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História Assassin's Creed: Elementary - Capítulo 25


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Notas do Autor


Agora o cerco está se fechando... Preparem-se pois estamos nos aproximando dos capítulos finais da fanfic.
Esperem por muitas revelações. Estão prontos?
Boa leitura!

Capítulo 25 - Apunhalada Pelas Costas


            Evie saltava de um telhado a outro no bairro de Strand. Movimentar seu corpo ajudava a aplacar sua raiva, mas não a acalmava completamente. A Assassina transbordava de ira. Sentia-se agora a traída, a ludibriada, a tola da vez. Agora, tudo estava claro para ela. Sherlock Holmes se aproximou dela com um único intuito: conseguir provas para derrubar a ela e a seu irmão Jacob por meio dos Rooks. Não havia qualquer admiração e respeito de sua parte. Era tudo fingimento, com o objetivo de alcançar fama e sucesso em sua carreira de detetive.

            Fama esta que era gritada por toda Londres, nos meninos vendedores de jornais, e nos inúmeros londrinos que compravam suas edições tentando entender quem era o tal “Detetive Consultor” que conseguiu passar a Scotland Yard para trás e, sozinho, prender o “maior criminoso de Londres”.

            Era triste para Evie ver o nome de seu irmão estampado nos jornais junto aos dizeres “criminoso” e “bandido”, mas a Assassina sabia que precisava manter a calma. Ela ainda desejava salvar seu irmão, arrumar uma forma de fazê-lo escapar da cadeia, mas primeiro, Evie tinha contas a acertar com Mr. Holmes.

            Montague Street estava abarrotada de pessoas. Boa parte delas, curiosos para conhecer o “Detetive Consultor” das manchetes dos jornais. Sabendo que teria de evitar a porta da frente, Evie optou por uma janela. Estava fechada, mas não trancada. Nada que fosse um desafio à Assassina, que após força-la, finalmente pôde ter acesso ao apartamento de Holmes.

            Mal havia colocado seus pés, Evie se surpreendeu ao ver Holmes caído no chão. Por maior que fosse sua fúria, vê-lo pálido, desacordado sobre o chão a deixou preocupada, a ponto de se apressar em verificar o seu pulso. Fraco, mas ao menos ele ainda estava vivo.

Holmes estava sem seu usual terno, colete e gravata que tão elegante lhe deixava. As mangas de sua camisa estavam arregaçadas. Verificando seu braço pela primeira vez, Evie percebeu incontáveis cicatrizes pequenas ao redor da área interna do cotovelo. Cicatrizes de perfuração, semelhante a agulhas. Ao perceber uma seringa próxima a sua mão, Evie não teve dúvidas de que o detetive se drogava. Oh sim. Agora ela se lembrou do que ele chamou outrora de “distrações pouco ortodoxas”. Decerto, eram drogas injetáveis. Morfina, cocaína... Evie não era uma grande conhecedora do tema, mas sabia de algumas, facilmente obtidas por meio de receita médica em inúmeras farmácias pela cidade.

Voltando seus olhos para perto de sua mão, Evie percebeu que havia uma carta de suicídio, com uma caligrafia que, embora se esforçasse para soar masculina, era claramente feminina.

 

 

Cansei de viver. Prendi o criminoso mais famoso de Londres, mas ainda não obtive o reconhecimento que deveria. Matei minha própria mãe durante meu nascimento, não consegui atender às expectativas do meu pai e meu irmão me acha um medíocre. Todos me odeiam.

Paguei um preço alto demais para me tornar o que sou. E só agora, vejo que sou incapaz de paga-lo.

Adeus, Humanidade.

Sherlock Holmes

 

 

-Dramático demais para uma carta de suicídio, Holmes. – murmurou Evie, sabendo que esta era uma carta forjada e que Holmes era egocêntrico demais para cometer suicídio. Mas ao aproximar o papel do rosto, Evie notou algo familiar.

-Hum... Esse cheiro... Esse... Perfume... Onde eu já o senti antes?

Bastou breves segundos para que Evie descobrisse. Era o perfume de Violet!

Soltando o papel como se ele pegasse fogo de sua mão, Evie passou a analisar o ambiente. O local era extremamente bagunçado, mas apesar de todo o espírito perturbado de Holmes, um lenço feminino bordado com as iniciais I.A. dificilmente estaria entre seus possíveis pertences.

Evie verificou seu pulso novamente. Cada vez mais fraco. Sua respiração também parecia ter desaparecido. Evie colocou os dedos próximos das narinas de Holmes. Nenhum ar parecia sair e o detetive estava cada vez mais pálido.

-Ah não... Você não vai morrer sem antes me explicar o que diabos está acontecendo... – murmurou Evie, furiosa. Sem alternativas, Evie precisou recorrer à detestável, quando feita a um inimigo, respiração boca a boca. Abrindo a boca do detetive, a Assassina começou. Lamentou-se profundamente ao fazê-lo, pois logo sentiu o gosto forte de tabaco a acossá-la. Ela ainda não conseguia compreender como ele poderia fumar tanto. Começando a fazer compressão cardíaca, ela notou nenhum progresso. Sabendo que cada segundo era crucial, a Assassina chegou a se desesperar. Estava cheia de perguntas a fazer a Holmes, perguntas estas que estavam em vias de terem suas respostas idas ao túmulo dele se ele não despertasse.

-Reaja, seu miserável!

Para contragosto de Evie, outra vez respiração boca a boca. E mais gosto de tabaco, que quase fez a Assassina vomitar de tanto desgosto. Depois, mais compressão cardíaca, desta vez mais forte. Finalmente Evie percebeu que ele estava se reanimando. Checando sua respiração, ela percebeu que ele voltou a respirar regularmente, mas ainda estava inconsciente.

O estado de inconsciência do detetive não a impediu de descarregar – ainda que um pouco – a sua raiva. Furiosa, Evie começou a desferir alguns tapas estalados nele. Logo seu rosto mal barbeado começou a tornar-se vermelho, com marcas de suas mãos. Apenas depois do quinto tapa ele começou a se mover, grunhindo algo incompreensível.

-Vamos! Acorde logo, seu desgraçado! - gritava Evie, passando a sacudi-lo pelos ombros. Logo, seus olhos cinzentos se abriram, ainda que semicerrados. Suas pupilas estavam dilatadas. Sinal de que a droga ainda circulava pelo seu organismo.

O sexto tapa arrancou um grito de dor. Finalmente havia acordado.

-Evie?! – ele perguntou, confuso, sentindo o maxilar dolorido.

-Oh, então você me chama de Evie? Pensei que seria algo como “Maria Antonieta do Crime”, quem sabe? Afinal, chamou o meu irmão de “Napoleão do Crime” nos jornais...

-A julgar por seu tom de voz, presumo que está aqui para me matar por ter posto seu irmão na cadeia.

-Correto. – disse Evie, ejetando sua lâmina.

-Mas então, porque simplesmente não me deixou morrer? Porque a última lembrança que tenho é de ter sido injetado com uma dose de morfina duas vezes maior do que costumo usar. Na maioria dos casos, algo fatal. Mas pelo contrário. Você não só deixou de me matar, mas me reanimou.

-Como sabe que te reanimei? – perguntou Evie, andando de um lado a outro no quarto e ainda soando ameaçadora.

-Bom, além de meu maxilar e tórax estarem doloridos de tantos empurrões e tapas que levei, eu... Estou com a leve sensação em meus lábios de que alguém fez boca a boca em mim.

-O que foi a sensação mais desagradável da minha vida. – retrucou Evie.

-Enfim, creio que a senhorita tem um motivo muito forte para optar por minha sobrevivência em detrimento de sua vingança. Poderia me dizer qual é?

-Sim. Respostas.

Holmes parecia refletir sobre a exigência da Assassina. Por fim, assentiu.

-Está bem. Primeiramente, o que deseja saber?

-Tudo. Do começo, de preferência.

Levantando-se do chão, Holmes caminhou lentamente até sua mesa, de onde tirou de uma gaveta uma garrafa de uísque. Preencheu um copo de vidro até a metade, e o tomou. O detetive deu um vigoroso gole, balançando a cabeça com a aspereza da bebida. Evie balançou a cabeça, aturdida. Ele estava recorrendo a um narcótico para se curar de outro?

-Nada como uma bebida forte para acelerar os batimentos cardíacos. – justificou-se o detetive. – Mas vamos à sua resposta. Para começo de conversa, convenhamos que dizer que Jacob é inocente da acusação de ser o chefe da organização criminosa chamada Rooks é uma grande tolice. Nós dois sabemos aqui que nenhuma de minhas acusações é falsa.

-Sim, mas isso não...

-Quão hipócritas são vocês, Assassinos. Levantam a bandeira de uma sociedade livre, de uma cidade onde todos podem andar livremente e, no entanto, vocês se utilizam de um mesmo instrumento que seus inimigos para “promover” essa liberdade, que nada mais é que algo falso, teórico. Não, minha cara Evie. Londres jamais esteve livre depois da queda dos Templários. Ela continua refém de uma gangue – sua gangue, os Rooks. A população ainda sofre com seus crimes, ainda se sente ameaçada e recuada com as ruas repletas de marginais dispostos a qualquer coisa por moedas.

-Os Blighters eram muito piores que os Rooks. – disse Evie, com veemência.

-Eram mesmo? – perguntou o detetive, reflexivo. – Bom, os Blighters não gerenciavam bordéis e nem lucravam com a venda de ópio, então sua afirmação não parece ter fundamento.

Evie riu.

-E acaso os Rooks fazem isso?

-Fazem. – disse Holmes, tranquilamente. Evie ficou horrorizada.

-Não faça acusações levianas, Mr. Holmes. Os Rooks jamais exploraram prostitutas ou venderam ópio. Desde o princípio, eu e meu irmão Jacob chegamos a um acordo de jamais nos intrometermos em tais atividades criminosas.

-Pois me parece, Miss Frye, que eu estava certo em deduzir que a senhorita está completamente alheia ao que está havendo com os Rooks. Decerto porque esteve ocupada demais com C.A.M. e me ajudando com o problema de Miss Hunter para se aperceber destas mudanças. Pois permita que eu elucide a real situação: neste exato momento, os Rooks controlam dez bordéis por toda Londres e usam as instalações para venda e consumo de ópio. E ao que parece, pelas suas costas.

-Não é possível... – murmurou Evie.

Harry... Só pode ser coisa daquele patife. Ele provavelmente fez a cabeça do meu irmão. E eu não me dei conta disso, porque estive muito ocupada recentemente. Deixei que aquele marginal influenciasse o cabeça fraca do Jacob e embarcasse em negócios mais lucrativos, porém desaprovados pela Irmandade.

-Vejo que está começando a acreditar em mim. – concluiu Holmes, esperançoso, ao ver Evie pensativa com suas revelações.

-Eu quero provas! – exigiu Evie, com o olhar determinado. Holmes assentiu, entregando a Assassina, para sua surpresa, o livro-razão dos Rooks.

-Como isso veio parar aqui?! – indagou Evie, começando a folhear o livro.

-Uma resposta por vez. Como pode ler, nas páginas mais recentes, os Rooks angariaram fundos vultosos com a venda de ópio e prostituição. Está vendo esses nomes? – apontou nomes nos livros. – Como provavelmente deve reconhecer, são nomes de bordéis.

Evie teve de concordar com nome. Reconhecia o nome de alguns bordéis de Westminster e Lambeth ali. Os Rooks jamais tiveram qualquer envolvimento com esse tipo de negócio. Nem mesmo os templários, porque era algo fragmentado demais para ser controlado. Para não dizer que a própria exploração em si lhe causava ojeriza. Ela jamais aceitaria que os Assassinos fossem financiados por algo assim.

Rendida, Evie exalou profundamente, levando os dedos à testa.

-Está bem, você está certo. Os Rooks estão envolvidos com bordéis e ópio, para meu total desgosto. Mas não entendo... Por que este livro-razão está em seu poder, e não com a polícia?

Holmes pareceu subitamente sem jeito.

-Tenho outras evidências, de igual teor. Senti que não precisava dele.

Evie parecia aturdida.

-Este tempo todo, seu objetivo foi nos derrubar, não foi?

Holmes levemente assentiu.

-Arruinar os Rooks se tornou o objetivo da minha carreira. Desde que comecei a estudar a você e seu irmão, tive a sensação de que desmantelar os Rooks e levar seu principal líder à cadeia era o caso que me alavancaria como Detetive Consultor. Tive ainda mais certeza quando descobri sobre o ópio. Mas a convivência que tive coma senhorita nos últimos tempos me deu plena certeza de que tráfico de ópio não combinava com seu perfil, e que isso seria algo arquitetado por seu irmão e sem seu consentimento. Cheguei a pensar em te contar sobre o ópio, mas temi que minha capacidade de julgamento estivesse equivocada e que a senhorita já soubesse do negócio. Este era um risco que eu não desejava contar.

-Mas como conseguiu reunir as provas tão rapidamente?

-Nada muito complicado. Infiltrei uma pessoa em seu convívio.

-Violet Fitzgerald.

-Ou melhor, Irene Adler. Uma atriz americana, velha conhecida minha, que já pertenceu à Irmandade dos Assassinos da América, mas acabou expulsa por desobediência ao Mentor. Ela tinha uma dívida para comigo, então pedi a Irene que aparecesse em seu “esconderijo” e se passasse por uma Assassina. Um “reforço” do conselho que vocês tanto odeiam.

-Como soube de nossa desavença?

-Interceptei sua correspondência nos últimos meses. Não houve carta que chegou às suas mãos sem antes ter passado pelas minhas, e vice-versa. Notei que o representante do Conselho que vocês mais se comunicavam era um tal de George Westhouse. Consegui, então, uma amostragem boa de cartas para fazer uma falsificação de sua caligrafia, com o aviso do Conselho de que uma nova Assassina estava chegando para ajuda-los. Foi assim, com Irene, ou melhor dizendo, “Violet” infiltrada em sua Irmandade, que eu consegui as provas mais substanciais.

-Como fez para plantar a carta? Algum Rook te ajudou?

Holmes riu levemente. – Não foi preciso. Eu mesmo me disfarcei de Rook e plantei a carta falsa. O segredo é vestir verde, falar pouco, apenas o essencial, e ser cordial com os demais. Entrei no trem e joguei o papel amassado atrás do sofá, para que você imaginasse que era este mais um ato de negligência e rebeldia do seu irmão. Mas admita: nem foi algo tão audacioso assim.

-Ah, mas eu vou matá-la! Aquela traidora há de me pagar pelo que fez!

-Então, Miss Frye, temo que a senhorita terá de se juntar à fila. Pois ela também “passou a perna em mim”, como dizem os americanos iguais a ela.

-O quê? – surpreendeu-se Evie. – Como assim, passou a perna em você?

-Durante todo este tempo, Irene também trabalhava para outra pessoa. O Professor James Moriarty.


Notas Finais


A fila para ajustar as contas com a Violet/Irene está grande, hein!!
Vai ter que distribuir senha!!
Espero que tenham gostado e até o próximo!


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