1. Spirit Fanfics >
  2. Asas entre chamas >
  3. Anjo surpreso

História Asas entre chamas - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


OLHA QUEM APARECEU!!!

Capítulo 5 - Anjo surpreso


Havia uma neblina estranha que cobria parte do campus ao redor de Manderley. Foi a primeira coisa que Jeonghan percebeu quando sua última aula terminou e ele se deparou com o céu completamente escuro. Deduziu, assim, que já estava muito tarde, mais do que imaginava.

A segunda coisa que ele percebeu foi que o lugar estava completamente vazio se ignorasse os outros alunos da sua aula. Era estranho ver Manderley tão pacata e silenciosa como naquele momento, Jeonghan não gostou daquele clim

Como sempre, estava fazendo mais frio do que o planejado e todos os alunos que restaram faziam de tudo para chegar o mais rápido possível em seus carros ou direto para casa. Jeonghan, como não ligava para aquela brisa gélida que o rodeava, resolveu que não teria pressa em seu caminho de volta para casa.

Só não esperava, a poucos metros do portão principal de Manderley, encontrar alguém embrulhado sobre o banco de madeira no gramado rente a passarela de pedras. O choro não era alto, mas com o silêncio exorbitante que fazia naquela noite, não era difícil escutar algumas fungadas e murmúrios sem sentido.

Jeonghan estava pronto para seguir reto tentando não se meter no que não lhe dizia respeito, mas ao se aproximar do banco com pouca luminosidade, reconheceu em segundos a pessoa sentada ali. Era Chungha e ela parecia estar mal o suficiente para não notar a movimentação ao seu redor.

Foi difícil para o anjo escolher entre passar reto e fingir que aquele momento nunca existiu, ou sentar-se com a vampira e tentar ter um diálogo que a ajudasse de alguma forma. Percebeu, então, que se sentiria extremamente culpado se ignorasse a garota. Eles não eram dito amigos, mas a pouca proximidade que tinham já fazia Jeonghan sentir o peso se não parasse para conversar.

O único momento em que Chungha pareceu notar que não estava sozinha foi quando o banco da madeira rangeu no instante que Jeonghan se apoiou nele. As coisas em Manderley tinham esse costume de ranger e o anjo não sabia se era por causa de sua elevada idade ou se era apenas para combinar com o aspecto sombrio do lugar.

Chungha tentou limpar o rosto com lágrimas quando percebeu quem estava ao seu lado, mas era difícil esconder os olhos vermelhos e o nariz escorrendo.

- Jeonghan! Oi, não te vi aí.

- Hey. Desculpa surgir assim do nada. - Jeonghan tentou parecer o mais neutro possível em suas palavras.

- O que está fazendo aqui tão tarde? - silenciosamente a vampira deu espaço no banco para que o outro se acomodasse. Jeonghan o fez, agradecendo com um aceno.

- Estava entregando algumas coisas na última aula que atrasou.

- Você devia tomar cuidado, é perigoso andar sozinho de noite.

Jeonghan a olhou com certo deboche e não precisou de muito para que Chungha entendesse.

- Digo o mesmo para você. - felizmente a vampira sorriu, mesmo que minimamente, para o outro. - Eu estava indo para casa, quando te encontrei...

- Chorando como uma criança? - ela completou a frase inacabada do anjo. - Desculpe por me pegar nesse momento tão vergonhoso.

Jeonghan se sentiu constrangido.

- Não é vergonha nenhuma chorar.

- Se você soubesse o motivo, concordaria comigo que estou sendo exatamente idiota por chorar. - Chungha comentou e Jeonghan sentiu, naquele momento, que o que a vampira precisava, era falar sobre o que a incomodava. Então, assim, ele gesticulou com uma das mãos indicando que estava pronto para ouvi-la.

- Tem alguém de quem eu gosto muito. Já fazem anos que tenho sentimentos por essa pessoa e eu senti, durante um longo tempo, que estava sendo correspondida. Sempre tive medo de dizer o que eu sentia, mas depois de quase seis anos me escondendo atrás do meu medo, resolvi que devia dizer para ele que eu estava apaixonada. - Chungha riu, mas Jeonghan não sentiu graça alguma naquela risada. - Infelizmente as coisas não saíram como o esperado.

- Ele te dispensou?

- Algo assim. Eu me declarei confiante de que, ou seria correspondida, ou ele me rejeitaria, mas eu estava pronta para assumir qualquer uma das respostas como consequência dos meus atos. E, deixa eu te contar, eu não estava pronta para assumir coisa nenhuma.

Jeonghan se desesperou quando viu que a vampira estava pronta para chorar mais uma vez. Não sabia o que dizer e tinha medo de falar algo que a deixasse pior, então tomou a decisão de que preferiria se calar e escutar o que ela tinha dizer como desfecho da história.

- Quando o confrontei e pedi um motivo para ele me rejeitar tão friamente, me arrependi no mesmo instante. Ele me disse que não ficaria comigo porque, na melhor das hipóteses, seu poder me mataria e ele jamais ia concordar em me colocar em perigo daquele jeito. - Chungha parecia tão cheia de ódio que quase assustou o anjo. - Que ironia, não é mesmo? O cara que eu gosto é a minha maior fraqueza, literal e metaforicamente.

- Você está dizendo que a única coisa que pode matar um vampiro é, coincidentemente, o poder desse cara? - Jeonghan parecia incrédulo por dois motivos: o primeiro era por causa do enorme azar de Chungha e sua vida romântica desastrosa, mas o segundo motivo era que, a única coisa que matava vampiros, era tristemente, o fogo. Jeonghan conhecia alguém com esse poder que também era conhecido de Chungha. Ele não queria acreditar que sua resposta estava certa.

- E o pior de tudo é que isso já fazem dois anos e eu sigo chorando. Por que é tão difícil superar alguém?

O anjo percebeu que ela esperava uma resposta verbal, mas ele não podia lhe dar isso. Suas experiências amorosas de verdade totalizavam zero até aquele momento.

- Sinto muito.

Alguns minutos de silêncio enquanto Chungha limpava o rosto e respirava fundo para se recompor. Logo depois ela retornou a falar:

- Hoje eu sei que não faria diferença nenhuma se seu poder não me machucasse. Mesmo que ele não fosse uma ameaça à minha existência, nós jamais ficaríamos juntos porque ele não gosta de mim da mesma forma que gosto dele.

Jeonghan não sabia como reagir, suas alternativas no momento eram: correr dali como se não houvesse amanhã, ficar e ouvir Chungha falar sobre seu amor não correspondido que era (potencialmente) o mesmo suposto crush do anjo ou, então, chorar todas as lágrimas que seu corpo permitia por ter nascido com tanto azar assim.

- Você... - Chungha o olhou esperando que o anjo dissesse algo. - Você disse que já fazem dois anos, então por que está chorando agora?

- Eu o ouvi dizendo sobre uma pessoa que ele está interessado. Não sei o nome ou se é sobrenatural, mas ele parecia verdadeiramente feliz ao falar sobre esse seu novo interesse amoroso.

Jeonghan queria cavar um buraco e se jogar dentro. Torcia com todas as forças para que a pessoa a qual o amor de Chungha falava, não fosse ele próprio.

Percebeu, então, que em momento algum a vampira mencionou o nome do homem a qual se referia. Podia estar sendo precipitado e sofrendo por algo que nem mesmo fosse a verdade.

- As pessoas costumam dizer que Seungcheol é galinha e que não é uma boa alternativa se envolver com ele, mas eu sei que ele jamais iludiu as pessoas com quem ficou. Sempre deixou claro que não estava aberto para um relacionamento com seus ficantes. - as esperanças do anjo foram por água a baixo. - Acho que ele nunca se interessou por alguém de verdade para estar disposto a entrar em um relacionamento. Talvez, com esse novo pretendente dele, as coisas mudem.

- Você não fica triste de saber que ele gosta de alguém que não é você?

Chungha parou para pensar e Jeonghan teve medo de ter perguntado o que não devia.

- Fico, claro. Mas, apesar do meu amor por ele, quero que Seungcheol seja plenamente feliz com quem ele escolher. Eu já aprendi a lidar com o fato de que não sou eu a pessoa que vai ficar ao lado dele pela eternidade, mesmo que eu deseje muito o contrário. As vezes eu choro por isso, mas sou madura o suficiente para saber meus limites e que não devo me meter nos romances dele. Não é a primeira vez que me apaixono e não será a última, só preciso de um tempo para superar, outra vez.

Jeonghan admirou a maturidade da garota. Não saberia lidar com uma situação dessas mesmo que quisesse, passou a vida toda preso em uma bolha de segurança onde nada o atingia e ter que lidar com problemas reais como aquele não estava dentro de seus planos.

Queria não estar gostando da pessoa que sua considerável amiga estava apaixonada a anos (não que Jeonghan admitisse gostar do salamander).

- Chungha? - o anjo a olhou extremamente intrigado com suas últimas palavras. A vampira esperou a pergunta sabendo que daquilo não vinha boa coisa. - Como assim madura? E "outra vez"? Quantos anos você tem, Chungha?

Jeonghan sentiu toda a sua pele, cada mili centímetro, se arrepiar intensamente com o sorriso que a vampira abriu enquanto limpava as lágrimas do rosto.

**

A noite estava sendo uma caixinha de surpresa para Jeonghan e ele se pegou imaginando mais outras novidades teria até a hora que colocasse a cabeça em seu travesseiro.

Não foi preciso tanto tempo para que o jovem anjo tivesse uma resposta para suas perguntas noturnas. Agasalhado até o nariz, com direito a toucas, luvas e um cachecol de bolinhas, estava a última pessoa que Jeonghan esperava encontrar - tão inesperado quanto Chungha contando sobre sua paixão por Seungcheol.

Era Wonwoo.

Definitivamente, Jeonghan decidiu que sua noite não poderia ficar mais turbulenta - talvez chocante fosse uma palavra mais adequada.

Toda a sensação de espanto que ele teve ao ver o jovem demônio apoiado na grade que cercava o prédio se dissipou quando, ao olhar no fundo dos olhos de Wonwoo, encontrou uma tristeza que nunca tinha visto antes.

- Wonwoo?

Wonwoo pareceu ligeiramente mais contente por ver Jeonghan parado a sua frente o observando com tamanha curiosidade.

- Sei que sou a última pessoa que você imaginou ver hoje...

- Você não faz ideia. - Jeonghan sussurrou para si mesmo.

- Mas, eu não sabia para onde ir.

Um silêncio incomum se instalou e o anjo se perguntou se deveria ou não quebra-lo. Por fim, quando identificou a angústia nos olhos de Wonwoo, resolveu dizer:

- Você não quer entrar? Está frio aqui fora.

Os ombros do demônio caíram tão rapidamente quanto seus olhos de encheram de lágrimas, mas Jeonghan percebeu o alívio que habitava neles. Sua mente se encheu de várias perguntas, questionando quais motivos levaram Wonwoo a procurá-lo naquela noite, entre tantas pessoas a qual poderia ter recorrido.

Percebeu, então, que Wonwoo não precisava de perguntas apressadas. Talvez de um banho quente, alguma xícara com chocolate e, quem sabe, um abraço forte. Independente do que fosse, Jeonghan decidiu que estaria ali por ele.

Quando eles subiram e Wonwoo aceitou tomar um banho, ainda com o rosto manchado de algumas lágrimas e quase sem voz, enquanto Jeonghan se oferecia para preparar um chocolate quente e arrumar alguns cobertores para o meio demônio dormir, o anjo decidiu que seria apropriado ligar para Mingyu.

Agradeceu internamente o dia em que Seungkwan o entregou os números de seus amigos, mesmo que tenha achado inútil no dia, agora finalmente via uma utilidade.

Ele só não esperava que o homem do outro lado da linha o atendesse com tanta rapidez. Por alguns segundos Jeonghan ouviu apenas uma respiração pesada e acelerada, comum em alguém que praticou exercícios recentemente, ou estava deveras desesperado.

Ao ouviu a voz de Mingyu, Jeonghan soube que a segunda opção era a mais correta.

- Alô?

- Mingyu? Sou eu, Jeonghan. - achou apropriado se identificar levando em conta a possibilidade de Mingyu não ter seu número.

- Ah, Jeonghan. - a decepção em seu tom quase ofendeu o anjo. - Precisa de algo? Eu estou... estou um pouco ocupado.

Jeonghan não precisava de muito para saber, com certeza, finalmente, que Mingyu era um possível motivo para o estado de Wonwoo.

- Wonwoo, ele veio até mim.

A exclamação de surpresa acompanhada do suspiro aliviado foram esclarecedores para o anjo.

- Ele... ele está bem? Eu...

Foi de cortar o coração ouvir tanta angústia perdida no tom de Mingyu. Jeonghan quase podia ver o jovem agarrado ao telefone pressionando-o no ouvido desesperado por uma resposta que desse alívio ao seu coração enquanto sua mente se tornava uma turbulenta confusão.

- Ele está... não sei se "bem" é a palavra certa. Wonwoo estava na entrada do meu prédio e pediu para passar um tempo aqui.

Do outro lado da linha só houve o silêncio. O máximo de ruído que Jeonghan podia identificar eram as respirações pesadas e ritmadas de Mingyu, como se ele tentasse a controlar como uma forma de acalmar a si mesmo.

- Eu só...

- Eu posso vê-lo?

Jeonghan quase não ouviu o sussurro do outro lado da linha e por alguns segundos pensou que estivesse imaginando aquela pergunta vindo do rapaz Kim. Quando não houve mais nenhum som, o anjo deduziu que Mingyu esperava uma resposta sua.

- Eu não sei se Wonwoo quer vê-lo agora, Mingyu.

- Eu entendo. - doeu nele ouvir um tom tão tristonho vindo do outro lado da linha. Não queria se intrometer nos assuntos daquele casal, mas ter Wonwoo chorando em seu banheiro enquanto Mingyu se lamentava ao telefone o obrigava a tomar alguma medida.

- Eu não sei o que aconteceu exatamente entre vocês, mas eu posso dizer que, talvez, o que ambos precisem é de tempo. Espere até amanhã para falar com Wonwoo, quem sabe não será mais fácil quando vocês se acalmarem.

Jeonghan pensou estar ouvindo um choro do outro lado da linha, mas não pôde ter certeza, pois a voz de Mingyu parecia suficientemente controlada quando ele tornou a falar:

- Você sabe, por acaso, qual tipo de demônio Wonwoo é?

Não era o tipo de coisa que o anjo esperava ouvir naquele momento, então torceu para que seu silêncio convidasse Mingyu a continuar.

- Wonwoo, por mais que não pareça, é mais poderoso do que você imagina. - ele parecia ter certo orgulho ao dizer aquilo. - Ele é um íncubo.

Jeonghan definitivamente conhecia íncubos. Demônios perigosos, para dizer o mínimo, mas extremamente espertos quando necessário. Nunca imaginou que Wonwoo seria um deles.

- Aqueles dos sonhos? - sua pergunta foi apenas para confirmar o óbvio.

- Você sabe o que eles fazem quando entram nos sonhos. Toda a coisa da sedução e depois a morte. - Jeonghan conhecia as histórias de como íncubos entravam nos sonhos das pessoas, a seduziam até que não restasse mais nada da pessoa e, então, lhe davam a morte mais cruel possível. Eles eram conhecidos por venderem seus trabalhos, normalmente matavam sob encomenda, mas se divertiam no processo. O fato de fazerem tudo isso enquanto a vítima estivesse dormindo era o que os tornava tão perigosos. - Wonwoo nunca entrou nos sonhos de ninguém. Ele sempre se esforçou muito para evitar isso e sua parte humana o ajudava muito a controlar os... os sonhos.

- E então? - Jeonghan mal conseguia controlar a curiosidade em sua voz.

- A duas noites Wonwoo entrou em um sonho. - Jeonghan tentou não pensar o pior, mesmo que fosse difícil devido às circunstâncias. - Ele não sabia que era um sonho até hoje. Ele tinha entrado no meu.

O fato de Mingyu estar vivo era um bom sinal, pelo menos.

- E o que aconteceu?

- Eu não sabia que era ele entrando em minha cabeça, pensei que era apenas um de meus sonhos comuns. Eu costumo sonhar com Wonwoo com frequência, mesmo que sejam sonhos... - ele não precisou completar para que Jeonghan soubesse a resposta. - Quando ele me disse que havia sonhado comigo percebi que tínhamos compartilhado aquela noite. Fiquei com medo de dizer a ele porque sei o quanto Wonwoo tem medo do seu lado íncubo.

Mingyu tomou seu tempo para respirar e Jeonghan até pensou em apressa-lo com medo de que Wonwoo saísse do banho, mas resolveu se calar.

- Hoje eu resolvi contar a ele e me arrependo totalmente dessa decisão. - a voz do outro lado da linha começou a ficar fraca e rouca e não precisou de muito para que o anjo percebesse o choro chegando. - Wonwoo entrou em pânico com medo de me machucar, disse que jamais poderia viver consigo mesmo se fizesse algo comigo em meus sonhos e jurou que faria de tudo para impedir isso. Eu jamais imaginei que "tudo" para ele seria ir embora enquanto eu estava no trabalho. Cheguei em casa e parte das suas roupas tinham sumido, junto com ele próprio. Nunca fiquei tão assustado, com medo de perder Wonwoo para sempre.

- Eu sinto muito.

Mingyu fungou.

- Wonwoo acha que se afastar de mim é a melhor solução para evitar que algo como aquele sonho aconteça.

- E você pode culpa-lo? - não houve resposta. - Wonwoo está com medo de machucar a pessoa que mais ama e por causa disso tomou algumas decisões questionáveis, mas isso não nos dá direito de julgar suas ações quando elas são feitas apenas pensando no seu bem estar.

- Eu só quero tê-lo comigo. Quero lidar com isso ao seu lado, não com ele fugindo de mim.

Jeonghan sentiu uma dor de cabeça se formando.

- Acho que agora você deve esperar. Amanhã, quando todo esse nervosismo passar, talvez vocês possam conversar e resolver as coisas com calma.

Mingyu ficou em silêncio, mas Jeonghan podia imagina-lo assentindo do outro lado como um garoto obediente.

- Pelo menos pode me manter informado?

- Se quiser, mas vale lembrar que não estamos no fundamental e que, como adultos, não devíamos agir como se eu fosse o pombo correio enquanto vocês não tem uma conversa.

- Prometo que não vai ser assim. - Jeonghan quase não acreditou quando percebeu que Mingyu estava chorando do outro lado da linha. - Vou resolver isso logo.

- Vocês vão resolver isso. São uma dupla.

- Nós vamos. - pelo menos o homem do outro lado a linha parecia acreditar fielmente nisso.

- Vá dormir, Mingyu.

- Boa noite, Jeonghan.

E a ligação se encerrou.

**

Depois que Jeonghan finalmente conseguiu convencer Wonwoo a dormir na cama enquanto ele ficava confortavelmente no chão, o demônio pegou no sono tão rápido que ele se preocupou se aquilo não tinha sido mais um desmaio do que o sono.

Convencido de que o outro rapaz estava bem, o anjo se deu o direito de ver algumas baboseiras no celular para o tempo passar. Haviam quatro mensagens no seu bate-papo e ele conseguia imaginar que, pelo menos duas dela eram de Seungkwan. Assim que abriu o aplicativo, a mensagem mais recente era mesmo o amigo tritão, confirmando os pensamentos de Jeonghan. Ele comentava algumas coisas sobre seu dia continuando a conversa que estavam tendo nas outras mensagens.

Mesmo depois de responder Seungkwan, duas outras notificações estavam aparecendo na tela. Ele carregou o aplicativo para revelar, por fim, uma nova conversa, nunca iniciada antes. Foi impossível não reconhecer a pessoa da foto que acompanhava o nome. Era uma nova mensagem de Seungcheol.

Nela dizia as seguintes palavras, com uma frieza ironicamente incomum para o salamander:

"Fiquei sabendo que Wonwoo está na sua casa"

Jeonghan pensou bem antes de responder aquilo e decidiu que estava cansado demais para responder com grosseria. Continuou a conversa:

"Sim, parece que as notícias correm rápido"

Em alguns segundos a resposta chegou:

"Só estou mandando essa mensagem para te dar um dica, se quiser"

"E qual seria?"

"Wonwoo é um demônio e, por causa disso, sente mais frio do que as pessoas no geral. Se puder dar um ou dois cobertores a mais para ele"

Jeonghan ficou realmente surpreso com aquela mensagem. Esperava muitas coisas vindo de Seungcheol, mas era uma novidade aquele comportamento gentil. Lembrou-se das palavras de Chungha.

Correndo, o anjo pegou mais cobertores e jogou sobre o corpo encolhido de Wonwoo ouvindo-o suspirar contentemente com o calor que o aconchegou.

"Obrigado pela dica"

"E outra coisa, sei que já sabe dos poderes do Wonwoo, mas não precisa se assustar, por causa das suas naturezas obviamente opostas, ele nunca vai conseguir entrar nos seus sonhos"

Jeonghan se sentiu ofendido e sabia que, apesar de ser por Seungcheol pensar assim dele, era mais pelo fato de ser Seungcheol a pensar assim dele.

"Eu não tenho medo dele, nunca tive. Sei que, apesar de não parecer, por causa do sangue dele, Wonwoo é uma pessoa muito boa e jamais me faria mal"

"É como dizem: as aparências enganam. Won é o perfeito exemplo disso"

"Você também, Seungcheol"

O salamander demorou para lhe dar uma resposta e Jeonghan sentiu que não devia ter respondido com aquelas palavras, Seugcheol se perguntaria de onde veio aquilo e ele teria que expor a conversa que teve com Chungha, coisa que se negava a fazer com todas as suas forças. Pouco tempo depois a resposta chegou:

"Você acha isso? É um elogio?"

"Eu não acho nada, não te conheço o suficiente para responder isso"

"Podemos mudar isso"

"Sinto que é só uma questão de tempo"

Jeonghan estava com o coração batendo a mil se sentindo a pessoa mais ousada do mundo. Pensou o que seus pais achariam de suas respostas ao salamander e imaginou a sequência de sermões que receberia dos tios por estar sendo tão pouco polido com uma pessoa que nem mesmo era celestial como ele.

Estabeleceu que aquilo não importava naquele momento.

"Você está me dando esperanças, Jeonghan?"

Tinha aprendido com alguns seriados - e Seungkwan - que uma ótima forma de terminar uma conversa como aquela era não termina-la.

"Jeonghan?"

"Você está mesmo me ignorando?"

"Rebelde demais para um anjo"

A última mensagem que leu antes de silenciar as mensagens e bloquear o telefone foi:

"Está bem, eu posso lidar com isso. Boa noite, anjinho"

Quem visse seu sorriso naquele momento jamais acreditaria no Jeonghan de alguns dias atrás que jurava de pé junto que não estava, de modo algum, paquerando - como ele mesmo dizia - o salamander.


Notas Finais


Eu não to trazendo uma atualização aleatória sem aviso não né?

Ai meus querubins, tenho tanto para dizer, não sei por onde começar. Comecei a faculdade tem quase um mês e meu Deus como ela toma meu tempo em níveis absurdos. Sem contar que eu tenho que cuidar de uma casa, não estava preparada para isso. Toda a minha rotina de escrita se desestabliziou e só Deus sabe quando as coisas vão voltar ao normal.

Felizmente consegui terminar o capítulo e eu estou tão animada com a história. Quero muito que vocês gostem do que estou planejando então tento fazer da melhor forma possível. As vezes eu me desanimo por causa da demora da construção dos capítulos, mas então recebo mensagens tão maravilhosas de vocês leitores e isso me anima a continuar.

Bom, sobre o capítulo, mal tenho o que dizer. Chungha revelou algo interessante, será que o Jeonghan vai se tornar talarico meus amigos? Ah, como eu amo um capítulo. Ela também trouxe um pouco de um Seungcheol que a gente não tinha visto antes, o que acharam?

Nem preciso falar do Wonwoo e da verdadeira identidade de demônio dele, não é? O jovem é muito poderoso, caros leitores e isso nem sempre é algo bom. "Com grandes poderes vem grandes responsabilidades". Sinto que vocês irão se surpreender muito com as espécies de cada um na história.

Eu realmente não sei quando poderei atualizar de novo, mas espero que em breve. Qualquer novidade importante eu sempre posto no perfil, então se vocês quiserem me seguir para receberem as mensagens.
Beijos e até a próxima att!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...