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História Aspecto: Entre a Honra e a Guerra - Capítulo 2


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Notas do Autor


Depois de muito tempo eu arranjei um tempinho para começar a escrever de novo e espero que não esteja confuso, ainda há muitas ideias vindo pela frente.

Capítulo 2 - Capítulo 2: Traição


Capítulo 2: Traição

Laurel Durand’s point of view

 

A presença de Eric em um momento tão delicado como este é no mínimo agradável. Ele, mais do que ninguém, sabe como me deixar esperançosa com tamanha dedicação ao seu trabalho organizando nosso exército. Mas, pelo menos por agora, sinto que nossa conexão vai mais além do que meras estratégias e tanta formalidade por parte da hierarquia que habita neste território. Posso dizer que ele significa mais do que um ajudante para mim, mais do que um amigo talvez, ou certamente estou ficando louca...

De qualquer forma, tê-lo é um presente enorme na minha vida, algo que cultivarei até os meus últimos dias e que nunca gostarei de saborear a chance de perdê-lo. Ele é o meu fim.

 

A notícia sobre os avanços das tropas de Turan já estavam correndo por toda Kallid como chuva no verão. Todos os habitantes estavam temerosos por tamanho confronto, que certamente deixaria estragos profundos e até mesmo irreparáveis. Não era pra pouco, a profecia haveria de se cumprir uma hora ou hora e em poucos dias seria o momento perfeito.

Laurel levantara ao fim da nebulosa manhã, ainda com seus pensamentos na noite passada ao lado de Eric. Por mais que tenha sido uma reunião difícil, estar ao lado dele trazia paz em seu interior, como jamais alguém havia feito com tanta facilidade e poucas palavras. Porém, hoje não era dia para relembrar tais gracejos que acalentavam a sua alma, mas sim de determinar os últimos preparativos.

Próximo ao meio dia, todos os capitães e generais já estavam reunidos no grande salão para retomar os assuntos do jantar e certamente abordar sobre a notícia recém divulgada pelo povo.

Laurel foi a última a adentrar ao ambiente, preenchido por conversas inaudíveis e frenéticas, fechando as portas exercendo força suficiente para atrair a atenção de todos que estavam presentes e assim, cessar tamanho burburinho.

Modrić foi o primeiro a se levantar para questionar a duelista sobre a veracidade dos fatos que todos estavam a discutir momentos antes, o que logo foi cortado pela feição séria e rude de Laurel, fazendo com que o mesmo se assentasse novamente sem nem ao menos argumentar contra tal ordem.

O poder que a duelista tinha naquele ambiente era de certa forma assustador. Nem mesmo os mais temidos generais do leste e oeste de Kallid contestavam suas decisões ou interferiam em suas regras. E Laurel sabia disso como ninguém. Ter grande poder em mãos pode ser perigoso até dado momento, mas ela não teria motivos para temer tal circunstância, afinal, foi treinada para não hesitar e seguia isso a risca.

Ela seguiu até a extremidade da mesa para então apoiar as palmas de sua mão, ao mesmo tempo retribuindo os olhares assustados.

- Não estava esperando essa animação sem a minha presença. – disse em meio a um tom sarcástico.

- Senhora, estávamos apenas discutindo sobre a notícia que nos foi dada durante esta manhã. Não foi proposital tamanho barulho, mas os fatos... – Laurel o cortou antes que terminasse a sua frase, fitando-o com um olhar prepotente, jamais feito com tanta intensidade.

- Os fatos não me interessam neste momento. Vindo de Pilar, essa informação me parece um tanto precipitada. Minha tia nunca foi de se envolver nestes assuntos, já que a mesma tem pouco conhecimento sobre tal, e, além disso, já revisei essa ‘’situação’’ com Eric. Sem mais falatório, por favor.

- Laurel, seja mais gentil com os convidados. – a voz de Pilar adentrou o ambiente.

Sua presença jamais fora requisitada em assuntos tão delicados, mas a mesma insistiu esta manhã para participar da reunião sem o consentimento da duelista.

- Pilar? Deveria estar a caminho de Korsei, o que houve? – questionou Laurel com uma expressão confusa, fitando a condessa na sua frente.

- Não houve nada, Laurel. Comigo as coisas estão bem resolvidas, mas vejo que ainda há dúvidas caminhando lado a lado com você. – respondeu ao mesmo tempo em que puxava uma cadeira para se juntar á mesa.

- Que dúvidas? Pilar, sinceramente... Por mais que seja parte da família, falar comigo desta forma não irá nos ajudar, você bem sabe.

- Não diria ajudar, pois minha parte já foi feita quando contei a você sobre o que eu sabia. Se não acredita, não pague para ver, o povo irá sofrer por um erro que facilmente poderia ser evitado, certo?

A expressão de Laurel que antes era confusa e séria logo se pôs a mudar para uma feição preocupada e racional. Ela entendia a importância dessa informação para o bem do povo de Kallid e arriscar tudo poderia colocar a imagem da família Durand em jogo.

- O povo está seguro com nosso exército, não se preocupe. Porém, não sou de confiar em pessoas ligadas a realeza, Pilar. Por mais que a sua ajuda seja bem vinda, já nos causou problemas demais no passado.

- Problemas estes que seu pai poderia também ter evitado. Marion sempre foi um homem habilidoso, porém guardou isso somente para as batalhas. Você deve ser diferente, Laurel. Deve ser mais inteligente.

Uma aura de ódio e tristeza inundou Laurel de uma forma abrupta. Jamais ouvira Pilar falar desse jeito, já que dizia admirar tanto seu pai. E numa só ação, a duelista chocou as palmas de sua mão contra a mesa, causando um estampido audível até mesmo para aqueles fora do salão. Subitamente fechou seus olhos de forma involuntária, contendo as lágrimas que teimavam em cair no seu rosto alvo que agora se encontrava numa tonalidade avermelhada, dado ao nervosismo.

- Meu pai foi um homem bom, Condessa... Tão bom que nunca abriu mão em ajudar aqueles que precisavam, tão pouco você quando estava exilada em Turan. Se mostrar uma víbora arrogante neste momento não me surpreende nem um pouco, todos aqui neste salão sabem da sua reputação duvidosa. – rebateu em meio as lágrimas.

- Laurel, não foi a intenção, só queria... – a duelista a cortou pedindo para que os guardas a retirassem do salão.

- Não me importa os seus interesses com a minha família, Pilar. Para mim você não faz parte dos Durand, nunca trouxe orgulho para nós e com certeza nunca mais irá pisar aqui novamente, nunca mais. – concluiu se dirigindo para a porta do salão, rodeada pelos guardas que haviam adentrado o ambiente em busca da Condessa.

- E quanto á nossa reunião, peço desculpas mais uma vez. A ordem que darei em breve chegará até vocês, não se preocupem. – disse se referindo aos capitães e generais que a fixavam com um olhar sério e solidário por de trás de suas costas.

A todo o momento Pilar suplicava para que Laurel retornasse ao seu encontro, sendo contida pelos guardas que a pediam para se retirar. Jamais um membro da família fora tratado dessa forma e com toda a certeza este episódio correria por todos os cantos, chegando até mesmo á realeza, que veria com maus olhos.

A relação dos Durand com a realeza de Korsei sempre foi estritamente política, anulando qualquer chance para uma futura ‘’amizade’’ entra as famílias. O Rei de Korsei, Howard IV, era um homem reservado, que apreciava o poder e organizava enormes expedições de buscas de novas terras para anexar á sua coleção. Entre o povo de Kallid, os Korsei eram vistos como meros negociadores de combatentes, esta eram sua única conexão com os Durand.

O pai de Laurel sempre avisara para a mesma das investidas que o rei poderia planejar futuramente, confiando toda a sua armada caso este dia chegasse. O que agora se tornava cada vez mais possível, dado ao surto de Pilar mais cedo.

 

Laurel Durand’s point of view

 

É inacreditável a postura que minha tia teve nesta reunião, eu confiei nela durante muito tempo. Por mais que ela tivesse cometido erros no passado, para todos nós ela havia demonstrado arrependimento e mudado radicalmente, mas estávamos enganados... Pilar jamais mudara. Logo mais minha mãe saberá do ocorrido e vê-la novamente triste e decepcionada era uma cena em que eu não gostaria de presenciar, não depois do curto espaço de tempo entre a morte do meu pai.

As palavras que aquela mulher proferiu me feriram como mil adagas em meu corpo, uma dor que reabriu a ferida mais profunda no meu coração e que nunca hei de perdoar.

Bani-la da família nunca foi uma opção, mas num momento de raiva como este se tornou a forma mais viável de afastar presenças indesejáveis, como um aviso para aqueles que ainda pensavam em fazer algum mal contra mim, ou contra minha família.

Uma hora ou hora isso há de passar e em breve não haverá nenhum pingo de arrependimento no meu coração para afligir ainda mais a minha alma. Não irei permitir que isso aconteça.

 

Laurel foi de encontro a Eric logo após o conflito com Pilar, que havia sido retirada a pouco tempo da residência. Ainda estava sentindo aquele sentimento de tristeza e devastação contaminar o seu ser, como uma inundação que não conseguia controlar com destreza. Ver seu amigo, ou não tão amigo assim, era como uma válvula de escape para a pesada realidade que batia á sua porta cada vez mais forte e descontrolada.

Eric estava no jardim externo da casa, contemplando o trabalho magnífico do jardineiro recém contratado para podar as raras flores vindas do sul. Um presente dado á Marion pelo Rei de Valik, Friedrich I, como forma de agradecimento pelo excelente trabalho na Guerra das Valquírias, quinze anos atrás.

O dia estava extremamente radiante, se opondo ao mau humor de Laurel mais cedo. A mesma vestia um vestido acetinado bege, com pedrarias de tons variados, contrastando desde a coloração rosada até a mais escura, presentes também em seu colar, dado por Corinne assim que assumiu o comando da família, como uma herança. Seus cabelos brancos estavam ondulados, o que mostrava perfeitamente o seu comprimento, indo até a cintura. Seu rosto estava coberto por uma maquiagem leve que destacava seus olhos verdes, como os de seu pai. E em seu pés, calçava um scarpin perfeitamente combinado com a cor de seu vestido, feito especialmente sob medida.

Sua presença alegrou Eric quando o mesmo pousou seus olhos sobre o rosto delicado da duelista, que se encontrava na sua frente. A essa altura, Eric certamente a via com outro olhar, um olhar amoroso e solidário dado ao fato que antes havia ocorrido com Laurel.

Numa só ação, Eric caminhou em direção a ela que imediatamente se pôs a ir de encontro com o mesmo, sendo logo segurada pelas mãos em um toque macio e carinhoso. Assim, eles foram em direção ás flores de cor violeta recém podadas para contemplar, agora juntos, tamanha beleza.

 

Eric Heroux’s point of view

Ver Laurel sempre foi motivo de alegria para mim, mas vê-la daquele jeito tão radiante é uma das cenas mais bonitas que eu poderia presenciar hoje, senão a mais bonita.

A cada dia estamos mais próximos do que nunca e sinto que não poderei mais viver sem a sua presença, ou estarei fadado á tristeza iminente.  A forma como eu a vejo nos meus pensamentos já não é a mesma, sinto que vai além de tudo aquilo que eu já vivi ou tentei viver algum dia. Talvez o sentimento que preencha o meu ser neste momento não seja apenas envolvo em laços amigáveis, ou hierarquia chefe-ajudante, mas sim de amor. Amor? O que seria amor para nós em meio a guerra? Talvez não signifique o mesmo pra ela, talvez não seja recíproco, não... Não para a duelista.

 

- Soube do que aconteceu lá no salão com a sua tia, eu realmente sinto muito, Laurel... – disse Eric levando seu olhar ao encontro de Laurel, que estava a observar as flores em sua frente.

- Não se preocupe com isso, é um problema pequeno no momento. Isso me machuca mas sei que já vai passar.– respondeu em meio a um sorriso tímido.

- Mas saiba que estou aqui pra tudo, certo? Não me importa o tamanho do problema, pode contar sempre comigo, Laurel.

- A propósito, eu preciso te contar uma coisa...

- Bom, pois então diga, estou aqui pra isso.

- Não sei se você sente o mesmo e embora isso tudo seja relativamente novo pra mim, quero dizer que eu a-....

As portas do jardim se abriram para dar passagem a dois homens. Um estava uniformizado com as vestimentas da guarda particular e, segurando em seus braços, estava um nobre aparentemente jovem e assustado.

- Senhora, este homem estava a sua procura hoje mais cedo. Tentou invadir juntamente com mais dois outros homens vindos de Korsei. – disse o guarda.

- Invadindo? Veja meu caro, eu não preciso invadir lugar algum, minha reputação me precede e isso já é o suficiente para tipos como você. Se quiser me soltar agora eu agradecerei e não contarei nem para os mortos.

- Se aquilo não foi uma tentativa de invasão, sugiro que a Senhora Laurel me demita, já vi episódios como este antes.

- Então está demitido, não é mesmo, Laurel? – indagou o homem para a duelista, certamente se divertindo com a ironia da situação.

- O senhor é um nobre ou um bufão? Não gostaria de perder meu tempo. – rebateu.

- Você não era tão dura assim comigo, o que houve? Não se lembra de mim? De nós?

- Nunca houve nós, Pierre. Foi apenas um desencontro e você sabe muito bem da decisão que tomou no final das contas. – respondeu Laurel ao mesmo tempo em que gesticulava para o guarda soltar o homem que agora se encontrava envolvo a uma feição desapontada e nervosa. – E se me der licença, tenho assuntos mais importantes para tratar, até mais Pierre.

- Mais importante que a notícia da sua tia? Todos já sabem, mas não como eu sei.

No mesmo instante, o pouco interesse vindo da duelista se transformou em uma maré agitada em seu coração. Ela sabia que desde o começo havia algo errado, algo que estava completamente fora de seus planos e que não gostava nenhum pouco disso.

A confirmação deste temor só descarrilaria uma avalanche de emoções que a prejudicaria e afetaria os Durand de forma permanente, o que não era uma opção no momento e muito menos haveria de se tornar uma escolha no futuro.

- E do que você pensa que sabe, Pierre? Você nunca foi confiável, apenas fui tola em acreditar por um momento que não me machucaria. Não vou cair nas tuas mentiras novamente, então peço para que se retire. – a alteração em sua voz estava presente naquela hora, onde apenas as falhas eram bem-vindas juntamente com o mesmo sentimento ruim que a atormentava nos últimos dias.

Eric procurou acalmá-la com toques sutis em seus ombros, mas aquela mesma neblina que a cegava veemente com a curiosidade estava de volta e conseguia ser mais forte que ela. Mil e uma dúvidas a rondavam todas as noites como uma orquestra suntuosa e ardente em seus sonhos mais profundos, o que a preocupava constantemente e temia por ceder em breve.

- Não sem lhe contar quem realmente é Pilar, quem realmente é a mulher que diz fazer parte dos Durand, Laurel. Sei que já cometi erros demais, mas estou aqui para consertar tudo isso e reerguer a honra da sua família, não é o que quer? – disse Pierre em meio a um sorriso convencido.

- E o que tem para me oferecer como garantia? Vindo de você eu duvido de muitas coisas que rondam por este território.

- Faça com que nos deixem a sós e negociaremos.

O descontentamento de Eric era evidente, o mesmo não gostara nem um pouco da ideia de Pierre e hesitou em contrariar a ordem de Laurel para se retirar, recebendo em seguida um olhar que transparecia segurança vindo da duelista.

Tanto Eric como o guarda que antes trouxera o nobre pelos braços saíram do ambiente, fazendo com que Laurel e Pierre permanecessem sozinhos no jardim.

- E então, Pierre, me conte. – indagou a duelista.

- Se aceitar se casar comigo, eu e você derrubaremos a farsante que diz ser sua tia, a mesma mulher que matou o seu pai envenenado e não em batalha, como todos andam dizendo. E se não aceitar, você mesma irá ser culpada pelos erros dela e os Durand jamais haverão de se reerguer novamente em Kallid. Irão ruir em meio a vergonha e ódio pelo povo, o que acha, Laurel? Aceita ou não? – questionou Pierre.

 

 


Notas Finais


Espero que tenham gostado e como sempre, sugestões são bem vindas.


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