História Asas Quebradas - Capítulo 5


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Categorias Saint Seiya
Personagens Aiolia de Leão, Aioros de Sagitário, Marim de Águia, Marin de Águia, Mu de Áries, Seiya de Pégaso, Shaka de Virgem
Tags Aiolia, Alma, Asa, Bebida, Demônio, Marin, Pacto, Quebra, Troca
Visualizações 24
Palavras 2.093
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Um certo cuidado...


Estava sentado na beirada da cama, já não tinha mais camisa e as pernas da calça estavam dobradas até o joelho. A cabeça estava levemente inclinada para o lado e a perna ferida foi apoiada sobre uma cadeira, assim o sangue simplesmente pingava no chão e não ficava escorrendo pela perna. O doloroso caminho de lágrimas marcavam seu rosto absorto em pensamentos, suponho que ainda esteja processando o ocorrido, além de tentar frear o medo do que viu.

— Aiolia… - a voz de tom brando o chamou. - Morda isso aqui…

A moça usava um corset vermelho para ocultar um pouco mais a nudez depois de perceber que o rapaz nem a olhava, em parte por vergonha, em parte por dor e em parte por medo da figura aterrorizante que ela se tornou. Pelo menos com aquela “roupa”, com aquela aparência mais humana, ele já começava a olhar de maneira tímida e via que ela oferecia uma toalha.

Permaneceu em silêncio, apenas apanhou o pano oferecido e o mordeu como foi orientado. Ela se abaixou e apanhou a perna ferida para apoiar no ombro, algumas gotas de sangue, inclusive, caíram na coxa exposta. O ferimento era tocado com um cuidado anormal e uma expressão culpada servia de máscara para sua figura séria; não entendo aquela expressão, não faz sentido estar ali.

— Não vou mentir, vai doer. Muito. - mirou o rapaz nos olhos. - Morda o pano para não se machucar e tente não se debater, por favor.

Não houve tempo para discussão, tinha que fazer aquilo de surpresa para dar certo, do contrário jamais iria conseguir tirar a bala de onde estava.

Era igual curativo. Você não pede e nem olha, só faz o que tem que fazer.

Mordeu o local por onde a bala entrou e começou a trazê-la para fora com os dentes e a língua, puxando e mordendo a carne mais algumas vezes até que pedaço de chumbo saísse.

Em momento algum o rapaz parou de urrar e morder o pano para controlar a dor, as lágrimas saiam ardidas de seus olhos e pingavam nos punhos cerrados. Mesmo depois da moça cuspir a bala num pano o ferimento continuava ardendo de forma horrível, sem contar que o fluxo de sangue tinha aumentado.

Ela então voltou a boca para o buraco que ficou e deixou a língua encostada no ferimento até sentir que o sangue tinha parado, engolindo o líquido que acumulou em sua boca e mantendo os lábios encostados ali até que houvesse uma cicatrização superficial.

A bala tinha lixado o osso e magoado o músculo, os cuidados que recebia ajudariam em muito sua recuperação, mas ainda sim ficaria mancando e reclamando de dor por alguns dias.

— Você está bem? - devolveu a perna para cadeira com cuidado quando perguntou e levou algum tempo até obter uma resposta positiva. - Que bom. Fiquei preocupada, está calado desde que… - se calou e levantou, pegando uma gaze que tinha separado e voltando. - Não queria que me visse naquela forma.

Passou a enfaixar a perna com cuidado, mas firmeza. O rapaz até protestava pela dor, mas não a impedia de fazer, sabia que era melhor receber algum tratamento do que arriscar uma infecção ou lesões piores e subsequentes.

Mesmo assim, era humano. E sendo humano, era curioso.

— O que foi aquilo? - perguntou com um silvo, tinha a impressão de estar muito apertado.

— Minha forma original... Ou deformada, não sei mais…

Seu tom foi infeliz e sombrio o bastante para que qualquer pergunta fosse deixada de lado.

Era um rapaz esperto por deixar o assunto de lado, era algo delicado para todos. Pois se um dia houve uma forma mais gloriosa, está já foi esquecida no decorrer das eras.

Quando terminou o trabalho na perna pode suspirar um  pouco mais tranquila, com certeza já tinha uma mentira guardada para justificar aquela situação. Se levantou do chão e subiu na cama, se aproximando do rosto alheio com o olhar atento e avaliativo. Puxou sutilmente o queixo de traços rústicos para ver melhor o ferimento da cabeça.

Era um belo arranhão, certamente deixaria cicatriz, mas nada que o cabelo não pudesse esconder.

Se moveu tão rápido que o rapaz só sentiu uma leve brisa, quando virou para olhar ela tinha voltado com uma caixinha de primeiros socorros.

E assim o único som que teve por algum tempo eram os silvos de dor enquanto o ferimento era limpo e o crepitar do fogo na lareira. Era uma situação estranha, mas parecia uma situação estranhamente agradável para ambos, não desgostavam da proximidade exigida, mas também não estavam confortáveis com o silêncio.

— Salvou minha vida. - se manifestou depois que começou a levar pontos.

— Não exagere… - respondeu atenta ao que fazia, intercalando pontos e a necessidade de limpar o excesso de sangue. - Eles ainda não eram assassinos…

O quarto mergulhou mais uma vez naquele estranho silêncio.

Se não fosse as reclamações de dor, certamente seria um silêncio constrangedor. Só não consigo entender o porquê cuidar do humano se ele podia fazer isso sozinho, mas imagino, e espero, que seja para evitar atenção desnecessária num hospital ou coisa do contrato com o irmão mais velho.

Contratos são um mistério para todos que não estejam envolvidos, isso é básico, o sigilo acima de tudo e todos. Assim manda a lei kármica, os únicos que podem falar a respeito do contrato são os próprio envolvidos, no caso ela e o irmão mais velho.

E falando no irmão mais velho, ele certamente nem imagina, nem nos sonhos mais loucos, o que está acontecendo e aconteceu. Quero muito ver que solução esses dois terão para amanhã, sorte que é início de semana e a loja não abre por princípios trabalhistas, mas ainda vão ter que se explicar para o mais velho quanto aos ferimentos do mais novo.

Além, claro, de ocultar corpos, limpar vestígios de sangue, arrancar aquela bala do batente da porta, substituir tudo que foi danificado, se livrar de evidências, achar uma explicação plausível para os funcionários que notassem os machucados ou qualquer coisa estranha e outras coisas mais. É um verdadeiro exercício de criatividade com múltiplos finais e opções.

Certamente um dos dois está pensando nisso enquanto os pontos são feitos.

— Perdão. - o rapaz se manifestou nos últimos cinco pontos. - Eu tenho sido um babaca desde que te conheci. Mesmo que eu comece a ser legal depois disso tudo, sinto que não vai ter valor se eu não me desculpar, vai parecer algo obrigatório. - a mirou no pequeno intervalo que tinha quando o sangue era limpo. - Então, eu peço perdão.

— Não sou Deus para perdoar, Aiolia. - respondeu sem dar muita atenção. - Mas agradeço a consideração.

Terminou de dar os pontos restantes e então passou a limpar o sangue do cabelo dourado, tão semelhante ao trigo que fermentavam no dia a dia. Ela terminou tudo e aspirou o perfume que o álcool asséptico e o ferro do sangue não tinham apagado, estou realmente preocupado com esse comportamento e espero muito que seja coisa do contrato ou que ela queira muito conseguir algo.

E não sou o único que está estranhando isso.

— O que está fazendo?... - perguntou a mirando de soslaio.

— Você é o humano mais encantadoramente tolo que eu conheci, Aiolia. Quem pediria perdão para um arquidemônio? Ainda mais alguém com tanta luz... - declarou com um suspiro, enrolando um dos cachos do rapaz no dedo indicador e puxando lentamente. - Isso me desespera…

— Desespera?... - se virou mais na cama a fim de encará-la e ela se afastou um pouco. - “Vocês feriram ele. É o mesmo que ferir a mim”. Marin, tem como me explicar alguma coisa? Qualquer coisa?...

A moça apenas relaxou, sentando na cama e suspirando com uma negativa, tocando as costas largas na altura das omoplatas com a ponta dos dedos. Sei o que ela está pensa, mas ele está longe de ser um anjo encarnado, não tem asas escondidas abaixo da carne e isso afirmo com certeza. No fundo, ela sabe disso também.

— Envolve o pacto do seu irmão, não posso falar. - enfim algum sentido, fiquei temeroso por algum tempo.

— Não pode falar nada? - não se mexia muito por conta da perna ferida. - Nem uma dica?

— Nadinha de nada. - declarou se afastando, tinha ido pegar uma taça de cerveja.

O rapaz bufou irritado com tanto mistério, em parte concordo com ele. Apenas puxou a perna para cima do dossel e se recostou nos vários travesseiros e almofadas, precisava descansar um pouco depois de tanto estresse, por hora, aparentemente, decidiu esquecer que ainda tinha um problema para lidar.

A moça então voltou para cama com a garrafa numa mão e a taça cheia na outra, sorveu um gole largo da bebida e bocejou logo em seguida. Ela estava exausta, tinha gasto muita energia em pouco tempo e não tinha meios “pacíficos” de repor, mesmo que bebesse todo o estoque lá fora, ainda estaria debilitada.

A garrafa que trouxe esvaziou em minutos, dessa forma foi só largar as peças de vidro no chão próximo à cama e deitar um pouco para descansar, a cauda balançando como a de um gato irritado.

— Hey… O que vamos fazer? - perguntou depois de alguns minutos. - Tem uma cena de filme de terror lá em cima. A frente da loja tem vidros e… Meu Deus… Tem seis caras mortos na loja… Meu Deus…

— Não de preocupe com isso… - respondeu se remexendo na cama. - O pecado é meu, eu resolvo… Só me dê um tempo...

— Tempo? A gente, você, não sei! Não tem tempo! Vai clarear e qualquer um vai poder ver que tem uma chacina na loja!... - ela é muito paciente, outros já teriam arrancado metade do crânio dele. - Parece cansada para alguém que dormiu a tarde inteira...

Se obrigou a levantar com um grunhido sonolento, sentando com os ombros caídos e a cabeça abaixada, ela precisa de energia. Nesse caso, imaginei que ela queira tentar conseguir um pouco com o rapaz e me orgulho em dizer que tinha razão.

Montar no colo do rapaz com os dedos sumindo por entre os fios loiros foi muito fácil, ela estava com fome de energia e ele era uma fonte bem tentadora. Mal deixava que ele respirasse com o beijo ávido e ainda usava as unhas curtas para marcar as costas largas, ela estava buscando energia e o que acontecesse no decorrer dessa busca era um pormenor. Sorvia o máximo possível dele e se não tomasse cuidado poderia até lhe fazer mal.

O rapaz até tentou mudar de posição no calor do momento, querendo deitar por cima da moça, mas a dor na perna o obrigou a desistir com um rosnar irritado. E ela soltou um riso bem humorado e o puxou de volta para si, arranhando sua nuca e sorrindo de forma bastante sedutora ao sussurrar em seu ouvido.

— Aiolia, você tem lábios deliciosos… - beijou o local e fez um caminho de selos pelo pescoço e queixo do rapaz. - Eu quero mais…

Se uniram num novo beijo, um ósculo mais pecaminoso e ardente que o anterior, a carga sexual muito mais forte. Agora sim posso dizer que os corpos ferviam, a lógica estava tão envergonhada que se recolhia ao fundo da mente enquanto os desejos mais impuros saíam disfarçados de suspiros instigantes.

Jurava que ela iria esquecer o motivo primário do beijo e dar cabo daquilo, drenando toda a energia vital do rapaz.

Entretanto, ela deve ter se lembrado do pacto com o irmão mais velho.

Abriu os olhos em pânico e empurrou o rapaz para longe, se afastando com tanto desespero que quase caiu da cama. Se levantou no momento que o rapaz tentou alcançá-la, indo para detrás de um biombo e vestiu um casaco castanho comum.

— Eu peguei energia demais. - saiu de onde estava e o mirou preocupada. - Está com olheiras, peguei até demais…

Tomou o rumo da porta o mais rápido possível e saiu sem mais explicações, tinha mais o que fazer aquela noite.

— É PRA DESCANSAR!!

Foi tudo o que o rapaz ouviu antes de ficar totalmente sozinho no dossel, com a perna ferida sangrando um pouco e a cabeça doendo por tudo o que aconteceu. Sua expressão era de espanto e choque, todos fazem a mesma expressão, com a diferença de que seus olhos pareciam pesados.

— O que que eu tava fazendo?...

Quase sexo, meu amigo. Quase.

Mas, pelo jeito não é pra hoje que você vai ser feliz com a luxúria e também ficou terrível graças à essa luxúria, o empréstimo de energia foi muito grande e ele iria dormir por um bom tempo, talvez até a tarde de amanhã.

Inclusive, já pegou no sono nesse meio tempo que fiquei discorrendo.


Notas Finais


Gostaria de reforçar o "ainda" do "Eles ainda não eram assassinos...", basicamente ela tava dizendo que até aquele momento eles não tinham matado ninguém, nada garantia a situação de Aiolia...
Espero que tenham gostado :3


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