História Asas Mortais - Capítulo 5


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OOIIIIII *-* Que felicidade em te ver por aqui, clicando na notificação. <333333

Capítulo 5 - Sintomas Evidentes


Fanfic / Fanfiction Asas Mortais - Capítulo 5 - Sintomas Evidentes

Capítulo Cinco. Sintomas evidentes.

 

Ponto de Vista de Sophia Emmy Hummel:

A cada inspirada seu másculo cheiro adentrava minhas narinas de forma hipnotizante. Seu peitoral sobe e desce lentamente conforme sua leve respiração, meu ouvido em contato com sua pele poderia ouvir o som mais gratificante de seu coração bombeando em conectividade ao meu. Os fortes músculos que se envolviam ao meu redor, causam-me boas sensações de proteção. Eu gostaria de daqui nunca mais sair. O insistente sorriso em meus lábios denunciava o quanto meu subconsciente ama sentir-se desta forma, ama sentir o efeito de Nicholas sobre meu corpo.

O relógio digital pendurado na parede a frente denunciava-me que uma manhã se iniciava. Apesar da noite sempre reinar sobre o céu, os ponteiros gritavam exatas 7 horas da manhã. Eu deveria levantar para começar a me arrumar, mas meu corpo arreia.

Olho para Nicholas, adormecido em um sono pesado. Por um momento, meu coração aperta ao pensar que preciso levantar, meu coração chora lamentável em ter que dizer tchau para essas sensações. Antes de por fim vencer a tentação, abracei-me sobre seu corpo mais uma vez, sentindo seu calor emanando intenso de sua pele bronzeada.

Suspirei ao perceber que os minutos continuam passando. Gostaria tanto de parar no tempo, e deste momento mais aproveitar. Após mais uma olhada em seu rosto tão angelical, enfim criei coragem o suficiente para conseguir levantar. O contato de meu pé com o gélido chão causou-me calafrios. Desanimei-me, por não poder saciar meus verdadeiros desejos, nos braços de Nicholas estava tão quentinho.

Novamente suspirei, criando coragem de finalmente caminhar ao banheiro. Caprichei em minha higiene matinal, muito bem detalhada e demorada, afinal após entrar em minha jornada em busca das Pedras, não saberei quando eu poderei usufruir de um banheiro descente novamente.

A roupa que destinaram a mim, era confortável, porém justa o suficiente para realçar minhas poucas curvas. O material da roupa parece ser bem resistente, preparada para o que possivelmente eu poderia enfrentar. O tênis também tinha seus benefícios, digno de um atleta profissional, sua sola aguentaria a qualquer solo. E como complemento, prendi meu cabelo em um coque firme, para impedir que os fios me atrapalhem em qualquer que seja a situação de rápido reflexo.

Assim que me julguei preparada, pelo menos fisicamente, retirei-me do banheiro. Logo me deparo que Nicholas não se encontra mais no quarto, como imaginado ele deve ter ido se arrumar. Foquei minha atenção no horário, que anunciava as 8 e pouco da manhã. Espantei-me, acabei por demorar mais do que eu planejei.

Retirei-me rapidamente do quarto, temendo estar atrasada. Imagine que cena linda, eu ser a única que perdeu o horário. E que vergonha senti ao adentrar o cômodo do que parecia ser uma cozinha amadeirada, tornando-me o centro das atenções de todos presentes. Eu realmente perdi o horário.

— Bom dia. — sussurrei envergonhada, caminhando rapidamente para a única cadeira vazia na mesa retangular que servia um banquete saudável para aquela manhã. Nicholas, ao meu lado, levou sua mão levemente a tirar uma mecha do meu cabelo que acabara de cair sobre o meu rosto com meus bruscos movimentos apressados. Demoro tanto para não fazer nem um coque descente.

Por um momento, foquei minha atenção em Nicholas, muito bem arrumado, faz meus pensamentos novamente denunciarem a vontade de meu coração.

 — Bom dia Sophia. — Despertei-me de imediato com a fala de Lenos, guiei meu olhar a ele, a quem me olhava gentilmente enquanto levava, cauteloso, uma xícara de café à sua boca, bebericando ao líquido quente. — Estávamos justamente falando sobre um assunto que possa ser de seu interesse.

Por um breve e rápido momento, foco minha atenção em Nicholas, a quem me oferece um pão caseiro de muito boa agradável aparência e cheiro, aceitei o alimento, não contendo o barulho esfomeado de meu estômago ao lembrar-me que há muito tempo não vejo comidas normais. Repentinamente, meu desejo infalível foi naquelas panquecas que eu sempre comia pela manhã, e não me contive quando meu olhar esfomeado focou-se em um prato repleto delas. Posso jurar que meus olhos brilham de emoção, eu poderia me enfartar de comer com a saudade imensa de alimentos que não sejam aquele roedor de carne amarga do qual era obrigada a comer por não ter opções. Hoje eu posso escolher de tantas opções que tenho, julgo que comerei de tudo um pouco.

— Fique à vontade. — Lenos disse gentil ao perceber minhas intenções. E com certeza, ele não precisou falar duas vezes, enchi meu prato de diversas comidas das quais eu gostaria de comer. Alguns me olham com vergonha alheia, porém quero ver eles conseguirem aguentar passar dias comendo apenas uma carne mais amarga que existe. Não me acanhei, meus desejos, principalmente pelas panquecas, quase me deixam louca.

Me lembro que a última vez que tive tantos desejos assim fora em meu período menstrual, sempre desejando acima de tudo um bom chocolate belga. Por um momento, paralisei meus movimentos com meus pensamentos, quase engasgando-me. Meu ciclo menstrual, eu não o tenho desde o mês passado, eu nem ao menos tinha tido minha vida virado de cabeça para baixo, era apenas uma mulher normal tentando não ser demitida do décimo trabalho em um curto período de tempo.

A preocupação me atinge violenta, apesar da tentativa de minha mente enlouquecer-me com teorias loucas, procurei controlar minhas emoções ao máximo para não me abalar muito, afinal meu ciclo menstrual atrasado pode ser apenas uma coincidência, não pode ser um sintoma exclusivo de gravidez.

— Creio que você deve ter visto as manchetes de jornais que relatavam sobre suas vidas, e merece uma explicação. —  Lenos tomou completamente minha atenção ao relatar sobre um fato que realmente é de meu grande interesse. — Temos uma bruxa vidente que trabalha no esquadrão de notícias para nossa sociedade. — Ele iniciou uma possível explicação para o fato. — Depois que a verdadeira família real desapareceu, o povo se afogou em um mar de tristeza e desesperança, e ao domínio da Coroa Negra tudo piorou. Quando enfim descobriram uma essência tão pura que pudesse se equivaler a real, foi rapidamente falada entre o povo, todos se apegaram à notícia como forma de esperanças por dias melhores. Então vendo nisto uma forma da força do povo crescer, começaram a propagar todas as notícias que detinham desta detentora da essência tão pura. As notícias voavam longe em questão de segundos, mas apesar disto, sempre foram muito cuidadosos para essas notícias não caírem em mãos erradas. Vocês lutavam de um lado, e o povo torcia esperançoso do outro.

Engoli em seco por um momento, nervosa com a temida confirmação de minha descoberta. Minha vida realmente tem sido noticiada o tempo todo como um show de entretenimento. Balancei minha cabeça tentando não demonstrar tanta preocupação pelo fato.

— Não se sinta chateada. — Lenos continuou compreensivo, bebericando novamente sua xícara de café. — Afinal você foi a luz de muitas pessoas que acreditam que a esperança renasceu.

Antes que eu pudesse dizer algo, fui interrompida por meu estômago a revirar. Um homem, desconhecido a mim, passou por nós, deixando seu forte odor de cigarro. O odor nada agradável causou um reboliço em minha barriga. Franzo o cenho, confusa de meu enjoo repentino, ainda menos sem entender por sua causa ser apenas um cheiro. Meu desejo pela comida já não tinha mais a mesma intensidade. O bolo alimentar já na minha goela, ameaçava um vômito eminente.

— Com licença. — Rapidamente retirei-me da mesa, em passos apressados a caminhar para o banheiro mais próximo. A intensidade do enjoo causava-me tontura. Mal pisei no banheiro, só foi o tempo de abrir a tampa do sanitário, que o bolo alimentar era arrastado bruscamente para fora de meu organismo.

— Ultimamente, você anda tendo muito enjoo. — Nicholas apareceu ao meu lado, massageando minhas costas. O susto por sua fala me causou ainda mais nervosismo, eu deveria contar a verdade. — Acho que seu estômago precisa passar por uma reeducação alimentar, não está se adaptando muito a tudo isto.

Encaro-o sem saber exatamente o que dizer, tento forçar minhas palavras a saírem em pronunciar a verdade sobre todos esses sintomas. Pode até não ser que seja gravidez, mas de fato, todos esses sintomas estão me causando uma apreensão enorme para a tamanha coincidência.

— Nicholas, peça para Madalenne fazer um chá, por favor. — Lenos chamou minha atenção. Nicholas olhou-me por segundos, e logo levantou-se, retirando-se em concordância ao que Lenos informou.

— Eu lhe ajudo. — Lenos ergueu sua mão em minha direção, ajudando-me a levantar. A tontura fazia tudo girar, fazendo com que eu tenha que respirar profundamente diversas vezes para conseguir me recuperar de minha fraqueza.

— E quando você vai contar para Nicholas sobre o bebê que carrega no ventre? — Arregalei meus olhos imediatamente com sua fala, nervosa por ele ter percebido. Poxa, enjoos não são sintomas exclusivos de gravidez, eu poderia estar apenas com uma infecção intestinal. Suspiro, enganar a mim mesma não é o adequado.

— Eu não sei. — sussurrei, com diversas hipóteses nada boas em minha mente sobre a reação de Nicholas quanto a isto. A melhor resposta para sua pergunta seria: quando eu mesma acreditar nisto. — De qualquer forma, não tenho a confirmação que estou grávida. Quanto a previsão da profecia, pode ser apenas mitos.

— Não desafie a grande profecia. — ele deu um leve riso nasalado. — Sabemos que você é a portadora, mas também sabemos que para que a profecia possa se cumprir, o fruto do bem e do mal, no caso um filho de dois anjos distintos, precisa nascer.

— Eu sei, mas... — Engoli em seco. — Isto é assustador. Saber que eu posso estar carregando um bebê em meio de tempos de guerra, como o protegerei? Como cuidarei dele? Eu... —  suspirei pesado, temerosa. — Eu tenho medo sobre isto.

— Ajuda é o que não faltará. — Lenos tomou a palavra em compreensão. — Muitas pessoas estão ao seu lado, darão a vida para que a profecia se cumpra. — Desviei meu olhar, agoniada com o pensamento temeroso que novamente se apossa de mim. Muitos estão apostando em mim, e se eu não conseguir? — Eu tentei conversar com o Nicholas sobre essa parte da profecia. — Lenos voltou a falar causando-me extremo susto por sua revelação. — Se você quer saber, Nicholas estava começando a desconfiar de seus sintomas. Mas ele é cético demais, afinal nunca se foi possível a junção de um anjo da luz com um anjo da noite, uma antiga lenda não permitiria. Há milênios atrás, sua dimensão ainda nem tinha sido criada, dois anjos distintos se apaixonaram, causando uma discórdia enorme entre todos. Como punição, eles foram hipnotizados e obrigados a matarem um ao outro, suas lágrimas banharam a dimensão sobrenatural em uma imensa tristeza, e quase causou a revolta de muitos seres do bem pela extrema injustiça. Segundo rege mitos, um poderoso deus, porém inferior ao famoso Deus dos céus, criou assim a dimensão dos humanos, para servir de entretenimento para esse desejo da família destruída, e assim jogou uma maldição sobre a dimensão dos sobrenaturais. Para que as regras nunca mais fossem quebradas, aquele que se envolver com alguém de natureza distinta carregará de imenso sofrimento, a mulher desta relação proibida se tornaria infértil para toda eternidade. Há quem defenda este mito, Nicholas é um deles, por isto acha que seria totalmente impossível que você esteja grávida. Mas o que ele não consegue enxergar, é que muitos milénios depois disto, este mesmo deus se arrependeu desta maldição, e percebeu que esta junção poderia ser o equilíbrio entre o bem e o mal, por este motivo fez surgir a profecia que te rege, como um pedido de desculpa e uma aliança que bons tempos estavam novamente por vir.

Engoli em seco ruidosamente com a história contada, sem saber ao certo o que dizer quanto a isto. A cada vez mais descubro que a profecia tem um enredo muito maior do que eu sequer imaginava, muita história está por trás de todo o seu mistério.

   —  Sophia, tome muito cuidado com a jornada que iniciarão hoje, por favor, por mais que não acredite completamente que você o carrega, proteja-o com todas as suas forças. —  Lenos disse firmemente com convicção. — Consegue me prometer isto?

Seus olhos praticamente imploram-me em uma súplica. Apenas limitei-me a assentir, extremamente incomodada com este assunto. De fato, não faço a mínima ideia de como eu contarei para Nicholas de um possível bebê, se no momento eu não tenho meios que realmente me comprovem sobre esta gravidez. Se tudo não passar de uma lenda, eu só estaria nos preocupando à toa. Ainda torço para que as consequências daquela única noite entre mim e Nicholas não sejam tão marcantes desta forma, muito menos que a história que Lenos acabara de contar seja real.

— Eu... — suspirei, a verdade que eu não sei nem o que pensar disto tudo. Minha vida virou de cabeça para baixo em tão pouco tempo. Fui alvo de acontecimentos que eu nunca pensaria presenciar, e fiz coisas que jurei que nunca faria. Meu mundo está de ponta cabeça, minha vida uma bagunça, meus pensamentos abalados e meus sentimentos só pioram tudo. Quando enfim eu poderei respirar fundo ao voltar a ter uma vida normal?

— Eu farei meu possível. — Enfim respondi sua anterior pergunta, mesmo que eu ainda finja a mim mesma que não estou de fato grávida.

Lenos sorriu, e pela primeira vez eu talvez não me sinta em estado tão auto defensivo em relação a ele. Eu realmente devo ter confundido as coisas, uma vez que até o momento Lenos apenas mostrou-me motivos para confiar.

Suspirei pesadamente em frustração por minha mente estar tão turbulenta. Há tantas coisas para pensar, tantas coisas para planejar, executar e resolver. Eu poderia explodir de tanto estar forçando respostas inexistentes.

— Aqui está o chá. — Nicholas parou sobre a porta do banheiro, carregando uma xícara com o conteúdo quente. Saí do banheiro, meio atordoada, pegando a xícara que Nicholas me entrega, logo agradecendo-o. — Esse chá vai equilibrar seu estômago. Está melhor?

Apenas limitei-me a assentir em resposta à sua pergunta. Após o vômito, o enjoou passou um pouco, mas ainda me sinto meio estranha. Antes de segui-lo de volta a cozinha, terminei o de tomar o chá e caminhei ao quarto em que eu estava hospedada, retirando da enorme mochileira alguns objetos de higiene para realiza-la novamente.

Outro fato que também me causa estranheza, é a vontade frequente que estou sentindo hoje de ir ao banheiro urinar. É líquido que não acaba mais.

Após julgar-me desta vez pronta o suficiente, peguei meu mochileiro colocando-o sobre minhas costas. Apesar das diversas coisas que coloquei, ainda se encontra equilibrado em seu peso. Saí do quarto, sabendo que com toda essa situação já perdemos muito tempo, que não demora em passar de forma ameaçadora.

Ao chegar no salão central, todos que partiriam na viagem conosco estavam presentes, cada um devidamente equipado com seus mochileiros e vestes específicas. Franzi o cenho em insatisfação ao focar meu olhar em Katherine, a quem evidentemente também nos acompanhará.

Desviei meu olhar incomodada, preciso controlar minhas crises de ciúme, isso não me ajudará em nada.

— Então não se esqueçam das instruções. — Lenos dizia autoritário e ao mesmo tempo carregando certa preocupação paterna. — Seu mochileiro pode ser seu melhor amigo em dificuldades, com os melhores equipamentos. Sei que não tiveram tempo de ter um treinamento digno e adequado, mas que a força da profecia esteja com vocês. Estamos torcendo para que consigam.

Pouco tempo depois, partimos em busca das famosas Pedras de Prim. Katherine sabia bem o caminho ao qual percorrer, seria nossa guia apenas até a Cidade das Almas, lugar onde se encontra a primeira pedra. Ainda tento entender como posso saber exatamente o local em que uma pequena pedra estará, em meio de uma cidade enorme. Sobre o que Lenos informou, que a pedra se mostrará para mim e eu apenas saberei que caminho trilhar, é meio vago. Eu nem sequer nunca estive neste lugar, pelo menos não que eu me lembre, como conhecerei e saberei do local exato?

Suspirei frustrada e apressei meus passos ao alcança-los, estava tão perdida em pensamentos que nem reparei que estava me afastando do grupo e ficando para trás. Guio meu olhar a Nicholas, e não consigo esconder o ciúme ao observa-lo conversar com Katherine sobre um assunto que lhe causa breves risos nasalados. Cruzo os braços, inconformada comigo mesma, afinal foi eu quem o dispensei, de certa forma.

“Tá legal, mas o que eu poderia fazer? Ele é prometido em casamento a outra. E eu me dou o respeito.” Novamente suspirei, incomodada com a situação.

Repentinamente, despertei de meus pensamentos ao perceber uma movimentação estranha nas folhagens atrás de nós. Ao guiar meu rápido olhar em direção do som, sucumbi um grito assustado, deparando-me com grandes criaturas enormes. Pareciam mais com enormes minhocas de rosca que se enrolavam de forma horizontal e rolavam como um pneu feroz e pesado em direção de suas presas, arrisco em dizer que se passarem por cima de alguém certamente o fazem de picadinho, e temo em perceber que suas presas somos nós.

— Corram!

Nossos passos apressados desciam pela ladeira erosiva da mata, enquanto ao mesmo tempo arremessávamos feitiços para tentar atrapalha-los ou até mesmo mata-los. Mas a maioria parecia sair ilesa, rolando ladeira abaixo quase a nos alcançar.

Ao chegar ao final da ladeira, deparamos com um imenso lago. Katherine já se apressava a pôr uma canoa, que há pouco tempo estava escondida entre as folhagens, próximo a lagoa.

— Rápido, entrem! — Katherine gritou apressada, e logo todos assim fizemos. — Precisamos atravessar a lagoa.

Ryan e Nicholas se apossaram rapidamente dos remos, sincronizando seus movimentos, locomovendo apressadamente a canoa, deixando para trás todas as criaturas que se erguiam e grunhiam insatisfeitas.

 Repentinamente, assustando-nos, as grandes criaturas submergiram sobre a água, causando ondas enormes ao transformar as águas calmas em agitadas e perigosas. Ryan e Nicholas apressam-se ainda mais, intencionando atravessar o mais rápido possível. Enquanto isto, Katherine e Josh arremessam feitiços sobre as sombras que se formam nas águas, prevendo serem as criaturas. Engoli em seco, tentando me controlar para também ajudá-los.

Porém assim que me preparei para realiza-lo, um esbarrão sobre o rígido material da canoa me assustou. Respiro fundo, preciso me concentrar. Mas novamente outro empurrão foi dado na canoa, desta vez tão fortemente que fez-nos virar no lago, logo sendo engolidos por uma imensa onda.

O impacto da água extremamente gelada, dificulta meus movimentos, fazendo-me tremer em frio. Procurei rapidamente voltar a superfície, temerosa pela imensa profundidade do lago. Porém antes que sequer me aproximasse, uma das enormes minhocas passa ameaçadora perto de mim, erguendo-se em minha direção com ameaça.

Imediatamente, apressei meus movimentos para voltar a superfície, mas senti navalhas ponte agudas fincarem sobre minha perna esquerda. Num impulso, gritei dolorosa, acabando por liberar todo meu oxigênio. A peculiar criatura abocanhava minha perna ferozmente. Tentei chuta-lo com a outra perna, mas nada adiantava.

Senti minha pele quase a ser rasgada quando ele me puxou para baixo, a ausência de oxigênio também não é algo a contribuir. Meu raciocínio se esvaia, debatendo-me várias vezes.

Repentinamente, um brilho luminoso em dois cristais azulados fez-se presentes. Antes que eu pudesse perceber, a sereia partiu rapidamente a grande minhoca ao meio, soltando um líquido amarelado.

Seu olhar focou-se em mim fixamente, aproximando-se rapidamente a me segurar e tentar arrastar para o fundo, eu tentei resistir, mas meu corpo começa a debater-se pela falta de oxigênio. Minha cabeça ganha um enorme formigamento, como minhas veias fossem estourar.

Desesperei-me, vendo a superfície ficar cada vez mais longe, sendo puxada em direção ao fundo do lago, enquanto meu corpo dá o último brusco movimento, fazendo-me erguer automaticamente meus braços e pernas como uma cruz, minha boca abre-se levemente soltando os últimos restantes do oxigênio que me mantinha ainda lúcida. Meus olhos estão opacos, não consigo mexer minhas pálpebras com coerência, nada em meu corpo corresponde. O pavor me consome ao temer minha morte.

Quase a desfalecer, sinto a pressão da mão de barbatana sobre meu braço aliviar, não demorando para uma pressão ainda mais forte firmar-se sobre minha pele. Desta vez, percebo que subo rapidamente para cima, sendo arrastada pela forte mão da pessoa de silhueta masculina que nos emerge.

Ao chegarmos, na superfície, não tive forças suficientes para conseguir inspirar o ar. O desespero aperta-me em maior intensidade, vendo minha solução de salvação a minha frente e não conseguir usufruir.

Percebo que a mesma mão forte, massageou minhas costas, que em segundos fez-me cuspir uma grande quantidade de água e inspirar tão profundamente o tão clamado oxigênio, a ponto de me engasgar.

Aos poucos a lucidez voltava para meu raciocínio, com o ar oxigenando meu cérebro. Percebo que uma pessoa me chacoalha. Nicholas encontra-se na minha frente, em sua expressão a preocupação é extremamente evidente.

Sem mais demoras, Nicholas ergueu meu corpo para a canoa, a qual já tinham desvirado. O interior da canoa possui pouca água, a mesma que Katherine rapidamente tenta retirar para dar-nos o equilíbrio necessário a flutuar. Uma tosse repetitiva atingiu-me em descontrole. Tento respirar calmamente, intencionando reeducar minha respiração que se encontra tão afoita. Nicholas subiu rapidamente enquanto Josh deferia diversos tiros sobre uma das enormes minhocas que nos ameaçavam.

Quando Nicholas estava quase dentro da canoa, uma mão esverdeada em barbatanas colocou-se rapidamente sobre seu rosto, puxando-o em um rápido e firme movimento de volta a dentro do lago, o submergindo.

Assustei-me imediatamente, rapidamente tentando segui-lo, porém Ryan impediu-me, segurando-me enquanto Josh pulava atrás de Nicholas. Engoli em seco atordoada, meus pensamentos amedrontam-se com possibilidades temerosas, e minha perna intensifica a dor em minha ferida causada pela criatura. Encaro as águas agitadas, procurando esperançosamente pelos dois enquanto meu coração se aperta cada vez mais em apreensão pelo indesejado.

Para meu alívio, Nicholas e Josh emergiram pouco tempo depois. Nicholas acabara de ganhar um corte fundo em sua bochecha direita, imagino a briga que tiveram contra as sereias. Faz-me lembrar sobre a previsão que os enlaminados previram para Nicholas sobre uma futura luta contra sereias. Engoli ruidosamente, lembrando-me da minha previsão. Eu preciso esperar o momento certo para contar a Nicholas, mesmo que possa não ser verdade.

Nicholas e Josh subiram rapidamente na canoa, rapidamente pegando os remos e direcionando-nos apressadamente para a outra borda do lago. Percebendo que as estranhas criaturas novamente nos alcançariam, aproximei-me da borda da canoa, e concentrei-me em meus poderes, lembrando-me de todas as instruções de Josh, logo soltando-os contra elas, enquanto Ryan guiava-se a realizar um feitiço que dava mais velocidade para nossa superfície e Katherine concentrava-se em tirar a grande quantidade de água que adentrava o interior.

Ao batermos contra a areia molhada do outro lado, imediatamente retiramo-nos da canoa. Percebo que a dor em minha perna some aos poucos, observo que o grande ferimento estava cicatrizado por meus poderes sobrenaturais. Ainda vou demorar para me acostumar com isto. Sem perder tempo, corremos e nos escondermos na mata, sabendo que ainda somos perseguidos por algumas das criaturas que saíam das águas em nossa busca.

A minha frente a grande criatura como uma minhoca de rosca enorme erguia-se em ameaça, rondando ferozmente em nossas buscas. Prendi minha respiração ofegante, escondida entre o mato alto.

— Venham. — o sussurro de Katherine foi fraco, porém firme o suficiente para que escutemos. Ela está parada na frente de uma toca mais afastada. Cautelosamente, permanecendo-nos escondidos, demos lentos passos em sua direção. Franzo o cenho, agora percebendo que não se tratava de uma pequena toca, mas sim uma caverna.

O grunhido ameaçador das criaturas a nossa busca, assustou-nos, fazendo-nos apressarmos a atravessar ao grande portal da caverna escura. Logo o feitiço de luminosidade foi estabelecido, iluminando suficientemente o local. O eco de nossos passos e algumas goteiras, causa uma sensação de claustrofobia pelo local fechado que adentrávamos cada vez mais, a deixar as diversas criaturas para trás. Apesar disto, Katherine lidera o grupo com passos rápidos rumo a outra saída. Ela parece bem conhecer cada situação, cada lugar. Tenho que admitir que ela é uma boa guia.

Estranhamente, ela olhava para todos os cantos, apressando ainda mais os passos, como se soubesse que alguma criatura sombria habita aquela caverna. Não demorou muito para que enfim eu soubesse o que ela tanto aparentava temer. Diversas aranhas corriam pelas paredes e teto da caverna, passando inclusive por nossos pés de forma a começarem a subir em nossos corpos. Debatemo-nos rapidamente, e logo já corríamos o mais rápido que podíamos para livrar-nos daquela infestação.

Ao enfim chegarmos ao final da caverna, percebemos uma luminosidade laranjada partindo do lado de fora, causando-nos questionamento. Porém não tivemos muitas escolhas, a não ser atravessar rapidamente a saída, por ainda estarmos sendo caçados pelas aranhas. Minha pele se empolava com os pequenos insetos subindo por meu corpo.

Ao chegarmos ao lado de fora da caverna, as aranhas voltavam a dentro, correndo em direção oposta. Logo detectei que a luminosidade alaranjada era oriunda de um poste de luz. Sua lâmpada emanava a luz tão intensa e concreta que parecia ter sido trocada há pouco tempo.

— Venham. —  Katherine chamou minha atenção ao se aproximar do poste. — Precisamos tirar o excesso de bactérias causados pelas aranhas.

Ela pousou-se abaixo da intensa luminosidade, erguendo seus braços em uma cruz. Franzi o cenho, confusa ao achar que ela endoidou. Mas antes que eu pudesse ao menos questionar seu comportamento, sobre a luminosidade surgiu uma quantidade razoável de um pó brilhante, que grudava em seu corpo, sumindo aos poucos, absorvido por sua pele e roupa.

Ela saiu de baixo do poste, e Josh se aproximou. Estranhamente, o mesmo efeito aconteceu. E posteriormente com Ryan e Nicholas. Percebi então que era a minha vez. Franzindo o cenho, ainda confusa do que acontecera, aproximei-me do poste, adotando a mesma posição que os demais. Não demorou para que o pó luminoso caísse sobre minha pele, absorvendo-se. Fechei meus olhos por um momento ao pensar ter sentido uma sensação de renovação.

Ao abri-los novamente, enfim percebi do que se tratava o poste. Algum tipo de recarregador de essências.

— Achava que isto fosse apenas um mito. — Josh sibilou.

— Na verdade, ainda existem poucos desses. — Katherine explicou. — Com a crueldade da Coroa Negra, estão extinguindo estes postes, como um incentivo ao povo de caçar as essências em pessoas humanas, em maior contribuição para o crescimento da violência.

— Nestes postes não há muita essência, nem se compara com a humana, mas até que é uma quantidade agradável. — Nicholas comentou, encarando seu corpo em expressão de revigoramento.

Inconscientemente, meu olhar focou-se a uma luz vermelha um pouco afastada. Brilhava de forma incandescente, chamando grandemente minha atenção. Enquanto eles conversavam, aproximei-me cautelosamente. Porém antes que eu conseguisse alcança-la, tropecei em algum material rígido sobre meus pés. Guiei rapidamente meu olhar ao solo, imediatamente levantando-me. Há ossos ao chão, extremamente finos, dando a evidencia que algum animal foi decomposto aqui.

Ao guiar novamente minha atenção a luminosidade, agora mais próxima, percebo que a pequena luminosidade era oriunda de um botão avermelhado fincado no meio de um tronco de árvore apodrecido. Curiosa, aproximei-me, tocando levemente minha mão sobre o material rígido. Quase que imediato ao meu simples toque, assustei-me com uma voz eletrônica se pronunciar do tronco:

— Personificação aceita.

Estreitei os olhos confusa e ao mesmo tempo desconfiada sobre aquela reação, eu nem ao menos apertei o botão, apenas toquei-o. Repentinamente assusto-me com as folhagens e árvores a minha frente desmancharem-se em pó, chamando atenção do restante. Todos encaramos assustados a revelação que se apareceu a nossa frente.

Revela-se um grande portão que dava acesso a uma paisagem curiosa por trás. Havia vários amontoados imensos de terras, com tocas e túneis, assemelhando-se a um enorme formigueiro.

Assustei-me imediatamente com uma criatura estranha a surgir no portão. Longos esqueletos formavam um alto homem de rosto desfigurado. Seu olhar é fixo e ameaçador, como uma promessa de que se não fosse pelo imenso portão o impedindo, ele me faria ver minha própria morte.

Afastei-me imediatamente assustada assim que ele grunhiu um chiado ensurdecedor, chamando a atenção de muitos outros, que apareciam nas saídas das tocas.

Repentinamente, despertei de meu susto ao perceber as folhagens voando com a brisa gelada. O céu em escura tonalidade era coberto por pesadas nuvens carregadas. O gélido intenso tão repentino do ambiente, faz nossas respirações tornarem-se visíveis, anuncia bem que há um perigo eminente a nos rondar.

Nicholas aproximou-se de mim, conforme a ventania aumenta. Sua expressão ao olhar-me demonstrava preocupação, dando-me ainda mais a confirmação sobre meus temerosos sentimentos sobre a situação. Algo está errado.

A ventania aumenta gradativamente, causando um vento intenso e muito perigoso. As folhagens das árvores eram sacodidas com tanta intensidade que se implantava a impressão de que nossos corpos poderiam ser levados.

Por uns momentos, resolvemos correr para procurar por abrigo, porém nada seguro achamos. Entrei em pânico ao perceber que meu corpo era erguido lentamente do chão como se fosse sugado pela ventania desgovernada. Nicholas segurou-me firmemente, voltando-me ao solo. O forte vento bate sobre nossos corpos de forma extremamente brusca. Algumas plantas finas e pequenas eram levadas ar acima.

— Precisamos nos prender. — Josh supôs a ideia, referindo-se à uma grande árvore próxima a nós. Com seu tronco alto e largo, causa a impressão que seu material rígido, cravado ao chão por raízes enormes, impediriam que a árvore fosse levada pela forte ventania.

Sem outras opções, retiramos os equipamentos individuais de cordas com fivelas, um equipamento semelhante ao de alpinismo, e prendemos rapidamente em nossos corpos e a árvore, fixando-nos no mesmo lugar.

O impacto do vento contra nossos corpos é tão grande que nos levantam do ar, suspensos do solo, e presos apenas pela corda. A fivela bate freneticamente, ameaçando se abrir. Seguramo-nos mais fortemente sobre a árvore.

Repentinamente, um forte barulho se fez presente, como se diversas coisas fossem arrancadas com extrema força do chão. Ao guiar nossas atenções, exatamente na direção atrás de mim, vemos as árvores mais finas serem arrancadas do solo pela forte ventania como se fossem leves penas. Para um maior desespero, ao longe um perigoso redemoinho em vento espantou-nos.

Nossa única opção, era permanecer-nos firmes sobre a grande árvore, na prece mais sincera de que suas grandes raízes sejam fortes o suficiente para não perder para o redemoinho, uma vez que se soltarmos das cordas seríamos facilmente levados.

— Sob nenhuma hipótese ergam suas asas. — Ryan instruiu em tom de alerta. — A forte ventania não é causada naturalmente, possui feitiços que inibiram seus poderes. Suas asas podem virar pó.

Conforme a ameaça se aproximava em rápida velocidade, nossos corpos eram quase sugados em sua direção, suspensos no ar. As cordas tremem, ameaçando se partirem. O pânico não me deixa sucumbir um grito de pavor ao perceber que as raízes da grande árvore tremiam, as quais em pouco tempo, cederam, sendo bruscamente arrancadas do chão.

Em um rápido movimento, Nicholas segurou-me fortemente contra ele, se pondo a minha frente na intenção de me proteger dos galhos da árvore que acabara de levantar voou. Segundos a flutuar foram o suficiente para o redemoinho alcançar-nos, jogando-nos em rápidos movimentos circulares, levados pela forte corrente de vento. Tentávamos ao máximo nos proteger dos outros objetos que eram arremessados ameaçadoramente sobre nós em companhia do vento.

Ao olhar ao meu redor, percebo que há um longo caminho a percorrer pelas tocas, mas logo após, surpreendo-me com uma surpreendente iluminação de uma grande cidade urbana que gerou minha grande admiração. Arrisco em dizer que se trata da Cidade das Almas, enfim a encontramos. Não é tão longe, mas também não tão perto.

Próximo a mim, percebo as expressões de medo e desespero que cada um se lamenta. Guio meu olhar abaixo de nós, vendo a imensa altura que nossos corpos são impulsionados. Engulo em seco ruidosamente, temendo não sairmos vivos. Fecho meus olhos fortemente, sentindo uma tontura imensa me atingir com os bruscos movimentos circulares repetitivos.

Assim que voltei a abri-los com um dos gritos de Katherine superior aos outros, deparei-me com o extremo perigo. Uma nuvem próxima a nós, relampeava carregada de raios. Nicholas olhou-me, balançando a cabeça negativamente como se confirmasse que não sobreviríamos. Pela primeira vez, enfim senti uma angustia quanto ao bebê que possivelmente carrego em minha barriga. Temendo, morrer aqui, peguei a mão de Nicholas e pousei-a sobre minha barriga. Seu olhar é tão profundo como se todos as nossas voltas não mais restassem, como se somente nós dois estivéssemos aqui. Não precisei pronunciar nenhuma palavra para que ele entenda meu recado. Sua expressão carrega espanto, melancolia. Guiou seu olhar a minha barriga, visivelmente engolindo em seco. Logo seu olhar voltou a mim, surpreso. Seus olhos me transmitem uma pergunta assustadora, a mesma que também me atormenta, apenas assenti em resposta. Nicholas fechou seus olhos fortemente, visivelmente atordoado, engolindo diversas vezes em seco. Então ele enfim sabe da gravidez.

Os fortes trovões ameaçaram nossa aproximação das nuvens carregadas. O redemoinho não para, forte e firme, rumo aos raios. Apavorada, fechei fortemente meus olhos, sentindo o temor consumir minhas lágrimas a descerem dolorosas por meu rosto. Sinto a mão de Nicholas mais firmemente sobre minha barriga, fazendo-me voltar a encara-lo.

“Não vou perdê-los.”, seu murmuro labial fora o suficiente para fazer um calafrio subir por toda minha espinha com sua firmeza. Nicholas, repentinamente ergueu suas grandes asas negras, causando-me espanto e preocupação pela orientação anterior de Ryan. Franzo o cenho, preocupada, sem entender o que ele faz, suas asas podem virar pó.

Nicholas segurou firmemente sobre o tronco da árvore e impulsionou-a rapidamente para baixo, mas como Ryan tinha instruído momentos anteriores, a ventania parecia mais forte até mesmo para sua força sobrenatural, tragava uma luta contra os esforços de Nicholas.

O primeiro raio cortando o espaço a poucos metros de nós fez Nicholas erguer suas asas de forma mais completa e poderosamente, levando sua mão ao tentar soltar sua fivela da corda.

“Eu te amo”, seu murmuro labial fora como uma facada em meu peito. Eu sabia que aquilo seria uma despedida. Um sufocamento me atingiu pela extrema preocupação, fazendo-me agarrar-me em Nicholas implorando para que ele não faça o que estou temerosamente pensando. Mas, ele apenas me beijou, pousando sua mão, mais uma vez, por minha barriga. Meu coração palpitou na nota mais dolorosa quando rapidamente ele se desfez da fivela, e com um poderoso bater de asas, empurrou o grande tronco conosco para longe.

Meu grito rasgou minha garganta em pavor, vendo nos afastar dele, a quem ainda preso no redemoinho era jogado contra os poderosos raios, fazendo um imenso clarão no céu cegar nossas vistas, enquanto sentia nossos corpos chegarem ao solo com um imenso impacto, afastando-nos do redemoinho. Franzi o cenho com dor em todo meu corpo, a fraqueza me atingiu imensamente, mas nada se compara a dor em meu peito em medo pela vida de Nicholas.

Ignoro meus machucados e guio rapidamente meu olhar para onde Nicholas estava, em uma esperança de encontra-lo. Meu grito era embolado na dor avassaladora ao saber que ele não resistira, vendo seu corpo adormecido cair afastado, rapidamente consumido pela gravidade.

Juntei todas as minhas forças, ignorando todas as dores em meu corpo, e em um rápido movimento desafivelando a corda e erguendo minhas asas em um apressado empurrão a mim mesma, chegando mais rapidamente ao solo abaixo de Nicholas. Por muito pouco, consegui alcança-lo, pegando-o sobre meu colo. Uma dor aguda ataca em minha barriga, porém minhas atenções estão voltadas apenas a Nicholas desacordado.

Desesperei-me em um pavor ainda maior ao ver seu estado desolado. Seu rosto, não diferente de seu corpo, possui queimaduras graves, e suas asas estão aos pós. Toquei desesperadamente em seu pulso, procurando por qualquer pulsação, mas qualquer sinal de sua respiração é inexistente. Meu choro compulsivo rasga meu peito em extrema dor de perdê-lo. Um sufocamento intensifica um poço profundo e sem saída. Não consigo continuar, não consigo sem ele. Eu não posso perdê-lo. Imploro em minhas súplicas mais sinceras para que Deus o traga de volta. Minha mente doe em confusão, em melancolia, estou atordoada, perdida. Não sei nem ao menos meu nome, eu não precisaria saber de mais nada, apenas quero acordar desse pesadelo. Quero que me digam que isso é mentira. Por favor me digam agora.

Minhas mãos trêmulas sobre seu corpo tomado pela gravidade, sem qualquer sinal de vida, mostram-me o quanto a dor emocional pode ser bem mais devastadora que a física. Sinto meu corpo em trêmulos, minha mente está em curto circuito.

— Deixe eu tentar reanima-lo. — percebo uma silhueta masculina se aproximar, chamando minha atenção enquanto outro homem me puxa pra longe. Eu não consigo identifica-los, minha vista parece um borrão, minha mente está tão confusa. Apenas quero que o corpo de Nicholas estirado ao chão, levante-se. Que ele volte para mim, por favor.

Debato-me nos braços fortes que me impedem de me aproximar novamente, enquanto de relance percebo que o homem perto de Nicholas tenta realizar todos os meios de reanimação. A cada segundo o aperto mais me consome, deixando-me à beira de uma loucura.

Após um tempo, o homem, a quem penso ser Josh, afastou-se, balançando sua cabeça negativamente em lamentação. Meus gritos saíram do controle, meus movimentos bruscos me soltaram no mesmo instante, voando a perto do corpo desfalecido de Nicholas.

— Por favor.. — meu trêmulo sussurro saiu fracamente, consumido por um desespero maior. Eu não consigo assimilar minha realidade, meus gritos não cessam. Eu preciso dele de volta, por favor não façam isso comigo. Doe, doe muito, por favor pare essa dor. Traga-o de volta. — Você não podia ter feito isso comigo. Não podia ter dado sua vida pela nossa.

Abracei fortemente seu corpo, escondendo minha cabeça em seu peitoral. A ausência de batimentos cardíacos me deixa em extremo pânico, sinto como se eu fosse desmaiar, não sustento meu próprio peso. Por favor me ajude, traga-o de volta.

De relance, ouvi o forte trovão quase a sacudir a estrutura do solo. Atordoada, sem saber ao certo o que fazia, apenas ergui minhas asas, levantando-me. Minhas pernas estão fracas, trêmulas, todo meu corpo está consumido pela lamentação, pelo sufocamento, pela dor avassaladora.

Rapidamente, sem pensar direito, elevei-me com minhas asas céu acima, aproximando-me dos raios. Por um momento foquei-me em Nicholas estirado ao chão, sentindo a dor roubar meus últimos suspiros de esperança. Fechei lentamente meus olhos, sussurrando palavras em linguagem estrangeira que repentinamente pareciam sussurradas a mim.

Senti uma mão suave segurar a minha, firmemente. Não procurei ver quem era, nem teria o mínimo raciocínio para compreender ou discernir sua identidade. Minha mente está tão atordoada que nem ao menos me lembro onde estou, ou o que vim fazer aqui. A única coisa que é vivida em meu ser é Nicholas.

Ao terminar minha fala incompreensível, ergui minhas mãos ao céu. Senti uma forte corrente eletrizante passar pela exata mão que estava entrelaçada a de outra pessoa, e em um rápido movimento abri meus olhos, apenas vendo o raio carregado de negatividade das nuvens sendo aparados em nossas mãos e transformado em uma corrente fina de eletricidade branca e luminosa que se guiava exatamente ao peito esquerdo de Nicholas.

Sua recuperação de um grande jato de oxigênio fora o suficiente para acordá-lo em sua vida novamente. Meu corpo pareceu pesar imediatamente, com um esboço de um sorriso por vê-lo vivo novamente, mas a sensação de alívio parecia tirar-me todas as forças como se meu corpo desfalecesse aos poucos, vindo a desabar no ar.

Ao virar meu rosto em sua direção, enfim vi a pessoa que segurava minha mão. Eu certamente deveria me assustar, me surpreender, mas meus sentimentos estavam tão pesados pelo imenso susto que acabara de presenciar, que nem ao menos consegui resistir à tentação do desmaio. Mas apesar de tudo, sinto que enfim meu coração encontra a paz, vendo exatamente minha mãe erguida em suas grandes asas brancas, sendo ela a pessoa quem acabara de me ajudar. A surpresa é imensa por vê-la tão bem, meu coração se acalma.

Sentindo meu corpo chegar ao chão, perdi o equilíbrio ao cair. A dor em minha barriga estava mais intensa que anteriormente, eu não conseguiria mais ignora-la, minha coluna se contorce pelo avassalador. De repente, o líquido aquoso e evidentemente sangrento que passava por entre minhas pernas, alertava-me do perigo. Levei minhas mãos trêmulas rapidamente para minha barriga, temendo pelo pior.

— Não. — minha mãe lamentou ao aproximar-se de mim. Pisco meus olhos em repetidas vezes, não acreditando que a vejo viva, bem, totalmente diferente da cena que tanto me atormentava dela naquela cama de hospital. Eu deveria ficar feliz, mas a extrema dor em minha barriga fez-me deixar de lado qualquer sentimento bom, consumindo-me com uma sensação de morte.

Eu sei que tanto duvidei, sei que tanto debochei de que isto poderia ser verdade. Mas agora eu acredito, eu acredito na gravidez. Meu coração se parte dolorosamente ao pensar que desta vez possa ser tarde demais.

A mão de minha mãe pousou sobre a minha firmemente, em uma esperança. Tão rapidamente, Ryan, Josh e Katherine cercavam-me, cada um pousando suas respectivas mãos sobre as nossas. Dificultosamente, Nicholas estava ao meu lado, olhando-me entre a dúvida e a certeza, o medo e a firmeza, o espanto e a preocupação. Em suas expressões percebo o quanto ele está abalado pela notícia que descobrira de forma tão fora do comum, abalado por saber que o filho é dele, abalado por ser pai. Seu olhar é vago, confuso, evidencia uma luta interna. Não preciso saber o que se passa pela sua mente neste exato momento para saber que sua reação a isto o deixou atordoado. Sei muito bem que em breve teremos uma conversa sobre o assunto, o que me causa grande apreensão por não saber ao certo o que ele poderia dizer.

Hesitante, Nicholas engoliu em seco, e em dificultoso movimento pousou sua mão sobre as demais.

Pelo poder conferido a rainha de Orgidon, ordeno que sejam reconstruídos os tecidos da vida. — Mamãe gritou firmemente em uma prece em latim, que pela primeira vez eu compreendi sua verdadeira fala. Não tive tempo para me questionar sobre isto, pois tão rapidamente o forte barulho do portão abrindo-se se fez presente, em consequência muitas daquelas criaturas correm perigosamente em nossa direção. Mas antes que pudessem nos alcançar, um clarão iluminou todo o ambiente, causando um cansaço enorme em minhas pálpebras, fazendo-me apagar completamente.

Em meu último pedido, clamo para o bebê esteja bem.

 

 

 

{HISTÓRIA REGISTRADA NA BIBLIOTECA NACIONAL} Amparado pela Lei 9.610/98 (Lei de Direito Autorais) em combinação com o Código Penal Brasileiro. Para melhor compreensão, vide o artigo 184 do Código Penal (Pena de Detenção: 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa). Nos casos previstos nos parágrafos §1° e §3° deste mesmo artigo: (Pena de Reclusão: 2 (dois) anos a 4 (quatro) anos, e multa). Não queira ficar atrás das grades por um comportamento inadequado. Converse com o(a) autor(a), peça autorização antes de copiar total ou parcialmente sua obra !  É menor de idade? Dê uma olhada no ECA e verás quais medidas socioeducativas você será penalizado, além de seus pais serem responsabilizados. A LEI AUTORAL NÃO É FALHA, O QUE É FALHO SÃO OS PÉSSIMOS PROFISSIONAIS DO DIREITO QUE NÃO SABEM APLICÁ-LAS. ACREDITE QUE COMO ADVOGADA, NÃO MEDIREI ESFORÇOS PARA APLICAR TODAS AS MEDIDAS JUDICIAIS CABÍVEIS ATÉ QUE AS AÇÕES INDEVIDAS SEJAM PENALIZADAS. **


Notas Finais


**AOS MEUS VERDADEIROS LEITORES, PEÇO QUE DESCONSIDEREM O AVISO NO FINAL, DESTINA-SE APENAS AOS PLAGIADORES EM POTENCIAL.
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Oi meus anjos, como vocês estão? Tentei ao máximo não demorar. Mas infelizmente tenho a notícia de que o próximo capítulo demorará um pouco mais, devido ao meu trabalho. Tentarei ao máximo arranjar um tempinho para postar o próximo em um tempo curto, porém desde já explico se caso eu não consiga é devido ao meu trabalho.
Então enfim Nicholas sabe sobre a gravidez.. descobriu de um jeito meio atordoante, mas enfim descobriu. O que será que se passa pela mente dele sobre o assunto? Descubram no próximo capítulo que será narrado pelo próprio Nicholas.
Até lá, beijinhos. Me contem por favor o que acharam, eu amaria ouvi-los. <3
Agradeço imensamente pelo carinho de vocês comigo, deixa-me realmente muito feliz. <3


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