História Asleep - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Amnésia, Drama, Família, Mistério, Psicológico, Psicopata, Romance, Segredos, Suspense, Tragedia
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Palavras 2.304
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Mistério, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Hateful Place Part. 2


Uma semana se passou desde que Emily entrou para a Escola de Inclusão Social da cidade de São Marcos. Graças ao seu amigo, Jansen Weiland a escola não parecia tão assustadora quanto ela pensava que seria. E de acordo com o diretor Kinovic, ela poderia ir para casa durante o período de férias como em uma escola normal.
Duas vezes por semana, Emily teria consultas particulares com o doutor Bill Ritz e uma vez em grupo. Ao contrário dos outros jovens dali, ela não se sentia incomodada com as sessões de terapia, só não gostava de ter que responder tantas perguntas. Mesmo que Bill fosse diferente dos outros doutores com quem Emily havia se consultado antes dele, ela ainda se sentia incomodada com o fato de ter alguém observando-a.
— Como foi sua primeira semana aqui na escola? - Perguntou Bill sentado em sua poltrona de couro. Emily pensava nele como um juiz sentado em um trono de couro. O jeito como ele olhava para ela, observando cada detalhe de seu comportamento era como estar em um julgamento. Ela tentava agir naturalmente mas tinha medo do que ele pensaria, já que Bill e seu pai eram amigos há muitos anos.
— Foi melhor do que eu pensei que seria. - Respondeu Emily
— E como você pensou que seria?
— É uma escola para loucos. - comentou Emily
— É uma escola para jovens com disturbios psicossociais. - Corrigiu Bill - São adolescentes como você, com dificuldade de lidar com situações do cotidiano ou com pessoas.
— É o que você diz, mas para as pessoas lá fora nós somos apenas loucos.
— E desde quando você se preocupa com o que as pessoas pensam?
— Não me preocupo, é somente a verdade. - Disse Emily dando de ombros.

Bill percebeu que ela estava começando a ficar irritada, o que era normal em todas as sessões. Emily começava a terapia de bom humor, respondendo todas as perguntas de maneira simpática e no meio da sessão seu comportamento ia mudando gradativamente para frio e distante, até chegar ao ponto em que ela não falava mais nada e passava o resto do tempo lendo as revistas de psicologia que Bill tinha em cima da mesa. Ele percebeu essa atitude de Emily bem no início, e vendo que ocorria em todas as sessões começou a finalizá-las antes da hora.
Bill olhou o relógio na parede. Apesar de ter se passado apenas quinze minutos desde que Emily entrara na sua sala, decidiu encerrar a conversa com a garota.
— Nos vemos na quarta-feira. - Disse Bill abrindo a porta para Emily.

Enquanto a menina saía de sua sala, Bill viu que Jansen Weiland a estava esperando para irem juntos ao refeitório. O psicólogo fechou a porta sentindo ao mesmo alívio e remorso por ter sido ele quem a apresentou ao Jansen. Um rapaz de dezenove anos que por conta dos problemas com os pais havia se isolado completamento das pessoas ao seu redor.

Bill sentou-se em sua mesa e abriu a última gaveta com os relatórios que guardava dos jovens daquela clínica. Lá no fundo encontrou a ficha do Jansen. O jovem, se consultava com Bill há oito anos. Ele se lembrou de quando o pai dele num momento de desespero o abandonou no hospital enquanto o garoto se recuperava de uma forte gripe. O psicólogo foi o responsável em avaliar a real situação da família, mas depois de descobrir as coisas que aquele garoto de apenas onze anos havia feito tanto para os pais quanto para os colegas de escola como professores, declarou o casal como inocentes e incluiu Jansen em seu grupo de terapia intensiva. Como o jovem era muito revoltado e rebelde, Bill ia até sua casa para avaliá-lo semanalmente.

No começo Bill quase pensou em desistir de cuidar de Jansen. Mas após tantas tentativas infelizes de aproximação, ele conseguiu com que o jovem confiasse nele e por fim, até ser considerado como o melhor amigo dele. Mesmo sabendo que Jansen não o considerava como tal, e sempre omitia alguns detalhes dele. E após alguns anos de tratamento domiciliar, os pais decidiram interná-lo numa clínica psiquiátrica de um renomado doutor inglês que estava sendo inaugurada na época. Considerando o histórico de ataques violentos e uso abusivo de drogas do jovem e o problema dele em confiar nas pessoas, Bill enviou um pedido de admissão na clínica e imediatamente foi contratado. E desde então, continuou cuidando desse jovem problemático e de muitos outros até piores do que ele.

Quando Bill conheceu Emily, só pensava no quanto ela era parecida com Jansen na forma de espressar seus pensamentos. E quando seu amigo Marky finalmente decidiu internar a filha na clínica, Bill viu a oportunidade perfeita para ajudar Jansen a se recuperar de seu recente trauma e ajudá-la a se socializar.

 

Emily e Jansen caminharam para o refeitório em silêncio. Ela não gostava de comentar sobre as sessões de terapia que tinha com Bill, pois nunca sabia o que estava sentindo quando toda aquela conversação acabava. Tudo para ela era muito confuso e irritante, mas quando estava na sala conversando com o doutor aqueles sentimentos obscuros que costumava sentir frequentemente desapareciam por alguns minutos mas imediatamente reapareciam e tudo que pensava era em sair correndo dali o mais rápido possível mesmo sem vontade de fazê-lo. E o que a deixava confusa era que ela se sentia da mesma maneira quando estava Jansen. Mas apesar de ter esse sentimento, ela não sabia como fazer com que ele soubesse disso.

Os dois entraram no refeitório e foram para a mesa onde os amigos de Jansen estavam sentados. Bennet um rapaz de longos cabelos loiros e estilo semelhante ao de Jansen e sua namorada Tanya, uma garota de pele morena e cabelos vermelhos, estavam se beijando quando eles sentaram na mesa com suas bandejas cheias de frutas.
— Ei, porque não vão para o quarto? - Gritou John, um rapaz alto de cabelos preto bem cortado e penteado para trás, sentando-se ao lado deles. A aparência dele fazia Emily se lembrar dos filmes antigos que seus pais costumavam assistir de madrugada, enquanto ela assistia de cima da escada se escondendo toda vez que eles olhavam para a direção do quarto para ver se ela continuava dormindo.
— Você sabe que é proibido. - Respondeu Tanya ajeitando-se na cadeira e tomando um gole do suco de morango. - Oi boneca. - Disse ela para Emily que imediatamente abaixou a cabeça com o rosto ficando vermelho.
Emily sentia uma certa admiração por Tanya, a achava bonita com os lábios vermelhos como o seu cabelos. Seu coração disparava toda vez que a bela garota falava com ela e seu rosto ficava quente como se estivesse com febre.
— Deixe ela em paz, Tanya. - Disse Bennet.
— Eu sei que ela gosta de mim, - Disse a morena com a voz baixa - Ela só é tímida.
— Todo mundo gosta de você. - Respondeu Jansen em tom sarcástico. - Você gosta dela, Emily? 
A pergunta a pegou de surpresa e a única coisa que ela conseguiu falar foi um fraco 'sim', que apenas Jansen conseguiu ouvir. 
— Parece que você ganhou uma nova admiradora. - Disse Jansen fazendo com que Tanya desse uma risada alta e alegre. - Controle-se por favor.
Enquanto Jansen e o casal conversavam e riam, Emily e John degustavam de suas frutas em silêncio, apenas observando o comportamento dos outros.

Após mais alguns minutos e o sinal indicando o início das aulas fez com que todos se levantassem resmungando. 
Como já era um costume entre o grupo, eles esperaram até que todos saíssem do refeitório para então serem os últimos a chegar na sala de aula. 
— Que merda ele tá fazendo aqui? - Reclamou Jansen vendo que o instrutor educacional Lester Hart estava parado na porta do refeitório esperando por eles.
— Com certeza ele vai nos dar mais uma bronca por estarmos atrasados para aula. - Disse Bennet.
— Ele é tão bonitão, não é mesmo Emily? - Disse Tanya provocando Bennet e Jansen ao mesmo tempo.
— Cala essa merda de boca. - Jansen gritou sem conseguir controlar a raiva em sua voz.
Emily e John o olharam assustados. Tanya e Bennet gargalharam histericamente com a reação do amigo. Lester os olhou impaciente.
— Você sabe que é estritamente proibido gritar em qualquer lugar dessa escola, principalmente palavras tão impróprias quanto as que você costuma dizer. - Disse Lester repreendendo Jansen e o casal gótico.
— Foda-se. - Disse Jansen em voz baixa. 
— Eu ouvi isso. - Repreendeu-o mais uma vez, o instrutor. - Vão logo para a sala de aula. - Disse para os outros, segurando Emily pelo braço. - Você vem comigo.
Emily olhou para Jansen confusa. Ela queria ficar com alguém conhecido em seu primeiro dia de aula. Lester olhou para Jansen que ainda estava esperando pela amiga.
— Vai logo, antes que eu te dê outra advertência.
Jansen disse um "me desculpe" para Emily e foi embora.
— Você ficará na minha turma a partir de hoje. - Disse Lester percebendo que Emily o olhava assustada. - Não precisa ter medo de mim. 
— Porque eu não posso ficar na mesma turma que eles? - Perguntou Emily quase num sussurro. Era algo que ela não conseguia evitar, toda vez que ficava nervosa ou envergonhada era quase impossível controlar sua voz, era um esforço enorme e doloroso para ela tentar falar em momentos em que se sentia desconfortável.
— Eles são mais velhos que você e estão em um nível de aprendizado mais avançado. - Lester falava enquanto eles caminhavam até a sala onde estava sua turma. - Não se preocupe, tenho certeza que você se adaptará em pouco tempo. - Disse ele abrindo a porta da sala.

Apenas oito garotos estavam dentro da sala. Quase todos pareciam bem mais novos que Emily, com excessão de uma garota de cabelos cstanhos claros presos num rabo de cavalo alto. 
— Bom dia, pessoal. - Disse Lester em tom alegre.
— Bom dia, Lester. - Todos responderam alegremente. Emily achou estranho os alunos o chamarem pelo primeiro nome.
— Esta é a nossa nova colega de classe, Emily. Ela é uma garota muito assustada, portanto sejam gentis com ela. 
Emily o olhou chocada com o comentário do instrutor. Os alunos deram-na as boas-vindas e Lester fingindo não perceber a reação dela a mandou sentar-se perto da garota de cabelo castanho.
— Oi, eu sou a Andy. - Disse a garota sorrindo para Emily. - Não precisa ficar assustada, Lester é o melhor professor dessa escola.

Emily apenas acenou com a cabeça para Andy. Durante todo o período de aula, ela ficou observando Lester lecionar. Ele não era como qualquer professor que Emily já conhecera, apesar de não ter conhecido muitos. O jeito dele falar com os alunos era alegre e os jovens pareciam realmente felizes em estar ali naquela sala, ao contrário de Jansen e seus amigos que reclamavam de as aulas serem chatas e entediantes. A maneira como ele ensinava as matérias era mais fácil de se aprender, até mesmo matemática e física que eram tão complicadas para Emily.
Logo o sinal para o almoço tocou fazendo os alunos reclamarem pela aula ter acabado tão rápido.
— Não se preocupem. Daqui a noventa minutos nos veremos novamente. - Disse Lester enquanto os alunos saíam da sala.
Emily continuou sentada, sem vontade de levantar ou fazer qualquer outra coisa.
— Você não sair para o almoço? - Perguntou Andy tentando se entrosar com Emily como Lester havia pedido à ela. Mas Emily apenas se levantou e saiu rapidamente da sala deixando-a sentindo-se desapontada.
— Tudo bem, ela é difícil nos primeiros dias mas logo ela se acostumará conosco. - Disse Lester confortando-a.

Emily andava pelos corredores cheios de alunos, alguns sozinhos e outros com suas turmas. Ela não sentia fome e nem vontade de ficar perto de Jansen. Só pensava em quanto tempo ainda faltava para chegar a noite para tudo ficar silencioso e ela sozinha. Distraída com seus pensamentos, Emily acaba esbarrando em alguém perdendo o equilíbrio e cai no chão.
— Desculpe-me. - Disse o rapaz de olhos verdes estendendo a mão para ajudá-la a se levantar, mas Emily com o seu jeito antissocial se levanta sem a ajuda dele. - Você está bem?
— Sim. - Disse ela com a voz trêmula de nervosismo.
— Precisa de ajuda? Você parece meio perdida.
— Eu só preciso ficar sozinha. - Disse ela sem perceber que estava falando em voz alta suficiente para ele ouvir.
— Eu te entendo perfeitamente. - Disse o rapaz rindo da reação de Emily - Você pode ir para a biblioteca, é o lugar mais calmo que tem aqui.
— E-eu não sei onde é. - Respondeu gaguejando sentindo seu coração bater cada vez mais rápido.
— Hum, eu estou para lá agora, se quiser me acompanhar. - Disse ele meio sem-graça. Emily o olhou desconfiada, pensou por um tempo e então balançou a cabeça concordando em ir com ele.
— Você é da turma do Jansen? - Perguntou ela enquanto caminhavam, mas sua voz saiu tão baixa que o rapaz não a ouviu. Emily respirou fundo, tentou falar mais vez mas sua voz não saiu. 'Que ódio de mim!' pensou ela. 
— Aqui estamos. - Disse o rapaz mostrando à Emily uma enorme porta de vidro. Ela olhou pela porta encantada com a quantidade de livros que havia ali. Seu pai sempre lia para ela antes de dormir quando era criança, e quando aprendeu a ler ia sempre na biblioteca pública escolher algum livro. Essa era a coisa mais divertida do mundo para Emily. Os livros eram e sempre foram seus melhores amigos, até a tiffany aparecer e estragar tudo.
— Você não vai entrar? - Perguntou o rapaz parado na porta.
— Obrigada. - Foi a única palavra que ela conseguiu dizer à ele antes de entrarem na sala cheia de livros e finalmente encontrar o seu tão amado silêncio.



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