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História As Últimas Folhas do Outono - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Ei minhas batatas gratinadas, vocês estão bem? Espero que sim. Desculpem pelo capítulo repentino quando sou uma escritora tão lenta, mas não consegui me segurar. Os capítulos não serão tão frequentes, no entanto, como estou criativa esses últimos dias, acabei fazendo mais um.

Bom. Nas notas do capítulo anterior deixei claro alguns fatos então não o farei desta vez. Sem mais delongas, vamos ao capítulo.

Capítulo 2 - Indica o Início


Izuku corava com facilidade, e isso fazia com que o Todoroki mais jovem quisesse ver mais de suas expressões. Seus rubores. 

A leitura do livro era interessante, mas o esmeraldino parecia se perder facilmente e então reler trechos, tardando a sair de alguns parágrafos. 

E dentre risos e ajudas que Shouto proporcionou, logo o bicolor pôde sentir-se desaparecer aos poucos. 

Seus olhos heterocromáticos se abriram de forma lenta e dolorosa. Sua ressaca era das piores. Doía simplesmente por piscar e isso não era nada bom. Lembrava perfeitamente bem de seu sonho. Como se estivesse acordado, ficou na tal fronteira conversando com o homem de cabelos e olhos claros. 

Izuku Midoriya. A fonte de toda a sua angústia. 

Devia ter tido tal sonho apenas porque ficou com a cena do acidente em mente. Estava sóbrio demais em sua alucinação. 

As janelas estavam sendo abertas por Fuyumi, que sorria pouco. 

— Bom dia dorminhoco! Dormiu bem? Nunca tinha te visto beber tanto. Levou fora de quem? Nem sabia que você estava namorando. 

— Não levei um fora — sua voz era baixa —. Eu só senti vontade de beber. 

— Hm… que rude maninho. Touya e Natsuo estranharam tudo isso. Disseram que nunca tinham tido a chance de lhe ver beber desta maneira. Levanta e escova os dentes. Depois desce para tomarmos café. Iida está lá em baixo, aliás. 

— Ótimo. Estou evitando-o há quase dois anos e você me acorda depois de ele ter chegado. 

— Você estava tão bonitinho dormindo. Até disse um nome peculiar. Quem é Midoriya? 

— Eu também não sei… — havia sido um sussurro baixo e confuso. Não tinha esquecido o sonho, e talvez por isso sentia-se estranho em ter dito algo do tipo. 

Midoriya. Era esse o nome que o garoto havia pronunciado quando disse o próprio, refletiu com um mórbido desconforto espalhando-se em seu interior.

Suspirou levemente colocando a mão contra a cabeça dolorida. 

— Não vou tomar café. Desculpe incomodar. Descerei apenas para cumprimentar seu marido e o irmão dele, e vou para casa. 

— Por que age assim? Quem terminou tudo foi você, não ele. 

— Fuyumi, você não entenderia o porquê de tudo ter terminado. 

— Do que está falando? Você sempre vem com este papo de que eu não entenderia, mas nunca esclarece os fatos. 

— Foi Iida que me trocou. Não fui eu que enjoei dele ou… o machuquei. Ele. Foi ele que me substituiu pela Ochako. Que enjoou de mim… — seu olhar fitava o chão, agora que ele se encontrava sentado com as pernas para fora da cama e coluna pouco curvada. 

— Mas ele e a família são tão corretos. Tem certeza qu… 

— Por isso eu nunca esclareço. Você sempre pensa bem demais das pessoas, mas o motivo para terminarmos foi esse. — Shouto estava de pé. Sua cabeça latejava. 

Havia se estressado à toa. Odiava a história sobre como todas as promessas de seu ex foram por água abaixo ao trocá-lo por uma garota. 

Caminhou sobre o tapete e esperou que a mais velha saísse do quarto. Todavia, a menor bateu contra a porta do banheiro — qual havia se trancado na esperança de ouvi-la sair para poder se organizar e ir — e sussurrou. 

— Desculpe pensar bem demais das pessoas, mas Tenya sempre foi tão gentil, eu não esperava que esses fatos fossem verídicos — um suspirar fez-se presente e foi o necessário para que a frustração da albina fosse notada —. Meu marido… os dois sempre procuraram fazer tudo que estivesse ao seu alcance apenas para me fazer sorrir. Eu nunca pensaria tal coisa do irmão mais jovem dele. Me desculpe, Shouto. 

— Ele não me traiu. Jamais faria isso. Eu só… não quero que veja a face da pessoa que largou. Olhe para mim Fuyumi. Fui o único que não amadureceu nem um pouco nesses dois anos. 

— Você já é maduro o bastante. Não precisa se forçar a mudar. Vai achar alguém. Tenho certeza. — o som dos passos que foram dados em seguida, fizeram com que os olhos bicolores se voltassem para o espelho e logo seus pés o conduzissem para a frente deste. 

— Está errada… — e então os olhos esmeraldinos vieram à sua mente. Lindos e chamativos. Se perguntava se eram tão intensos quanto estava a imaginar. Estranhamente era noite no seu sonho. Quão esquisito era tal coisa? 

Suspirou talvez pela milésima vez e lavou a face antes de pegar sua escova — já que era costume dormir na casa da irmã sempre que algo dava errado —, passar pasta e escovar os dentes. 

Quando saiu de ambos os cômodos, o jovem desceu as escadas rapidamente e cumprimentou o marido e cunhado da irmã indiferentemente. 

Isso era o que deixava o mais alto tão irritado. Por que Shouto era tão indiferente depois de tudo que vivenciaram? 

Não compreendia. Mas naquela manhã, tinha um brilho bem diferente nos olhos heterocromáticos. Estavam mais… chamativos. 

E então uma tristeza o preencheu quando viu o ex sair. A verdade é que nunca havia sido capaz de mudar a indiferença do amado, no entanto, alguém estava sendo e não era ele. 

Quem era essa pessoa? 

Shouto se perguntou sobre isso o caminho inteiro até sua casa. O local do acidente continuava intacto. Como se nada tivesse acontecido e, embora as folhas e algumas árvores estivessem destruídas, todos agiam como se ninguém tivesse se machucado ali. 

Ao chegar em seu humilde lar, pôde adentrá-lo retirando os sapatos na entrada, e sentar no sofá com o celular em mãos, digitando em seu diário digital, cada detalhe do seu maldito sonho. 

Não era possível que fosse apenas um sonho. Ele estava acordado e tinha certeza absoluta. Até a sensação de estar sentado lhe era familiar, como se o tivesse feito durante a noite inteira. Estava exausto, como se tivesse dormido menos que devia. 

Talvez se o assunto continuasse lhe corroendo, devesse procurar um psicólogo. Mas não queria. Ou melhor. Não podia. 

Seria facilmente encaixado em algum problema existente, e se fosse um diagnóstico definitivo, nunca mais veria os olhos tão belos e o sorriso definitivamente lindo que haviam lhe transmitido tanto conforto ao contemplar. 

Logo colocou tudo em ordem. Era um sonho e, com toda certeza do mundo, não iria se repetir nunca mais. Sonhos eram assim. Eles iam e vinham, e ninguém os controlava. 

Alguns surreais demais e outros realistas em excesso. E daí? Era normal, não é? 

Tudo o que lhe restava era sair com seus amigos, e bancar eles para não ficar em casa pensando nisso. 

E foi o que fez. Marcou com Shinsou e Katsuki para se encontrarem. Não que o loiro fosse muito tolerante consigo, mas ao menos lhe faria companhia juntamente ao roqueiro de cabelos coloridos. 

Quando saiu era tarde, e fez questão de evitar a avenida na qual havia ocorrido o acidente do dia anterior. 

Adentraram juntos uma lanchonete e mesmo com a chance de beber algo alcoólico, passou a oportunidade. Sabia que seu amigo explosivo era psicólogo. Não entendia como ele tinha conseguido tal coisa, levando em conta que era psicologicamente desequilibrado, mas podia falar com ele. Talvez fosse cobrado, mas isso não era problema e ambos sabiam. 

— Meio a meio. Ô caralho, responde! — estava estressado por chamá-lo há vários minutos e não obter resposta. Shouto estava no mundo da lua. 

— Ah. Eu quero torta de limão! — havia se assustado e olhou em volta ao notar que já tinham feito seus pedidos quando entraram. — Que-quero dizer… 

— Está pensando em quem, cabelo de bosta? Namorado? Ex? Irmãos? 

— Um sonho. 

— Hm… Como assim um sonho? — Shinsou finalmente havia se manifestado. 

— Eu bebi demais. Foi só isso. Acho que deve ter tido efeito colateral. 

E novamente o loiro passou a ignorá-lo totalmente, focado em prestar atenção ao redor. 

— Entendo. Aliás. Vocês souberam do acidente que aconteceu ontem? Foi em uma das estradas que dá para a casa de sua irmã, não é? O carro que entrou na floresta. 

— Sim. O irresponsável do motorista dormiu no volante. — Katsuki finalmente havia voltado a focar no assunto — Mas soube que ele era alguém importante… 

— Independente disso. Foi pura babaquice. Poderia ter tirado a vida de outra pessoa desta forma. — Após seu comentário não pensado, os olhos do meio albino lhe fitaram por breves segundos, porém ele se manteve em silêncio. Foi como se mandasse o meio ruivo se silenciar. 

Seus lanches não tardaram a chegar, inclusive a torta de limão. Ela tinha um cheiro peculiar, semelhante a um aroma qual se fazia excessivamente presente em seu sonho. Estranho? Talvez. 

— E você, cabelo de merda? Soube que terminou com Monoma. — Katsuki como sempre, era direto demais. 

— Ele me trocou pela Kendo. Não tinha muito o que fazer, não é? E o seu paciente, Kirishima? Andou falando tanto da loucura dele que você parece o doido. 

— Ah. Aquele merda é incurável. Ele insiste em dizer que quando dorme, consegue visitar um lugar chamado Fronteira. Ou chama assim. Nunca entendi essa parte. 

Todoroki comia em silêncio até ouvir tal nome do local. Fronteira. Tinha algo assim em seu sonho, não é? Um lugar com esse nome. A floresta que visitou e vislumbrou sentado juntamente ao esmeraldino.

— Fronteira? Ele já falou como é esse lugar? — sua curiosidade havia deixado os amigos pouco confusos, mas Bakugou não perderia a chance de expor seus conhecimentos. 

— Uma floresta que divide o mundo dos vivos e dos mortos. Quem fica exatamente no centro dela, pelo que ele me disse, não estão vivos nem mortos. Alguns são como vegetais. Seus corações batem mas a alma não está no corpo, mesmo com eles mantendo seus olhos abertos. Outros simplesmente não acordam e permanecem em coma até que desliguem os aparelhos. É uma boa história para quem acredita em céu e inferno. 

— Daria um livro incrível… — seu sussurro mal havia sido audível. 

A cada palavra dita pelo amigo, uma imagem clara lhe vinha à memória, juntamente com um leve falhar no peito e um sentimento estranho que quase o fizera prender a respiração.

Deixou algumas notas sobre a mesa e carregou sua torta de limão com seu pratinho descartável — qual havia pedido de forma específica porque tinha mania de surtos criativos —, deixando os dois para trás, praticamente correndo para seu carro. 

— Vejo vocês depois! — falou alto mas sem chamar muita atenção.

“Alguém entre a vida e a morte, 'néh?” — os pensamentos que cercavam sua mente, foram os mesmos que lhe guiaram até em casa. 

Informações demais para sua cabecinha linda. E então pesquisou na Internet alguma história que abordava esse tema, encontrando o livro “Areias de Verão”. Um livro baseado em história real.

O autor era ninguém menos que Amajiki Tamaki. 

O jovem apenas pôde comprar todos os livros sobre o tema e comer sua torta. 

O dia havia passado rápido e ido embora juntamente à sua ressaca, mas por ter acordado cedo, acabou por dormir novamente. 

Desta vez a floresta estava mais iluminada. Era pouco mais cedo e os vaga-lumes brilhavam, assim como pólen pairava no ar. Virou-se correndo os olhos por toda parte, preenchido de certa inquietação — agora que tinha mais informações a respeito daquela floresta.

— Outra vez esse lugar?! O que querem de mim?! Por que eu estou aqui se não estou morto?! 

— Também não está vivo, Shouto. Diga. Qual a última vez que se sentiu realmente vivo?


Notas Finais


Mais uma vez tenho que agradecer imensurávelmente a betagem da @Mayonaka_Astery. Como sempre, ficou perfeita. Muito obrigada anjo.

E aí. O que acharam? Escreva algum comentário para que eu tenha uma noção sobre como está se sentindo em relação ao enredo.

Obrigada e até o próximo, meus anjinhos.


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