História As vítimas do mico contra o trio do terror. - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 954
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - O Senhor do Oculto


Toda pegada deixa rastros, mesmo que invisíveis a olho nu. Cada decisão, cada emoção também. Aos corpos humanos pertencem as sombras. Poucos, no entanto, percebem que sombras têm vida própria. Quando elas se libertam, transportam-se e geram mais formas, independentes de corpos ou seres, passando a habitar os meus territórios sombrios.

Meu nome é Vultrex. Domino tudo aquilo que tenta de esconder: memórias, segredos e desejos, guardados e perdidos.

Ninguém, jamais, pode me enganar e, se você tentar, eu já aviso: vou iluminar suas sombras!

Quem sente minha presença sutil é capaz de perceber quando passo pelas frestas das portas, me esgueiro debaixo das camas, me oculto no fundo dos armários...

Sou temido pelos mentirosos e amado pelos corações sinceros. Capaz de ver além das metas aparências, nunca me engano com as pessoas. Por isso, quando Martim, meu protegido, foi levado apressadamente para a sala da diretora da escola, percebi logo que precisava entrar em ação, antes que o chato do Reflex me convocasse.

A comitiva atravessava os corredores: Lara, a atrevida; Guimão, o prepotente; Biel, o convencido; Martim, o esquisito; e Sônia, a furiosa. Os três riam baixinho, já esquecidos do acontecimento no banheiro, unidos por uma maligna cumplicidade.

– Não é que ele vai mesmo pagar o maior mico? - sussurrou Lara.

Martim estava perplexo.

O convite para jogar baralho na quadra, que ele havia interpretado como um gesto de amizade, na verdade teria resultados trágicos. Decepcionado, ele se sentia ao mesmo tempo ridículo e injustiçado, com a máscara de macaco e o colar de papel higiênico presos no pescoço, a roupa rasgada pelas tentativas de se libertar de Guimão, o rosto desfigurado pela mágoa.

Os outros alunos da escola observavam a caminhada do grupo e fofocavam entre si. É lógico que o malfalado seria o diferente, Martim, o garoto de criatividade anormal, embora os verdadeiros responsáveis pela confusão fossem o trio do sucesso escolar: a garota vistosa, o menino cerebral e o campeão de todas as competições esportivas.

Bem, assim seria se não existíssemos. Eu, Vultrex, o Senhor do Oculto; Vampirex, a Perita em Metamorfoses; e Reflex, o Mestre dos Contrários. Embora esses dois últimos dependam das superfícies espelhadas para entrar em ação, eu, Vultrex, posso me esgueirar por onde bem desejar.

Sônia, a diretora, chamou os garotos, mandou que sentassem nas cadeiras diante de sua mesa e fechou a porta da diretoria, ante os olhares curiosos de vários colegas dos meninos.

– Martim! - vociferou ela –, como foi que você, com 9 anos de idade, tão magrinho, quebrou todos aqueles espelhos? Você não sabe que cometeu um ato de vandalismo?

– Ma... Mas... - tentou protestar o garoto.

– É claro que desejo ouvir todas as versões - ela prosseguiu. – Contudo, seus amigos aqui presentes, Lara, Guimão e Biel, tinham a aparência assustada, ao passo que você, Martim, foi encontrado às gargalhadas, fantasiado de mico, sentado na tampa da privada do banheiro feminino.

– Eu fui... só... uma... ví... ví... vítima - gaguejou ele.

– Nunca vi uma vítima tão feliz! - exclamou Sônia. – A mais satisfeita do mundo! Você não percebe que poderia ter ferido seus colegas?

Unidos, fingindo sentir medo, os três riam às escondidas, enquanto a diretora falava sem parar:

– A escola é o espaço para o aprendizado da responsabilidade. Vou invocar o Conselho Escolar. Nesse momento, pelo menos, estou até pensando que se trate de um caso de suspensão, Martim!

Talvez tenha sido a palavra “invocar” ou a dor de ver meu mestre sendo injustiçado. Ou ambas as coisas. De qualquer modo, eu, que aguardava o momento certo de agir, ouvi o comando vindo da mente de Martim.

“Vultrex! Invoco seus poderes! Venha em meu socorro! Agora, por favor!”

E foi exatamente o que fiz.

Sônia precisava apanhar a lista de telefones dos pais de alunos dentro do armário. Enquanto os meninos esperavam sentados diante da mesa, infiltrei-me no fundo escuro do armário. A diretora destrancou a porta e enfiou a mão para tatear as pastas. Imediatamente, me transformei em sobra e subi até o cotovelo dela, deixando um rastro de vento gelado. Ela sentiu um arrepio. Recolheu o braço. Aumentei as sombras dentro do armário para que não enxergasse a pasta da lista. Sônia então enfiou a cabeça dentro do armário. Foi aí que entrei em seus pensamentos.

Vi quando a grande diretora era pequenina ainda. A mãe dela, uma pintora muito criativa e um tanto esquecida, não se lembrou, um dia, de buscá-la na escola. Sônia pequenina, sentadinha na soleira da porta.

No minuto seguinte, tentei mudar o canal de suas lembranças. Fiz com que se recordasse das belas pinturas da mãe. Dos momentos em que preparava as tintas e cantarolava sorrindo. Uma mãe tão bonita... Tão diferente de todas as outras... Tão parecida com esse esquisito do Martim...

– Martim - disse ela, virando-se subitamente para o menino –, pensando melhor, vou dar a você uma segunda chance. Volte para a aula... Mas, lembre-se, está é a única oportunidade. Se eu souber de outra atitude esquisita de sua parte, juro que chamo seus pais!

Mais tarde, na cantina, ainda decepcionados com o castigo que Martim não levara, Biel, Guimão e Lara comentavam entre si:

– Será que essa comida me fez mal? Será que tudo foi alucinação?

– Será que os espelhos quebraram sozinhos?

– Não, deve ter sido o calor. Eu já vi isso acontecer com um espelho de carro.

– Deve haver alguma explicação científica.

– Será?

– Pois é...

– Não sei, não...

– Uma vez, minha mãe disse assim: há mais mistérios entre o céu e a terra do que explica a vã filosofia...

– Nossa, que frase difícil...

– E que dá medo...

– Melhor não falar mais nesse assunto.

– É, melhor colocar um ponto final.

– Final mesmo!

Infelizmente, mesmo que os meninos desejassem o fim, a aventura estava apenas começando...



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