrás de um arbusto – São tranquilizantes, mas eles vão ter que levar nas costas os homens.

     - Que absurdo isso, Linda – Falo irritada – Eles terão que levar nas costas os caras sem serem vistos, não tinha um plano melhor?

     - Sei lá, o Ricardo que planejou isso, mas ele tá estranho – Dessa vez desvio meu olhar para dentro da choupana e olho para ela que não me olha – acho que ele tem outro plano, mas ele vai fazer sozinho.

     - Isso não é seguro.

     Corri até o lado oposto de Linda, ficando do outro lado da choupana, conseguia ver os homens se drogando e se embebedando conversando alto. Não eram todos velhos, tinham muitos púberes ali e isso me encheu de ódio.

     PAH

     Ouve-se um barulho de tiro do outro lado da choupana.

     - Faltam 48 – ouço a voz Linda falando no walkie-talkie

     - Mas já? – pergunto abismada.

     - Já sim, e o Ricardo acabou de me dizer que ele tá levando um homem pra aí.

     Logo Ricardo aparece ao meu lado com um rapaz de uns 30 anos, muito bonito, cheio de tatuagem, olhos fechados por estar drogado pelo dardo de calmante enfiado em seu pescoço.

     - Troy, 34 anos – Ricardo me dizia largando sem delicadeza o homem no chão – Estuprou pelo menos 4 menores. É o que tá no mural que eu vi na parede.

     Apanhei minha arma, girei o tambor e mirei rapidamente em sua cabeça.

     PAH

     Sua cabeça se abriu em sangue.

     - Vê se tá vivo – Pedi com desdém para Ricardo que se abaixou e colocou o dedo indicador e médio na veia de seu pescoço.

     - Tiro certeiro.

     - Agora vai embora, eu vou ficar a 90 graus daqui, eles irão pro lado errado se vierem atrás do som. Pede pra Linda ficar em frente da choupana.

     - Okay.

     Assim ele fez, saiu correndo para dentro da choupana e Linda afirma no walkie-talkie que estava na frente da choupana.

     PAH

    Faltam 46 – Falei comigo mesma.

     - Noah – Ricardo me entregou mais um – Eu tô muito cansado, Allegra.

     - Não entendi porque esse plano idiota – esbravejo dando mais um tiro no rapaz que constato estar morto – tirar um a um de lá vai ser muito cansativo e podem descobrir vocês.

     - Estamos esperando Matheus com o Bolota – Ele sorri pra mim maliciosamente – Eu trouxe uma bomba – ele tira do bolso uma granada e meu coração erra uma batida – É só Matheus sair com bolota que eu jogo isso lá dentro e não sobra mais nenhum.

     - Caralho, Ricardo – Me aproximo dele rindo tocando na granada – Genial, então pede pro Matheus andar mais rápido, acho que ele não sabe disso.

     Ricardo saiu em disparada.

     - Linda – a chamei, ela me atendeu com um “oi” – Ricardo tá com uma granada, temos que esperar Matheus com o Bolota e vamos queimar aquilo tudo.

     - Sabia que ele tinha algo em mente.

     - Tô saindo com Bolota – Matheus fala no walkie-talkie bufando sem ar.

     - Graças a Deus.

     Me consenti a sentar na grama úmida do orvalho, eu estava aliviada que Matheus havia saído de lá e que logo haveríamos de ter feito justiça a todas as vítimas estupradas naquela cidade.

     Ouço mais um tiro e saio correndo para a frente da choupana.

     - Entra no carro – Linda me empurra.

     - Não, entra você – Nego olhando para a choupana – Tô esperando Matheus.

     Vejo Felipo correndo até nós e entrando no carro.

     - Cadê Ricardo e Matheus? – Ele também estava cansado, havia levado 8 homens para Linda.

     - Estão lá dentro, eu acho.

     - Já eram pra estar aqui – ele diz meio nervoso.

     - Calma – Linda fala nervosa também – Devem estar se escondendo pra vir aqui o mais rápido pos-

     BOW

     - Meu Deus – balbuciei e nós três nos viramos para o fogaréu enorme que existia há uns 500 metros de nós. Agora a noite agora era clara, o fogo consumia até mesmo nosso ar e meu coração se acelerou o mais rápido em toda a minha vida – Meu Deus – Repetia comigo mesma sentindo meus olhos arderem com as lágrimas, a choupana havia pego fogo e Matheus não estava ali comigo.

     - MATHEEEEUS – Corri em disparada em direção ao fogo, as lágrimas me atrapalhavam a visão.

     - Allegra! – Linda correu atrás de mim me impedindo de fazer alguma bobagem, mas meu marido estava lá dentro, eu não podia deixá-lo lá.  

     Quando ainda faltava um bom pedaço, vejo uma silhueta saindo o mais apressado do fogo. Continuei a correr até forçar meu olhar e enxergar Ricardo vindo com um corpo passando por seus ombros e nuca.

     - Ricardo, cadê o Matheus? – Falei desesperada notando que o homem em suas costas não era Matheus.

     - Leva Bolota pro carro e me esperem lá.

     - Pera, cadê o Matheus? Ricardo!

     - Vou trazê-lo – Ele disse já longe entrando na choupana incendiada. Eu não conseguia parar de chorar e orava o tempo inteiro a Deus pra que Ele mantivesse meu marido vivo.

     Olhei com ódio para Bolota, o culpado por tanta coisa na vida de tanta gente.

     - Seu escroto – Falei para o homem dormindo – só não te mato AINDA porque precisamos de você pra achar outros como você.

     Com toda a minha força peguei o gordo homem pelo braço e o arrastava pela grama.

     Vi Felipo correndo até mim com muita pressa, ele era muito rápido.

     - Vem, deixa que eu levo - Ele pegou o homem nas costas e o levou para o carro. Parei onde estava e dei meia volta – Allegra? Allegra, onde você tá indo?

     - Tô indo salvar Matheus – Disse convicta correndo até à choupana. Ouvi gritos atrás de mim, mas ignorei totalmente, logo o ar faltava e tirei meu casaco enrolando no meu nariz.

     - Matheus! – gritava na porta da choupana. Fiquei receada em entrar, mas chutei a porta que pouco tinha fogo e ela caiu facilmente em meus pés – Matheus! Ricardo. – Os chamava pisando em corpos distribuídos pelo chão. Caminhava pelo corredor largo onde haviam várias portas – Ricardooo.

     - Allegra, aqui – Sua voz frágil me chamou atrás de uma porta.

     - Ricardo – Chutei a porta que caiu quase em cima de mim. Ricardo tentava abrir a porta com Matheus em seus braços, mas ele não conseguia e a fumaça nos impedia de nos enxergar e de respirar.

     - Vamos sair daqui, corre – Ricardo gritou e logo corríamos com o resto de fôlego que tínhamos, saímos da choupana com muita canseira e Felipo nos esperava na frente da choupana.

     Já fora da choupana, fiquei ao lado de Ricardo vendo Matheus em seus braços.

     - A-Allegra – Ele me chama erguendo a mão, estávamos perto da van e ele estava deitado na grama. Linda estava ali na nossa volta assim como Ricardo que bebia água encostado na van e Felipo amarrava Bolota no último banco – Fe-felipe.

     - O que? – Ele tentava me dizer alguma coisa, mas saía fraco.

     - Feli-felipe.

     - Felipe? Isso? – Perguntei segurando em sua mão.

     - Camarão – Ele disse num sopro – Felipe Camarão qua-quatro, oito oito – Falava tudo muito fraco.

     - Vamos ir pra emergência – Falei ignorando o que ele me dizia. Ricardo já ia o pegando no colo quando ele, num fio de ar, o empurrou e puxou minha mão.

     - Me pe-perdoa, Alle.

     - Para com isso, Matheus – disse em choro – nós vamos te levar pro hospital.

     - Não – Ele me impede mais uma vez – Felipe Ca-camarão 488, o nome dele é-é Allegro, Feli-lipe Camarão quatro, o-oito oito.

     - O quê? – Perguntava sem entender.

     - Cuida dele pra mim, por favor - Me desespero quando ele não aperta mais minha mão, relaxa o corpo e fecha os olhos deixando a boca meio aberta

     - Não, não, não – Chorava batendo em seu rosto sem força – Matheus, acorda, estamos te levando pro hospital, não me deixa, Matheus.

     - Sai – Ricardo pega meu marido numa força só e o coloca no carro – Vamos, Allegra! – Ele diz ríspido me tirando grosseiramente do chão – vamos embora.

     - Alle – Linda me chamava baixinho e eu chorava no peito de Matheus – Ele se foi, deixa o Ricardo o leva-lo.

     Meu marido havia morrido, eu não acreditava, ele podia estar desacordado, apenas dormindo, ele não havia morrido, ele não podia me deixar.

     - Sinto muito – Linda me disse. Eu estava sem Matheus, o amor da minha vida, o homem que me fazia feliz havia ido embora junto com toda a minha alegria.

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     A Atendente

     (Capítulo anterior)

     - Meu Deus, Alle – Bia cochichava brava do meu lado – eu achei que você não vinha mais.

     - Vim de Uber, né – Falei debochada – Ou então nem vinha.

     - Quero ver você falar com o chefe que a primeira coisa que falou hoje de manhã foi “cadê a baladeira”.

     - Meu Deus – Gargalho – Ele falou isso mesmo?

     - Falou.

...................................................................................

 

     - Okay, então, muito obrigada, senhora Megan – desligo o telefone fazendo algumas anotações no computador – que saco – balbucio comigo mesma, eu me irritava com aquilo tudo e só olhava para o relógio esperando pelos dois minutos que faltavam pra eu sair pro meu intervalo.

     O celular vibra em meu bolso e pego para ver a notificação.

     Era uma mensagem de um celular que não estava em meus contactos.

     @ Pago 1000 reais p gente se ver hj no Taco Pub @

     @ Sam William @

     Leio e leio muitas vezes, não tinha nenhuma razão pra aquele tipo de mensagem no meu celular.

     @ Desculpa, vc deve ter errado de número @

     Respondo e o contato logo visualiza. Digitando...

     @ Você é Allegra Alba? @

     Então o contato me conhecia, quais eram as vantagens de dizer que sim e quem era a afro que me mandava mensagem?

     Digito inúmeras vezes o meu nome não sabendo se dizia ser eu ou não, mas a curiosidade em saber o que aquela mulher queria comigo foi o quesito principal pra dizer a verdade.

     @ Sim, o que vc quer comigo e da onde vc me conhece? @

     @ Te pago 1000 reais pra uma transa @

     @ Te vi numa boate por aí @

     Aquilo me intrigava, ela pedia uma transa, me pagaria por tal, mas pra quê se ela poderia ter isso de graça?

     @ E aí você conseguiu meu contato assim, facilmente, e vai me pagar por algo que a gente pode fazer sem custo num final de semana @

     @ Achar seu número é fácil @

     @ Qlqr puta daquele lugar tem seu número @

     @ E vou pagar pq não quero que ninguém saiba que estou transando com vc então não pagaria só pelo seu serviço como tbm pelo seu dinheiro @

     Fiquei chocada com o que lia. As pessoas chegavam a um nível absurdo de suas vidas sexuais e eu estava sendo tentada a aceitar, afinal, eram 1000 reais com uma mulher bastante atraente e que queria fazer comigo uma das melhores coisas que existem no mundo.

     @ Eu posso pensar na proposta? @

     @ Claro mas é pra amanhã @

     @ Até amanhã eu te digo mas precisamos nos conhecermos pq imagina se você tem AIDS @

     @ Kkkkkk não tenho AIDS, eu te pago em cheque @

     Não era seguro, mas eu pensava sério na proposta, 1000 reais assim seriam de boa renda.

     @ Okay Sam @

     @ Boa tarde Alle @ - e me mandou um emoji piscando.

     Olhei o horário e já estava na hora do meu intervalo.

     Saí em disparada para fora da empresa, saquei meu celular e liguei para a tal Sam.

     O celular tocou uma, duas, três e quatro vezes até que ela me atendeu.

     - Sim?

     - É a Sam?

     Uma pausa se faz do outro lado.

     - Allegra? – Ela questiona de volta.

     - Isso.

     - Então... qual sua resposta...?

     - Eu ainda não entendi como você me achou, por que eu, por que esse preço, por que manter seg-

     - Quanta pergunta, garota – Ela fala meio irritada.

     - Garota? – Pergunta ofendida – Eu tenho 32 anos, de garota só o rosto.

     - Tanto faz – ela responde em desdém – Eu apenas gostei do seu perfil, te achei gata, tenho grana pra fazer uso dela e, se você aceitar, quero uma transa, mas você não pode falar para ninguém.

     - Por que eu falaria? – Pergunta desconfiada.

     - O mundo é pequeno, Allegra, você pode contar pra sua amiga que tem uma amiga que tem uma amiga e daqui a pouco meu esposo vai descobrir.

     - Pera – congelo meio aborrecida – Você é casada?

     - Sou, sou casada com um médico da cidade – Ela responde simplesmente – Só não estamos num bom momento sexual e por isso a necessidade em segredar qualquer relação que eu tiver com alguma pessoa.

     Agora sim a história fazia sentido e isso só evidenciava como era perigoso esse tipo de envolvimento.

     - Você tem coragem para o trair? – Pergunto indignada.

     - Não estarei o traindo diretamente – Ela solta uma risadinha – Ele faz a mesma coisa.

     - Vocês têm um relacionamento aberto, então? – Eu já não entendia mais nada.

     - Você tem 32 anos mas não tem maldade nenhuma na cabeça, né? – Ela diz meio impaciente – Apenas não somos fiéis um ao outro, ele pode até desconfiar, mas não sou louca em me divorciar dele, vou perder uma baita casa, perder roupas caras e viagem riquíssimas, sem falar que tenho um filho pequeno, prezo pelo modelo de pai que ele tenha.

     - E você é uma grande modelo de mãe, não é mesmo? – Digo na maldade a testando.

     - Desde que ele não saiba essas partes ruins sobre a mãe dele, tanto faz, por isso quero segredo.

     Pensava em sua proposta, ela parecia bastante consciente da situação, eu precisaria de uma grana, então...

     - Aceito a proposta – digo por fim – Mas quero o dinheiro antes.

     - Posso fazer um depósito assim que você chegar no Pub.

     - Então pode ser... – respondo com um pequeno sorriso nos lábios.

     - Até amanhã, então, às 18.

     - Até.

     Me perguntava se aquilo não seria perigoso pra mim, mas em relação à tudo o que acontecia no meu dia a dia, um crime a mais ou a menos já não fazia diferença.

    



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