História Asas para Jeongguk - Capítulo 5


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags A Nossa Nenê, Angst Pq Né, Bottom!jeongguk, Bottomnochu, Btsugarrainbow, Cadeirante, Fluffy, Jikook, Parkhoseokzinha, Top!jimin, Vhope Pq Sim
Visualizações 535
Palavras 5.092
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Festa, Fluffy, Lemon, Romance e Novela, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


boa leitura ~♡

Capítulo 5 - Quinto: Taylor Swift e amigos novos


Fanfic / Fanfiction Asas para Jeongguk - Capítulo 5 - Quinto: Taylor Swift e amigos novos

Capítulo 05


E lá estava ele, naquele mesmo local de anos atrás. Era próximo ao Natal — a época mais linda do ano para Jeongguk — e os mais diversos tipos de pessoas transitavam por lá, todas desesperadas por presentes para seus entes queridos. Algumas delas corriam agarrados a mochilas, bolsas caras ou simplesmente corriam, uns em direção às lojas mais baratas e outros em direção às mais caras e a finalidade de Jeongguk era exatamente a mesma.

Os olhinhos curiosos de criança vagavam inquietos e ansiosos pelas fachadas brilhantes do outro lado da rua e que piscavam sem parar, doido pra encontrar logo uma que lhe agradasse. Era algo simples, simples até demais, mas no momento em que as íris escuras do garotinho viram a pessoinha verde no semáforo, indicando que os pedestres poderiam atravessar, a única coisa que o Jeon fez foi soltar sua mãozinha pequena do aperto dos dedos de sua mãe, avançando à frente da pequena multidão.

Na sequência, nada mais além luzes e gritos foram ouvidos pelo garoto. O olhar maquiavélico de alguém cravado em sua mente, assim como o cantar de pneus no asfalto. Jeongguk não sentia dor, mas o sangue nas suas próprias mãozinhas lhe preocupava, assim como o fato de olhar para suas perninhas e vê-las dobradas, sem responder aos seus comandos. Aos pouquinhos, os olhinhos foram fechando, os berros de sua mãe não eram mais ouvidos e nem vistos e Jeongguk apenas queria dormir um pouquinho.

Jeongguk abriu os olhos instantaneamente, os lençóis suados que lhe rodeavam estavam gelados, o moletom grande grudado ao tronco enquanto um calafrio lhe atravessava os músculos, a respiração descompassada e acelerada, assim como os fios escuros estavam grudados na testa. Pesadelos relacionados ao dia fatídico do pior acontecimento de sua vida eram bem mais frequentes do que ele gostaria, mas eles continuavam lá, mesmo que ele tentasse expulsá-los de todas as formas; eles sempre vinham lhe assombrar como os fantasmas que eram.

Respirou fundo em busca de ar fresco, sentindo o que se alojava dentro de seus pulmões pesado demais, o deixando quase que sufocado com ele. Levou as mãos a testa, sentindo o suor pintar sua pele ao mesmo tempo em que retirava os fios de sua franja que grudaram ali, os deixando de lado enquanto passava a manga do moletom pela mesma, retirando parte dele. Encarou o teto por alguns segundos, vendo alguns pequenos raios de sol irromper sua janela e desenhar as paredes lisas com os feixes, mostrando que já era manhã, cedo demais, mas ainda assim era de manhã. Pôs-se a fechar os olhos com força em demasia, em uma tentativa deveras falha de espantar as imagens mórbidas de seu passado que alojavam-se com firmeza em sua mente. Era sempre sempre daquele jeito, poucos, bons e raros acontecimentos fatídicos de dias comuns eram sugados durante a noite, banhados em dor, lágrimas e suor, complementados com as imagens deprimentes e dolorosas do dia em que – inocentemente – Jeongguk apenas queria comprar um presente de Natal para seu pai.

Abriu os olhos abruptamente, focando as íris negras nas luzinhas amareladas piscando no teto do quarto – que por sua vontade, também formavam uma cascata de luz pela parede, essa que fora feita com a ajuda e manuseio de Park Jimin, o cara com quem Jeongguk iria passear naquele dia. Sem que fosse percebido por si mesmo, Jeon já tinha seus dentes salientes a mostra ao deixar seus pensamentos vaguearem até o vizinho de fios artificialmente cinzentos, os olhos encontravam-se brevemente fechados pela persistência de suas bochechas em manterem-se elevadas ao que os lábios curvavam-se em um sorrisinho bobo de alegria. Inicialmente tentou voltar a dormir, porém o sono não lhe agraciou com sua presença, o deixando completamente à mercê dos pensamentos negativos que provinham de seu pesadelo. Bufou, e sem opções tateou os lençóis ainda molhados em uma busca pelo celular que ganhou a alguns dias antes de mudar-se de fato. Encontrado o aparelho, informou-se do horário, esse que consistia em sete horas da manhã. Realmente, pensar em Jimin o fizera perder alguns muitos minutos enquanto o sol reivindicava seu trono, deixando os feixes de luz – anteriormente escassos – preencherem todo o ambiente que podiam.

Jeongguk resmungou ao passo que sentiu o próprio suor pegajoso em sua pele, sentindo asco de tudo aquilo em si. Tratou logo de levantar-se, puxando a cadeira de rodas para perto da cama e pondo-se para cima da mesma com o impulso de seus braços. Maneou a cadeira pelas rodas, mesmo que essa tivesse comando através de botões. Irrompeu pela porta do banheiro completamente adaptado para si e olhou-se no enorme espelho que fazia frente com a porta do cômodo claro. Jeongguk não se achava feio, porém também, não achava-se atraente – ou talvez fosse sua limitação física que o fizesse pensar assim. Desviou o olhar das pernas – naquele momento – inúteis e pôs-se a tirar as roupas com calma e cuidado, afinal não era fácil e também, gostava de fazer sozinho tudo o que pudesse. Era das pequenas batalhas diárias vencidas por mérito próprio que Jeongguk se orgulhava. Trocou de cadeira para que pudesse, finalmente, tomar um banho e livrar-se de todo o suor seco de sua pele.

Ao passo que a esponja banhada em sabonete líquido lhe resvalava pela derme, deixando um rastro branco pela espuma, os pensamentos corriam até os diversos momentos em que fizera de seu próprio banho, uma vertente de lágrimas. Atualmente, Jeongguk podia tentar ao máximo levar uma vida parcialmente normal, tentava fazer tudo o que podia, tudo o que queria. Tentava de forma incansável adaptar-se a sua condição física, e por mais que parecesse, nem sempre fora daquela forma. No início era tudo ainda mais complicado do que era nos dias de hoje, a aceitação não lhe acometeu de forma rápida e eficaz, o cérebro ainda trabalhava e maneava o próprio corpo como se ar pernas ainda estivessem exercendo perfeitamente o seu papel. Foi deveras difícil aceitar que não poderia mais andar, correr, jogar futebol, andar de bicicleta, foi ainda pior saber que não poderia os fazer porque sua mãe não permitia, e sim, porque o ato divino de andar fora arrancado de si sem dó nem piedade alguma. Quando deu-se por si, algumas lágrimas escorriam de seus olhos até a pontinha de seu nariz, caindo sobre as coxas desnudas que não lhe eram úteis para nada. Por muitos e muitos momentos Jeongguk perguntou-se qual era a finalidade de permanecer daquela forma? Não seria mais fácil ter, simplesmente, morrido? Por mais egoísta e egocêntrico que pudesse ser, por mais que pensar em seus pais sofrendo lhe fizesse desistir brevemente  de alguns pensamentos ruins, fôra inevitável não pensar em opções como aquela.

Mas não o faria, não tinha mais a graça de andar ou correr por aí, e era difícil se manter são com aquela condição que lhe fora jogada de repente. Contudo não faria daquilo, da falta de movimentos em suas pernas, um motivo para desistir de viver; tinha sim as dificuldades — muitas, tantas delas que o faziam chorar em plena frustração —, mas não estava só e isso o fazia reerguer-se a cada nova dificuldade que lhe acometia. Não faria de sua condição um mero motivo para desistir de tudo, não o faria mesmo.

Terminou o banho depois que engoliu o restante das lágrimas, rindo um pouco pela enxurrada de sensações horríveis pelo sonho que tivera, descartando-as de imediato para que aquilo não o deixasse amuado ou de mau humor, não queria descontar tudo em Jimin depois. Fez a transição da cadeira de banho para a sua normal — com uma toalha já arrumada por si antes de entrar no chuveiro —, sentando-se corretamente e puxando o pano felpudo para cobrir suas partes íntimas antes de voltar ao quarto. Voltou ao cômodo cantarolando uma música que grudou na sua mente no dia anterior, onde escutou até cair em sono profundo, pegando sobre a cama uma segunda toalha e enxugando seu tronco molhado, pouco a pouco retirando de si toda a água que banhou seu corpo agora a pouco.

Estava distraído a tudo a sua volta, apenas concentrando-se em vestir a roupa que escolheu, nem ao menos se dando conta da janela aberta e de um certo Park sorrindo de lado todo descarado enquanto via o tronco branquinho de Jeongguk. Assim que ergueu o rosto, foi que teve ciência do acinzentado ali, o fitando de maneira cínica e pervertida.

— O que tá’ olhando?! — gritou, usando a segunda toalha para cobrir seu tronco nu. Jimin elevou as mãos até a altura do rosto, apontando para os próprios ouvidos, indicando que não conseguia ouvi-lo por conta das janelas e a distância. — Imbecil. — formou a palavra nos lábios, sem que nenhum som deixasse a mesma, tendo um revirar de olhos como resposta, já que mesmo assim ele ainda não o entendia. Também revirou os olhos, pegando um de seus cadernos e uma caneta piloto, escrevendo no mesmo e mostrando para o Park.

Não seja um maldito pervertido, seu imbecil!”

Park riu alto, mesmo que o som não chegasse aos seus ouvidos, Jeongguk se deixou rir também. Gostava de ver Jimin rir, era fofo e agradável para si, mesmo que aquele fato fosse um tanto estranho a se dizer. Viu o outro sumir no quarto, voltando um segundo depois com os mesmo materiais que si próprio, escrevendo ali para depois revelar para o mais novo o que tinha no papel branco — ou não mais —.

Não acredito que vai me fazer bancar a loira sem sal da Taylor Swift!”

E novamente Jeon deixou que sua risada fofa reverberasse pelo cômodo claro, tirando um sorriso largo do Park. Rasgou a folha que usara, fazendo uma bolinha e atirando na pequena cesta de basquete presa em cima do cesto de lixo, acertando de primeira; sorriu, voltando-se para o caderno e escrevendo sua próxima “fala”. Ergueu o caderno, segurando o lábio inferior entre os dentinhos avantajados, tentando segurar o riso ao que Jimin fez um pouco de esforço para ler.

Como se você já não tivesse batido uma pra ela!”

Jimin bufou enquanto revirava os olhos, rindo em seguida ao que ergueu o dedo do meio, fazendo Jeon lhe devolver no mesmo segundo. Escreveu algo na folha seguinte, não se demorando muito naquilo ao que fechou a cortina da sua janela e deixou apenas o caderno a mostra, fato esse que fizera Jeongguk corar ao extremo, ele mesmo fechando as próprias cortinas ao mesmo tempo em que se colocava de costas.

Num mundo onde tem Jeon Jeongguk, você acha que eu iria bater uma pra Taylor Swift?”

Jimin é mesmo um sem noção descabido!

[...]

Já fazia alguns minutos que estava na mesa tomando café com os pais, tinha tirado a pequena “conversa” que tivera depois do banho com Jimin da cabeça, não queria transparecer o pequeno embaraço que ficou ao ler a última “fala” do Park. Então apenas ria da conversa descontraída, dos pequenos tapas que seu pai recebia de NamJin e percebia que — se um dia tivesse a oportunidade de casar-se — queria muito ter um relacionamento como o dos pais; eles brigavam sim, a época do seu acidente foi uma das piores para os mais velhos, mas se amavam tanto que em minutos estavam um atrás do outro cheios de desculpas e mimos. Então se fosse para casar e não ter um tipo de convivência, amor e carinho que os seus progenitores tinham, Jeongguk nem queria.

— Filho? — NamJin sacudiu a destra fronte ao rosto do filho, vendo-o encará-los tão compenetrado que chegava a dar medo, mesmo que ter os olhinhos esbugalhados de Jeongguk focados em ambos fosse engraçado.

— Hm? — sacudiu o rosto, ouvindo a risada dos pais ao que saía dos seus pensamentos para prestar, novamente, atenção na conversa.

— Já faz alguns minutos que estamos te perguntando se já terminou o café. — apontou para o prato pela metade, bem como a xícara com o tão precioso achocolatado vazia. Jeongguk sorriu sem graça, acenando positivamente para a mãe enquanto deixava a xícara sobre a mesa. — Então trate de se preparar, vamos ver o novo lugar do consultório médico. — bateu palminhas, completamente animada.

Jeongguk engoliu em em seco, ficando nervoso de repente. Não tinha dito sobre a saída que daria com Park Jimin, sabia que os pais eram liberais consigo — e amava aquilo demais —, mas ainda assim eram pais como outros e se preocupariam em deixá-lo com um quase completo estranho, zanzando pela cidade. Então tudo o que fez foi forçar um pequeno bocejo, junto a um espreguiçar.

— Não quero sair hoje. — fez manha, ornando um bico pequeno nos lábio a enquanto deixava a cabeça de lado na mesa, encarando os pais se entreolharem antes de suspirarem. — Eu posso ficar em casa hoje? Por favor! — desfez o bico, olhando todo esperançoso para os mais velhos.

NamJin agarrou a mão do marido quando este iria se negar ao pedido do mesmo. Tinham em mente que Jeongguk tinha suas necessidades e limitações, mas não poderiam simplesmente barrar cada vontade dele. Eram cientes do quão independente o filho era, de como ele é inteligente e consegue fazer coisas diversas com facilidade — mesmo que vez ou outra pedisse ajuda aos pais —, ainda assim sabia se cuidar e era responsável; cortar as asas dele porque o menino vivia numa cadeira de rodas era, com certeza, tirar a esperança e confiança que tinham no mesmo.

— Tudo bem meu amor. — sorriu, dando a volta na mesa e beijando os cabelos do filho. — Mas já que vai ficar, tenha muito cuidado e não apronte nada! — avisou, tendo um aceno positivo de Jeongguk e não vendo os dedos cruzados do garoto atrás de suas costas. — E lava a louça também. — riu da face indignada do mais novo, bagunçando os cabelos deste antes de deixar a cozinha junto ao marido.

— Se comporte Guk! — gritou JiYong da porta. — Nós voltaremos no fim do dia, até lá se precisar comer peça pizza, tem dinheiro no pote em cima da geladeira. — explicou. — Ligue se precisar de alguma coisa, a gente volta no mesmo segundo!

— Tudo bem! — gritou de volta enquanto ia até a porta da cozinha, vendo os pais acenarem ao mesmo tempo em que saíam de casa. — Eu sou um péssimo filho! — se lamentou, encarando os dedos cruzados com uma carinha tristonha no rosto.

— Qual é! Como se você nunca tivesse mentido para os seus pais antes.

Jeongguk pulou sobre a cadeira assim que seus ouvidos captaram o som conhecido e completamente inesperado. Olhou com desespero – e olhos arregalados – para o dono da cabeleira acinzentada e toda arrumadinha. Nos lábios bonitos do Park, estava bordado um sorriso maroto e malicioso, e foi então, com o olhar sacana e desprovido de decência, que Jeongguk entendeu do que se tratava aquele sorriso todo.

— Seu cretino do demônio! Como você entrou aqui?

— Eu tenho meus dotes Jeonggukie e entrar pelos fundos é um deles. — Jimin gabou-se, agarrando ambos os lados da jaqueta de couro e arrumando-a sobre o corpo, em um clássico movimento de soberba. Jeon tinha os olhos semicerrados em descrença do tamanho deveras grande da petulância que seu vizinho tinha, bem, petulância e cara de pau.

— Não acredito que você pulou o cercado da minha casa, Jimin. — e então, Jeongguk permitiu-se rir do riso alto que saiu dos lábios rosados do Park. — Você literalmente pulou a cerca.

— Ya! — Jimin estapeou o ombro do garoto, vendo-o rir e entrar – finalmente – para dentro. — Eu pulei a cerca por você, Jeonggukie.

As bochechas coradas não puderam ser escondidas da visão aguçada de Jimin, não quando o acinzentado o olhava tão fixamente. Involuntariamente fixaram os olhos uns nos outros em um olhar doce, os sorrisos enormes diminuindo aos pouquinhos, permanecendo somente sorrisos envergonhados e tímidos. Jeongguk então pode parar para olhar Jimin de uma forma que, naquele dia, ainda não tinha olhado. Park Jimin era todo lindo, da pontinha do nariz até a pontinha do dedo do pé, os cabelos platinados bem alinhados e visivelmente sedosos faziam as mãos do Jeon suar em demasia, os olhos pequenininhos e brevemente maquiados davam um ar ainda mais belo ao que – na concepção do Jeon – já era belo demais. Jeongguk não poderia deixar de fora os lábios de Park Jimin, estes sim eram exasperadamente lindos, o formato pequeno que combinava completamente com o formato de rosto, e também, com Jimin por inteiro, o volume de cada lábio fazia o Jeon imaginar o quão macios e sedosos eram eles, a forma como Jimin mordeu o lábio inferior em apenas uma carícia naquele local, atiçou Jeongguk de uma maneira sem igual e quando Jeon percebeu os lábios bonitos, que tanto admirava, estavam rindo abertamente, gargalhando e fazendo-o piscar rapidamente para retornar ao primeiro plano.

— Aish garoto, tá rindo do que? — a forma como Jimin ria, o corpo levemente jogado para frente com a mão sobre a boca encantava Jeongguk, mas também o irritava, já que Jimin riu muito. — O que que isso, Park Jimin?

— Aí, me ajuda. — Jimin disse se recompondo, rindo em alguns momentos e fazendo as bochechas do Jeon ficarem ainda mais coradas, só que dessa vez, eram por pura irritação. — Caralho Jeon, eu te chamei muito e você começou a arregalar o olho pra mim. Mano, foi demais.

— Mas você é muito idiota, hein, puta que me pariu. — Jeongguk bufou, passando por Jimin e deixando-o para trás, sem se importar, porém logo viu-o atrás de si. — É que eu vejo coisas às vezes.

— Vê coisas? Como assim, que coisas? — Jimin encostou-se na parede da cozinha, a expressão agora não era mais risonha e divertida, mas sim, preocupada e… com medo? — Tá me tirando, né?

— Não tô não, cara. É super sério, eu vejo o futuro, sabia?

— Olha aqui, para de brincar com a minha cara Jeongguk.

— Jimin é sério, eu vi uma coisa que vai acontecer agora, daqui a uns minutos mais. — Jeon aproximou-se de Jimin, este que tinha os olhos arregalados e encolheu-se levemente ao que Jeongguk aproximava-se de si. — E sabe o que é Jiminie?

— O quê? — Jimin pronunciou mais para si do que para Jeongguk, o receio praticamente palpável na voz.

Jeon então ergueu as mãos na direção do rosto do maior, puxando-o até que ficasse bem perto do seu rosto e o encarou profundamente nos olhos.

— Você lavando a louça do café da manhã, anda, vai fazer alguma coisa que preste enquanto eu me arrumo. — Jeongguk desatou a rir da cara completamente tediosa que Jimin fez, porém não importou-se, apenas apontou para a pia e depois para Jimin, girando a cadeia e percorrendo o caminho até seu quarto. — Quero tudo limpinho Jiminie! — gritou antes de fechar a porta de seu quarto.

Jimin rosnou baixinho para a ousadia do mais novo, encarando a pia com pouca louça, mas mesmo assim não tão pouca para a preguiça gigantesca que o acinzentado tinha por deveres domésticos. Deixou que um bico lhe tomasse os lábios, se prostrando em frente a pia e passando a lavar cada um dos pratos e copos e qualquer outra  coisa que não queria lavar, mas que se parasse poderia se dar muito mal; Jeongguk era um tirano, Jimin tinha que admitir.

Já no quarto, Jeongguk simplesmente se pôs em frente a janela enquanto ria bobamente. Era bom pensar que havia feito uma amizade tão natural de forma rápida, eram como velhos amigos, cúmplices e de uma estranheza quase inexistente. Jeon despertou dos devaneios com um barulho alto de louça batendo e um Jimin gritando um “desculpa” logo na sequência, riu nasalado, indo em direção ao armário grande. Assim que abriu as portas, segurou algumas roupas que ameaçaram cair de lá, já que Jeongguk havia ficado com preguiça de dobrá-las no dia anterior. Pegou a primeira calça que achou e um moletom melhorzinho, já que o seu era completamente velho e levemente desbotado. Jogou-se em cima da cama e vestiu-os com toda a calma do mundo, procurou suas meias favoritas do homem de ferro e colocou-as, seguidas por seu clássico all star vermelho. Depois de vestir as roupas escuras, Jeongguk voltou a sentar-se na cadeira, guiando-a até o banheiro para arrumar os cabelos. Penteou os fios escuros para baixo e logo depois um pouquinho para o lado – como gostava –, pintou os lábios com o seu brilho labial favorito e, por fim, um pouquinho de maquiagem sobre os olhos, afinal queria estar devidamente apresentável e bonito para conhecer os amigos de Jimin.

Depois de pronto seguiu até a cozinha, encontrando-a arrumada e cheirando a produto de louça, Jimin não estava lá então Jeongguk pôs-se a seguir para a sala de estar, encontrando Jimin jogado no sofá de forma preguiçosa e confortável. O Park tinha a cabeça jogada para trás e os olhos fechados, os lábios grossos entreabertos deixavam levemente à mostra a tortuosidade do dentinho fofo do mesmo, fazendo Jeongguk rir baixinho, mas mesmo assim chamar a atenção do garoto quase adormecido no sofá. Jimin abriu os olhos, sorrindo grande ao ser agraciado com um Jeongguk coradinho e com um sorrisinho nos lábios, ah, Jimin pagaria para ver aquele garoto bonito com aquelas bochechas coradinhas para o resto de suas vidas.

— Está pronto? — Jimin perguntou, juntando-se no sofá, já que estava todo jogado. Jeongguk assentiu, pegando o celular que estava em cima da mesinha e colocando-o no bolso do moletom preto que usava. — Vamos?

— Vamos!

— Tem problema pra você se irmos andando? Não é longe daqui. — Jimin perguntou, porém desmanchou o próprio sorriso ao ver Jeongguk baixar levemente o olhar. Então foi aí que Jimin percebeu o que havia falado. — Jeongguk, me desculpe… Não foi por querer.

— Tudo bem. — Jeon sorriu grande, não havia ficado desapontado com Jimin, mas também, não era algo com que se sentisse completamente confortável quando pronunciado. — Eu realmente acho que não tem problema nenhum.

— É sério Jeongguk, eu não fiz por mal…

— Ei, está tudo bem. — Jeon sorriu e ousou envolver a mão do Park com a sua, sentindo o quão quentinha e suada ela estava, talvez pelo chateamento e nervosismo aparente de ter se pronunciado de maneira equivocada. — Agora, se você demorar mais um pouco, eu não vou.

Jimin sorriu aliviado, sabia que havia agido de forma não coesa com a situação física do Jeon, porém, fora completamente espontâneo e sem maldade alguma. Apenas lhe escapou sem que pudesse controlá-lo primeiro. Suspirando de forma mais leve, Jimin deixou que Jeongguk fosse a frente para que pudesse trancar a porta e lhe entregar a chave assim que o fizesse. No decorrer do caminho Jimin trocou algumas mensagens com Hoseok, confirmando se ele e Taehyung já estavam a caminho do restaurante, no qual todos iriam comer juntos para que Jimin tivesse a oportunidade de apresentar seus melhores amigos para Jeongguk. Como o destino não era tão longe, porém não tão perto assim, e também como a cadeira de Jeongguk, por mais que fosse automática, não andasse tão rápido assim acabaram por levar longos e bons minutos até o restaurante favorito dos três amigos.

Chegando ao restaurante simples, porém totalmente a cara dos três adolescentes — agora quatro contando com Jeongguk —, os dois olharam em volta, Jimin procurando pelos amigos enquanto Jeongguk bisbilhotava cada cantinho do lugar novo, achando bem confortável e bonito.

— Ali estão eles! — Jeongguk saiu do seu pequeno transe maravilhado para olhar na direção onde Jimin apontava animadamente, avistando dois garotos sentados na mesa mais afastada, acenando de volta para os recém-chegados. — Vem Guk.

Jeon sorriu animado, achando engraçado toda aquela empolgação do Park, mas não se negando a aceitar que era bom para si vê-lo daquela forma completamente leve e descontraída. Gostava de Jimin, era fato, e ver o de cabelos cinzas feliz era realmente algo que o deixava alegre e de bom humor.

Adentraram mais no restaurante, passando com um pouco de dificuldades devido a cadeira de Jeongguk, o que tirou minimamente a sua animação, já que o espaço entre as mesas era um tanto estreito demais para que pudesse transitar corretamente e sem problemas. Foi difícil chegar até os amigos de Jimin, mas com a ajuda desse, Jeongguk passou pelo corredor sem tanto sufoco, sorrindo meio cabisbaixo para ambos os três rapazes.

— Oi. — acenou tímido, mas não ao ponto de corar para os enormes sorrisos que eram direcionados a si, não mesmo, ficara até mais animado e esquecendo momentaneamente o pequeno impasse que fora chegar até ali.

— Guk, esses são Jung Hoseok e Kim Taehyung, meus melhores amigos. — Jimin apresentou enquanto ajudava o mais novo a se colocar na mesa, retirando uma das cadeiras para que o Jeon pudesse tomar o lugar ao lado do seu. — Tae e Hobi, esse é Jeon Jeongguk, um amigo que fiz esses dias.

— Ele é muito bonito! — exclamou Taehyung, bem alheio a condição do outro, na verdade nem se importava, até porque quando tinha um garoto completamente fofo a sua frente, uma mera cadeira de rodas para si não era nada além disso. — Veja só Hoseok! — apontou para o Jeon, admirado com os dentinhos avantajados do menino, sorrindo bobo para este. — Ele me lembra um coelho. — divagou consigo mesmo, mesmo que sua fala pudesse ser ouvida pelo restante na mesa.

— Todas as pessoas que você conhece te lembram animais. — o Jung revirou os olhos, soltando um riso baixo. — Eu acho que ele parece uma criança, e não sei o que um garoto tão fofo quanto você faz perto desse merda aí. — apontou para Jimin, que apenas revirou os olhos enquanto Jeongguk ria. — Estou falando sério! Park Jimin é sinônimo de encrenca.

— Assim ele vai ficar com medo de mim. — Jimin reclamou, puxando uma cadeira para si e colocando-a ao lado da de Jeongguk.

— Eu consegui sobreviver ao fato de meu novo amigo ter sido pego bebendo e fumando nos fundos da escola, acho que eu sobrevivo a mais coisas como essa. — Jeongguk disse arrancando risadas do casal que estava do outro lado da mesa e uma expressão de descrença de Jimin, essa que era constituída de olhos sendo revirados e logo depois um cutucão nas costelas.

— Conte a eles que você me deu um banho também.

— Um banho? Gente, me ajuda. Como ele deu um banho em você, Park Jimin? — Hoseok quase gritou, porém, conteve-se devido a um aperto dado pelo namorado em sua coxa. — Você está corrompendo esse menino? Mas já?

— Um banho de suco. — Jimin argumentou.

— De uva. — Jeongguk complementou. — A camisa dele ficou toda fodida, fiquei até com orgulho.

— Desde quando você é assim, Jeon Jeongguk? — o Park virou-se para o Jeon, recebendo um riso fofo com direito a dentinhos salientes a mostra, enquanto Taehyung os observava e cutucava Hoseok, recebendo xingos e uma porção de “isso machuca”.

— Desde que você me fez cuspir meu adorado suco de uva. — Jeongguk deu de ombros.

Durante o tempo em que Jeongguk se propôs a conversar com Taehyung e Hoseok, Jimin o observou discretamente. Era curioso demais como, em tão pouco tempo, Jeon conseguisse arrancar risadas escandalosas de seus melhores amigos e cativar a todos com sua simpatia e sorriso bonito. Por sua vez, Jeongguk não deixou de olhar para Jimin com o cantinho de sua visão periférica, pegando-o sempre o espreitando com um sorrisinho satisfatório nos lábios, como se estivesse com um certo orgulho de vê-lo ali e feliz como estava. E Jeongguk de fato estava muito feliz, Taehyung era tão engraçado quanto Hoseok, inicialmente Jeon pensou que estes fossem apenas amigos, porém logo depois viera para si a informação de que ambos eram – não somente amigos, e sim – namorados de longa data.

No final, Jeongguk — mesmo sendo precipitado demais, não sabia — já se considerava amigo do casal, esses que conversavam tão animadamente e intimamente consigo, que lhe passava ainda mais a sensação de que realmente eram amigos novos. Sorria todo bobo, ainda mais quando era alvo do assunto e incluído tão igualmente por eles; Jimin realmente tinha pessoas incríveis ao seu redor.

— Você acredita que ele já me socou quando estava bêbado?! — Hoseok exclamou, daquele jeito todo energético dele, fazendo Jeongguk rir e negar afoitamente. — Ele bebeu demais na festa que fizemos no aniversário dele do ano passado, e do nada socou minha cara! — gesticulou, arrancando mais risadinhas do Jeon. Jimin revirava os olhos, mas realmente gostando do jeito que Jeongguk interagia e respondia aos assuntos postos na mesa com tanta suavidade; era como se ele já os conhecesse, como se aquele lugar fosse o certo para ele estar. — Então, depois que ele se deu conta da quantidade de sangue que saía do meu nariz, começou a chorar e pedir desculpas. Um verdadeiro idiota esse Park Jimin.

— Como se você também não tivesse chorado comigo. — apontou o acinzentado, fazendo os outros rirem. — Eu pedi mil desculpas e te levei no médico, mesmo fodido de bêbado.

— Você tem uma boca muito suja, Park. — Jeon reclamou, encarando Jimin com uma caretinha e o nariz franzido. Adorável, Park pensou.

— Ah é? — Jimin riu, aproximando o rosto do do mais novo, sorrindo todo debochado enquanto encarava o moreno. — Não me faça contar quantas vezes eu já te ouvi xingar na minha frente, bebê.

Jeon continuou a encará-lo, fazendo um pequeno bico antes de voltar-se novamente aos outros dois, encontrando-os fitando com pequenos sorrisinhos nos lábios. Corou, virando o rosto para o lado da janela, a mão indo até o braço de Jimin e o beliscando, encontrando conforto no gemido dolorido do Park.

A conversa fluía sem empecilhos e assim que Jeongguk percebeu, gesticulava a mão em um tchauzinho contínuo em direção ao casal, que afastava-se da entrada do restaurante, onde ele e Jimin estavam parados. Olhou para cima, encontrando um Park de olho em si enquanto sorria grande.

— Tá me olhando assim por quê? — cruzou os braços, o olhar alheio parecia queimar o corpo do Jeon de forma muito intensa.

— Está preparado para ter o melhor passeio da sua vida, Jeonggukie? — sorriu grande, as bochechas saltadas fazendo seus olhos fecharem-se de forma fofa, transformando os dois pequenos orbes em risquinhos negros.

Jeongguk simplesmente não sabia o que dizer, sua atenção se prendeu totalmente no sorriso bonito do Park e então no modo em que seus pensamentos vagavam se perguntando se Jimin conseguia enxergar quando sorria tanto assim. Assentiu, já que não conseguia dizer nada, guiando a cadeira na direção que o outro seguia.

Seria um final de dia muito agitado.


Notas Finais


Ai gente, não desculpem pa demora, sério mesmo! Esse capítulo era pra ter saído antes, mas realmente aconteceram coisas que nos atrasaram :(
Mas felizmente trouxemos um capítulo bem legal pra vocês e isso é o que importa, sim?!
Epseramos de verdade, tanto eu @ParkHoseokzinha quando a @BTSugarRainbow que vocês tenham gostado!

Um beijão e até a próxima ♡


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