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História Asas de Carmim. - Capítulo 6


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Notas do Autor


Olá pessoas, tudo bom? Como prometido capítulo novo no dia certo. Desejo boa leitura e peço desculpas pelos possíveis erros de qualquer espécie.

Obs: foto da capa não me pertence. Crédito total ao fanartista @mickeysteamboat. Sigam ele no twitter e se possível curtam suas artes incríveis de CDZ.

Capítulo 6 - Cap. VI


Fanfic / Fanfiction Asas de Carmim. - Capítulo 6 - Cap. VI


Assim que Camus saiu do quarto, Saga permaneceu sentado por somente dez minutos. Sua mente não parava de maquinar o motivo que o levou a ter tantos sentimentos tão de repente. Ainda conseguia lembrar nitidamente dos olhos azuis acinzentados que lhe miravam de maneira perplexa e também ameaçadora. Por que ela lhe era tão familiar? Era claro que assim como vários L’cies já havia visto – assim como os outros – Lis na TV, mas a sensação de estar cara a cara com ela fora muito diferente de estar diante de alguém “conhecido”. Ela era uma caçadora, um ídolo para muitas pessoas que não sabia ou não se importavam com o mal que causavam para quem não escolheu ser como era. Uma assassina que não se importava e muito menos se sentia culpada do mal que causava a outros, então porque ela não saía de sua cabeça?

Pensativo, Saga suspirou, abstraindo totalmente os conselhos de Camus e retirando o acesso em sua mão, vendo o sangue verter dali e logo a ferida fechar deixando somente um hematoma. Entrou embaixo do chuveiro as pressas e logo que saiu mal se secou, entrando logo em uma calca jeans escura e surrada, coturno marrom e um dos poucos casacos de moletom que tinha, saindo do quarto a passos rápidos em direção ao pequeno hospital. Ao entrar Saga não falou com ninguém, seguindo direto para a sala onde sabia que encontraria Shion. O médico que examinava uma mulher levou um susto com o som da porta ao abrir sem nenhuma permissão.

— Mas o que... – indagou Shion jogando um lençol sobre as pernas de Marin.

— Que merda! Saga!! Não sabe bater?! – reclamou a ruiva, fechando as pernas e se cobrindo. Saga a observou com frieza, ignorando a moça que fazia um exame ginecológico.

— Onde ela está? – foi direto. Shion suspirou virando na direção de Marin.

— Longe de você...por enquanto.

— Longe?

— Sim, Saga: longe! – respondeu o médico, irritado.

— Eu preciso falar com ela.

— Eu sei, mas não será hoje e nem agora. Ela está desacordada. Ela é muito mais resistente e forte do que uma pessoa comum, mas ainda é humana. Diferente de você, ela precisa de tempo para se recuperar. Aliás você deveria estar no soro descansando. – falou Shion voltando ao que fazia.

— Não to cansado. – respondeu andando pelo consultório e vendo um pedaço de roupa ensanguentada jogada dentro da pia.

— Saga, será que dá pra você sair daqui? –pediu a ruiva, envergonhada.

Saga ficou observando o pedaço de pano por alguns segundos e logo resolveu que deveria mesmo era fazer o que Marin pedia. Ficar ali esperando a confissão de Shion era perda de tempo. Conhecia o médico muito bem para saber que mesmo que implorasse ele não lhe diria nada.

A passos duros e sem conseguir parar de pensar em Lis seguiu caminho até os dormitórios olhando quarto por quarto e nada. Onde será que Shion havia enfiado a ruiva? Voltou caminhando em direção a outro local e encontrando com Shura e Aiolos que vinham rindo e conversando em sentido contrário a Saga.

— Saga?! Você já está de pé! – sorriu Aiolos tocando no ombro dele. — Como se sente?

— Normal. – respondeu olhando ao redor como que procurasse algo.

— Você deu um susto danado na gente, pensamos que você...

—Onde ela tá? – cortou frio.

— Ela? – perguntou Shura.

— É! A caçadora. Onde?

Shura e Aiolos se entreolharam respirando fundo. Shura deu um meio sorriso sem graça dizendo:

— Olha, eu juro que não sabemos. O Aiolia levou ela pro hospital e...

Saga não deixou que o amigo terminasse de novo, passando no meio dos dois e começando a caminhar. Aiolos engoliu em seco, pois determinado como Saga estava com toda certeza iria atrás de seu irmão mais novo. Por isso saiu correndo atrás dele e o parando no meio do caminho.

— Saga, espera. Me escuta. O Aiolia não sabe de nada. Só o Shion sabe onde ela está. Meu irmão só levou ela para o hospital e depois saiu assim como Shion ordenou...a todos. Ninguém ficou lá, você conhece o Shion, sabe como ele é.

— Você não está mentindo pra mim está, Aiolos? – perguntou Saga, frio como uma porta.

— É claro que não! Por que eu mentiria para você? – rebateu ofendido.

— Não sei, talvez para tentar me proteger.

— Ele está falando a verdade, Saga. Relaxa, não temos porque mentir para você. Só o Shion sabe onde ela está e se ele não te disse acredito que é por um bom motivo.

Saga ficou em silêncio por alguns segundos, olhando de um para o outro. Não queria desconfiar dos amigos, mas levando em conta o que acontecera consigo era normal que eles quisessem esconder a localização de Lis pelo menos por enquanto. Mesmo assim precisava dar um jeito de encontrá-la para saber como ela havia conseguido fazê-lo sentir.

Sentir...”, pensou saindo dali e deixando Aiolos e Shura preocupados; sabiam que Saga não iria parar até conseguir o que queria.

Ele continuou seu caminho indo em direção a sala de computadores dessa vez e – como sempre – entrando sem bater. Sentado Shaka não se surpreendeu pelo ato do outro, pois ele sempre fazia a mesma coisa.

— E então?! A que devo a honra de sua visita, Angel? – perguntou o mais novo sem tirar os olhos da tela e tomando um gole de chá verde.

— Quero qualquer informação sobre ela.

— Não há qualquer informação sobre nenhum deles. Não tem sobrenome, registro, nada! São praticamente fantasmas, assassinos que não deixam rastros. – respondeu olhando Saga.

— Procure outra vez. Tem de haver alguma coisa.

— Saga porque você não pode simplesmente esperar? – perguntou levemente irritado. Odiava quando falavam em tom de ordem.

— Porque eu preciso saber com o que estamos lidando. Acha mesmo que ela vai nos dizer alguma coisa? Ela é treinada para não dizer nada. Vai morrer sem dizer nenhuma palavra se for necessário. – sentou olhando Shaka mais de perto. — Eu preciso saber como aquilo aconteceu comigo antes deles nos encontrarem. Por favor, me ajuda. – pediu tentando ser convincente e mostrar um sentimento de tristeza que não possuía. Shaka ficou em silêncio por um tempo e mesmo que soubesse que Saga não sentia nada sabia que ele estava certo. Lis não diria nada sobre nada e tentar descobrir algo para usar contra ela seria a melhor saída.

— Está bem. Mas por favor, Saga me prometa que não fará nenhuma bobagem, está bem?! – pediu virando para o computador e começando a digitar vários códigos. Em cima de um painel com um leitor um dente chamou a atenção do mais velho fazendo ele se aproximar.

— O que é isso?

— O localizador dela. Shion disse que todos da VEDA tem um.

— Você por acaso sabe onde ele a levou?

— Não e mesmo que soubesse não lhe diria. – respondeu Shaka, rabugento.

— Sério?! Então, porque resolveu me ajudar?

— Porque você não vai parar de encher o meu saco.

Demorou quase uma hora para que Shaka conseguisse – com muito custo – achar qualquer informação sobre Lis contida em seu localizador. O mais novo suspirou cansado e insatisfeito por não ter conseguido mais nada além de um ponto no mapa.

— É tudo criptografado como eu já imaginava. Eu poderia levar anos nisso. Vê isso aqui? É a única coisa que eu consegui. Um único local registrado. – apontou fazendo Saga se aproximar. — Ela chegou nesse local por volta das 22:00 e depois de várias horas seguiu de volta ao prédio da VEDA, mas ela não chegou a entrar. Ela seguiu a rua contrária ao prédio, vindo em nossa direção; foi quando ela te seguiu. Eu acredito que depois de um certo tempo o localizador envia os dados para a VEDA e ao fazer o backup os registros são deletados. Ao que tudo indica o Shion arrancou o localizador dela antes do backup ser realizado.

— Faz ideia de que lugar possa ser?

— Não, pode ser qualquer lugar; um bar, um motel, enfim... mas buscando no mapa é... – puxou o mapa, mostrando-o em 3D. —...a área residencial nobre de Nibel. Pode ser a casa dela ou de qualquer pessoa que ela tenha ido visitar. De qualquer modo ou, quem quer que seja, seria bom averiguar, claro...se pudéssemos sair daqui. – completou Shaka voltando ao computador.

Saga nada disse, observando bem o local no mapa e tocando o ombro do outro.

— Obrigado Shaka. Fico te devendo.

— E eu vou cobrar pode ter certeza.

Saindo da sala de computadores, Saga seguiu caminho por alguns corredores, cruzando com algumas pessoas que o cumprimentavam felizes por vê-lo bem. Ele falou com todos e depois seguiu em direção a saída, passando por uma grande área aberta onde várias crianças brincavam numa espécie de parquinho improvisado. Uma menininha de cabelos castanhos e grandes olhos verdes correu em sua direção o fazendo parar e aceitar a pequena margarida assim como fazia todas as vezes que lhe via. Saga observou a flor com carinho, dando um sorriso e tocando os cabelos dela.

— Obrigado, Saori. – agradeceu.

A menina sorriu com as bochechas coradas, dando um abraço nele e o deixando ir. Saga guardou a flor no bolso do casaco seguindo caminho por um grande túnel muito escuro. Precisava se afastar de todos para fazer o que queria e sabia que depois de terminar - se conseguisse voltar - levaria uma bronca de Shion por ser tão imprudente. Com uma lanterna nas mãos foi assim, tomando cuidado até chegar numa enorme área aberta onde um buraco gigantesco engolia toda a água suja que vinha da cidade. Saga sentiu o vento forte e frio sacudir seus cabelos, olhando de um lado a outro e respirando fundo, guardando a lanterna no bolso traseiro e fechando os olhos. Sabia que não devia, mas precisava mais do que nunca fazer aquilo.

De olhos fechados o cenho de Saga se crispou fortemente e a raiz de seus cabelos começaram a ficar escuras, negras, sacudindo os fios com mais violência. Ele movimentou as duas mãos de baixo para cima, sentindo o sangue descer da narina no momento em que um buraco surgiu na sua frente. Devagar abriu os olhos sentindo o sangue quente descer, pingando em seu casaco. Se fosse uma pessoa comum com toda certeza já estaria desmaiado quase morto por conta do esforço em usar aquela habilidade. Sem sentir remorso, dor ou medo ele caminhou em direção a fenda, passando por ela até o outro lado onde uma rua totalmente deserta fora a saída. Devagar caminhou olhando por cima dos ombros e fazendo a fenda fechar.

Um carro buzinou para um gato gordo e branco que atravessava a rua calmamente fazendo o bichano se assustar e correr em direção a uma casa. Saga ficou observando o animal e vendo que ele seguiu exatamente para o local onde Shaka o havia indicado no mapa. Sem demora seguiu até ele, vendo-o miar diante de uma porta branca com grades e vidro. Saga se aproximou, abaixando e pegando o felino no colo e observando que ele usava uma coleira vermelha com uma medalha dourada onde podia-se ler “Sr. Bigodes”. O L’cie olhou ao redor, de um lado para o outro a procura de alguma entrada, mas nada viu. Pensou em arrombar a porta de uma vez, mas levando em consideração que Lis era uma caçadora, com certeza havia alarme em sua porta. Não queria chamar a atenção da vizinhança e muito menos o da VEDA. Olhou para o gato e resolveu o colocar de volta no chão. Se ele havia saído sozinho talvez soube por onde voltar e quem sabe lhe mostrar uma entrada. O gato lambeu um pouco o corpo e em seguida passou por Saga entrando na mesma viela de onde ele havia vindo. O L’cie caminhou devagar até a entrada observando o gato pular numa lixeira, depois em uma calha velha e em seguida para uma pequena varanda no segundo andar e sumir de suas vistas. Saga olhou de um lado a outro, verificando se estava realmente só e sem dificuldade refez o caminho que o felino havia feito, entrando na varanda e verificando que a porta de acesso estava um pouco aberta.

Assim que entrou no quarto escuro um perfume gostoso de rosas acariciou suas narinas. Saga olhou ao redor observando a bagunça na cama e algumas peças de roupas jogadas numa poltrona próxima. Com alguns passos ele se aproximou de uma cômoda começando a abrir as gavetas e se surpreendendo com uma cheia de roupas íntimas que exalavam um cheiro muito agradável de amaciante. Curioso passou os dedos devagar sobre as peças sentindo a maciez sob seus dedos e a rigidez de um dos bojos do sutiã. Pegou então a peça olhando mais de perto e – sem entender – levando até a narina e sentindo o perfume que se desprendida dali. Então era assim que ela cheirava?

Sem sentir interesse nas outras peças Saga voltou a observar o quarto; na mesinha da direita havia um pacote aberto de camisinhas e um tubo de lubrificante, no chão dois preservativos usados estavam jogados ali e um pedaço de corda fez Saga se perguntar o que aquele item tinha a ver com os outros. Sem muito interesse naquele tipo de coisa resolveu sair dali. Viu que pela casa havia alguns porta retratos onde Lis sorria, na grande maioria das vezes, com o gato branco nos braços. Ele sentiu algo em suas pernas e constatando que era o tal gato das fotos. O bichano miou olhando o L’cie e em seguida correu em direção a cozinha. Saga o seguiu mirando o armário, abrindo e vendo um pacote com comida para gatos.

— Está com fome? – perguntou pegando a comida e vendo o gato miar mais alto, se esfregando em suas pernas é depois pulando no balcão da cozinha. – Okay!

Saga despejou um pouco da comida em um prato observando o animal comer com vontade. Ele ficou assim por alguns segundos e antes de se afastar pegou um punhado da comida, colocando na boca, mastigando e deixando o gato comer o restante sossegado. Abriu o guarda roupa, olhou embaixo da cama, nas mesinhas e nada além de um notebook pareceu ter realmente importância naquele lugar. Saga mexeu em algumas teclas fazendo o mesmo ligar e exibir mais uma das fotos do Sr. Bigodes, o fazendo ficar pensativo. Não sabia se o que estava pensando podia fazia algum sentido, mas pelo que parecia Lis não tinha ninguém além daquela bola de pelos que lhe lembrava uma nuvem. Se ela possuía algum parente ou amigos com toda certeza estava escondendo muito bem. Não havia nada além dela mesma ou do gato pela casa; nenhum número de telefone, registro, email, cartas, nada! Mexeu mais um pouco no aparelho verificando que algumas pastas estavam bloqueadas. Mexeu mais um pouco até, sem querer, achando uma única foto sem o tal gato. Nela Lis estava sentada no sofá da sala abraçada a ninguém menos que Minos. Ambos pareciam felizes já que um grande sorriso moldava o rosto pequeno da ruiva e um cafajeste no do homem. Eles estavam sentados, enquanto Lis segurava uma caneca e se encolhia próximo ao corpo de Minos enquanto ele a aconchegava com o rosto apoiado na cabeça dela enquanto batia a foto. Saga ficou sério olhando a foto por alguns segundos e sem entender mirou a cama bagunçada, imaginando que era com Minos que ela estava antes de sair dali correndo.

Encontrando o que julgou ser importante o L'cie fechou a tampa do notebook e o enfiando dentro de uma mochila que encontrou no guarda-roupa, depois algumas peças de roupas e um livro. No chão do quarto achou uma mochila de transporte para animais. Saga então voltou até a sala e encontrando o gato cochilando sobre o mesmo sofá da foto anterior, indo até ele e o pegando no colo, observando os belos olhos azuis dele; sorriu.

- O que acha de um passeio?

Sem mais interesse no restante da casa, Saga saiu dali pelo mesmo lugar que entrou, voltando a tomar cuidado para não ser visto e usando seus poderes para retornar. Assim que saiu do outro lado seguiu direto para seu quarto, colocando as coisas no chão e soltando o gato, se aproximando de um espelho e vendo a vermelhidão intensa em seus olhos e a palidez excessiva em sua face. Suas vistas embaçaram e mesmo sem sentir os efeitos colaterais de ter usado aquele poder sabia que precisava chegar até a cama e rápido. Deu um passo e suas pernas falharam o fazendo se apoiar em uma cadeira e derrubando a mesma. Com dificuldade chegou onde queria, caindo sobre a cama e apagando na hora.


oOo#oOo


Lis ficou totalmente sem reação ao estar novamente cara a cara com Saga. As crianças se aglomeraram ao redor dele, disputando espaço para se agarrar em suas pernas. Saga deu um mísero sorriso sentindo graça da reação exagerada das crianças, abaixando um pouco e pegando Saori no colo, pois ela chorava muito. Seu coração disparou o deixando um tanto confuso por outra vez estar com tantos sentimentos que nunca havia sentido, principalmente encabulado pelo olhar encantado que Lis não conseguiu disfarçar. Afrodite olhou de um para o outro, achando graça da situação, se aproximando do amigo e finalmente despertando Lis ao esbarrar nela de forma proposital.

- Oi Saga, como você está? – perguntou o andrógeno.

Saga?!”, refletiu Lis em pensamento.

- Estou bem, obrigado. – respondeu ainda mirando o rosto de Lis.

De novo essas sensações. O que está acontecendo? Por que parece que meu coração vai explodir? Por que me sinto...ansioso?! Isso é ansiedade?! Nervosismo?! Droga! O que é tudo isso?”, pensou Saga confuso, mas mantendo o semblante indecifrável. Não queria que ninguém percebesse sua confusão.

- Que bom. Shion mandou eu ser o guia dessa vez. A cadela está de coleira agora e não pode morder mais ninguém. Não acha que ficou muito bem nela? – ironizou sorrindo fazendo Lis fechar a cara.

- Concordo. – respondeu Saga sorrindo de lado.

Um dos meninos saiu de perto dos dois L'cies e se aproximou da ruiva de forma corajosa. Ela desviou o olhar para ele e sem nenhum aviso o garoto disparou um pontapé bem na canela de Lis a pegando totalmente de surpresa. A ruiva deu um grito, abaixando e tocando o local.

- Filho da...puta! – gruiu irritada.

- Isso é pelo Aldebaran! Espero que o Angel arranque sua cabeça. – berrou o garoto dando um soco forte no rosto da ruiva.

Lis acabou por cair sentada, sentindo o orgulho ferido corroer sua alma ainda mais pela gargalhada que se seguiu entre os presentes. Sua vontade era de dar um tiro muito bem dado na cara daquele moleque insolente. Malditos sejam aqueles L’cies.

- Ah Ikki, você não poderia ter sido mais cortês com a visita. – ironizou Saga observando o rosto furioso de Lis. Era a segunda vez que ela apanhava em menos de uma hora.

- Eu quero ver você sorrir assim quando o cano da minha pistola estiver dentro da sua boca, moleque maldito! – fez uma pausa. – Igual eu fiz com seu amiguinho, como é mesmo o nome dele? Ah... Aldebaran.

Afrodite ergueu as sobrancelhas surpreso e chocado pelas palavras ácidas de Lis na situação em que se encontrava. Saga deu um meio sorriso não gostando nem um pouco da ameaça e muito menos do tom de voz dela. Seu semblante ficou impassível e mesmo que um fogo queimasse a boca de seu estômago por lembrar do estado de Aldebaran, Saga não demonstrou, o que não foi surpresa para nenhum dos presentes.

- Cala a boca, demônio! Você merece a morte! – berrou o menino sem um dente chamado Seiya.

- É! Cala a boca! – disse outro, Jabu fazendo as outras crianças berrarem a mesma frase. Saga ficou em silêncio por alguns segundo, mirando o olhar faiscante e as várias sardas que pintavam o rosto dela em contraste com a mancha roxa que se formou próximo ao olho direito graças a pancada de June.

- Afrodite, será que você pode ficar com eles no meu lugar? – começou Saga, fazendo Afrodite sorrir jocoso.

- Não gosto de bancar a babá, mas...dessa vez vou fazer uma exceção. Sei que vai me recompensar depois.

Saga entregou Saori para o amigo e de forma calma caminhou até Lis. Ela ficou de pé num salto, sentindo-se pequena diante da imponência e calmaria que ele transmitia. O olhar indecifrável que lhe causava uma sensação mais do que estranha; a calmaria dele lhe parecia algo de outro mundo. Nunca vira um olhar tão penetrante e ao mesmo tempo sereno e ameaçador.

- Vamos continuar? – disse ele passando por ela.

Lis engoliu em seco, fuzilando Afrodite com o olhar e, sem escolha, começou a seguir Saga para um corredor longo que dava acesso a um tipo de campo de treinamento separado e isolado do primeiro local. Ele parou de repente, olhando de um lado para o outro e percebendo que estavam sozinhos. Lis fez o mesmo gesto não gostando nada daquela situação. Sabia muito bem do que ele era capaz e estar desarmada justo naquele momento era tudo que menos queria.

Saga a mirou por cima dos ombros e depois se virou, ficando em silêncio enquanto analisava Lis dos pés a cabeça, tentando entender ou identificar como ela estava lhe causando todas aquelas sensações.

- O que tá olhando? – rosnou ela incomodada. Ele manteve o silêncio. – Acha que tenho medo de você? Você sabe muito bem o que sou e que essa merda não vai me prender aqui pra sempre.

Saga respirou fundo achando graça da situação. A sensação de poder era indescritível. Devia ser assim que esses malditos caçadores se sentiam quando capturaram seus irmãos L’cies.

- Você não consegue perceber a gravidade da situação em que se encontra, não é...Lis. – falou frio, deixando a ruiva um tanto desconcertada. Saga caminhou até ela, ficando bem perto. Lis deu um passo para trás ao notar a auréola vermelha ao redor da pupila dele assim como uma pequena parte da raiz capilar ficar escura, causando um contraste absurdo com o dourado.

- Situação?! Você me trouxe aqui pra me mostrar isso? Vai fazer o quê? Usar seus...poderes esquisitos para me torturar? Eu não tenho medo de você, já disse. Nem de você e nem de nenhum L'cie. Você sabe que estou falando a verdade. Uma hora eu vou me livrar dessa merda de coleira e quando eu fizer isso tenho certeza de que nenhum de vocês vai sorrir.

Saga abriu um sorriso de orelha a orelha mostrando os dentes brancos e perfeitos o deixando ainda mais belo mesmo com a arrogância explícita no ato. Lis sentiu os pelos erriçados diante do quão bonito ele era. Os cabelos loiros sobre a pele levemente morena deixava os olhos verdes ainda mais deslumbrantes. Saga passou a língua sobre os lábios, umedecendo ali e parando no piercing que tinha bem no meio do lábio inferior, uma argolinha prateada, brincando um pouco com ele.

- Rua sete, bairro nobre de Nibel.

Lis sentiu o chão sumir e sua alma sair do corpo ao ouvir a frase. Pensou em dizer alguma coisa, qualquer coisa para desviar o foco dele, mas simplesmente não conseguiu. A frieza e segurança que ele transmitia em seu olhar e principalmente em sua voz desarmou completamente qualquer contra ataque que a mente de Lis pudesse dar.

- O que foi?! Perdeu a voz? – ironizou. – Você se acha muito esperta, tão superior a todos. Malditos caçadores que tiram vidas inocentes a troco de nada. De prazer...

- Vai se fuder, seu assassino de merda! – rosnou a ruiva apertando os punhos.

- Assassino?! Eu? Você mata meus irmãos por prazer e diz que eu sou o assassino? Destrói famílias e sequestram crianças a troco de quê?! Prazer, poder, sadismo? – se aproximou mais.

- São L’cies!!

- São pessoas que sofrem e sentem dor assim como qualquer outra!!

- Sinto muito por elas. – ironizou sorrindo maldosa. Saga sentiu o sangue ferver.

- Não, você não sente. Você não sente nada! É por isso que você não tem ninguém. Você não tem nada! – falou entre os dentes, mas ainda mantendo a postura calma. – Ah...me perdoe, você tem! Um gato. Como é mesmo o nome dele? Ah sim! Sr. Bigodes. Quem será que lhe deu? Seus queridos pais?

Lis começou a respirar mais ofegante, sentindo o nervosismo começar a tomar conta da situação. Sua vida era um sigilo total graças a VEDA e sempre cuidou muito bem de seu único amigo de verdade como se fosse seu bem mais precioso. Como é que ele sabia daquelas informações?

- Você não entende, mas eu vou fazer você entender. Sabe o que eu vou fazer? Eu vou pegar o seu maldito gato e vou amarrá-lo. Depois vou arrancar dente por dente enquanto ele se debate de dor...

- O... quê?! Não!! – começou Lis perdendo o controle da situação. Saga sentiu um sentimento estranho lhe apertar o peito, mas não se abalou, mantendo a frieza em cada letra que saía de sua boca.

- ...e depois que acabar todos os dentes eu vou arrancar as unhas uma por uma bem devagar...

- Para! Não! Por favor, não faz isso! – agarrou o casaco dele, nervosa e confusa por estar agindo daquela maneira frágil.

- ...e quando eu terminar eu vou sufoca-lo com um saco várias e várias vezes até eu me sentir satisfeito. E você sabe porque eu vou fazer isso? Porque eu não me importo. E quando eu estiver longe de você eu me importarei menos ainda, Lis. – confessou irritado e confuso.

- NÃO!! Ele não tem culpa! É só um gato ele nem sabe quem você é! Por favor! Eu imploro!

- Sério?! Aldebaran também não tinha!

Saga arrancou as mãos dela de seu casaco e saiu caminhando. Lis se desesperou pensando na única lembrança que tinha de seu pai, correndo atrás do L'cie e não percebendo a luz vermelha que indicava o seu limite. Um choque forte a pegou de repente, fazendo Lis trincar os dentes e cair no chão se debatendo, sentindo o corpo inteiro doer quando o choque finalmente parou. Mas no fundo nada lhe doeu mais ao ver Saga lhe ignorar totalmente e sumir de suas vistas.


Continua...


Notas Finais


Pessoal, o próximo capítulo pode ser que atrase um pouco devido a uns problemas pessoais que tive durante algumas semanas e por isso não consegui adiantar o capítulo 7, mas ele já está todinho na minha cabeça e só falta passar pro PC. Espero conseguir fazer isso durante essa semana e manter as postagens de todo sábado. Me desejem sorte! Espero que tenham gostado desse encontro da Lis e do Saga. A forma como ele reage a certas coisas será explicado nos próximos capítulos. Se possível me digam o que acharam. Um beijo grande e até!!!


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